quinta-feira, 14 de abril de 2022

X


 "X", de Ti West. Desde que foi lançado em 1974, "O massacre da serra elétrica" tem sido copiado em termos de estética e de narrativa centenas de vezes, por filmes bons e ruins. "X", escrito e dirigido por Ti West, é um feito raro: ele está num alto nível de qualidade, é excelente, tem ótimos atores, ótima direção, uma história assustadora e principalmente, dá calafrios. Com cenas de gore dignos do melhor slasher, 'X"ainda faz homenagem aos filmes pornográficos independentes filmados em 16 MM antes do advento dos VHS.

O filme acontece no Texas: uma equipe de filmagem de pornô aluga uma casa em uma fazenda afastada, gerenciada pelo casal idoso Pearl e Howard. Na equipe tem o produtor e diretor Wayne, tem as estrelas pornôs Maxine (Mia Goth, que também interpreta a idosa Pearl) , Bobby, o ator pornô Jackson, a microfonista Lorraine e o técnico de som RJ. Mas o que a equipe não poderia imaginar, é que o doce casal na verdade são assassinos que têm um bom motivo para matar um a um.
Algumas cenas são verdadeiramente assustadoras, como a do crocodilo no lago nadando atrás de Maxine sem ela ver, ou a de Wayne no celeiro. Um filme que mistura pornografia e terror, duas paixões dos espectadores dos anos 70, com uma fotografia e direção de arte muito bem elaboradas. O filme vai virar uma trilogia, com um filme que conta a história do casal Pearl e Howard, e uma posterior ao final desse filme.

quarta-feira, 13 de abril de 2022

Sonic 2


 "Sonic the hedgehog 2", de Jeff Fowler (2022)

Lançado em 2020, o primeiro filme da franquia foi um grande sucesso de crítica e público. Dois anos depois, 'Sonic 2" retorna com o vilão Dr Robotinik (Jim Carrey, impagável) , que e une a Knuckles, um ser da mesma raça que Sonic, para juntos recuperarem a esmeralda verde que trará poderes a quem a possuir. Para ajudar Sonic contra os vilões, ele conta com o casal Tom e Maddie e ao ser extraterrestre Tails, uma raposa esperta.

O filme mantém a mistura de comédia e ação juvenil, com cenas bastante divertidas. A longa duração, de 122 minutos, traz sub-plots que acabam tornando o filme mais longo, como a do casal de noivos e a do policial amigo de Tom. Mas no geral é um filme que cumpre sua missão pipoca, alegra os fãs e ainda faz referências a filmes famosos, como "Caçadores da arca perdida".

Rec


 "Rec", de Joon-moon So (2011)

Drama romântico LGBTQIAP+ sul coreano, "rec" , de 2011, lembra bastante o cult erótico chileno "Na cama", de Matias Bize, onde um casal se encontra em um motel e o filme todo, entre sexo e paixão, discutem a relação.Dois homens em seu quinto aniversário de relacionamento. Young-joon (Sam-dong Song) e Joon-seok (Hye-hun Jo) reservam um quarto de hotel. Eles trazem uma filmadora e decidem gravar toda a noite. Muito sexo e também a discussão do relacionamento, deixando claro que os dois muito provavelmente não estarão mais juntos a partir do dia seguinte. O filme é chato, chatíssimo, com dois personagens falando aleatoriamente sobre uma relação chata. mas o que segura o interesse do espectador é o despojamento dos dois atores, entregues em seus personagens em cenas de nudez total e muito sexo. No mais, uma lavação de roupa suja com diálogos que parecem improvisados.

terça-feira, 12 de abril de 2022

Wildhood


 "Wildhood", de Bretten Hanamm (2021)

'Wildhood" é a versão estendida do curta -metragem 'Wildfire, de 2019, escrito e dirigido por Bretten Hanamm. O filme é um drama LGBTQIAP+ canadense, vencedor de diversos prêmios internacionais. O filme tem temas importantes que falam sobre abuso doméstico, homofobia, identidade cultural e racial, aceitação da homossexualidade e racismo contra comunidades indigenas.

Link (Phillip Lewitski), um adolescente indígena Mi'kmaw, vive com seu pai abusivo e seu meio-irmão mais novo, Travis (Avery Winters-Anthony). Link tem vergonha de sua ascendência e tinge seu cabelo de loiro. Link apanha direto de seu pai, e quando decsobre que sua mãe ainda esta viva, decide fugir com seu irmão, roubando o carro do pai. Na estrada, ele conhece Pasmay (Joshua Odjick), um adolescente Mi'kmaw por quem acaba se apaixonando e descobrindo a sua sexualidade. Juntos, os três decidem ir atrás da mãe dos rapazes.
Com um excelente trabalho de todo o elenco, o filme é dirigido com sensibilidade e tem na sua fotografia um grande aliado para contar uma história triste, mas com direito a redencão no final. O primeiro ato é bem dramático, com cenas de abuso doméstico, mas logo o filme caminha para um romance de amor gay entre adolescentes de forma respeitosa e bela.

segunda-feira, 11 de abril de 2022

Aqueles dois


 'Aqueles dois", de Emerson Maranhão (2018)

Premiado curta documentário LGBTQIAP+ escrito e dirigido pelo cineasta cearense Emerson Maranhão. Lançado em 2015, o filme serviu de base para o longa documentário lançado pelo cineasta em 2021, "Transversais", com os mesmos protagonistas, Caio José e Kaio Lemos.

“Aqueles Dois” conta a história de dois homens que se conectam por seus nomes e pela sua identidade de gênero, Caio José e Kaio Lemos. Ambos são homens trans e o filme traz depoimentos de seus pais, e a dificuldade que tiveram em entender a transição dos seus filhos. De famílias religiosas, os pais citam o tempo todo que Deus não aceita que mexam na sua criação.
Caio José tem 25 anos e é enfermeiro. Kaio Lemos tem 38 e é pesquisador acadêmico. O primeiro mora em Quixeramobim, uma pequena cidade no Sertão Central do Ceará. O segundo, na capital do Estado, Fortaleza. Ambos dão depoimentos comoventes sobre a dificuldade que têem em se relacionar com as pessoas e com seus pais. É um filme simples mas bem conduzido pela direção e câmera de Emerson Maranhão.

