Aqui comento os filmes que assisto...mas sem muito saco de teorizar demais..somente comentando o básico: se gostei ou não hehehe (Comento apenas filmes vistos a partir de Outubro de 2010)
domingo, 30 de abril de 2017
A bailarina
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“Ballerina”, de Eric Summers (2016)
Dirigido e escrito por Eric Summers, essa co-produção França/Canadá se ambienta no final do Sec XIX na França. Em Paris, a Torre Eiffel está sendo erguida, e a Estátua da Liberdade, confeccionada. Acompanhamos a história de Felicia, uma órfã que mora em um orfanato afastado de Paris, e que sonha em ser bailarina. Um dia, seu amigo, também órfão, Victor, lhe mostra a foto do prédio do Balet real de Paris, onde existe curso de ballet mais famoso a Franca. Victor, com sua invenção de asas, foge do orfanato com Felicia. Chegando em Paris, Felicia vai trabalhar com Odette, uma ex-bailarina que ficou manca e trabalha como faxineira no Balet real. Odette a ajuda a realizar seu sonho de bailarina, mas em seu caminho, terá que enfrentar a fúria a dona do local, que quer que sua filha seja a escolhida para protagonizar o Balet Quebra-nozes.
Simpático, esse desenho realizado em 3D lembra aquelas animações feitas para a tv, com um roteiro simples e traços de animação sem grande criatividade. Mas como a história gira em torno de sonhos e realizações, acaba atingindo o sue objetivo. A maldade da Madame é bem fora do tom, mesmo porque é bastante exagerado, diferente do contexto do restante do filme ( até mesmo o funcionário do orfanato, interpretado pela voz de Mel Brooks, está mais comedido). A protagonista Felicia é carismática, apesar do erro que ela cometeu de mentir e se fazer passar por outra menina. Mas é um filme que fala sobre perdão, sobre se reinventar. Logo, aa crianças que forem assistir ao filme terão boa inspiração. O desenho é repleto de canções pop, e as imagens de Paris da época são bem fiéis.
sábado, 29 de abril de 2017
Lazy eye
"Lazy eye", de Tim Kirkman (2016)
Hoje em dia todo Cineasta independente que quer fazer um filme barato, quer dar uma de Richard Linklater quando botam personagens discutindo relação. O problema é que são poucos, mas muito poucos, que tem a capacidade de escrever diálogos que sustentem o filme inteiro, sem cair na verborragia monótona.
Tim Kirkman escreveu e dirigiu um drama sobre uma verdadeira lavação de roupa suja entre um ex-casal de amantes gays. Dean (Lucas Near-Verbrugghe) e Alex (Aaron Costa Ganis) se conheceram há 15 anos atrás em Nova York. Eles formavam um jovem casal feliz, até que Alex simplesmente desapareceu. Passados os 15 anos, Dean mora em Los Angeles, e trabalha como graphic designer. Ele recebe um email de Alex, e ao mesmo tempo que fica irritado, sente um impulso em querer encontrá-lo. O problema é que Dean está casado. Mesmo assim, ele resolve passar um final de semana com Alex, e ai, revelações de um passado são postos `a prova, regados a muito sexo e um lindo visual no deserto do Mojave.
De baixo orçamento e poucas locações, “Lazy eyes” poderia ter sido um ótimo curta sobre a possibilidade de reconexão, mas como longo, o mote não se sustenta. O filme é arrastado, longo, os personagens não são cativantes e fica difícil acompanhar a trajetória de uma relação totalmente sem carisma. Pior: quando o filme avança em flashbacks de 15 anos atrás, quando supostamente os personagens teriam por volta de 20 e tantos anos, o Diretor resolveu colocar os mesmos atores. E’ gritante a idade desconectada entre Ator e personagem, ficou horrível. Vale pela bela fotografia e planos bonitos do sexo.
sexta-feira, 28 de abril de 2017
Elon não acredita na morte
"Elon não acredita na Morte", de Ricardo Alves Jr (2016)
Eu adoro ver cenas de sexo bem filmadas nos filmes, e aqui, existe uma cena de sexo explicito, onde os atores Romulo Braga e Clara Choveaux fazem sexo oral, de forma crua e visceral. Uma cena intensa e dolorosa. Só por essa cena, o filme já merecia a atenção do espectador. Mas o filme é bem mais do que isso. Totalmente focado na estética dos cineastas belgas irmãos Dardenne, que se utilizam da câmera documental que fica o tempo todo grudado nas costas do personagem, seguindo-o para todos os lugares, "Elon não acredita na Morte" é um híbrido de drama psicológico e filme de suspense.
