domingo, 14 de janeiro de 2024

Cães de caça

"Les meutes", de Kamal Lazraq (2023) Vencedor do prêmio do juri no Festival de Cannes na Mostra Um certo olhar, "Cães de caça" é co-produzido por Marrocos, França, Qatar, Bélgica e Arábia Saudita. O filme acontece durante 24 horas, e é um drama com elementos de suspense e thriller que lembra "After hours", de scorsese, quando cada ação desemboca em uma reação cada vez mais desastrosa. O que mais me emcoionou no filme, é como a religião muçulmana está acima de tudo para a população, independnete da classe social que a pessoa se encontra. Nos subúrbios de Casablanca, Hassan (Abdellatif Masstouri) e Issam (Ayoub Elaid), pai e filho, vivem realizando pequenos delitos para a máfia local. Quando um chefe de uma gangua tem o seu cão morto em uma rinha de cães, ele decide se vingar. Contrata Hassan para sequestrar o dono do cão que matou o seu. Hassan chama seu filho para ajudá-lo, mas durante a ação, o homem acaba morrendo. Desesperados, pai e filho tentam decsobrir uma forma de sumir com o corpo, sabendo que a religião obriga que eles levem o corpo até Meca, antes do amanhecer, para não terem suas almas condenadas. Totalmente rodado com não atores, quando soube dessa informação fiquei chocado com a performance dos atores principais, não só os principais, mas também os coadjuvantes. Filmado quase todo na noturna, com luz natural, é um filme muito bem dirigido e apresentando a parte da periferia de Casablanca, onde vivem pessoas na miséria total e onde a bandidagem come solto.

sábado, 13 de janeiro de 2024

After school

"Cheng gong bu xi ban", de Blue Cheng-Lung Lan (2023) Dedicado ao seu melhor professor e amigo, Mickey Chen, o filme "After school" é uma produção de Taiwan que mistura os gêneros do drama, comédia e temática LGBTQIAP+. O filme é escrito pelo cineasta Blue Lan, que homenageia seu professor, falecido, que o ensinou sobre relacionamentos e sexualidade, incluindo a homossexualidade. O filme começa em 1994. Três melhores amigos de uma faculdade de cinema conhecem o professor substituto, Mickey Chen. Os rapazes Zhang Zheng Heng (alter ego de Blue Lan), Cheng Xiang e a amiga Chen Si se divertem na high school. Sem condições financeiras, Zhang Zheng se hospeda na casa de Cheng Xiang, ajudando no restaurante dos pais dele. O professor produz documentários enfatizando a vida da comunidade gay, e esses filmes acabam sofrendo preconceito por parte dos alunos e professores, menos dos 3 amigos. Um dia, ao brincar de assediar Cheng Xian, Zhang é expulso da casa e é ajudado pelo professor, que o hospeda em sua casa e lhe dá lições de vida. O filme tem um tom bem pastelão quando traz cenas de humor, o que distoa bastante do restante do filme. Mas o fato de falar da aceitação da homossexualidade entre os jovens já faz o filme ganhar pontos. Com belas locações rodadas em Taipei, "After school" aposta no melodrama sem medo dos exageros dramáticos.

Meninas malvadas

"Mean girls", de Samantha Jayne e Arturo Perez Jr. (2024) Remake da comédia cult de 2004, o filme tem roteiro de Tina Fey, que também escreveu o original, adaptado do livro de Rosalind Wiseman de 2002, "Queen Bees and Wannabes". O filme também adapta elementos do musical da Broadway que estreou em 2019. A atriz que interpretou Regina George no musical, Reneé Rapp, repete seu papel aqui no filme ( no filme original, o papel foi de Rachel MacAdams). Cady , que no original foi a icônica Lindsay Lohan, aqui é interpretada por Angourie Rice. Cady Heron mora no Quênia com sua mãe, mas precisam se mudar para Illinois. Cady demora a socializar na high school, mas Janis e Damian, dois melhores amigos, a recebem e a ajudam a se enturmar. Cady se apaixona de cara por Aaron, um garoto que estuda matemática em sua sala, mas descobre que ele é ex-namorado de Regina George, a toda poderosa, a toda Bitchy, seguida pelas fiéis asseclas Gretchen e Karen (no filme original, Karen foi Amanda Seyfried, estreando nos cinemas). Cady se enturma com as "plastics girls" e vai se tornando uma dela, para desgosto de Janis e Damian. O filme se diferencia do original pela sua escolha em ser um musical. Muitos momentos eu me imaginei assistindo à "Glee", a série de Ryan Murphy que eu adorava, trazendo diversidade e representatividade nos personagens e temas. A roteirista e atriz Tina Fey entendeu que se passaram 20 anos e muitas pautas da época precisaram ser atualizadas para as questões contemporâneas, como sororidade, cancelamento, vício em redes sociais, bullying digital, e principalmente, a independência feminina. O filme é simpático, mas se for comparar com o original, sai perdendo, pois não se preocupava em ser politicamente correto. Algumas participações especiais, como por exemplo, de Ashley Park e Jon Hamm, não foram bem aproveitadas e ambos estão no limite do constrangimento.

Hipopótamo

"Hippopotamus", de Jody Wheeler (2018) Escrito e dirigido pelo cineasta americano Jody Wheeler, "Hipopótamo" é uma grande confusão. Quer ser drama LGBTQIAP+ , quer ser comédia, quer ser filme de terror, quer ser filme para voyeurs, quer ser erótico, quer ser romance. E nada funciona. O filme apresenta um resort em plena Palm Spring: um resort gay, onde todos, funcionários e clientes ficam totalmente nús. Matt (Mark Cirillo). é o zelador do local. Ale faz sexo com todo mundo, além de ter que tomar conta do local. mas de noite, uma entidade fantástica, apelidada de Lizzard man, surge para atacar as pessoas que estão ali presentes. Com o mote "What do you see?", o filme só serve para uma coisa; passar o filme todo vendo um desfile de homens totalmente nús, desfilando de um lado pro outro. Fora isso, é zero interesse. O roteiro é confuso e não funciona, e as atuação são amadoras. A parte de horror fantástico então, é um desastre.

Coisas a fazer antes de morrer

"Coses a fer abans de morir", de Miguel Llorens e Cristina Fernández Pintado (2020) Drama espanhol que lembra os cults "[O reencontro", de Lawrence Kasdan, e "Para o resto de nossas vidas", de Kenneth Branagh. são filmes onde um grupo de amigos inseparáveis têm a amizade abalada após a morte de um deles, e essa tragédia acarreta o fortalecimento de seus laços, atravé s de muita lavação de roupa suja e segredos revelados. Um grupo de três mulheres e três homens, todos amigos, se reúnem em uma casa à beira do mar. Sam, que sofre de uma doença terminal, pede-lhes que, em sua homenagem, realizem aqueles sonhos que – por um motivo ou outro – nunca ousaram realizar. Depois que Sam tiver morrido, os demais se reunirão novamente para cumprir o que foi prometido. Brigas, traições, e a descoberta de que Sam teve um caso com um dos amigos faz o filme se tornar uma boa pedida, onde drama, comédia e romance se alternam, abraçados por boas performances de todo o elenco. O filme recebeu mais de 8 prêmios em festivais, atestando a qualidade do projeto. Lindas locações rodadas na Espanha.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

O sexo não compra o amor

"Boy culture", de Q. Allan Brocka (2006) Adaptado do romance homônimo de 1995 de Matthew Rettenmund, "Boy culture" recebeu 16 prêmios em festivais, incluindo o prestigiado Tribeca, e é um drama Lgbatqiap+, que tem como tema, o universo dos garotos de programa de alto luxo. O protagonista é Alex (Derek Magyar), cujo apelido para seus clientes é X. X tem uma cartela de 12 clientes de altíssimo padrão, cobrando por volta de mil a cinco mil dólares por atendimento. X mora em um apartamento alugado com 2 roomates: Andrew (Darryl Stephens), por quem X tem um crush platônico, e Joey (Jonathon Trent), um gay afeminado de 18 anos que tem um crush por X. Quando um dos clientes de X se suicida, ele coloca um novo cliente em seu lugar: Gregory (Patrick Bauchau), um idoso que propõe um acordo com X: não irá fazer sexo nos atendimentos que agendar com X, até que X tenha desejo próprio de querer sexo com ele. O filme é uma mescla de drama e comédia romântica, com os 2 roomates de X oferecendo os momentos mais divertidos do filme. Mas a narração em off do personaegm X, que narra absolutamente todas as ações e cenas, como se escrevesse um diário, se torna bastante monótono e cansativo. O que vale aqui é um universo queer bem apresentado, com muita malícia e um protagonista carismático.