Louca obsessão


 "Misery", de Rob Reiner (1990)

Um clássico do cinema de terror de 1990, adaptada com fidelidade do livro escrito por Stephen King, 'Misery". O filme foi a única adaptação do autor para o cinema que rendeu um Oscar, no caso, para Kathy Bates, pela sua performance irrepreensível da enfermeira psicopata Annie Wilkes, e a primeira vez que uma atriz ganha o prêmio em um filme de terror.

Paul Sheldon (James Caan) é um famoso escritor de best seller com uma protagonista chamada Misery. Decidido a dar um fim à personagem, Paul decide se isolar em uma cabana na região montanhosa e gelada de Soul Creek. Mas ele sofre um acidente de carro e é encontrado por Annie Wilkes (Kathy Bates), sua fã número 1 e que também é enfermeira. Ela o leva para sua casa e cuida dos seus ferimentos nas pernas que o impedem de caminhar. Os dois começam uma amizade mas quando Annie descobre que em seu novo livro ele mata a personagem principal, ela enlouquece e o obriga a escrever um novo romance para Misery.
Rob Reiner veio de uma leva impressionante de filmes que se tornaram cults e sucesso de crítica: "This is spinal tap", 'A princesa prometida", 'Harry e Sally feitos um para o outro"e "Conta comigo". Em sua primeira experiência com terror , e já tendo adaptado uma obra de Stephen King (Conta comigo), Reiner assistiu a todos os filmes de Hitchcock para estudar a narrativa e a decupagem de filmes de suspense. Mas o filme certamente não se tornaria famoso não fosse as atuações brilhantes de James Caan e Kathy Bates, repletos de camadas. bates varia entre a angelical e a assassina em questão de segundos, e está espetacular. Richard Farnsworth como o xerife Buster e Frances Sternhagen como sua esposa Virginia também estão ótimos. Lauren Bacall faz uma participação como a agente literária Marcia.

Sargento Garcia


"Sargento Garcia", de Tutti Gregianin (2000)
Curta LGBTQIAP+ lançado em 2000 e vencedor de prêmios nos Festivais de Gramado e Vitoria, para melhor filme e melhor ator, para Marcos Breda, no papel principal de Sargento Garcia.
Adaptação de conto escrito por Caio Fernandes Abreu, 'Sargento Garcia se passa nos anos 70, durante a ditadura militar brasileira.
Hermes (Castro) é um jovem de classe média que sonha em estudar filosofia. Mas ele sofre uma série de humilhações diante dos outros rapazes totalmente nús em meio ao exame de saúde seletivo para o ingresso no Exército. O autor das humilhações, Sargento Garcia (Breda), acaba lhe oferecendo uma carona após o exame e lhe seduzindo, levando a um motel administrado pela travesti Isadora (Falcão), onde Hermes vivencia sua primeira experiência sexual.
O O Sargento Garcia representa o autoritarismo e opressão militar e ao mesmo tempo, a homofobia de um gay enrustido que se utiliza de sue poder para humilhar os outros.
O filme trás 3 olhares sobre o universo lgbt: o tímido e inexperiente Hermes, o opressor Sargento que é um gay enrustido e a travesti Isadora, dona de um motel. Lindamente filmado, alternando momentos de intenso homoerotismo, repleto de tesão, com imagens ludicas e poéticas captadas pelas lentes de Luis Abramo. Grande performance dos dois atores principais, Marcos Breda e Gedson Castro.

Os caras malvados


 "The bad guys", de Pierre Perifel (2022)

Divertida animação que mistura comédia e policial de ação, "Os caras malvados" é uma adaptação feita por Etan Cohen, que também atua como produtor executivo da série de livros infantis escritos por Aaron Blabey, "The bad guys", que vendeu mais de 16 milhões de cópias.

em um mundo onde homens e animais antropomórficos convivem em paz, a sociedade teme um grupo de assaltantes formados por
Sr. Lobo (Sam Rockwell), Cobra (Marc Maron), Tubarão (Craig Robinson), Piranha (Anthony Ramos) e a senhora Tarântula (Awkwafina). Todo assalto realizado pelo grupo é bem sucedido, tendo cada integrante uma missão específica. Mas quando o grupo é preso, o Sr Lobo relembra quando ele ajudou uma idosa e repensa a sua vida: agora ele deseja fazer o bem e se redimir. Mas o restante do grupo não concorda e decidem abandonar o Sr Lobo, até que descobrem que um vilão entrou no circuito e quer seduzir o grupo a praticar um grande roubo.
Com muitas referências a filmes clássicos como "Cães de aluguel", "Pulp fiction" e "11 homens e um segredo", "Os caras malvados" tem boas cenas de ação e de humor, que talvez não funcionem muito bem para crianças pequenas. Mas tem uma bela mensagem e uma dose de drama de redenção.

domingo, 10 de abril de 2022

Anjos da noite


 "Anjos da noite", de Wilson Barros (1987)

Único filme dirigido pelo ex-professor de cinema da Eca USP, Wilson Barros faleceu aos 44 anos em 1992. "Anjos da noite" foi lançado em 1987 e se tornou um cult imediato, apelidado pela crítica como integrante do movimento "Neon paulista", um movimento de cinema paulistano que idolatrava a modernidade na narrativa. O filme ganhou mais de 11 prêmios em Brasília e Gramado em 1987, incluindo melhor filme e direção. A fotografia de José Roberto Eliezer, premiada, traz uma estética de favorece a noite de são Paulo, em meio a ruas escuras e também iluminadas por neons, o submundo e o underground captado em lentes apaixonantes.

