quarta-feira, 18 de março de 2020

Doramundo

"Doramundo", de João Batista de Andrade (1978) Adaptação do clássico romance de Geraldo Ferraz, lançado em 1957, esse longa adaptado e dirigido por João Batista de Andrade ganhou 3 Prêmios no Festival de Gramado em 1978 : Melhor filme, Diretor e desenho de produção. Dois anos depois, em 1980, João Batista de Andrade viria a lançar a sua grande obra-prima, "O homem que virou suco", com José Dumont. Ambientada na fictícia cidade de Cordilheira, no interior de São Paulo, no ano de 1939, o filme teme como pano de fundo os operários que trabalham na ferroviária que liga a cidade ate o Porto de Santos. Um serial killer age na região, matando homens solteiros, com uma barra de ferro. O assassino disfarça os crimes como se fossem acidentes na linha do trem. A população fica alarmada. O delegado decide convocar prostitutas para a cidade, pois acredita que o assassino é um homem casado que quer se vingar dos homens solteiros por estarem transando com sus esposa. Na época que o livro foi escrito, era evidente a relação que o escritor fazia com o Estado Novo de Getúlio Vargas, e o assassinato de pessoas contra o Governo. João Batista de Andrade faz o mesmo ao lançar o filme em plena Ditadura militar no Brasil, uma alegoria sobre o assassinato de revolucionários. O assassino é uma figura anônima, jamais identificada. Ao Governo, cabe acobertar tudo com algum que distrai a população, no caso do filme, seriam as prostitutas. O elenco é um dos pontos chaves dessa ótima produção: Irene Ravache, Armando Bogus, Antonio Fagundes, Rolando Boldrin, Denise del Vecchio. Oney Cazarré estão excelente em seus papéis. A fotografia de Antonio Meliande impressiona pela atmosfera de pesadelo que ela imprime. Meliande foi um dos fotógrafos mais ativos na época da pornochanchada. Destaque também para a direção de arte, precisa e atuante para contar a história.

Party Monster- O Shockmentário

"Party Monster- Yhe Shockmentary", de Fenton Bailey,e Randy Barbato, Premiado documentário, dirigido pelos 2 dos maiores diretores e produtores LGBTQI+ dos Estados Unidos, e que atualmente produzem o Reality show de RuPaul. O filme expõe a vida do promoter da noite Nova Yorkina Michael Alig. Junto de seu amigo James St. James, eles promoviam concorridas festas gays voltadas para o púbico clubber. A onda Clubber surgiu no final dos anos 80, por conta da House Music. Os frequentadores das festas se vestiam de forma extravagante e consumiam álcool, drogas sem medir consequências. Michael e James fundaram os Club Kids, um grupo de clubbers que promoviam festas pelos Estados Unidos, se tornando verdadeiras celebridades. Todo o sucesso foi estendido até o ano de 1996, quando Michael foi condenada por um assassinato: o do Club Kid Angel Melendez, que também era traficante. O filme é um importante documento histórico, que retrata com precisão os anos loucos do ácido e das drogas sintéticas e música eletrônica dos anos 90. Assistir aos depoimentos dos clubbers vestidos e maquiados é trazer toda a nostalgia da época, onde as relações eram mais intensas, pois não havia Internet. Todas as promoções e festas eram divulgadas no boca a boca. O documentário serviu de base para o filme cult "Party Monster", lançado em 2003, com Macaulay Culkin no papel principal, em uma performance corajosa e festejada.

A caçada

"The hunt", de Craig Zobel (2020) Polêmico filme que mistura as tramas de "Jogos mortai" e "O albergue" mas com um forte contexto político. O presidente americano Donald Trump chegou a desaconselhar o filme, que divide os personagens em facções políticas, republicanos e liberais. 12 pessoas são feitas prisioneiras aleatoriamente. Em comum, essas 12 pessoas são armamentistas e republicanas. Levadas à força até uma fazenda na Croácia, eles começam a ser caçados um a um. Uma das sobreviventes, Crystal, tenta descobrir quem está por trás dessa chacina. O filme mistura suspense e humor negro, mas nem sempre essa química dá certo. Como roteiro dentro desse gênero caça -humana, o filme não oferece nada de novo. A curiosidade fica apenas com a presença de Hilary Swank no papel de uma arqui vilã distribuindo porrada e chutes. Só por essas cenas, já tá valendo.

terça-feira, 17 de março de 2020

Dorm- O espírito

"Dorm", de Songyos Sugmakanan (2006) Drama de terror tailandês que ganhou o prêmio de melhor filme na Mostra geração do Festival de Berlin em 2006. O filme é uma história de fantasmas que acontece em um internato de garotos. Ton, um garoto de 12 anos, é enviado para l;a pelos seus pais, para poder melhoras seus estudos e largar a tv. Ao chegar no internato, Ton sofre bullying do outros meninos, que lhe contam histórias assustadoras de fantasmas que habitam o lugar. Vichien é um garoto que logo fica amigo de Ton, mas para surpresa desse, ele precisa ir embora todos os dias às 18 horas. A influência de "O sexto sentido" é bem clara na história e o filme não faz questão de manter o plot twist. O que diferencia esse filme de outros do gênero, é que ele aposta no drama de Vichien, e curiosamente, o filme traz um olhar homoerótico para a relação dos dois meninos, mesmo que seja breve e ingênuo.

Até sua última morte

"To your last death", de Jason Axin (2019) Excelente animação para adultos, repleto de gore e extrema violência, "Até a sua última morte" traz no seu roteiro, referência aos clássicos "Jogos mortais" e "Feitiço do tempo". Miriam é líder de uma ONG falida que luta a favor da Paz mundial. Ela luta contra o seu próprio pai, Cury, líder de produção de armamentos bélicos. Quando Cury perde a campanha para presidente por conta das denúncias feitas por seus 4 filhos, incluindo Miriam, ele resolve convidá-los na sede de sua empresa para pedir perdão. O que ninguém poderia adivinhar, é que Cury e seus capangas irão torturar e matar cada um dos filhos em armadilhas mortais. A parte referente a "Feitiço do tempo< é que Miriam recebe a visita de uma mulher misteriosa ( voz de Morena Baccarin) que lhe dá uma segunda chance para voltar ao tempo e mudar o destino de todos os personagens. O filme é tenso e bastante violento. Absolutamente proibido para crianças, sem condições. Tem cenas de decapitação, serra elétrica esfolando corpo, mutilação, olhos arrancados, estupro, etc.

A paixão de Anna

"En passion", de Ingmar Bergman (1969) Obra-prima de Bergman que reúne 4 dos seus atores mais recorrentes: Liv Ulmann, Max Von Sydow, Bibi Andersson e Erland Josephson. Realizado no período em que Bergman e Liv Ulmann estavam passando por um processo de separação, o filme é angustiante e violento do início ao fim. Repleto de cenas onde os personagens se agridem verbalmente e fisicamente, é talvez um dos filmes maus duros e sufocantes do cineasta sueco. Andreas (Max von Sydow) é divorciado e ficou preso por anos após cometer um crime. Ao ser solto, ele decide se mudar para a Ilha de Faro ( aonde mais??) e ali morar sozinho. Enquanto conserta seu telhado, uma mulher, Anna (Liv Ulmann) pergunta se pode usar o seu telefone. Durante o telefonema, Andreas percebe que Anna se descontrola com a pessoa que ela está falando. Anna vai embora e Andreas percebe que ela esqueceu sua bolsa. Ali consta um bilhete, de despedida do marido de Anna, que morreu em um acidente de carro, junto do filho do casal. No bilhete, fica clara que a relação do casal passava por um momento terrível. Andreas vai até a casa onde Anna se encontra e é recebido pelo casal Eva (Bibi ANdersson) e Elis ( Erland Josephson). O casal possui um relacionamento liberal. Eva acaba se relacionando com Andreas, mas logo Andreas decide ficar com Anna, se tornando amantes. Andreas descobre que o marido falecido de Anna tinha o seu mesmo nome. Quando decidem morar juntos, Andreas e Anna vão descobrir a verdadeira alma do outro. Assistir "A paixão de Anna" não é uma tarefa fácil. Denso, repleto de diálogos cruéis onde os personagens promovem verdadeiros embates de destruição moral. No entanto, como em qualquer filme de Bergman, o trabalho dos atores elevam o projeto a um nível mágico, e aqui, especialmente, todos estão soberbos. Bergman trabalha aqui no filme com a metalinguagem, recurso que ele nunca mas usaria: cada um dos atores quebra a quarta parede em algum momento e revelam, como atores, o que eles pensam sobre a trajetória dos personagens que eles estão vivendo. É muito curioso testemunhar os relatos tão sinceros dos atores sobre o processo de dar vida a personagens, sem julga-los.

