sexta-feira, 11 de março de 2022

Laços de afeto


"Il filo invisible", de Marco Simon Puccioni (2022)
Melodrama LGBTQIAP+ italiano sobre dois pais gays que fizeram inseminação artificial, engravidaram uma amiga e tiveram um filho, Leone. Simone e Paolo, os pais,e Anna, a amiga, amam o adolescente Leone, agora com 20 anos de idade. Aplicado estudante, ele tem paixão platônica por uma garota, mas todos acham que Leone é gay por ser filho de dois pais. Para piorar a situação, um dos pais de Leone trai o marido e acabam se separando, o que faz com que a justiça queira provar a paternidade deles.
"Laços de afeto" é um filme correto, com bons atores e boa trama. O ritmo é lento, mas a discussão de temas importantes faz valer a pena assistir ao filme, que tem momentos de emoção.

quinta-feira, 10 de março de 2022

Aline


"Aline", de Valérie Lemercier (2021)
Cinebiografia não autorizada da cantora Celine Dion, "Aline" estreou em Cannes e recebeu cinco minutos de aplausos ao final da sessão. O filme ganhou também o Cezar de melhor atriz para a atriz Valérie Lemercier, também diretora e roteirista do filme.
Aqui no filme, Celine Dion ganha o nome de Aline Dieu, e mostra a sua história dos 4 anos de idade, de uma família pobre em Quebec, Canadá, e seus atributos de cantora já desde pequena. Depois o encontro com o produtor musical René Angélil, 26 anos mais velho e quem a ajudou a deslanchar a carreira até o mega-estrelato, ganhando o Oscar pela canção título de "Titanic".
O filme, com quase 130 minutos de duração, é correto, chapa branca, e bastante careta, convencional. Não que isso seja mal, mas não arrebata. Para quem for fã de Celine, certamente verá a vida da estrela ali documentada em todos os detalhes. Mas o momento mais surreal do filme é que a atriz Valérie Lemercier decidiu interpretar Aline dos 4!!!!!!!!! anos, 12 e 14 anos!! Como? ela filmou com atrizes mirins e colocou o seu rosto nelas!!!! Parecia a "Samara"de 'O chamado", sinistro mesmo. Uma decisão muito bizarra!

A espera de Liz


"A espera de Liz", de Bruno Torres (2020)
Na estréia da direção de seu primeiro longa-metragem, o ator, músico, diretor, roteirista e produtor Bruno Torres não esconde a sua formação cinéfila. Referências ao cinema de Tarkovsky, Inarritu e até a um cinema documental etnográfico embasam uma narrativa que fala sobre amor, melancolia, perda e renascimento. O filme poderia se chamar também de "A espera da Luz", um trocadilho para a protagonista Liz (Simone Iliescu), uma mulher que está em uma fase cinza de sua vida: seu companheiro Miguel (Bruno Torres ) desapareceu, e ela busca o apoio de sua família ao visitá-los na festa de boda dos 25 anos. Liz chega em Gramado, no sul do país, na fazenda dos pais, interpretados por ZéCarlos Machado e Ingra Lyberato. Sua irmã mais nova, Lara (Rosane Mulholand) evita contatos com Liz. Nessa falta de amparo, Liz se fecha em um mundo de angústia e depressão.
Com uma fotografia que exalta as belezas das locações do Monte Roraima e de Gramado, André Lavenere aposta em quadros cartões postais que lembram a beleza de "Diários da motocicleta", de Walter Salles, aquele olhar poético sobre a América Latina. Os três protagonistas estão firmes, mas o destaque vai para ZéCarlos Machado e Murilo Grossi, dois atores veteranos que trazem brilho para as cenas e personagens.

quarta-feira, 9 de março de 2022

Pornô e liberdade


"Porno y libertá", de Carmine Amoroso (2016)