O filme apresenta vários personagens que vivem na noite de são Paulo capital, transitando em universo da prostituição masculina, shows de drag queens, cafetinas, assassinos, diretores de teatro e atrizes que sonham com um lugar ao sol, além de uma atriz Diva vivida por Marília Pera. O filme traz um elenco premiado e estelar, um dos grandes motivos de se assistir ao filme.
O garoto de programa Ted (Guilherme Leme); Marta (a Diva Marília Pera); Jorge Tadeu (diretor de teatro, Antonio Fagundes); Lola (travesti, Chiquinho Brandão); o gângster Fofo (Cláudio Mamberti); Guto (namorado de Ted, Marco Nanini), Malu Maneca (cafetina, Zezé Motta) são alguns dos anjos da noite, figuras retratadas por Malu e que ele mantém em fitas Vhs gravadas. O filme é um excelente registro de uma época e uma das grandes obras nacionais dos anos 80.

A tristeza


 "The sadness", de Rob Jabbaz (2021)

Um dos mais violentos e repulsivos filmes dos últimos anos veio de Taiwan, e se chama em seu original "The sadness". O filme venceu prêmios em Festivais de cinema Fantástico, e traz algumas das cenas mais gore e bizarras da história do cinema, como a de uma garota que tem o olho arrancado por um cabo de um guarda-chuva e depois ...bom, só vendo, nem tenho como escrever aqui o que acontece com esse buraco do olho da pobre coitada.

O filme corajosamente foi rodado em 2020, já na pandemia da covid, e se aproveita para fazer um filme de terror usando o vírus e a pandemia com todos mascarados como pano de fundo para uma crítica social e política: "não usem o vírus como elemento político!", alguém diz em determinando momento. Coma sociedade convivendo com um vírus e usando máscaras, o governo diz que já podem se desfazer delas e que o vírus já amenizou. Mas as pessoas contaminadas acabam se tornando selvagens, matando estuprando e tendo o desejo de provocar o mal aos outros. Nesse meio de campo de massacre, um jovem casal, Kat ( Regina ) e Jim ( Berant Zhu ), procura se reencontrar. Exibido inclusive no prestigiado Festival de Locarno, o filme é muito muito muito violento, e entre as cenas mais memoráveis, existe uma em um vagão de metrô onde uma chacina sem precedentes acontece.
Espantosamente, o filme é a estréia do roteirista e cineasta canadense e radicado em Taiwan Rob Jabbaz, que teve muita coragem e nenhum pudor em criar cenas horripilantes, grotescas, misóginas, com personagens desfilando todo o tipo de xingamentos e insultos. Se certifique de que ninguém de sua família esteja próximo ao assistir ao filme, você ficará muito sem graça.

Corta!!


 "Corten!, de Marc Ferrer (2021)

Paródia LGBTQIAP+ de terrir, "Corta!" ganhou prêmios em Festivais de cinema queer e foi escrito e dirigido pelo cineasta espanhol Marc Ferrer. O filme e uma sátira erótica gay dos filmes de Dario Argento e do gênero giallio. Um cineasta independente, Marcos Ferrer, realiza um novo filme de baixo orçamento, um terror giallio. No entanto, os atores gays que ele contrata para seu filme vão sendo mortos um a um de forma horrível, homenageando filmes clássicos de Argento.

O filme não é para se levar a sério, e leva a sério a cartilha do gilalio: atores ruins, trilha sonora de sintetizadores, fotografia ultra colorida e uma trama onde o assassino usa luvas pretas e é revelada a identidade no último minuto. Uma brincadeira trash que divertirá fãs de terrir, mas não de terror.

sábado, 9 de abril de 2022

Nos olhos


 "Dans les yeux", de Rémi Bigot (2014)

Lindo curta LGBTQIAP+ francês, escrito e dirigido por Rémi Bigot e apresenta uma comunidade russa que mora em uma área rural na França. Durante a comemoração de uma data cristã, várias famílias russas se encontra, Victor (Pierre Andrau) e Leo Pochat são adolescentes e filhos de famílias amigas. Escondidos, eles são amantes. Mas para surpresa de Victor, Leo vai estudar em uma faculdade americana e irá embora para sempre.

Repressão, conservadorismo e religiosidade são elementos suficientes para impedir o amor entre dois jovens. Leo, preso em uma sociedade castradora, decide ir embora e estudar fora, o que significa liberdade. Para Victor, resta continuar vivendo em um mundo oprimido. Bem dirigido, com linda representatividade dos costumes da cultura russa, o filme é bem conduzido pelos bons atores.

Tethered


 "Tethered", de Daniel Robinette (2021)

Em 2017, o cineasta Daniel Robinette escreveu e dirigiu o curta "Tethered" e acabou ganhando mais de 14 prêmios internacionais em festivais de filmes de terror. Agora, em 2021, ele lança a versão em longa-metragem, estendendo a história e introduzindo outro personagem à narrativa.

Solomon (Jared Laufree na fase adulta, mesmo ator do curta) foi criado pela sua mãe em um ambiente dentro de uma floresta isolada. O pai desapareceu desde que Solomon tinha 8 anos. Solomon é cego, e sua mãe (Alexandra Paul) pede para que Solomon decore 3 regras para poder sobreviver na floresta: 1) Tudo o que ele caçar, ele deve jogar metade na floresta 2) quando ele se sentir triste, ele deve cantar uma canção que sua mãe lhe ensinou 3) Solomon deve andar com uma corda em sua cintura que lhe dará o limite para onde ele deverá ir até chegar à floresta. Um dia a mãe de Solomon desaparece, e ele precisa se virar sozinho. Os anos se passam, até que um caçador surge e decide entender o que se passa com Solomon.
O filme não é tão bom quanto o curta, que em 10 minutos, criava uma atmosfera de suspense muito mais instigante do que o longa. O que aqui tem de bom são os atores e a fotografia. O ritmo é lento, arrastado e o filme procura criar um suspense com algo que irá acontecer no seu desfecho. O plot

