Aqui comento os filmes que assisto...mas sem muito saco de teorizar demais..somente comentando o básico: se gostei ou não hehehe (Comento apenas filmes vistos a partir de Outubro de 2010)
sábado, 8 de setembro de 2018
Next Gen
"Next gen", de Kevin R. Adam e Joe Ksander (2018)
Co-produção CHina e Canadá, "Next Gen" foi oferecido para compra durante o Festival de Cannes em 2018 e a Netflix a comprou por 30 milhões de dólares! O filme é um misto de "Operação Big Hero", "Blade Runner", "Transformers", o episódio de Black Mirror "The entiry story of us", e definitivamente, não é um filme para crianças pequenas. Ele é bastante violento, inclusive um importante personagem simplesmente é desintegrado pelo vilão e morre! Fora isso, o robô protagonista, 7723 ( baseado em quadrinhos na China) faz um verdadeiro massacre de robôs, muito deles fofinhos e "humanizados", com carinhas e tudo o mais. Fora isso, a protagonista, a adolescente Mai, é daquelas meninas arrogantes, irritantes e malas sem alça, que passa o filme todo reclamando de tudo. E a mãe dela, para piora, representa o supra sumo da pessoa viciada em tecnologia e rede social, que não se dá conta da presença da filha e está mais interessada no lançamento dos robôs de última geração.
A história gira em torno da amizade entre uma menina, Mai, e um robô, que foi criado secretamente pro um cientista para combater um vilão, Justin Pin, cópia de Steve Jobs, que quer destruir o mundo.
O que o filme tem de interessante, é a crítica ao consumismo, mostrando milhares de pessoas querendo comprar o último lançamento em robôs, chamado de Q-Bo 6 ( olha o Iphone aí).
A animação em si é bem feita, com traços muitos parecidos com os bonecos da Pixar, mas a grande diferença e o roteiro. Não sei se esse filme teria condições de ser lançado na tela grande, mas na Netflix certamente será um sucesso. O filme não chega a ser de todo mal, dá para assistir, tem lá seus momentos de emoção, e um cãozinho que solta palavrões que rouba as cenas. Na dublagem americana, atores consagrados encabeçam a lista: John Krasisnky ( que protagonizou e dirigiu "Um lugar silencioso". Constance Wu ( que protagoniza o sucesso "Podres de ricos", Michael Pena e Jason Sudeikis.
sexta-feira, 7 de setembro de 2018
Aquarium
"Aquarium", de Yonatan Tal (2018)
Exibido em vários Festivais Lgbtqi+, esse brilhante e emocionante curta de animação, com apenas 2:35 minutos, consegue a grande façanha de trazer um ponto conflituoso para muitos gays: como assumir uma relação em público?
Um jovem casal gay passeia em um aquário, e de repente um deles, pede para uma senhora tirar a foto deles. O namorado fica totalmente constrangido em demonstrar afeto em público, e isso machuca os sentimentos do outro rapaz.
Realizado com muita delicadeza, o filme tem traços singelos na animação, mas o roteiro, as vozes dos dubladores e a trilha sonora compensam o baixo investimento financeiro no projeto, que foi desenvolvido por um estudante de animação, Yonatan Tal.
Uma pequena jóia que deve ser visto por todos que adoram animação.
https://www.youtube.com/watch?v=kfsIcd_aaXI
Destination wedding
"Destination wedding", de Victor Levin (2018)
Com o sub-título "O narcisista não pode morrer porquê senão o mundo inteiro iria acabar", essa comédia romântica escrita e dirigida por Victor Levin guarda todas as referências em cima das comédias de Woody Allen. Ele usa a mesma trilha sonora, a mesma tipografia para os créditos e os protagonistas tem aquele tipo de humor ferino, intelectualizado e irritante dos filmes de Allen.
O filme foi detonado por parte da crítica americana, mas eu confesso que adorei ver um filme protagonizado por dois ícones dos anos 90, Keanu Reeves e Winona Ryder, fazendo humor e se degladiando como se fossem Spencer Tracy e Katherine Hepburn. E mais: Keanu Reeves convence nesse papel cômico, algo que eu nem sequer imaginava. E mais ainda: ele tem bifes kilométricos, e ditos com bastante espontaneidade, algo impensável para quem achava que ele era um troglodita que só falava pequenas frases. Winona é aquela atriz que todos nós amamos mas que caiu em desgraça após o surto que ela teve com os casos de furto, mas que teve sua carreira resgatada graças ao sucesso do seriado 'Stranger things".
