Aqui comento os filmes que assisto...mas sem muito saco de teorizar demais..somente comentando o básico: se gostei ou não hehehe (Comento apenas filmes vistos a partir de Outubro de 2010)
sexta-feira, 31 de janeiro de 2020
Honeyland- terra do mel
"Honeyland", de Tamara Kotevska e Ljubomir Stefanov (2019)
Primeiro filme a receber dupla indicação ao Oscar, tanto para melhor documentário quanto para Filme Internacional, "Honeyland" é um filme da Macedônia dirigido por 2 documentaristas, Tamara Kotevska e Ljubomir Stefanov.
Incialmente, os dois diretores iriam dirigir um documentário institucional para o Governo, mas ao fazerem visita de locação, se depararam com a figura de Hatidze Muratova, uma das últimas colheitadoras de mel do País. COm cerca de 50 anos de idade e solteira, Hatidze mora com sua mãe doente, Nazife, que tem 85 anos e que depende 100% dos cuidados da filha.
Imediatamente os diretores mudaram o tema do documentário, e passaram 3 anos na região da vila de Bekirlija, no Norte da Macedônia, uma região rural afastada da cidade grande.
Hatidze colhe seu mel e totalmente agradecida à natureza, ela recolhe sempre metade do mel, deixando a outra metade para as abelhas, uma antiga tradição dos apicultores. Ela caminha horas para chegar na cidade e vender seu mel em pequenos potes, por cerca de 10 euros cada. Um dia, uma família turca, composta pelo casal, 7 filhos e animais, aporta do lado da casa de Hatidze, Eles também são apicultores, e diferente de Hatidze, o pai recolhe todo o mel, não deixando nada para a natureza. Hatidze fica amiga das crianças, canta e se diverte com elas, mas recrimina a atitude do pai da família por não respeitar a tradição e deixar metade para as abelhas.
Um lindo filme com fotografia exuberante, intensificando a intensa e sofrida epopéia de Hatidze para subir montanhas íngrimes, caminhar até a cidade e em seus poucos momentos de lazer, como comprar tintura para cabelo ou tomar um copo de cerveja.
O filme parece uma fábula moral: respeite a natureza e ela te protegerá, e também, uma crítica à cobiça de pessoas que não esperam o momento certo de colher seus frutos. Nessa metáfora, ganha o espectador, com um filme protagonizado por uma mulher forte, trabalhadora, educadora e amante da natureza e dos bons hábitos. O filme ganhou dezenas de prêmios internacionais, entre eles, 3 prêmios em Sundance.
Burning cane
"Burning cane", de Phillip Youmans (2019)
que mais me impressiona nesse drama intimista e de baixo orçamento não é nem o filme em si, mas a genialidade do seu jovem diretor. Nascido em New Orleans, o afro-americano Phillip Youmans escreveu o roteiro, dirigiu, produziu, fotografou e editou "Burning cane" aos 17 anos de idade.
Philip foi apadrinhado pelo cineasta e produtor Benh Zeitlini, diretor de "Indomável sonhadora". Benh foi o produtor executivo de “Burning cane”, que foi exibido no Festival de Tribeca 2019 e arrebatou diversos prêmios, entre eles, melhor diretor, fotografia e ator para Wendell Pierce, no papel do reverendo Tillman. Philip também ficou famoso por seu o mais jovem cineasta a competir em Tribeca.
Em Louisiana, Helen (Karen Kaia Livers, excelente), é uma viúva fervorosa à Igreja. Ela tem um filho, Daniel, desempregado, casado e com um filho pequeno. A esposa de Daniel é quem sustenta a casa e o casal vive brigando. Ele a acusa de educar o filho de forma muito liberal, mesmo pensamento compartilhado por sua mãe. Helen, além de ter que cuidar de seu filho, que se tornou alcóolatra e violento, também precisa cuidar do reverendo Tillman, que ficou viúvo e desde então também se tornou alcóolatra. Tillman em seus sermões acusa as mulheres de terem destruído as relações familiares por usarem saias curtas, deixarem os filho fazerem o que bem entenderem.
O filme fala sobre uma América conservadora, guiada por reverendos e pela Igreja, e que esconde por trás de sua aparente linha dura, pessoas que não conseguem administrar as suas próprias vidas, entregues à depressão e ao álcool. A crítica que o filme faz é como que alguém supostamente que deveria cuidar das almas de fiéis que necessitam de ajuda espiritual, mal consegue lidar consigo mesmo.
