domingo, 24 de abril de 2022

Diabolik


 "Diabolik", de Antonio Manetti e Marco Manetti (2020)

A única forma de se assistir a esse esperado e também criticado remake da adaptação dos quadrinhos escritos pelas irmãs Giussani, é não o comparando com o filme original de 1968, um clássico cult dirigido pelo mestre italiano Mario Bava. Se comparado, essa versão dos irmãos Mannetti perde e muito, tanto na narrativa, quanto na estética e carisma dos personagens.

Nos anos 60, na cidade de Clerville, o lendário ladrão Diabolik planeja seu próximo assalto: roubar um diamante valioso da herdeira Eva Kant, que está namorando o vice-ministro da Justiça, Giorgio Caron. Usando uma de suas máscaras para se passar por seu inimigo, o inspetor Ginko , Diabolik engana Eva para que ela revele em qual hotel ela ficará hospedada. Ele faz outra máscara para se passar por um dos garçons designados para o quarto dela e rapidamente localiza o cofre escondido onde o diamante é guardado. No entanto, ao ver Eva, ele se apaixona por ela.
O filme apresenta o encontro entre Diabolik e a sua futura amante Eva Kant (No filme de Bava, eles já se conheciam e eram parceiros do crime). Diabolik é interpretado pelo galã Lucas Marinelli, e Eva Kant, a Miss Itália 2008 Miriam Leone. Ambos os astros são belíssimos e lindos de ver em cena. Mas as performances ficam aquém do esperado. estranhamente, a direção de atores os deixa frios, sem emoção, caricatos. Diabolik também é apresentado de uma forma estranha para mim: ele aqui mata inocentes ( como garçon do início do filme), o que me tirou o carisma do personagem, até então apresentado como um ladrão charmoso. A duração do filme também incomoda: 133 minutos, que parecem muito mais, por conta de seu ritmo muito lento para um filme de ação. O que vale mesmo é a parte técnica e as belas locações onde foram rodados o filme, além do charme vintage e retrô que infelizmente, não fizeram o filme decolar.

Romeu e Julieta


 "Romeo and Juliet", de Simon Godwin (2021)

Primeira incursão cinematográfica da mundialmente conhecida National theatre de Londres. A National Theatre é uma das três companhias de teatro mais importantes do Reino Unido, ao lado da Royal Shakespeare Company e da Royal Opera House. Localizada em Londres, foi criada em 1963 e seu primeiro diretor foi Laurence Olivier.

A versão de SImon Godwin para 'Romeu e Julieta" a ser apresentada no National theatre com os astros John O'connor e Jessie Buckler, dois dos melhores atores jovens da Inglaterra, teve a sua temporada suspensa por conta da pandemia da Covid. Mas a CIA decidiu algo inédito: encenarem o espetáculo para um teatro vazio e, durante 17 dias, filmá-lo para as telas do cinema. O resultado e um filme ousado, metalinguístico, todo encenado nos palcos, com criativa direção de arte, fotografia e uso de câmeras sempre em movimento.
O filme é pop assim como a versão de Barz Luhman, com trilha sonora eletrônica, e ambientação transposta para os dias de hoje. Mas aqui a encenação é teatral com linguagem de cinema. Os dois atores principais estão sensacionais, e o diretor consegue imprimir uma dinâmica que o faça ser apreciado como filme, e não como teatro filmado. Um filme ousado e que pode não agradar a todos, mas apreciar a performance de jovens atores ingleses declamando a difícil verbalização do texto de Shakespeare, é um bálsamo.

sábado, 23 de abril de 2022

Ponto de inflexão


 "La svolta", de Riccardo Antonaroli (2022)


Bom drama italiano que traz elementos de humor e policial, através de mafiosos que ameaçam os protagonistas. O filme traz uma linda amizade improvável entre dois rapazes que não se conhecem, e é o que os americanos chamam de "Broderhood", ou brodagem, que vai além da questão sexual. Ludovico (Brando Pacitto) é um rapaz na faixa dos 20 anos, depressivo e de baixa auto-estima, que mora sozinho no apartamento que pertenceu à sua avó. Ele sonha em ser quadrinista, mas seu pai, sempre que aparece ali, o pressiona para que ele toma rédea de sua vida. Uma noite, ao colocar o lixo na rua, ele é ameaçado pelo ladrão Jack (Andrea Lattanzi), que está sendo perseguido pela máfia por ter roubado uma mala contendo muito dinheiro. Jack se esconde no apartamento de Ludovico, e a estranheza do início vai se transformando em uma amizade, tendo Jack como um irmão maior de Ludovico e o ensinando a encarar as dificuldades da vida, entre elas, se declarar para uma vizinha que ele ama platonicamente. Mas a máfia descobre onde Jack está escondido e vai ao seu encalço.

Com ótimas performances, o filme é divertido e tem cenas violentas, bem ao estilo Tarantino. Mas o desfecho me deixou muito irritado, e acredito que a muitas pessoas.

Lorca, morte de um Poeta


 "Lorca, muerte de un Poeta", de Juan Antonio Bardem (1987) Cinebiografia do poeta, escritor, ator e diretor teatral espanhol Federico Garcia Lorca, com quase 6 horas de duração. Essa ambiciosa produção cobre toda a vida de Lorca, desde sua fase como criança na cidade de Funta Vaqueros, aonde nasceu em 5 de junho em 1898. Já adulto, aos 21 anos (Nickolas Grace é o ator que o interpreta até o final), Lorca, influenciado por Fernando de los Rios, que via nele um grande artista, Lorca se mudou para Madri e se instalou na famosa casa do estudante, onde viria a conhecer e ser amigo de Luís Bunuel e de Salvador Dali. O filme acompanha a amizade dos três, a paixão entre Lorca e Dali, a viagem dele para Nova York, seu retorno para a Espanha, já como escritor e diretor de teatro. Pelo seu envolvimento com socialistas, Lorca foi preso pela milícia nacionalista e fuzilado em 19 de agosto de 1936.