segunda-feira, 16 de março de 2020

Fuga de Pretória

"Escape from Pretoria", de Francis Annan (2020) Existe um sub-gênero dentro do drama que é muito comum no cinema: os filmes de prisão. Dele, já saíram clássicos como "Papillon" e "Um sonho de liberdade". Em 'Fuga de Pretória", o co-roteirista e diretor inglês Francis Annan, de ascedência afro-americana, conduziu ese drama que narra a história de 2 ativistas politicos brancos, Tim Jenkins (Daniel Radcliffe) e Stephen Lee (Daniel Webber), que faziam parte do Congresso Nacional Africano (ASN), partido que lutava contra o Apartheid que existia na Africa do Sul nos anos 70. No dia 2 de março de 1978, os 2 foram presos por distribuíram panfletos que tinham palavras de ordem contra o Apartheid. Durante mais de 1 ano, eles tentaram várias formas de fugir da prisão em Pretória, até conseguirem em dezembro de 1979, fugindo para Moçambique e depois, Londres. Como cinema, o filme não oferece muita novidade. As cenas são conduzidas de forma correta, mas sem muita emoção. Faltou mais adrenalina. Daniel Radcliffe novamente tenta sair do estigma de Harry Potter, e interpreta com bastante intensidade Tim Jenkins, que escreveu a biografia que serviu de inspiração para o filme.

Aquarela

“Aquarela”, de Viktor Kossakovsky (2019) Impressionante as imagens desse documentário dirigido pelo documentarista russo Viktor Kossakovsky. Vencedor de inúmeros prêmios internacionais e exibido com sucesso no Festival de Sundance, o filme apresenta imagens grandiloquentes e assustadoras da força da água e do iceberg ao redor do mundo. Imagens desesperadoras de um grupo de salvamento tentando retirar um homem que caiu debaixo de um lago congelado; um casal lutando para sair do mar revolto de uma tempestade pilotando o barco; furacão em Miami; inundações . São imagens chocantes e ao mesmo tempo, belas, mágicas .

domingo, 15 de março de 2020

Dois irmãos: uma jornada fantástica

“Dois irmãos: uma jornada fantástica” , de Dan Scanlon (2020) Deliciosa e emocionante aventura que mescla o melhor de clássicos da nostalgia de qualquer cinéfilo: “Os caçadores da arca perdida”, “ Harry Potter”, “Et” e “A história sem fim”. (Continua)

Meninas, virgens e p...troca de óleo

"Meninas, virgens e p...troca de óleo", de Sady Baby (1986)

Toro

"Toro", de Edu Felistoque (Filme visto no VI FBCI) (2018)

New Life S.A.

"New Life S.A.", de André Carvalheira (Filme visto no VI FBCI)(2019)

Possessões

"Possessões", de Tiago Santiago (Filme visto no VI FBCI)(2017)

Theo, além da liberdade

"Theo, além da liberdade", de Julio Quinan (Filme visto no VI FBCI)(2017)

Cano serrado

"Cano serrado", de Erik de Castro. (Filme visto no VI FBCI) (2019)

Terremoto

"Skjelvet ", de John Andreas Andersen (2018) Com o queixo caído devido a altíssima qualidade dos efeitos especiais realizados na Noruega!!!!! Não deixam a dever em nada com os blockbusters americanos. Em 2005, o cinema norueguês lançou "A onda", um filme catástrofe que trazia um enorme tsunami na Noruega provocado por uma falha geográfica nas montanhas, matando centenas de pessoas. 3 anos depois, os mesmos personagens de "A onda" retornam, dessa vez, lidando com um terremoto de proporções avassaladoras. O cientista Kristrian (Kristoffer Joner, excelente) sobreviveu ao tsunami no filme anterior, salvado a sua família ( esposa, filha e filho). Kristian foi considerado um herói. Ma sos anos se passaram, e Kristian se tornou depressivo: ele se acha culpado pelas mortes das pessoas, e por não ter podido salvá-las a tempo. Isso lhe custou seu casamento. Kristian se separa de sua esposa Idun. Kristian avalia as pesquisas d eum colega falecido e antevê que um grande terremoto irá atingir a capital, Oslo. Ninguém lhe dá ouvidos. Até que a catástrofe acontece e Kristian precisa salvar a sua família. O roteiro do filme tem todos aqueles clichês que existem em qualquer filme catástrofe: autoridades que não acreditam na tragédia que está por vir; família descrente do patriarca; os filhos acabam se separando dos pais e eles passam o filme todo tentando localizá-los. Mas o elenco do filme é muito bom, a direção bastante competente, e o roteiro procura buscar o drama para fortalecer a história. Com tantos atrativos, o filme é uma excelente pedida, construindo em seu terço final um ótimo ritmo de suspense, daqueles que fazem a gente torcer pelos personagens.

Empuxo

"Buoyancy", de Rodd Rathjen (2019) Um do filmes mais cruéis que assisti recentemente, "Empuxo" foi o filme que representou a Austrália para uma vaga ao Oscar de filme internacional em 2020. Escrito e dirigido pelo australiano Rodd Rathjen, o autor se baseou em centenas de relatos de sobreviventes do trabalho escravo no sul da Ásia para contar esse trágico drama sobre um menino, Chakra, de 14 anos, que decide fugir de casa, no Camboja, para trabalhar em uma embarcação pesqueira na Tailândia. O pai de Chakra o explora ao máximo possível. Não aguentando mais a situação em sua casa, Chakra ouve um amigo dizer que barcos pesqueiros na Tailândia estão contratando pessoas para ajudarem na pesca. Ao chegar lá, Chakra descobre que na verdade tudo é uma farsa: ele e os outros são vendidos como escravos para traficantes do mar., que os obrigam a trabalhar de graça em condições sub-humanas. Sem ter como fugirem, os escravos são humilhados, torturados e assassinados. O diretor se baseou em relatos que constam que mais de 200 mil pessoas vivem como escravos em péssimas condições na região da Ásia. O roteiro não dá trégua: são cenas de tortura e muita miséria para Chakra e as outras pessoas. O filem lembra bastante o recente filme brasileiro "Pureza", que trata do mesmo tema. "Empuxo" ganhou dezenas de prêmios, entre ele,s o ecumênico no Festival de Berlin 2019. O trabalho do menino Sarm Heng, que interpreta Chakra, é comovente: um papel complexo, difícil, que exige muito do seu comprometimento físico e psicológico.

sábado, 14 de março de 2020

Semente da música brasileir

"Semente da música brasileira", de Patricia Terra (2019) Belo documentário que faz um registro do surgimento do samba na Lapa, bairro da boêmia carioca. Com imagens de arquivo e depoimentos, o filme finalmente chega ao foco principal: os 20 anos do Bar Semente, que surgiu na Rua Joaquim Silva como um espaço alternativo do samba e chorinho para lançar novos talentos. O filme apresenta depoimento dos antigos e novos donos, os diferentes endereços do Semente, o lançamento de jovens músicos que hoje em dia, se tornaram artistas consagrados e disputados em apresentação no mundo todo e no Brasil, como Yamandu Costa, Teresa Cristina, Moyseis Marques, Pedro Miranda, Zé Paulo Becker, Nicolas Krassik, Casuarina, Roberta Sá, Nina Wirtti, Alfredo Del-Penho, Eduardo Gallotti entre outros. O melhor do filme são as histórias curiosas envolvendo artistas consagrados que deram palhinha, como Chico Buarque, Beth Carvalho, Monarco, Dona Ivone Lara, etc, além de artistas estrangeiros. Ouvir Teresa Cristina falando de sua timidez é sensacional, mas imbatível mesmo é quando a ex-dona Regina narra um fato curioso: durante um confronto entre policiais e traficantes na Lapa, os músicos e clientes, com a casa cheia, se abaixaram e se esconderam debaixo das mesas. Mesmo assim, os músicos continuaram tocando, mostrando um espírito totalmente carioca. Quando o filme se encaminha ao fim e apresenta o sucesso de toda a geração de músicos que tocou na casa, é bastante comovente. Um filme que celebra o artista e a paixão que todos têm pela Arte e pelo sue ofício. O filme foi produzido pelo Cavi Borges e é um importante documento sobre a história da música carioca.

De braços dados com o bem e o mal

"Heart of darkness", de Alois di Leo (2019) Excelente curta de animação que recria o livro de Joseph Conrad, "Heart of darkness", que originou a obra-prima de Coppola, "Apocalipse now". Alois é canadense e trouxe para as favelas cariocas em um futuro distópico uma atmosfera de sociedade comandada por políticos corruptos e moradores divididos entre favelados e ricos. Em clima da ficção científica, com robôs drone que caçam a população, um homem, morador de uma comunidade, se junta a um grupo de terroristas para derrubar o governo. Com traços incríveis, o filme tem uma produção e quesito técnico de alto nível. O roteiro mistura clássicos do cinema, como "Star wars", "Apocalipse now" e "Cidade de Deus".