O filme foi comparado, estilisticamente, ao cinema de Terrence Malick: fotografia poética, enaltecendo a relação do homem e o poder da natureza, narração em off, trilha sonora épica e uma atmosfera etérea. Não gostei muito do filme, achei de um ritmo muito arrastado, mas não posso negar a grande qualidade técnica e artística do projeto, realizado por um adolescente de 17 anos.
quinta-feira, 30 de janeiro de 2020
Creep 2
Creep 2", de Patrick Brice (2017)
Continuação do premiado filme de terror de 2014, "Creep", que fez um enorme sucesso em Festivais e no circuito indie. Ambos os filmes foram realizados com muito pouco dinheiro e apenas 2 atores, em linguagem de câmera found footage.
Aaron (Mark Duplass) é um serial killer que no filme anterior, assassinou o cineasta que fazia um filme sobre ele. Agora, Aaron ( nome que ele roubou da sua vítima do filme anterior) anuncia em um jornal que busca encontros amorosos. Sara (Desiree Akhavan) é uma estudante de cinema que tem um canal onde posta vídeos sobre seus encontros com pessoas que ela encontra online. Logo os caminhos de Aaron e Desireé se encontram. Ela busca reconhecimento na carreira, e vislumbra na figura de Aaron, que se apresenta para ela como um serial killer, a pessoa certa para fazer os vídeos dela bombarem na net.
Cm bastante criatividade, Patrick Brice protagonista e diretor do filme anterior, repete a linguagem que na 1a parte foi muito bem desenvolvida. Afinal, realizar um filme somente com 2 atores e em ambientes claustofóbicos, não é para qualquer um.
quarta-feira, 29 de janeiro de 2020
Por trás dos céus azuis
"Himlen är oskyldigt blå", de Hannes Holm (2010)
Dirigido e escrito pelo cineasta sueco Hannes Holm, "Por trás dos céus azuis"é baseado em uma história real ocorrida em Estocolmo nos anos 70.
Martin (Bill Skarsgård, o palhaço Pennywise de "It") é um pós adolescente que mora com seu pai alcoólatra e abusivo e sua mãe, que sofre nas mãos do pai violento. Cansado de viver nessa casa, Martin resolve trabalhar em uma ilha próxima de Estocolmo. Lá, levado pelo seu melhor amigo, Martin consegue emprego como garçon em m Hotel. Martin ingenuamente ajuda um outro colega de trabalho a roubar cervejas. No dia seguinte, Gosta (Peter Dalle), o dono do hotel, pergunta quem roubou o estoque de cervejas. Diante do silêncio da pessoa que roubou, Martin resolve assumir a culpa para que outros empregados não sofram consequências. Pelo seu ato, Gosta acaba contratando Martin para um negócio escuso: venda de cocaína para os turistas.
O filme começa com uma ousada cena de sexo explícito entre Bill Skasgard e uma jovem atriz. Logo depois, o filme alterna momento de leve comédia com drama denso. Bill carrega o filme totalmente em suas costas, com uma excelente performance, dando vida a um jovem que está totalmente em dúvida sobre que caminhos escolher. É um bom filme, com belas locações e ótimo elenco de apoio.
terça-feira, 28 de janeiro de 2020
Herculanun
"Herculanun", de Arthur Cahn (2016)
"Herculanun" é um sítio arqueológico localizado na província de Nápoles, na Itália. Assim como Pompéia, ali são encontradas esculturas e objetos soterrados pelo vulcão que vitimou milhares de pessoas no ano 79DC.
"Herculanun" é também um drama LGBTQI+, que se apropria da metáfora do vulcão em erupção para falar de um relacionamento que começa com um conflito; dois homens se conhecem em um aplicativo, se amam, se gostam, mas um deles tem um namorado.
Marc (Jérémie Elkaïm) e Léo (o diretor e roteirista Arthur Cahn) se conhecem no aplicativo e marcam um encontro no apartamento de Marc. A química entre ambos é muito nítida: se gostam. No final da transa, Marc confessa a Léo que tem um namorado. Mas isso não impede que eles se vejam outras vezes.
Com uma direção sensível e ótima atuação, "Herculanun" remete a um cult inglês, "Weekend", de Andrew Heigh. Ambas produções de baixo orçamento, calcados em 2 atores e um apartamento, o tempo todo. Um filme nessas condições seria maçante se não tivesse diálogos interessantes. O filme tem uma narrativa bastante naturalista e minimalista. As conversas entre os dois, regadas a sexo, fala sobre amor, solidão, sonhos e desejos de viajar para Herculano para visitar o vulcão.
Um filme simples, mas competente e que entrega um resultado muito melhor que produções mais caras mas com menos verdade.
A grande mentira
"The great liar", de Bill Condon (2019)
Adaptação do beste seller homônimo de Nicholas Searle, "A grande mentira" foi dirigida pelo inglês Bill Condon, que já dirigiu Ian Mackellen no cult "Deuses e monstros". Bill Condon tem uma filmografia bastante eclética, que vai da saga "Crepúsculo", "O relatório Kinsey" e o musical "Dreamgirls".