Um projeto ambicioso, alternado com imagens de época, "Lorca" é um filme correto, acadêmico. Faltou mais vigor e criatividade para contar a história de 3 artistas que revolucionaram o século XX em seus primórdios, mudando para sempre a história da arte, cinema e literatura.

sexta-feira, 22 de abril de 2022

Você não ficará sozinha


 "You won't be alone", de Goran Stolevski (2022)

Imagine um filme de Terrence Malick, com os planos exuberantes rodados em grande angular, com a narração em off desfilando frases de efeito sobre existencialismo e filosofia, e uma fotografia ( de Matthew Chuang) explorando as belas paisagens da Macedônia rural?

Agora imagine esse filme sendo um filme de terror, e você terá "Você não ficará sozinha", onde obviamente todo cinéfilo se lembrará imediatamente de "A bruxa", o cult folk horror de Robert Eggars.
Exibido com grande sucesso no Festival de Sundance, o filme se ambienta no século 19 na Macedônia. Uma mulher é procurada por uma bruxa, Maria (Anamaria Marinca, “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias”) que deseja a sua filha recém nascida. A mulher propõe à bruxa que entregará a sua filha quando ela tiver 16 anos. Traindo a bruxa, a mulher esconde a menina em uma cova, e ali, a cria por 16 anos, até que a bruxa volta e sequestra a menina, criando como se fosse sua filha, e fazendo-a se tornar uma bruxa. Ao matar acidentalmente uma camponesa, Bosilka (Noome Rapace), a jovem bruxa se transforma nela, e ela descobre que pode se tornar a outra pessoa que ela mata. Assim, a jovem bruxa se transforma em homens, mulheres e animais, e em busca de sua humanização.
Um filme extravagante, sem diálogos, todo narrado, e ao mesmo tempo, criativo, original, um olhar fascinante sobre as bruxas. Mas é um filme para cinéfilos, pois tem um ritmo bastante lento e um tratamento todo artístico, mesmo tendo cenas bastante violentas.
O filme é uma grande metáfora sobre a humanização, sobre abandonar o ninho familiar e as suas consequências do processo de amadurecimento. Quase um conto de fadas macabro, "essa estréia promete nos apresentar um futuro grande cineasta.

Ambulância


 "Ambulance", de Michael Bay (2022)

Co-escrito e dirigido pelo Mestre dos filmes de ação Michael Bay, mas trazendo uma história mega genérica e já vista em outros filmes, com o tema do homem desempregado e endividado que precisa internar um filho no hospital mas não tem dinheiro. Por conta disso, e para salvar a família, ele decide entrar no mundo do crime para ganhar um dinheiro do assalto ao banco. Mas claro, as coisas dão erradas e a partir daí, é lutar pela sua sobrevivência e a de reféns de uma ambulância sequestrada.

O anti-herói desesperado é interpretado pelo ator Yahya Abdul-Mateen II, no papel de Will, e o vilão é Jake Gyllanhall, no papel de Danny. Ambos são irmãos adotivos. A enfermeira sequestrada é Eiza González, no papel de Cam Thompson. Bay inclui diversidade no elenco, trazendo negros e latinos em papéis principais.
O filme é óbvio e é fácil adivinhar o desfecho. Para quem curte cenas de perseguição e tiroteios, vale assistir a esse pipocão com um tema social como pano de fundo, criticando o sistema de saúde nos Eua.

Good life


 "Good life", de Bonnie Rodini (2021)

Exibido em diversos Festivais de cinema, "Good life" é uma co-produção África do Sul e Grécia e filmada em Cape Town e Grécia. Escrito e dirigido por

Bonnie Rodini em seu longa de estréia, levemente inspirado em sua vida. O filme é um simpático e fofo Feel good movie, que lembra bastante o clássico 'Shirley Valentine".
Olive Papadopoulous (Erica Wessels), é uma mulher de trinta e poucos anos com o coração partido depois da separação. Ela é dentista e sua mãe fica pressionando ara ela arranjar um novo companheiro. Olive para uma pequena cidade na Grécia, ela se vê ainda mais infeliz graças à hostilidade dos moradores – seu pai tem história mal resolvida na localidade- até que ela contrata um refugiado albanês de 7 anos, Jet (iCaleb Payne) como seu guia e negociador. Em pouco tempo, Jet se torna seu amigo também, ensinando Olive a viver uma “boa vida”.
Amparado por ótimas performances, principalmente da protagonista e do menino mega fofo, "Good life" traz lindas locações de Cape Town e da cidade da Grécia, com um elenco de apoio divertido e que lembra filmes como "Chocolate", quando toda a população se volta contra a protagonista.

quinta-feira, 21 de abril de 2022

Leia entre as linhas


 "Read between the lines", de Adante Watts (2022)

Divertido e simpático curta LGBTQIAP+ baseado na história do próprio diretor e roteirista, Adante Watts. Dois amigos estão em uma biblioteca pública, Nicholas e Amari. Nicholas frequenta o local há duas semanas: ele está apaixonado pelo funcionário, Milo. Mas Amari diz que Nicholas não faz idéia nem se o funcionário é gay, e a única forma de saber é ser cara de pau e investir numa aproximação.

Simples, mas efetivo e bastante carismático, é um filme que aposta no amor, sem segundas intenções. Um raro filme gay de fato romântico e fofo. Os atores são bons e ajudam a dar uma atmosfera simpática.

A cidade perdida


 "The lost city", de Aaron Nee e Adam Nee (2022)

A mídia inteira anunciou na época do lançamento do filme de que esse seria o último filme da estrela Sandra Bullock. Mas a própria se pronunciou dizendo que a "aposentadoria" era por um tempo, para que ela pudesse criar suas filhas de 11 e 8 anos e aproveitar melhor a família. "A cidade perdida" é uma comédia de aventura romântica que pega emprestado grandes filmes muito parecidos: 'Uma aventura na África", "Os caçadores de arca perdida", "Jungle cruise", "Tudo por uma esmeralda". Mas aonde o filme modifica, é na construção do protagonista masculino. Ao invés dps tipos broncos e misógenos de outrora, o personagem Alan, interpretado por Channing Tatum, é divertido, carinhoso, amigável, companheiro.

