domingo, 20 de março de 2022

Michelangelo- O pecado


 "Michel ange- Il pecatto", de Andrey Konchalovskiy (2019)

Super produção Rússia/Itália, dirigida pelo cineasta Andrey Konchalovskiy, realizador de "Tio Vânia" , "Os amantes de Maria" e "Paraíso".

O filme pega uma período em particular do artista Michelangelo, quando pintava a Capela Sistina, em uma obsessão que o deixava sem dormir e sem tomar banho. Florença, início do século XVI. Quando o chefe da nobreza de Della Rovere, o papa Júlio II, morre, Michelangelo (Alberto Testone) fica obcecado em obter o melhor mármore para completar sua tumba. A lealdade do artista é testada quando Leão X, da família rival Medici, ascende ao papado e o encarrega de uma nova e lucrativa encomenda - a fachada da basílica de San Lorenzo. Forçado a mentir para manter o favor de ambas as famílias, Michelangelo é progressivamente atormentado por suspeitas e alucinações, levando-o a examinar implacavelmente suas próprias falhas morais e artísticas. Michelangelo se apega a Dante Alighieri, a quem ele venera, tendo inclusive decorado "A divina comédia", e passa a ter alucinações.
O filme com quase 140 minutos se torna um fardo para o espectador por conta de seu ritmo extremamente lento e uma direção burocrática. O que faz manter o interesse são as lindas locações em Lazio e Toscana, além da ótima direção de arte e fotografia. Uma sequência que impressiona é a obsessão de Michelangelo por um enorme bloco de mármore existente no alto de uma montanha e que ele deseja transportar inteiro, ao contrário dos pedreiros que querem quebrá-lo em pedaços. O ator Alberto Testone, no papel principal, está muito semelhante ao pintor, e o restante do elenco é composto por não atores.

sábado, 19 de março de 2022

Eiffel


 "Eiffel", de Martin Bourboulon (2021)

Super-produção francesa protagonizada por Romain Duris no papel do engenheiro Gustave Eiffel, que concebeu o projeto da Torre Eiffel e a inaugurou em 31 de março de 1989. Mas o que poucos sabem, ou pelo menos é o que a romantização desse filme sugere, que a torre foi projetada pelo amor de Gustave a Adrienne Bourges (Emma Mackey), um amor do passado que retorna à sua vida, porém, casada e por conta disso, impossibilitados de reaverem o amor. Gustave é viúvo e tem uma filha adolescente. O projeto inicial era o de construir túneis de metrô, em uma política de modernização de Paris. Mas o reencontro com Adrienne o faz mudar radicalmente de projeto e agora, construir a torre de 300 metros de altura.

O filme se apega mais ao romance de Gustave e Adrianne e a construção da torre vira pano de fundo. Um melodrama clássico, dirigido de forma burocrática e acadêmica por Martin Bourboulon, que se apega à fórmula de "Titanic" e outros blockbusters românticos de época com amores impossíveis para fazer o espectador suspirar. O filme funciona pela sua extrema qualidade técnica: fotografia, figurino, maquiagem, arte e os efeitos espetaculares da construção da torre. Os atores estão bem, mas o excesso de romantismo deixa de lado a verdadeira estrela do filme, a torre Eiffel.

Cubo


 'Cube", de Yasuhiko Shimizu (2021)

Refilmagem japonesa do clássico de terror "Cubo", filme canadense de 1997 escrito e dirigido por Vincenzo Natali e que se tornou um dos filmes independentes mais bem sucedidos da história. "Cubo" rendeu uma franquia e agora Vincenzo, que produz a versão japonesa, deseja abrir uma nova franquia com o Japão.