Ótimo documentário italiano que apresenta o nascimento da pornografia no início dos anos 70 no mundo, e principalmente, dentro da Itália. O filme apresenta uma geração que viveu a contra cultura e que buscou na liberdade sexual a luta contra o conservadorismo, o governo e o sistema. Entrevistando cineastas, atores e apresentando um excelente material de arquivo dos primeiros pornôs, tanto em publicações quanto na indústria cinematográfica, o filme traz muitas cenas sem censura de filmes e de manifestações públicas nas ruas de Roma que acabaram em orgias. É importante também por dimensionar a importância do cinema pornô para cineastas e filmes clássicos da época, que investiram em nudez frontal masculina e em cenas de sexo até então tabus, como Pasolini, Bertrand Blier e Bertolucci. A parte mais curiosa é quando falam de Cicciolina, sua infancia, seus shows eróticos, a entrafa na pornografia e depois na politica.

Lingui


"Lingui", de Mahamat-Saleh Haroun (2021)
Pungente drama vindo de Chade, país africano que indicou o filme para representá-lo no Oscar de filme estrangeiro. O filme concorreu em importantes Festivais, incluindo a competição oficial do Festival de Cannes 2021. O que impressiona é o filme falar sobre o feminino de forma tão intima e cativante, e ter sido escrito pelo cineasta e roteirista Mahamat-Saleh Haroun, me fazendo lembrar da alma feminina de Almodovar que também escreve para mulheres.
Com linda fotografia, o filme conta a história de Amina (Achouackh Abakar Souley), uma mulher que sobrevive fazendo artesanato com o ferro de pneus velhos, vendendo na feira a sua arte. Amina tem uma filha, Maria (Rihane Khalil Alio), de 15 anos. Amina encontra a sua filha triste e pergunta o que aconteceu. Maria diz que foi expulsa da escola e está grávida. E mais: que quer abortar. Amina fica tensa, pois como muçulmana, ela sabe que a prática do aborto e ilegal e proibida no país, mas dá força para que sua filha faça o aborto.
Um lindo filme etnográfico que apresenta duas belas performances das atrizes principais, mas também, um olhar sobre uma sociedade milenar, e uma religião que não permitem a liberdade de escolha das mulheres sobre o seu corpo.

terça-feira, 8 de março de 2022

Lockdown


"Lockdown", de Joel Lamangan (2021)
Drama LGBTQIAP+ filipino, é um filme visceral e contundente sobre um rapaz, Danny (Paulo Gumabao) que passa por um processo de degradação humana durante o lockdown da covid.
Danny retorna para Manilla, capital das Filipinas, após trabalhar dois meses em um hotel de Dubai. Por contenção de despesas, ele é demitido e retorna à sua cidade. Ao chegar, ele precisa fazer uma quarentena de 14 dias, mas preocupado com seu pai que se acidentou e precisa de sua ajuda, ele foge ao cerco policial. Sua mãe está desempregada, assim como sua irmã, e Danny faz de tudo para poder trabalhar e bancar as despesas médicas. Sem sucesso, ele aceita trabalhar como Cam-boy em um cyber café, se expondo junto de outros rapazes para clientes do mundo todo. Mas a polícia chega e prendem a todos. Danny é levado por um coronel, que o estupra.
O filme é bastante cruel e não tem a mínima compaixão por seus personagens. É sofrimento atrás de sofrimento. "Lockdown" expõe os primeiros meses da pandemia de forma trágica, e deixando claro que a classe pobre foi a quem mais sofreu com falta de alimentos e manutenção. Para os espectadores voyeurs, o filme é repleto de cenas de nudez e sexo.

