quinta-feira, 31 de março de 2016

Cemitério de esplendor

"Rak ti Khon Kaen", de Apichatpong Weerasethakul. O cineasta tailandês com o nome mais difícil do mundo teve o seu filme "Cemitério do esplendor" exibido no Festival de Cannes 2015. Do mesmo festival, ele já saiu com prêmios por "Mal dos trópicos" e "Tio Bonmee". Sempre trabalhando com os temas do sonho, fantasia, tradição, surrealismo e reencarnação, Apichatpong se utiliza de planos fixos e planos gerais para contar a narrativa desse seu mais recente filme. No entanto, o maus curioso de tudo não é nem o filme em si, mas sim, o nome do ator americano Danny Glover na produção do filme. Fora isso, ainda tem a presença do fotógrafo mexicano Diego Garcia, responsável também pelo brasileiro "Boi neon". Em um hospital improvisado, soldados que trabalham na obra em um terreno do lado de uma floresta ficam subitamente acometidos por uma doença que os leva a um sono profundo, e nunca mais acordam. A obra em questão é para destruir o prédio desse hospital, onde outrora foi uma escola, e em tempos passados, um Palácio de grandes Reis. Acredita-se que os espíritos dos reis e guerreiros se apossaram dos soldados, e que eles continuam batalhando. O cemitério dos Reis fica exatamente onde está o hospital. Uma voluntária, Jenjira, casada com um soldado americano aposentado, se oferece para cuidar de um soldado em troca de medicamentos para a sua perna, deficiente. No hospital, ela conhece Keng, uma jovem médium que tem o poder de se comunicar com os soldados adormecidos. Itt, o soldado que Jenjira cuida subitamente acorda, e eles confidenciam suas histórias um para o outro. Até que Itt adormece de novo, e seu espírito baixa em Keng. Keng/Itt e Jenjira circundam a floresta, e Keng/Itt vai narrando para Jenjira a história do passado daquela região. O roteiro é complexo mesmo, e quem está acostumado aos filmes de Apichatpong, vai até achar esse filme um de seus mais acessíveis. No entanto, mesmo que o espectador não curta nada da história, é inegável a beleza das imagens, principalmente no belíssimo desfecho, que une uma aula de dança em praça pública a um jogo de futebol de crianças nos buracos escavados pelo trator no terreno da escola. Tenho que admitir que Apichatpong é um dos artistas mais criativos e originais em atividade, os seus roteiros são sempre repletos de simbolismos e metáforas que podem representar tantas coisas, que fica difícil tentar compreender os significados em sua plenitude. São filmes que permitem ao espectador uma verdadeira viagem sensorial.

Zurique

"Zurich", de Sacha Polak (2015) Intenso drama holandês da cineasta Sacha Polak, que já havia realizado outro excelente filme, "Hemel", sobre uma mulher viciada em sexo. 'Zurique" tem como tema a depressão. Nina ( a cantora Wende Snijders, estreando em performance arrebatadora) é casada com Boris, um caminhoneiro, e mãe de uma filha pequena. Boris morre em um acidente na estrada e Nina descobre que ele tinha outra família. Abalada emocionalmente, Nina abandona sua filha e segue sozinha pelas estradas, sem rumo, até que conhece um caminhoneiro, Morris, que também possui uma familia. Nina vive agora a mesma situação que a outra família vivia quando ela esteve envolvida com Boris. Dividido em 2 partes, o filme começa com a parte 2, já com Nina se envolvendo com Morris e em luto. Quando começa a parte 1, muita coisa se esclarece, mesmo assim, tive que rever o filme duas vezes para entender melhor várias sub-tramas. Estiloso, com excelente fotografia e trilha sonora, "Zurique" tem na direção sensível de Sacha Polak e na atuação forte de Wende Snidjers seus grandes potenciais. Vencedor de prêmios em vários Festivais, foi também exibido em Berlin. É um filme bastante triste e não recomendado para pessoas depressivas.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Peter Pan

"Peter Pan", de Herbert Brenon (1924) Versão da obra de James Barrie, foi lançado em 1924 e revendo agora, fica evidente que a adaptação de Walt Disney deve muito ao filme. Os efeitos, para a época, são maravilhosos, principalmente na cena do voo. Wendy e seus irmãos pequenos conhecem Peter Pan, que os leva até a Terra do Nunca. Peter quer que Wendy seja a Mãe de todos. O Capitão Gancho, por sua, quer sequestra as crianças. O filme tem momentos de puro deleite, apesar de longo e bem didático. Mas várias curiosidades sobre o filme vistas hoje em dia me fazem pensar que talvez fosse lançado agora ele sofreria represálias: em primeiro lugar, Peter Pan é interpretado por uma mulher. Fica estranho, inclusive porque Peter beija Wendy várias vezes na boca. Wendy fica cheia de desejos para com Peter. As crianças matam os piratas com Espada. E se divertem, e Wendy ainda felicita e diz parabens. O cachorro....bom o cachorro é nitidamente um Ator vestindo a roupa de um cachorro para fazer as feições humanas. Inclusive dar remédio na boca. Mas o fato mais curioso é quando Peter quebra a quarta parede. Ele olha pra câmera e dai pede para que o espectador bata palmas para não deixar as fadas morrerem. É um filme totalmente lúdico, delicioso.