Astrakan

"Astrakan", de David Depesseville (2022) Aclamado pela crítica como uma homenagem à "Os incompreendidos", de Truffaut, "Astrakan" concorreu no prestigiado Festival de Locarno em 2022, e foi todo rodado em 16 MM> O filme é considerado com estética impressionista, remetendo ao naturalismo bucólico de Eric Rohmer. Mas o filme traz segredos de família bastante polêmicos: pedofilia. Samuel (Bastien Bouillon, excelente), um menino órfão de 12 anos, mora com seus pais adotivos: o jovem casal Marie e Clemente, que já possuem 2 filhos pequenos, Alexis e Dimitri. Luc, o irmão mais velho de Marie, frequenta a casa. Marie e Clemente adotaram Samuel por estarem com situação financeira complicada, e ganham dinheiro do governo por adotar o menino. Entre a sedução da colega da escola Helene, que vive dando em cima dele, e de Luc, um pedófilo que abusa sexualmente de Alexis e Dimitri e agora quer seduzir Samuel. O filme tem belíssima fotografia de Simon Beaufils e locações ensolaradas na área rural da França. Mas por trás de tanta beleza, o filme esconde terríveis segredos, em um filme ousadoe. corajoso, favorecido por um time de ótimos atores mirins e adultos. É um filme doloroso e difícil de assistir, principalmente no trecho final, onde vemos em flashbacks, momentos de Luc convivendo na casa.

After sundown

"After sundown", de Bhandit Thongdee (2023) Drama romântico LGBTQIAP+ com toques de horror e sobrenatural, essa produção tailandesa traz como protagonistas dois ídolos do país: os jovens atores Chawarin Perdpiriyawong, no papel de Saengrawee, e Pruk Panich, no papel de Phra Ploeng. O filme se passa em 1961. Saengrawee, um jovem de 21 anos, mora com o monge Luang, um idoso, em um tempo em Ayutthaya. O monge diz a Saengrawee que ele deverá morar com um amigo de várias décadas, Phra Nakhon, pois tem uma missão: ao completar 25 anos, ele deverá encontrar sua alma gêmea em Phra Ploeng, neto de Phra Nakhon. O rapaz tem uma maldição que diz que se ele não encontrar sua alma gêmea, que deverá ser um rapaz de 25 anos, ele poderá morrer, junto de seu avô. O filme é uma fantasia queer com uma história bem louca. Mas o mais curioso, é que a relação entre dois rapazes é normalizada na história, e isso não se torna um conflito. O conflito é Phra querer fazer par forçadamente. Obvio que ao longo do filme eles irão se apaixonar novamente. mas a parte de horror do filme, que é um espírito de uma mulher que assusta os moradores da casa, parece uma sub-trama de um outro filme, que não se comunica com a parte romântica.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

Estréia

'Debut", de Dalibor Matanic (2018) Financiado pela União Européia, "Estréia" é um curta Lgbtqiap+ croata, e me impressionou pela sua qualidade artística e pela poesia e delicideza de se narrar uma história em apenas 4 minutos: uma história sobre o primeiro amor ao se assumir gay, e de uma estréia no time de futebol masculino, um universo de masculinidade tóxica e homofóbica. Ivan (Kristian Bonacic) é um jovem croata que trabalha na fazenda de sua família, cuidando do gado. seu sonho é se tornar jogador de futebol e para isso, ele treina na cidade, desejando ser escalado pelo olheiro. Mas ele se apaixona perdidamente por um dos jogadores, e no dia que os olheiros chegam para avaliar o jogo, ele age de forma romântica e sincera durante o jogo, o que pode lhe custar todo seu futuro profissional. Que lindeza de filme, com apenas 4 minutos, superior a tantos filmes que assisti. Praticamente sem diálogos, com uma fotografia esplêndida e movimentos de câmera e drone que revelam a beleza das locações, "Estréia" é uma aula de consisão sobre trazer sua mensagem sem ser prolixo e redundante e trazendo tudo no tempo certo. Amei.

Kort

"Kort", de Sanne Vogel (2013) Premiado curta LGBTQIAP+ holandês, "Kort"traz temas bem complexos como a aceitação de corpos fora do padrão. O adolescente Arend (Daniel Cornelissen) passa a noite em um chat trocando mensagens com Michael (Willian boeva), e esconde de seus pais que é gay. Ele marca encontro e vai se encontar com Michael, e para sua grande surpresa, Michael é portador de nanismo. Retraído, Arend aceita ir para a casa de Michael. Lindamente dirigido eatuado, um filme que deixa uma reflexão gigante na mente do espectador assim que o filem termina, levantando pautas sobre tabus e preconceitos.

Sétimo

'Séptimo", de Valentina Chamorro Westergårdh (2011) Selecionado para diversos festivais de gênero horror e Lgbtqiap+, o curta sueco "Sétimo" traz um trágico romance e o destino melancólico de um lobisomem. Vincent (Andreas La Chenardière) é um homem belo e sedutor. Mas ele é um lobisomem. Ele foge de se apaixonar pelas suas vítimas, sabendo que a tragédia será eminente. Mas um dia ele conhece Gustav (Robert Noack). Ambos se apaixonan, e Gustav deseja muito que eles se relacionenm. mas a noite de lua cheia está a caminho. Vincent, sem dizer a Gustav o movito, foge dele. Mas Gustav insiste em ir atrás. Com 2 atores belíssimos e lindas cenas de homoerotismo, "Sétimo" é um filme bastante sedutor, quase que com a estética brega de um "Cine privé", com música clássica como trilha. Mas esse charme cafona lhe confere justamente um tom kampf, romântico ao extremo, que se torna delicioso.

Auto da fé

"Auto da fé", de Oz Shtamler (2022) Premiado curta erótico Lgbtqiap+ israelense, "Auto da fé" é ums história sacana repleta de fetiches envolvendo o imaginário queer: oficina mecˆnica, macânico, sexo dentro do carro. Amnon é mecânico em uma oficina. Um dia, um cleinte chega e lhe entrega o carro para que seja vistoriado. O cliente é um famoso ator pronô. Amnon passa a fantasiar fazendo sexo com clientes e com o próprio carro. Para o espectador que curte safadezas como transa no carro ou adoração por atores gays pornôs, o filme traz cenas intensas de sexo. Fotografado com bastante saturação na cor e trazendo elementos visuais que ajudam a dar o tom homoerótico da produção, o filme tem um roteiro bastante singelo, deixando claro que as imagens são mais importantes para seduzir o espectador voyeur.