Loretta Sage (Sandra Bullock), é uma autora de baixa auto-estima que escreve romances de aventura centrados em torno de um herói fictício chamado Dash McMahon, que é retratado pelo modelo Alan (Tatum). Sua editora, Beth (Da'Vine Joy Randolph, hilária), insiste que ela deve embarcar em uma turnê do livro com Alan para promover seu último trabalho. Durante a coletiva, o público só quer saber de Dash, sex symbol. Loreta fica chateada.
Ela acaba sendo sequestrada pelo bilionário Abigail Fairfax (Daniel Radcliff). Ele percebe que Loretta baseou seus livros em pesquisas históricas reais que ela fez com seu falecido marido arqueólogo. Fairfax descobriu uma cidade perdida em uma remota ilha do Atlântico e está convencido de que esta é a localização da "Coroa de Fogo", um tesouro inestimável.
Mesmo sendo o mais do mesmo, o filme diverte, principalmente pela excelente química entre Bullock e Tatum. Sandra é das melhores comediantes do cinema e Tatum prova que segue o mesmo caminho que Ryan Reynolds, o galã que todos amam torcer a favor. O filme é longo, tivesse 20 minutos a menos seria muito mais dinâmico e divertido.

Kicking blood


 "Kicking blood", de Blaine Thurier (2021)

Exibido no Festival de Toronto, o filme de terror e romance "Kicking blood" tem muito de 'Crespúsculo" e "Entrevista com o vampiro", principalmente quando se mistura sangue e amor. Produção canadense co-escrita e dirigida por Blaine Thurier, o filme é um interessante drama de uma vampira que se apaixona por um jovem alcóolatra e que por isso, decide abandonar o seu apetite por sangue humano, o que a deixa fraca. Anna (Alanna Bale) passa seu tempo trabalhando em uma biblioteca e caçando humanos em busca de comida com seus companheiros vampiros Boris (Benjamin Sutherland) e Nina (Ella Jonas Farlinger). Um dia ela encontra o alcoólatra Robbie (Luke Bilyk) na rua e concorda em deixá-lo ficar em sua casa para que ele possa ficar sóbrio e mudar sua vida. Estranhamente atraída por ele, Anna é inspirada pelas tentativas de sobriedade de Robbie e decide tentar largar de beber sangue em uma tentativa de recuperar sua humanidade.

O filme não traz novidades ao gênero e ao tema, mas é bem defendido pelo carisma dos atores principais, que têm boa química e a gente torce por eles. Um filme baixo orçamento, mas com boa direção e boa fotografia.

Princesa Yakuza


 "Yakuza princess", de Vicente Amorim (2021)

Segunda adaptação do cineasta brasileiro Vicente Amorim de graphic Novel do artista Danilo Beyruth. Em 2018 ele adaptou "Motorrad", e agora, "Samurai shindô", aqui chamado de "Princesa Yakuza".

O filme traz a mitologia dos Yakuzas para a grande metrópole de São Paulo capital, onde existe a maior comunidade de japoneses fora do Japão. Ali se encontra Akemi (Masumi), uma jovem descendente de japoneses que vê surgir em seu caminho um estranho homem sem memória, Shiro (Jonathan Rhys Meyers), e passa a ser perseguida pelos yakuzas. Akemi se une a SHiro para tentar descobrir os segredos de seu passado, até que esbarra no assassino da Yakuza Takeshi (Tsuyoshi Ihara).
Depois de "Kill Bill", de Tarantino, e dos filmes de Taksehi Kitano, todos os filmes posteriores sobre a Yakuza foram obrigados a trazer elementos estilizados na fotografia, além de uma fotografia que favoreça os neons e a noite, e um ritmo bastante acelerado para se contar histórias sobre honra e traição. Para quem curte filmes de ação, "Princesa Yakuza" é uma boa pedida, com uma história repleta de reviravoltas. Muito bom ver atores brasileiros e asiáticos escalados em produção internacional.

Perigo: Diabolik


 "Diabolik", de Mario Bava (1968)

Um dos maiores cults de filmes de ação do cinema, "Perigo: Diabolik" foi inspiração para muitos filmes que revisitaram os anos 60, copiando seu estilo narrativo, figurino, montagem, fotografia em technicolor, como a série "Austin Powers". O filme é uma adaptação filmada em 1968 pelo Mestre do cinema italiano Mario Bava, baseado nos famosos quadrinhos italianos criados pelas irmãs Angela e Luciana Giussani em 1962, e que rendeu mais de 800 quadrinhos, inaugurando o gênero "Furnetti", quadrinhos em formato de bolso com histórias policiais.

Para muitos críticos, o filme é a melhor adaptação já feita de quadrinhos. Além de MArio Bava, o filme tem no seu elenco e equipe outros grandes Mestres do cinema: a trilha sonora é de Ennio Morricone, e a música tema "Deep down" é uma verdadeira jóia; os astros Michel Piccoli, como o inspetor Gorki, que vai atrás do ladrão charmoso Diabolik (John Philip Law, protagonista com Jane Fonda de "Barbarella"); o super produtor DIno de Laurentiis, e a grande italiana Marisa Mell, atriz austríaca e dona de uma beleza espetacular, no papel de Eva, eterna parceria do crime e do amor de Diabolik.
A história é simples e certamente muito do filme Mario Bava deve à série de Batman, de onde pega emprestado toda a narrativa pop, e do filme de Hitchcock, 'Ladrão de casaca". Diabolik é um ladrão perseguido pela polícia e por vilões que querem roubar os tesouros que ele rouba. Diabolik conta com a ajuda de Eva.
O filme tem figurinos incríveis, grande referência do que se fazia de mais pop nos anos 60. Um filme divertido, delicioso, um clássico eterno que teve uma refilmagem em 2021, mas que não chegou aos pés de seu charme.

quarta-feira, 20 de abril de 2022

Vanishing


 "Vanishing", de Denis Dercourt (2021)

Triiller de suspense co-produzido pela França e Coréia do sul, "Vanishing" é estrelado por Olga Kurylenko, a superstar russa que já foi Bond girl.