Quem é fã de "Cubo" sabe que ele originou muitos filmes que vieram depois, o terror de sobrevivência no estilo "Jogos mortais". 6 Pessoas desconhecidas entre elas acordam e se vêem dentro de um enorme cubo sub-dividido em outras salas repletas de armadilhas. Sem saber como chegaram ali, eles precisam se unir para sobreviver e passar de sala em sala, mas o rancor, os traumas de cada um e o instinto de sobrevivência fará com que alguns queiram passar por cima dos outros.
Essa versão tem um ritmo mais lento e as mortes demoram a acontecer, após o prólogo. Os efeitos e a iluminação são mais bem feitos que o original, mas que ainda assim, é superior, por possuir o charme de filmes sem orçamento mas realizados com maior criatividade. E as mortes do original são bem mais sangrentas e criativas.

Expired


"Expired", de Ivan Sen (2021)
Dirigido, escrito, produzido, trilha composta e editado pelo australiano Ivan Sen, 'Expired"( ou "Loveland") é um drama noir totalmente chupado de "Blade runner". Guardada as devidas proporções orçamentárias, o filme se passa em Hong Kong do futuro, chuvosa, repleta de neons e tendo andróides convivendo com humanos. O protagonista Jack (Ryan Kwanten) narra em off a seu drama existencialista: abandonado pelo pai, vendido por sua mãe e agora, um assassino e aluguel. Ele deseja um dia poder reencontrar sua mãe. Quando vai para uma boite, conhece a dançarina vietnamita April ( Jillian Nguyen ), por quem se sente atraído. Mas essa aproximação faz com que Jack comece a sentir que seu corpo está passando por mudanças, e ele decide procurar o dr Bergman (Hugo Weaving) para entender o que se passa.
Não é preciso raciocinar muito para entender o desfecho da historia, baseado novamente em "Blade runner". O que prejudica muito o filme e o seu ritmo, muito lento para poder atrair atenção de fãs de ficção científica ou de ação. Ivan Sen realiza um filme existencialista, sobre a dimensão sobre temas como amor e morte, mas o faz de forma intimista.

Até a próxima vez


"Hasta que nos volvamos a encontrar", de Bruno Ascenzo (2022)
Co-produção Espanha/Peru, escrita e dirigida pelo cineasta peruano
Bruno Ascenzo. O filme é um drama romântico sobre um jovem empreendedor espanhol, Salvador (Maxi Iglesias), filho de um empreendedor imobiliário arrogante, que viaja até Cusco, Peru, para começar uma negociação para compra de terras e erguer um hotel 7 estrelas. Mas ao chegar ao hotel onde ele se hospedará, ele se apaixona pela sobrinha da dona, Ariana( Stephanie Cayo), uma jovem idealista e que luta pela preservação do patrimônio natural da região. Os dois se apaixonam, apesar das diferenças, e Salvador precisará lidar com o seu pai, que cobra a venda das terras.
Um filme sem surpresas no roteiro, bastante óbvio, mas que se apropria das belezas e dos monumentos culturais e naturais da região. As locações e a fotografia são belíssimas, e o casal principal tem bastante química, o que já garante o passatempo.

sexta-feira, 18 de março de 2022

Vale night


"Vale night", de Luís Pinheiro (2021)
O cineasta Luís Pinheiro dirigiu a comédia "Mulheres alteradas" e a ação "A garota da moto", e agora em "Vale night", ele mescla os gêneros, realizado um filme com uma busca estética que valoriza a câmera e os planos-sequências virtuosos. Trazendo vários filmes como referência, principalmente "After hours", o roteiro acontece durante 24 horas na vida dos personagens, envoltos com o desaparecimento do bebê do jovem casal Vini (Pedro Ottoni) e sua esposa, Daiana (Gabriela Dias), 18 anos e que por conta do nascimento do bebê teve que largar os estudos. Mas quando Daiana vai passar o fim de semana com sua mãe (Tia Má) e avó (Neusa Borges), Vini aproveita para dançar um funk, até que descobre que o bebê sumiu. Com ajuda de Linguinha (Yuri Marçal) e Dj Pulga (Lynna da Quebrada), Vini encontra muitas confusões e personagens que cruzam a noite da periferia paulistana.
O filme tem momentos divertidos e trata de temas sociais bastante importantes e relevantes, como a evasão escolar de jovens meninas da periferia por conta da gravidez. Mas o roteiro é costurado de forma a forçar encontros que primam pela coincidência, e um deles é totalmente deus ex-machina, e como dizem os americanos, o espectador precisa ligar o "Suspension of desbelief". Mas pela importância do tema e pela diversidade de gêneros que o elenco promove, vale super ser assistido.

