quarta-feira, 31 de maio de 2017

Degradé

"Degradé", de Arab Nasser e Tarzan Nasser (2015) Longa de estréia dos irmãos gêmeos palestinos Arab Nasser e Tarzan Nasser, que também escreveram o roteiro. Exibido na Semana da Critica em Cannes 2015, o filme é uma metáfora sobre a situação política cruel localizada na Faixa de Gaza, região que divide Israel e Palestina. Nessa conturbada e violenta região, se localiza um salão de beleza. Ali, durante uma tarde, 13 mulheres se encontram para cortar seus cabelos e se maquiar. Elas não se conhecem, e cada uma tem uma característica diferente: tem uma gravida prestes a parir, tem uma fogosa cujo marido é violento, tem uma religiosa extremista, tem uma negra, tem uma imigrante russa, tem uma atriz histérica ( a excelente Hiam Abbass), tem uma mulher prestes a casar, tem a amante de um militar palestino, dono de um leão! Todas elas entram em crise quando de repente, o lado externo é bombardeado e elas discutem as suas diferenças. Obviamente, esse tipo de filme onde tudo acontece em um único espaço de confinamento costuma ser uma grande simbologia da situação sócio económica e politico de seu Pais de origem, e o filme é exatamente isso. As atrizes, todas ótimas dão conta do recado. No entanto, é um filme com um ritmo extremamente lento, arrastado, e com um viés bem teatral. Faltou uma maior interação dos cineastas com a linguagem do cinema. Com tantos talentos `a disposição, os diretores fizeram um filme correto, mas que poderia ter rendido um filme bem mais vibrante e contundente.

Mulher Maravilha

"Wonder woman", de Patty Jenkins (2017) Em 2003, a cineasta Patty Jenkins realizou um filme que mudou a carreira de Charlize Theron: "Monster, instinto assassino". Agora, ela realiza um mega blockbuster, considerado pelos críticos o melhor filme da Dc Comics desde a trilogia de "Batman", de Christopher Nolan. Esse filme, com longuíssimos 144 minutos, narra a origem de Diana (Gal Gadot), desde quando ela cresceu e foi treinada na Ilha das Amazonas, o seu encontro com o Tenente Steve Trevor (Chris Pine) e a posterior saída da Ilha, para seguir até Londres e lutar contra Ares, o Deus da Guerra, em plena 1a Guerra Mundial. Basicamente a história é essa. Claro, existem um número enorme de personagens coadjuvantes, interpretados por excelentes atores ingleses e americanos, como David Thewlis, Robin Wright, a espanhola Elena Anaya ( de "A pele que habito"), Ewen Bremner ( de "Transpotting), e a excelente Lucy Davis, no papel da divertida secretária Etta. De fato é um filme a que se assiste com prazer, com boas cenas de ação, melodrama, romance, humor e um desfecho emocionante. O problema é que a primeira parte do filme tem um ritmo bem lento e pouca cena de ação acontece. O que segura o interesse do filme é a presença magnética de Gal Gadot, no papel principal, e sua bela química com Chris Pine.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Um instante de amor

"Mal de pierres", de Nicole Garcia (2016) Baseado em livro best seller de Milena Argus, "Um instante de amor" é uma historia de amor ambientada na Franca dos anos 40 e 50. A bem da verdade, uma história de amor sofrida, sobre amores impostos e amores reveladores. Com um trio de atores impecáveis, Marion Cotillard, Louis Garrel e Alex Brendemühl (Ator espanhol que fez o papel de Mengele em "O médico alemão"), o filme concorreu em Cannes 2016, mas não levou nenhum prêmio. O filme narra a história de Gabrielle, um mulher solteira que mora com sua família em uma cidade no interior da França. Gabrielle deseja ardentemente um homem casado, mas impossibilitada de consumar seu desejo sexual, ela enlouquece. Sua mãe, desesperada, arranja um casamento de Gabrielle com um camponês espanhol pobre, José (Alex Brendemühl). Gabrielle não o ama, mas é obrigada a casar com ele. Um dia, ao passar mal dos rins, Gabrielle é levada até uma Instancia nos Alpes. Lá, ela conhece o tenente André (Garrel), por quem se apaixona. Gabrielle precisa se decidir o que fazer de sua vida. O filme tem uma levada bem académica. Chega a se tornar bastante enfadonho pelo seu ritmo lento e sua narrativa sem grande surpresas. No entanto, os últimos 20 minutos dão uma reviravolta na história, o que da uma dinamica mais interessante, algo digno de um Shayamalan, se o filme fosse suspense. Mas como não é ficou uma revelação digna de uma Janete Clair, Rainha das telenovelas brasileiras. A fotografia e a trilha sonora são dignas de um épico clássico, o que na verdade o filme procura ser desde a primeira cena. Para quem gosta de um romance a moda antiga, vai gostar bastante do filme.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Medicine for melancholy