A idéia do filme é bastante simples e já batida: duas pessoas que não se conhecem, são solitárias, misantropas e mau humoradas, se esbarram em um aeroporto e descobrem que estão indo para o mesmo casamento, na paradisíaca San Luis Obisco, California. Pior: descobrem que vão dividir o quarto um do lado do outro, e na mesa da cerimônia, a mesma mesa.
Vai ter muita gente odiando o filme por achar que Keanu Reeves e Winona Ryder ( que já trabalharam juntos em 'Dracula") não nasceram pra comédia; vai ter gente odiando a verborragia do filme, que de fato, funcionaria bem mais numa peça teatral; e vai ter muita gente odiando o mau humor desses 2 protagonistas, afinal, eles vivem se xingando o filme todo. Mas para mim, esse foi o charme do filme. Concordo que é um filme sem ritmo e com diálogos excessivos, mas de novo, ver esses 2 atores em algo tão inusitado, para mim, valeu a pena. Parabéns aos produtores que tiveram a ousadia de escalar os dois. Para quem não curtir, pelo menos pode apreciar a bela paisagem da locação.
Amei a cena da trepada deles na relva, muito engraçada.
Para quem não sabe o que significa, "Destination wedding" é quando os noivos escolhem uma cidade diferente da sua para realizar a cerimônia de casamento.
O grande Buda +
"The Great Buddah +", de Huang Hsin-yao (2017)
Premiadíssimo filme do cineasta de Taiwan Huang Hsin-yao, que também escreveu o roteiro desse inusitado drama que mistura o humor negro típico dos irmãos Coen, faz uma homenagem à "Janela indiscreta", de Hitchcock e ainda mescla com uma linguagem documental ( o cineasta era documentarista e "O grande Buda +" é seu primeiro longa de ficção).
Pickles e Umbigo são 2 amigos que vivem na marginalidade da periferia de uma região pobre de Taiwan. Pickles tem emprego duplo: trabalha como segurança noturno em uma pequena fábrica que produz estátuas de bronze de Buda, e é músico de uma pequena banda. Umbigo é catador de lixo, e toda noite vem visitar Pickles em seu trabalho, trazendo revistas pornôs que ele encontra nas lixeiras. Essas duas figuras solitárias têm sua vida revirada quando uma noite, ao mexer na câmera do carro do patrão de Pickles, encontram, entre cenas do patrão fazendo sexo com garotas mais jovens, um vídeo dele matando uma ex-amante que queria extorquir dinheiro dele.
O filme tem cenas em preto e branco e cores. A vida real desgraçada de Pickles e Umbigo é toda em preto e branco, e as cenas das câmeras de vídeo, são em cores. Huang Hsin-yao faz uma crítica social e econômica de Taiwan, ainda cutucando a política e a religião. mostrando corrupção para todo o lado. O mais interessante do filme, é a forma intrusiva como o Cineasta apresenta o filme ao espectador: em vários momentos, ele apresenta em voz off o que iremos ver, explica as cenas e o que mais amei: apresenta personagens que aparecerão apenas uma vez, como figurantes, fazendo uma poética e melancólica descrição dessas figuras tristes. Filmaço para deleite de cinéfilos.
O titulo do filme se refere à um curta que Huang dirigiu, e resolveu depois trazer a mesma história para esse sue longa de estréia, incluindo aí o sinal de "+".
quinta-feira, 6 de setembro de 2018
Jackpot
"Jackpot", de Adam Baran (2012)
Premiado curta Lgbtqi+, é uma fábula sobre sobre se aceitar como homossexual na adolescência.
A trama acontece em 1994, antes da Internet. Jack é um adolescente que tem conflitos por ser gay, mas esconde isso de todo mundo. Trancado em seu quarto, ele se masturba olhando catálogos com fotos de homens. Um colega hetero de Jack liga para ele e comenta que viu em uma lixeira várias revistas gays jogadas fora. Essa é a deixa para que Jack vá correndo ara o local e recolher algumas revistas pornôs. Porém, ao chegar lá, ele é flagrado por 3 jovens homofóbicos que querem bater nele. Súbito, um dos modelos masculinos da revista pornô se materializa para Jack, e faz um discurso para que ele se aceite como é e lute pelos seus ideias.
Divertido e bastante simpático, esse pequeno drama sobre amadurecimento e saída do armário tem um criativo roteiro que só poderia acontecer em período antes da Internet. A geração Millenium não fazia idéia do que era poder consumir material pornô antes da Internet. as pessoas tinham que botar a cara à tapa para poder comprar as revistas. Havia a vergonha, a humilhação e constrangimento de ter que compartilhar seus gostos com o vendedor.
Hoje em dia, com a Internet, tudo ficou mais fácil. Mas com ceretza, não renderiam histórias divertidas como essa.
