quinta-feira, 1 de janeiro de 2026
Yen and Ai Lee
"Xiao Yan yu wu Ai Li", de Tom Lin (2024)
Escrito e dirigido por Tom Lin, é um premiado drama de Taiwan. O filme é dvidido em 2 capítulos, cada um com um ponto de vista de uma personagem da história. O tema do filme, entre outros, é o poder de cura do teatro, para ajudar a resolver traumas. Feminicídio, abuso doméstico, abandono de lar, também são retratados nesse filme visualmente estilizado. A fotografia, em preto e branco, conjugada por enquadramentos rígidos e marcação de cena que desenha as açõe sno quadro, ajudam a dar um tom mais autoral ao projeto.
Yen (Hsia Kimi) é uma jovem que ficou presa por 8 anos, após ter assassinado seu pai. Após esse período, ela sai da prisão e retorna para casa. Sua mãe, Ai Lee (Yang Kuei-mei) é uma comerciante, mantendo seu mercado junto de sua casa. Yen procura retoemar sua vida, mas é difícil: nenhum trabalho a aceita, e ela não quer trabalhar com sua mãe. Yen conhece o novo companheiro de sua mãe, o violento Ren (Sam Tseng), um vigarista que a aobriga a vender bilhetes de loteria falsos em sua loja. Um dia, a ex-amante de seu pai abandona o seu meio irmão, o pequeno Wei (Hsieh I-le) na loja de sua mãe. Yen e Ai Lee não o querem, não têm condições para cuidar de uma criança. Mas ele acaba ficando aos cuidados de Yen.
Paralelamente à história, Ai-Lee, uma jovem sósia de Yen se matricula em um curso de teatro. Ela, diferente dos outros alunos, deseja uma ajuda para resolver os seus traumas pessoais através da arte.
De início eu não estava gostando muito do filme, mas aos poucos, ele foi me conquistando. As ótimas performances do elenco, a melancolia e tristeza que o filme traz, com personagens solitários e sofridos. E as cenas de ensaio nas aulas de teatro, muito boas para entender o universo da performance teatral.
Arcadia
"Apkantia", de Yorgos Zois (2025)
Representante da Grécia à uma vaga ao Oscar de filme internacional 2026, "Arcádia" é uma fábula de realismo fantástico com cenas de s3x0, que remete tematicamente ao clássico "O Sexto sentido". Yannis (Vangelis Mourikis), um médico de meia idade, é chamado ao necrotério de uma cidade litorânea para identificar o corpo de uma mulher que caiu de um penhasco com o carro. No carro, Yannis está acompanhado de sua esposa Katerina (Angeliki Papoulia), uma neurologista. Ao chegar no necrotério, ele se assusta, ao decsobrir que a more é sua mulher Katherine. Acontece que a Katherine que estava com ele até então é o espírito da mesma. Quando alguém morre e ainda está preso com assuntos ainda não resolvidos com alguém próximo, o espírito não consegue ir embora, e fica vagando pela Terra. A questão é o que espírito não se lembra do ocorrido recentemente. Yannis descobre que sua esposa o estava traindo e morreu com o amante. Ele decide se hospedar na casa ond eo casal de amantes estava hospedado. Katherine, espírito, vai junto, e lá, ela encontra o espírito do filho da dona da casa, que a leva até um bar, chamado Arcádia. Ali, os espíritos e reúnem, todos nus, e para se lembrarem dos últimos acontecimentos, precisam fazer s3x0 e ter orgasmo para se lembrarem. É aí que Katherine se lembra do amante, e acaba o reencontrando.
"Arcádia" é cabeça demais para os acadêmicos votarem para filme internacional, tanto que nem ficou entre os 15 da shortlist. A premissa é boa, mas o filme é arrastado e o roteiro confuso. As cenas de s3x0 nem são chocantes, como costuma ser em filmes gregos. Yorgos LAnthimos faria desgraça com essa história. Faltou ao cineasta Yorgos ois soltar o freio de mão.
Scarlet
"L'envol", de Pietro Marcello (2022)
O cineasta italiano Pietro Marcello ficou famoso pelo seu premiado drama de 2019, "Martin Eden", adaptação de um romance literário e co-produzido pela França, Itália e Alemanha. "Martin Eden" é um filme que fala sobre paixões conflituosas e amores ressentidos. Em 2022, Pietro Marcello retorna com 'Scalert" e repete toda a fórmula, com os mesmos países, co-produtores, nova adaptação literária, do autor soviético Alexander Grin, "Scarlet Sails", escrito em 1923. O filme também retrata amores proibidos e paixões inesperadas, ambientadas na França após a primeira guerra mundial. A bela trilha sonora é do craque Gabriel Yared. O filme concorreu na Quinzena dos realizadores do Festival de Cannes.