A história segue Alice, cientista forense (Kurylenko) que inventou uma técnica para restauração de cadáveres danificados. Ela visita a Coréia do Sul para uma conferência e, a pedido de um detetive da polícia coreana (Yoo Yeon-Seok), auxilia em uma investigação: corpos são encontrado sem órgãos internos. Ambos acreditam que existe uma organização mafiosa que faz tráfico de órgãos.
O filme alterna drama, suspense e romance, e tem um bom ritmo, com algumas cenas bem tensas, como a da tentativa de fuga de uma vítima. O filme claramente busca inspiração em 'O silêncio dos inocentes", mas está bem longe do primor do filme. Mas vale como passatempo, além de mostrar uma Seul belamente fotografada.

Alemão 2


 "Alemão 2", de José Eduardo Belmonte (2022)

Oito anos depois do filme original, a continuação segue um caminho bem parecido com o drama "Intervenção", de Caio Cobra. Ambos os filmes falam sobre a falência das UPPs e possuem uma forte protagonista feminina que criticam o machismo e misoginia de uma corporação onde o ditado é "Bandido bom e bandido morto". O filme começa em 2014, com a ocupação da polícia do Morro do alemão. Quatro anos depois, já tomada novamente pelos traficantes, 3 policiais disfarçados ( Vladimir Brichta, Leandra Leal e Gabriel Leone) de funcionários da Light entram na comunidade para sequestrarem o traficante Soldado (Digão Ribeiro). Mas a operação falha, e todos ficam presos na comunidade, aguardando ajuda policial.

Com um grande elenco, que inclui Mariana Nunes, Zezé Motta, Aline Borges, o filme tem boas cenas de ação e claro, fala sobre a corrupção em todas as esferas da sociedade, mostrando cenas documentais da prisão de Pezão, Sergio Cabral, entre outros políticos bandidos.

Família


 "Family", de Mark Pariselli (2020)

Curta LGBTQIAP+ de terror, é uma interessante incursão de cinema queer em referências ao cinema de gênero, fazendo referências a "O massacre da serra elétrica" e "Os filhos do mal".

Um casal gay viaja até o interior dos Estados Unidos. Ao pararem na estrada para comer, eles avistam um milharal, e ali, um dos rapazes observa um pai maltratando o filho pequeno. Isso faz com que o casal discuta o trauma de um deles, com situação mal resolvida de homofobia. De noite na estrada de terra, acabam atropelando um rapaz e o colocam no porta-malas.
Um filme interessante, nada de excepcional, mas uma boa homenagem ao gênero terror. Bem fotografado e ótimas locações que nos remetem à paisagens icônicas.

terça-feira, 19 de abril de 2022

Outono, outono


 "Autumn, autumn", de Woo-jin Jang (2016)

Premiado drama sul coreano, é impossível não comparar a sua estrutura narrativa ao famoso cineasta Hong San Soo. O filme nos apresenta a 3 personagens num vagão de trem, vindo de Seul em direção à cidade de Chuncheon, uma cidade turística. Ji-hyun é jovem, tem 29 anos. Recém formado, ele foi para Seul para uma entrevista de emprego que não deu certo, e decide retornar à sua cidade natal, Chuncheon, para rever seus pais, mas acaba reencontrando um amigo que ele não reconhece. O casal de meia idade, Se-rang e Heung-ju, se conheceram online e marcaram o encontro presencial, mas a sensação de culpa por serem casados e com família os deixa entristecidos.

Um retrato sobre solidão e falta de perspectiva, o filme é dividido em 2 atos, cada um contando uma história, mas ambientada na mesma cidade. É um filem curioso, artístico, composto de 40 planos longos sem cortes.

Wekends


 "Weekends", de Lee Dong-ha (2016)

Exibido no Festival de Berlin, "Weekends" é um documentário LGBTQIAP+ sul coreano que conta a história do grupo vocal G-VOICE, o primeiro e único coral sul coreano formado por homens gays. O filme acompanha as apresentações do grupo em eventos como o primeiro casamento gay do país, passeata da comunidade queer. Nesses dois eventos, o grupo sofre ataques homofóbicos, como um homem jogando fezes no grupo durante a celebração do casamento. A coréia do sul é conhecida por se rum país conservador e homofóbico, e isso fica claro nos depoimentos de cada integrante, contando sua história de afirmação e de aceitação. O filme é longo, com muitos números de cantorias, mas vale ser visto para se entender a mentalidade de um povo que luta para que a causa gay seja aceita pela população. O filme se chama "Weekends" porque os integrantes se reúnem aos finais de semana; durante a semana eles trabalham como farmacêuticos, dentistas, médicos, comerciantess, etc.

Sem palavras


 "Bez slov", de Ivan Shakhnazarov (2010)

Premiado curta LGBTQIAP+ russo, lindamente fotografado e desenvolvido sem diálogos. Filmado em película, o filme narra o encontro entre 2 soldados de forças inimigas que se deparam frente a frente: um soldado russo ferido na perna, e um soldado alemão que o localiza. Entre os dois surge inesperadamente um afeto. O soldado alemão cuida do russo, lhe dá comida, cigarro, olhos nos olhos. Mas o batalhão alemão está chegando e o soldado precisa tomar uma decisão.

Interpretado pelos atores Artem Alexeev e Petr Rykov, 'Sem diálogos" é um filme de temática universal, sobre o amor que surge entre pessoas diferentes mas que se unem pelo afeto e pelo amor.

segunda-feira, 18 de abril de 2022

Pardal


 "Sparrow", de Welby Ings (2016)

Comovente curta LGBTQIAP+ neo-zelandês, que tem como temas o bullying, a homofobia e a aceitação de ser diferente dos outros.