domingo, 27 de março de 2016

Meu Rei

"Mon roi", de Maïwenn (2015) Dirigido e co-escrito pela atriz e Cineasta Maïwenn, que realizou o premiado "Polissia", venceu o a Palma de Ouro em Cannes 2015 para Emmanuelle Bercot. O filme discute a relação de um casal por um período de 10 anos, desde o momento que se conhecem até a separação. O marido é Giorgio ( Vincent Cassel), um bon vivant dono de um Restaurante e envolvido com artistas e modelos, e por isso, provocando ciúmes em Tony ( Emmanuelle Bercot), uma advogada. Louis Garrel faz uma participação como Solol, irmão de Tony. O filme começa com um acidente de sky onde Tony fratura sue joelho, na presença de seu filho. Ela vai parar em uma clínica de reabilitação, e lá, amparada por jovens também com problemas de ortopedia, ela reavalia a sua relação com Giorgio. O filme vai então em vai e volta no tempo. Emmanuelle Bercot, assim como Maiween, também é Atriz e Cineasta, No mesmo Festival de Cannes, ela apresentou filme de abertura, "Cabeça erguida", com Catherine Deneuve interpretando uma juíza envolvida com menores infratores. Ambos os filmes têm muito em comum: como a violência doméstica interfere na vida pessoal e profissional de pessoas comuns, além de mostrar a humanidade dessas pessoas. Ninguém é bom ou mal, são as circunstâncias que fazem o ser humano. Maiween fez um bom filme, porém extremamente longo. Essa relação e lavação suja de casal dura 124 minutos, e fica bastante repetitivo. Poderia ter pelo menos 20 minutos a menos, que de verdade, não fariam falta. O filme vale e muito pelo talento do casal de atores: Cassel e Bercot estão bárbaros.

sábado, 26 de março de 2016

Rosita

"Rosita", de Frederikke Aspöck (2015) rama dinamarquês que narra a história de um viúvo, pai de 2 filhos já grandes, que resolve "importar" uma esposa filipina. Trazer esposas é um hábito comum na cidade pesqueira aonde moram os personagens. O que o viúvo, Ulrik (Jens Albinus, ator de vários filmes de Lars Von Triers) não imaginava, era que Rosita fosse tão jovem. Pior, seu filho mais novo, Johannes , acaba se apaixonando por ela. Com lindas locações e bela fotografia, "Rosita" fala sobre o drama de mulheres Filipinas em busca de um lar, e mais, subjulgadas em um mundo machista. Falta de opção, desemprego, desamor, são temas apresentados no filme de forma sensível e melancólica. O filme lembra um pouco o filme "O piano", até por conta do ciúme que acomete 2 homens da mesma família. A direção de Frederikke Aspöck é correta e apresenta ótimo trabalho dos atores. O pecado fica por conta do roteiro, que lá pelo meio, abusa do melodrama, enxertando um filho para Rosita que acaba virando um joguete na mão de Johaness. Não fosse esse deslize, o filme poderia emocionar mais.

The answers

"The answers", de Michael Goode (2015) Premiado curta escrito e dirigido por Michael Goode, é um emocionante, melancólico e divertido testemunho sobre um homem que acabou de morrer. Através de um acidente de carro, Nathan ( Daniel Lissing) acorda em um ambiente todo branco. Entendendo o lugar aonde está, ele procura aceitar o seu destino, e faz perguntas a um ser Divino, que responde toda sorte de perguntas através de imagens flashback de alguma vivência de Nathan. Desde sua infância, passando por outras fases de sua vida, até chegar na mulher que ele amou, Page ( Rose Maciver) e que um dia não fez mais parte de sua vida. Em um último lamento, ele percebe que quase toda a felicidade de sua vida, Page esteve presente. Em 8 minutos, concisos e brilhantes, Michael Goode nos leva a um lugar de extrema compaixão e de amor, e que nos faz refletir sobre o que realmente importa nesse mundo. Excelente interpretação de Daniel Lissing, excelente trilha sonora, fotografia estonteante. Uma obra-prima. https://vimeo.com/152639172

A floresta que se move

"A floresta que se move", de Vinicius Coimbra (2015) Dirigido e co-escrito por Vinicius Coimbra, junto de Manuela Dias, "A floresta que se move" é uma livre adaptação de "Macbeth", de Shakespeare. Ambientado nos dias de hoje, a história gira em torno do jogo de ambição e poder que envolve executivos de um grande Banco. Elias ( Gabriel Bragas Nunes) é um alto executivo do banco, e tem como melhor amigo Cesar ( Angelo Antonio). Voltando de uma reunião na Alemanha, os dois encontram uma bordadeira ( Juliana da Cunha), que prevê que Elias será empossado como Vice-presidente hoje, e amanha, como presidente. De fato, ele chega na empresa e descobre que o Vice-presidente foi acusado de roubo e cometeu suicídio. Heitor ( Nelson Xavier) o promove como vice. Ao chegar em casa, a esposa de Elias, Clara ( Ana Paula Arósio) motiva Elias a ser mais ambicioso. Convidam Heitor para jantar no mesmo dia e acabam assassinando ele. Elias é promovido a Presidente, mas tanto Cesar quanto a polícia desconfiam dele. Ao mesmo tempo, fantasmas atormentam Clara e Elias, que se enchem de culpa. Extremamente estilizado, o filme valoriza a imagem e o som, repleto de trilha clássica e de imagens publicitárias em câmera lenta. Visualmente é muito bonito auxiliado ainda pelas extraordinárias locações e cenários montados no Uruguai, Alemanha e Escócia. A direção de Vinicius tenta fazer do texto teatral um olhar mais cinematográfico, mas o peso dos diálogos e a interpretação empostada de boa parte do elenco nos confunde e nos faz pensar se estamos assistindo a um filme ou a uma peça filmada. Uma pensa que esteja tudo munido de falso realismo. Fosse trabalhado um olhar mais verdadeiro e menos carregado nas tintas, o filme teria uma força mais vibrante. No final, parece até que estamos vendo um embate do filme "Matrix", com direito a câmera lenta na trajetória da bala. O elenco faz o que pode, talvez no palco fossem aplaudidos, mas como cinema fica o peso do teatro na linguagem cinematográfica.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Fourth man out