Vende-se esta moto
"Vende-se esta moto", de Marcus Faustini (2017)
Filme de estréia do escritor, diretor teatral e jornalista Marcus Faustini, "Vende-se esta moto"são 2 filmes em um: tem o filme com inspiração neo-realista italiana, e tem o filme poético, lúdico, algo passeando entre o Fausto, de Goethe, tentando comprar a alma de um pobre infeliz desacreditado pelo amor, e o "Orfeu negro", de Marcel Camus, com o olhar apaixonado por uma periferia infestada pela violência na vida real ( comunidades do Batan e Maré), mas que aqui na ficção só encontramos alegria, amor, sorrisos, solidariedade.
Xéu ( João Pedro Zappa) e Lidiane (Mariana Cortines) moram na comunidade do Batan. Eles são jovens, eles são apaixonados um pelo outro. Xéu trabalha em uma lanchonete da comunidade que vende Yakisoba fazendo entregas de quentinhas. Ele ganha pouco, e por conta disso, não tem como sustentar a gravidez de sua namorada. Ela pede para que ele venda a moto, e ele pede ajuda ao seu primo Cadu, que mora na Maré. Mas Cadu, que já namorou Lidiane, ainda sente paixão por ela. E nessa noite, tudo pode mudar na vida desses personagens.
O filme fala sobre Amor: Amor físico, do casal Xéu e Lidiane. Amor frustrado, caso do trágico personagem de Cadu. Amor ao cinema, numa participação divertida do crítico de cinema Rodrigo Fonseca. Amor pela poesia e pela literatura, no personagem de Guti Fraga. Amor pela cidade do Rio de Janeiro, verbalizada em poesia pelo personagem misterioso de Silvio Guindane, um punk das ruas. Só que a cidade apontada pelas câmeras do fotógrafo Pedro Paiva, é a do subúrbio, da periferia, a mesma onde a mídia apresenta como território de traficantes e milicianos, mas que aqui no filme, são espaços de lazer e de moradia de moradores honestos, em busca de emprego e de diversão (bailes funks pacíficos, piscinão de RAmos democrática.
É um filme realizado com muito pouca grana: fosse nos Estados Unidos, o filme teria recebido o rótulo de "Mumblecore", filmes realizados com quase nada). O produtor Cavi Borges é famoso aqui no Brasil por produzir filmes nessa levada, com pouca grana mas com um selo de qualidade. Mas é exatamente essa simplicidade que seduz o espectador. A trilha sonora envolvente, apaixonante, com um olhar carinhosos sobre os seus personagens.
Fiquei especialmente emocionado na sequência onde Xéu busca trabalho no Centro da cidade. Uma via crucis que envolve entrevista para office boy, para vendedor de sapatos femininos e como vendedor de um sebo.
Que excelente Ator é o João Zappa: ele convence tanto como um rapaz da classe média alta em "Gabriel e a montanha", como um jovem da comunidade. Ponto alto também para a atriz Mariana Cortines, no papel de Lidiane, de Quitta (Priscila Lima), a amiga bissexual do casal, e de Vinicius de Oliveira, arrasando como o controverso e angustiado Cadu.
Slender Man- Pesadelo sem rosto
"Slender man", de Sylvain White (2018)
Terror baseado na lenda de Slender Man, uma figura mitológica criada pela Internet, e que assusta pessoas no mundo inteiro acreditando que ele existe de verdade. No excelente documentário da HBO, "Cuidado com o Slender man", é apresentado o caso de 2 meninas de 12 anos que esfaquearam uma terceira amiga com 19 facadas em uma floresta, e elas, interrogadas depois, disseram que foi o Slender man que pediu para que elas a matassem, para que ele nao matasse os pais delas.
Partindo dessa premissa, o filme acontece em uma pequena cidade de Massachussets. 4 amigas, entediadas, resolvem em uma noite acessar na Internet um link que diz que o Slender Man irá aparecer. Em princípio elas não acreditam, mas aos poucos, uma a uma vai desaparecendo. Hallie, uma das última sobreviventes, decide se sacrificar para que Slender man não ataque sua irmã caçula, Lizzie, mas as coisas nao acontecem como o planejado.
No Rotten Tomatoes, o filme tem uma das piores cotações entre os críticos: apenas 7% de aprovação. Bobagem, o filme não é nenhuma obra-prima, mas também não é nenhum lixo. Dá para assistir, apesar da premissa boba: qualquer um pode acessar o Slender man, basta clicar num link que está ali, visível para todos. Os efeitos são meia bomba, as performances mais do mesmo, mas ainda assim dá para se assistir , assim como as meninas, em uma tarde entediante.