Medo


 "Strah", de Ivaylo Hristov (2021)

Indicado pela Bulgária à uma vaga ao Oscar de filme estrangeiro 2022, "Medo" é um drama com tintas de sátira e romance, ambientado na fronteira entre Bulgária e Turquia. Ali mora Svetla (Svetlana Yancheva, lembrando bastante Frances Macdormand) , uma viúva que perde seu emprego na escola, que vai fechar por falta de alunos. A cidade pobre tem muitas preocupações e o ensino das crianças é o menor das preocupações. Ao caçar lembre na floresta, Svetla encontra um refugiado africano, que fugiu de seu país quando teve toda a sua família morta. Bamba (Michael Flemming) era um médico, e procura atravessar a fronteira para encontrar uma vida nova em algum país da Europa ocidental. Ele e Svetla não falam a mesma língua. A prefeita e a comunidade , no entanto, não vêem com bons olhos uma mulher viúva acolher um homem negro em sua casa e decidem tomar providências.

Com uma poderosa fotografia em preto e branco, "Medo" traz temas importantes como racismo e xenofobia, além do machismo de uma sociedade que não aceita a independência de uma mulher. Ótimos atores e cenas belamente enquadradas, e um fino humor que lembra a narrativa de Aki Kaurismaki, "Medo" merece sre visto pela sua força imagética.

Dia do noivo


 "Groomsday", de Kyle Coffman (2022)

Curta LGBTQIAP+ rodado durante a pandemia, teve um processo interessante onde os dois atores ensaiaram virtualmente e somente se viram no primeiro dia de filmagem, para manter o frescor e espontaneidade do primeiro encontro. Connor (Dylan LaRay) e Landon (Trystan Colburn) se conhecem e têm a primeira noite de sexo. A química é perfeita e meses depois, eles estão morando juntos. Landon conta para Connor durante o banho um caso de homofobia no passado que o traumatizou, quando seu pai ao descobrir que ele era gay o descriminou, e também um caso de estupro por um grupo de homofóbicos. Os dois decidem se casar, mas nesse dia, o homofóbicos surgem.

Um filme ao mesmo tempo romântico em seu primeiro ato, mas violento e cruel no segundo. Ainda assim, o filme quer trazer a mensagem que mesmo diante de adversidades e de violência, o amor sempre se manterá alerta. Ótima quimica entre a dupla de atores, com boas performances.

sexta-feira, 8 de abril de 2022

Orador de escola grega


 "Prosephi", de Thanasis Neofotistos (2014)

Premiado em diversos Festivais, o curta grego "Orador de escola grega" tem como tema o bullying e homofobia entre estudantes de uma escola cristã. Dimitris (Christos Karavevas) , um estudante do ensino fundamental, é aterrorizado por Vasilis (Stelios Karambinas) e sua gangue de homofóbicos. Quando Dimitris é informado de que é sua vez de fazer a oração matinal no início do dia escolar, no pátio, na frente de todos os estudantes, ele fica aterrorizado, pois teme sofrer homofobia. Alem disso, Dimitris nutre uma paixão platônica por Vasilis, mesmo sabendo que ele age com violência contra ele. Dimitris mistura desejos eróticos por Vasilis com um sentimento de revolta.

Um bom filme, com um tema bastante batido, mas que traz a religiosidade como pano de fundo. Os dois jovens atores estão bem, defendendo os personagens com dignidade e bastante sensualidade.

Darkroom


 "Darkroom", de Tomasz Śliwiński (2020)

Curta LGBTQIAP+ polonês, apresenta o universo da pegação em baladas com dark room. Um frequentador decide ir ao subsolo e lá encontra um rapaz totalmente pelado, se oferecendo para fazer sexo. Para surpresa desse rapaz, o frequentador lhe dá um beijo repleto de paixão.

Um filme que apresenta um olhar sobre o universo gay onde o sexo é predominante em qualquer tipo de emoção ou paixão. O sexo fácil, a pegação sem compromisso, mesmo que em algum lapso aparente ter carinho, acaba descambando para a putaria. Um filme realista sobre o basfond gay.

O adorável inquilino


 "El adorable inquilino", de Álvaro Martín Sanz (2013)

Divertida comédia espanhola LGBTQIAP+, apresenta um homem que acorda em sua cama após uma noite de festa em sua casa com um homem dormindo em ao seu lado. O inquilino (interpretado pelo próprio diretor e roteirista Álvaro Martín Sanz) diz que eles tiveram uma linda noite de sexo, apesar do dono da casa insistir que não é gay. O inquilino decide tomar conta do homem: limpa a casa, faz comida , faz carinho.

Uma comédia maluca realizada de forma totalmente despojada, independente, com dois bons atores e situações engraçadas no dia a dia de um relacionamento nada convencional.

quinta-feira, 7 de abril de 2022

Strecht


 'Strecht", de Jay Bedwani (2018)

Premiado curta documentário inglês LGBTQIAP+, 'Strecht' acompanha Sebastian, o integrante mais velho de uma trupe de acrobatas que se apresenta pela Europa. Sebastian, diferente dos outros jovens do grupo, se sente angustiado por não ter nenhum convite para trabalho após a apresentação em Puglia, Itália. Ele teme também pelas possíveis quedas durante os exercícios e as apresentações, uma vez que seu corpo já não é mais o mesmo.

Um filme comovente, que retrata o fim de uma etapa da vida, principalmente para atletas que perdem o vigor de seu corpo e de sua energia. Melancólico e realista, o filme procura, através do olhar de Sebastian, buscar alguma luz num futuro incerto. Mas o importante, por enquanto, é viver o agora, enquanto se está vivo.