Nos anos 60, um menino de 10 anos acredita que pode voar. Ele constrói asas e as usa o dia todo, tanto na escola quanto em casa. Os garotos da escola batem no menino. Em casa, seu pai o ensina a ser mais masculino, pratica luta corporal com ele. Mas o menino é sensível. Triste, ele revira o sótão e ali encontra cartas escritas pelo seu avô. Ele descobre que ser avô era um soldado gay e que quando o amante morreu morto pelo capitão homofóbico, ele enfrentou a todos com coragem. Essa coragem de seu avô cria no menino uma força para enfrentar os assediadores.
O filme usa do simbolismo das asas para falar sobre a homossexualidade em uma criança que está se descobrindo e a sua aceitação sobre a sua orientação sexual. O desfecho, todo simbólico, mostrando idosos que viveram vidas de fachada é poético e arrebatador.

Ilusões perdidas


 "Illusioni perdute", de Xavier Giannoli (2021)

Adaptação da obra de Honoré de Balzac, composta de três livros, o cineasta Xavier Giannoli concorreu no Festival de Veneza e venceu diversos prêmios Cesar. Com um elenco estelar, composto por Xavier Dolan, Gerard Depardieu, Cecile de France, Vincent Lacoste e Benjamin Voisin ( protagonista de "Verão de 85", de Ozon). o filme encanta pela parte técnica: excelentes fotografia, direção de arte, figurino, maquiagem e trilha sonora.

Na França de 1820, na cidade do interior de Angoulême, Lucien Chardon (Benjamin Voisin), um jovem ambicioso trabalha em uma gráfica, mas à noite escreve poemas sentimentais e sensuais para sua amante secreta, a aristocrática Madame Louise (Cécile de France). Louise acha que ele é um gênio, sua família aprecia seu talento e, com esse apoio, Lucien sabe que é apenas uma questão de tempo até que ele se torne famoso. A vida começa a melhorar para Lucien, que rapidamente se destaca. Louise se separa de seu marido e vai com Lucien para Paris. Mas logo ela entende que a cidade grande é diferente do interior e que a diferença de classe social é fundamental para alguém se manter. Ela é obrigada a se separar dele. Sem dinheiro, Lucien vai trabalhar de garçon em um restaurante e conhece o jornalista Etienne (Lacoste), que escreve matérias pagas e tendenciosas. Ele se torna um crítico do jornal depois de ameaçar um novo romance da estrela literária em ascensão Nathan (Xavier Dolan), e se apaixona por Coralie (Salomé Dewaels), uma atriz doce e talentosa. Lucien descobre que o compromisso com a ética e a verdade não é o forte dos jornalistas. O filme faz uma crítica pesada aos fake news e imprensa marrom, através da história das ascenção e queda de um jovem idealista mas que se vendeu pela corrupção jornalística.
Uma história quase que semelhante a Mephisto, e que termina de forma trágica. Atuações brilhantes do elenco e um filme que prende a atenção do espectador com seus subtextos sobre ética.

domingo, 17 de abril de 2022

Para que o vento não leve tudo


"So the wind won't blow it away", de Edmund Yeo (2020)
Drama LGBTQIAP+ da Malásia, é um estudo sobre melancolia e luto rodado em cores e em preto e branco. Em luto pela morte de uma ex-namorada, Jia Le (Wilson Lee) se muda para morar com um amigo ator, I (Coby Chong). O ator, no entanto, muitas vezes sofre espasmos de dor em seu corpo enquanto se prepara para se mudar para a China em busca de uma vida melhor. Antes de sair, o ator se apresenta em uma adaptação do polêmico Noh Play do escritor Yukio Mishima, 'Dojoji'. Ambos os homens tentam encontrar um vislumbre de felicidade em suas vidas. A morte está presente na vida de ambos: I até hoje vive o luto pela morte precoce de sua mãe aos 39 anos de idade. Jia Lee se sente culpado pela morte da namorada.
Um filme que tem momentos interessantes, mas que da metade pro final embarca em uma viagem mais artística, misturando uma filmagem de um texto de Yukio Mishima e tentando fazer uma analogia entre ator e personagem. O filme não me pareceu muito coeso, e o desfecho ficou também abrupto.


 

Black Medusa


 "Black Medusa", de Youssef Chebbi e Ismaël (2021)

Concorrendo no prestigiado Festival de Rotterdan, "Black Medusa" é um drama de suspense psicológico rodado em belíssimo preto e branco. Escrito e dirigido pela dupla Youssef Chebbi e Ismaël, o filme veio da Tunísia e conta a história assustadora de uma jovem, Nada (Nour Hajri) que leva uma vida dupla. De dia ela é silenciosa e tímida, trabalhando como designer em uma empresa. De noite, ela sai às ruas, portando uma faca, caçando homens e os matando.

Muitos críticos comparam o filme à "Uma garota caminhando sozinha nas ruas" e "Bela vingança". Do filme iraniano, ele busca a atmosfera noite e expressionista de uma mulher que se veste de preto de noite para matar. Do filme americano ele busca a trama de vingança, de uma mulher que foi abusada sexualmente há anos atrás e que agora só quer se vingar.
O filme é dividido em 9 capítulos, cada um com um assassinato. Mas é um filme artístico, autoral e a narrativa traz lindos enquadramentos e uma visão poética da vida e da morte, um pesadelo belo e emoldurado por uma instigante trilha sonota.

Topside


 "Topside", de Logan George e Celine Held (2020)

Premiado com melhor direção no Festival SXSW e melhor prêmio do uri no Festival de Veneza 2020, "Topside" é um angustiante e comovente retrato de sem tetos que moram em estações de metrô abandonadas de Manhattan. Livremente inspirado no livro "The Mole People: Life in the Tunnels Beneath New York City". de Jennifer Toth, "Topside" é dirigido e escrito pelo casal Logan George e Celine Held. Celine também protagoniza o filme no papel de Nikki, uma jovem mão solteira e viciada em cocaína. Little (Zhaila Farmer) , sua filha de 8 anos, nunca viu a luz do dia, passando os anos no subterrâneo escondida. Um vizinho, John (Fatlip), castiga Nikki por não colocar Little na escola. Ela implora por ajuda para conseguir outra dose de heroína. Quando a polícia surge para retirar todos do local, Nikki foge com Little, que se assusta com o mundo exterior.