O filme lembra aqueles filmes tipo "Ouija", onde as pessoas invocam uma força sobrenatural e elas vêm pegá-lo. Já vimos isso mil vezes, mas tudo bem, é apenas passatempo.
A freira
“The nun”, de Corin Hardy (2018)
Spin Off da franquia "Invocação do mal", que já rendeu a milionária franquia "Anabelle", "A freira"surgiu de uma personagem coadjuvante de "Invocação do mal 2", e que já nesse filme, já assustou todo mundo.
James Wan dessa vez resolveu produzir, e escrever o roteiro, e confiou a direção ao jovem Corin Hardy. Muitos críticos saíram falando mal do filme, dizendo ser o mais fraco de toda essa franquia, mas a verdade é que eu gostei e ele tem uma atmosfera surpreendentemente bem feita e assustadora, ajudada por uma fotografia baseada em luz de velas, um interior de um convento super escuro e uma trilha sonora horripilante.
O filme começa e termina com o famoso casal de paranormais Ed e Lorraine Warren ( Patrick Wilson e Vera Farmiga), apresentando e fechando a apavorante história de um convento localizado no interior da Romênia, onde uma freira cometeu suicídio em 1952. Um padre e uma noviça ainda sem votos partem para a missão de descobrir o que aconteceu no convento, enviados pelo Vaticano. Padre Burke (Damien Bichir) e Irmã Irene (Taissa Farmiga, irmã de Vera Farmiga) chegam e descobrem que as freiras que ali residem, estão em voto de silêncio e nada podem falar.. Eles são ajudados pelo jovem francês Franchie (Jonas Bloquet) , um cocheiro. O que eles irão descobrir ali, envolve satanismo e invocação do demônio.
Como falei antes, a atmosfera do filme é excelente, ajudado por uma parte técnica irrepreensível. O trio principal está ótimo e bastante carismático ( o segredo desses filme sé escalar um Ator premiado para dar credibilidade ao projeto, caso do mexicano Damien Bichir).
O filme tem penca de sustos, e para quem gosta de filme de terror, vale super a pena. Mesmo que quando acabe o filme, a gente esqueça tudo o que viu. Passatempo total.
quarta-feira, 5 de setembro de 2018
O paciente- O caso Tancredo Neves
"O paciente - O caso Tancredo Neves", de Sergio Rezende (2018)
Adaptação cinematográfica do livro de Luis Mir, que se baseou nos laudos médicos que ficaram por anos inacessíveis, é surpreendente para o espectador que for assistir, encontrar não só um filme de fundo político, com as suas terríveis artimanhas de médicos, políticos e jornalistas sanguessugas, como também um terrível filme de suspense médico, provocado por uma sucessão inacreditável de erros médicos que provavelmente, aceleraram e provocaram a morte do Primeiro presidente do Brasil após o fim da ditadura militar. No dia 15 de janeiro de 1985, Tancredo Neves assumiria a presidência do Brasil, tendo José Sarney como seu vice. A tensão era enorme, todo o País estava tenso com medo que houvesse um novo golpe ou que os militares não permitissem que Tancredo assumisse. Porém, há 3 dias da posse, Tancredo começou a sentir dores. Uma junta de médicos de Brasília acreditava se tratar de uma apendicite, e depois de muita insistência, o internaram na véspera da posse e fizeram uma cirurgia. O que acontece a partir daí, é uma sucessão de erros médicos, incluindo uma outra junta médica que viria de são Paulo, que fizeram com que Tancredo sofresse 3 cirurgias, vários exames invasivos, e que veio a falecer exatamente 39 dias após a internação. A população, até então, acreditava em várias teorias: envenenamento, atentado à tiros, e tudo piorava porquê Tancredo não aparecia em público. No dia 21 de abril, foi tirada uma foto totalmente montada para calar a boca de todos e mostrando Tancredo "aparentemente"saudável, ao lado de Risoletta, sua esposa, e seus médicos.
Com direção de Sérgio Rezende, o filme emula filmes políticos recentes como "Jackie", de Pablo Larrain, misto de filmagem documental com uma linguagem de câmera nervosa, usando Zoom, aproximando o espectador da tensão existente nesse reality show aterrador.
No entanto, a grande força do filme, além do roteiro, é o trabalho do elenco, enorme, formado por um primeiro time de veteranos: Othon Bastos (brilhante) no papel principal, Esther Góes como Risoletta, Paulo Betti como o Médico Henrique Pinotti, Leonardo Medeiros, Otavio Muller, Elcir de Souza, Gustavo Machado, entre outros.
Um filme importante, para fazer analogia ao momento político que estamos vivendo.