No interior do norte da França, quando Raphaël (Raphaël Thiéry) retorna da guerra, ele descobre que sua esposa faleceu, deixando sua filha pequena, Juliette, aos cuidados da fazendeira Adeline (Noémie Lvovsky). Adeline oferece abrigo a Raphaël e o ajuda a conseguir trabalho como carpinteiro. Juliette cresce apegada ao pai, mas a família é mal vista pela comunidade. Mais tarde, Raphael descobre que sua esposa foi estuprada pelo fazendeiro. Anos depois, Juliette (Juliette Jouan), já crescida, é constantemente assediada por Renaud (Ernst Umhauer), a quem ela evita. Um dia, ela vê um pequeno avião pousando, e conhece o piloto (Louis Garrel), por quem se apaixona, provocando a ira de Renaud.
Assim como "Martin Eden", 'Scarlet" é uma adaptação pesada, convencional de uma obra literária. Está tudo certo: atuações, fotografia, trilha. ma so ritmo é puxado, arrastado, e tudo sôa muito acadêmico. É um estilo de filme francês, que já trouxe adaptações como "Jean de Florette", que são filmes corretos, mas bastante chatos.
Pipiolos
"Pipiolos", de Daniel Sánchez Arévalo (2025)
Vencedor do prêmio de melhor direção no Festival de Málaga 2025, "Pipiolos" é escrito e dirigido por Daniel Sánchez Arévalo. O filme é um drama queer coming of age, totalmente rodado em Madri.
Pilar (Marta Etura) e Isabel (Nur Levi) são melhores amigas. Mães solteiras dos adolescentes Mario (Diego Garcia) e Jaime (Iker Ruiz), ambos de 13 anos, as amigas acabaram se tornando amantes e querem anunciar aos filhos a decisão de ambas de morarem juntas. Para fazer o anúnici, decidem tirar férias de uma semana em uma casa de campo. Elas esperam que ambos consigam entender o amor entre elas. O que elas não poderiam esperar, era que os dois garotos também nutrem um amor entre eles.
Um filme sensível e lindo com atuações certeiras do elenco, "Pipiolos" me lembra muito o filme que dirigi, "Morando com o crush", onde o casal adulto de divorciados anuncia a seus respectivos filhos que irão morar junts e dizem que eles serão vistos como irmãos pelas pessoas. E o conflito fica no amor que não pode ser vivido nem compartilhado. Aqui, o roteiro de Daniel Sánchez Arévalo adiciona conflitos sobre o primeiro amor entre dois meninos, que pela à vez, entendem que amam pessoas do mesmo gênero. As cenas onde os meninos vão ao longo dos dias, se aproximando, se m4sturb4nd0 juntos, filmado com muito respeito e poesia, revelam o 1o 0rg4sm0, o 1o beijo. A edição é excelente, principalmente na montagem onde as mães precisam fa;ar com seus filhos sobre o amor.
Presente contínuo
"Presente contínuo", de Ulises Rosell (2025)
Um documentário corajoso e bastante expositivo, filmado com muita sensibilidade e sem for;car um sentimentalismo e piedade do público. O diretor Ulises Rosell e sua esposa, a atriz Valentina Bassi, são pais de um adolescente com espectro autista, Lisandro Rosell. É um filme sobr eo amor e a resiliência de pais que amam o seu filho e que vivem uma rotina onde entendem que cada dia, é um dia ( o que justifica o título do filme). A cartela inicial do filme é bastante provocativa: "Os dias transcorriam sem diferenciar realidade e ficção". A rotina de Lisandro é acompanhar seus pais no ambiente do teatro e do cinema. A sua mãe se vira com personagens que vive nas telas e nos palcos. Lisandro sabe difereciar as diversas histórias vividas por sua mãe?
Com 16 anos de idade, lisandro requer atenção contínua de seus pais, que precisam entretê-lo o tempo todo. Lisandor muitas vezes quer sair pelas ruas, é hiperativo. Seus pais o ajudam a estudar, a fazer atividades básicas. É uma vivência onde todos precisam estar sempre alertas.
Os pais não clamam pela piedade do espectador, mas sim, entender que é possível amar o filho da forma que for, com muito carinho e dedicação.
Hidden
"Hidden", de Kuo Hsuan-Chi(2021)
Drama queer de Taiwan, Kuo Hsuan-Chi escreve e dirige um filme corajoso sobre desejo na adolescência e sobre abusos de p3d0f1l14. Tem uma cena específica que me chamou atenção por envolver um ator menor de idade e que aqui no Brasil, certo de que a forma como a cena foi filmada, não poderia acontecer.