We might hurt each other

"Rupintojelis", de Jonas Trukanas (2022) Alardeado como o primeiro filme de terror vindo da Lituânia, "We might hurt each other" é co-escrito e dirigido por Jonas Trukanas. O filme segue a fórmula de qualquer slasher americano que surgiu desde os anos 70: um grupo de jovens recém formados descobrem que a festa foi cancelada. Marius (Sarunas Rapolas Meliesius), o mais impopular da turma, convida a todos para irem até uma cabana isolada, pertencente à sua família e que não conseguem vender há anos, por conta de uma tragédia que aconteceu ali: o zelador perdeu toda a sua família em um incêndio e teoricamente se suicidou. Mais de 30 jovens chegam ao local, e durante a noite, ao destruirem totens de madeira, acabam sendo mortos um a um por um serial killer. É imperdoável para um slasher que a primeira morte somente aconteça lá por 45 minutos de filme, até lá, é uma enrolação sme fim. Mas o positivo, é que é uma chacina envolvendo muita gente. Ao invés de ser slasher com grupo de uns 5 a 6 adolescentes, aqui tem pelo menos 30, uma fartura pro serial killer, que tem todo perfil de Jaosn, inclusindo uma máscara bastante semlhante e um machado na mão. Mas o filme é chato, as mortes quase não são vistas e o desfecho é sem graça.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

A dim valley

"A dim valley", de Brandon Colvin (2022) Drama independente LGBTQIAP+ americano, 'A dim valley" tem se aproxima de uma narrativa experimental, trazendo uma trama confusa que envolve inclusive ninfas de uma floresta, e uma delas interpretadas por uma atriz trans. O professor de biologia Clarence (Robert Longstreet) leva seus dois alunos d epós-graduação Ian (Zach Weintraub) e Albert (Whitmer Thomas) para estudar a botÂnica nas montanhas Apalaches, no Kentucky. Hospedados em uma cabana, os dois alunos passam o dia fumando maconha, enquanto o professor se dedica às bebidas alcólicas. Um dia, Ian encontra 3 jovens mulheres na floresta: Rose, iris e Reed. Elas passama. conviver com eles na cabana. Com a presença delas, ian e Albert fionalmente se declaram um ao outro, enquanto o professor se afoga ainda mais ao álcool. Mesmo com boas performances e lindas locações captadas pelas lentes do fotógrafo Cody Duncum, o filme é muito confuso e muitas situações não possuem qualquer tipo de clareza ou entendimento. Parece que tudo está sob o efeito da maconha, tal a falta d elógica na narrativa. Abraçando o realismo mágico e poético, o filme renderia muito mais se fosse um curta, ao invés de um longa. Cansativo demais.

Opening night

"Opening night", de Joshua Coppenbarger (2023) Fofo e delicado curta romântico LGBTQIAP+ americano, "Opening night" mostra o primeiro beijo entre dois rapazes, estudantes de uma high school e na noite de estréia de uma peça de teatro na escola. Josh (Jack Walz) é o protagonista da peça, e está bastante tenso com a estréia: ele tem que beijar a colega de cena e nunca beijou. Ao ser convocado para um ritual antes da apresentação junto dos rapazes do elenco de apoio, ele acaba sendo encorajado por Tyler (Jeremiah Brannan), o crush platônico de Josh. E para deixar josh ainda mais encabulado, Tyler se oferece para ensaiar o beijo com Josh. Com atores carismáticos e lidando com a tensão e o nervoso duplamente de Josh, tanto pela estréia quanto pelo primeiro beijo de sua vida, ainda mais com o garoto que ele curte, o filme acerta ao dar um tom totalmente romântico e ingênuo, e escalando atores de fato adolescentes. Gostei bastante e fiquei encantado com o romantismo do filme, sem qualquer resquício de maldade, quase um filme da Disney sobre saída do armário.

The jealous sea

"The jealous sea", de Reid Waterer (2018) Curta LGBTQIAP+ americano, "The jealous sea" apresenta um filme totalmente sem diálogos, todo clipado contando início, meio e fim de um relacionamento gay,d estruído por ciúmes. Assim como no prologo de "Up, altas aventuras", o diretor e roteirista traz imagens e situações chaves no relacionamento entre Carlos (Kevin Ramirez) e um fotógrafo de nú masculino, Jaime (Rodiney Santiago). eles se conhecem num parque e inciiam um romance. Eles são felizes por um tempo, até que um dia, Carlos vasculha o computador de Jaime e decsobre uma pasta com fotos de um modelo nú. Enciumado, Carlos rompe com Jaime. Ap;os um tempo, indo a uma boite gay, ele vê Martin (Senastien Lysen), o modelo da foto, e o seduz e o leva pra cama. O filme tem protagonistas latinos e isso é um grand emérito. A história, mesmos endo óbvia e clichê, está bem contada, sem diálogos. O que estraga a experiência de se assistir ao filme, é a trilha sonora onipresente, irritante, o que torna impossível apreciar o filme sem ficar incomodado.

Angelo

'Angelo", de Collen Tonderai Demerez Changadzo (2024) Drama LGBTQIAP+ inglês rodado em Barcelona, traz o despertar sexual de um rapaz, Angelo (Eduard Galiá), nascido na Argentina e filho de pais argentinos e italianos, e que foi estudar em uma faculdade em Londres, aonde ficou muiuto amigo de MArcos (Sergio Peres). Angelo retorna para Barcelona e acaba rompendo com sua namorada de anos, Justine. Deprimido com a separação, ANgelo recebe uma noite o amigo Marco, que foi visitá-lo em Barcelona. Marco acaba revelando para Angelo que saiu do armário. Essa notícia desperta algo em Angelo, que acaba passando a noite com o amigo. O filme é quase todo narrado em off pelo personagem Angelo, que escreve toda a sua história em um diário. Com bela fotografia que aproveita a solaridade da região, e boas performances dos dois atores, "Angelo" é um filme simples mas filmado com bastante erotismo, mostrando o personagem quase o tempo todo de cueca ou semi-nu, atiçando o voyeurismo do espectador.

terça-feira, 9 de janeiro de 2024

Sem pele

'Ecorcheé", de Joachim Hérissé (2022) Premiado no Festival de Clermond Ferrant,"Sem pele" é um excelente curta de animação na teçanica do stop motion. Sö que ao invés de massinhas, os bonecos são feitos de pano, um trabalho impecável da equipe que criou os bonecos. O filme é um terror experimental quase que um conto de fadas macabro, lembrando os curtas de Tim Burton em início de carreira, quando ele era mais soturno. Num prédio antigo, perdido no meio do pântano, vivem duas mulheres, gêmeas siamesas unidas por uma perna. Isoladas do mundo, uma das irmãs vive esfomeada, matando um coelho por noite para saciar sua fome. A outra irmã tem o desejo de se separar fazendo um corte na perna para ver se elas se libertam. Bastante criativo e incrível como assusta somente usando tecidos e fios, além de uma edição de som que emite ruídos que incomodam bastante. Toda a parte técnica, incluindo fotografia e direção de arte, merecem aplausos. Os coelhos e a forma violenta como são esfolados, é impressionante. O filme certamente vai deixar muita criança tendo pesadelos por noites a fio.

Let the river flow

"Let the river flow", de Ole Giæver (2023) Premiado em diversos festivais internacionais, "Let the river flow" parte d euma história real ocorrida na Noruega no final dos anos 80 e que retrata o racismo contra uma tribo indígena residente do país: a comunidade Sami. A população norueguesa os rechaçava e tentaram apagá-los da história e do país. Samis que se casaram com noruegueses criaram seus filhos como noruegueses em busca de uma vida melhor. Ester (Ella Marie Haetta Isaksen) é uma jovem professora primária na Noruega. Filha de pais Sami, quando seu pai morreu, sua mãe se casou com um ês para esquecer a sua ancestralidade. Ester foi criada como norueguesa. Quando a cidade decide construir uma barragem que irá inundar toda a região indígena, eles fazem uma manifestação. Quando seu primo Mihkkal (Gard Emil), que assume a identidade Sami, surge e diz à ela que irá participar da manifestação, Ester passa a entender e compreender o seu passado e o seu povo, se tornando uma aliada a favor da comunidade e da ecologia. Parece proposital que a atriz Ella Marie Haetta Isaksen se pareça tanto com a ativista jovem Gretha Thumberg. O filme é sobre a força de uma geração que decidiu mudar o rumo das coisas, e lutar contra o governo e o sitema, em prol de um futuro melhor para todos. Um bom filme, com lindíssimas locações e fotografia espetacular.