Charismata
"Charismata", de Andy Collier e Toor Mian (2017)
Filme de terror inglês, que mistura uma história de seral killer com rituais satânios, algo meio "Seven", de David Fincher, filme do qual a dupla de roteiristas e diretores Andy Collier e Toor Mian busca referência inclusive visual. Tem a mesma dupla de policias que não se suporta ( claro que um acredita em ritual voodoo e o outro não), tem os crimes hediondos, tem a fotografia saturada...e aquela atmosfera de filme noir, com ritmo lento e atmosfera onírica.
Rebecca e Eli formam uma dupla de detetives que procuram o assassino de uma série de crime sonde aparentemente, as vítimas foram sacrificadas em ritual satânico. Rebecca está literalmente passando por um inferno emocional em sua vida:recém divorciada, vive discutindo com o ex-marido a respeito do imóvel; ela sofre mansplanning e misoginia no trabalho; e também é acusada de nepotismo ( seu pai é delegado e a colocou no cargo). Quando Rececca passa a ter visões assustadoras, ela já não sabe s eo que está vendo é real ou não.
Terror interessante, com bons atores e um clima de mistério que percorre o filme todo. Os efeitos são ok para um filme independente, o desfecho é que estraga o filme, e provavelmente todo o espectador ficou revoltado e sem ação, pois a reviravolta toda acontece nos dois últimos minutos.
O filme chegou a vencer vários prêmios internacionais em Festivais de filmes de terror.
terça-feira, 4 de setembro de 2018
Forces
"Forces", de Dominic Poliquin (2016)
Bom curta canadense de temática Lgbtqi+, premiado em diversos festivais,
O filme narra a amizade de anos entre 2 homens, que são vizinhos desde criança. Suas casas estão divididas por um rio, e a amizade deles é sempre à distância. Um deles se torna soldado e vai lutar no Afeganistão. O outro, se torna um jogador de futebol americano. Ambos levam uma educação rígida de seus pais desde crianças, ensinando a eles a se portarem como homens brutos. O soldado é hetero, mas sensível. O jogador é gay não assumido e tem um temperamento agressivo. Quando finalmente os dois se encontram frente a frente, surge uma tensão sexual que pode terminar em tragédia.
Bem dirigido e com dois atores que exalam sensualidade, o filme tem um tempo muito curto para poder explorar melhor os personagens. Com apenas 8 minutos, tudo parece bastante corrido, e existe uma narração em off. O mais incrível ainda é o orçamento gasto: tem cenas de batalha, cenas de jogo, o que parece ter custado caro para um projeto tão curto. Mas vale ser visto.
https://vimeo.com/177113445
Abrindo o armário
“Abrindo o armário”, de Dario Menezes e Luís Abramo (2018)
Como diz um dos personagens, “ O armário já está aberto, agora tem que sair dele”.
O importante documentário registra depoimento eclético de personalidades do mundo artístico ( performáticos, escritores, cantores, gamers, produtores, jornalistas, etc) que dão um relato sobre quando assumiram a sua homossexualidade e como foi a reação das pessoas próximas em relação a esse “ outing”. Além disso, o filme passa rapidamente pela questão da Aids, da afirmação das varias identidades gays ( um amigo diz que “ são varias as alas das baianas”, o que explica para o grande público que nem todos os gays são iguais), e ainda explora as varias camadas econômicas, sociais, séculos e raciais do homossexual.
O tema é extremamente amplo e poderia render uma série, mas é um filme importante para dizer ao mundo que a sociedade mudou bastante mas que em termos de preconceito e homofobia, continua o mesmo.
Os depoimentos das trans Linn da quebrada e Jup do Bairro são bastante contundentes e viscerais.
O banquete
"O banquete", de Daniela Thomas (2018)
Ao final da projeção, imediatamente 3 filmes me vieram à mente: 2 deles poderiam ter sido referências para a cineasta e roteirista Daniela Thomas, o 3o provavelmente não, pois é um filme mais recente. "O anjo exterminador", de Luís Bunuel, e "Quem tem medo de Virgínia Woff", de Mike Nichols, são duas obras-primas do cinema que possuem elementos dentro desse banquete de amor e fúria proposto por Thomas: as inúmeras tentativas dos convidados quererem sair da janta e não conseguirem; a hiprocrisia da classe média alta; o deboche da aristocracia em relação à política, sexo, cultura; a gastronomia como elemento de redenção e de incentivo ao sexo; personagens alcóolatras
(Caco Ciocler X Elisabeth Taylor, alcoolizados o filme todo); o desdém da geração madura contra os jovens, vistos como ignorantes e aproveitadores. O terceiro filme é o recente "A festa", de Sally Potter. Assim como Thomas, é um filme escrito e dirigido por mulheres, e que reúne a nata dos atores de seu País. Drica Moraes, Mariana Lima, Caco Ciocler, Gustavo Machado, Rodrigo Bolzan, Chay Suede, Bruna Linzmeyer e duas excelentes atrizes de São Paulo, Fabiana Gugli e Georgette Fadel.