Frequências magnéticas


 "Les magnetiques", de Vincent Maël Cardona (2021)

Vencedor de um prêmio especial na quinzena dos realizadores de Cannes 2021, além de ter participado de importantes Festivais, "Frequências magnéticas" é o longa de estréia do cineasta nascido na Bretanha Vincent Maël Cardona, que co-escreveu com outros roteiristas que vivenciaram a época retratada no filme, início dos anos 80. O filme apresenta uma juventude vivendo ainda em um mundo dividido pela cortina de ferro, e tendo a tecnologia baseada em equipamentos analógicos. Na Bretanha dos anos 1980, um grupo de amigos em busca de diversão cria uma estação de rádio independente em uma cidade do interior. Jerome comanda as transmissões com seu carisma, enquanto Philippe, seu irmão mais novo, é o gênio que cuida dos aspectos técnicos. Quando é convocado para o serviço militar, Philippe se vê obrigado a partir para Berlim Ocidental. Ainda que esteja determinado a continuar as transmissões, ele percebe que talvez tenha acabado de viver os últimos momentos de um mundo à beira da extinção. irmãos Philippe (Thimotée Robart) e Jerome (Joseph Olivennes, filho de Kristen Scott Thomas) vivem um triângulo amoroso com Marianne, com quem Philippe irá perder sua virgindade.

O filme é uma ode à juventude, ao romantismo e à uma época onde na playlist existiam icones do rock, como Joy Division e outros feras que fazem parte da trilha sonora do filme. A nostalgia impera, e no desfecho, um hino à libertação e aos novos ventos que trazem alentos de liberdade.

Você não é minha mãe


 "You are not my mother", de Kate Dolan (2021)

Escrito e dirigido pela cineasta irlandesa Kate Dolan, "Você não é minha mãe" é uma fábula de terror e apresenta o drama de três gerações de mulheres de uma mesma família. que possuem um segredo que envolve fadas que moram na beira de um rio.

Char, sua mãe Angela e a avó Rita moram na mesma casa. Char sofre bullying na escola e tem uma personalidade fragilizada por conta de sua mãe, que de vez em quando demonstra surtos psicóticos. A avó acaba contando um segredo de família: quando bebê, a mãe de Char a levou até à beira do rio para pedir favores às fadas, que exigiram uma criança real em troca de uma outra que colocam no lugar.
O filme parte de uma premissa curiosa, mas para quem busca terror, vai encontrar muito pouco. O filme é mais focado no drama das mulheres, e o ritmo é bastante lento. É bonito, tem atmosfera, mas não assusta. E o conto das fadas acaba sendo uma metáfora ou simbolismo da busca das mulheres por algum "poder" que lhes traga força para enfrentar o mundo machista e conservador.

Siemiany


 "Siemiany", de Philip James McGoldrick (2009)

Super premiado curta polonês LGBTQIAP+, concorrendo em importantes Festivais como Berlim, Seattle, Clermond Ferrant. O filme apresenta uma juventude da pá virada no interior da Polônia. São crianças e adolescentes envolvidos com armas, bullying e descoberta de sexualidade em um universo machista e misógino, onde as meninas querem crescer e se tornar prostitutas, e os rapazes querem ser bandidos. Nesse grupo, estão os melhores amigos

Andrzej (Damian Ul) e Michal (Michal Wlodarczyk) são amigos de anos. Andrzej no entanto, é apaixonado por Michal, que descobre a sua sexualidade com uma garota, Agniezka. isso provoca um enorme ciúme em Andrzej, que sofre bullying dos garotos, que acreditam que ele é gay.
Um filme corajoso por escalar crianças em personagens tão complexos envolvidos em temas adultos e por falar de homofobia e gordofobia de forma crua. Um filme que merecia uma versão em longa metragem pela sua forma visceral de observar um mundo sem perspectivas de otimismo.

quarta-feira, 6 de abril de 2022

De terça para quarta


 "De terça para quarta", de Victor Costa Lopes (2015)

O cineasta cearense Victor Costa Lopes é um dos mais interessantes e batalhadores realizadores queer do Brasil. Diretor de curtas, documentários premiados e que se lançou no longa com "Inferninho", de 2018. "De terça para quarta" foi lançado em 2015 e foi produzido pela UFC, sendo um filme de realização acadêmico, e que impressiona pela qualidade e pela atmosfera tesuda e tensa da noite de Fortaleza.

Um jovem aguarda um ônibus de noite em uma rua deserta para poder voltar para casa. Seu caminho se esbarra com um grupo de artistas universitários que espalha cartazes pela cidade. O rapaz se junta ao grupo e acaba nutrindo desejo por um dos rapazes.
Filmado como um documentário, mas cheio de estilo e conceito na sua narrativa e linguagem, o filme demora a dizer ao que veio, mas quando chega, a câmera cola no tesão dos rapazes. Um belo filme.

Três canções para Benazir


 "Three songs for Benazir", de Elizabeth Mirzaei e Gulistan Mirzaei (2021)

Indicado ao Oscar de curta documentário e vencedor de mais de 13 prêmios em importantes festivais internacionais, "Três canções para Benazir" é um triste relato do jovem Shaista, um recém casado com Benazir e pai de dois filhos pequenos. A família mora em um campo de refugiados onde sustenta a família graças à venda de tijolos que produz. Mas Shaísta quer o melhor para a sua família, e decide se alistar no Exército local para o desgosto da família e comunidade. O jovem pensa em ser o pioneiro em ir atrás de melhores condições de vida, enquanto os demais são contra, inclusive, afirmando que não irão cuidar da esposa dele , em caso dele vir a falecer.

Triste e trágico perceber que existem milhões de Shaistas e Benazir espalhados pelo mundo, jovens de bom coração que por motivos variados, pegam em armas e matam por pura falta de opção nos lugares onde moram. Um filme forte, contundente e arrasador.

