segunda-feira, 3 de agosto de 2026
Burn
"Burn", de Makoto Nagahisa (2026)
Se o cult polêmico de Larry Clark, "Kids", de 1995, tivesse sido filmado em Tokyo nos dias de hoje, certamente seria esse filme, "Burn". Ambos com uso de linguagem de uma câmera semi documental, com adolescentes protagonizando o filme, reunidos nas ruas, se drogando, se prostitu1nd0, fazendo s3x0, sem qualquer preocupação com nada, em uma atmosfera totalmente hedonista e segundo críticos, niilistas.
Prêmio do Juri no Festival de Seattle, "Burn" concorreu no Festival de Sundance 2026. Quando foi lançado no Japão, o filme lotou salas de cinema nos seus primeiros dias de exibição. O roteirista e diretor fez pesquisas sobre as "crianças Toyoko": são crianças e adolescentes que se reúnem em frente ao Edifício Shinjuk Toho, onde existe um grande complexo de cinemas da Toho. Ali, elas dormem nas ruas, se divertem, pedem dinheiro, se prostituem para os "sugar daddies".
A protagonista é Jurie (Nana Mori). Ela mora com seus pais e sua irmã menor. Os pais fazem parte de uma seita e constantemente, batem nas duas filhas. Jurie é gaga e por esse motivo também apanha. Na primeira oportunidade, Jurie foge. Ela vai até a praça Shunjuku se encontrar com Kami, uma pessoa que ela conhecer online em um app. Kami é uma espécie de "Mother", e tem uma "house"( tipo a série "Pose", onde hospeda todas as crianças e adolescentes de seu grupo: Ora, Mai mai, Haku chan, Kokoru, Wara, Tori chan, Q, Masumi, Rice, animal girls e Squirrel, que tem o braço todo cortado com lâminas em auto-mut1l4çã0. Jurie fica conhecida como Juju pelo grupo. Ela conhece uma jovem, Masumi, que sugere que Juju se prost1tu4 para sugar daddies e asism poder ganhar dinheiro.
"Burn" traz uma narrativa crua, graças ao tom documental, aliada à fantasias, animações e sonhos surreais da protagonista. É um filme corajoso ao apresentar uma juventude desgarrada de qualquer ambição, seja em estudos, futuro ou laços familiares.

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