"Fourth man out", de Andrew Nackman (2015) Longa de estréia de Andrew Nackman, é uma deliciosa comédia romântica sobre um grupo de 4 amigos de infância, todos homens, na faixa dos 30 anos. Adam, que trabalha como mecânico em uma Oficina de carros, resolve se assumir gay para seus amigos e sua família. A partir dessa revelação não só a sua vida muda, mas também, a de todos que fazem parte de sua vida. Divertido, emocionante, dramático. Com tantos adjetivos, "Fourth man out" é um filme recomendado para quem quer assistir a uma comédia romântica que fala sobre preconceito e lições de vida. O filme é cheio de mensagens de motivação, e por isso mesmo, repleto de bons sentimentos. Tem uma pegada meio "Será que ele é", com Kevin Kline, misturado a "Eu te amo, cara", cm Paul Rudd. O elenco é super carismático, os diálogos deliciosos e a trilha sonora envolvente. O filme abocanhou mais de 11 prêmios internacionais, merecidamente. Para assistir com amigos e se divertir a valer.

Get a job

"Get a job", de Dylan Kidd (2016) Simpática comédia dramática que fala sobre jovens que acabaram de se formar na Faculdade e se deparam com o desemprego. O grupo formado pelos amigos Luke, Charlie, Will e Ethan dividem a mesma casa. Will ( Miles Teller) namora Jillian (Anna Kendrick) e ambos comemora o primeiro emprego. O pai de Will, Roger ( Bryan Cranston), dá uma boa mesada de presente para ele. No entanto as cosias não se encaminham como deveriam e Will perde seu emprego. Para sua surpresa, seu pai também fica desempregado. O roteiro faz rir e dramatiza a questão de gerações que se encontram em uma encruzilhada pela falta de oportunidade na vida. Fora o desemprego, tem a questão do fazer o que se ama. Dentro desse âmbito, "Get a job" faz refletir sobre o fato de termos uma única vida e aproveitá-la fazendo aquilo que amamos, e não disperdiçá-la com empregos que não acrescentem paixão, apenas pagando contas. Pode ser ingênua essa mensagem, ainda mais no momento de crise econômica que vivemos. Mas é um fato a se considerar. O que realmente chama atenção no filme é o seu elenco estelar. Além de Miles Teller e Anna Kendrick, o elenco conta com os veteranos Marcua Gay Harden e Bryan Cranston, muito à vontade em sue papel cômico. O roteiro tenta mesclar drama a uma comédia adolescente no estilo de "Superbad", até porquê escalaram Christopher Mintz-Plasse em seu eterno papel de nerd. Às vezes funciona, às vezes fica forçado. O ritmo às vezes dá uma bobeada, mas o Diretor foi espero e fez um filme curto, de 82 minutos. É um passatempo para sessões da tarde.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Batman Vs Superman: A origem da Justiça

"Batman vs Superman: Dawn of Justice", de Zack Snyder (2016) Continuação direta de "O homem de aço", do mesmo Cineasta Zack Snyder, "Batman vs Superman" vai ficar mais conhecido por ser o filme que escalou Ben Affleck como Batman e por introduzir a personagem da Mulher Maravilha em uma trama. Aliás, a Mulher Maravilha recebeu super-poderes e veio super recauchutada, cheia de disposição para lutar. A trama é bem confusa e quem não prestar atenção vai boiar bastante. Basicamente, Batman e Superman se estranham, depois do incidente com Superman que dá início ao filme: sua luta com Zork, o General de Krypton do filme anterior. Lex Luthor sequestra Martha, mãe de Superman, e exige que o homem e aço lhe entregue a cabeça de Batman como resgate. Para ajudar essa galera, surge a figura da Mulher Maravilha. Confesso que achei o filme longo, mais de 160 minutos. Fora isso, fui ver o filme tendo esquecido totalmente o filme anterior, e daí fiquei meio que boiando. O que me ganhou em definitivo e me fez ficar até o final, é a direção estilizada de Snyder, com planos belíssimos, e o elenco mega star, que inclui Amy Adams, Jeremy irons ( Alfred, dando saudades de Michael Caine), Holly Hunter ( pouco aproveitada) e Jesse Eisemberg, no papel de Lex Luthor. Ben Affleck e Henry Cavil contribuem com a beleza, mas o talento fica ofuscado pelas máscaras e capas.