Alice


"Alice", de Krystin Ver Linden (2022)
Concorrendo no Festival de Sundnace', o drama "Alice" é baseado em uma incrível história real, e foi escrito e dirigido pela cineasta negra
Krystin Ver Linden, em seu longa de estréia. No entanto, o filme foi lançado em péssimo timing: em 2020, o filme "Antebellum" conta praticamente a mesma história, só que totalmente ficcional.
"Todo mundo viu "A vila", de Shayamalan, e todo mundo sabe da cena final, quando descobrimos que os moradores da comunidade arcaica na verdade moravam no século XX. "Alice" seria como se continuássemos a história de "A vila", com os personagens já sabendo da grande novidade e do mundo de fantasia em que viveram.
Alice (Keke Palmer) é uma escrava em uma fazenda no sul da Geórgia, no século XIX. Alice é casada com outro escravo e todos sofrem nas mãos do malvado Paul Bennet ( Jonny Lee Miller), o dono da fazenda, totalmente vilanesco. Após um acidente, Alice foge à pé até encontrar uma auto-estrada, e para sua grande surpresa, ela entende que está no ano de 1973. Ela é salva na estrada por Frank (Common), um caminhoneiro ativista dos direitos civis. Alice agora quer vingança.
Não satisfeita, a cineasta Krystin ainda homenageia o gênero "Blackexploitation", e claro, Pam Grier, que virá a ser a grande inspiração de Alice em sua espetacular virada.
É muito louco entender que tudo, infelizmente, é baseado em triste história real. Mesmo perdendo a sua originalidade, "Alice" é um filme que instiga e traz debates acerca da escravidão que a população negra continua sofrendo nos dias atuais.

 

Domingo


 "Sunday", de Arun Fulara (2022)

Que filme lindo! Premiado curta LGBTQIAP+ indiano, 'Domingo" tem uma premissa bastante simples, mas realizada com muita delicadeza, repleta de atmosfera, homoerotismo e elegância. É um filme sobre desejos reprimidos, sobre sensações e paixão platônica, quase todo sem diálogos, só em olhares.

Kamble (Shrikant Yadav) é um homem de meia idade que aguarda ansioso todo domingo, dia em que ele pega um barco e atrevessa a cidade até a barbearia. Lá, ele deseja ser atendido pelo jovem e sedutor barbeiro Jaan (Prakash Joshi). Ele anseia pelo toque das mãos do rapaz em seu rosto, em seus cabelos. É o momento onde ele é feliz.
Um grande filme realizado de forma independente, uma prova de que é possível fazer um ótimo filme com pouco dinheiro, basta criatividade, bons atores e boa direção.

Boom and Bloom


 "Neuzeit", de Stefan Langthaler (2022)

Premiado curta LGBTQIAP+ austríaco, com um roteiro que pode render uma ótima peça de teatro. Um pai (Simon Schwarz) e filho (Nils Hohenhövel) que não se vêem a tempos decidem marcar uma caminhada nos alpes no final de semana. O pai é divorciado e o filho acabou de se separar de um relacionamento de 2 anos e meio. Durante a caminhada, assuntos aleatórios vêem à tona. Mas de noite, sentados ao lado da fogueira, a verdade vem à tona: o filho pergunta ao pai porque nunca quiz saber acerca de sua homossexualidade e do relacionamento com o ex-namorado.

Alternando momentos de delicioso humor com o drama da discussão e aceitação sobre o fato do filho ser gay, o filme conta com ótimos diálogos e duas belas performances, embaladas por uma excelente fotografia que valoriza a locação paradisíaca dos Alpes austríacos.

Borekas


 "Borekas", de Saleh Saadi (2020)

Premiado curta Israelense, rodado em terras de ocupação na Palestina. Um pai, taxista, leva seu filho até o aeroporto para que ele pegue o vôo até Munique, onde está morando atualmente. Mas durante o caminho, o carro quebra. Teimoso, o pai insiste em consertar o carro, enquanto o filho insiste em chamar um outro táxi para não perder o vôo. Mas durante esse tempo, o pai decide saber mais sobre seu filho. Durante uma conversa no jantar com a família, o pai percebeu que era o único que não sabia que o filho era gay e que morava com um outro rapaz.

Com ótimas performances de Anan Abu-Jaber, como o filho, e Yussuf Abu-Warda como o pai, esse filme renderia uma excelente peça de teatro com dois atores. Um filme cativante e que me comoveu em seu desfecho bastante humano na relação entre pai e filho. Borekas é o nome que se dá à uma iguaria turca, um pastel frito com recheios diferentes, e que o personagem do filho compra num mercado para comer no caminho.

I was Max


  "I was Max", de Lukas Kacinauskas (2022) Curta LGBTQIAP+ da Lituânia, apresenta um encontro entre dois rapazes gays em uma noite qualquer. Lukas (Sarunas Zenkevicius) vai a um encontro com Tadas (Matas Dirgincius), que o aguarda dentro de um carro. Ambos se apresentam. Mas para surpresa de Lukas, Tadas o confunde com Max. Lukas decide entrar no jogo e entender até onde esse encontro irá, até porque Max tem uma personalidade oposta de Lukas, que é tímido e romântico. Um delicioso filme que se baseia em diálogos e nas performances dos dois atores, uma brincadeira de gato e rato e de construção de personalidade e que bem desenvolvida, poderia render uma ótima peça de teatro entre 2 atores. Um filme sensual, com jogo de olhares e de atmosfera, totalmente rodado de noite.

Amanhã então


 "Demá ho deixem", de David Moragas (2022)

Premiado curta LGBTQIAP+ espanhol, "Amanhã então" apresenta Lluís e David, dois amantes que se reencontram após um tempo. David foi para Armsterdam a trabalho e após um período distante, ele volta para Madri. David prepara um jantar para receber Lluís e juntos, passarem uma noite romântica. Mas quando David, durante o jantar, diz que conheceu um rapaz em Rmsterdam, as coisas passam a ficar diferente, principalmente quando vão para a cama.