"A grande mentira", como o título já entrega, nos apresenta uma história e dois protagonistas, Roy (Meckellen) e Betty
(Helen Mirren) que sofrerão um plot twist nos últimos 20 minutos.
Roy e Betty se conhecem através de um site de relacionamentos. Roy e Betty se apresentam como viúvos. Mas logo descobrimos que Roy faz parte de um grupo de estelionatários que assediam pessoas fragilizadas e ricas para investirem seu dinheiro em contas fantasmas.
Para quem assistiu "Os imorais", obra-prima de Stephen Frears, vai entender o tipo de personagens inescrupulosos que habitam em " A grande mentira". Só que aqui, infelizmente, a reviravolta vem em uma trama bem maluca que envolve nazistas e uma vingança arquitetada com maestria. Se você está apenas a fim de um passatempo, protagonizado por 2 astros ingleses, talvez goste. Só não queira exigir muito. Confesso que fiquei bastante entediado boa parte do filme, que oscila entre uma comédia e um drama de época.
segunda-feira, 27 de janeiro de 2020
Espelho de carne
“Espelho de carne”, de Antonio Carlos da Fontoura (1985)
“Quem perde, vira”. Com essa frase, e com uma cena protagonizada por Daniel Filho e Dennis Carvalho, o filme “Espelho de carne” se tornou um clássico do cinema nacional. Lançado em 1985, o filme tem como um de seus maiores méritos, o elenco formado por grandes nomes do cinema e televisão: além de Daniel Filho e Dennis Carvalho, tem as grandes estrelas Joana Fomm, Maria Zilda, Hileana Menezes e Iara Neiva, que faz a empregada em uma das cenas mais divertidas do filme. Em participações especiais, Moacyr Deriquém e Roberto Bataglin.
O filme é uma grande metáfora da classe média conservadora da emergente Barra da Tijuca. Como nos filmes de Bunuel, os personagens sofrem reflexo de elemento sobrenatural, como em “O anjo exterminador”, e fazem seus instintos sexuais e violentos aflorarem, terminando tudo em uma grande bacanal de sensações e prazeres obscuros. Outra referência é a obra-prima de Pasolini, "Teorema", onde um homem misterioso entra em uma casa de uma família classe média e seduz a todos.
Alvaro (Dennis Carvalho) compra um espelho e um leilão. O espelho pertenceu ao Palácio dos prazeres de Madame Solange, um famoso bordel do início do século XX. Ao trazer o espelho para seu apartamento, Alvaro e sua esposa recatada Helena (Hileana Menezes) sofrem os efeitos do poder sobrenatural do espelho: ele faz as pessoas liberarem suas fantasias sexuais, sem repressões. Um casal vizinho, Jairo (Daniel Filho) e Ana (Joana Fomm), e uma outra vizinha divorciada Leila (Maria Zilda) acabam participando de jogos eróticos, promovendo uma intensa libertinagem regada a sexo, drogas e muita loucura sem regras.
A grande importância desse filme, contemporâneo de outro clássico da época, “Rio Babilônia”, de Neville D almeida, é justamente terem sido produzidos durante a ditadura militar. O sexo que explode na tela desses filmes acaba sendo uma afronta contra a censura imposta pelos militares. Aqui, o Diabo em pessoa vira uma presença malígna, mas ao mesmo tempo sedutora, representando a ruptura com os padrões conservadores ligados ao erotismo e à religião.
domingo, 26 de janeiro de 2020
Sonhos alucinantes
"Let's Scare Jessica to Death", de John D. Hancock (1971)
Clássico filme de terror de 1971, "Sonhos alucinantes" é um cult obscuro que infelizmente poucas pessoas conhecem. Realizado com pouco dinheiro mas muita criatividade, o filme inspirou alguns clássicos de terror, principalmente 'Sexta feira 13" e a famosa cena do barco na lagoa.
O filme apresenta Jessica (Zohra Lampert), uma mulher que acabou de sair e uma clínica psiquiátrica, onde ficou internada por um bom tempo para se tratar de uma crise nervosa. Seu marido Duncan e um amigo do casal, Woody, resolvem se mudar para uma cidade pequena para cuidarem de uma fazenda e assim, poderem tratar de Jessica. Ao chegarem lá, eles conhecem Emily, uma mulher misteriosa que estava morando na casa que eles compraram. Jessica convida Emily para morar com eles. Aos poucos, tudo parece ir bem, até que Jessica vai tendo visões de pessoas que vão surgindo somente para ela, e fica panicada achando que está louca novamente, mas evita falar com seu marido pois não quer ser internada.