"Medicine for melancholy", de Barry Jenkins (2008) Longa de estréia do Roteirista e Cineasta Barry Jenkins, que realizou "Moonlight", vencedor do Oscar de melhor filme em 2017. "Medicine for melancholy" é um filme de super baixo orçamento, que consiste na mesma premissa dos filmes de Richard Linklater, a trilogia "Antes do amanhecer": acompanhamos por 24 horas, um rapaz e uma garota jovens, que transaram e que passam o dia seguinte conversando e se descobrindo. Joanne tem namorado e acaba traindo ele com Micah. Ela mente o nome, o endereço, e ele insiste em querer vê-la. Nesse jogo e gato e rato, ainda descobrem tempo para discutir a questão do negro na sociedade americana, e no mercado "indie", que segundo Micah, é voltado apenas para a população branca. Wyatt Cenac e Tracy Heggins atuam de forma totalmente naturalista, assim como nos filmes de Linklater. Em uma linguagem quase documental, e com alguns maneirismos estilísticos, Jenkins faz um passeio pelas ruas e bares de San Francisco. E' um filme melancólico, e curioso que tenha sido feito em 2008, pois no inicio do ano de 2017 foi lançado nos cinemas o filme "Michelle e Obama", que da mesma forma, narra 1 dia na vida dos jovens Michelle e Barack Obama, antes de se casarem, discutindo os mesmos temas que em "Medicine for melancholy".

domingo, 28 de maio de 2017

Centro do meu mundo

"Die mitte der welt", de Jakob M. Erwa (2016) Adaptação cinematográfica do best seller alemão homônimo escrito por Andreas Steinhöfel. O filme conta a história de Phil, um jovem alemão que retorna de Paris, onde passou sua ferias. Ao voltar para casa, percebe que sua irmã gêmea, Dianne, de quem ele sempre foi muito próximo, está diferente. A mãe deles, Glass, é mãe solteira e eles nunca conheceram o pai. Glass passou a vida toda atrás de encontros amorosos, sempre frustrados. Ao voltar para as aulas, Phil conhece Nicholas, um rapaz por quem ele se apaixona. Ele só não poderia imaginar que Kat, sua melhor amiga, também esta dando em cima dele. O filme tenta a cada fotograma se aproximar do cinema de Xavier Dolan. Seja na temática, seja na estilização. Não que isso seja ruim, mas o grande problema do filme é querer contar várias histórias e ficar devendo na resolução de algumas delas. São muito sub-plots, e a trama principal, que é a história de amor entre Phil e Nicholas, fica meio de lado. Além disso, o filme é longo, e fica com um ritmo bem arrastado. A grande força do filme se reside no elenco: os atores que interpretam Phil, Nicholas, Dianne e principalmente Glass são ótimos. As cenas de sexo entre os rapazes é bastante comedida, mas o filme capricha na nudez de ambos. Para quem gosta de romances lgbts com toques de drama familiar, esse filme é uma boa pedida.