Águas profundas


"Deep water", de Adrian Lyne (2022)
Adaptação do romance escrito por Patricia Highsmith em 1957, "Águas profundas" marca o retorno de Adrian Lyne, 20 anos após ter lançado "Infidelidade". E como não podia deixar de ser, Lyne novamente toca no seu tema preferido: relacionamento de um casal em crise e que sofre uma reviravolta após a ação de um agente externo. Foi assim em "Atração fatal", "9 1/2 semanas de amor", "Lolita"e "Infidelidade".
Vic (Bem Afleck) e Melinda ( Ana de Armas) formam um belo casal: bonitos, ricos, com uma filha maravilhosa, Trixie. Mas isso aos olhos dos outros. O casal está em crise, e para evitar um divórcio, Vic aceita que sua esposa tenha casos extra-conjugais. Mas quando os amantes desaparecem e surgem mortos, Vic é considerado suspeito.
Um filme que parece ter sido filmado há 20 anos atrás, tal a burocracia com que Lyne o filma. O filme é longo, arrastado e o suspense é bem light. Com um elenco de coadjuvantes de peso, como Jacob Elardi e Finn Wittrock, o filme vale como passatempo, mas o desfecho certamente deixará muita gente confusa ou irritada.

Master


"Master", de Mariama Diallo (2022)
Concorrendo no Festival de Sundance, "Master", escrito e dirigido por Mariama Diallo, vem na tradição do cinema de Jordan Peele, que discute o racismo dentro do gênero terror. Na Universidade Ancaster college, New England, a professora Gail Bisho (Regina Hall) é efetivada dentro da política que a universidade quer promover, de diversidade em todas as áreas. A caloura Jasmine (Zoe Renee) também chega repleta de disposição, se dispondo a querer estudar bastante e de fazer amizades. Mas para a surpresa de ambas, são poucas as negras ali existentes, e as que estão ali, incorporaram uma forma de lidar com os brancos de quase serventia e de querer agradá-los.
O quarto onde Jasmine fica hospedada já foi palco para vários suicídios de alunas negras, sendo a primeira, em 1968. Tanto Jasmine quando Gail passam a ser assombradas pelo passado racista e de escravidão existente ali no local.
Com ótimas performances, "Master" é um filem sombrio, trágico e pessimista, que deixa claro que o racismo está presente na vida da comunidade negra, mesmo quando a sociedade branca alega não ser racista. Um filme que incomoda o espectador porque o cutuca, o provoca e o faz refletir sobre os seus atos diários.

quinta-feira, 17 de março de 2022

Emboscada


 "Lured", de Douglas Sirk. Remake do francês "Pieges", de Robert Siodmak, de 1939, 'Emboscada" é um clássico noir dirigido pelo mestre Douglas Sirk, famoso pelos melodramas como "Imitação da vida" e "Sublime obsessão", mas cuja carreira inicial misturava gêneros. O filme é estrelado pelos astros Lucille Ball ( em papel dramático), George Sanders e Boris Karloff. Em Londres, um serial killer mata jovens mulheres seduzindo-as através de anúncios amorosos em jornais. Depois de matá-las, ele manda cartas misteriosas para a polícia. Sandra (Ball) é uma dançarina americana que veio para trabalhar em Londres. Quando sua colega de trabalho Lucy desaparece, Sandra decide procurá-la com a ajuda do inspetor Harley (Charles Coburn), que pede para Sandra ser uma isca do serial killer. Sandra acaba conhecendo vários possíveis suspeitos, entre eles, Robert ( Sanders), por quem ela se apaixona. Um filme mais curioso do que bom, comandado por mestres como Douglas Sirk e um time de atores notáveis. A trama é boa, mas falta uma dose maior de suspense. 