Com ótimas interpretações de Zohra Lampert e de Mariclare Costello no papel de Emily, o filme é livremente inspirado em Carmilla, a vampira. O filme tem uma ótima atmosfera de pesadelo, com fotografia e trilha sonora favorecendo esse clima obscuro de filme barato de terror, mas bastante tenso. O roteiro vai levando o espectador para caminhos diferentes, e mesmo que muita coisa fique em aberto, não deixa de ser um filme instigante e curioso.
"Sonhos alucinantes" merecia uma refilmagem, pois renderia uma excelente performance para qualquer atriz.
Klaus
"Klaus", de Sergio Pablos (2019)
Essa animação me passou totalmente batida em 2019, quando foi lançada pela Netflix em novembro para a temporada de Natal. Agora, com a sua entrada na lista final dos concorrentes ao Oscar de Longa de animação, resolvi ver o filme que tirou as vagas de 2 peso-pesados, "O Rei Leão" e "Frozen 2" do páreo.
"Klaus" e uma versão alternativa para o surgimento da lenda do Papai Noel. Foi dirigida pelo espanhol Sergio Pablos, um animador que trabalhou em filmes blockbusters, como "O planeta do tesouro", "Meu malvado favorito" e "Rio".
No Século XIX, em um lugar não definido, existe uma escola para carteiros. Jesper ( na voz de Jason Schwartzman), é filho do General da escola. O pai quer que ele seja um carteiro exemplar, mas Jasper é preguiçoso e só quer vida mansa e de glamour. Como castigo e para fazer com que Jasper dê valor ao trabalho, o pai o envia até Smeerensburg, uma cidade semelhante ao Polo Norte. Chegando lá, Jasper encontra uma cidade cujos moradores pertecem a duas famílias que vivem eternamente em pé de guerra. Ninguém ali envia cartas porquê todos se odeiam. Jasper vai até uma casa isolada e lá encontra Klaus ( J/ K. Simmons), um velho sisudo e mal humorado. Após um mal entendido, os dois se tornam amigos e passam a entregar brinquedos fabricados por Klaus para as crianças que lhes enviam cartas. Isso traz fúria aos patriarcas das duas famílias, que se revoltam quando percebem que seus familiares estão se tornando boas pessoas.
Comovente, o filme é uma parábola que fala sobre pessoas que se transformam com o Poder da bondade dos outros. Esse é o espírito natalino e é por isso que o filme foi feito. O filme tem bom ritmo, e foi todo realizado em 2D, à moda antiga. Vale assistir pois fala de bons sentimentos e a criançada com certeza irá adorar.
"Pit stop", de Yen Tan (2013)
Concorrendo nos prestigiados Festivais de Sundance e SXSW, dedicados ao melhor do cinema independente, "Pit Stop" é dirigido pelo cineasta da Malásia radicado nos Estados Unidos Yen Tan, que também escreveu o roteiro.
O filme me lembrou bastante do argentino "Medianera: o amor na era digital", de Gustavo Taretto, como se fosse uma refilmagem LGBTQI+ do mesmo.
"Pit stop" é ambientado em uma pequena cidade próxima a Austin, Texas, e os encontros via aplicativos são marcados em um posto de gasolina. É um drama bastante melancólico sobre pessoas solitárias na faixa dos 40 anos e que não conseguiram manter um relacionamento, deixando a todos deprimidos e sem perspectiva de futuros relacionamentos.
Gabe e Ernesto são os protagonistas, mas assim como "Medianera", só irão se conhecer nos 14 minutos finais. Els não se conhecem e cada um deles vive um relacionamento conturbado. Gabe vive com sua ex-esposa, Shannon, e sua filha. Ele decidiu morar com elas por conta da educação da filha. Ao se revelar gay para sua esposa, Gabe acabou tendo um relacionamento tóxico com um outro homem que o deixou bastante abalado. Ernesto, por sua vez, mora com Luis, um rapaz bem mais jovem que ele, mas que não busca por emprego nem estudos, ficando às custa de Ernesto.
O filme, curiosamente, apresenta paralelamente as histórias de Shannon e Luís com seus novos pretendentes. Isso para poder dar tempo de encaminhar a história até seu desfecho, quando Gabe e Ernesto finalmente se conhecem.
"Pit stop" é um retrato bastante contundente de pessoas solitárias e que apresentam problemas de relacionamento. Em uma divertida cena, Gabe marca um encontro com um professor e o leva para assistir a um filme francês. O professor dorme o filme todo e Gabe se frustra.
Os atores são todos muito bons. Gostei bastante do filme, um exemplo de produção de baixo orçamento realizado com muito talento por toda a equipe e elenco.