Elon ( Romulo Braga) é um vigia noturno. Sua esposa, Madalena (Clara Choveaux) não retorna para casa, e ele passa a noite toda em busca de seu paradeiro. Para isso, ele vai atras de uma amiga, da Irma dela ( a mesma Clara Choveaux) e de pessoas próximas, sem sucesso. Ao mesmo tempo, imagens desconexas vem a sua mente. O que teria acontecido `a Madalena?
Me lembrei bastante de um filme de Gustavo Rosa de Moura, chamado " Canção da volta". Nele, um casal em crise, vividos por Joao Miguel e Marina Person, vivem `as turras. Um dia, ela desaparece, e o personagem de Joao vaga pelos hospitais, delegacias, Iml, ruas, em busca dela. O que diferencia os dois filmes, é justamente a estética.
Ricardo Alves Jr, cineasta mineiro, adaptou o seu premiado curta "Tremor" , de 2013, e o esticou, criando o longa " Elon não acredita na morte". Ele substituiu o ator Elon Rabin, que dá nome ao personagem , pelo ator Romulo Braga, que está extraordinário. E' um filme que mistura atores e não atores, em narrativa totalmente documental. Um filme adulto, trágico, cult e um belo presente para cinéfilos. Trilha sonora e fotografia fodas, ajudando no clima claustrofóbico.
Moca
"Moka", de Frédéric Mermoud (2016)
Drama psicológico, beirando o suspense, sobre uma mãe que deseja vingança pela morte de seu filho. Luc é um adolescente que foi atropelado. Quem o atropelou não prestou assistência e ele acabou morrendo no local. Diane (Emanuelle Darvos) tenta a todo custo descobrir quem são os responsáveis pelo crime. A sua obsessão torna-se tão doentia, que ela é internada em um sanatório. Ela acaba fugindo e dali, parte com pistas sobre o paradeiro do dono do carro que atropelou seu filho. Ela descobre então Marlene (Nathalie Baye, atriz fetiche de Xavier Dolan( ), dona de um salão de beleza, que ela acredita ser a assassina.
Fico imaginando essa trama nas mãos de Park Chon Woo, realizador da trilogia de vingança, entre eles "Oldboy". Ele faria com certeza um filme pulsante e violento. Mas o Cineasta Frédéric Mermoud resolveu investir o filme no trabalho das 2 atrizes fenomenais, Emanuelle Darvos e Nathalie Baye, em um duelo de performance irretocável. O filme segue lento,revelando segredos aos poucos, em um desfecho digno de plot twist de Shayamalan. Vale assistir, um filme noir com muitos talentos envolvidos.
quinta-feira, 27 de abril de 2017
Inseparável
"Indivisíbli", de Edoardo De Angelis (2016)
Excelente drama italiano, que me remeteu bastante aos filmes neo-realistas, por ser filmado em locações pobres de Nápoles e com um tema social tão profundo. No entanto, existe um elemento quase de Tim Burton nesse estranho filme, um grande pesadelo embalado como se fosse um sonho.
2 irmãs siamesas ( as excelentes Angela e Marianna Fontana, em tour de force emocionante) vivem com seus pais em uma comunidade pobre na beira da praia de Nápoles, em um bairro de miseráveis. O pai é um jogador viciado, e compõe músicas para que suas filhas cantem em festas decadentes. A mãe é viciada em drogas. As irmãs, que atingiram 18 anos, cantam e são apresentadas como atração freak nos eventos. Um dia, ao conhecer um cafetão, uma das irmãs, Dayse, revela o desejo de se separar de sua outra irmã. Para piorar a situação, surge um cirurgião, dizendo que é capaz de separar as duas irmãs, sem prejuízo para nenhuma delas. Porem, tanto os pais das gêmeas, quanto a igreja, repudiam essa cirurgia, pois percebem que deixarão de explorar o dinheiro que elas lhes proporciona.