Um filme rodado em estilo documental, sem emoção e totalmente frio, "Topside" traz o drama de sem tetos que não possuem moradia , trabalho nem comida. É um filme muito triste, e extremamente bem defendido com garra pelas duas atrizes. A pequena Zhaila Farmer é um prodígio, muito bem dirigida e passando total verdade para a pequena Little. O desfecho é de arrebentar com o coração.

Vamos cantar


 "On si chantait", de Fabrice Maruca (2021)

Que delícia de filme, divertido e emocionante. "Vamos cantar" é uma comédia dramática musical, ambientada em uma cidade pequena da França e apresentando um grupo de 4 amigos que trabalham para uma fábrica da cidade e que formam um coral de cantores para entreter os colegas. Mas quando a fábrica fecha, os amigos ficam desempregados e fazem de tudo para conseguir juntar um dinheiro. Franck (Jeremie Lopez) acaba fazendo entrega de Uber eats. Sophie (Alice Pol) se entrega nas mãos de um homem casado para esquecer momentos difíceis de sua vida. José (Artus) não sai de casa e fica cozinhando em casa. E Jean Claude (Clovis Cornillac) , o mais velho do grupo, faz entrevistas de emprego mas perde para jovens. Quando Franck tem a idéia acidentalmente de fazer um esquema de músicas à domicílio, ele junta os seus colegas e acabam fazendo sucesso.

Um filme bastante simpático, feel good movie da melhor qualidade, com atores super carismáticos e uma trilha sonora que traz grandes clássicos da música francesa e canções recentes.

The velocipastor


 "The velocipastor", de Brendan Steere (2021)

Para a turma do quanto pior melhor, "The velociraptor" é uma pérola, certamente arrancando boas gargalhadas pelas tosqueira master em 70 minutos que parecem ser mais longos do que são, mas ainda assim, apresentando algumas cenas antológicas do trash.

Um jovem padre, Doug Jones (Greg Cohan, provavelmente se divertindo muito) testemunha uma tragédia: seus queridos pais morrendo na explosão de um carro. Traumatizado, Doug decide viajar até a China em busca de paz espiritual. Mas seu caminho cruza com a de uma mulher perseguida por ninjas e que, antes de morrer, entrega a Doug uma relíquia ( um dente de dinossauro). Doug se corta e o dente acaba lhe trazendo poderes: toda vez que ele se irrita, ele se transforma em um furioso e carnívoro Velociraptor. Doug conta com a ajuda de uma prostituta, Carol, e de um padre ex-combatente do Vietnã, Stewart, contra um grupo de ninjas assassinos e feiticeiros malvados.
A cena onde os pais morrem e ao invés de vermos a explosão do carro, o filme insere uma cartela ( efeitos a ser aplicados em pós), uma zoação a imagens que ainda serão trabalhadas por falta de dinheiro, é uma bagunça só que já faz o espectador entender que filme irá assistir. A própria imagem do dinossauro, nitidamente uma pessoa vestindo um figurino tosco, é outra preciosidade. Filmes assim fazem a galera se divertir, mas assim que acaba, se esquecer em um minuto.

Hotel Poseidon


 "Hotel Poseidon", de Stefan Lernous (2021)

Premiado filme belga, erroneamente anunciado como terror. O que na verdade temos e uma alegoria apocalíptica sobre um gerente de um Hotel decadente e imundo, Dave (Tom Vermeir), que vagueia pelos corredores do Hotel, habitado por hóspedes bizarros, angustiados e irritantes. Nada faz muuto sentido, e o filme busca simbolismos difíceis de serem captados pelo espectador. Imagine uma mistura de "Delicatessen", de Jean Pierre Jeunet com "Mother", de Aranofsky, e talvez você tenha uma parca idéia do que pode encontrar. Não existe a possibilidade de se buscar respostas para esse filme, com narrativa beirando o surreal e experimental, onde o melhor e a incrível direcao de arte. Mae é cansativo, ritmo lento e pretensioso.

Uma pessoa


 "Una persona", de Juan Quintero Herrera (2020)

Curta escrito e dirigido pelo professor da Usp Juan Quintero Herrera, espanhol radicado em são Paulo. Juan é tradutor e professor de espanhol para brasileiros. Em "Uma pessoa", ele conta a história de Diego Nadal (Irail Rezende), um espanhol que vem para São Paulo para se encontrar com um rapaz que ele conheceu online. Diego aluga um apartamento de Carolina (Lilian Prado), que também tem parentesco com espanhóis. O rapaz que Diego espera liga para ele e diz que o vôo atrasou e que só poderá chegar no dia seguinte. Diego fica inquieto e acaba ligando para Carolina, que lhe conta a sua história pessoal.

Um filme minimalista, onde muito pouco acontece. Não existe conflito, todo diálogo é em tom naturalista. Não há muita história, apenas uma espera que não se concretiza. É apresentado como um curta LGBTQIAP+, mas poderia nem ser, pois não faz diferença na história.

sábado, 16 de abril de 2022

Quanto mais cru melhor


 "Barbeque", de Fabrice Eboué (2021)

Excelente comédia de terror repleto de humor ácido e muita galhofa, em uma luta entre carnívoros X veganos. Vencedor de prêmios em Festivais de filmes fantásticos, "Quanto mais cru melhor" é escrito, dirigido e protagonizado por Fabrice Eboué, em uma história muito divertida.