Querido basquetebol
"Dear basketball", de Glen Keane (2018)
Vencedor do Oscar de animação em 2018, "Querido basquetebol"é baseado no poema escrito pela lenda do Basket americano Kobe Bryant, que veio a falecer em acidente de helicóptero no dia 26 de janeiro de 2020. O poema foi escrito como despedida de Kobe dos jogos, quando completou 37 anos. No dia 30 de novembro de 2015, Kobe anunciou sua aposentadoria. O filme é narrado em off por Kobe, e traz uma comovente e emocionante história de um menino de 6 anos, Kobe, e seu sonho em se tornar jogador de basket. Após se tornar uma lenda, ele percebe que seu corpo já não é mais o mesmo, e precisa se retirar de campo.
O filme, com trilha emocionante de John Willians, evoca grandes produções de Spielberg, naquele eterno tema do menino que sonha grande. Os traços da animação são bem simples, como se fossem rabiscos de uma vida, e foram realizados por Glen Keane, animador da Disney de largo currículo. Um belo filme de despedida de um Astro.
https://www.youtube.com/watch?v=x3x5C3iNLKo&t=14s
Uma vida oculta
"A hidden life", de Terrence Malick (2019)
Vencedor de um prêmio ecumênico no Festival de Cannes 2019, onde estava competindo pelo prêmio principal, "A vida oculta" é uma cinebiografia de Franz Jägerstätter, um camponês austríaco que nasceu na pequena cidade de Radegund. Por ter se recusado a servir aos nazistas e de lutar à favor de Hitler, Franz foi acusado de traição e executado por guilhotina no ano de 1943. Hoje em dia, ele foi beatificado e considerado um mártir e um ícone pacifista contra os horrores da Guerra, e pela Paz mundial.
O filme marca também as últimas atuações de Bruno Ganz e Michael Nykvist, dois grandes nomes do cinema alemão e sueco. Ambos faleceram em 2017. Terrence Malick levou 3 anos editando o filme. O filme marca também a parceria de Malick com o fotógrafo Jörg Widmer, que havia trabalhado como assistente de Emanuel Lubezky em "A árvore da vida", também de Malick e vencedor da Palma de Ouro em Cannes 2011. Emannuel Lubezky se tornou o grande fotógrafo de Malick desde "A árvore da vida", e juntos criaram uma narrativa que qualquer cinéfilo consegue identificar como sendo um filme de Malick: lentes grandes angulares, imagens épicas, muita poesia e contemplação e interação com a natureza, em imagens quase sempre narradas em off pelos personagens. Em "A vida oculta" temos tudo isso. A fé cristã, também presente na maioria dos seus filmes, está encrustrada no personagem de Franz e de sua esposa Fanny, interpretados com muita garra por August Diehl e Valerrie Pachner. Ambos interpretam um casal de fazendeiros apaixonados, pais de 3 filhas e morando com a mãe de Franz e a irmã de Fanny. Nesse mundo idílico, que somente Malick consegue captar com suas lentes, vemos surgir o terror nazista. Mais da metade do filme acontece dentro da prisão onde Franz é levado. O filme é então costurado por imagens paralelas de Franz na prisão e Fanny na cidade, sendo maltratada pelos vilarejos que acusam a família de ser traidores. O casal escreve cartas e o filme se torna todo narrativo em off, bem ao gosto de Malick.
Eu sou apaixonado por "A árvore da vida", mas desde então, fico com a impressão que Malick se repete sempre em todos os seus filmes seguintes. Os filme se tornaram vazios e frios, apesar da parte técnica ser extraordinária. Em "A vida oculta", pelo menos temos uma história forte, mas que fica diluída em quase 3 horas de filme, um exercício de paciência do espectador que já se sente casado quando o filme chega em sua metade.
sábado, 25 de janeiro de 2020
Timeline
"Timeline", de Tanakorn Bangpao (2013)
Filme LGBTQI+ tailandês, dividido em 3 episódios. Todas as 3 histórias retratam o amor entre casais gays jovens, em episódios que mesclam drama, romance, comédia e suspense.
No 1o episódio, 2 melhores amigos adolescentes escondem que são apaixonados um pelo outro. Quando um deles confessa ao outro que quer sair com uma garota, mas que nunca beijou ninguém. O amigo se oferece para ser cobaia do beijo, mas o amor imediatamente surge quando eles se beijam.
No 2o episódio, um casal gay youtuber de grande sucesso recebe uma carta anônima ameaçando-os de morte.
No 3o episódio, um rapaz cuida de seu namorado que está doente. Um inquilino surge, e entre eles surge uma paixão. Mas o rapaz prometeu fidelidade ao namorado doente e sofre diante da possibilidade de um novo amor.