sábado, 27 de maio de 2017

O cidadão ilustre

"Il ciudadano ilustre", de Gastón Duprat e Mariano Cohn (2016) Comédia dramática dirigida pela dupla de realizadores argentinos do cult "O homem do lado". Co-produção da Espanha e Argentina, é protagonizado pelo astro Oscar Martinez, que interpreta Daniel Mantovani, um escritor argentino radicado na Espanha que acaba de ganhar o Nobel da literatura. Em seu discurso, ele diz que o Premio será o responsável pela sua derrocada literária, pois em sua opinião, receber um prêmio significa se acomodar ao sistema, o que significa empobrecimento artístico. 5 anos depois, Daniel rejeita varias conferencias, e está sem idéias para um novo livro. No meio de suas correspondências, ele recebe um convite do município de Salas, lugar onde nasceu e de lá saiu para nunca mais voltar. O convite é para que ele passe 1 semana , e entre vários eventos, receba o prêmio de Cidadão ilustre. Em principio arredio, Daniel acaba aceitando o convite, Chegando lá, ele irá passar por experiências que irão mudar sua vida para sempre. Alternando momentos de drama e situações de puro humor pastelão, "O cidadão ilustre" quer falar sobre memória, sobre a dicotomia cultural entre pessoas elitizadas e as ignorantes, e também sobre possibilidades. Daniel teve a sorte de sair de sua cidade natal e ser abraçado por um País com cultura totalmente diferente da sua. E os que ficaram em Salas e não conseguiram a mesma oportunidade? Com esse mote, o filme faz rir, faz emocionar e traz um ar de eterna melancolia sobre personagens frustrados, loosers que acabam ficando sem qualquer tipo de ambição na vida. Bem dirigido, com um humor que não tem medo de ser pastelão, e com um time de excelentes atores, "O cidadão ilustre" justifica todos os prêmios que ganhou mundo afora. A cena onde os populares apresentam um video feito em homenagem a Daniel que acaba de chegar na cidade, é antológica. E que ator é esse Oscar Martinez, nossa mãe! Um monstro!

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Rocks in my pockets

"Rocks in my pockets", de Signe Baumane (2014) Longa de animação da Lituânia, foi indicado pelo Pais para concorrer a uma vaga no Oscar de filme estrangeiro em 2014. Escrito, dirigido, narrado e animado por Signe Baumane, é um filme para adultos que trata de um assunto muito atual: a depressão e o suicídio. A própria autora, Signe Baumane, já tentou se matar, por conta de uma crise de depressão. Fazendo um estudo da árvore genealógica, ele percebeu que boa parte das mulheres da família se mataram, mas ninguém soube o motivo. Signe narra o filme através da história de sua avo Anna, que se matou aos 50 anos de idade. Nascida na Lituânia, ela se casou cedo, mas seu marido, por ciúmes, se mudou com ela para a floresta, para que nenhum homem a visse. Isolada do convívio social, Anna acabou tendo 8 filhos. A família acompanhou as invasões Russa, alemã, o comunismo, e sofreu durante todo esse período. Todas as pessoas que sofriam depressão, eram tratadas com remédios pesados pelo governo comunista. O desenho tem traços surrealistas, lembrando um pouco "Submarino amarelo" . Com um ótimo roteiro, o filme tem uma narração enjoativa e monocórdica da própria Signe Baumane, o que torna a experiência de se assistir a esse filme de 90 minutos quase que uma tortura. Mas entendo que ela mesma se utilizou do filme para exorcizar os seus fantasmas, e talvez, sua narração faca sentido por essa razão. Mas confesso que me incomodou bastante. O desenho ganhou diversos prêmios em Festivais internacionais.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Piratas do Caribe: A vingança de Salazar