Acha,acha Cucaracha: Cucaño ataca outra vez

"Acha,acha Cucaracha: Cucaño ataca outra vez”, de Mário Piazza (2017) Ótimo Documentario argentino que conta a história do grupo de teatro Cucaño, formado por jovens atores que exploraram a arte experimental na Argentina entre 1979 a 1982 no auge da violência cometida pela ditadura militar. Através de poesia, música e teatro, os atores confrontavam o governo com textos políticos e que incitavam a população a se manifestar contra o governo. O filme mostra como estão esses atores nos dias de hoje, e como eles ainda tentam sobreviver da arte e ainda continuar a motivar as pessoas a serem cidadãos politizados e a lutarem pelos seus direitos.

O desafio

"The dare", de Giles Alderson (2019) Co-escrito e dirigido por Giles Alderson, "O desafio" é um filme de terror que participou de Festivais de gênero, tendo ganho alguns como melhor produção. Para quem gosta de : jogos mortais", logo vai perceber que o filme se assemelha bastante. A diferença é que aqui, existe uma mistura com os tradicionais filmes de Stephen King: em uma cidade pequena, um grupo de adolescentes causa um transtorno em um deles. Anos depois, já adultos, todos se encontram trancados em uma cela e sendo obrigados a torturarem um ao outro por um homem misterioso com uma máscara. Co-produzido pelos Estados Unidos e Bulgária, é um filme interessante, com cenas intensas de gore, para quem curte. Não existe nenhuma novidade. É assistir e pronto, acabou. Para piorar, uma cena de crédito final absolutamente ridícula.

sexta-feira, 13 de março de 2020

O oficial e o espião

“J'accuse”, de Roman Polanski (2019) Vencedor de prêmios nos Festivais de Veneza e do Cesar francês, provocando a ira de atrizes presentes nos eventos ao receber o troféu de melhor diretor, "O oficial e o espião" é mais uma dramatização do famoso caso Dreyfus, ocorrido na França no período de 1894 a 1906. O caso ficou famoso por ser um ato anti-semita contra um oficial de artilharia francês mas de origem judia, Alfred Dreyfus ( Louis Garrel). Foram forjados documentos para incriminá-lo e enviá-lo para a Ilha do Diabo. Quando foram descobertas provas concretas de adulteração dos documentos, o governo e o juiz decidiram mantê-lo preso. O filme é apresentado pelo ponto de vista do Coronel Georges Picquart (Jean Dujardin), um dos responsáveis pela prisão de Dreyfus e anti-semita. Mas ao perceber que algo estava estranho no caso e que Dreyfys provavelmente fi preso injustamente, Picquart resolve assumir o caso e defender Dreyfus, provando sua inocência. Além da excelente performance de Jean Dujardin e de Emmanuelle Seigner, no papel da esposa de um oficial e amante de Picquart, o filme oferece uma qualidade técnica impecável, que vai desde a trilha sonora do craque Alexandre Desplat. da fotografia de Pawel Edelman ( que trabalhou em outros filmes de Polanski) até a direção de arte impressionante, rica em detalhes. O filme é um espetáculo visual, e também, um belo drama sobre injustiça. O filme tem um ritmo lento, bastante verborrágico e longo, com quase 140 minutos de duração. Mas o elenco poderoso, que inclui Melvil Poupaud, Mathieu Amalric, Vincent Perez e André Marcon, no papel do escritor Emile Zola, que possui uma das melhores cenas do filme, quando o seu famoso texto, "Eu acuso", é citado no tribunal.

Sonic, o filme

Sonic, the hedgehog”, de Jeff Fowler (2020) Adaptação do famoso game criado pela Sega japonesa em 1991, o filme de estreia do diretor Jeff Fowler é uma co produção Estados Unidos e Japão e acabou se tornando um grande sucesso de bilheteria mundial. A essa altura do campeonato todo mundo sabe a força do fã clube do ouriço azul, que há alguns meses da estreia, se pronunciaram contra os traços do herói veiculados pelo trailer. A Paramount imediatamente mandou reeditar os traços de Sonic para agradar ao séquito de fãs e deu certo! O roteiro é aquilo que já sabemos: Sonic vem parar na Terra, se sente solitário, é adotado pelo casal Tom (James Mardsen, ótimo) e Maddie (Tika Sumpter, que interpretou Michelle em “Michelle e Obama”). O vilão Robotinik caiu nas graças de Jim Carrey que recupera aquilo histrionismo que todo mundo adora. Um filme que mistura ação, aventura, drama e muitos efeitos. Vale super assistir!

Devorar

"Swallow", de Carlo Mirabella-Davis (2019) Vencedor de dezenas de prêmios em importantes Festivais de cinema, como Deauville, Sitges, Tribeca ( de onde saiu com o prêmio de melhor atriz em 2019, 'Engula" é um angustiante drama psicológico sobre uma mulher que sofre de Pica, uma desordem compulsiva que acomete pessoas que começam a comer objetos não comestíveis. Escrito e dirigido por Carlo Mirabella-Davis, em seu filme de estréia, e produzido pelo Cineasta Joe Wright, de "Desejo e reparação", o filme possui um visual estonteante, fotografado com muito apuro estético pela fotógrafa Katelin Arizmendi. Hunter (Haley Bennett, excelente) é uma dona de casa, casada com o jovem e rico empresário Richie, que assume aos poucos os negócios de seus pais. Hunter passa o dia em casa fazendo janta para seu marido e afazeres domésticos. Rejeitada pelos pais de Richie em eventos sociais, não he dando a mínima, e também cansada de ser esnobada por Richie, que prefere a companhia de seu celular, Hunter cai somatizando seu drama através do transtorno alimentar: ela come pregos, bolas de gude, alfinetes. Quando ela se descobre grávida, Richie a leva para uma ultrassonografia, mas a família dele tem um susto quando descobrem os objetos dentro de corpo de Hunter. O filme é uma metáfora sobre uma mulher sem vida própria, obrigada a satisfazer os desejos de seu marido e dos sogros de ser a esposa ideal. Ela passa a comer objetos pois é quando ela se sente livre para fazer o que quer. O filme até lembra a série com Amy Adams, "Sharp objects", sobre mulheres com trauma familiar e que desenvolvem uma doença mental. O filme é tenso e possui uma excelente edição de som, que intensifica os ruídos dos dentes de Hunter mastigando os objetos. É assustador.

Tremores

"Temblores", de Jayro Bustamante (2019) Polêmico drama LGBTQI+, escrito e dirigido pelo cineasta Guatemalteco Jayro Bustamante, e vencedor de dezenas de prêmios internacionais. Jayro Bustamante surgiu no circuito de Festivais com o super premiado "Ixcanul" em 2015. "Termores" apresenta uma tradicional família na Guatemala: ricos, evangélicos, conservadores. Pablo, um dos primogênitos, é casado e pai de dois filhos. Mediante uma aparente felicidade, Pablo na verdade tem vida dupla: ele tem como amante Francisco, um operário. Quando a verdade vem à tona, a família de Pablo o deserda, e logo depois, o obrigam a participar de um programa de reeducação e conversão evangélico para homossexuais. "Tremores" lembra os recentes " "Boy erased", com Lukas Hedges e Nicole Kidman, e "O mau exemplo de Camreon Post", com Chloe Moretz. São filmes que apresentam protagonistas que sofrem uma vida angustiante porquê não podem ser livres. Vivem sob uma fachada e logo depois, obrigados a abdicar de sua liberdade para entrar em um mundo aterrorizante onde são obrigados a aceitarem aquilo que não são. A última meia hora de "Tremores" é assustadora: mostra vários exercícios e terapia para os homossexuais deixarem de ser gays. Bem dirigido e com um elenco de bons atores, o filme expõe uma sociedade cruel, regida sob o signo da religião e dos dito valores morais.

quinta-feira, 12 de março de 2020

Fim de Festa

"Fim de festa", de Hilton Lacerda (2019) Prêmio de melhor filme no Festival do Rio 2019, "Fim de festa" é escrito e dirigido pelo mesmo cineasta pernambucano de "Tatuagem", outro premiadíssimo filme que conta com o melhor do elenco pernambucano. "Fim de festa" é um filme do nosso tempo: população dividida entre os que apoiam o governo e os que o descreditam; juventude liberal X população conservadora, que não aceita a nudez dos jovens fora do ambiente carnavalesco; crítica aos policiais e militares; o filme ainda consegue discutir a questão do gênero e do feminismo, além do racismo e do morador da periferia. Nessa colcha de retalhos moral, social e econômica que acontece a partir da 4a feira de cinzas e se espalha por mais 4 dias, o filme ainda encontra tempo para tentar desvendar o paradeiro do assassino de uma turista francesa, casada com um brasileiro, que foi assassinada durante o carnaval, asfixiada. "Fim de festa" é um título metafórico e bastante melancólico para um País que se encontra num beco sem saída, ou a saída é morar no exterior, como alguns personagens, que abandonam tudo e vão morar na França ou Argentina. Mas o que mais me chamou atenção como referência cinéfila (além do óbvio "O bandido da luz vermelha") foi a aproximação com o cinema do russo Alexander Sokurov, mais precisamente de seu filme "Pai e filho", um drama homoerótico que mostra de forma discreta uma possível relação incestuosa entre pai e filho. Irandhir Santos, que interpreta o policial Breno, e Gustavo Patriota, que interpreta seu filho rebelde e bissexual Breninho, se olham ternos, apaixonados, se permitem massagear seus pés, se abraçar, deitarem-se juntos. Um tesão velado apenas quebrado pela rotina de um drone que insiste em flagrar os atos repletos de tabus dos moradores de Pernambuco.