Ghost tropic


"Ghost tropic", de Bas Devos (2019)
Concorrendo no Festival de Cannes 2019, "Ghst tropic" é um premiado drama de Bruxelas, trazendo um olhar ao mesmo tempo melancólico e esperançoso em relação à humanidade.
Khadija (Saadia Bentaïeb) é uma mulher de 58 anos que trabalha como faxineira em uma empresa durante o dia. Ao cair da noite, ela se despede dos colegas e pega o metrô. Cansada, Khadija acaba dormindo e ao acordar, se dá conta que está do outro lado da cidade. Está tarde e não existe mais metrô, e para piorar, ela não tem o dinheiro o suficiente para pegar um táxi. Khadija decide caminhar horas até sua casa, e no caminho, irá se deparar com um segurança de shopping, com um homem que passa mal na rua e com um atendente de uma loja de conveniência. Mas o que a perturbará é quando encontra a sua filha vagando pela madrugada com um rapaz.
De ritmo extremamente lento, com longos planos, o filme oferece contemplação sobre a noite na cidade, com o vazio, os silêncios e as observações sobre trabalhadores noturnos. Sobra espaço para se debater sobre a observação do trabalho sub-emprego para mulheres de terceira idade e a expectativa de novas gerações que têm outros desejos sobre suas vidas e sue futuro. Linda performance da atriz Saadia Bentaïeb em registro minimalista e contundente.

terça-feira, 15 de março de 2022

Entre festas


 "Hiacynt", de Piotr Domalewski. Premiado drama polonês baseado em fatos reais. Com conteúdo LGBTQIAP+, o filme flerta com o policial e o suspense para narrar o período de 1985 a 1987 no país, ainda sob o domínio do comunismo e com forte presença da polícia que vigia toda a população em uma sociedade conservadora. A operação Jacinto foi criada para cadastrar homossexuais e vigiá-los o tempo todo. Os homossexuais eram considerados pelo governo como criminosos, e estima-se que o caderno rosa teve mais de 11 mil cadastrados. O que se diz é que a operação teve início para manter o controle da Aids que estava surgindo no país, e também, pela alegada desvio de conduta. O jovem policial Robert (Tomsz Zietek) trabalha com o seu pai, um chefe d apolícia. Robert namora a oficial Halinka, e aparentemente em uma vida normal e feliz. Quando a polícia decide encerrar o caso de assassinatos de homossexuais, robert secretamente decide ir atrás do serial killer. Ele decide investigar um jovem

estudante, Arek,  que supostamente estava na festa frequentada por gays e de onde estão sendo sendo assasinadas as pessoas. 

O filme lembra demais o clássico "Parceiros da noite", com Al Pacino fazendo um policial que se infiltra na comunidade gay e se faz passar por um lgbt, até que ao conhecer um rapaz, começa a se envolver. "Entre festas" é um ótimo drama, com uma trama envolvente, bons atores e um visual que apresenta a frieza do mundo comunista europeu. 

Carlito se va para siempre


 "Carlito se va para siempre", de Quentin Lazzarotto (2018)

Belíssimo curta LGBTQIAP+ peruano, resultado de um workshop de direção ministrado por Werner Herzog e que resultou em inúmeros prêmios em festivais.

No vilarejo indígena de Palma Real à beira do Rio Amazônia no lado peruano, vive Carlito. Ele é silencioso e bastante observador. A sua comunidade foi quase toda evangelizada, e Carlito se sente um peixe fora d'água. Mas esse dia, será um dia diferente. Ele pega sua mochila, e decide ir embora, sem se despedir de ninguém. Quando se aproxima de uma canoa, sua avó surge e se despede dele. Carlito segue seu caminho, e se encontra com um outro rapaz. E fica feliz.
Mais do que o simples roteiro, a força do filme se reside na construção das imagens, filmadas em locações paradisíacas, e apresentando a vida pacata de um povo esquecido. A descoberta da sexualidade e o entendimento da busca pela felicidade e por um caminho que seria impensável em uma sociedade regida por tradição e preconceito.