"Pirates of the Caribbean: Dead Men Tell No Tales ", de Joachim Rønning e Espen Sandberg (2017) Toda vez que anunciam um novo filme da franquia de Jack Sparrow, eu prometo a mim mesmo que não vou assistir, pois a cada filme, ele só piora. Mas não tem jeito, cinéfilo do jeito que sou, acabo vendo. Esse aqui até chega a ser melhor que o desastroso filme anterior, com Penelope Cruz. Mas também não quer dizer muito. O mais divertido, é a gente ler que Johnny Depp deu tilt durante as filmagens, atrasando todos os dias e chegando bêbado no set. O seu personagem está sempre bêbado no filme, e ai a gente pensa: ele está fazendo um papel de bêbado, ou ele está bêbado? Dessa vez Jack Sparrow ( Depp) precisa ajudar uma jovem astróloga, Camila, e um jovem aventureiro que quer salvar o seu pai de uma maldição, Henry. a encontrarem o tridente de Poseidon e poder livrar o mar do navio fantasma comandado pelo vingativo Capitão Salazar (Javier Barden, divertido). O elenco de apoio é excelente: todo o núcleo de marinheiros de Jonny Depp é composto por atores ingleses geniais, além da presença elegante e Geoffrey Rush, o Capitão Hector Barbossa. Os efeitos são ótimos, principalmente os cabelos esvoaçantes de Barden, que deve ter dado um puta trabalho de 3D. O final reserva surpresa com o aparecimento de 2 personagens queridos por quem acompanha a franquia. O mais curioso, é comparar o tema desse filme com o de "Guardiões das Galáxias 2": Hollywood resolveu se apegar ao tema da paternidade, e assim, comover seus personagens e o espectador, trazendo um ar mais humano ao filme. O desfecho é bem parecido em ambos os filmes. Torço para que a franquia termine por aqui, porque convenhamos, já deu o que tinha que dar. Fora uma ou outra piada ( a da guilhotina é a melhor). o publico parece ter se cansado. No cinema que eu fui, a plateia inteira assistiu apática.

Jonas

"Jonas", de Lô Politi (2015) Longa de estreia de Lô Politi, quando lançado em circuito foi bastante criticado pelo que os críticos chamavam de olhar televisivo e novelesco e pelo tema perigoso sobre a vítima que se apaixona pelo seu algoz. Assistindo agora, me deparei com um lindo filme, um drama romântico sobre um amor impossível, com leves toques de humor capitaneados por um excelente elenco de apoio. Sim, o filme tem uma narrativa estilizada e publicitária, mas isso não pode ser visto como um demérito. A fotografia de Alexandre Ermel e a bela trilha sonora de Zezinho Mutarelli ajudam a dar um tom melancólico a essa fábula urbana belamente conduzida por Lô Politi. Ambientada em Sao Paulo, durante o Carnaval, conta a história de Jonas (Jesuita Barbosa), filho da empregada que trabalha para uma família de classe media alta ( Chris Coutto e Roberto Birindelli), e cuja filha, Branca (Laura Neiva) , é objeto de desejo de Jonas. Jonas faz de tudo um pouco para ajudar no sustento de sua família: o pai é alcoólatra e seu irmão menor, Jander (Luam Marques, excelente), que o venera como herói. Jonas ajuda na quadra da escola de samba e também trabalha como avião para os traficantes do local. Achando que Branca o está seduzindo, Jonas acaba matando sem querer um traficante e sequestra Branca, escondendo-a dentro da alegoria de uma enorme baleia. Além da grande qualidade técnica ( o único porém é a cena do incêndio do final bem tosca) , o grande trunfo do filme, escrito por Lô Politi e colaboradores, entre eles, o talentoso Felipe Sholl Diretor de de "Fala comigo", é o eclético elenco, composto por atores consagrados e amadores. Além de Jesuita Barbosa, tem os ótimos Ariclenes Barroso, Roberto Birindelli e Ana Cecilia Costa. Tem também os jovens promissores Laura Neiva e Chay Suede, e os cantores Karol Konká e Criollo, surpreendendo em suas composições.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Fragmentos de amor