segunda-feira, 7 de março de 2022

A dose


""La dosis", de Martin Kraut (2021)
Drama de suspense psicológico argentino, escrito e dirigido por Martin Kraut, em seu filme de estréia. O filme acompanha a rotina do enfermeiro de meia idade
Marcos ( Carlos Portaluppi ), um solitário e corpulento que trabalha no turno da noite na sombria unidade de terapia intensiva de uma clínica particular. Por misericórdia, ele provoca eutanásia em pacientes que não têm mais esperanças, sem que ninguém saiba.
Quando chega um novo funcionário jovem e bonito Gabriel (Ignacio Rogers ), Marcos se sente atraído per ele. Gabriel seduz a todos, funcionários e pacientes com sua simpatia e beleza. Mas pacientes começam a morrer, e Marcos estranha, pois não foi ele o responsável pelas mortes. E passa a suspeitar de Gabriel.
Suspense com toques de humor ácido, o filme ainda traz elementos de homoerotismo, como a atração que Marcos sente por Gabriel, que se aproveita dessa paixão platônica para seduzir e chantagear Marcos. Com bons atores, o filme é interessante e apesar de ter um desfecho insatisfatório, o filme é um gênero ainda pouco conhecido do cinema argentino.

Se organizar direitinho..


"Donde caben dos", de Paco Caballero (2021)
Comédia erótica espanhola que mistura elementos do americano "Shortbus", do brasileiro "Ninguém entra ninguém sai" e do argentino "2 + 2".
O filme se passa em uma única noite em Barcelona. Cinco histórias se entrecruzam numa noite disposta a mudar a vida de todos.
1) 1 casal de meia idade convida o outro para a sua casa, para propôr um swing e ver se a relação dois dois casais esquentam. Mas um dos maridos passa a sentir ciúmes do amigo, famoso por seu um amante inesquecível
2) Um casal jovem vai até o Paradise club, famosa casa de swing para fazer sexo com outro casal, até que a mulher reconhece que o marido da outra é seu ex-namorado
3) Um jovem gay traumatizado pelo abandono, decide ir até o Paradise club e vai até o glory hole, e fica conversando com outro rapaz que ele só escuta a voz
4) Duas igas acordam após uma despedida de solteira de uma delas. Desmemoriadas, elas vão até o paradise club, local onde elas fizeram a despedida e entender o que aconteceu, até porque a noiva perdeu o anel de noivado
5) Uma jovem recebe seu primo com quem ela tinha fantasias, mas descobre que agora se se tornou um workhaholick chato, e decide levá-lo até o paradise clube, meso que ele não queira ir
O filme é longo, quase duas horas, e são muitas as histórias, algumas até dispensáveis. E as histórias nem são assim tão originais. O humor é muitas vezes escatológico e as cenas de sexo repleta de sacanagem, apesar de a nudez ser bem discreta, mas ao linguajar picante é comum nos diálogos. O Desfecho é totalmente "Shortbus", com direito até a bandinha de músicos. E o título em português foi retirado da fala de um personagem de "Ninguém entra ninguém sai".

Minha vida incomoda muita gente


"Meskina", de Daria Bukvic (2022)
Comédia dramática holandesa que traz um tema mega batido sem originalidade: uma mulher de 30 anos, Leyla (Maryam Hassouni), de família marroquina, é forçada pela mãe, irmã e familiares a se casar, correndo o risco de ser chamada de "Meskina": um caso perdido. A mãe diz logo de cara: 'você tá ficando velha e ninguém vai te querer". Ou seja, a velha história da família tradicional e de cultura machista que quer que a filha se case para servir ao marido e ter filhos. A protagonista Leyla até tenta trazer traços de independência feminina, mas é pouco: de uma hora para outra, ela tem 3 proponentes: um artista de música famoso com quem ela chega a se casar mas se separa após descobrir a traição; um holandês que deseja viajar para outro país; e um outro rapaz de família marroquina. Todos os 3 se apaixonam por Leyla, e claro, ela ficará em dúvida de qual deles ela irá ficar. E ganha um chocolate quem descobrir o que ela decidiu finalmente.
É um filme razoável, previsível do início ao fim, e que pelo menos conta com um bom time de atores que procuram defender suas personagens.