O casal Vincent (Eboué) e Sophie (Marina Fois) estão com o casamento em crise. Para piorar, o açougue que eles comandam está falindo. Um grupo de ativistas veganos ataca a loja e a quebra, aumentando ainda as despesas. Um dia, ao voltarem para casa, Vincent atropela acidentalmente um dos ativistas veganos. Para esconder o corpo, ele o tritura na máquina, mas não esperava que Sophie, sem saber, vendesse o presunto para uma cliente. A carne faz um grande sucesso, e a vizinhança toda quer comprar. O casal agora precisa produzir mais presunto, que eles dizem ser de porco iraniano. Animados, eles passam a perseguir e a matar veganos.
Um filme hilário, que obviamente não deve ser assistido por veganos que vão achar o filme um grande insulto e politicamente incorreto. Eboué faz questão de mostrar o seu lado dentro da história e os veganos decididamente são ridicularizados. Um filme debochado, certamente para poucos. os atores estão sensacionais, assim como as cenas de morte.

Deus louco


 "Mad God", de Phil Tippett (2021)

Imagine uma versão em animação stop motion de "tempos modernos", de Chaplin , misturado ao visual futurista e distópico de "Mad Max" e pesadelos que vêem da neurose e transtorno mental do realizador Phil Tippett. Tudo isso embalado com imagens de terror e uma atmosfera dantesca.

"Deus louco" venceu prêmios em importantes Festivais de cinema Fantástico, como Fantasia e Sitges. O seu realizador, Phil Tippett, é um dos maiores mestres de efeitos visuais práticos dos Estados Unidos. Ele foi responsável por bonecos e maquetes em 'Star wars", "Robocop", "Jurassic Park" e outros filmes blockbusters. mas ele decidiu em 1987 realizar o seu filme em stop motion, uma forma de combater o avanço dos efeitos especiais em computação gráfica. "Deus louco"levou mais de 30 anos para ficar pronto, parando às vezes por falta de dinheiro e tempo, além de uma crise onde Phil Tippett teve que se internar em uma clínica psiquiátrica.
Em um mundo futurista, onde a humanidade trabalha como escravos para um Deus louco, um assassino tem uma missão. Ele desce para as profundezas e testemunha trabalhadores sendo massacrados por porcos gigantes e outros seres.
O filme tem um visual assustador e apocalíptico. Sem diálogos, o filme traz uma narrativa experimental e hermética, onde cada cena traz algum simbolismo retratando luta de classes, guerra, violência, ódio. Muita coisa fica em aberto, e lá pelo final tudo fica bastante confuso. O filme mistura stop motion com alguns momentos onde entram atores, incluindo o cineasta Alex Cox, de "Repoman", fazendo um cientista maluco.

A vila dos suicidas


 "Jukai Mura", de Takashi Shimizu (2021)

Em 2015, o cineasta Gus Van Sant lançou o drama "O mar de árvores", que falava sobre pessoas com tendências suicidas que iam até a floresta de Aokigahara, na base do Monte Fuji para ali, morrerem. O japonês Takashi Shimizu, famoso no cinema de terror por ter criado a franquia "O grito", realiza "A vila dos suicidas", um filme que procura entender o que acontece nessa floresta quando as pessoas desaparecem.

Duas irmãs, Mei e Hibiki, moram com a avó delas em uma casa próxima à floresta. Quando Hibiki assiste um video do Youtube ao vivo de uma Youtuber se perdendo na floresta, ela fica impressionada. Mais tarde, ao ajudarem um casal de amigos a fazerem mudanças, eles encontram uma caixa misteriosa. Todos que se vêem envolvidos com a caixa passam a ter mortes horríveis,
Um filme interessante, com efeitos que às vezes vai para o tosco, mas ainda assim, com uma boa história que tem como pano de fundo o amor entre duas irmãs que perderam a mãe. O que prejudica o filme é a sua longa duração, de quase duas horas, podendo ter enxugado em uns 20 minutos pelo menos. Mas algumas mortes são bem feitas, como a do hospital.

sexta-feira, 15 de abril de 2022

A história do olhar


 "The story of looking"", de Mark Cousins (2021)

Premiado ensaio poético sobre o poder do olhar, escrito, dirigido e protagonizado pelo documentarista irlandês Mark Cousins. O filme parte de um prólogo onde o próprio Cousins está deitado em sua cama e avisando ao espectador de que no dia seguinte, ele irá fazer uma cirurgia de catarata. Esse é o ponto de partida para um ensaio conde a importância d avisão, a beleza do olhar e as memórias e fragmentos de imagens que ficam são ilustradas com cenas de filmes clássicos, como "Crepúsculo dos deuses" com o famoso close final em Normand Desmond desfocado, e na cena de "O cão Andaluz", fazendo analogia do corte do olho de cavalo com o próprio olho de Cousins na mesa de cirurgia. Um filme para ser visto, narrado por pensamentos abstratos de Cousins.

Espantalho


 "Pugalo", de Dmitrii Davydov (2020)

Premiado drama de suspense psicológico, o filem russo "Espantalho" foi escrito e dirigido por

Dmitrii Davydov e traz uma performance visceral da atriz Valentina Romanova-Chyskyyrai no papel de Espantalho, uma mulher sem nome e apelidada assim pelos moradores da República de Sakha (Yakutia). O Espantalho ( Valentina Romanova-Chyskyyrai ) é uma curandeira tradicional de uma pequena vila em algum lugar da Yakutia. Embora odiada por todos os outros aldeões, muitas vezes eles têm que recorrer a ela para seus poderes sobrenaturais quando não há outra maneira. Depois de cada encontro violento, ela vomita a doença negra e lava o horror com vodka.
Um filme curioso, que traz uma metáfora sobre marginalizados que são maltratados pela sociedade mas de quem não conseguem viver sem. Um filme belo, com uma fotografia cinzenta intensificando a melancolia dos moradores da gelada região.

Long time no see


 "Long time no see", de Kang Woo (2017)

Bom drama LGBTQIAP+ misturado com filme de gangsters, "Long time no see" é uma produção sul coreana que traz dois protagonistas bastante carismáticos por quem o espectador irá torcer para que o amor vença a truculência dos gangsters.