O americano

"Amerikatsi", de Michael A. Goorjian (2023) Finalista para o Oscar de filme internacional 2024, o representante da ArmÊnia é escrito, dirigido e protagonizado pelo ator americano e de ascendência armena Michael A. Goorjian . O filme recebeu diversos prêmios em festivais internacionais, e é uma alegoria sobre a opressão da Armênia sob a ocupação soviética no pós 2a guerra mundial. Em 1915, o menino Charlie consegue escapar da Armência quando ela é invadida pelos turcos. 30 anos depois, agora sob o comando soviético, Stalin decide repatriar os armênios que foram embora do país, recompensando-os com dinheiro e emprego. Mis de 100 mil retornaram ao país, incluindo Charlie. Ao salvar o filho da mulher de um general russo, ele é enviado à prisão ( o general ficou com ciúmes e alegou que ele era espião americano, um argumento para sua prisão). Dentro de sua solitária, Charlie observa a rotina do carcereiro e sua eposa, que moram à frente da janela onde está a solitária de Charlie. Entre os dois, cria-se uma estranha e comovente relação de amizade. O filme é baseado na história do avô do cineasta, Manoog Gorgian, que fugiu para os Estados Unidos, mas diferente do filme, nunca retornou ao país. Encorajado pela sua mãe antes de partir para sempre manter um sorriso, o filme homenageia Charlie Chaplin e certamente, "A vida é bela", de Roberto Benigni. Com uma ótima performance de Michael A. Goorjian, que traz um personagem carismático e humano, o filme diverte e emociona, e trazendo reflexões sobre a resiliência de manter-se são mentalmente durante o período de repressão.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

Walk away Reneé

'Walk away Reneé", de Jonathan Caouette (2011) Concorrendo no Festival de Cannes 2011 na seção Queer film, "Walk away reneé" é um documentário de um filho cineasta sobre a sua mãe, bipolar e esquizofrênica. É um olhar de um filho que ama sua mãe, mas entende que ela é portadora de transtorno mental e precisa de tratamento constante à base de remédios fortíssimos, como lítio. Renee Leblanc , a mãe de Jonathan, sofreu tratamento de eletrochoque na juventude, quando caiu e ficou meses sem poder andar, tomando remédios que a viciaram. Ela tinha uma carreira sólida como modelo em Houston, mas tudo foi colocado a perder com o acidente. Jonathan decide levar sua mãe de carro de Uthaul, Texas, até Nova York, onde ele mora com seu marido e o filho adotivo. Reneé se recusa a viajar de avião, e o road movie acaba sendo uma viagem de memórias e de Jonathan tentando entender a mente de sua mãe. Fazendo críticas ao sistema médico dos Estados Unidos, e também ao tipo de tratamento conceido a pacientes com transtornos mentais, o filme é, antes de tudo, uma viagem apaixonnate e emocionada da relação de um filho com sua mãe. É um filme muito triste, e principalmente, uma excelente referência para atores que desejem buscar laboratório para esquizofrenia e bipolaridade.

Os virgens

"Los virgenes", de Manu Roma 92022) Premiado curta LGBQTAIP+ espanhol, "Os virgens" é um drama romântico ambientado no set de filmagem de um curta-metragem. O diretor do curta, Marco Amor (Farran Grau) está passando por dificuldades nas filmagens: um de seus atores se acidentou, e por conta disso, o que faz par com ele decide abandonar o projeto. Sem ter como cancelar o filme, o diretor decide ele mesmo interpretar um dos papéis, e pergunta se alguém da equipe sabe o outro papel de cor. O técnico de som, Eloi (Ayoub Ouardi), afirma que sabe, e a partir daí, os 2 interpretam o casal apaixonado do filme. Mss entre eles nasce um sentimento que até então, não havia acontecido. Um filme fofo e simpático, sobre um romance inesperado, inocente e puramente apaixonado.

Promessa de um amor selvagem

"Promessa de um amor selvagem", de Davi Mello (2022) Curta brasileiro LGBTQIAP+ que mistura drama, fantasia, ocultismo e protagonista Lgbt em uma trama complexa e às vezes confusa sobre um jovem rapaz que adentra uma festa como penetra. Ele entra em um quarto onde uma mulher lê sua mão e lhe diz que ele terá pouco tempo de vida. O rapaz conhece um outro jovem e acabam ficando na festinha. Subitamente, o filme volta ao passado, aparentemente no século XIX, em Portugal. Uma jovem enferma que estava em coma desperta. Seus familiares estão à sua volta, e a jovem revela ter tido a sensação de ter vivido como homem em um outro tempo. O filme deixa pontas soltas na sua trama, e propõe ao espectador que costure as idéias, podendo levantar temas como transição de gênero, espiritismo, homofobia e conservadorismo e preconceito dentro da própria família. Vencedor do prêmio do juri no Fetsival curta cinema 2022.

domingo, 7 de janeiro de 2024

Private lessons

"Private lessons", de Young-Sun Jang (2020) Drama romântico LGBTQIAP+ sul coreano, "Private lessons" é lindo, romântico, delicado. Dirigido com muita sutileza, apenas com 2 atores em cena, o filme é sobre o olhar, sobre flerte apaixonado, sobre ensinar e também aprender. O professor de poesia Yeong-Il (Kim Sunghwan) está preocupado com as notas de um de seus alunos, Jae Hyun (Kim Minsung). Com medo que ele reprove, o professor sugere que eles se encontrem para dar aulas de reforço. O aluno propõe que a cada aula, eles vão a um lugar diferente, À cada aula, os dois vão interagindo mais, e a poesia do aluno vai sendo escrita. Quando as aulas de reforço acabam, ambos sentem um enorme vazio. Eu gostei muito do filme, com personagens apaixonantes e um roteiro simples, basedao em sentimentos puros. É um filme que investe no romance, sem medo de ser açucarado. Uma lindeza.

Patos!

"Migration", de Benjamin Renner e Guylo Homsy (2023) Produzido pelo Estúdio Illumination, mesmo da franquia "Meu malvado favorito", "Patos!" é uma divertida aventura protagonizada por uma amável família de patos. Coincidentemente, muito da história é exatamente igual ao do filme "A fuga das galinhas- a ameaça dos nuggets": tem o desejo da família de querer migrar para fora do lugar seguro; tem o paraíso que é uma fachada para um abatedouro; tem um vilão que é idêntico ao da vilã dona do abatedouro. Na floresta, em um lugar seguro e confortável, mora uma família de patos: o pai conformado Mack (Kumail Nanjiani), a mãe aventureira Pam (Elizabeth Banks), o louco tio Dan (Danny DeVitto) e os corajosos filhos Dax (Caspar Jennings) e Gwen (Tresi Gazal). Quando decidem acompanhar um grupo de patos para ir até a Jamaica, eles se perdem e se metem em diversas enrascadas, tendo o ápice em Nova York, em uma sequência brilhante. A pomba Chump (Awkwafina) e a arara Delroy (Keegan-Michael Key). são um acréscimo sensacional à uma história repleta de aventura, humor e encantamento.