Os últimos românticos



"Os últimos românticos", de João Cândido Zacharias (2019)
Excitante curta LGBTQIAP+ onde três rapazes fazem relatos de pegação, em 2 monólogos excelentes e sem cortes, mostrando um naturalismo e espontaneidade vibrantes de 3 jovens atores muito interessantes e talentosos.
No primeiro monólogo, um rapaz relata uma experiência sexual que ele teve em um cinema lotado assistindo "Blade runner 2049" e sentado ao lado de um rapaz, encosta sem querer a mão no genital do outro.
Na 2 cena, dois rapazes na cama relatam suas experiências com pegação: o primeiro rapaz é o cara que estava no cinema com o primeiro depoimento. O 2o rapaz relata sua experiência em um ônibus.
Filmado com extrema simplicidade mas deixando claro que com um ótimo texto, bons atores e muita criatividade, é possível fazer um filme muito bom.

A história de Dirk Diggler


"A história de Dirk Diggler", de Paul Thomas Anderson (1988) Estréia na direção do cultuado cineasta Paul Thomas Anderson, "A história de Dirk Diggler" foi rodado como um curta de estudante do então estudante de cinema, que na época, em 1988, tinha 17 anos.
O filme, todo rodado e editado em VHS, tem uma textura suja, condizente com o olhar vintage sobre o filme. Narrado em off por um narrador em tom sensacionalista, o filme mostra a ascenção e queda de Diggler: seu sucesso com os filmes pornôs, a sua relação bissexual com seu amigo e parceiro de cena Reed e a pressão do Diretor e produtor Jack Horner. O uso de drogas, a tentativa de ser cantor de rock e astro de uma fracassada série de tv até sua morte ainda jovem. E um desfecho delicioso e cafona, com um clip mostrando momentos da vida de Diggler, ao som de


 


segunda-feira, 14 de março de 2022

The souvenir- Parte 2


“The souvenir- Part 2”, de Joanna Hogg (2021)
Um raro caso de filme independente que tem uma continuação, “The souvenir- parte 2” é sequência direta do filme homônimo de 2019, e ambos bastante premiados e produzidos por Martin Scorsese, fã do trabalho da cineasta e roteirista Joanna Hogg.
O filme é autobiográfico da cineasta e conta a sua vivência com seus pais e a faculdade de cinema que ela está graduando. Julie (Honor Swinton Byrne, filha de Tilda Swinton) é o alter ego de Joanna. No filme anterior, ela vivia um relacionamento tóxico com Anthony, um homem mais velho que a ssediava moralmente e tinha grande influência sobre Julie. Nessa parte 2, o filme começa com Julie passando um tempo na casa de seus pais, Rosalind (Tilda Swinton) e Willian (James Spencer Ashworth). Julie vive um luto pela morte inesperada de Anthony por overdose. Julie decide retornar para a faculdade e fazer seu curta de graduação. Ela muda o roteiro e decide exorcizar sua história com Anthony no roteiro, mas é criticada pela bancada de professores ( todos homens. Mas Julie insiste e monta uma equipe de filmagem. No entanto, devido à sua pouca experiência, parte da equipe, principalmente o produtor e o fotógrafo, a pressionam, deixando claro que Julie não sabe o que quer, além dos próprios atores, que questionam o método de Julie de dirigir.

Um filme com foco no olhar feminino, sobre mulheres que passam seus dias sufocadas pela presença masculina, tóxica e ameaçadora, seja no âmbito profissional ou pessoal. Para quem trabalha com audiovisual, é um filme que apresenta o dia a dia que estamos acostumados a ver, com muita pressão. Um ótimo time de atores desconhecidos, abrilhantados pela jóia da Tilda Swinton. E como é lindo ver mãe e filha na ficção e na vida real trabalhando juntas!!