Um bom filme, defendido por duas ótimas interpretações e que a fugacidade dos relacionamentos em tempos de apps e de carências afetivas durante a pandemia do covid.

terça-feira, 5 de abril de 2022

Gold for dogs


 "De l ór pour les chiens", de Anna Cazenave Cambet (2020)

Premiado drama francês com um olhar feminino sobre a protagonista Esther

(Tallulah Cassavetti), uma garota de 17 anos que mora no Sul da França, em região litorânea. Esther aproveita ao máximo sua vida: curte a praia, vai para baladas, faz sexo com garotos, e trabalha em uma sorveteria. Mas quando ela conhece Jean, um rapaz parisiense de férias na região, a vida de Esther muda: ela se apaixona. Ela decide abandonar tudo e ir atrás de Jean em Paris, pegando carona na estrada. Mas para sua surpresa, ao encontrá-lo, ela descobre que ele não quer nada com ela.
Um filme naturalista , sobre a liberdade da juventude e o primeiro amor que faz com que tomemos decisões precipitadas e erradas. O filme tem um 2o ato que pode soar bastante moralista: Esther pede refúgio em um convento e fica amiga de uma noviça. Mas o roteiro e a direção se encarregam de fazer dessa experiência para Esther, uma virada para a sublimação da personagem e do seu orgulho. As atrizes são ótimas, e o filme tem um frescor de filme de juventude. As cenas de sexo são bem calientes e a que abre o filme além de eroticamente tesuda, é bem cinematográfica.

segunda-feira, 4 de abril de 2022

Tempestade infinita


 “Infinite storm”, de Małgorzata Szumowska (2022)

Baseado em uma história real, “Tempestade infinita” é uma co-produção Inglaterra, Polônia e Austrália e dirigido pela premiada cineasta polonesa Małgorzata Szumowska, realizadora dos cults “Body”, “Nunca mais nevará” e “Em nome do pai”. “Tempestade infinita” é um filme estranho à filmografia da cineasta, pois é um drama de sobrevivência, repleto de cenas de ação. Naomi Watts parece trilhar o memso caminho de Liam Neeson, e tem trabalhado em produções onde se exige dela muito talento para cenas arriscadas.Com uma fotografia de Michał Englert, o filme explora regiões montanhosas geladas e inóspitas da Eslovênia, local encontrado pela produção para reproduzir a Montanha Washington, em New Hampshire, onde ocorreu a história de Pam Bales (Watts) e John ( Bill Howle).

Em um dia de 2010, Pam Bale saía para mais uma trilha nas montanhas geladas de Montanha Washington. Ignorando os avisos metereológicos que anunciam uma noite de grande tempestade, Pam sobe assim mesmo. Ao longo do filme, acompanhamos flashbacks que mostra uma tragédia envolvendo as duas filhas de Pam. Ao retornar, Pam encontra um homem congelando, John. Ela descobre que ele está ali deliberadamente, querendo morrer. Mas Pam não deixa, e faz de tudo para salvar o homem.
As quase duas horas do filme se resumem a essa tentativa de salvamento, com Watts e Howle enfrentando riachos gelados, ventania, nevasca e uma gama de contratempos. Mas como é baseado em história real escrito pela própria Pam, sabemos que o destino que os reserva não é trágico.
Um filme sem muitas novidades na história, já vista em diversas outras produções.

domingo, 3 de abril de 2022

Blue jeans


 

"Blue jeans", de Hugues Burin des Roziers (1977) Drama adolescente LGBTQIAP+ francês, um filme obscuro que hoje em dia não teria como ser filmado por conta de temas adultos que envolvem crianças. Único filme dirigido por Hugues Burin des Roziers, que também escreveu o roteiro e prematuramente falecido aos 41 anos em 1985. O filme, rodado em 1977, foi inspirado na obra-prima "Houve uma vez um verão": Julien (Gilles Budin) é um menino de 12 anos que viaja para a Inglaterra para estudar francês nas férias. Ele vai junto de um grupo de outros alunos. Julien se apaixona por uma jovem inglesa mais velha, mas ela o recusa. No entanto, Julien se descobre atraído pelo namorado da moça, Jean Pierre. Mas essa amizade inesperada irá fazer com que o grupo de rapazes sejam homofóbicos e agridem Julien. Um filme corajoso, lançado em 1977 e com tom naturalista, parece um filme de Truffaut, tal a naturalidade das crianças. O filme apresenta crianças fumando, tomando álcool, sofrendo bullying e homofobia. Um personagem adulto, um professor, dá conselhos sobre amor homossexual para Julien, em cenas bastante ousadas e que estão no limite de serem pedófilas. É um belo filme, fruto de uma época e com uma fotografia lúdica e uma trilha sonora emotiva.

A bolha


 "The bubble", de Judd Apatow (2022)

Dois anos depois da excelente comédia dramática "A arte de ser adulto", o roterista e cineasta Judd Apatow, realizador de clássicos como "O virgem dos 40 anos" e 'Superbad" lança uma comédia maluca sobre a indústria do audiovisual durante a primeira etapa da pandemia da covid, quando ainda não existia vacina e a rigidez do protocolo era enorme, tendo equipe e elenco terem que ficar 14 dias de quarentena em um quarto de hotel. Só essa premissa já daria uma ótima comédia, mas Apatow junta uma equipe e elenco em um Hotel isolado na Inglaterra para filmarem a parte 6 de uma franquia de sucesso, uma espécie de "Parque dos dinossauros". O filme faz paródia com tudo: teste covid, quarentena, efeitos de pós produção, croma, traições, stress, uma espécie de "Noite americana", de Truffaut, da época da tecnologia e da pandemia. Apatow ainda encontra espaço para alfinetar a própria indústria: o cineasta que vai rodar essa 6a parte é vencedor em Sundance de um filme totalmente rodado em Iphone 6. Com um elenco de famoso, que inclui Pablo Pascal, David Duchovny. Keegan Michael Key e James Mcvoy, só lamento que o filme não tenha meia hora a menos. Afinal, uma comédia despretenciosa como essa não poderia ter quase 130 minutos, tornando a partir da metade um festival de repetições de piadas.