terça-feira, 22 de março de 2016

Absolutely anything- uma comédia intergalática

"Absolutely anything", de Terry Jones (2015) Essa comédia inglesa é a prova viva de que grandes gênios quando erra, erram feio. Terry Jones, um dos integrantes do grupo Monty Python, dirigiu os clássicos "O cálice sagrado", "A vida de Brian"e "O sentido da vida". Em 2015, ele retomou a direção de filmes nessa comédia fantástica, onde inclusive ele reuniu os outros integrantes do Monty Phyton ( Eric Idle, Terry Gillian, Michael Palin, John Clesse) e junto deles, dá voz aos seres extraterrestres que aparecem no filme. O filme também ficou famoso por ser a última contribuição de Robin Willians no cinema, dando voz ao cachorro Dennis. Simon Pegg ( da franquia "Missão impossível") interpreta Neil, um professor fracassado e atrapalhado, apaixonado pela vizinha Catherine ( Kate Beckinsale), jornalista frustrada pelo caminho que a empresa onde trabalha está seguindo. Paralelo, uma comissão de anciões intergaláticos ( isso mesmo!!!) resolve escolher um terrestre para fazerem um teste: darão a ele poder para pedir o que quiser, e dependendo do resultado, eles destruirão a Terra. Ao descobrir dono dos poderes, Neil vai se vingando das pessoas que o maltrataram, e tenta seduzir Catherine. Péssimas piadas, roteiro grotesco (inacreditável que foi co-escrito por Terry Jones) e com uma direção arrastada e sem ritmo de Jones, o filme dificilmente encontrará espectadores que curtam o que será visto na tela. Tudo é decepcionante, e é uma pena constatar isso, por conta do curriculo do grupo. Esse reencontro amoroso e nostálgico poderia ter sido evitado, é um filme que não encontra eco na platéia de hoje em dia. É bobo, ingênuo e repleto de atuações exageradas. Além disso, o excesso de música ( ruim) incomoda bastante. Triste.

domingo, 20 de março de 2016

México bárbaro

"México bárbaro", de Isaac Ezban, Laurette Flores Bornn e outros (2014) Coletânea de 8 contos de terror produzidos no México, é o que existe de pior no universo do cinema de baixo orçamento. Efeitos péssimos, roteiros pífios, atuações amadoras e fotografia estilizada que tenta enganar o espectador, que fica achando que está assistindo a obras cults, quando na verdade, tudo é bem triste ( no mau sentido). Ainda assim, o filme tem cenas pesadas, gore, fetichistas, masoquistas, bárbaras e violentas. em um dos episódios, um bicho papão, na fora de um mendigo, sequestra um garoto de 11 anos e o devora aos poucos e ainda o estupra. em outro, uma jovem perde a virgindade com um monstro da floresta, que a obriga a praticar sexo oral ( acredite, tem uma cena explícita do pênis ereto e ela pagando boquete!!). Não tem um único episódio que provoque suspense ou tensão, apenas clichês e cenas degradantes, que fazem "Saló" de Pasolini virar filme de criança. A recomendação? Fuja! Ficarei noites sem dormir, lembrando de cenas toscas, mas para quem não curte a imagem do cramulhão como eu, terei insônia na certa. O último episódio, uma espécie de homenagem a "Drink no inferno", será um deleite para feministas xiitas de plantão.

sábado, 19 de março de 2016

Desajustados

"Fúsi", de Dagur Kári (2015) Grande Vencedor em Sundance 2015, de onde saiu com os prêmios de Melhor filme, Ator ( Gunnar Jónsson) e roteiro, "Desajustados" é uma comédia dramática muito triste e melancólica, como só os europeus conseguem fazer. No caso, o filme é Islandês. Na terra do frio, os corações estão bastante frios. Nesse filme, o cineasta e roteirista Dagur Kári apresenta personagens à beira do suicídio: Fusi ( Gunnar) é um homem de 43 anos, virgem, gordo, desajeitado e que sofre bullying em seu trabalho, na pista do aeroporto coordenando chegadas e partidas de aviões. Um dia, a sua mãe, que o trata como se fosse um garoto de 10 anos, o inscreve em uma escola de dança. Fusi fica tímido, mas acaba dando carona para uma garota, Sjöfn. Logo os 2 se tornam amigos, e Fusi se apaixona por ela. Mas ele descobre que Sjöfn trabalha como gari e tem faltado ao trabalho por conta de depressão profunda. Fusi resolve ajudá-la. Com excelente trabalho dos atores, "Desajustados" deixa um gosto de muita tristeza em cada fotograma, mesmo que tentando inserir algum elemento de comédia na história. A direção precisa de Dagur Kári, e o ritmo lento mas envolvente da história, fazem o espectador se deparar com vidas que com certeza, estão muito mais deploráveis do que a sua. Enfim, vale buscar a felicidade? Da sua própria, ou dos outros?

sexta-feira, 18 de março de 2016

Fique comigo

"Asphalte", de Samuel Benchetrit (2015) Escrito e dirigido por Samuel Benchetrit, essa encantadora e surpreendente comédia dramática é recheada de gags visuais bem ao estilo de Jacques Tati e do ator Peter Sellers. Unindo a bizarrice ao surrealismo, o filme se passa quase que inteiramente em um prédio de classe média baixa da periferia de Paris. Acompanhamos 3 núcleos de personagens, desenvolvidos em 3 histórias distintas: um astronauta americano ( Michael Pitt, que já havia realizado o francês "Os sonhadores", de Bertolucci) pousa na terra e vai parar no terraço do prédio. Lá, ele pede ajuda para uma senhora argelina, cujo filho se encontra preso. Isabelle Huppert interpreta uma atriz decadente e alcóolatra que acaba tendo a auto-estima elevada por um vizinho adolescente, que se encanta com o seu dote artístico. E na última história, um fotógrafo de meia idade se acidenta ao comprar uma bicicleta ergométrica e acaba sendo atendido por uma enfermeira de baixa auto-estima, a atriz e cineasta Valeria Bruni Tedeschi. É um filme que fala sobre solidão, depressão e solidariedade. Sem as cores de um "Amelie Poulain", mas com o mesmo ar ingênuo e fraternal, o filme arrebata pela sua inteligência e pela mistura inusitada de realismo e fantasia lúdica. O filme tem cenas antológicas, como a da aterrisagem da cápsula espacial no terraço, e a gravação do videobook de Isabelle Huppert, lindíssima e tocante cena. O filme de quebra homenageia essa atriz fantástica que é Isabelle Huppert com cenas suas de um filme onde ela estava em inicio de carreira. Um filme que merece ser visto por todos, uma comédia diferente e bastante emocionante, com trilha sonora soberba de Raphael Haroche e um vibrante elenco.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Montanha