Darkroom- as gotas da morte

"Darkroom - Tödliche Tropfen", de Rosa von Praunheim (2019) Cinebiografia do serial killer Dirk P, que assassinou 3 homossexuais em darkrooms de Berlin entre 2010 a 2012. O alemão Rosa Von Praunheim é um dos mais importantes cineastas ativistas do movimento Queer, tendo realizado mais de 150 filmes, entre curtas e longas, desde os anos 70. Agora, ele conta a história de Dirk P desde sua infância até o momento do seu julgamento pelos crimes. No filme, o personagem tem o nome fictício de Lars Schmieg. Criado pela sua avó milionária, Lars cresceu como um garoto mimado. Desde cedo descobriu sua homossexualidade, mas escondia de sua avo, que era bastante conservadora. Já adulto, trabalhando em um bar, ele conhece Roland, um cantor performático. Ambos se apaixonam. A avó de Lars flagra os dois na cama e o expulsa de casa. Roland convida Lars para ir morar com ele em Berlin. Lars rouba dinheiro de sua avó e compra um apartamento. Durante os seis anos de relação, Roland mantinha um relacionamento aberto, se permitindo ter outros casos, mesmo contra a vontade de Lars. Lars resolve sair pela noite e ao frequentar uma área de pegação, conhece um rapaz que o apresenta a uma droga sintética, e que na verdaae, é desinfetante que produz um efeito afrodisíaco. Lars descobre que se misturado ao álcool, a droga pode matar. aarcisista e com sede de poder e de dominação, Lars resolve usar a droga para matar as pessoas. Diferente dos outros filmes de Praunheim, em 'Darkroom"não há cenas de sexo explicito, uma de suas marcas registradas. Para contar a sua história, Praunheim encaretou e a narra de forma didática. A edição mistura os tempos, tornando o filme confuso. As performances variam entre o caricato e o exagero, o que prejudica bastante o acompanhamento da história. Conceitualmente, o filme varia entre o realismo e o artificialismo teatral.

Memory: a origem de Aline, o 8o passageiro

"Memory: the origin of Alien", de Alexandre O. Philippe (2019) Cineasta que dirigiu alguns dos melhores documentários que desvendam segredos de filmes clássicos, como "78/52: Hitchcock", Alexandre O. Philippe lança agora um filme que explora os segredos por trás da realização da obra-prima "Alien, o 8o passageiro", que completou 40 anos em 2019. "Eu não roubei "Alien"de ninguém. Eu o roubei de todo mundo". com essa frase, Dan "O Bannon, o escritor do roteiro de "Alien"e principal foco aqui do documentário, deixa claro que foram muitas as influências que o filme teve tanto dos quadrinhos, quanto de filmes B ( "O planeta dos vampiros", "It"), das mitologias gregas e egípcias e também de desenhistas ( o ilustrador suíço H.R. Giger) e pintores (Francis Bacon). Por conta do baixo orçamento que o filme obteve da Fox ( que deu sinal verde para produzir "Alien" por causa do enorme sucesso de "Star wars" há 2 anos atrás, e buscavam outra ficção cientifica), Dan "O bannon se inspirou nas limitações orçamentárias de "Tubarão" e de como Spielberg criou a tensão do filme: o tubarão só aparecia no final do filme,e até lá, todo o terror era construído pelo que não era visto. O documentário explora toda a concepção do roteiro escrito por O "Bannon, depois fala sobre a escalação do elenco, a inclusão de Ridley Scott ao projeto e de como foram realizadas cenas icônicas. Um capítulo do filme sobre o sexismo e a misoginia traz à luz a questão de como o personagem de Ripley, interpretado por Sigourney Weaver, foi atacada pelos outros personagens que não aceitavam o protagonismo de uma mulher comandando a nave. Um filme obrigatório para os fãs da franquia e também para quem curte saber de curiosidades de realização de efeitos criados a partir da falta de orçamento. Obs: o filme cita rapidamente a relação de O'Bannon e Jodorowsky, que havia convidado o roteirista para juntos, criarem o roteiro e o projeto visual de "Duna", que seria dirigido por Jodorowsky. No documentário "Duna de Jodorowsky", o cineasta deixa claro que O'Bannon roubou toda suas idéias do projeto e o vendeu como "Alien".

quarta-feira, 11 de março de 2020

Luta por justiça

"Just mercy", de Destin Daniel Cretton (2020) O cineasta hawaiano ficou mundialmente conhecido no circuito do cinema independente ao lançar o drama "Short term 12", responsável por lançar a atriz Brie Larson ao estrelato. Seu filme falava sobre sistema carcerário e a injustiça dada aos presos. Destin Daniel Cretton agora retorna ao tema, co-escrevendo o roteiro de "Luta por justiça", baseada em uma história real acontecida no estado do Alabama entre o final dos anos 80 e o ano de 1993: um homem negro, Walter McMillian (Jamie Foxx) é acusado de ter assassinado uma jovem branca. Há anos no corredor da morte, ele espera por julgamento que provavelmente o levará à cadeira elétrica. Bryan Stevenson ( Michael B Jordan), advogado formado em Harvard, negro, resolve se mudar para o Alabama para defender condenados à morte e que não têm como se defender. Bryan se apega ao caso de Walter e tenta provar a sua inocência, mas precisa lutar contra o racismo de uma comunidade que julga o negro e o pobre sem considerar provas que os incriminem. Brie Larson volta a filmar com o diretor Detsin Daniel, dessa vez em um papel menor, a da advogada Eva Ansley. O filme é correto, com excelentes performances de todo o elenco. Tem o inevitável embate maniqueísta entre o advogado de bom coração e o advogado de acusação apresentado como um verdadeiro vilão. O filme também e bastante longo, com 137 minutos, e em determinando momento, dá uma canseira. Mas pelo conteúdo humanista e pelo trabalho do elenco, vale assistir ao filme e entender que mesmo nos dias de hoje, os Estados Unidos continuam a se basear em seu passado racista para comandar a sua sociedade separatista.

terça-feira, 10 de março de 2020

O grito

"The grudge", de Nicolas Pesce (2020) Reboot da famosa série de terror japonesa iniciada em 2004 e que teve uma versão americana dirigida pelo mesmo cineasta japonês do filme original, "O Grito"agora vem com um diretor totalmente novo, Nicolas Pesce, que também escreveu o roteiro. Nicolas dirigiu o excelente filme de terror independente "Os olhos de minha mãe", em 2016, e em 2018, dirigiu o estranho "Piercing". em seus filmes, Nicolas mostrava uma predileção pelo sinistro e pelo mórbido. No entanto, em "O grito", infelizmente o diretor "segurou" um pouco o seu olhar mais autoral sobre o gênero terror e preferiu seguir a cartilha dos sustos fáceis e previsíveis. Samara, a fantasma cabeluda, agora vem na pele e osso de outros personagens, mais precisamente, de um casal e sua filha pequena, que morreram por conta da maldição da casa assombrada. Todos os que vão morar na casa, e consequentemente, quem cruza o caminho dos amaldiçoados, irão sofrer nas mãos dos possuídos pela Samara. O roteiro do filme é bastante confuso no seu vai e vem temporal. Nicolas conta pelo menos umas 5 histórias paralelas, que acontecem em épocas distintas, apenas para fazer um cruzamento entre todos os personagens. O destino de todos é o mesmo: serem amaldiçoados e mortos pelos fantasmas da família que habitou em uma casa mal assombrada. No elenco, alguns nomes famosos: o mexicano Damien Bichir, a australiana Jackie Weaver, o chinês John Choo...mas não são o suficiente para segurar toda a atenção do espectador. Nesse mundo de previsibilidade de Samara e seu som gutural, fica apenas o desejo de que esse reboot fosse original e surpreendente. Infelizmente, tudo é bastante batido, inclusive a famosa cena dos filmes originais e é copiada, que é a da mão de Samara surgindo no couro cabeludo de um personagem que toma banho.