Intenso, comovente, bizarro, lúdico...esse filme trouxe sensações bem estranhas enquanto eu o assistia. A extraordinária fotografia de Ferran Paredes, aliado as locações estonteantes, dão uma atmosfera muito próxima a pinturas expressionistas. Trágico, o destino dessas irmãs e' bastante cruel. Um filme que fala sobre a exploração em todos os níveis: social, sexual, económico e bullying. Um filme arrebatador, que provoca revolta, pela extrema vilania de alguns personagens ( bem ao gosto de novelas melodramáticas) , mas que faz o espectador torcer bastante pelas heroínas. Algumas cenas são antológicas, como por ex, quando elas se apresentam para um conjunto habitacional frequentado por traficantes e prostitutas decadentes. Com ótima direção, o filme conquistou inúmeros prêmios em Festivais de cinema, entre eles, o de Veneza em 2016.
Guardiões da Galáxia Vol 2
"Guardians of the Galaxy Vol 2 2", de James Gunn (2017)
Dirigido e escrito por James Gunn, essa parte 2 do filme de grande sucesso descobriu a formula deliciosa de incorporar uma trilha sonora repleta de hits esquecidos dos anos 80 `as cenas de ação e de dramaticidade. Sim, tem drama nesse filme, aliás, muito drama. No fundo, o tema "familia" aparece em todos os núcleos de personagens. E' impressionante como James Gunn criou uma ciranda de discussões acerca de parentes ( pais, filhos, irmãos) que emociona o espectador, principalmente na cena final. Eu amo personagens bidimensionais, que mostram humanidade, e aqui no filme, está repleto deles. Não há muito o que falar do filme, pois todo mundo já o disse: elenco foda, direção foda, trilha foda, cenas de ação foda...e sim, a estética anos 80., desde os letreiros iniciais, homenageando todas aquelas series e filmes B de uma época onde a gente era realmente feliz. Participações especiais de Sylvester Stallone, Michelle Yeoh, entre outros. Mas a grande cereja do bolo, além de Kurt Russel, é a presença de Michael Rooker, um ator excepcional, que quase sempre fez escada para todo mundo, e na maioria das vezes no papel do vilão, fazendo um personagem digno, emocionante. Antológico.
quarta-feira, 26 de abril de 2017
Quando estou amando
"Quand j'étais chanteur", de Xavier Giannoli (2006)
Drama dirigido pelo mesmo Cineasta de "Marguerite", versão francesa de "Florence:Quem é essa mulher?", Xavier Giannoli. "Quando estou amando" conseguiu o grande feito de ter sido selecionado para a Competição Oficial em Cannes 2006. E' um filme simples, sobre personagens simples, mas que fala ao coração. O filme não levou nenhum prêmio em Cannes, apesar da soberba atuação de Gerard Depardieu, mas levou o de melhor Trilha sonora no Cesar.
A historia não poderia ser mais corriqueira em um romance melancólico: Um homem de meia idade e decadente canta em Bailes para terceira idade em Clermont Ferrand. em um desses bailes, Alain Moreau (Depardieu) conhece Marion (Cecile de France), uma corretora de imóveis que trabalha para Bruno (Mathieu Amalric). Os dois passam uma noite juntos, apesar da grande diferença de idade. No dia seguinte, Marion vai embora ao acordar. Alain está apaixonado, mas Marion não quer nada com ele. Para se aproximar dela, Alain diz que quer comprar um apartamento novo. Marion aos poucos vai cedendo aos encantos desse homem tão diferente de tudo o que ela queria.
A grande forca desse filme, alem do trabalho dos 2 atores principais, é o charme vintage dos bailes de terceira idade, com músicas extremamente românticas, fora de moda ( algo meio Manolo Otero). Os diálogos são bons e no geral, fala sobre a solidão de personagens sem muita esperança em um futuro melhor. Nesse encontro de corações vazios, o filme explora bem a melancolia. Para ser melhor, o filme tinha que ter meia hora a menos. Um filme desses ter quase 2 horas, é demais. Ficou cansativo e o ritmo é bastante arrastado.