Os atores do filme são bastante amadores e crus, e fica evidente que foram escolhidos por serem bonitos. O 2o episódio destoa do filme, por ter um gênero e uma história que difere totalmente da atmosfera do 1o e 2o episódios, que possuem elementos dramáticos em comum. É um filme agradável, mesmo com todos os seus pontos fracos. Muito por conta do esforço visível da produção em realizar um filme independente voltado para um público específico. O filme exagera bastante no melodrama, intensificando as canções melodramáticas. Para quem curte novelão, é uma boa pedida.
sexta-feira, 24 de janeiro de 2020
Variações
"Variações", de João Maia (2019)
Um dos maiores sucessos de bilheteria do cinema português de toda a sua história, "Variações" é a cinebiografia de Antônio Variações, um cantor de pop, rock e fado português que morreu aos 39 anos de idade em 1984 por complicações da Aids. João Maia, que também co-escreve o roteiro, estréia em longa-metragem com um filme que remete muito ao visual dos primeiros filmes de Almodovar, principalmente "Pepi, Luci, Bom e outras chicas de montão", com excesso de cores, purpurinas e muito glam e cafonice, ao som de musicas eletrônicas, disco e de sintetizadores.
Antônio Joaquim nasceu em Pilar, cidade pequena de Portugal em 1944. Desde pequeno, de família pobre, ele desejou se mudar para Lisboa. Obrigado a trabalhar para ajudar a sustentar a enorme família de 11 irmãos, Antônio teve aulas de cavaquinho e violão ministrado por seu pai. Ainda jovem, Antônio viajou para países da Europa até se firmar em Lisboa, trabalhando como cabeleireiro. Dono de visual extravagante, Antônio foi em vida comparado a Freddie Mercury. Alguns clientes do salão o ajudaram a se firmar na carreira de cantor, seu grande sonho, principalmente o brasileiro Luís Vitta ( interpretado por Augusto Madeira) exilado em Portugal após fugir da ditadura militar brasileira. Luis era jornalista e radialista, dono do programa de rádio "A meia do rock". Luis apresentou Antônio a várias gravadoras, até que ele gravou sue primeiro disco. em vida, Antônio gravou dois discos, mas suas músicas, com muita influência do Fado de Amalia Rodrigues, ainda hoje fazem muito sucesso em Portugal, sendo reverenciado por gerações pela sua irreverência e luta contra o conservadorismo.
O sub-título do filme é "Um homem em cores em um País em preto e branco", o que define bastante o filme que iremos assistir.
Sergio Praia, no papel principal, está fenomenal, inclusive canta todas as músicas no filme. Visceral, sua presença em cena é primordial para o sucesso do filme, que tem um roteiro correto, sem grandes surpresas para uma biografia. O filme é até meio chapa branca, pois evita mostrar relacionamentos homossexuais, principalmente com seu amante, interpretado por Filipe Duarte, um dos grandes astros do país.
A direção é boa, mas faltou um elemento mais de vanguarda que trouxesse a alma de Antônio para o filme. A direção de arte, figurino e maquiagem são impecáveis.
Confesso que eu nunca havia ouvido falar de Antônio Variações, e somente soube de sua pessoa quando assisti ao filme "O ornitólogo", que toca a música "Canção do engate", um de seus maiores clássicos.
quinta-feira, 23 de janeiro de 2020
Os miseráveis
"Les miserables", de Ladj Ly (2019)
O drama "Os miseráveis"ficou conhecido pelos brasileiros por ter dividido o Grande Prêmio do Juri no Festival de Cannes com "Bacurau". Dirigido pelo cineasta nascido no País africano Mali e radicado na França, o filme é livremente inspirado no clássico de Vitor Hugo, "Os miseráveis", escrito em 1845 no bairro Montfermeil, que se localiza na periferia de Paris, local onde todos os operários, pobres, imigrantes e desiludidos moram. No mesmo bairro , em 2018, encontramos a mesma situação sócio-econômica do bairro, agora populada por africanos, muçulmanos e árabes. O filme acontece no mesmo dia em que a França ganhou a Copa do Mundo de 2018. Somente em eventos grandiosos como esse, a população se mistura para comemorar, como se todos fossem um só. Passada a euforia, a realidade cruel e brutal volta à tona.
O policial da anti-brigada Stephanie Ruiz é transferido de uma cidade provinciana para Paris e se junta a dois outros policiais, Chris e Gwada, para fazerem a ronda em Montfermeil. Chris e Gwada são obrigados a fazerem um treinamento em Ruiz, que logo percebe que a realidade do bairro e dos seus colegas policiais é muito mais trágica do que parece. Um evento onde os três policiais se envolvem com um garoto rebelde, Issa, que roubou um filhote de leao de um circo culmina em um ato errôneo por parte dos policiais, que acidentalmente aturam uma bala de borracha no garoto. Para piorar a situação, um dos moradores gravou com um drone a ação, e os policias precisam encontrar a gravação antes que o menino poste na internet.
Filmes com essa temática já vimos aos montes: "Faça a coisa certa", "Policia", "O ódio", "Cidade de Deus", entre outros. O uso da linguagem documental também já foi bastante explorada. O que o diferencia é a visão de uma juventude relegada à base da pirâmide que decide dar um basta na situação passiva em que se encontram, e partem para a luta.