"Montanha", de João Salaviza (2015) Cineasta português premiado em Cannes e Berlin ( os curtas "Arena" e "Rafa" venceram os 2 Festivais) , João Salaviza estréia no longa com esse belo drama "Montanha", que narra a rotina do adolescente David ( David Mourato), de 14 anos. De família classe média, moradora de um apartamento pequeno, David mora com sua mãe e sua irmã mais nova. Sue avô está internado no hospital, e ele se recusa a visitá-lo. David é um típico garoto revoltado: odeia a escola, se apaixona por uma vizinha, Paulinha, e disputa a atenção dela com o seu melhor amigo, Rafa. David vaga em um mundo de incertezas, e ruma por uma Lisboa calorenta repleta de tipos melancólicos e embrutecidos pela passividade da vida. A presença do jovem David Mourato, excelente no papel principal, é a grande atração do filme. Espontâneo, verdadeiro, David imediatamente ganha a simpatia do espectador, que se conecta com o seu mundo de incertezas. O cineasta João Salaviza compõe enquadramentos belíssimos, quase sempre em planos fixos e buscando uma composição de quadro que traga a urbanidade como elemento que sufoca os personagens. As paisagens, desoladoras, ajudam a trazer a carga emocional necessária para que David se afunde em um poço de vazio sem fim. No entanto, o ritmo extremamente lento do filme pode afastar boa parte dos espectadores. Quase pouca coisa acontece. A contemplação oferecida pela bela fotografia deve ser apreciada com bastante parcimônia. O filme foi exibido com sucesso em Veneza 2015.

terça-feira, 15 de março de 2016

The hive

"The hive", de David Yarovesky (2015) Filme de mistura de gêneros ( terror, romance e ficção científica), "The hive"narra a história de um rapaz, Adam, que acorda um dia dentro de uma cabana, trancado. Ele está com sintomas de um vírus que o transforma em zumbi aos poucos. Adam tenta, enquanto não se transforma totalmente em zumbi, recuperar a sua memória e se lembrar de que forma ele foi parar ali. Aos poucos, vai recobrando a memória, e vai se lembrando do grupo de 3 amigos que o acompanharam até um final de semana em um acampamento de férias, até que presenciaram um acidente de avião que provocou toda a tragédia que viria a acontecer no local. Longa de estréia do cineasta David Yarovesky, é uma brincadeira com filmes B de cientistas loucos, e como a própria propaganda do filme, uma mistura insana de "Amnésia"com "Evil dead". As referências são bastante claras e explícitas. O filme pode ser visto como uma homenagem aos filmes citados, ou apenas um passatempo bem conduzido pelo diretor, com bela fotografia, que pode agradar ou não aos fãs de filmes de terror. O desagrado vai por conta de ser filme de ritmo lento, com uma pegada de filme cult independente. (

Catharsis

"Catharsis", de Robert Aquino (2015) Escrito, dirigido e protagonizado por Robert Aquino, esse curta comovente fala sobre perdas. Kevin ( Aquino) e Gabe ( Gabe Gonzalez) se conheceram a pouco tempo e estão começando um namoro. Gabe, no entanto, percebe um distanciamento em Kevin, que confidencia para ele que ainda não se recuperou do término de uma relação que deixou marcas. Com uma história tão simples, Robert Aquino desenvolve em 19 minutos imagens e uma atmosfera de melancolia avassaladora, apesar do sexo quente e das baladas. A fotografia de Denia Hasic trabalha as emoções com bastante inteligência, trazendo cores quentes e frias para os momentos certos. Mesmo sendo um filme de baixo orçamento, é um produto feito com carinho e tecnicamente perfeito. A trilha sonora alterna música eletrônica e cool. Os diálogos registram um vazio e uma profunda tristeza que impede que um novo relacionamento comece. Quase um poema.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Mundo cão