segunda-feira, 24 de abril de 2017
Joaquim
"Joaquim", de Marcelo Gomes (2017)
Todo mundo sabe que "Joaquim" foi o filme brasileiro que competiu no Festival de Berlin 2017. Todo mundo também sabe que o filme narra a trajetória de Joaquim José da Silva Xavier, dentista e alferes, a serviço do Governo de Portugal, tudo antes de ter se rebelado e se unido aos Inconfidentes em Minas Gerais. A história acontece no final do Sec XVIII, e já começa com a narração de José da Silva Xavier, Tiradentes, morto, dizendo que ele foi o único sacrificado, decapitado e esquartejado do grupo. Com esse grande lamento, e o peso de ter se tornado mártir, o filme começa. Mostra um homem comum, que é amante de uma escrava, cobiça o ouro dos garimpos e de certa forma, mau caráter. Mas tudo muda quando ele é sequestrado por escravos fugitivos de um quilombo e toma a dimensão da importância do engajamento contra a corrupção e a ladroagem. Não, o filme não se passa em pleno Sex XXI. Como falei, acontece no fim do Sec XVIII. Mas é justamente essa a proposta de Marcelo Gomes. Mostrar que o Brasil continua o mesmo, e é preciso que as minorias (negras, indígenas, o povo) se rebelem contra o sistemas corrupto que se instalou no Pais. Dando voz e corpo a Tiradentes, Julio Machado tem uma performance monstruosa, visceral. O roteiro tem um vocabulário adaptado aos dias de hoje, para não provocar estranhamento no espectador. Caralho, filho da puta, todos os palavrões modernos são ditos ad infinitum pelos personagens.
A fotografia de Pierre de Kerchove é linda, valorizando as paisagens deslumbrantes. O único senão é o ritmo extremamente lento do filme, que dificulta um melhor acompanhamento da história.
O Silêncio
"Sokout", de Mohsen Makhmalbaf (1998)
Dirigido e escrito pelo famoso Cineasta iraniano Mohsen Makhmalbaf, o filme foi rodado durante o seu exílio politico fora do Irã, no Tadjiquistão. Nesse exótico Pais, que faz limite com China, Afeganistão e Uzbequistão, as convenções sociais da mulher são menos rigorosas que no Irã, e as roupas são muito coloridas.
"O Silencio" foi concebido por Makhmalbaf através de lembranças de sua infância, quando ele morava com sua avó. Ela o proibia de escutar musicas na rua, e pedia para que ele colocasse os dedos nos ouvidos para não ser tentado pela beleza da música, que segundo a avó dele, era o caminho para o inferno. Com essa premissa, ele criou a história de
Khorshid, um menino de 10 anos, cego, mas apaixonado pela música. Ele aprimorou a sua audição e por isso, trabalha em uma loja que afina instrumentos musicais. O proprietário da casa onde
Khorshid mora com sua mas está querendo expulsá-los caso eles não paguem o aluguel em 5 dias ( o pai de
Khorshid foi para a Russia e nunca mais voltou). A mãe de
Khorshid pede para que o filho consiga dinheiro através do seu trabalho. No entanto, todos os dias, Khorshid chega atrasado no trabalho, pois ele acaba se distraindo com o som vindo de um instrumento tocado por um músico na rua, o que acaba provocando a sua demissão.
Com imagens extremamente poéticas e belas, "O Silencio" é uma obra-prima, com um extraordinário trabalho de edição de som. Makhmalbaph dirige seus não-atores de forma naturalista, prática comum em filmes iranianos, onde boa parte dos atores não expressa emoção alguma nas falas. Os enquadramentos estilizados e publicitários suscitaram vaias quando exibido em Veneza ( de onde saiu com 3 prêmios). Makhmalbaph foi acusado de se vender a uma estética em prol de conteúdo. Um absurdo essa acusação, e passados quase 20 anos da realização do filme, ele continua poderoso em suas imagens e registro sonoro. Obrigatório para estudantes de cinema. O pequeno Tahmineh Normatova, que interpreta Korshid, e Nadereh Abdelahyeva, no papel de sua amiga Nadareh, tem uma beleza incomum e são extremamente carismáticos. A cena de Nadareh usando pétalas de flores para criar unhas coloridas em suas mãos é um primor.
domingo, 23 de abril de 2017
Uma noite
"One night", de Minhal Baig (2016)
Dirigido e escrito pela cineasta Minhal Baig, "Uma noite" é um drama romântico independente totalmente rodado em Los Angeles, e se passa todo em uma noite. Dois casais, um Pós adolescente e outro na faixa dos 30, procuram se reconectar/conectar diante da dificuldade de lidar com a verdade do relacionamento.