Huda's salon


“Huda’s salon”, de Hany Abu-Assad (2021)
Indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro com “Paradise now”, o palestino Hany Abu-Assad lança mais um polêmico drama, mostrando o conflito entre palestinos e israelenses em terras ocupadas. Dessa vez, ele traz a história para Belém, ocupada pelos israelenses e com um muro dividindo as terras. A relação entre palestinos e israelenses é bastante tensa, e para as mulheres, resta pouca chance de sobreviver com liberdade, pois tem o agravante da sociedade patriarcal e machista.
“Em ‘Huda’s salon”, a narrativa é bastante tensa e vai num crescendo de suspense quase insuportável e angustiante.
Reem (Maisa Abd Elhadi)é uma jovem mãe de um bebê de dois meses, e casada com o ciumento Yousef (Jalal Masarwa). Em um dia como outro qualquer, ela vai até o salão de Huda (Manal Awad), lugar que ela frequenta a tempos, para fazer o cabelo. Mas para sua surpresa, ela é drogada por Huda e tem fotos comprometedoras feitas por Huda, que a obriga a trazer informações para os israelenses, caso contrário, as fotos dela serão divulgadas. Reem se desespera e tem medo de contar ao marido o ocorrido. Huda, por sua vez, é presa pela polícia secreta palestina e é interrogada pelo policial Hasan (Ali Suliman), que quer saber quem são as mulheres que estão nas polaróides encontradas na casa dela, acusadas de traição.
Com apenas 4 atores e uma direção impecável, “Huda’s salon” jamais é óbvio, e faz com que o espectador torça pelas protagonistas, assim como procura dar voz e razão para todos os personagens. Um filme corajoso, denso, que certamente provocará a ira de palestinos e israelenses pela forma ousada e visceral como mostra algumas cenas.

sábado, 12 de março de 2022

Ascenção


  ‘Ascension”, de Jessica Kingdon (2021)

Excepcional documentário que remete aos filmes dirigidos por Godfrey Reggio nos anos 80: “Koyanisqatsi”, “Powaqatsi”, que são imagens lúdicas, poéticas e reveladoras mostrando a sociedade industrial , a população e o meio ambiente conectados ao processo da modernidade e da inevitável universo do consumismo e do capitalismo.

A cineasta Jssica Kingdon e seu fotógrafo Nathan Truesdell viajaram por 51 locais distintos na China e divide seu filme em 3 blocos: classe trabalhadora, classe média e a elite chinesa, enriquecida com a entrada da China ao mundo capitalista. São imagens impressionantes, algumas parecendo obras de arte. Os melhores segmentos são o de uma fabrica que fabrica bonecas sexuais, absolutamente bizarro. No 3o ato, mostrando os ricos, todos em situações impensáveis na China de anos atrás. E o que dizer da aula de etiqueta, onde as pessoas precisam aprender a abraçar e a sorrir, hábitos complexos de um oriental, mas necessário na união com o capital ocidental. Para sorrir, mostre 8 dentes, diz o professor. O filme venceu mais de 10 prêmios internacionais, entre eles, melhor documentário em Tribeca 2021.

Red- Crescer é uma fera


“Turning red”, de Domee Shi (2022)
Primeiro filme da Disney Pixar dirigido por uma mulher, “Red- Crescer é uma fera” é realizado pela mesma cineasta do curta “Bao”, premiado com o Oscar de melhor curta de animação em 2019.
O filme traz referências de sua cineasta, Domme Shi: fala sobre uma comunidade de chineses que moram em um bairro do Canadá. O ano é 2002, o auge das Boy Bands. Meili(Rosalie Chiang),13 anos, é uma excelente estudante e tudo na sua vida é bastante regrado e eficiente, ganhando elogios de todos, principalmente de sua mãe, Ming (Sandra Oh). Meilin e seus pais gerenciam um tempo frequentado por turistas. A idade de 13 anos no Canadá já é considerado entrada para a vida adulta, e esse fato faz com que Meilin se sinta pressionada pela entrada na puberdade, além de desejar ter mais liberdade. Ela sente atração por meninos e principalmente, apaixonada pela boy band 4-Town, que irá fazer um show na cidade. Sua mãe proíbe que ela vá, e isso faz com que Meilin se transforme em um gigante panda vermelho, resultado d etensão e stress.