"Fragmentos de amor", de Fernando Vallejo (2016) Drama erótico co-produzido por Porto Rico e Colombia, um soft porn light tentando carona no sucesso da franquia "50 tons de cinza". Rodrigo é um jovem compositor que abandonou a carreira musical e decidiu viver como afinador de pianos. Na casa de um de seus clientes, ele conhece a esposa dele, Susana, que é escultora e professora de natação. Rodrigo logo se afeiçoa por ela, e acaba se tornando seu amante. Retraido e tímido, Rodrigo ´é "educado" por Susana, que lhe conta todos os dias, histórias sobre seus amantes. Ao mesmo tempo que as histórias lhe excitam e o fazem sentir vontade de fazer sexo com ela, Rodrigo fica extremamente enciumado, o que poderá acarretar em uma grande tragédia. Casto, sem grandes momentos de erotismo ao qual se propõe, o filme tem um ritmo bastante arrastado e cenas de sexo sem nenhum tesão. O destaque fica por conta d trabalho do casal de atores protagonistas. O filme não traz muitas novidades e parece aquelas produções da Band, "Cine privé". Fica a curiosidade de se ver uma produção latina baseada em contos eróticos.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Tamo junto

"Tamo junto", de Matheus Souza (2016) Deliciosa comédia romântica escrita e dirigida por Matheus Souza, conhecido por seus filmes que se utilizam de referencia pop, geek e muito Woody Allen na veia. Matheus interpreta Paulo Ricardo, um nerd hipocondríaco e virgem, amigo de Felipe (Leandro Soares), um jovem desempregado e sem teto. Felipe vai morar um tempo na casa de Paulo e ambos resolvem ir em busca de um amor para as suas vidas. Com um super elenco de comediantes fazendo participacao especial (Fabio Porchat, Antonio Tabet, Rafael Queiroga, Augusto Madeira, Fernanda Souza) e a presença encantadora de Sophie Charlotte e Alice Wegmann, "Tamo junto" faz rir com seu humor popular e ao mesmo tempo referencial. A trilha sonora, a cargo da banda Ganeshas, é muito gostosa. Varias cenas antológicas, e em especial, o grande talento de Leandro Soares e de Matheus Souza, que em alguns momentos parece excessivo, mas nao deixa de ser engraçado com a sua presença de espirito de Woody Allen em "Annie Hall".

segunda-feira, 22 de maio de 2017

The blackcoat’s Daughter

“February”, de Oz Perkins (2015) Excelente filme de terror independente Americano, com um roteiro surpreendente. Em um internato católico localizado em uma região isolada e gelada dos Estados Unidos, as jovens entram e férias. Os pais vem buscar as alunas, com exceção de 2: Katherine e Rose. O padre resolve deixá-las ficar por mais uns dias, sob os cuidados de duas freiras, até que os pais cheguem. Reza uma lenda que no local havia uma seita de adoradores do diabo. Paralelo, temos a história de uma jovem, Jane, que foge de um internato e consegue carona com um casal para seguir até o internato. Essas histórias irão se cruzar de forma avassaladora. O roteirista e diretor Oz Perkins realiza aqui um filme verdadeiramente tenso. Em sua primeira hora, o ritmo segue lento, apresentando os personagens e a atmosfera do local. E na terceira parte do filme, é que o terror invade as telas. Impossível negar que o filme não tenha influencia direta de “O iluminado” ( Prédio isolado, região gelada, longos e assustadores corredores, personagens que surtam). Fora isso, o trio de atrizes sustenta toda a tensão do filme, em atuações convincentes. A direção de Oz Perkins é competente, e o seu roteiro, traz um twist que pega o espectador desprevenido. Trilha sonora apavorante, e silêncios de rasgar a alma.