Bem dirigido e com um time de jovens atores muito convincentes, o filme é um retrato desolador de um País de primeiro mundo que insiste em camuflar as suas mazelas.
Waves
'Waves", de Trey Edwards Shults (2019)
São poucos os jovens cineastas que me despertaram inveja pela genialidade de seus primeiros filmes. entre eles, estão Damian Chazelle, Xavier Dolan e Trey Edwards Shults, que já em seu primeiro longa, rodado aos 23 anos de idade, já impressionou meio mundo: "Krishna". Depois veio o terror "Ao cair da noite", igualmente instigante, e agora o seu filme mais maduro e primoroso, "Waves".
Super premiado em diversos Fetsivais, e constando em várias listas entre os melhores filmes de 2019, o filme é uma experiência sensorial que parece uma mistura do visual e da estética de "A árvore da vida", de Terence Malick, com o drama e as cores de "Moonlight", de Barty Jenkins. O filme tem uma estrutura que divide o filmes em 2 atos: no primeiro, acompanhamos uma família afro-americana, e tendo como protagonista o filho do casal, Tyler (Kelvin Harrison Jr., extraordinário). No 2o ato, o filme dá vez à sua irmã, Emily (Taylor Russell, brilhante). O filme trata de temas como luto, ciúmes, competição, perdão, amor e principalmente, o poder das escolhas.
Tyler é um jovem atleta, admirado em sua escola. Seu pai, Ronald (Sterling K. Brown) o terina para que Tyler se supere. Ronald educou seu filho com a seguinte motivação: todo negro tem que lutar 10 vezes mais do que um homem branco. pressionado pelo espírito competitivo do pai, Tyler esconde dele que está sofrendo com um problema no ombro provocado pelo excesso de exercícios. Paralelo, Tyler namora Alexia, e descobre que ela está grávida. Depois de uma tragédia, o filme muda de protagonismo e acompanhamos Emily e a sua luta para poder se recuperar de um ato que ela se pune, acusando=se a si mesma de covarde.
Esteticamente, o filme tem o formato de janela 2:35, mas à medida que o filme vai ficando mais dramático e claustrofóbico, a janela vai apertando até virar tela quadrada, retornando depois ao formato original.
A fotografia é formidável, trazendo cores fortes à atmosfera da Flórida. A trilha sonora é toda composta por músicas de bandas de rock, como Radiohead. A força do trabalho do elenco é algo digno de nota, em momentos complexos de emoção. Trey evita o melodrama se apropriando de uma linguagem de movimento de câmera impressionante Tem momentos que fico imaginando como ele conseguiu realizar determinados movimentos de câmera, como a do carro e a câmera em 360 graus.
Participação especial e comovente de Lucas Gedges, um dos melhores atores da nova geração de Hollywood.
O closet
“Le pacard”, de Francis Veber (2001)
Grande sucesso do cinema francês, “O closet” é uma comédia cult de 2001, com performances divertidas e brilhantes de Daniel Auteil e Gerard Depardieu.
O filme levanta temas importantes como homofobia, machismo e desemprego.
Daniel Auteil interpreta Daniel Auteuil, um Contador que trabalha em uma fábrica de preservativos, cujo presidente Kopel (o veterano Jean Rochefort) deseja enxugar o quadro de funcionários. Pignon fica sabendo que está na lista dos demissionários. Um típico looser, ele não te amigos, está divorciado há 2 anos e seu filho não fala com ele. Ao tentar se suicidar em seu apartamento, ele é dissuadido pelo vizinho, o homossexual Belone (Michel Aumont, excelente), que lhe propõe uma idéia maluca: forjar fotos que digam que Pignon é gay, e daí, a empresa não iria demiti-lo, com medo que a mídia acusasse a empresa de conservadorismo e homofobia. O plano dá certo: mas logo a mentira vai se tornando algo difícil de se sustentar: suas colegas de trabalho o assediam, e pior, Félix Santini (Gerard Depardieu), o colega homofóbico da empresa, é obrigado a tratar Pignon bem, com medo de perder o emprego, mas acaba se apaixonando por ele.
“O closet” é uma típica comédia de erros, mas seu roteiro é muito bem amarrado, os diálogos deliciosos e as situações vão beirando a sandices. O diretor Francis Veber foi o roteirista de “A gaiola das loucas” , o que justifica se apropriar de algumas piada semelhantes. O grande trunfo do filme é o seu elenco, todos impecáveis.
quarta-feira, 22 de janeiro de 2020
Pegar ou largar
"Võta või jäta", de Liina Trishkina (2018)
Escrito e dirigido pela cineasta estoniana Liina Trishkina, "Pegar ou largar" foi o filme indicado pela Estônia para concorrer a uma vaga ao Oscar de filme estrangeiro em 2019. Para quem assistiu ao blockbuster mexicano "Não se aceitam devoluções", vai perceber que existem muitas semelhanças entre os dois filmes. No entanto, Liina Trishkina alega que seu filme é totalmente original.