segunda-feira, 9 de março de 2020

Thank you

"Thank you", de Noel Alejandro (2016) Dirigido e escrito pelo Cineasta espanhol Noel Alejandro, que reside em Barcelona e Berlin, "Thank you" é um filme ensaio repleto de erotismo e sexo explícito, protagonizada por 2 atores que não são do mercado de filmes adultos. Noel Alejandro já dirigiu dezenas de filmes, cultuados por toda a Europa. Noel costuma dizer que os seus filmes diferem dos pornográficos porquê possuem atores de verdade interpretando os personagens, e também a preocupação com a parte técnica a artística. Vince e Damien Mauro são dois artistas que trabalham como atores, modelos e performáticos. Eles protagonizam esse filme, rodado em Berlin, onde 2 homens se conhecem e vão parar no apartamento de um deles. Durante uma conversa informal onde ambos falam de seus trabalhos e mostram um portfolio com fotos artísticas, o prazer fala mais alto e os dois acabam fazendo sexo. Após a transa, fica a dúvida: o quanto esse encontro foi significativo para os dois?

O jurado 8

"Bae-sim-won", de Hong Seung-wan (2019) Excelente drama sul coreano, baseado em história real. "O jurado 8" narra a histórica sentença do dia 21 de setembro de 2008 em Seul: pela 1a vez na história, um juri formado por populares irá ajudar o Juiz a decidir a sentença de um condenado. Um homem é acusado de ter premeditado e assassinado sua mãe, golpeando-a na cabeça com um martelo e jogando-a do alto de um prédio. 8 jurados precisam avaliar o caso, que pela Juíza, o veredito é de acusado. Maas um dos jurados, o de No 8, acredita na inocência do acusado, provocando uma reviravolta no caso. Declaradamente inspirado na obra-prima de Sidney Lumet, "12 homens e uma sentença", o filme escrito e dirigido por Hong Seung-wan mistura drama, suspense e comédia para contar uma trama repleta de reviravoltas, construída com muita precisão pelos detalhas do roteiro e pelo preciosismo do elenco. Os plot twists são muitos, deixando o espectador atento a cada cena. Os personagens são bastante carismáticos. Um filme excelente para quem curte filme de tribunal e para quem quiser acompanhar uma linda homenagem ao filme de Lumet.

domingo, 8 de março de 2020

Guns Akimbo

"Guns Akimbo", de Jason Lei Howden (2019) Escrito e dirigido por Jason Lei Howden, "Guns Akimbo" é uma insana e frenética aventura de ação que mistura video-games, Guy Ritchie e muita porradaria e efeitos, protagonizado por um Daniel Radcliffe enlouquecido e psicótico. Em um futuro incerto, a sociedade está viciada em um jogo online, Skizm, onde os participantes são assassinos e psicopatas, que lutam até a morte. Miles (Daniel Radcliffe) é programador em uma empresa de videogames, que constantemente sofre bullying de seu chefe. Solitário, Miles tem uma namorada, Nova, que não lhe dá muita bola. Miles nas horas vagas costuma entrar em forum de games e ficar sacaneando os comentários. Ao detonar o forum do jogo Skizm, Miles sofre as consequências de seus atos: o dono do jogo manda alguns participantes em seu apartamento e o dopam. Quando Miles acorda, percebe que soldaram armas em suas mãos. Desesperado, Miles tenta pedir ajuda, mas ele só consegue o efeito contrário: polícia e bandidos o perseguem. Mais: o dono do Skizm envia uma assassina, Nix ( Samara Weaving) para matá-lo. Frenético do início ao fim, "Guns Akimbo"fará a alegria dos geeks e nerds, com toda sua adrenalina e ação ininterrupta em um roteiro descerebrado. Para o restante dos mortais, vale assistir até certo ponto, pois logo a brincadeira toda cansa e vira uma encheção de linguiça sem fim, uma repetição de tiros e porradaria até um final previsível. Os efeitos são bacanas nesse co-produção Inglaterra/ova Zelândia e Alemanha, mas o excesso de humor negro e de sangue fake tira um pouco do prazer fetichista de se assistir a um filme violento. Daniel Radcliffe tenta a cada filme se distanciar mais e mais de Harry Potter em filmes estranhos, mas lhe falta um personagem memorável como a do bruxinho.

Apenas mais um beijo

"Just one more kiss", de Faleena Hopkins (2019) Drama romântico sobrenatural escrito, dirigido, produzido e protagonizado pela atriz Faleena Hopkins que aqui estréia como diretora. Vencedor de prêmios em Festivais, o filme se inspira em "Ghost" e "Ghost story" para contar uma história de amor entre Abigail (Faleena Hopkins) e Max (Patrick Zeller). Ao comemorarem com amigos e parentes os 10 anos de casamento, o casal e encontra no auge de sua paixão. Mas na mesma noite, ao levar um amigo alcoólatra para casa, Max sofre um acidente de carro e morre. Abigail entra em uma depressão profunda e não consegue seguir seus dias sem Max ao seu lado. Ao visitar a casa de campo do casal, Abigail acaba se reconectando com o espírito de Max. Mas eles não conseguem se tocar, apesar de se verem. Max pede para Abigail seguir sua vida, conhecer outra pessoa e perdoar o amigo que provocou o acidente. Filmado com baixo orçamento, o filme é uma produção decente mas que evidentemente precisaria de mais recursos financeiros para dar mais credibilidade aos efeitos especiais. Mesmo assim, é um filme correto, com um excesso de melodrama, mas para os apaixonados, é uma bela pedida. Ponto para a atriz Faleena Hopkins, que se arriscou a lançar um filme como protagonista e não faz feio.

sábado, 7 de março de 2020

A senhora com o cão

"La dame au chien", de Damien Manivel (2010) Premiado em Clermont Ferrand e exibido em Rotterdan, "A senhora com o cão" é um filme inusitado. O filme parte de uma premissa simples, ingênua e minimalista e vai se tornando um caldeirão sexual, repleto de insinuação erótica, em um dia quente de Paris. Um adolescente (Rémi Taffanel ) encontra um cachorro pedido na piscina do clube. Ao descobrir o endereço da dona do cachorro, ele resolve devolvê-lo. Ao chegar no endereço, ele encontra uma senhora de terceira idade (Elsa Wolliaston), que o convida para omar uma dose de rum. Entre um papo e outro informal, a mulher vai insistindo para que o rapaz tome toda a garrafa. Até que o convida para o seu quarto. Bem dirigido, o filme deixa em aberto várias camadas dramatúrgicas: o que a senhora realmente queria? conforto sexual de um belo jovem? alguém para conversar e aliviar sua solidão? agradecer o retorno d cachorro? COmo em um filme de Eric Rohmer, o filme apresenta de forma naturalista a sua trama, deixando em aberto a possibilidade de um desfecho para a sua história. Um filme belo, com uma tensão sexual interessante.

A última loucura de Mel Brooks

"Silent movie", de Mel Brooks (1976) Uma das mais devastadoras e divertidas comédias malucas do Mestre Mel Brooks, "A última loucura de Mel Brooks"( no original, "Silent movie", é uma homenagem de Brooks ao próprio Cinema e ao Cinema mudo. O filme é totalmente sem diálogos, apenas com cartelas e trilha sonora, uma paródia repleta de gags e uma centena de piadas infames e debochadas. Algumas delas se tornaram clássicas, como a da mesa dos executivos que se levanta sozinha após verem um poster da vedete Vilma Kaplan, ou a cena do banho de Burt Reynolds semi nú e várias mãos o ensaboando, ou a da máquina de Coca-cola. O filme é hilário e seu ritmo de mantém do início ao fim, sem jamais perder o fôlego. Em Los Angeles, Hollywood, Mel Funn ( Mel Brooks) se entregou à bebida, e por conta disso, perdeu seu posto de cineasta de sucesso. Junto de seus dois inseparáveis amigos, Marty Eggs (Marty Feldman) e Dom Bell, Mel tenta retornar à direção de filmes. Ele oferece ao produtor de cinema Studio Chief (Sid Caesar) um projeto avassalador: o retorno do cinema mudo~O produtor acha que Mel enlouqueceu e o bota pra correr. Diante da insistência de Mel que o filme será um sucesso, o produtor topa somente com uma condição: que Mel convide os maiores astros de Hollywood para estarem no elenco. Mel vai atrás então de James Caan, Burt Reynolds, Paul Newman, Liza Minelli, Marcel Marceau e Anne Bancroft para convencê-los a estarem no projeto. Para quem não assistiu ao filme, é obrigatório assistir. É uma verdadeira aula de humor, repleto de piadas antológicas e com um elenco All Star de comediantes, dos melhores que já surgiram no cinema. Bernadette Petters faz um papel divertidíssimo, que poderia perfeitamente ter sido feito por Madeleine Kahn, outra estrela dos filmes de Brooks.