sábado, 20 de maio de 2017

Lake Bodom

“Bodom”, de Taneli Mustonen (2016) Surpreendente filme de terror Finlandês, baseado em uma história real. Com uma excelente atmosfera de terror que vai crescendo a partir do meio do filme, repleto de reviravoltas na história, dignos de um Shayamalan, “Lake Bodom” é um dos melhores filmes do gênero que assisti recentemente. Mesmo com alguns clichês, naturais para filmes de terror ( personagens estereotipados: o gostosão, a valente, a tímida, o nerd), o filme prende o espectador. A fotografia é totalmente climática, e ainda reserva uma bela cena de ação envolvendo um reboque e um carro, além de um dos mergulhos no lago mais assustadores que você já viu. O filme pode ser visto como uma homenagem aos clássicos “slashers” dos anos 80, como “Sexta feira 13” e “ O massacre da serra elétrica”. O filme é violento, cheio de sangue. Nos anos 60, 4 jovens foram acampar no Lago Bodom. Todos eles foram atacados por um assassino, sendo que 3 morreram e um sobreviveu. Até hoje, não se sabe o paradeiro do assassino, e inclusive o sobrevivente foi por um bom tempo visto como sendo o assassino. Nos dias de hoje, 4 amigos resolvem visitar o local do crime e reconstituir os fatos. Ao passarem a noite no local, descobrem que alguém os ronda. O maior mérito do filme foi evitar usar a linguagem do “found footage”, o que o tornaria muito similar `a “Bruxa de Blair”. Ao invés disso, o diretor simplesmente se utiliza dos recursos narrativos de um bom filme de terror tradicional e os incorpora no filme: personagens dúbios, floresta, noturna, lago, fogueira...e claro, na hora de correr, ninguém acha o carro. Para quem curte um terror, esse filme e mais do que recomendado. Não se deixem abalar pela nota baixa no Imdb. As duas atrizes são ótimas e rendem belos momentos.

El cinco

“El cinco de talleres”, de Adrián Biniez (2014) Dirigido e escrito pelo Cineasta argentino Adrián Biniez, mesmo realizador do excelente “Gigante”, “El cinco” narra a história real do capitão e cabeça de área do time de Talleres de Escalada, Patón Bonnassiolle (Esteban Lamothe) usando sempre o número 5, desde jovem. Agora, aos 35 anos, ele se vê em um grande obstáculo e dilema: ao ser punido por uma falta durante uma partida, e suspenso de outras, ele reflete sobre a vida e decide abandonar o futebol. Essa decisão repercutirá entre os fãs, os dirigentes do time, os jogadores e principalmente por sua esposa, Ale (Julieta Zylberberg – de “Relatos selvagens”, e esposa na vida real de Esteban Lamothe). Eu particularmente não gosto de futebol, e metade do filme se passa dentro desse ambiente. Mas é um filme honesto, com ótimas atuações da dupla principal, e as cenas do casal discutindo o futuro e a rotina do dia a dia, além das tentativas de Patón estudar e arrumar trabalho, são muito boas. Para os faz do esporte, é uma ótima oportunidade de se discutir a curta vida útil de um esportista, ainda mais quando ele, dedicando sua vida toda ao esporte, não alcança fama nem fortuna.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Amor.com

“Amor.com”, de Anita Barbosa (2017) Não importa como, quando, onde e porque, seja sempre você mesmo. Essa é a mensagem que pode ser tirada da deliciosa Comédia romântica dirigida por Anita Barbosa, estreando em longa-metragem, que recupera o espírito das produções adocicadas que faziam a alegria de toda a família e claro, os casais apaixonados. Com uma qualidade técnica impecável (fotografia, figurino, direção de arte, trilha sonora), o filme surpreende por falar com a mesma linguagem dos adolescentes, que facilmente se verão retratados com realidade na história: tem festa Cosplay, tem canais de Youtube, tem eventos repletos de influenciadores, tem games e claro, os haters e hackers de plantão. A linguagem da internet que pulula nas telas é bem moderna e ágil. A história narra o romance cheio de altos e baixos entre Katrina (Isis Valverde) e Fernando. Ela uma youtuber de moda e comportamento, que faz mega sucesso e cheia de seguidores. Ele, um youtuber de games, hacker e com uma quantidade de seguidores bem pífia. Quando eles se encontram, é amor `a primeira vista. Mas as diferenças logo se fazem sentir, e um dos 2 precisará ceder para que a historia continue. O filme aproveita para alfinetar a cultura das celebridades vazias, que nada tem a acrescentar, e dignifica os Nerds (geeks), que graças a Deus, não são ridicularizados aqui. Mérito do roteiro escrito a 6 mãos ( Leandro Matos, Bruno Garotti e Saulo Aride). Isis Valverde e Gil Coelho brilham nos papéis.O elenco de apoio é muito bom: Alessandra Richter, Joao Cortes, Cesar Cardadeiro, Carol Portes são destaques em um filme repleto de participações.