"Mundo cão", de Marcos Jorge (2016) Suspense psicológico dirigido pelo Cineasta de "Estômago", tem em seu elenco a grande força que segura a atenção do espectador do inicio ao fim. Babu Santana, Lazaro Ramos, Adriana Esteves e Thainá Duarte estão soberbos em seus personagens ambíguos, que transitam entre o humor, drama e tensão. A história, c-o escrita por Marcos Jorge, é ambientada em São Paulo. Santana ( Babu), é um coletor de cachorros soltos na rua. Ele trabalha para um canil, e após 3 dias, sacrificam o animal, caso o dono não apareça. O dono do cachorro (Lazaro Ramos) surge e irritado por terem sacrificado sue cachorro, planeja uma vingança contra a família de Santana: sua esposa Nilza ( Adriana Esteves), uma costureira evangélica e seus 2 filhos. O filme é ambientado em 2007, 1 ano antes da promulgação de uma lei que proíbe o sacrifício dos animais. Marcos Jorge homenageia o Universo de 2 cineastas: Os irmãos Coen, e o argentino Juan Campanella, de quem ele homenageia explicitamente "O segredo de seus olhos". Dos irmãos Coen, ele busca criar em Lazaro Ramos aquele tipo de psicopata de Javier Barden em "Onde os fracos não tem vez". A trilha sonora é boa, porém abundante e em determinados momentos ela atrapalha a ação. O roteiro é que surpreende, provocando reviravoltas na historia. Um filme que fala de culpa e principalmente de vingança, é uma ousada experiência de mistura de gêneros: drama, suspense, comédia de humor negro. A destacar a excelente fotografia de Toca Seabra.

domingo, 13 de março de 2016

Nossa irmã mais nova

"Umimachi diary", de Hirokazu Koreeda (2015) Exibido na Competição do Festival de Cannes 2015, "Nossa irmã mais nova"é baseado em uma série de Mangá, e adaptado para o cinema pelo mesmo realizador dos excelentes "Ninguém pode saber" e "Pais e filhos", ambos premiados em edições anteriores do Festival de Cannes. Novamente, Koreeda usa como tema as relações familiares, e principalmente, a temática do abandono. Três irmãs moram em uma grande casa em Kamakura: Sachi, enfermeira, 29 anos, cuida de pacientes terminais. Ela é a mais focada e trata as irmãs como se fosse mãe delas. Yoshino, 22 anos, a mais extrovertida, é namoradeira e trabalha como atendente em um banco de empréstimos. Chika, 19, ingênua, trabalha em uma loja de esportes. Elas moram sozinhas: o pai as abandonou e foi se casar com outra mulher, a 15 anos atrás, e a mãe, não aguentando o abandono, também foge. O filme começa com a notícia de que o pai morreu. as irmãs viajam até a cidade de Yamagata, no interior, para o funeral. Lá, descobrem que possuem uma meia-irmã, Suzu, 13 anos, porém já com postura de uma adulta séria. As irmãs convidam Suzu para ir morar com elas, e assim, o filme acompanha a rotina das 4 irmãs. O filme, com 127 minutos de duração, não tem nenhuma cena de conflito. Acompanhamos pequenos dramas, mas nada que provoque uma reviravolta na vida de nenhuma delas. O filme se baseia totalmente no cotidiano e no convívio das 4 mulheres dentro e fora de casa. A fotografia, deslumbrante, valoriza as belíssimas locações. A trilha sonora também, evoca emoções internas, parece até que estamos vendo um filme de Ozu. Tudo está ali, nos olhos das personagens, brilhantemente defendidas por 4 ótimas atrizes. O que prejudica o filme é sua excessiva duração. Poderia com certeza ter meia hora a menos. O ritmo é bem lento, e o espectador precisa estar bem relaxado para poder apreciar o filme inteiro sem se cansar. NO final das contas, mesmo longo, é um exemplar do cinema humanista e delicado de Koreeda, notoriamente um ótimo diretor de atores.

A senhora da van

"Lady in the van", de Nicholas Hytner (2015) Drama baseado na história real de Miss Shepherd, uma senhora que estacionou sua kombi amarela toda detonada em uma rua residencial de Canden Town, bairro classe média de Londres. De tempos em tempos, ela estaciona a sua kombi em frente a fachada de casas variadas, cujos moradores a hostilizam ( a kombi e a senhora estão sujos e fedorentos, pois ela dorme em seu interior, recebendo a ajuda da assistência social de vez em quando). Um dia, ao estacionar em frente da casa do escritor Alan Bennett, ele pemrite que ela estacione em sua garagem. O que ele não podera imaginar, é que ela permaneceria ali por 15 anos, de 74 a 89, até a morte de Miss Shepperd. Durante esse longo relacionamento, ambos os personagens vão se transformando e se humanizando. Alan vai escrevendo um livro, que mais tarde intitulou de "A senhora da van", que virou peça de teatro e agora, esse filme. Durante o filme, ficamos curiosos em saber o que levou Miss Sheperd a morar em uma kombi, e esse segredo é revelado no final. Não precisa nem dizer que o maior motivo para se assistir ao filme, é ver o talento assombroso de Maggie Smith no difícil papel da arrogante e antipática Miss Sheperd. O papel parece ter sido escrito especialmente para ela, tal a propriedade com que se apropria da persona da senhora porra louca. A trilha sonora varia entre elementos dramáticos e cômicos. O humor fino inglês permeia o filme, divinamente assessorado por atores ingleses de primeira grandeza. O que não gosto é o elemento lúdico que o diretor e o roteirista se fazem valer no desfecho. Preferia ter visto um cem por cento realista. Mas entendo essa pitada do "feel good movie". As pessoas precisam sair do cinema com o espírito elevado. Uma pequena pérola do cinema inglês, que poderia ter uns 15 minutos a menos para dar mais ritmo.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Truman