Erik (Reimo Sagor) é um operário na construção civil que dedica seu lazer à bebidas e mulheres. Um dia, uma mulher com quem ele teve um relacionamento de uma noite, Moonika, aparece e diz que teve uma filha dele. Moonika está depressiva e resolve abandonar a criança com Erik, alegando não ter condições de criar a menina. Erik, temendo que a criança seja entregue a um orfanato, resolve criar a bebê. Desajeitado, ele aos poucos se apega à menina. 3 anos se passam, e Moonika surge, querendo a guarda da menina.
A diferença dos dois filmes fica no tom: enquanto o sucesso mexicano aposta no humor, "Pegar ou largar" é bem dramático. O filme tem uma atmosfera mais sombria e soturna, com uma fotografia que acentua as cores frias da região e o distanciamento de sue povo. Reimo Sagor, no papel principal, está excelente no papel.
terça-feira, 21 de janeiro de 2020
Frankie
"Frankie", de Ira Sachs (2019)
Drama independente co-produzido por Estados Unidos e Portugal, concorreu em Cannes 2019 na Mostra principal. Ira Sachs é um cineasta americano, que junto do roteirista e amigo Mauricio Zacharias, escreveu e dirigiu "O amor é estranho", "Turn the lights on" e "Little men". Agora, eles desenvolvem uma história protagonizada por Isabelle Huppert. Ela interpreta Frankie, uma famosa atriz francesa que resolve juntar familiares e amigos para passar uns dias em Sintra, em Portugal. Na verdade, o encontro tem um motivo: Frankie está com câncer terminal e quer se despedir de todos. Entre eles, o filho Paul ( Jérémie Renier) e sua melhor amiga, a cabeleireira que trabalha em cinema Ilene (Maria Tomei), que chega com sue namorado, o fotógrafo Gary (Greg Kinnear). O filme apresenta vários sub-plots, envolvendo divórcio, solidão, herança, primeiro amor.
Eu sou um grande fã de Isabelle Huppert, mas nem ela consegue trazer muito interesse ao filme, que se arrasta de forma entediante em duas quase duas horas de duração. O filme é uma discussão sem fim sobre relacionamentos conturbados, explorando as lindas paisagens de Sintra. Faltou um roteiro mais envolvente, algo como a trilogia "Antes do amanhecer", de Richard Linklater, que traz espontaneidade nos diálogos. O elenco all star , envolvendo atores americanos, franceses, portugueses e ingleses , se mostram perdidos em tantas histórias, algumas com ou menos interesse.
segunda-feira, 20 de janeiro de 2020
Keystone
"Keystone", de Scorpione (2019)
Prepare-se para assistir ao pior filme do mundo. A idéia até que é interessante: o primeiro filme LGBTQI+ de fantasia, envolvendo ninfos, elfos e bruxas. Mas absolutamente tudo é tão ruim que eu só consigo pensar que o Cineasta e roteirista italiano Scorpione estava a fim de sacanear seu público, ou então ele realmente não tem noção do que estava fazendo.
Marco é um jovem assumidamente gay que sofre bullyng do sue irmão, que pede para que ele deixe de ser homossexual. Contrariado, Marco encontra refúgio na floresta. De repente, um portal se abre à sua frente e surge Pan-Ly, um ninfo que veio descobrir o outro lado do mundo. Marco sente atração por Pan-Ly e o beija. Com o beijo, Pan Ly ativa a sua pedra mágica, o que faz os seres chamados de "Shadows" irem atrás de Pan-Ly e ávidos para matá-lo.
A história é totalmente sem pé nem cabeça. Os atores, os piores possíveis, parecendo que saíram de um teatro infantil. A maquiagem e o figurino são toscos e constrangedores. Os efeitos especiais são de último nível, com direito a coraçõezinhos e estrelinhas que surgem na tela. Em alguns momentos, o diretor inclui aquelas gotas de suor típico de mangás e animes, quando o personagem está aflito. A trilha sonora plagia e copia várias músicas famosas: "Eye of the tiger", "It's a sin"do Pet Shop Boys e "True colours", de Cindy Lauper.
É muito difícil descrever o que é esse filme. Quem tiver paciência e ânimo para assistir, dependendo do seu mood, poderá se divertir bastante. Eu ri muito, mas devido às bizarrices do filme, que ainda se dá ao luxo de inserir trechos do desenho "Os Smurfs" e animais de alguma outra animação.
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