Antes que eu vá

"Before I fall", de Ry Russo-Young (2017) Escrito e dirigido por mulheres, "Antes que eu vá" é um filme que fala sobre amizade, perda de virgindade, bullying, suicídio, reconciliação. Parece a sinopse da série da Netflix, “13 reasons why”, mas ele vai além: o filme se utiliza da premissa do clássico “Feitiço do tempo”, de Harold Ramis. Todos os dias, a personagem Samantha Kingston ( a excelente Zoey Dutsch) acorda e repete as mesmas ações. Ela percebeu que, por algum motivo, ela faz parte de um ciclo de um dia que não se fecha, e todos os dias são iguais para os que a rodeiam. Incomodada no início, ela logo toma proveito da situação, até entender que nessa repetição, ela precisa resolver os seus problemas e assim, poder seguir adiante em sua vida. Sim, tudo isso existe em “Feitiço do tempo”. Mas ao invés da comédia, o filme aposta no drama fantasioso e no romance. Os pontos positivos são o ótimo elenco jovem, todos dando conta do recado, a fotografia meio sombria, quase que como um pesadelo e a trilha sonora pop. A direção é bem ágil, dinâmica, e provavelmente esse filme fará sucesso entre os adolescentes. O desfecho é inusitado, e acredito que muita gente ficará chateada.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

O ventre

"El vientre", de Daniel Rodriguez Risco (2014) O filme de suspense "O ventre" foi a terceira maior bilheteria de um filme nacional da historia do Pais, com mais de 200 mil espectadores. Pegando como mote o batido tema da mulher que deseja o bebe de outra, o filme diverte através das inúmeras referencias a tantos clássicos do gênero, como "A mão que balança o berço". Escrito e dirigido por Daniel Rodriguez Risco, narra a história de Mercedes, uma jovem órfã que trabalha em um matadouro. Um dia, uma senhora rica, Silvia, vai até o matadouro e resolve contratar Mercedes para que seja sua empregada, trabalhando em sua mansão. Feliz com o novo emprego, Mercedes acaba se envolvendo com Jaime, o jovem empregado da casa. Ela engravida, e logo depois, descobre que tudo foi armado por Silvia, em um diabólico plano para ficar com a criança. Com ótimas atuações de Mayella Lloclla, como Mercedes, e Vanessa Saba, uma maravilhosa vilã no estilo da governanta de "Rebecca", de Hitchcock, "O ventre" apenas quer divertir o espectador, mesmo que a trama seja das mais óbvias.

Norman: Confie em mim

"Norman: The Moderate Rise and Tragic Fall of a New York Fixer", de Joseph Cedar (2016) Tragicomédia dirigida e escrita pelo Cineasta israelense Joseph Cedar, o mesmo do excelente "Notas de rodapé". Aqui, ele cria uma complexa e elaborada trama sobre pessoas que querem se dar bem de alguma forma, nem que seja mentindo, na capitalista Nova York. Norman (Richard Gere), é um veterano e decadente profissional de estratégias políticas, cuja função é unir pessoas poderosas que não se conhecem para criar uma aliança e ele tirar partido disso. Norman trabalha sozinho, com o seu inseparável celular, e perambula pelas ruas. Um dia, ele cruza com Misha Eschel (Lior Ashkenazi), vice-primeiro ministro Israelense, e nesse encontro de interesses, ele lhe compra um par de sapatos caríssimos. 3 anos depois, Misha se torna primeiro ministro de Israel e um homem poderoso. O que ninguém esperava, é que os sapatos ganhos por Norman, seriam usados como crime contra o Governo, acusado de suborno. Com um excelente elenco que inclui Charlotte Gainsbourg, Michael Sheen e Steve Buscemi, "Norman" tem bela direção de elenco, mas confesso que o roteiro e a edição me deixaram totalmente confusos. Chegou uma hora que nao consegui mais acompanhar a narrativa, me perdendo quase que por completo da historia, justamente porque eu estava vendo tudo por um lado fantasioso. E' o tipo de filme que precisa ser visto mais de uma vez, mas isso vai levar tempo, pois o filme se tornou uma experiência cansativa devido a sua longa duração, de quase 2 horas, que parecia ter pelo menos meia hora a mais. O que faz valer a pena assistir ao filme, é o belo elenco em boas atuações.