"Truman", de Cesc Gay (2015) Drama dirigido pelo espanhol Cesc Gay, que realizou a comédia dramática "O que os homens falam", também com Ricardo Darin e Javier Camara. Julian ( Darin) é um ator que descobre estar com câncer terminal e resolve parar o seu tratamento. Tomas ( Javier Camara), ao descobrir que o sue melhor amigo tem pouco tempo de vida, resolve viajar do Canadá até Madri para convencê-lo a continuar o tratamento. Chegando em Madri, entende que a decisão de Julian é irreversível, e o acompanha durante 4 dias. Nesse período, Tomas ajuda Julian e resolver fantasmas do seu passado e a tentar se reaproximar de pessoas que o amam e que se afastaram com a amargura de Julian, inconformado com a doença. Truman é o cachorro de Julian, que tem a missão de encontrar um dono para ele. O filme, mesmo dramático, evita os clichês e o melodrama, trazendo tintas de humor suave na narrativa. A bela fotografia e trilha sonora trazem elementos melancólicos na narrativa. Darin e Camara estão excelentes no papel. O roteiro é que podia ter uns 20 minutos a menos, ele se estiva e se torna entediante pelo meio da história. Não é o melhor trabalho de Darin, mas pelo seu desempenho vale assistir. Ambos os atores ganharam dezenas de prêmios de atuação em vários Festivais mundo afora.

quarta-feira, 9 de março de 2016

Meu amigo Hindu

"Meu amigo hindu", de Hector Babenco (2016) Não sei o que falar do filme. Pensei se eu daria uma de Gloria Pires e dizer : "Não quero opinar sobre isso". Mas após a sessão, enquanto voltava para casa, pequenos flashes do filme vinham pra mente. Momentos que não gostei, alguns momentos que valeram a pena. Resolvi equilibrar os pontos positivos e negativos e assim, penso que cheguei a conclusão que é um filme...ousado? Seria essa a palavra certa? Como falar de um filme que tem o título "Meu amigo Hindu", e o mesmo só aparecer lá pelo meio da narrativa, e simplesmente, não tem força alguma? O que dizer de um filme onde o drama realista se une ao musical, homenageando "O gordo e o magro"em momento cantante, ou mesmo "Cantando na chuva"? Será o filme uma espécie de "8 1/2" e "All that jazz"? Uma revisão artística e criativa de um artista sob a ótica das mulheres que percorreram sua vida? Em seu leito de morte, o próprio surge para atentá-lo? é assim nos 2 filmes citados, e mais: as mulheres são vistas como representação do objeto sexual, sedutoras, nuas, abusando de sua sexualidade. Será o filme uma comédia de humor negro? Porquê repentinamente, existem surtos de humor na narrativa, como na cena dos milionários perguntando a "Babenco" como é o "Outro lado" da vida? Um filme ambientado no Brasil todo falado em inglês? Hum... De concreto: as atuações dos protagonistas são incríveis: Willen Dafoe totalmente entregue ao personagem, dispensa apresentações. Maria Fernanda Candido provando que ao amadurecer está se tornando uma atriz bastante interessante e saindo da zona de conforto. Denise Weimberg, um luxo só. Barbara Paz , inesquecível em sua dança final. Selton Mello, que parece ter se divertido horrores. A parte técnica também valoriza bastante o resultado final: a trilha sonora do craque polonês Zbigniew Preisner, autor de várias trilhas de Kieslowsky. Mauro Pinheiro Jr, soberbo na sua fotografia que mescla o lúdico ao realista. Por pontos positivos que pravelecem ao duvidoso, vale assistir ao filme.

domingo, 6 de março de 2016

Pegos

"Caught", de Monte Patterson (2010) Escrito e dirigido por Monte Patterson, e baseado em fatos reais, "Pegos" é um curta americano premiado em vários Festivais. Em 1962, em Ohio, a polícia instalou em banheiros públicos câmeras escondidas para flagrar atos homossexuais entre frequentadores de banheiros masculinos. Os praticantes foram presos e tiveram seus rotos exibidos em jornais. O filme acompanha a história de um homem casado e com filho pequeno, que vive uma vida fria e sem amor com sua esposa que percebe a falta de atenção do marido. Ele frequenta o banheiro mas nunca teve coragem de expôr o seu dilema, e observa a tudo como voyeur. Até que um dia resolve ceder aos prazer do sexo com um outro homem, sem imaginar que está sendo filmado. Deliciosamente ambientado na America do início dos anos 60, com sua cores quentes e trilha sonora de época, "Pegos" faz uma denúncia contra o o abuso de poder da polícia e da mídia, que expõe pessoas anônimas à humilhação pública. Com 12 minutos e sem diálogos, é um filme que narra objetivamente um conteúdo sem firulas e sem excesso de didatismo.