Os diálogos são ótimos e recomendo aos atores que querem fazer cenas de casais que peguem trechos do filme. Não tem nada de novelesco nem falam de aborto ou gravidez, aquelas chatices que todo ator usa em vídeobook. O filme é uma espécie de homenagem a trilogia de Richard Linklater, "Antes do entardecer", com uma proposta maravilhosa: imaginem se Jesse e Celine pudessem se ver no outro casal mais jovem, e pudessem rever tudo o que fizeram de errado para poder seguir sua vida baseada apenas na compreensão e na felicidade?
Melancólico, lírico, tem bela atuação dos quatro atores desconhecidos. Um pequeno belo filme, que eleva nossa alma e na crença no ser humano. Direção sensível de Minhal Baig.
sábado, 22 de abril de 2017
Evolução
"Evolution",de Lucile Hadzihalilovic (2015)
Curiosa fábula de ficção cientifica, muito semelhante ao filme fantástico de Gore Verbisnky, " A cura". Cm visual estonteante, todo ambientado em uma Ilha mágica, o filme, dirigido e escrito por Lucile Hadzihalilovic, foi livremente inspirado em "A ilha de Dr Moureau", obra clássica da literatura de horror, que tem como tema, experiências genéticas com a finalidade de criar figuras mutantes.
Nessa ilha, habitam apenas mulheres adultas e meninos na faixa dos 10 anos de idade. Nicolas, durante um mergulho, cisma que viu um menino de sua idade afogado. Ao reportar `a sua mãe, encontra nela indiferença, achando que foi uma alucinação dele. Ao tentar descobrir a verdade, Nicolas se revela uma ameaça para a paz do local, e é levado até um hospital. Lá, ele encontra outro meninos como ele, e entende que eles fazem parte de experiências genéticas que envolve as estranhas mulheres do lugar.
Vencedor de mais de 5 prêmios em Festivais de Cinema Fantástico, o filme surpreende pelo visual, fotografia e o trabalho dos meninos, além da caracterização assustadora das mulheres, e belas imagens subaquáticas. A narrativa, em ritmo lento, seduz, mas não é um filme fácil para o grande público, mesmo porque a sua historia é bem complexa. Confesso que fiquei um pouco perdido no final.
Curiosidade: Lucile Hadzihalilovic vem a ser esposa do Cineasta Gaspar Noe, de "Love" e " Irreversível".
sexta-feira, 21 de abril de 2017
Vida
"Life", de Daniel Espinosa (2017)
Os roteiristas mesclaram "Alien" e "Gravidade" e criaram esse híbrido chamado "Vida", um péssimo título que não vende o potencial do filme. Escalando ótimos atores como Jake Gylenhaal e Ryan Gosling, o cineasta sueco Daniel Spinosa não soube aproveitar o talento deles. Podia ser qualquer ator ali no papel dos dois que não faria a mínima diferença, eles estão totalmente no automático, o que é uma pena. Eu queria muito ter gostado do filme, mas o roteiro não ajuda, fazendo com que todos os personagens tomem atitudes ridículas quando em perigo. Rebecca Ferguson, atriz sueca que começou com filmes autorais e foi adentrando o universo dos blockbusters, também tenta imprimir a personalidade da Tenente Ripley de Sigourney Weaver na sua personagem, infelizmente sem sucesso. Resta abstrair a lógica e curtir os efeitos especiais e um final a la Shayamalan. Todo mundo diz que esse filme seria um prequel do vilão "Venom" da Marvel, antagonista do Homem Aranha. Será?
quarta-feira, 19 de abril de 2017
Sam esteve aqui
"Sam was here", de Christopher Deroo (2016)
Co- produção França/Estados Unidos, "Sam esteve aqui" é um thriller psicológico de horror. Imaginem uma mistura de David Lynch e Wes Craven? Pois foi essa a sensação que eu tive ao assistir ao filme. Muita bizarrice, surrealismo mesclado a uma trama muito comum nos anos 70, a de filmes de quadrilha de sádicos.
Sam é um vendedor que percorre a região do Deserto de Mojave, na California, para bater de porta em porta e vender seus produtos. Para a sua surpresa, não tem ninguém em nenhuma das casas. Sam liga para sua casa e sua esposa e filha não atendem. De repente, ele avista no horizonte uma estranha luz avermelhada. A partir daí, fatos estranhos acontecem: Pessoas mascaradas surgem querendo matá-lo, enquanto um radialista o acusa de seu um serial killer que mata crianças da região.