Eileen

"Eileen", de William Oldroyd (2023) Baseado no romance homônimo de Ottessa Moshfegh, 'Eileen" concorreu no Festival Spirit awards. Eu vi o filme algo como "O clube da luta" feminista, não como um filme de mulheres lutando, mas com o surgimento de uma mulher que transforma a vida da jovem Eileen, que passa a ficar obcecada por Rebecca, uma mulher totalmente diferente dela. Na Massachussettes dos anos 60, Eileen (Thomasin McKenzie) trabalha como secretária em um centro de detenção juvenil. Tímida e frígida, Eileen passa a ficar obcecada por Rebecca (Anne Hathaway), uma psicóloga que substitui uma profissional. Em casa, Eileen precisa lidar com seu pai alcóolatra, Jim ( Shea Whigham ), que constantemente a compara com sua falecida mãe, em típico mansplanning. Ao se aproximar de Rebecca, Eillen passa a se libertar e a se ver como alguém que pode reescrever a sua história. Ao se envolverem como o jovem detento Lee Polk (Sam Nivola), elas descobrem que ele foi abusado sexualmente pelo pai e decidem procurar a família para entender o que de fato aconteceu. Outro filme que vem à mente é "Carol", já que há uma fixação quase lésbica entre as duas mulheres. Belamente fotografado e defendido com talento pelas 2 atrizes, o filme peca pelo ritmo muito lento e pela demora em definir que filme ele quer ser.

Eu sou o abismo

"Io sono l'abisso", de Donato Carrisi (2023) Adaptado do seu próprio romance, 'Eu sou o abismo", o autor de livros de suspense italiano e também cineasta Donato Carrisi estreou na direção com o suspense "A garota na névoa", de 2017, com Tom Sevillo no papel do detetive. Agora, Donato traz o thriller de serial killer "Eu sou o abismo", claramente inspirado em "O silêncio dos inocentes" e 'Dahmer". O filme tem uma estrutura bastante confusa, que aocntece em 2 tempos, flashback e presente, e trem 3 histórias parlelas acontecendo: o do serial killer "homem que limpa"(Gabriel Montesi), a caçadora de mosca (Michela Cescon) e a menina de cabelos roxos (Sara Ciocca). O serial killer, qque trabalha como lixeiro à beira de um lago, assassina mulheres mais velhas e louras, que lembram sua mãe, Vera, prostituta que o abandonou pequeno para morrer afogado na piscina. A caçadora de moscas é uma mulher que defende mulheres abusadas de violência. Seu filho está preso por ter assassinado a namorada. A menina de cabelos roxos é filha de um casal milionário, mas foi abusada sexualemnte pelo namorado, que a obriga a se prostituir com a ameaáca de postar fotos dela nua. As 3 histórias se cruzam em uma narrativa não linear e arrastada, em um filme longo com mais de 2 horas de duração.

Até a tempestade

"Hacia la tormenta", de Jesús Díaz Morcillo (2019) Drama LGBTQIAP+ espanhol, "Até a tempestade" é escrito, dirigido e co-protagonizado por Jesus Diaz Morcillo, que interpreta Pol. Ele é casado com Lucas (Patrick Martino) e estão em crise no relacionamento. Para apimentar a relação, eles tiram férias em uma região litorânea e procuram experimentar brincadeiras sexuais. Mas nada parece salvar o casamento. Com boas atuações, 'Até a tempestade" é um filme naturalista que procura mostrar as etapas de um relacionamento nos moldes de um "Cenas de um casamento", de Bergman, onde palavras e ações já não surtem efeito para duas pessoas que tentam, mas já não encontram mais afeto no olhar e no toque.

sábado, 6 de janeiro de 2024

Floating melon

"Fu guo", de Roberto F. Canuto e Xiaoxi Xu (2015) Selecionado para mais de 40 festivais e vencedor em alguns deles, o curta Lgbtqiap+ co-produzido pela China e Espanha "Floating melon" traz uma ousada narrativa que provoca os censores da China continental. Um filme com nudez masculina, cenas de sexo, consumo de metanfetamina e um outro casal de lésbicas, definitvamente é raro em filmes rodados na China. Li numa entrevista dos diretores (entre eles o espanhol Roberto F Canuto) que por conta da dificuldade de escalar atores chineses que topassem interpretar personagens gays e em cenas de sexo, acabaram optando or não atores. O filme tem um mix de drama e thriller, filmado na noite da Chengdu. O jovem Xiao Cheng (Vincent Chen Xi) passa uma noite de sexo intensa com outro rapaz, Kwan Ming (Xu Xu). Após consumirem muita droga, ao acordar de noite, Xiao Cheng percebe que o outro rapaz está morto. Desesperado, com medo da polícia, Xiao liga para sua amiga lésbica Fiona (Wen Sirui). Ela vem acompanhada da namorada Lola (Celia Yu Yunmeng), que não quer se envolver no problema. Eles acabam decidindo se livrar do corpo, mas ao chegar no apartamento, o corpo desapareceu. Sexy e bem fotografado, o filme do meio em diante ganha contornos de thriller e tem um desfecho bastante insuitado. E de novo, realizar um filme como esse na China é além de tudo, um grande risco, e por isso, os cineastas merecem aplausos, pela coragem e ousadia.

O cuidador

"The carer", de Cristina Parker (2016) Premiado curta lgbtqiap+ inglês, "O cuidador" mostra a relação entre um idoso gay e um jovem cuidador, dentro de um asilo para idosos. Ari (Pedro Ayre)é um idoso que após a morte de seu parceiro, decide morar em um asilo. Sentindo-se solitário, ele passa seus dias na smemórias do passado e o amor de seu parceiro. Ao conhecer o jovem cuidador Beau (Barney Glover), hetero e de boa aparência, Ari se lembra de ex. Beau no entanto, rouba um objeto valioso de Ari. Um curta delicado e filmado com a sutileza dos ingleses, além de uma ótima performance do protagonista Pedro Ayre, que lembra muito John Lightgow já na terceira idade.

Wish - O poder dos desejos

"Wish", de Chris Buck e Fawn Veerasunthorn (2023) As novas heroínas da Disney não desejam mais nenhum principe encantado, e mesma a Rainha casada já não tá mais a fim de se manter casada. E os príncipes agora só almejam o Poder. Nesses novos tempos da Disney, nada melhor do que olhar para atrás e celebrar os 100 anos do maior estúdio familiar da história. Repleto de easter eggs, "Wish" acaba sendo um jogo dos 7 erros: o espectador fica o tempo todo tentando adivinhar qual referência está contida ali na cena: tem Mulan, Peter Pan, Cinderela, Bambi, O Rei leão, Mogli, Pinóquio, A vida é uma festa, Corcunda de Notre Dame, Alladim, Branca de neve e os 7 anões, Peter Pan, Fantasia, O ursinho Pooh e uma infinidade de outros clássicos. Nessa história genérica de Poder e de sonhos, temos um Reino onde mora um povo feliz e o Rei Magnífico (Chris Pine). Asha (Adriana de Bose) é uma cidadã, que deseja que seu avô Saba, que vai comemorar 100 anos, tenha seu sonho contemplado. Mas o rei tem outros planos, que obviamente, fará que com Asha se una a um grupo de amigos heróis para derrotar a majestade. O filme tem boas canções, tem bom visual, mas a história bastante óbvia faz perder o encantamento e a vontade de ficar torcendo, afinal, já sabemos exatamente como cada passo seguinte irá acontecer. mas se voc6e assistir ao filme como um Disneymaníaco, querendo celebrar o centenário e se divertir com as referências, vai amar bastante, principalmente na cena de crédito final.