sábado, 2 de abril de 2022

Paris, 13o distrito


"Les Olympiades", de Jacques Audiard (2021)
Habitueé do Festival de Cannes, de onde saiu com prêmios pelo visceral "O profeta" e a Palma de ouro em 2015 pelo excepcional "Dephann", o francês Jacques Audiard tem uma filmografia de tons ecléticos. Agora, novamente concorrendo em Cannes, de onde saiu com o prêmio de melhor trilha sonora, Audiard chega com "Paris, 13o distrito", um roteiro inspirado a partir de uma seleção de contos do cartunista americano Adrian Tomine. O filme acompanha 4 personagens, e assim como em "Shortbus", o sexo e o tesão move os personagens, um fazendo sexo com o outro para saciar a melancolia e a tristeza de se morar em uma grande metrópole. Rodado em belíssimo preto e branco fotografado por Paul Guilhaume, o filme conta a história de Emilie (Lucie Zhang), uma Taiwanesa que mora em Paris. Ela trabalha em um call center e como garçonete em um restaurante quando decide alugar o quarto vago de seu apartamento para o professor Camille (Makita Samba). OS dois acabam tendo um caso. Em outro lugar, Nora (Noémie Merlant) está começando a faculdade de direito na casa dos trinta, mas encontra sua posição social em um estado quando é confundida com a famosa estrela pornô online Amber Sweet (Jehnny Beth) em uma boate. Nora conhece o professor Camille e tem um caso com ele.
Co-escrito com Léa Mysius e Céline Sciamma, essa última realizadora de "retrato de uma mulher em chamas". Audiard fica com muita elegância as cenas de sexo, a nudez e o romance entre os personagens. Os atores são ótimos, as atuações são naturalistas e o ritmo rola lento, quase minimalista nas ações.

Apresentando, Nate


 "Better Nate then ever", de Tim Federle (2022)

Adaptado de seu próprio livro, Tim Federle ( que irá dirigir "Mudança de hábito 3") traz um simpático musical adolescente, sobre um menino de 13 anos, Nate (Rueby Wood, ótimo), morador da cidade de Pittisburgh que sonha em fazer audição para o musical da Broadway "Lilo e Stich". Ele encontra o momento certo quando seus pais decidem passar um final de semanas fora. Nate convoca sua melhor amiga Libby para irem juntos de ônibus para New York e fazer o teste. Mas seu irmão mais velho Anthony, responsável por ele, ao descobrir que ele saiu de casa, vai em seu encalço.

Com uma divertida participação de Lisa Kudrow como a Tia Heidi, "Apresentando, Nate", é um típico filme da Disney: muito colorido, muita música, mensagens cativantes e claro, família sempre dando apoio, mesmo quando não aparentam. As cenas musicais são homenagem a grandes clássicos, como "On broadway", de "All that jazz", com direito a um cameo de George Benson, cantor da música. As cenas na Time Square são deliciosas e dá vontade de querer pegar o primeiro avião para NY.

Bárbaros


 "Barbarians", de Charles Dorfman (2021)

Drama de suspense do gênero "Home invasion", que tem como curiosidade o elenco que traz Iwan Rheon, o Ramsey Bolton de "Game of thrones", e Catalina Sandino Moreno, de "Maria cheia de graça".

Co-escrito e dirigido por Charles Dorfman em seu longa de estréia, é um filme dividido em 2 atos: o 1o, um drama sobre amizade e traição por interesses entre 2 casais, e depois, se transforma numa sangrenta narrativa de invasão, com um trio de mascarados ameaçando os casais.
Adam (Rheon) e Eva (Moreno) compram a propriedade de Lucas (Tom Cullen), um corretor e influencer que compra propriedades para depois revendê-las. No dia de aniversário de Adam, um cineasta, ele convida o casal Lucas e sua namorada Chloe (Ines Spiridonov). Mas rusgas surgem durante o jantar, e para piorar, a casa é invadida.
Um filme mais do mesmo, sem novidades no gênero e com uma trama óbvia, o filme ainda procura trazer uma simbologia com os nomes do casal principal e para uma arte que Eva está construindo, um monolito gigante. Vale como passatempo para quem curte ver uma violência semi-gore.

sexta-feira, 1 de abril de 2022

Aguente a Barra para Todo Mundo Sair do Buraco


 "Qu'un seul tienne et les autres suivront", de Léa Fehner (2009)

Longa de estréia da cineasta francesa Léa Fehner, uma ex-assistente social de presidiários e que co-escreveu esse roteiro trazendo muito de sua vivência testemunhando histórias dentro do presídio. O filme, vencedor de prêmios em festivais internacionais, acompanha 3 histórias que se entrecruzam envolvendo um presídio. Zorah, é uma mãe que vela a morte de seu filho., assassinado. Ela decide ir a Marselha para entender o que aconteceu. Ela se torna a babá de Céline, irmã de François, o amante e assassino de seu filho, que está na prisão aguardando julgamento. Elsa e Stéphane formam um casal em constante conflito pela falta de dinheiro. Ela se prostitui e Stéphane vive de biscates. Após um acidente, Elsa se encontra na sala de emergência onde Stéphane vem buscá-la. Ele conhece Pierre, um mafioso local, que, impressionado por sua extrema semelhança com um amigo preso, o oferece para ocupar seu lugar na prisão durante uma visita à sala de visitas. Laura, uma jovem de 16 anos se apaixona por Alexandre, um jovem delinquente que foi preso por agressão a um polícial. O filme é longo, cansativo e de ritmo lento, mas o ótimo trabalho de todo o elenco e o tom naturalista do filme, com um olhar documental, traz interesse para a história.