domingo, 6 de março de 2022

Coração de fogo


"Fireheart", de Theodore Ty e Laurent Zeitoun (2021)
Animação repleta de ação, aventura e mensagens edificantes, "Coração de fogo" é uma co-produção França/Canadá que se apropria de um triste histórico real: as mulheres somente foram aceitas como parte integrante do corpo de bombeiros no ano de 1982. O filme é dedicado a todos e todas as bombeiras e bombeiros do mundo todo, independente do gênero. A grande mensagem do filme é sobre a igualdade de direitos ao trabalho e às jornadas profissionais e sociais entre homens e mulheres. E não somente isso: o filme traz diversidade nos personagens: tem negros, judeus, asiáticos, latinos, além de lidar com luta feminista e sororidade.
No ano de 1930, Giorgia, de 16 anos, mora em Nova York com seu pai, Shawn. Ele é um oficial dos bombeiros aposentado, após uma grande tragédia. O sonho de Giorgia é ser bombeira, mas o pai diz que a corporação não permite a entrada de mulheres, dando desculpas misógenas para convencer a filha. Mas quando um incendiário ataca na cidade, e os bombeiros desapareceram, Shawn é obrigado a voltar a trabalhar como bombeiro pelo prefeito. Giorgia decide que agora é a hora de agir e se caracteriza d ehomem, sem seu pai saber, para fazer parte do batalhão dele.
Em determinando momento, o filme lembra "Os incríveis", e fiquei pensando o quanto o filme teria sido mais emocionante se tivesse apostado numa narrativa realista, até porque nos créditos finais ele homenageia diversas mulheres bombeiras. Mas o filme é destinado principalmente ao público infantil, e aí entendo a necessidade de apostar em aventura e fantasia. Mas é um filme divertido e com bela mensagem, importante para a criançada.

Junior


"Junior", de Julia Ducournau (2011)
Primeiro trabalho dirigido pela francesa Julia Ducournau, realizadora dos premiados e polêmicos "Grave" e "Titane". Julia venceu em Cannes em todos esses trabalhos, e tem a atriz Garance Marillier como atriz fetiche de seus projetos, sempre chamada de "Justine".
Com o apelido de Junior, Justine é uma Tomboy de 13 anos que anda com os meninos machistas e misógenos da escola. Mas ela é contaminada por um vírus e seu corpo passa por intensa transformação.
Julia Ducournau. ama o tema do "body horror", muito comum em filmes de David Cronemberg. Mas aqui a fantasia e o horror se tornam claramente uma metáfora sobre a passagem pra mudança de corpo, ação dos hormônios e a puberdade. É um filme curioso, bem na vibe de "Carrie, a estranha", mostrando bullying nas escolas. Ótimos efeitos de maquiagem.

sábado, 5 de março de 2022

Candida


"Candida", de Guillermo Fesser (2006)
Linda e emocionante comédia dramática escrita pelos irmos espanhóis Guillermo e Javier Fesser Premiado, o filme é a estréia de Gullermo. Seu irmão Javier já havia dirigido Mortadela e Salaminho"e o excelente drama "Campeões". O filme foi concebido para homenagear Candida Villar e a todas as assistentes e secretárias do mundo. Candida trabalhou anos como assistente de Guillermo Fesser, e ele ficou impressionado com os comentários simples mas efetivos dela sobre filmes, e decidiu criar um programa de rádio onde ela fazia comentários de filmes. O filme se apropria desse carinho materno de Candida e aqui ela interpreta a sua homonima, estreando como atriz. Candida é diarista, viuva e mora em um bairro pobre na periferia de Madri. Para piorar a situação, ela tem dois filhos adultos: Julian, um drogado e desempregado, e Javi, esquizofrênico e igualmente desempregado. Candido se envolve na vida de seus patrões, até encontrar o apresentador de tv Pablo (Jorge Bosch), que está deprimido pelo término da relação com a mulher que ama. Candida entra na vida dele para sacudir-la, mesmo ela tendo uma vida de muitos sofrimentos, mas jamais deixa a peteca cair.
Um filme que traz humor e muito drama, 'Candida" tem uma atuação contida mas emocionante de Candida, naquele tipo papel que se ela fosse negra ou da comunidade lgbt, teria sido criticada por ser o tipo de personagem que está ali para levantar brancos e ricos.