Eu poderia citar 2 filmes clássicos dos anos 70 que provavelmente foram usados como referencia para esse filme: " O homem de palha" e "Encurralado". Sao filmes de um anti-herói, que não entende o que está acontecendo. O problema, é que nem o espectador entende. O diretor e roteirista Christopher Deroo deixou todas as pistas para uma possível resolução em aberto. O espectador que entenda o que quiser. Por conta disso, o filme torna-se muito insatisfatório. Nada contra finais em aberto, mas aqui, deixou-se muito a desejar.
O filme tem uma atmosfera anos 80, com a clássica trilha repleta de sintetizadores. O ator Rusty Joiner faz o que pode no papel principal, e até faz bem, levando-se em consideração que ele passa praticamente o filme todo sozinho.
Peles
"Pieles", de Eduardo Casanova (2016)
O jovem cineasta Eduardo Casanova, mal comparando, é o Xavier Dolan espanhol. Começou cedo na direção, é ator, escreve seus roteiros e realiza filmes totalmente estilizados, com estética publicitária e super pop, e utilizando em sua trilha sonora clássicos vintage. A diferença? Ele usa o universo do grotesco e dos filmes B, além da referencias Lgbts, em seus filmes. "Peles" é uma versão para longa do sue premiado e controverso curta "Eat my shit", sobre uma jovem que nasceu com os orifícios do anus e da boca invertidos. Em "Peles", ele recupera a mesma personagem, mas além dela, ele reúne mais uns 6 personagens de pessoas deformadas e que tentam dar vazão aos fetiches Sexuais provocados por outras pessoas.
O centro da historia é um bordel, onde uma menina, Laura, que nasceu sem olhos, é a grande atração para os clientes. Além dela, temos uma anã, um rapaz que quer serrar suas pernas porque acredita ser uma sereia, um casal de rosto deformado e por ai vai.
O filme só poderá ser assistido por pessoas com mente aberta, caso contrario, será um escândalo atrás do outro. Pedofilia, fetiches sexuais, escatologia, coprofagia...o cineasta Eduardo Casanova não economizou em cenas de sexo, nudez , obtendo de seu elenco o máximo de realismo em momentos de visceralidade. Sim, o filme tem o propósito de chocar, e por conta disso, acaba perdendo muito de seu foco, que e' apresentar um universo que o diretor Todd Browning havia trazido na sua obra-prima "Freaks". Casanova expõe pessoas com problemas físico como se fossem objetos de escárnio publico. Entre atores maquiados com próteses e anões e gordos de verdade, fica a duvida sobre o que ele realmente quiz falar em seu filme e para quem. Mas como sou um cinéfilo que ama filmes bizarros, gostei bastante. Excelentes fotografia, Direção de arte e trilha sonora.
Eat my shit
"Eat my shit", de Eduardo Casanova (2015)
Aos 24 anos, o cineasta espanhol Eduardo Casanova realizou um dos curtas mais ousados que assisti na vida. A breve história (o curta tem 3 minutos) narra o bizarro drama de Samantha, uma jovem que nasceu com uma terrível condição física: os orifícios do anus e da boca foram invertidos quando ela nasceu. Ela come pelo anus, e dejeta pela boca. Quando Samantha resolve postar uma foto de seu rosto no Instagram, e vetado pela politica de censura do mesmo. Samantha resolve almoçar em uma lanchonete, e a garçonete desdenha de seu rosto. Samantha resolve se vingar.
Inventivo, original, mas também grotesco e tosco, "Eat my shit" não é para qualquer espectador. Me lembrei muito do brasileiro Edgar Navarro, que realizou um curta chamado "O rei do cagaço", clássico do cinema marginal, onde o próprio surge defecando.
"Eat my shit" recentemente originou um longa, dirigido pelo mesmo Casanova, intitulado "Peles".
https://vimeo.com/136592330
segunda-feira, 17 de abril de 2017
Os intrusos
"Os intrusos", de Joao Gabriel Villar (2016)
Que maravilha que é esse curta, exibido na Mostra de Tiradentes. Provavelmente inspirado no cult de Xavier Dolan, "Amores imaginários", narra uma relação entre 3 adolescentes: 2 rapazes e uma menina, em sintonia que vai além de pudores e gêneros. Naomi Nero, protagonista de "Mae só há uma", de Ana Muyalaert, circula em cena totalmente nu, em closes nos genitais, e esse despudor merece grande aplauso. Bela fotografia, deliciosa trilha sonora, uma narrativa fluida, gostosa, sem apelações, e livre, como todo filme deve ser.