Xiao-Wei (You-Lun Lin) é um estudante de treze anos. Apesar da pouca idade, ele já está certo de sua orientação s3xu4l: ele é apaixonado pelo seu melhor amigo, Pin-Rui (Chih-Hsuan Wu). Escondendo a sua s3xu4l1dade de todo mundo, Xiao explora o desejo em apps de relacionamentos gays. Um dia, ele marca encontro com um jovem de sua idade, mas ao chegar no local, decsobre que é um adulto, que o força a entrar no carro.
Não é um filme fácil de assistir. O abuso pode dar gatilhos no espectador, e é uma cena chocante. O trabalho de atuação do jovem You-Lun Lin é admirável, e fico imaginando como os pais liberaram a sua participação no filme.
A centésima noite
"100 nights of hero", de Julia Jackman (2025)
Concorrendo no Festival de Veneza 2025, "A centésima noite" é uma produção inglesa co-escrita e dirigida por Julia Jackman. O filme é uma adaptação da graphic novel de Isabel Greenberg, "100 Noites de Hero", livremente inspirada em "As mil e uma noites". Com um visual rebuscado, o filme é protagonizado por Maika Monroe ( de "It follows" e "Longlegs"), Nicholas Galitzine, o galã gay de "Vermelho, Branco e Sangue Azul e a cantora Charli XCX, no papel de Rose.
Em um mundo fantasioso, onde a religião é comandada por Birdman (Richard E. Grant), um Deus pássaro, mora Cherry (Monroe). Ela é uma mulher inocente e gentil, casada com Jerome (Amie El-Masry). Seu marido evita ter relações s3xu41a com ela, e ela logo é acusada pelos sogros e pela igreja de não fornecer um filho para ser herdeiro da família. Como as mulheres não podem se pronunciar, ela leva toda a culpa da não gravidez. Um amigo de Jerome, o charmoso Manfred (Nicholas Galitzine), faz uma aposta com Jerome, de que fará a esposa de Jerome o trair e ir com ele para a cama. Jerome duvida, pois sabe que sua esposa jamais trairia, mas decide fazer a aposta, dando-lhe 100 dias para que consiga seduzi-la. Temendo que sua patroa caia na tentação, a ama Hero (Emma Corrin) decide contar histórias, para entreter Cherry e Manfred. As histórias são retiradas de um livro que Hero recebeu de sua mãe, intitulado "League os secret storytellers", histórias de mulheres fortes que lutam contra a misoginia e o conservadorismo.
Não curti muito o filme, que tem uma narrativa sem brilho. O que sustentou o filme é o trabalho do elenco, que está ótimo. Existe um sub-plot que é a de Hero e Cherry se apaixonando, deixando a trama mais voltada para o público queer. Os temas são propostos para um empoderamento feminino, onde as personagens se sobressaem sobre os masculinos, em sua maioria, de mau caráter.
Double exposure
"Ijungnochul", Kim Min-wook-I (2924)
Fazia tempo que eu não via um filme gay com tanta cena de s3x0. Acho que pelo menos 1/3 desse filme é só o casal principal mandando ver. O filme tem um roteiro que faz lembrar o filme de François Ozon, "O amante duplo", com Jeremy renier interpretando 2 papéis: um homem doce e gentil, e outro dominador. Pois é exatamente essa história em "Double exposure". O fotógrafo Myung Seon (No Ji Hun) tem tido sonhos recorrentes com um homem que o domina, e esse sonho o deixa excitado. Myung é solitário e espera encontrar o amante ideal. A sua assistente no estúdio, Aran, vai viajar por uns dias e pede ausência. Myung diz à ela que está em busca de um modelo macsulino ideal para fotos de nú. Aran sugere o namorado dela, Gi Jun (Kim Sung Kyung), que precisa de dinheiro. Ao chegar no estúdio, Gi Jun mostra-se bastante tímido. Após a sessão de fotos, Myung seduz Gi Jun e ambos se tornam amantes. Mas a postura passiva de Gi Jun incomoda Myung. Um tempo depois, Aran vai embora e Gi Jun desaparece. Um dia, um homem aparece, Hyeong, com a mesma característica de Gi Jun, só que ele é dominador e se torna amante de Myung, que fica encantado.
Os dois protagonistas são bastante fotogênicos e ficam nús boa parte do filme. A fotografia explora bem a beleza e os corpos dos atores, um prato cheio para espectadores voyeurs. A história é instigante, e um flashback no 3o ato explica o que acontece na trama.