Vicenta

"Vicenta", de Dario Doria (2020) Premiada animação argentina, misto de documentário, baseado em história real: Em 2006, a empregada doméstica Vicenta Avendano, analfabeta, moradora da periferia de Buenos Aires, se encontra em uma situação crítica: sua filha Laura, 19 anos mas com grave atraso maturacional, também conhecido como fixação na infância e mentalmente uma menina de 8 anos mas com corpo de adulta, está grávida. Ela foi estuprada pelo tio. Auxiliada pela lei estabelecida há um século no Código Penal para esses casos, Vicenta solicita que sua filha faça um aborto no Hospital San Martín, mas encontrará a pressão dos homens de poder e dos grupos religiosos que querem impedi-la de se beneficiar deste direito. Totalmente narrado por Liliana Herrero, as persomagens não têm voz e são representadas como bonecos imóveis. Existe uma mistura com reportagens documentais da época. Tecnicamente, gostei bastante da fotografia, das maquetes, da solução criativa. Mas quetsino o fato das personagens não terem voz e terem que ter uma narração em off falando por elas. Tirou, para mim, totalmente a força delas e do poder de carisma ao não escuta'-las, e sendo representadas como figuras sem vida.

A sociedade da neve

"La sociedad de la nieve", de J.A. Bayona (2023) Uma das cenas mais emocionantes que assisti recentemente, pertence a esse filme incrível de J.A. Bayona, um dos maiores cineastas da atualidade: ao ouvirem na rádio que estão indo resgatá-los, os sobreviventes do acidente aéreo começam a se arrumar: se penteiam, escovam dentes, emitem sorrisos. É um momento avassalador de fazer chorar litros de lágrimas. Baseado na história real sobre o acidente aéreo que ocorreu em 1972 com a queda do vôo da força aérea uruguaia que continha 45 passageiros, entre eles, o time masculino de rugby uruguaio que estava indo de Montevidéo para Santiago do Chile. No acidente, sobreviveram 29 pessoas, mas ao longo de 72 dias, 9 morreram em uma avalanche. 16 sobreviventes foram resgatados. O fato macabro e que se tornou algo que fez do grupo marcado pelo ato tabu que cometeram, foi o de canibalismo. Para se manterem vivos, acabaram se alimentando da carne congelada dos falecidos. J. A. Bayona é o realizador dos mega sucessos "O orfanato", "O impossível", Jurassic park" e Hollywood já o considera para grandes produções. Ele é um artista que entende como captar a atenção do espactador, com histórias que trazem personagens foprtes e resilientes aliados ao melhor da tecnologia. Nota mil em todos os quesitos: maquiagem, atuação, direção de arte, fotografia, edição, trilha sonora. O filme concorreu em Veneza e em San Sebastian levou o prêmio do público, além de estar na short list final do Oscar internacional representando a Espanha.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

Do outro lado da dôr

'Good grief", de Daniel Levy (2023) Drama que traz elementos de romance e humor escrito e dirigido pelo ator Dan Levy, que também protagoniza o filme. O filme apresenta o casal gay Marc (Dan Levy) e Oliver (Luke Evans). Oliver é um escritor famoso e Marc um pintor que começou a ilustrar livros e capas infantis. Após uma festa de Natal onde receberam os amigos, entre eles, Sophie (Ruth Negga) e Thomas (Himesh Patel), Oliver se despede para uma viagem de trabalho, mas acaba morrendo em um acidente de trânsito. Um tempo depois, ainda de luto, Marc acaba abrindo o envelope que Oliver o entregou antes de ir embora e tem um choque: Oliver estava tendo um caso e queria terminar seu relacionamento com Marc. Chocado, pois todo seu idealismo romântico estava indo por água abaixo, Marc convida os amigos Sophie e Thomas a ir com ele para Paris para entender melhor a história de Oliver. Um filme de ritmo lento, na verdade achei bem chato, sobre relacionamentos, culpa, e resignificação de uma história de amor. Encontros, desencontros, essa é a receita desse filme que tive dificuldade de acompanhar. Ruth Negga para mim é a melhor em cena, com uma personagem mais carismática e divertida. Achei Marc um personagem que me irritou, confesso, e preferi focar nos coadjuvantes. Vale obviamente pelas lindas locações de Paris.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

A solidão que nos une

"Glue", de Alexis Dos Santos (2006) Co-produção Argentina e Reino Unido, "A solidão que nos une" é um filme rodado na Patagônia e que retrata o universo da juventude entediada. Influenciado certamente pelos filmes de Gus Van Sant e Larry Clark, o filme tra zuma bela cinematografia, rodada em lindas locações. Trazendo três jovens protagonistas, os adolescentes Lucas (Nahuel Pérez Biscayart), Nacho (Nahuel Viale) e Andria (Inês Efron). Os dois rapazes e a garota passam seus dias andando de bicicleta, cheirando cola, frequentando fetsinhas, saindo com galera e se pegando muito. Sexo sem culpa, hedonista, em um mundo onde não possuem a mínima preocupação com estudos e preocupações de adultos. Mas o mais importante: tudo regrado a tédio. Os jovens atores se entregam a seus papéis, em cenas de intimidade e apresentando performances bastante naturalistas, obviamente improvisadas. Consta que o roteiro tinha 17 páginas e as quase dua shoras do filme foram improvisadas ao longo das filmagens. É interessante, mas a longa duração do filme traz o tédio não para os personagens, mas para o público.

Dominant species

"Dominant species", de Joseph Sackett (2019) Um filme de ficção cinetífica de baixo orçamento, "Dominant species" é uma alegoria sobre o despertar sexual e da identidade trans. Uma raça alienigena envia 10 seres para o planeta Terra para que dêem início a um processo de invasão. Mas antes, precisam estudar os humanos. Os 10 alienígenas invadem os corpos de 10 homens que moram em uma comunidade. Usando os seus corpos, eles aprendem a falar, ler, executar tarefas cotidianas e mais: aprendem tudo sobre masculinidade tóxica. No exercício da masturbação, apenas 1 dos homens consegue sentir orgasmo, isos porquê ele observa os utros homens se masturbando e isso o eexcita. Esse homem, que se chama número 10, passa a ser objeto de estudos da entidade máxima. O filme segue um roteiro curioso, escrito pelo próprio cineasta, Joseph Sackett. No final não curti muito, mas a idéia inicial é muito boa. Uma pena que a falta de orçamento e a proposta que às vezes abraça o experimental, matem premissa tão boa e provocativa.

Doenças extravagantes

"Les maladies extravagantes", de Raphaël Deslandes (2022) Louis, de 17 anos, é um garoto romântico que adora passar o tempo em uma pequena ilha perdida no meio de um lago com seu amante Thibault. Mas Thibault está em um relacionamento com Sophie. Então, para que Thibault seja só dele, Louis lança um feitiço de amor sobre ele. Quando a eletricidade é cortada durante uma festa, Louis acredita que esse é o sinal de que seu feitiço funcionou. Mas as coisas não acontecem como ele esper Eu tava com expectativa sobre o filme ao ler a sinopse. Pensei que poderia vir uma metáfora repleta de fantasia sobre a saída do armário. Mas o filme é confuso, o roteiro não explora bem a dúvida sobre sexualidade. Vale pelos jovens atores, que são bons, apesar de faltar uma boa dramaturgia para apresnetarem melhor o seu trabalho.