O estudante do ensino médio Chi-Soo é um órfão gay que sofre bullying constantemente na ecsola.. Durante uma dessas surras, ele é salvo por um famoso gangster chamado 'Black Rose'. Em troca de sua ajuda, Chi-Soo é leal a Black Rose e é treinado para se tornar um assassino habilidoso. Muitos anos depois, Chi-Soo (Tak Woo suk) agora adulto e um assassino, troca mensagens em app de relacionamento com Gi-Tae (Seung Ho Yeon). Quando se encontram, é paixão à primeira vista. Gi Tae trabalha com sua irmã em um pequeno restaurante. Mas os gangsters, não aceitando a mudança de comportamento de Chi Soo, decidem sequestrar Gi Tae.
Um BL que certamente fará os apreciadores do gênero se apaixonar, "Long time no see" tem dois bons atores nos papéis principais e também Ra Sun Young, que faz a irmã de Gi Tae. O filme mistura bem os gêneros e tem lindas cenas de romance, dirigidas com sutileza e com um bom humor.

Escolha ou morra


 "Choose or die", de Toby Meakins (2022)

Pegando referências de alguns filmes de terror recentes, como "Escape room", onde o personagem precisa fazer escolhas mortais, o terror juvenil inglês "Escolha ou morra" faz uma homenagem aos jogos de consoles dos anos 80. O mais curioso no filme para mim, no entanto, é terem escalado Eddie Marsan, um super ator inglês para ser o vilão da história, o que achei incrível, pois dá credibilidade ao personagem defendido por um ótimo ator. Da galera jovem, tem Iola Evans como Kayla e Asa Butterfield, como Isaac, seu melhor amigo.

Kayla trabalha em uma empresa de limpeza obscura como faxineira. Sua mãe está depressiva desde a morte do irmão de Kayla, que morreu afogado. Elas estão cheias de dívidas. Kayla é expert em programação de computadores e viciada em jogos. Quando ela descobre entre as coisas de Isaac um game dos anos 80, "Cursed", e que dá um prêmio de 120 mil dólares a quem chegar até o último nível, ela decide participar do game. Mas Kayla descobre que o jogo impõem escolhas mortais que afetam quem está perto. E se Kayla parar o jogo, ela morre.
O filme é um bom passatempo, nada demais mas ainda assim prende a atenção com a sua história sem pé nem cabeça.

quinta-feira, 14 de abril de 2022

Forbidden love


 "Forbidden love", de Yoka Kusano (2008)

Drama romântico LGBTQIAP+ BL japonês, "Forbbiden love" conta uma história que caminha para um desfecho surpreendente e trágico. Ritsu e Sho são amantes e se amam desde que estudaram juntos no colégio. Mas Ritsu ganha uma bolsa de estudos para estudar moda em NY por três anos. Sho reage mal e fica triste com a partida do namorado. Anos depois, Ritsu retorna do exterior e acaba dividindo um apartamento com os filhos de seu chefe, Sho, e seu irmão mais novo, Ryo. Sho se recusa a sair de seu quarto e não quer ver ninguém. Por causa disso, seu pai quer que Ritsu cuide de Sho e cuide dele. O que ninguém sabe é que Ritsu e Sho eram amantes.

Um filme irregular, com performances medianas e uma história desenvolvida com diálogos pobres. O que chamou a atenção de boa parte do público que assistiu ao filme foi o desfecho abrupto e totalmente fora do tom. Um BL mediano.

Inverno


 "Inverno", de Paulo Fontenelle (2022)

Todo filme que o roteirista e cineasta Paulo Fontenelle lança, a crítica faz questão de avisar ao leitor de que não é o mesmo cineasta que dirigiu os documentários "Cassia Eller e "Loki, Arnaldo Batista", Paulo Henrique Fontenelle.

Fontenelle volta à sua origem, quando dirigiu seu primeiro longa "O intruso" e investe no suspense psicológico sobre personagens nada confiáveis. Aliás, o poster do filme e a frase "Nada é o que parece" acabam sendo um enorme spoiler do filme, e qualquer espectador mais atento vai entender o filme logo em seus primeiros minutos.
Protagonizados por Rogerio Góes e Thaila Ayala, casados na vida real, e trazendo uma terceira personagem interpretada por Barbara Reis. O filme foi rodado durante a pandemia de covid e trouxe essa angústia da incerteza e confinamento para a história de um casal bem sucedido e morando em uma linda casa, mas confinados sem poder sair. Uma amiga acaba sendo convidada para ficar com eles um tempo, e para surpresa de todos, o jornal anuncia que a amiga está na lista de mortos.
"Nada é o que parece" é justamente o que é o roteiro. A edição de som e a trilha sonora a toda hora mostra ao espectador de que ele está assistindo a um filme de suspense, com os ruídos estridentes para provocarem sustos. Aos amantes de suspense, o filme vale uma assistida, até para ver como um casal de atores na vida real performa um casal de ficção.

Patrick


"De Patrick", de Tim Mielants (2021)
Co-escrito e dirigido pelo cineasta
Tim Mielants, "Patrick" é um inusitado filme vencedor de mais de 14 prêmios internacionais. A curiosidade é que o elenco passa o filme inteiro totalmente pelados, uma vez que a história acontece em um acampamento nudista na Bélgica. Patrick (Kevin Janssens) vive com seus pais em um acampamento naturista. Ele tem quase 40 anos e não trabalha, e as pessoas o criticam pela falta de ambição. Seu pai gerencia o acampamento, e quando ele morre, Patrick é
obrigado
a assumir seu posto. Um dia, o rapaz perde seu martelo favorito e a busca pela sua ferramenta favorita se torna uma crise existencial quando o martelo é usado em um crime de invasão.
O filme mistura drama e humor ácido, e o elenco está totalmente entregue à proposta do filme, que é a de ficarem todos nus. Mas o espectador acaba se acostumando logo nos primeiros minutos com a nudez total, o que parece ser uma grande provocação do filme. A história tem um quê de bizarro, por conta da obsessão de Patrick em querer descobrir o paradeiro do martelo, forçando-o a perguntar um por um no acampamento, com direito a uma cena digna de pastelão com Patrick lutando pelado com um outro homem.