Southbound

"Southbound", de Roxanne Benjamin, David Bruckner, Patrick Horvath e Radio Silence (2015) Ótima antologia de curtas de terror, na linha de "Creep show" e "Twilight zone". Uma homenagem deliciosa aos anos 80, com direito a trilha sonora à la John Carpenter e efeitos especiais vintage. Os 5 curtas são conecatdos em um estilo Robert Altman, ou seja, um personagem passa o bastão pro próximo. E o mais interessante é que cada história tem uma identidade própria em termos de direção e de linguagem. O tema em comum das histórias é uma Estrada no meio de um Deserto. É ali, nesse lugar sinistro, onde tudo acontece: Motéis de estrada, cidade fantasma, tudo é um cenário propício para a imaginação dos realizadores. O 1o e o último episódio se complementam. Se chama "The way in e The way out", e mostra 2 fugitivos em uma caminhonete. Eles estão ensanguentados e param em uma lanchonete no meio da estrada. A referência aqui é algo meio "Feitiço do tempo" mesclado a "The purge". "Siren" mostra 3 meninas em uma van, integrantes de uma banda. O carro quebra e elas aceitam carona de um simpático casal bem anos 50. Alguém duvida o que irá acontecer em seguida? "The accident" é a história de um homem que atropela uma jovem no meio da estrada, liga para o 911 que o orienta a seguir até uma cidade. Só que o local está deserto. "Jailbreak" é sobre um homem que vai em busca de sua irmã desaparecida a mais de 30 anos. Até que a encontra. O filme teve estréia mundial do Festival de Toronto 2015, e desde então, só tem recebido elogios das críticas. A unidade entre os episódios é bem coesa, coisa rara nesse tipo de filme. O episódio "The accident" é repleto de humor negro, e é talvez o melhor deles. Os atores de todos os episódios se divertem e levam a sério os seus personagens, mesmo que alguns caminhem pela caricatura, mas como é um filme que homenageia um tipo de gênero específico, acaba valendo. A atmosfera é ótima, e de fato a trilha sonora ajuda bastante. Fico feliz com essa retomada de homenagens aos filmes de terror dos anos 80, brilhantemente coroada com o espetacular "A corrente do mal".

quinta-feira, 3 de março de 2016

A bruxa

"The witch", de Robert Eggers (2015) Escrito e dirigido por Robert Eggers, "A bruxa' venceu o prêmio de melhor direção no prestigiado Festival de Sundance em 2015. Um feito extraordinário, considerando que é um filme de gênero e nos grandes Festivais internacionais geralmente existe um grande preconceito com filmes de terror. Talvez o grande mérito de "A Bruxa" seja ter apostado no drama dos personagens, e menos nos efeitos. É um filme realista, quase um filme de arte. O trabalho técnico é fundamental para o sucesso e pela elaboração de uma atmosfera de constante tensão. O filme começa como um drama, e faltando 15 minutos finais, o bicho pega, e muito. O final é catártico e revelador, quase catártico. No Séc XVII, na Nova Inglaterra, uma família de religiosos fanáticos é expulsa da cidade e vai morar na floresta. Aos poucos a família vai se adaptando à vida solitária, mas essa solidão reflete no comportamento de todos, principalmente as crianças. Com 5 filhos, a mais velha, Thomasin, está aflorando na sua sexualidade. Aos olhos da mãe, esse afloramento é sinal de um desejo sexual para o marido e para o filho adolescente. Nesse meio tempo, o bebê Sa, aos cuidados de Thomasin, desaparece. Logo, os g6emeos pequenos acusam a irmã Thomasin de ser praticante de bruxaria. Inicia-se aí uma caça `as bruxas dentro de casa, onde todos se acusam, terminando em um desfecho surpreendente. Não espere do filme sustos apavorantes ou sangue jorrando aos borbotões. O que temos é um drama psicológico, lento, que vai aos poucos se revelando em teor macabro. Toda a expectativa do fà de terror vai se resumir nos minutos finais. E é brilhante. O trabalho dos atores é fenomenal, todos, incluindo as crianças pequenas, surpreendem em força dramática. Como em "Os oito odiados"de Tarantino, chega uma hora que duvidamos de todo mundo que está ali presente. Pra quem tem medo de filme de terror, melhor fechar os olhos no final.

terça-feira, 1 de março de 2016

Everything will be okay

"Alles wird gut", de Patrick Volrath (2015) Um dos cinco finalistas para curta ficção no Oscar 2016, "Everything will be okay" é extraordinário. Lembra em intensidade e em temática o longa "O quarto de Jack": o ponto de vista de uma menina de 8 anos sobre a situação que vai se desenvolvendo ao seu redor. O Cineasta Michael Haneke elogiou o trabalho desse curta austríaco, dizendo que o diretor constrói tensão do início ao fim de seus 30 exasperantes minutos. Michael é pai de Lea. Divorciado, ele vai buscar sua filha para o final de semana. Em princípio o que era para ser apenas um fim de semana rotineiro com o pai, acaba se transformando numa grande tragédia na vida da menina. O trabalho absolutamente fenomenal dos 2 atores, Simon Schwarz e da pequena Julia Pointner faz o espectador tremer na base emocional. O desfecho é de doer o coração. O que também impressiona é que o diretor é estudante de cinema e esse é seu primeiro trabalho. O domínio que ele tem sobre o trabalho dos atores, da edição, da história, tudo, é realmente brilhante. Não à toa, o filme venceu muitos prêmios internacionais, incluindo um especial na Semana da crítica em Cannes e a nomeação no Oscar. Agora quero ver o curta vencedor, "Stutter", e acreditar que ele possa ser superior a esse filme aqui.

Colourbleed

Colourbleed", de Peter Szewczyk (2011) Belíssimo curta premiado em vários Festivais internacionais, é uma fábula sobre a opressão. Em um País indefinido do Norte Europeu, uma jovem idealista grafita paredes com cores para destoar do universo cinza e monocromático que ela vive. Ao seguir até um prédio governamental, onde ela precisa ter seus documentos carimbados, acidentalmente ela é carimbada por uma idosa. A partir desse momento, a jovem começa a sangrar cores, e tudo ao seu redor vai se transformando a medida em que ela vai tocando as pessoas. Direção extremamente criativa, efeitos especiais impressionantes para um curta metragem e uma bela trilha sonora e fotografia. Sem diálogos e somente trabalhando com clima e atmosfera, "Colourbleed" é um show de fantasia e tensão psicológica. 10 minutos de poesia e de metáfora sobre a liberdade.