sexta-feira, 6 de março de 2020

O jovem Ahmed

"Le jeune Ahmed", de Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne (2019) O lançamento de um filme novo dos irmãos Dardenne é sempre motivo de aplausos. Os mais famosos cineastas da Bélgica já ganharam diversas Palmas de Ouro em Cannes, sendo 2 por melhor filme, além de roteiro e prêmios do Juri. Com "O jovem Ahmed", eles receberam a Palma de Ouro de melhor direção em 2019, um prêmio merecido pela eficiente e tensa construção de um assassinato premeditado. O protagonista é Ahmed, um menino de 13 anos, interpretado com brilho por Idir Ben Addi. Seu pai abandonou a família. Ele mora com sua mãe, sua irmã e seu irmão mais novo. Sem uma presença masculina forte, Ahmed quer assumir o lugar de homem da família. Cooptado pelo islamismo, Ahmed se torna um muçulmano fervoroso, abraçado por um Ímã que ele enxerga como uma figura paterna. Ahmed maltrata sua mãe e sua irmã, a quem julga uma vadia. Quando Ahmed discute com sua professora, a quem se recusa a apertar a mão, Ahmed toma uma decisão: assassinar a professora. Recriminado pelo Ímã que diz que Ahmed entendeu errado seus ensinamentos e os preceitos do Alcorão, Ahmed acaba preso em uma casa juvenil para jovens delinquentes. Mas seus planos de matar a professora continuam. Sempre fui um defensor dos filmes dos Dardenne, de quem sou grande fã. Esse não é o melhor trabalho deles ( considero "A criança" a grande obra-prima) mas ainda assim é um filme obrigatório. Os mesmas temas humanistas, focados no protagonista vítima da sociedade continuam. Os Dsrdenne nunca punem seus personagens, e sim, tentam identificar de que forma eles chegarem a um ponto onde nada mais parece funcionar. Os atores em registro naturalista brilham nessa linguagem documental, de onde saíram os cineastas. Um filme tenso, que faz refletir sobre o papel da sociedade, das religiões e de como as novas gerações são seduzidas por falsos profetas que deturpam tudo aquilo que lêem e pregam em nome de Deus.

Jovens polacas

"Jovens polacas", de Alex Levy-Helle (2019) Livre adaptação do livro da historiadora Esther Largman, com título homônimo, "Jovens polacas" é um filme que mistura linguagem e estética para contar a trágica história de "escravas brancas" judias, mulheres que vinham de países do Leste Europeu no início do Século XX com a promessa de vida nova no Brasil e Argentina e chegando aqui, se viram obrigadas a se prostituir. A própria comunidade judaica vê esse momento da história com desdém, querendo apagar da história. Cabe ao jornalista Ricardo (Emilio Orciollo Netto) resgatar a história esquecida dessas tristes mulheres enganadas e violentadas do seu lar por homens broncos que as obrigavam a se prostituir e ainda roubavam seu dinheiro. Ricardo vai para um asilo de idosos israelitas, onde trava uma cena impagável com a atriz Berta Loran. Ela indica Mira (Jacqueline Laurence) para dar depoimento. Mira evita de dar depoimento, pois não quer remoer seu passado. Mas aos poucos resolve trazer `atona histórias de sua mãe e de suas "tias", e de como ela conseguiu escapar de se tornar uma prostituta, graças à sua mãe. O filme visivelmente é um produto de baixo orçamento: enquadramentos fechados nos ambientes, pouco elenco e figuração. A direção de arte e figurinos faz milagre para retratar as várias épocas apresentadas na história. Para fugir ao conceito de filme esteticamente pobre, o cineasta Alex e seu fotógrafo recorreram a recursos estilísticos que disfarçam o orçamento: desfoque, planos estilizados, filtros, uma atmosfera onírica e que muitas vezes remete à pinturas. Funciona, e o filme é bonito. A trilha sonora intensifica o drama das mulheres, e o desfecho, no cemitério israelita, é emocionante. O filme ainda consegue espaço para introduzir uma personagem, a namorada do jornalista Ricardo, que chega em cena para fazer um discurso sobre o papel das mulheres em vários momentos históricos e a importância do engajamento da nova geração que não deve se deixar subjulgar pelo machismo e pela sociedade conservadora.

37 segundos

"37 sekanzu", de Hikari (2019) Vencedor de inúmeros prêmios em Festivais internacionais, incluindo Melhor filme da mostra Panorama em Berlin 2019, Melhor filme em Palm Spring e Melhor filme no Festival de Roma, "37 segundos" é um filme angustiante, daqueles de cortar o coração. A roteirista e cineasta japonesa Hikari conta um emocionante drama intimista de uma jovem artista, Yuma (Mei Kayama), portadora de paralisia cerebral e que se tornou cadeirante ao nascer, pois ela demorou a respirar durante o parto e isso provocou a sua paralisia. A atriz Mei Kayama é também portadora de paralisia cerebral, assim como sua personagem. Yuma mora com sua mãe super-protetora: mesmo sendo maior de idade, a mãe de Yuma a trata como se fosse criança. A prima de Yuma se apropria dos mangás desenhados por Yuma e os vende, fazendo grande sucesso. Explorada de todas as formas, Yuma decide por conta própria vender alguns de seus mangás para uma editora. Para sua surpresa, a editora pede que Yuma reforce o realismo das cenas de sexo. Ao indagar Yuma se ela já transou, e diante de sua negativa, a editora pede para que ela perca a virgindade para poder entender a sensação real. A partir da;i, Yuma se joga numa jornada sem freios para buscar um parceiro que a faça perder sua virgindade. Alternando momentos de grande angústia com outros que o qualificam como um "feel good movie", "37 segundos"tem uma linda fotografia e uma direção extraordinária de Hikari que impede que o filme se torne um melodrama. A performance da jovem Mei Kayama, com seu sorriso carismático e sua doice voz, conquista a todos. É impossível não se apaixonar e torcer pela trajetória dessa heroína incomum. A cena onde ela contrata um garoto de programa é antológica e um primor de direção. O Desfecho é surpreendente, rodado na Tailândia. O filme tem um tom de conto de fadas apaixonado pela sua protagonista.

quinta-feira, 5 de março de 2020

Viver duas vezes

"Vivir dos veces", de Maria Ripoll (2020) Dramédia espanhola escrita e dirigida por mulheres, "Viver duas vezes" tem como tema principal o Alzheimer e de como a doença do protagonista reaproxima toda a sua família. Emilio (Oscar Martínez, ator argentino de "O cidadão ilustre" e "Reatos selvagens") é um professor de matemática aposentado. Viúvo, ele guarda em suas memórias uma paixão de sua adolescência, Margarida, uma estudante de letras. Junto de sua neta, a pequena Blanca ( Mafalda Carbonell, ótima), eles tentam ir em busca de Margarida, antes que a memória de Emilio se perca por completo. Mas a filha de Emilio, a representante comercial Julia (Inma Cuesta, maravilhosa) é contra a idéia do pai ir atrás de uma mulher que rivalize com a memória de sua falecida mãe. Buscando uma fórmula previsível, mas ainda assim comovente e divertida, "Viver duas vezes" funciona muito por conta do excelente trabalho de todo o elenco. Oscar Martinez é um ator esplendido que aqui, comove na interpretação do apaixonado professor de matemática e que aos poucos, vai perdendo a memória. Oscar repete um pouco aquela ranzinzice de seu personagem de 'O cidadão ilustre", que é divertido demais. Para quem busca um melodrama para talvez, chorar no final, o filme é uma boa pedida.

quarta-feira, 4 de março de 2020

O Príncipe

"El Príncipe", de Sebastián Muñoz (2019) Drama LGBTQI+ chileno, Vencedor do prêmio de melhor filme na Mostra gay de Veneza 2019, tendo concorrido também em outros Festivais importantes, como San Sebastian. Repleto de cenas de sexo explícito. o filme é ambientado no início dos anos 70 durante a ditadura de Pinochet. Jaime, um rapaz de 20 anos, é preso após matar por ciúmes seu melhor amigo em um bar. Na prisão, Jaime sofre abusos sexuais dos outros presos, até ser "adotado" pelo gangster Potro, um homem mais velho que assegura proteçãp para Jaime em troca de namoro. Jaime logo recebe o apelido de "O Príncipe". Para quem já assistiu a outros dramas penitenciários, "O Príncipe"não irá trazer nenhuma novidade. Lembra muito "Barrela", de Plínio Marcos. É sórdido, sujo, remete ao cinema de Fassbinder, com um elenco repleto de jovens nús e fazendo sexo com homens mais velhos. Para quem gosta de filmes pérfidos e fetichistas, é um prato cheio.