O ciclo do pavor
"Operazione paura", de Mario bava (1966)
Maria Bava foi um prolífero cineasta italiano que se aventurou por diversos gêneros: terror, suspense, comédia, faroeste, comédia, drama, aventura. Mas a sua fama que perdura até hoje vem mais de seus filmes de terror, por mais que tenha realizado cults como a aventura de espionagem 'Perigo: Diabolik", um mega cult que inspirou diversos filmes, incluindo James Bond. No terror, Bava reliazou diversos clássicos, como "Black sabath", "A baía de sangue"( que inspirou "Sexta feira 13"), e "Seis mulheres para o assassino". "O ciclo do pavor" é um terror menor do mestre, mas nem assim, um filme dispensável. A parte técnica, que inclui a excelente direção de arte de Alessandro Dell'Orco, a fotografia de Antônio Rinaldi e a trilha sonora de Carlo Rustichelli, compõem um conjunto que cria uma atmosfera onírica de pesadelo. Diversos enquadramentos trazem beleza e formas geométricas que embalam uma história de bruxaria e de sobrenatural, com o estilo gótico de início de carreira de Bava.
Em 1907, o Dr. Paul Eswai é enviado à vila de Karmingam para realizar a autópsia de Irena Hollander, uma mulher que morreu em circunstâncias misteriosas em uma igreja abandonada. Monica Schufftan, uma estudante de medicina que retornou recentemente para visitar os túmulos de seus pais, é designada como sua assistente . Durante a autópsia, eles encontram uma moeda de prata incrustada no coração de Hollander. Os moradores acreditam que a vila está amaldiçoada pelo espírito de Melissa, uma menina que morreu de forma trágica e que agora, busca vingança. As pessoas acreditam que quem a vê de noite, está marcado para morrer.
Como o filme é de 1966, as mortes não são apresentadas , com a exceção d amorte do prólogo, com uma mulher que tem o corpo atravessado por lanças. As outras mortes acontecem fora da tela. Mas o foco do filme é o seu clima e o seu design de produção. O ritmo é lento, para os fãs de terror moderno, certamente acharão o filme arrastado e sem atrativos. É mais uma relíquia para cinéfilos.
More dead than living
"More Dead Than Living", de JT Doran (2025)
Escrito e dirigido por JT Doran, "More dead than living" é um premiado curta americano que faz uma homenagem ao filme "O sétimo selo", de Bergman, porém com personagens e cultura chinesas, moradores de Nova York. Ba (Joe Chan) é viúvo e pai da jovem Alice (Emily fan), que por sua vez, é mãe da pequena Asa (Xiao Ping Wang). Um dia, ao visitar o túmulo de sua esposa, Ba é visitado pela Morte (Dominic Wong), que diz que os dias estão contados. Ba é amargurado e reclama de tudo na vida, por isso, morrer para ele não será um problema, e sim, um alívio. Mas antes, ele precisa reatar com Alice, com quem tem tido um relacionamento ruim.
O melhor do filme são os personagens chineses de diversas gerações, todos falando em inglês e ignorando o mandarim, deixando claro a total americanização. O roteiro segue um caminho surreal, quando pai e filha comemm cogumelos mágicos que os fazem "Viajar". Essa parte eu não gostei, ficou meio trash e amador. Mas o plot twist do final acaba surpreendendo, e claro, é um filme que traz mensagem de redenção.
Drown
"Drown", de Dean Francis (2015)
Dirigido, escrito, fotografado e editado por Dean Francis, "Drown" originalmente é uma peça teatral. O filme narra o drama de Len, um jovem salva-vidas homofóbico. Com espírito de vencedor, Len não gosta de perder nenhum campeonato. Até que um dia, Phil surge como novato no agrupamento de salva-vidas. Pior: Phil salva a vida de um menino que estava se afogando. Len vai nutrindo um ódio por Phil, a medida que ele vai crescendo na corporação. Mas esse ódio é um misto de atração sexual que Len não admite em si.
Drama denso, forte, com excelente atuação de Matt Levett no papel de Len. Explosivo, cheio de energia, Matt incorpora um homofóbico cheio de conflito interno. Seus olhos incham, seu rosto entumesce. O roteiro do filme é bem polêmico, pois mostra o desejo de Phil de pertencer a uma profissão onde o papel do macho é fundamental, e ele vai se permitindo sofrer bullying com um desfecho violento e catártico.A fotografia é muito boa, a trilha sonora recheada de música eletrônica. É um filme moderno, de edição complexa cheia de vai e vem para deixar o espectador confuso em relação ao destino dos personagens, provocando um suspense que beira o insuportável no ato final. Um motivo a mais para se ver o filme, é que todo o elenco masculino é formado por atores muito bonitos e sedutores, e sim, são bons atores.
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