Moneyboys


"Moneyboys", de C.B.Yi (2021)
Concorrendo em importantes Festivais, como Cannes, Faro e Brussels, "Moneyboys" é escrito e dirigido pelo chinês C.B.Yi, cineasta independente elogiado por mestres como Michael Haneke. Para quem gosta de "Felizes juntos"de Wong Kar Wai, o filme é imperdível, fazendo também referências ao cult LGBTQIAP+ "Garotos de programa", de Gus Van Sant.
No sul da China, o jovem Fei se prostitui como garoto de programa de homens ricos. Fei saiu de um vilarejo rural em busca de uma vida melhor, deixando para trás uma vida de pobreza. Ele conhece Xiaoli, também garoto de programa e se apaixonam. Mas ao salvar fei de um cliente, Xiaoli se acidente e fica manco da perna, o que o impede de trabalhar. Fei decide atender seus clientes em um apto que ele aluga, mas é preso pela polícia e obrigado a retornar ao seu vilarejo, sendo repreendido pela família, que sabe de suas atividades e o expulsam. Fei decide retornar à cidade grande, só que dessa vez acompanhado de Long, um amigo de infância e platonicamente apaixonado por Fei, que também quer ser um garoto de programa.
Com ótimos atores e muita sensualidade e homoerotismo embalados por uma estética belíssima, Moneyboys" é um filme bastante melancólico, que mais do que a vida dos michês, traz um olhar pessimista sobre uma geração chinesa que não encontra perspectiva de um futuro melhor. O filme foi rodado em Taiwan simulando ser na China, país onde obviamente o tema da prostituição é censurado.

sexta-feira, 4 de março de 2022

Fresh


"Fresh", de Mimi Carver (2021)
Grande sucesso em Sundance, 'Fresh" é um terror com humor ácido, dirigido e escrito por mulheres (a roteirista é Lauryn khan) e protagonizado por três ótimos atores: a inglesa Dayse Edgar Jones, da série "Normal people", Sebastian Stan , o 'Soldado invernal" e Jojo T. Gibbs.
Curioso como o tema do canibalismo voltou com força total: tem o italiano "Não me mate", o retorno de O massacre da serra elétrica" e agora esse "Fresh", que traz elementos da família de Leatherface mas sem a serra elétrica, e pasmem, do brasileiro "O clube dos canibais", de Guto Parente.
Noa (Jones) é uma mulher que não tem sorte nos apps de relacionamento. Sua melhor amiga, Mollie (Gibbs) tenta dar ânimo na amiga, mas nada dá certo e ela só conhece homens que não prestam. Quando Noa vai ao mercado, ela esbarra com o médico Steve (Stan), um homem sedutor, romântico e educado. Noa no início fia meio cabreira, mas logo se apaixona pelo ele. Mas quando ele a convida para jantar na casa dele, ela não podia contar com o paladar tão refinado do novo namorado.
O filme não traz surpresas no roteiro, é bem previsível, mas o que interessa aqui é o olhar feminino sobre s homens heteros top que prometem muito e depois vêem com surpresinhas desagradáveis, vide "O golpista do Tinder". Um grande atrativo é o trio de atores, e também, o gore do filme, que não poupa violência. E claro, fica a crítica aos apps.

quinta-feira, 3 de março de 2022

Sisid


"Sisid", de Brillante Mendoza (2022)
Sou um grande fã da filmografia do cineasta filipino Brillante Mendoza, que se arrisca em seus filmes, muitas vezes trazendo cenas bastante violentas ou de grande impacto visual, com ótimo trabalho dos atores. Muitos de seus filmes envolve temática Lgbt, ou no caso de "Kinatay", que lhe deu a Palma de ouro de melhor direção em Cannes, um violento drama urbano sobre o assassinato de uma prostituta. Atrizes consagradas como Isabelle Huppert pediram para trabalhar com ele ( ela trabalhou em "Captive").
Mendoza retorna em 2022 com o drama romântico Lgbtqiap+ 'Sisid", que envolve um triângulo amoroso.
Jason (Paolo Gumabao) é um biólogo marinho, casado com Abby (Kylie Versoza). Eles tentam ter um filho, mas Abby tem uma doença que impede que ela engravide. Quando eles viajam até Pola, em Mindoro, uma reserva marítima, Jason é apresentado ao seu assistente, Dennis (Vince Rillon). A atração é imediata entre ambos. Dennis é casado e sua esposa está grávida. NA tensão sexual entre os dois homens e o trabalho na reserva, uma tragédia fará com que os três decidam o destino a seguir.
Para quem ganhou diversos prêmios em Cannes, incluindo para melhor atriz em "Ma'Rose", Mendoza aqui perdeu bastante a mão. O roteiro é óbvio de um melodrama barato e sem surpresas; os atores são bastante medianos; e a direção também não sustenta as duas horas de projeção. Um filme que poderia se resolver facilmente em 70 minutos no máximo, "Sisid" só trará interesse pelas suas lindas locações, e pela beleza de seus dois atores principais.