Carne fresca

"Beefcake", de Thom Fitzgerald (1998) Divertido docudrama sobre os fotógrafos de nus masculinos nos Estados Unidos ultra conservadores dos anos 30 a 60. O filme foca atenção especial ao fotógrafo Bob Mizer, que criou a Revista AMG (Athletic Modeling guide). A revista, assim como a "Physique pictorial", foram criadas inicialmente para o publico que era fa de corpos de fisiculturistas, mas logo tornou-se alvo do publico gay, que consumia as revistas para ver os corpos desnudos. Era uma forma de driblar a censura da época. As revistas fizeram muito sucesso, assim como seus modelos, que em sua maioria, eram desempregados, atores frustrados e garotos de programa. Bob Mizer e sua mãe chegaram a criar alojamentos em sua casa, onde hospedavam os rapazes, e ali mesmo ele montou um estúdio fotográfico. No entanto, ele sofreu grave processo por parte dos garotos, que o acusaram de obrigar a fazer sexo com eles. Mizer faleceu em 1992, e se vangloriou de jamais ter realizado filmes de sexo explicito, o que foi desmentido logo depois. Com Direção de Thom Fitzgerald ( que dirigiu os bons dramas "Cloudburst", com Olympia Dukakis interpretando uma lésbica, e "Unidos pelo sangue" , o filme junta cenas ficcionadas com cenas reais de arquivo. Criativo, divertido e com uma bela direção de arte e fotografia vintage, "Carne fresca" é um filme ousado, repleto de imagens explicitas de nus masculinos. Curioso assistir a esse filme e pensar como a sociedade ficou careta. Bob Mizer foi um artista `a frente de sua época, que lutou contra a censura e a sociedade que o criticava por suas fotos. Um filme que vale ser visto pela sua originalidade e pelos curiosos depoimentos de modelos remanescentes da época, como o muso de Andy Warhol, Joe Dalessandro.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Sobre viagens e amores

“L'estate addosso”, de Gabriele Muccino (2016) O Cineasta italiano é um grande artesão do sentimentalismo. Seus filmes geralmente giram em torno de personagens as voltas com futuro incerto, conflitos de relacionamento, indecisão acerca da vida, medo de morte iminente. Foi assim em “Para sempre em nossas vidas”, “ O primeiro beijo” e depois na fase americana, com “ A procura da felicidade”, com Will Smith. Agora, com “Sobre viagens e amores”, Muccino abrilhanta ainda mais a sua filmografia, com esse verdadeiro “Coming of age” de 2 adolescentes, Marco e Maria, brilhantemente interpretados por Brando Pacitto e Matilda Anna Ingrid Lutz. Os 2, que mal se falam no colégio, aceitam o convite de um amigo para passar as férias nos Estados Unidos. Antes de seguirem para NY, eles passam 8 dias na casa de um casal gay amigos de Vulcano. E é essa convivência com esse casal gay que fará com que Marco e Maria descubram o significado do verdadeiro Amor, e também, a aceitação das diferenças. Os atores americanos Joseph Haro e Taylor Frey, nos papéis de Paul e Matt, são extremamente carismáticos e talentosos. Juntos, esses 4 atores foram uma grande e grata surpresa para mim, e que delicia é assistir a esse filme! Ele é um Ode `a amizade, ao amor, as diferenças, `a paixão, ao prazer de curtir os bons momentos com pessoas que fazem a diferença. Rodado em Roma, São Francisco, Cuba e Nova York, essa viagem a 4 cantos do mundo faz pensar como a vida é curta e como todos merecemos ser felizes. Linda fotografia, e trilha sonora sensacional! Saí melancólico do filme, de tão lindo que ele é. Impossível não me lembrar de “Houve uma vez um verão”, com certeza, uma grande influência para Muccino.