O filme é levemente inspirado na sua essência por um fato real: O jornalista da Folha de São Paulo, Otávio frias Filho, escreveu em 1990 na primeira página do seu Jornal, um editorial criticando o Governo Collor. Foi o estopim para que a lei da censura imperasse no País, e Otávio fosse ameaçado de prisão. Thomas tornou em ficção esse fato e chama o sue Jornalista de Mauro ( Bolzan). ele é casado com Beatriz, uma atriz ( Mariana Lima) e são homenageados pelos seus 10 anos de casamento com um jantar na rica casa do casal Nora (Moraes) e Plínio (Ciocler). No memso jantar são convidados o colunista Lucky
(Gustavo Machado) e a crítica de teatro Maria ( Fabiana Gugli).
Chay Suede interpreta o garçon da festa, e Bruna Linzmeyer e Georgette Fadel saem prejudicadas do filme, pelo pouco tempo de suas personagens em cena: uma aspirante a atriz e a camareira de Beatriz.
No jantar, mentiras, traições e revelações são expostas para todos, em um jogo de alta perversidade e devassidão. Assédio, provocação moral, jogo de classes são elementos que fazem esse jantar se tornar memorável, além da possibilidade de Mauro ser peso a qualquer momento.
Como filme, o projeto é um acerto e um risco: todo ambientado na sala de jantar, e algumas vezes na cozinha, o filme não esconde a sua fonte teatral, sendo verborrágico do início ao fim. O elenco, em alto padrão, dá conta do recado. Mas como cinema, o filme procura seduzir o espectador. Aos mais atentos, encontrarão diálogos ferozes, provocando inúmeros risos. Ao espectador que busca um filme dinâmico, poderá ser um desafio. A câmera, claustrofóbica, evita planos gerais, expondo em closes os absurdos proferidos pelos personagens.
Uma bela mise en scene, auxiliada pela fotografia de Inti Briones.
Elefante
'Elephant", de Gus Van Sant (2003)
Esse é daqueles filmes que faço questão de rever de tempos em tempos. Uma aula de Roteiro, edição, narrativa, Direção, marcação de figuração, marcação de cena, uso da câmera, uso da trilha sonora e silêncio. Vencedor de inúmeros prêmios, entre eles, Melhor Filme e Direção em Cannes 2003
( feito só conseguido por "Barton Fink", dos irmãos Coen em 1991), o filme é uma livre recriação do tiroteiro em Columbine, acontecido em 1999 e que resultou na morte de 14 estudantes e 1 professor a tiros por 2 alunos que sofriam bullying. Para desvincular do evento em Columbine, Gus Van Sant filmou e Portland, Oregon. é impressionante constatar que todo o elenco do filme é formado por jovens não atores ( apenas os adultos são profissionais). Escalados entre estudantes reais de Portland, todos fizeram um intenso trabalho de atuação naturalista com Gus Van Sant, que queria que todos agissem naturalmente, sem atuar, como na vida real. O mais incrível é ver esses jovens em cena diante de planos sequência tão elaborados, precisos, que mesmo o mais treinado e profissional dos atores teria dificuldade de entender e acertar as marcas. Li que um dos atores, John Robinson, o loirinho do Poster, concorreu com outros 3 mil alunos pelo papel. é um grande prazer também ver que Diane Keaton foi uma das produtoras do longa.
Uma pena que Gus Van Sant não conseguiu mais chegar ao nível de excelência de "Elefante".
segunda-feira, 3 de setembro de 2018
Nico, 1988
"Nico, 1988", de Susanna Nicchiarelli (2017)
Vencedor de vários prêmios Internacionais, escrito e dirigido pela Cineasta italiana Susanna Nicchiarelli, "Nico, 1988", acompanha os 2 últimos anos de vida da cantora Nico, nascida Christa Päffgen na Alemanha.
Para quem for assistir ao filme querendo ver cenas de Nico enquanto fazia parte do grupo Velvet Underground de Andy Warhol e Lou Reed nos anos 60, esqueça. Essa fase é dita muito en passant, com rápidas cenas de documentário. O filme deixa claro que Nico quer esquecer esse passado de glória e glamour, e quer se ater a uma vida independente de cantora, cantando um repertório que lhe agrade, mais do que aos seus fãs.