O homem invisível

"The invisible man", de Leigh Whannell (2020) Em 2004, foi lançado o cult "Jogos mortais". O filme, um clássico do cinema de terror, lançou 2 grandes nomes para o cinema blockbuster de Hollywood: o seu então jovem diretor, James Wan, que depois veio a se tornar um dos cineastas mais influentes nos gêneros terror e ação. e o seu ator protagonista. Leigh Whannell, que interpretou um dos 2 presos da cela de Jigsaw. Passados quase 16 anos, o nome de Leigh Whannell agora vem atrás das câmeras: como roteirista e diretor de "O homem invisível", que periga se tornar um outro cult do moderno cinema de terror. Leigh Whannell atualizou o livro de H G Wells e o transformou num drama sobre ciúme e obsessão, sobre relacionamento tóxico e abusivo contra as mulheres, Elisabeth Moss interpreta Cecilia, casada com Adrian, um famoso cientista. Cecilia não suporta mais a forma como seu marido a trata e foge, indo se esconder na casa do ex-marido de sua irmã Emily, o policial James. Mesmo longe do marido, Cecilia se sente ameaçada, até que vem a notícia: Adrian se suicidou. Mas Cecilia não acredita nessa versão e tenta provar que o marido está vivo e que quer ir atrás dela. Todos os que cercam Cecilia acreditam que ela está ficando louca e não acreditam nela. O filme trata de temas contemporâneos que fazem parte da pauta feminista: gaslighting, mansplanning. Personagens masculinos que desmerecem as mulheres, dizendo que estão ficando loucas ou vendo coisas que não existem. Para lidar com um personagem tão rico e complexo, era necessário uma atriz versátil e repleta de dramaticidade. Elisabeth Moss acerta em cheio. O seu olhar perplexo combina muito com a personagem de Cecilia. As cenas de ação são bem construídas, e em vários momentos, o filme trabalha muito bem com o silêncio e com o movimentos de câmera para construir a atmosfera de terror.

Retablo

"Retablo", de Alvaro Delgado Aparicio (2019) Indicado pelo Peru a uma vaga ao Oscar de filme internacional em 2020, "Retablo" ganhou dezenas de prêmios em importantes Festivais, como Berlin, de onde saiu com os prêmios de melhor filme das mostras Geração e da mostra Teddy, dedicada a filmes com temática LGBTQI+. Em Havana venceu o prêmio de melhor filme. Longa de estréia de Alvaro Delgado Aparicio, que também co-escreveu o roteiro, "Retablo" é um drama melancólico e cruel sobre pessoas intolerantes e as que tentam sobreviver a esse mundo machista e conservador. Segundo (Junior Bejar, excelente) é filho único de Noé (Amiel Cayo_ e de Anatolia (Magaly Solier). A família mora em um pequeno vilarejo nas montanhas do Peru. A família e feliz e e contenta com pouco: o pai é um famoso artesão que fabrica os retábulos, espécie de oratórios feitos de madeira e com imagens de pessoas esculpidas também em madeira. Um trabalho delicado realizado com muito carinho por noé e ajudado por Segundo, que se orgulha do pai e o acompanha em todos os lugares, desde a fabricação dos mesmos até a venda. Anatolia é dona de casa e tem problemas com uma das pernas. Um dia, Noé e Segundo pegam carona para fazer uma entrega na cidade. Segundo adormece. Quando acorda, testemunha o pai fazendo sexo com o motorista. A partir desse momento, o ideal de pai que Segundo tinha de Noé se desmorona: ele agora quer ir embora e não quer mais ajudar o pai. Dirigido com muita delicadeza e bastante tranquilidade por Alvaro Delgado, o filme tem lindos enquadramentos que parecem pintura. O filme tem performances naturalistas de seu elenco, e somente no trecho final ele vai para um segmento mais melodramático. É um retrato bastante aterrorizante de pessoas que vivem uma vida de mentira. Noé é um artista e como tal, precisou sobreviver vivendo uma vida que não era a sua. Essa metáfora da delicadeza do artista e também da intolerância contra os homossexuais é retratada com tintas fortes por Alvaro.

terça-feira, 3 de março de 2020

Até que enfim é sexta-feira

"Thanks God it's friday", de Robert Klane (1978) Depois do grande sucesso mundial de "Os embalos de sábado à noite", em 1977, foi encomendado um filme que tivesse a Discoteca como cenário. Um ano depois, foi lançado à toque de caixa "Até que enfim é sexta feira", um clássico da Disco Movie que marcou época por ter ganho o Oscar e Globo de Ouro pela melhor canção, "Let's dance", cantada no filme por Donna Summer, em sua única participação como atriz, no papel de uma aspirante à cantora, Nicole. O filme também ficou conhecido por ter lançado Debra Winger e Jeff Goldblum, no papel do dono da Disco THE ZOO. O filme, grosso modo falando, é ma versão Disco de "O Baile", de Ettore Scola: tudo acontece na pista de dança, durante uma noite onde haverá um concurso de dança que premiará a melhor dupla. A famosa banda THE COMODDORES canta no final e enterga o prêmio. O roteiro é fraquíssimo, e apresenta uma dezena de personagens que frequentam o ambiente, nos tipos mais clichês possíveis: tem as adolescentes que querem entrar de qualquer jeito, tem o casal careta que quer ver qual é, tem gente que vai lá se liberar de sua vida sem brilho. Visto nos dias de hoje, relançado em Blu Ray, é importante notar a importância histórica do filme, um registro fiel dos dias intensos da Disco Music, com uma trilha sonora lançada em 3 vinis. Uma pena que o roteiro seja ruim. Vale assistir então para matar as saudades da época e para quem não viveu, se divertir com a ingenuidade dos frequentadores, e ouvir as deliciosas músicas que bombavam nas pistas. Não precisa nem dizer que o ápice do filme é Donna Summer, belíssima cantando "Let's dance" e o povo todo botando pra quebrar.

Norma Rae

"Norma Rae", de Martin Ritt (1976) Um dos mais importantes filmes americanos dos anos 70, ouso compará-lo ao primoroso filme brasileiro "Eles não usam Black tie", de Leon Hirzman. Guardadas as devidas proporções culturais e orçamentárias, ambos os filmes falam sobre a luta de famílias proletárias, exploradas ao máximo pelos empregadores e que decidem se unir ao Sindicato, sofrendo represálias. Baseada livremente na história de Crystal Lee Sutton, nascida no Alabama. Norma Rae (Sally Field) é uma mulher solteira de 31 anos. Ela tem 2 filhos pequenos, filhos de outros relacionamentos. Seus pais, já idosos, trabalham na mesma fábrica têxtil que Norma. A fábrica emprega boa parte da população. Quando a mãe de Norma passa mal no trabalho, Norma procura assistência médica, inexistente. Ao pedir ao empregador um descanso para a mãe, ele recusa. Norma flerta com um homem casado e é constantemente criticada pelo pai por se relacionar com homens errados. Norma parra então a namorar com Sonny (Beau Bridges), um funcionário da fábrica viúvo, pai de uma menina e 100% correto. Um dia, Reuben (Ron Leibman), um homem vindo de Nova York, surge na fábrica e deseja aplicar ali um sindicato. Os empregadores o enxotam, mas Reuben procura seduzir os empregados para se juntarem ao Sindicato e lutarem pelos seus direitos trabalhistas, explorados com excesso de horas de trabalho, salário baixo e sem assistência médica. Reuben encontra a resistência dos funcionários, com medo de perderem o emprego. Percebe também que a região é bastante racista e que os negros e brancos não se dão bem. Norma aos poucos se deixa levar pelos ideais revolucionários do Sindicato e de Reuben, mesmo que Sonny e seus pais sejam contra a participação dela no movimento. O filme é dirigido com extrema competência por Martin Ritt, que lhe dá um enfoque documental, com câmera na mão e muito naturalismo nas interpretações. O roteiro de Irving Ravetch e Harriet Frank Jr é um primor. Os diálogos são crus, impactantes. Muitas cenas são antológicas: quando Norma explica aos filhos a noite em que ela passou na prisão é de doer o coração. E claro, a famosa e icônica cena de Norma parando a fábrica e conseguindo a adesão dos funcionários. É uma maravilhosa cena de Direção e de edição de som: a fabrica, barulhenta, vai ficando silenciosa a cada máquina que vai parando. Esse é daqueles filmes que deveriam ser obrigatórios em escola de comunicação, e promover discussão com os alunos. Sally Field foi uma escolha mais do que acertada: no mesmo ano, ela arrebatou todos os principais prêmios de melhor atriz: levou a Palma de Ouro, o Oscar, Globo de Ouro. Até então, ninguém lhe dava valor como atriz séria, só tendo feito trabalhos cômicos e doces, como a série "A noviça voadora". Goi graças ao filme que sua carreira deu uma guinada extraordinária, tendo ganho seu 2o Oscar em 1984, com "Uma voz no coração". Li numa nota que Burt Reynolds, com quem ela era casada, foi contra ela ter feito o filme. Após o filme, ela se separou dele.