Ao cair do sol


"Sundown", de Michel Franco (2021)
Eu sou apaixonado pelos filmes do mexicano Michel Franco, mas tenho plena convicção de que seus filmes sao pesados, angustiantes e que ele não tem a mínima compaixão pelos seus protagonistas. Em absolutamente todos os seus filmes "Nova ordem", "Depois de Lucia", Crônica", etc, o espectador sofre muito com o sadismo de Franco em relação ao destino cruel e trágico das personagens.
A milionária família inglesa Bennet está de férias no Acapulco: Neil (Tom Roth), sua irmã Alice (Charlotte Gainsbourg) e os dois filhos dela, Alexa e Colin. Quando Alice recebe a ligação de que a mãe dela e de Niel passou mal, ele decidem retornar logo para casa, mas a caminho do aeroporto, recebem outra ligação que ela morreu. Neil no aeroporto diz que esqueceu o passaporte no hotel, mas ao retornar, decide ficar em Acapulco e levar uma vida de classe média, morando em hotel mediano e se relacionando com uma vendedora de loja, Berenice.
O 1o ato do filme traz questionamentos pro espectador, mas a partir do 2o ato, o filme torna-se violento e trágico. Eu mesmo não iria para Acapulco após ver esse filme, mas Franco gosta de mostrar essa violência de classes e que surge de um rompante.
Um filme brutal, triste, e que traz o tema da morte como algo imponderável. O elenco está soberbo, e Tom Roth, que já havia trabalhado com Franco em "Crônica", está poderoso em seu silêncio.

quarta-feira, 2 de março de 2022

Contra o gelo

“Against the ice”, de Peter Flinth (2021)
‘Contra o gelo” é mais um drama de sobrevivência, mas dessa vez baseado em história real. O filme é adaptação do livro de memórias do explorador do Ártico dinamarquês Ejnar Mikkelsen , Two Against the Ice. O ator Nicolaj Coster-Waldau, o Jammie Lennister de “Game of thrones”, adaptou e protagoniza o filme no papel de Mikkelsen. O filme é a primeira produção original da Dinamarca e da Islândia, que co-produziram o filme. Em 1910, uma expedição dinamarquesa liderada pelo capitão Ejnar Mikkelsen estava tentando refutar a reivindicação dos Estados Unidos ao nordeste da Groenlândia, uma reivindicação que estava enraizada na idéia de que a Groenlândia foi dividida em dois pedaços diferentes de terra. Deixando sua tripulação para trás com o navio, Mikkelsen atravessa o gelo com seu inexperiente membro da tripulação, Iver Iversen )Joe Derrick), que se voluntaria para seguir pelas terras inexploradas junto de trenós de cães. Os dois passam fome, frio, lutam contra urso polar e Mikkelsen passa a ter delírios.

Com ótima produção, o filme não traz novidades para quem já viu tantos filmes sobre sobrevivência no ártico. O filme foi rodado na Islândia e na Groenlândia ( a esposa de Nicolaj nasceu no país). Agora, para quem não gosta de ver cenas de maus tratos a animais, um aviso: morri de pena dos cães dos trenós, maldade. Mas é a lei da sobrevivência.