América nua e violenta

"America così nuda, così violenta", de Sergio Martino (1970) Realizador de clássicos do giallio, como 'Torso", o cineasta italiano Sergio Martino lançou em 1970 um documentário pegando carona no sub-gênero mockmentary "Mondo cine": em 1960, "Mondo cane" foi um enomr sucesso de bilheteria no mundo inteiro. O filme chocou o mundo com cenas de aberrações, violência, depravações e sexo fetichista ao redor do mundo. Com "América nua e violenta", Martino explora os mesmos temas nos Estados Unidos: os moradores de rua, mulheres sendo exibidas dentro de jaulas, comunidade africana ligada à bruxaria, animais ferozes e muiotas cenas que alternam entre cenas reaiis e cenas montadas. Não chega nem aos pés de "Mondo cane", nem de seus clássicos giallios.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Hara kiri

"Hara kiri", de Aitch Alberto (2016) Logo no crédito inicial, surge uma cartela anunciando "Um projeto experimental de Aitch Alberto. E é isso mesmo: escrito e dirigido por Aitch Alberto, o filme é um drama homoerótico ambientado em Los Angeles sobre 2 skatistas jovens e punks que se conhecem: Beto (Mojean Aria) e August (Jesse Pimentel). Eles logo se tornam inseparáveis: falam sobre filosofia, vida, morte, andam de skate. Ambos entendem que não vale a pena continar vivendo e decidem fazer um pacto de morte: irão viver seu último dia juntos e ao final do dia, se matarem com um hara kiri, após viverem um dia intensamente, sem culpa e da forma mais rebelde possível. Totalmente improvisado, o filme é uma chatice enorme, com diálogos chatos, cenas sem ritmo, uma improvisação solta. O fio condutor, do dia vivido terminando em suicídio, poderia render questões mais apropriadas para uma geração que não encontrou espaço nesse mundo, mas tudo acaba se tornando tolo.

All dirty roads of salt

"All dirty roads of salt", de Raven Jackson (2023) Concorrendo nos festivais de Sundance, Thelassonik, San Sebastian e outros importantes festivais, "All dirty of salt" é um filme artístico e conceitual, de difícil interação para quem não fôr cinéfilo raiz. O filme visualmente é belíssimo, acompanhando durante décadas uma mulher negra, desde sua inf6ancia até a fase adulta, no Mississipe. Tem momentos que lembrar a placidez de Terrence Malick, os silêncios, a importância da natureza sobre a vida das pessoas. Mas aqui os movimentos de câmera são menos acrobáticas, mais focadas em sensações, em detalhes, principalmente de mãos e em tempos esparsados e longos. O filme são memórias de Mack, nascida no missisipe. Ela mora com sua irmã Josie e com os pais. O melhor amigo de Mack é Wood, um rapaz da vizinhança. O tempo passa: a mãe morre, as irmãs se separam, Wood vai embora. Já adulta, Mack engravida e reencontra Wood. O filme é escrito e dirigido por Raven Jackson e tem sido elogiado pelos festivais que tem sido exibido, pela sua narrativa contemplativa e bela, pela riqueza de detalhes mas também pelo tempo longo, semelhante ao da japonesa Naomi Kawase.

i am Norman

"I am Norman", de Arron Blake e Darius Shu (2021) Excelente curta inglês, surpreendente, que contém dos 3 elementos básicos para um filme imperdível e obrigatório: boa cinematogarfia, boa atuação e uma história imprevisísivel. Rodado durante o lockdown no Reino Unido e filmado apenas com 2 únicas pessoas na equipe técnica, o roteirista, ator e co-diretor Arron Blake, e o câmera, fotógrafo e co-diretor Darius Shu. Rodado em uma locação de uma floresta, o filme é um mockmentary. Norman é um jovem que há 4 anos, mora dentro de um carro na região da floresta isolada. Ele vaga sozinha pelo local, visivelmente perturbardo mentalmente. Ele conversa durante o filme inteiro com um documentarista que nunca vemos, quebrando a quarta parede. Ele relata a sua vida ali, a sua rotina. De repente, ele convida o documentarista para ir até o coração para mostrar algo. E aí vem a grande reviravolta da história: Norman apresenta corpos embrulhados, de pessoas da comunidade Lgbtqiap+ que se suicidaram, Norman é convidado a registrar em sua câmera as mortes, para que os vídeos sejam enviados para os familiares. Motivo: todos os que s emataram eram pessoas queer que foram obrigadas a frequentar um centro religioso de conversão sexual e de comportamento. Pelos maus tratos e vergonha, decidiram tirar suas vidas. Norman relata então a sua própria história pregressa: ele mesmo foi um dos que frequentaram um desses centros, e foi seduzido por um dos terapeutas religiosos. COm uma performances absolutamente realista e poderosa do ator Arron Blake, em um trabalho de corpo e voz que de fato trabalha uma pessoa com desequelíbrios mentais, o filme abre os olhos do público para as questões de homofobia. Me fez lembrar o filme "Pedágio".

Um homem novo

'El hombre nuevo", de Aldo Garay (2015) Que documentário excelente! E que desejo enorme de querer transformar essa incrível história de vida e luta em filme de ficção com elenco. Produção uruguaia, o filme apresenta Stephania Curbelo Mirza, uma trans nicaraguense nascida como Roberto e na infância, adotada por um casal de exilados uruguaios e que viajou para Montevidéu aos quinze anos. Atualmente, ela é frentista e e mora na periferia de Montevidéu. Até conseguir mudar seu nome de batismo para Stephanie, foi uma luta e uma enorme descriminação, mas Stephanie nunca fez disso um motivo para ter raiva do mundo, e sim, teve sabedoria e calma para conseguir todas as suas lutas diárias. Mas o momento mais comovente, é quando ela reencontra seus pais biológicos e conhecidos da infância. Católicos e/ou evangélicos, quase todos a chama ainda de Roberto, negando a transição de Stephanie. E mais: tentam conertê-la. Um filme contundente, uma personagem resiliente, que merece todos os aplausos. Um grande filme.

Minha irmã e eu

"Minha irmã e eu", de Susana Garcia (2023) Assistir à uma comédia com Ingrid Guimarães e Tatá Werneck já é receita de humor vindo dessas 2 comediantes talentosas. Mas 2 fatos me chamaram atenção ao terminar de assistir ao filme: 1) a emoção de assistir à última partipação em um filme do grande Antônio Pedro, falecido em 2023. Eu nem sabia que ele estava no elenco e fiquei muito comovido quando ele aparece de surpresa no filme, certamente uma participação pensada com extremo carinho pelos roteiristas e produtores do filme. Só por ele já valia assistir ao filme, pelo respeito à história desse grande artista. 2) Que elenco coadjuvante formidável! Absolutamente, todo o elenco, além de Ingrid e Tatá, estão excelentes! Independente de participações maiores ou menores, são todos muito bons comediantes, fazendo rir em cada cena que aparecem. Boa parte eu não conhecia e fiquei fascinado com o timing e com o desejo de cada um deles querer dar o melhor de si em cena. Mesmo as participações luxuosas de Lázaro Ramos, Thaís Araújo, iza, Hugo Gloss são muito bem vindas. O casting em peso merece honrarias.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

As quatro filhas de Olfa

"Les filles d'Olfa", de Kaouther Ben Hania (2023) Vencedor do Golden Eye de melhor documentário no Festival de Cannes 2023, "As quatro filhas de Olfa" é um documentário avassalador, uma punhalada no coração. O filme lembra muito o estilo de Eduardo Coutinho em "Jogo de cena": pessoas reais e atores interpretando as personagens, juntos na mesma cena, reconstituindo momentos da vida delas. A cineasta tunisiana Kaouther Ben Hania já havia sido indicada ao Oscar de filme internacional pelo excelente documentário "O homem que vendeu sua pele", em 2019. Em 2016, na Tunísia, Olfa Hamrouni tornou pública uma história pessoal: as suas duas filhas mais velhas, as adolescentes Ghofrane e Rahma Chikhaoui, tinham recentemente fugido de casa para a Líbia e aderido ao Estado Islâmico. Se casaram com líderes terroristas. O Estado islâmico seduzia a jjuventude da Tunísia para se alistarem no Jihad. Listado entre os 15 finalistas do Oscar internacional 2024, o filme traz uma linguagem muito criativa: atores e arizes foram contratados para interpretaram as pessoas que não estão ali: as filhas mais velhas, o pai e a própria Olfa, que intercala a pessoa real e uma atriz para os momentos mais tensos e que ela não conseguria reviver. As 4 filhas: Ghofrane nsceu em 1998, Rahma em 1999, Eya em 2003 e Tayssir em 2005, É comovente testemunhar Olfa, em momentos de arrependimento por ter sido tão rigorosa na educação das filhas, e alegando que ela reproduziu exatamente o que sua mãe lhe educou. O desfecho é de dor a alma: Fatima, a filha de 8 anos de Ghofrane, que nasceu e vive na prisão na Líbia, sme jamais ter saído de lá, e convivendo com a mãe e a tia, condenadas a 16 anos de prisão.