O filme acompanha Nico em turnê, passando por dificuldades financeiras com sua banda, a sua relação com o seu agente, seus músicos e principalmente, com as drogas pesadas e com o seu filho Ari Delon, filho que ela teve com o ator Alain Delon e que assim como sua mãe, se tornou músico e adicto às drogas. Nico se sentia culpada pelas várias tentativas suicidas de seu filho, resultado dp abandono que ele teve quando pequeno, por conta da ausência da mãe que vivia em festas regadas a drogas e bebidas.
Nico tem uma performance absolutamente fantástica da excelente atriz dinamarquesa Trine Dyrholm, atriz fetiche de vários cineastas dinamarqueses, como Susanne Bier, Thomas Vintemberg , Erik Poppe. Para quem não se lembra, ela protagonizou "Festa em família", "A comunidade", "Em um mundo melhor" e o filme com Pierce Brosnan, "Amor é tudo o que você precisa".
O filme é bastante melancólico e depressivo, assim como era Nico. A própria Trine canta as músicas no filme, terminando com uma linda versão de "Big in Japan", do Alphaville.
Fui pesquisar como Nico veio a falecer, fato que o filme esconde, e fiquei mais triste ainda.
Kitty
"Kitty", de Chloë Sevigny (2016)
Estréia na direção da atriz Chloë Sevigny, esse premiado curta foi exibido na Semana da crítica no Fetsival de Cannes em 2016, de onde saiu com um prêmio especial para o gatinho que estrela o filme. O roteiro foi adaptado por Chloë Sevigny de um conto do escritor Paul Bowles.
Kitty é uma menina de 6 anos, que tenta a todo custo chamar atenção de seus pais e vizinhos, sem sucesso. Totalmente ignorada, ela aos poucos percebe que está se tornando uma gata. os pais não percebem a diferença, nem ninguém, até que um dia ela se transforma totalmente em um felino.
Lindamente fotografado, e com uma direção dleicada e bonita que lembra bastante o estilo de Sophia Coppola, o filme aind atem uma trilha sonora que junto da fotografia e da direção de arte, ajudam a dar a atmosfera de conto de fadas.
É um filme bastante cruel, mas visto com tanta beleza, tem a sua mensagem diluída.
Aqui em casa tudo bem
"A casa tutti bene", de Gabriel Muccino (2018)
O Cineasta italiano Gabriele Muccino construiu uma sólida carreira na Itália e nos Estados Unidos, dirigindo filmes que passeiam pelo drama, comédia, romance e melodrama. Ele já dirigiu grandes astros nos 2 países: Will Smith, Russel Crowe, Amanda Seyfried, Dennis Quaid. Em seus filmes italianos, eu gosto muito de "Para sempre em minha vida", "O último beijo" e "Entre amores e viagens".
Agora em "Aqui em casa tudo bem", ele me remeteu aos filmes de Ettore Scola. Falar de família significa falar de inimizades, mentiras, rancores, traições, tudo escondido sob uma fachada de falsa felicidade,
O casal Pietro e Alba irão comemorar 50 anos de casamento, e para isso, convidam seus filhos e seus respectivos conjugues e filhos para passarem um dia em sua casa na Ilha de Ischia, Nápoles. Todos mantêm as aparências mas quando uma tempestade atinge a Ilha e eles ficam impossibilitados de voltar para suas casas, toda a hipocrisia vem à tona.
Ao final do filme, a mensagem que o Cineasta parece querer passar é: Casar é uma merda! Não existe um único casal no filme que não tenha problemas, e a maioria relacionada à traição. Para amenizar os dramas, o filme apresenta vários personagens infantis e um casal adolescente, para dizer ao espectador que sim, o Amor tem futuro.
Gabriele Muccino se cerca de grandes astros da Itália, entre eles, o galã Stefano Accorsi e a Diva Stefania Sandrelli, ambos já recorrentes na filmografia de Muccino.
Um dos pontos altos é a linda locação na Ilha de Ischia. Muccino aproveita tudo se utilizando de Drones e steadicam.
domingo, 2 de setembro de 2018
A câmera de Claire
"La caméra de Claire", de Hong Sang-soo (2017)
Tem amigos meus cinéfilos que não aguentam mais assistir aos filmes do sul coreano Hong Sang-soo, afirmando que todos os seus filmes são exatamente iguais. Isso é uma verdade. Hong Sang-soo tem tratado do mesmo tema em todos os seus filmes, principalmente dos últimos, onde ele discute o mesmo tema da protagonista que trabalha com cinema e que é amante do Diretor do filme. Essa expiação da vida pessoal do diretor e da atriz fetiche dele, Kim Mee Hee, está exposta nesses filmes. Todo mundo já sabe que Hong Sang Soo era casado e que traiu sua esposa com Kim Mee hee. Ele acabou se separando da esposa para ficar com a atriz.