Dinamarca

"Denmark, de Adrian Shergold (2019) Ótima comédia dramática inglesa, protagonizada por Ralf Spall, filho do ator Timothy Spall, habitueé dos filmes de Mike Leigh. Herb é um típico loser: morador da periferia de Londres, sua casa não tem água, seus vizinhos vivem fazendo barulho. Órfão de pai, sua mãe não lhe dá a mínima pois o acha um fracassado. Sua esposa o abandonou, seu filho não fala com ele. Sem emprego e vivendo de trocadinhos, Herb um dia assiste a um programa de tv que apresenta um documentário sobre as prisões na Dinamarca: consideradas as mais luxuosas do mundo, os presos têm direito a cela individual com chuveiro de água quente, tv, janelas, comida e trabalho moderado. Sem pensar duas vezes, Ralf resolve abandonar tudo, seguir até a Dinamarca e cometer um crime para poder ser preso. Mas ao chegar lá, ele percebe que as coisas não são exatamente como ele pensava. Ralf Spall é bastante carismático e é impossível não se apaixonar pelo seu personagem tão fora do eixo. A gente torce para que coisas boas surjam no sue caminho, mas a verdade é que ele cada vez se afunda mais. Mathilda ( Simone Lykke, ótima) é uma viúva que surge no caminho de Herb. Mas ela, assim como ele, também é depressiva. O roteiro é inteligente, cm bons diálogos. A direção de Adrian Shergold evita o melodrama possível. alternando drama, comédia de humor negro e muita atmosfera de "feel good movie", é um filme que encanta pelas suas qualidades, que são muitas.

segunda-feira, 2 de março de 2020

Le Jaguar

"Le Jaguar", de Francis Veber (1996) Um pajé brasileiro circulando pelas ruas de Paris? Um espírito em forma de um jaguar? Franceses interagindo com indígenas na Amazônia? Gangsters? Brasileiros falando em espanhol? Sim, os anos 80 e 90 foram bem produtivos para as co-produções estrangeiras no Brasil, principalmente as italianas e francesas. Hoje em dia, os filmes divertem até mais do que na época do lançamento. Muito, por conta do elenco, na época ainda desconhecidos, mas hoje em dia, grandes astros, como Jean Reno e Patrick Bruel. O roteiro e a narrativa envolvem misticismo xamãnico, espíritos do mal, muita sensualidade das índias brasileiras, vilões mais atrapalhados do que pessoas ruins, que só sabem fazer cara feia. Na equipe técnica é possível ver grandes profissionais do cinema brasileiro e que na época deram um duro danado para colocar esse filme meio sem pé nem cabeça na ativa. Não deve ter sido fácil rodar o longa na floresta amazônica, com a fraca infra estrutura do momento. O esforço e valor de produção é bem visível, e por isso, o filme vale ser visto. As cenas com a grande oca e centenas de figurantes é de grande impacto. Jean Reno interpreta um pesquisador da cultura amazônica que traz o Pajé Wanú ( o ator indígena americano Harrison Lowe, interpretando um brasileiro) para Paris para fazer uma palestra sobre meio ambiente e proposta para salvar a floresta amazônica. No hotel, Wanú cruza seu caminho com François ( Patrick Bruel), um malandro cheio de dívida contraída no jogo. Wanú observa François e está certo de que ele é o Escolhido para salvara Floresta amazônica do espírito do mal. François não acredita. Quando Wanú passa mal e entra em coma, Jean convence Françõis de ir com ele para a Amazônia e tentar salvar Wanú da morte. Ao chegarem na Amazônia, François descobre que os gangsters enviaram capangas para cobrar suas dívidas. O roteirista e cineasta francês Francis Veber é famoso pelas suas comédias francesas de grande sucesso, como "O closet" e o roteiro de "A gaiola das loucas". Mas em "Le Jaguar", Francis colocou tudo o que há de mais exótico e absurdo em um filme globalizado: o filme não é uma comédia, apesar de alguns momentos que divertem mais pela tosquice ( por ex, as cenas do hospital com o Pajé e a equipe médica). O filme vale pela curiosidade de se conhecer um pouco do passado do cinema brasileiro e as co-produções que mantiveram boa parte da indústria funcionando nas décadas anteriores.

Sinal verde

"Greenlight", de Graham Denman (2019) Existem 2 filmes nesse premiado drama de suspense "Sinal verde": um, o melhor, conta a história de Jack (Chase Williamson), um assistente de produção que sonha em dirigir um longa-metragem. ele já dirigiu curtas, video clps, séries para tv, mas não sabe mais como fazer para ser convidado a dirigir um primeiro filme. Nesse universo, o filme retrata com fidelidade os bastidores do cinema e os jargões usados pelos profissionais do meio. O 2o filme, é um suspense bem vagabundo, que adoraria ter sido algo tipo irmãos Coen, mas se torna uma trama de vingança envolvendo atrizes e produtores de cinema. Jack consegue realizar o seu primeiro filme graças ao produtor de filmes B Moseby, que vê no rapaz um profissional que fará de tudo para dirigir o seu primeiro filme..até mesmo matar alguém para isso. Bons atores, mas um ar de filme trash dos anos 80, com ambientação cafona e um set de filmagem pior que qualquer produção de baixo orçamento. O desfecho da trama é de uma pobreza enorme. Mas como disse anteriormente, se você estiver em busca de um filme que mostre os bastidores do cinema e os anseios de quem quer trabalhar nele, vale assistir ao filme.

domingo, 1 de março de 2020

Caverna

"Cave", de Henrik Martin Dahlsbakken (2016) "Caverna" é um suspense norueguês muito bem executado e filmado, mesclando ação e adrenalina. Três amigos resolvem passar um dia mergulhando em uma caverna afastada nas montanhas geladas da Noruega. Adrian e Viktor são 2 militares de elite. Adrian namora Charlie, que já foi namorada de Viktor. Adrian e Charlie recebem um convite de Viktor para passar um dia com ele nas cavernas subterrâneas afastadas do centro. Adrian cisma que Viktor convidou os dois para poder se reaproximar de Charlie. A crise de ciúmes irá provocar um forte clima de tensão entre os amigos, até que eles ficam presos na caverna e procuram encontrar uma saída do local. É bem óbvio o desenrolar da trama, e o roteirista e diretor Henrik Martin Dahlsbakken nem tenta esconder ou criar algo novo na narrativa. O que interessa aqui é a atmosfera de claustrofobia que cerca essa produção. Com ótimas cenas de ação dentro de ambientes complexos (cavernas, lago submarino), o filme prende a atenção do espectador. O filme tem bastante suspense e o elenco segura a ond ana boa. O que estraga de verdade o filme é o seu desfecho ridículo, que ainda promete uma continuação, já descrita na cartela final. Lindas locações das montanhas geladas da Noruega, e fico imaginando o quão difícil deve ter sido rodar esse longa diante de tantas situações de risco.

Você está me matando

"You're killing me", de Jim Hansen (2015) Divertida comédia de humor negro LGBTQI+, vencedora de prêmios em festivais de cinema independente. Joe é um serial killer. Seus pais o internaram para que ele deixasse de ser gay, mas o tratamento usado pelo psiquiatra transformou Joe em um assassino. Joe costuma matar os namorados que querem transar com ele. Até que conhece Gerge (Jeffery Self, co-roteirista do filme). George é youtuber e mantém um canal com seu amigo Barnes, interpretando uma dupla de transformistas. Para provar seu amor por George, Joe vai matando um a um aos amigos do namorado. George não acredita nos crimes e acha que Joe está blefando. Os atores do filme são divertidos e levam super na esportiva as loucuras do roteiro, que alterna momentos de um slasher trash, repleto de facadas e sangue toscos, com um humor ingênuo e sem noção. O filme brinca com os clichês dos filmes de serial killer e nem se leva a sério. Dá para rir bastante, inclusive com as bichices dos personagens, interpretados por atores LGBTQI+. O filme faz uma crítica ao mundo dos internautas que buscam sucesso a qualquer preço, e também aos relacionamentos fugazes no ambiente gay.