domingo, 16 de abril de 2017
Melhores amigos
"Little men", de Ira Sachs (2016)
O Cineasta americano Ira Sachs tem se destacado na cena indie com filmes que chamam a atenção pelo excelente trabalho de direção de atores e também pelos roteiros comoventes, humanos, que insistir em falar sobre relacionamentos verdadeiros em um mundo cada vez mais tecnológico e egocêntrico. E' dele o filme "O amor é estranho", com John Lighthow e Alfred Molina interpretando um casal gay casados há décadas.
O que mais me chamou atenção aqui no filme, é o trabalho brilhante de todo o elenco: Greg Kinnear, os garotos Theo Taplitz e Michael Barbieri e principalmente, essa grande atriz chilena Paulina Garcia, vencedora do Urso de Ouro em Berlin por "Gloria", o extraordinário tour de force dirigido por Sebastian Lelio.
"Melhores amigos" é um drama triste. Brian (Kinnear), um ator de teatro independente, se muda com esposa e filho para a casa herdada pelo seu pai no bairro do Brooklyn. Em principio arredio, seu filho Jake aceita morar nesse novo lugar muito por conta da amizade que ele cria com Tony, filho de Leonor, costureira que aluga o andar de baixo da casa do pai de Brian. Com o dinheiro apertado, Brian decide aumentar o aluguel da loja. Impossibilitada de pagar, os adolescentes entram numa espécie de greve, decidindo não mais falar com os seus pais, como uma forma de protesto.
O mais interessante no filme, é discutir o papel da arte e do trabalho do ator. Os dois adolescentes desejam se tornar atores, e fazem ensaios em uma escola de artes dramáticas. As cenas de ensaio e exercícios são primorosas, comandadas por Mauricio Bustamente, que na vida real é ator e dá aula na Actor's Studio. A cena de Jake exercitando o método de Meisner com Mauricio é uma obra-prima. Todo Ator deveria ver para entender o que é e o que significa esse método da repetição.
O filme foi co-produzido pelo brasileiro Rodrigo Teixeira, da RT filmes, que também produziu, entre outros, "Frances Ha".
quinta-feira, 13 de abril de 2017
Meu nome é Ray
"Three generations", de Gaby Delall (2016)
Impressionante a quantidade de filmes que hoje em dia, são produzidos se aproveitando da temática do gênero, assunto mais do que na ordem do dia. Impossível abrir um jornal e um site e não se deparar com discussões acerca da homofobia, cultura trans, jovens em busca de sua sexualidade.
"Meu nome é Ray" faz parte dessa leva de filmes. Independente até a medula, a cineasta e roteirista Gaby Delall narra o drama de Ramona (Ellen Fanning), uma jovem de 16 anos que quer se declarar como Ray. Ela diz para sua estupefata mãe (Naomi Watts) e avó lésbica (Susan Sarandon) que nasceu em um corpo errado, e que deseja tomar hormônios para se tornar um homem. Para piorar a situação de sua confusa mãe, ela ainda precisa da autorização por escrito do pai de Ramona, que abandonou a família antes dela nascer, que ela nem sabe aonde se encontra.
Uma mistura de "Minhas mães e meu pai" e " Tudo sobre minha mãe", esse drama melancólico se apoia totalmente em cima do talento do trio de atrizes , as tais "3 gerações" do titulo original. O filme com certeza não é o melhor do trabalho delas, mas o fato de ve-las trabalhando juntas confere dignidade ao projeto, que se não enche os olhos, pelo menos serve como pano de fundo para discussões acerca da responsabilidade dos pais em relação a independência de seus filhos. O ritmo do filme é bastante lento, e ele nem sequer chega a comover, como naqueles "feel good movies". Gaby Delall evitou o sentimentalismo, e talvez por conta disso o filme pareça tão frio. Uma pena, tinha um grande potencial para um publico mais amplo, mas pelo visto, ficou restrito a uma parte bem pequena de audiência.