O filme é bastante simpático e traz traços mais próximos ao anime, com os olhos amendoados e inserção de reações nas imagens. É um filme que lida com temas importantes como sororidade, feminismo, primeiro amor e mudanças corporais, metaforicamente ilustrados através do panda.

Exorcismo sagrado


"The exorcism of God", de Alejandro Hidalgo (2021)
Terror em co-produção México, Venezuela e Estados Unidos, "Exorcismo sagrado" busca o tempo todo pegar referências de "O Exorcista", de Willian Friedkin, inclusive copiando as mesmas cenas, como a chegada do padre na casa da possuída. Mas curiosamente, o filme tem elementos visuais e de narrativa que lembram outros clássicos do terror, como "A profecia" e "Demons, os filhos das trevas", de Lamberto Bava, com sua maquiagem trash e zumbis tosqueiras.
"Que lugar é esse, Padre?- Uma prisão do terceiro mundo- Eu não sei se devo espalhar água benta ou alvejante.". Essa frase proferida por um dos padres denota o tipo de humor ácido que surge espontaneamente no filme, fazendo graça aonde não deveria ter. A história é interessante: O padre Peter Williams (Will Beinbrink) está no México em uma região pobre. Ele luta pela causa dos pobres. e é bastante ativo entre a população. Ele é acionado para um exorcismo, no entanto, ele ainda não está preparado para tal missão. Temendo pela morte da possuída, ele aceita fazer o exorcismo, mas a sedução do demônio Balban acarreta uma ação violenta que culminará em uma brecha de tempo de 18 anos depois. O padre agora trabalha no campo com os sem terra mas é chamado para um novo exorcismo: uma jovem de 18 anos está na prisão e necessita da ajuda dele. É a sua chance de se redimir de seus atos passados.
O filme é corajoso quando fala metaforicamente sobre os abusos sexuais dos padres, só que aqui, o demônio é literal, mas fica fácil entender a simbologia. O final também lembra bastante "A profecia". O filme muitas vezes parece um filme bastante tosco, um filme B trash, e para o meu gosto, acho até divertido. O que atrapalha são os excessos de diálogos e ritmo. A cena de Cristo crucificado virando um demônio é realmente polêmica e corajosa, pois rompe de vez com um simbolo católico de forma bizarra.

sexta-feira, 11 de março de 2022

Dog


‘Dog”, de Channing Tatum e Reid Carolin (2022)
Drama feel good movie que marca a estréia do ator Channing Tatum na direção. Aqui, ele co-dirige com o seu amigo roteirista Reid Carolin. Channing interpreta Briggs, um ex-Ranger, que é uma divisão de elite do exército americano. Por problemas de TDSA, Briggs é obrigado a sair da corporação, mas seu sonho é poder retornar. Essa oportunidade surge quando lhe passam uma missão especial: levar a cadela Lulu, uma ex-ranger que durante anos acompanhou um outro ranger, e que foi morto em combate. Briggs deve levar Lulu até o velório do soldado, sendo esse seu último pedido. Mas Lulu está irritadiça e por isso será sacrificada após o velório. Briggs aceita, mas impedido de viajar de avião pelas condições do animal, ele precisa viajar de carro até o Arizona. Durante a viagem, muita coisa irá acontecer, mudando definitivamente a vida tanto de Briggs, quanto de Lulu.
Como roteiro, o filme é super óbvio e todo mundo sabe como o filem irá terminar. O que vale no filme é que as cenas com a cadela são emocionantes, e ela sim, é a grande atração do filme. O filme aposta mais no drama do que numa tentativa de humor, que é pouco. E também fala de temas mais densos, como a cena onde Lulu ataca um homem vestido como alguém do oriente médio, pois ela foi treinada para essa ação.