Minha vida perfeita


"Moje wspaniale zycie", de Lukasz Grzegorzek (2021)
Ah, como eu adoraria refilmar esse ótimo drama acri-doce polonês, premiado em diversos Festivais. O filme apresenta Joanna (Angela Buzek, formidável), uma mulher de meia idade, que sozinha, gerencia toda a sua família desestruturada: o mario que também é diretor da escola onde ela dá aula de inglês, mas que perdeu tesão pela vida; a mãe com Alzheimer, o filho mais jovem que é aluno de sua turma e que está começando a namorar; o filho mais velho de 23 anos, desempregado e pai de uma criança, e que ainda traz a esposa para morar na casa deles. Joanna tenta na medida do possível dar conta de tudo sozinha, tanto de casa, da família quanto dos alunos, que também têm seus problemas. Mas ela tem o apartamento de sua mãe, que ela mantém tanto para dar aulas particulares, quanto para encontros com seu amante, um professor da escola. Mas Joanna começa a receber mensagens a chantageando, de alguém que sabe de seu caso.
Com um excelente elenco, o filme lembra o tom de “A pequena Miss Sunshine”, naquele vibrante mundo de losers e personagens sme motivação para nada. A história de “Minha vida perfeita” lembra vários clássicos da mulher que decide se emancipar, como “Shirley Valentine”, entre outros. Um filme que varia no tom, mas que termina numa cena muito emocionante.

terça-feira, 1 de março de 2022

Piggy


"Cerdita", de Carlota Pereda (2018)
Super premiado filme de terror espanhol, com mais de 30 prêmios internacionais em importantes Festivais. "Cerdita" em espanhol significa "piggy, ou porquinha", O sucesso do filme foi tamanho, que ele foi transformado em um longa-metragem, lançado em 2022.
A premissa do filme lembra bastante "Carrie,a estranha", clássico de Brian de Palma. Só que agora, o motivo do bullying é o corpo obeso de uma jovem, Sara (Laura Galán, excelente). Sara caminha no campo e decide tomar banho em uma piscina pública, que está deserta. Para sua supresa, um homem surge do fundo da piscina e vai embora. Sem que Sara veja, existe um corpo debaixo d'água. Três garotas surgem e começam a provocar Sara, inclusive roubando suas roupas. Sara é obrigada a ir embora somente de bikini, até que reencontra o homem na estrada.
Com elementos de humor ácido, 'Piggy" é um delicioso filme de vingança, politicamente incorreto e amoral. Uma pequena pérola do cinema espanhol.

Batman


"The Batman", de Matt Reeves (2022)
A DC anda vasculhando clássicos doa anos 80 e 90 para reapresentar novos projetos e assim resgatar a alma nostálgica e estética vintage. Em 'Coringa", Todd Philips buscou "Taxi driver" como referência. Matt Reeves, excelente diretor da franquia "Planeta dos macacos", Cloverfield" e "Deixe ela entrar" suga de 'Seven", de David Fincher, boa parte de sua cinematografia, junto de elementos noir de "Blade Runner", e uma puxadinha nos anos 200 com "V de Vingança" e "Jogos mortais". Nessa salada cinéfila, o filme pesa na atmosfera, quase que em um filme de terror psicológico, mas ainda guardando espaço para umas piadas auto-referenciais. Aqui, diferente dos filmes da Marvel, a busca é pela dramaturgia , quase realista, contrastando com a fantasia de monstro, vilões e naves espaciais de Homem aranha e cia. O filme poderia ser perfeitamente um filme de ação realista, bastava tirar o uniforme do Homem morcego.
Mais uma vez, o elenco é o grande chamariz do filme, além da fotografia brilhante de Greig Fraser ( o mesmo de 'Duna", de Villeneuve"). Robert Pattinson, Zoe Kravitz, Colin Farrel, Paul Dano, Peter Saasgard, John Turturro, Jeffrey Wright e um bem -vindo Andy Serkis como Alfred. O melhor dos filmes da Dc é que não tem cena de crédito final e tudo se resolve antes do filme acabar, inclusive o gancho pro próximo.