quarta-feira, 12 de abril de 2017
Gostosas, lindas e sexies
"Gostosas, lindas e sexies", de Ernani Nunes. Não fossem as referencias de sexo e os palavrões, "Gostosas, lindas e sexies" poderia perfeitamente ser exibido no Sessão da tarde como uma Comédia romântica daquelas onde as meninas suspiram por seu príncipe encantado. Afinal, o principal ingrediente está ali: Cinderelas em busca de seu par perfeito, sonhando dormindo ou acordadas, mas sempre acesas para a presença de qualquer ser humano do sexo masculino: garçons, motoristas, fotógrafos, atores, maridos, ex-maridos, a metralhadora libidinosa aponta para todos os lados. Pudera: o roteiro não esconde a sua principal e grande referencia: o seriado americano mais famoso das últimas décadas, e responsável por mudança no habito de muitas mulheres: "Sex and the city". Beatriz, Tania, Ivone e Marilu, encarnam cada uma delas, a persona de Carrie, Samantha, Charlotte e Miranda: tem a fogosa, a romântica, a sedutora, a sonhadora. Para dar vida a essas meninas emponderadas e donas de si, foram escaladas Mariana Xavier, Cacau Protasio, Lyv Sieze e Carolinie Figueiredo. Em maior ou menor grau, o talento das meninas desponta para cenas românticas, safadas ou malucas. Sao muitos os sub-plots, mas invariavelmente fala sobre os dilemas da mulher moderna: criou-se independência financeira e profissional, mas ao custo de isolamento e distanciamento nas relações. Elas choram, elas se deprimem, elas vão `as festas chorar mágoas, elas enchem a cara, elas se divertem, elas namoram e elas traem. O roteiro se baseia nessas premissas. Para quem quer um filme que fala sobre ter auto-estima sendo fora do padrão de beleza inflingido pela mídia ( no caso, 4 meninas "gordinhas") vai se identificar bastante. Afinal, desaforos não são trazidos para casa. Faltou ao roteiro situações mais divertidas e inteligentes que tratassem do tema da obesidade sem cair nos chavões do bullying de tipos vilanescos que agridem sem qualquer tipo de constrangimento. Mas isso talvez fique para a continuação. O que vale aqui, é se deixar levar pelo carisma das meninas e sucumbir a um passatempo simpático e sem pretensões. O que já está bom demais.
O elenco de apoio conta com um elenco enorme: Marcia Cabrita, Marcos Pasquim, Paulo Silvino, Sabrina Korgut, André Bankoff, Eliane Giardini, Rita Batata, entre outros.
1:54
"1:54", de Yan England (2016)
Em tempos de bullying juvenil e do mega sucesso do seriado da Netflix "13 reasons why", a França com com um belo drama sobre o mesmo tema: o bullying nas escolas, e a falta de visão dos pais, educadores, amigos para evitar grandes tragédias que culminam em suicídio.
O filme é protagonizado por Antoine-Olivier Pilon, o astro de "Mommie", o excelente filme de Xavier Dolan. Em um registro totalmente diferente e mais discreto, ele interpreta Tim, o melhor amigo de Francis. Quando Francis tem sua homossexualidade revelada pelos outros alunos, Tim se afasta ( Tim é gay reprimido e não saiu do armário) de Francis, o que acaba culminando no suicídio desse. Sentindo-se culpado e abalado, Tim passa a ser agredido pelos mesmos agressores, que o acusam de também ser gay. Na verdade, o agressor, Jeff, deseja competir nos jogos olímpicos estudantis, e Tim é um forte concorrente. Tim tenta ser forte, mas acaba que a vingança falará mais alto.
Interessante como os roteiristas veem na vingança a única forma de solucionar a questão do bulying. Todo mundo sabe que ela acontece nas escolas, mas ninguém faz nada, nadinha. Com certeza não é a melhor das soluções para ninguém, mas como é um filme de ficção e ai, os roteiristas partem para grandes reviravoltas, acaba se tornando um elemento de clímax e suspense. Um pouco que corrobora com aquela visão de que todos que sofrem rejeição, se tornam pequenos psicopatas. Polemico ou não, a performance do elenco é um ponto forte nesse filme, além da bela rilha sonora. Yan England soube trabalhar bem o seu elenco, e conduzir com boa dinâmica o ritmo do filme. O final me pareceu bastante abrupto, e confesso, merecia algo mais instigante. Curiosamente, anos atrás teve um filme australiano também sobre bullying nas escolas chamado "2:37". Lá, era a hora do suicídio da menina. Aqui, é o tempo que os corredores pretendem para quebrar o record de corrida na pista.
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