O Mal entre nós- O assassino de Golden State

"Evil Among Us: The Golden State Killer", de Victoria Duley (2023) Documentário que traz o perfil do serial killer americano Joseph James DeAngelo, que atualmente, aos 78 anos de idade, está na Prisão Estadual de North Kern, em Delano, Califórnia, em prisão perpétua. Joseph cometeu 13 homicídios, 50 estupros e mais de 120 roubos a residências em várias comunidades da Califórnia entre 1973 e 1986. Somente com o avanço nos estudos do DNA é que foi, finalmente, possível identificar o criminoso: em 2001 o FBI conseguiu relacionar o DNA dos crimes com as buscas por possíveis autores dos crimes e aí ficou cada vez mais fácil chegar em Joseph. A grande dificuldade em chegar a ele é que por décadas, ele trabalhou como policial, e esse fato fez com que ele escondesse todas as possíveis pistas. As vítimas eram geralmente abordadas de madrugada, enquanto dormiam. As mulheres acordavam com uma lanterna e uma arma apontada para suas cabeças, e depois eram amarradas. Quando era um casal, ele matava o marido e esuprava a mulher. O filme reconstitui cenas com atores, mas tudo é narrado e apresentado da forma mais convencional possível. Monótono, sem um mínimo de tensão, o documentário acaba sendo apenas mais um filme sobre serial killer, porém, sem aquele tom macabro que fazem filmes como Dahmer e Tom Bundy horripilantes.

Mel

"Mel", de Paul Cohen e Inna Sahakyan (2022) Co-produção da Armênia e da Holanda, o documentário Lgbtqiap+ "Mel" conta a história do levantador de peso olímpico arm6enio Mel Daluzyan, nascido Melanie. O filme começa com protestos da sociedade, da mídia e dos políticos contra o financiamento desse documentário pelo Ministério público. A opinião pública considera abuysiva e contra os princípios cristãos e conservadores tornar uma pessoa transgênera um ícone a ser idolatrado. A partir daí, o filme apresenta Mel e Melanie, antes da transição, sua relação com sua namorada e casamento, até o seu exílio na Holanda, quando a situação se tornou insustentável. Nascido em 20 de abril de 1988 em Leninakan , República Socialista Soviética da Armênia, Mel recebeu o título de Mestre Homenageado em Esportes da Armênia em 2006. A pressão foi tamanha contra Mel, que ele tentou o suicídio. É um filme correto, didático, sobre os desejos de uma pessoa transgênero em lutar pela sua dignidade e desejo de ser feliz, além de reconhecimento no meio esportivo, que é bastante conservador.

Não espere muito do fim do mundo

"Nu astepta prea mult de la sfârsitul lumii", de Radu Jude (2023) Premiado em Locarno, "Não espere muito do fim do mundo" é escrito e irigido pelo cineasta romeno Radu Jude, e como em seus outros filmes, ele aponta uma crítica ferrenha aos poders da sociedade, do governo, da indústria do entertenimento e à hipocrisia do ser humano, principalmente quando quer se dar bem em cima dos desfavorecidos. O filme, de quase 3 horas de duração, traz diversos sub-plots, todos costurados pela presença de Angela (Ilinca Manolache, extraordinária), uma jovem assistente de produção freelancer que é contratada como motorista e assistente de produção de um filme institucional sobre acidente de trabalho. Ela trabalha horas extras, ganha pouco, tem o salário atrasado e péssimas condições de trabalho, além de ter que dirigir mesmo cansada e sonolenta. Ela é incumbida pelos produtores de gravar entrevistas com empregados que se acidentaram em uma empresa e por isso tiveram que se aposentar; além disso, ela busca equipamento e também pessoas. Nessa extrema carga horária, ANgela tem tempo ainda para fazer sexo e gravar stories de um personagem que ela criou, Bobita, que usa um filtro, transformando seu rosto feminino em um troglodita barbudo, falando frases machistas, homofobicas e polêmicas. São muitas as cenas esplÊncidas do filme, e destaco 3: a entrevista que ela faz com o cineasta Uwe Boll no set onde ele está filmando, ele que é considerado um dos piores cineastas do mundo; a reunião da equipe de produção com os clientes pelo Zoom, uma cena absolutamente hilária, genial e inteligente; e a cena final, de quase meia hora, em plano-sequência, com a gravação do institucional junto do funcionário acidentado e sua família, e precisando ter que regravar à exaustão. Radu Jude é dos cineastas mais ferrenhos e provocativos da atualidade, e isos ele já provou em seu filme anterior, o polêmico "Má sorte no sorte ou pornô acidental", vencedor de melhor filme em Berlim e repleto de sexo explicito e ironia, detonando o governo e as políticas assistencialistas. O filme foi idnicado pela Romência à uma vaga ao Oscar 2024.

Baby steps

"Baby steps", de Stewart Wade (2023) O filme é a continuação direta de 'Say yes", um drama romântico Lgbtqiap+ de 2021. No filme anterior, a protagonista Lilly está com câncer terminal, e ela sonha em unir o seu marido com o seu irmão, para que o marido não se sinta sozinho. A união dá certo. Agora, um ano depois, o casal recebe uma carta do advogado, com depoimento de Lilly, já falecida, dizendo que congelou seus óvulos e que adoraria que o casal tivesse o filho. essa questão abre um conflito no relacionamento, pois cada um dos pares tem um pensamento sobre a paternidade em um relacionamento lgbt. Esse filme tinha tudo para ser edificante, comovente, e claro, delicado com o tema da adoção e paternidade na comunidade queer. mas o roteiro amador, as péssimas atuações não dão a mínima chance para haver qualquer tipo de carinho do espectador pela história. Com baixo orçamento, a fotografia é escura, tudo parece bastante amador. Uma tristeza.

Bello

"Bello", de Noel Alejandro (2021) O cineasta espanhol Noel Alejandro é famoso na filmografia queer mundial elos seus filmes que ele roda pela Europa. Radicado em Berlim, Noel contrata atores e modelos para darem vida a seus personagens, em cenas repletas de sexo explícito. Em "Bello", ele conta a história de Raul, um modelo fotográfico que termina um relacionamento com seu namorado e vai até uma sessão de fotos com muita irritação. O fotógrafo Muri e sua assistente fazem de tudo para animá-lo, mas Raul não consegue abstrair a sua vida pessoal. A assistente sai, e o fotógrafo vai se tornando mais linha dura com Raul, até que os dois se entregam à paixão à primeira vista. COmo todo filme de Noel Alejandro, os atores se entregam com tudo nas cenas de sexo. não são atores pornôs, na Europa muitos atores lidam naturalmente com cenas de sexo e exposição. É um filme bonito, bem fotografado e bem filmado. '