Em "A câmera de Claire", óbvio, a história se repete. Opa, não apenas a história, mas sim, a forma de contar essa narrativa: os mesmos planos longos, as mesmas cenas ambientadas em restaurantes, a lado de bebidas; muito papo improvisado, muitas falas jogadas fora....a câmera dando zoom para não ter que cortar o plano...; e o trabalho de edição, que mistura as cenas de forma descontínuas e atemporais, forçando o espectador a refletir um pouco sobre o que acabou de ver: é passado, presente ou um fast forward de algo que ainda irá acontecer?
O filme é todo ambientado durante o Festival de Cannes ( Hong San Soo dirigiu o filme durante o Festival de Cannes em 2016, em apenas 2 semanas! e escalou novamente Isabelle Huppert, que já tinha trabalhado com ele em "A visitante francesa"). Man Hee é uma jovem da área comercial de uma produtora de filmes da Coréia do Sul. Sem entender o porquê, a sua chefe a demite em pleno Festival. Perambulando pelas ruas, Man Hee conhece a professora Claire (Huppert), que veio acompanhar uma amiga cineasta no Festival. Claire tem o hábito de fotografar pessoas anônimas e assim, acaba interferindo sem querer nas vidas de Man Hee e de seu amante o diretor sul coreano.
O que mais gostei no filme, foi conhecer a cidade de Cannes, apresentada belamente aqui no filme, através de belas ruelas, restaurantes e praia. O filme em si é o mais do mesmo, mas pelo menos, tem Isabelle Huppert e é curto, 69 minutos. Quando vai encher o saco, acaba.
No coração da escuridão
"First reformed", de Paul Schrader (2017)
Em determinado momento, a gente se pergunta se não estamos assistindo a "Taxi Driver". E daí você se toca que o Diretor do filme, Paul Schrader, foi roteirista de "Taxi driver" e de "O touro indomável", e daí a gente entende que ele adora escrever personagens psicóticos, bipolares e com uma brutalidade violenta latente dentro deles, prestes a explodir.
Ethan Hawk, em uma atuação fantástica, interpreta o Reverendo Toller, que prega missas em uma Igreja que hoje em dia é mais conhecida por ser uma loja de souvenirs e para turistas. ele tem um passado traumático: ele era capelão no exército, e fez com que seu filho se alistasse na Guerra do Iraque, vindo a falecer. Divorciado, ele veio trabalhar na Igreja, que tem apoio financeiro de um grande conglomerado que polui ambiente da região. Um dia, ele conhece Mary ( Amanda Seyfried), uma paroquiana que pede ajuda para o reverendo. Ela diz que seu marido quer que ela aborte. Michael, o marido, é um ambientalista fanático, e a sua trajetória influencia a vida do Reverendo a partir desse momento.
O filme é um drama poderoso, que começa lento mas aos poucos vai ganhando uma tensão crescente, até o seu desfecho apoteótico. Assim como Travis Bickle, personagem de Robert de Niro em "Taxi driver", o reverendo também vai ganhando contornos de psicopatia, querendo "limpar" mundo de pessoas indesejáveis.
Um belo filme, com interpretações poderosas de Ethan Hawke e Amanda Seyfried.
O final deixa todo mundo se questionando sobre o que de fato aconteceu. Se você curte finais em aberto, esse filme é obrigatório.
O filme concorreu em vários Festivais, tendo ganho alguns prêmios, entre eles, um especial no Festival de Veneza 2017.
Depois da escola
"After school", de Sam Greisman (2015)
Delicado curta de temática Lgbt, escrito e diriido por Sam Greisman. O filme fala sobre a primeira paixão na adolescência, de forma simples e bonita.
Jack, um estudante de 15 anos tímido e reservado, recebe a mensagem por facebook de seu melhor amigo, Danny, para que vá para a casa dele após a aula. Eles não se vêem há tempos, e sempre foram os melhores amigos, desde crianças. Quando a mãe de Danny anuncia que o cachorro dele morreu por acidente, ele busca conforto em Jack.
Adorei o filme. Simples, de apenas 7 minutos, dando seu recado de forma totalmente objetiva. O final fica em aberto, mas para quem quiser, pode imaginar o futuro que quiser para esses meninos românticos. Bela atuação dos dois meninos.
Direção delicada e poucos diálogos, muita coisa fica apenas no olhar dos personagens.
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