sexta-feira, 31 de julho de 2015

Exorcismo no Vaticano

"The Vatican exorcism", de Joe Marino (2012) Antes de tudo, não confundir esse filme italiano com o americano "Exorcismos no Vaticano", com Michael Pena. Apesar do título ser praticamente o mesmo, o resultado está a mil léguas distante. Realizado em 2012, "Exorcismo no Vaticano" é um found footage. Ou seja, essa linguagem do filme "encontrado"e posteriormente visto está longe de ter um fim. É a fórmula ideal para se fazer filmes de terror baratos e com equipe pequena. Porém, o grande problema da maioria desses filme sé justamente o roteiro e os atores. Parece que alguém deve ter dito que o espectador dessa narrativa adora atores ruins e roteiros toscos, o que não é verdade. Justamente por ser uma produção italiana, o filme poderia ter um charme a mais. Afinal, foram os italianos que criaram esse conceito de "found footage". Muita gente acha que foi "A bruxa de Blair", mas não: em 1980, o italiano Ruggero Deodato realizou a obra prima "Canibal holocausto", que na época causou um grande furor. Muita gente acreditou que tudo o que foi visto no filme era real. Afinal, a propaganda do filme era essa: uma equipe de filmagem que foi filmar uma tribo na Amazônia e que acabaram sendo devorados pelos canibais. Em "Exorcismo no Vaticano", o cineasta Joe Marino, que também protagoniza, quer também fazer o seu público acreditar que tudo o que está sendo visto é real. Através da linguagem do documentário ( e o filme é lançado como tal), acompanhamos a trajetória "real"de Joe Marino (que para mim certamente é um ator italiano, péssimo por sinal), um documentarista americano que vem para a Itália fazer um documentário sobre o exorcismo. Claro que ele não acredita em nada disso e quer provar que todos os casos de exorcismo são causados por disfunções mentais dos pacientes. Padres exorcistas dão depoimento, ele assiste às sessões e mesmo assim, fica incrédulo. Até que o próprio Joe Marino passa a se comportar de forma estranha e sua equipe começa a se preocupar com ele. História mega batida, efeitos inexistentes e maquiagem tosca. Aliás, um dos possuídos é um contorcionista que fica apenas fazendo malabarismos com o corpo. É deprimente. Normalmente esses filmes italianos são divertidos justamente pela tosquice: dublados em inglês, efeitos ruins, uma atmosfera de filme B. Mas nada disso acontece aqui, O filme é simplesmente ruim do inicio ao fim, em todos os níveis. Sem salvação. Nota: 1

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Quinze

"Quinze", de Maurilio Martins (2014) Maurilio Martins é um dos fundadores da Produtora "Filmes de plástico" e junto de seus outros sócios e diretores, ganharam dezenas de prêmios mundo afora com os seus curtas. Todos são de Contagem, Minas Gerais, e é de lá que saiu "Quinze", que também ganhou vários prêmios, entre eles, o de aquisição do Canal Brasil no Fest​ival de Tiradentes. A grande força do filme se chama Karine Teles. Protagonista do longa "Riscado", de Gustavo Pizzi, Karine mais uma vez mostra o seu enorme talento como protagonista. Aqui, ela interpreta Raquel, uma doméstica que mora em Contagem, em uma casa humilde com sua filha, que está prestes a completar 15 anos. Entre gastos com a festa da filha e várias contas que ela deixa de pagar, Raquel ainda encontra tempo para namorar Luisa, uma negra, um namoro totalmente às escondidas. O filme exibe essa rotina de uma mulher diante de tantos desafios corriqueiros. Não existem cenas explosivas, nem clímax. Tudo é muito simples, as atuações contidas, quase minimalistas. O retrato de uma sociedade de classe média e pobre, que consome músicas bregas e se alimenta de sonhos. O desfecho é bem conclusivo em relação a essa pegada lúdica. Para os que nada têm, só resta sonhar.

Sentimentos que curam

"Infinitely polar bear", de Maya Forbes (2014) Baseado em sua história real( no caso de seus pais), a roteirista Maya Forbes resolveu seguir o conselho de Wes Anderson, amigo de seu marido, e ela mesmo acabou dirigindo esse drama pungente que mexe com seus fantasmas. Assim como Stephen Schbosky, escritor de " Vantagens de ser invisível", que nunca havia dirigido nenhum filme, Maya resolveu seguir seu coração e assim, realiza um belo filme capitaneado por atuações exemplares de todo o elenco. Mark Ruffalo tem uma atuação digna de ser vista por qualquer estudante de interpretação: econômica, naturalista, verdadeira e sem caricaturas. Que Ator extraordinário! Ele interpreta um pai bipolar, que após um período de internação em uma clínica pisiquiatrica nos anos 70, e' obrigado a cuidar de suas duas filhas pequenas enquanto a ex esposa (Zoe Saldana) vai para Nova York fazer um Mba para poder arranjar um emprego melhor. O filme se torna então um drama com tintas cômicas e melancólicas dessa relação difícil entre um homem com mania de depressão e as filhas que de início não o compreendem. Um roteiro sólido, trilha sonora evocativa de uma nostalgia que a fotografia reforça através de cores lavadas. As intervenções de imagens super 8 são um adendo para dar essa atmosfera vintage. E no final, de novo, com o tema do desapego, eu me pego chorando na sala de cinema. E penso: bem que podiam fazer mais filmes assim, com roteiro, atores e uma cara de produção independente e que surpreendam e emocionem o espectador. O filme foi premiado em Palm Spring e exibido em Sundance. Nota: 8

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Bacanal do diabo e outras fitas proibidas de Ivan Cardoso

"Bacanal do Diabo e outras fitas proibidas de Ivan Cardoso", de Ivan Cardoso (2013) Filme porra louquíssimo do subversivo Ivan Cardoso, um dos Cineastas mais incompreendidos do Cinema brasileiro, autor de vários clássicos do terrir, entre eles, "O segredo da múmia" e "As sete vampiras". os seus filmes têm um sabor único, uma mescla safada de terror, comédia popular e sacanagem. Em "Bacanal do diabo", Ivan reúne 24 curtas que produziu entre 1971 a 2013, muitos deles proibidos e inacabados. O filme se assemelha bastante à estrutura do trailer de "grindhouse", aquela junção de trailers fakes de Tarantino e Robert Rodriguez, onde vemos trechos mal costurados de filmes trash. A receita aqui é muito semelhante: o filme parece um grande trailer, de mais de 1 hora de duração, onde vemos anúncios de curtas e alguns trechos isolados desses filmes. Documentários, filmes pornográficos, experimentalismo, enfim, tudo é possível nesse Universo muito particular e fetichista de Ivan Cardoso. EM um dos curtas, temos um close explícito de uma vagina e um anus feminino sendo depilado. Nem em filme pornô eu vi uma cena com tanto detalhamento. Em outro curta, tem uma jovem Claudia Ohana satisfazendo o desejo sexual de um adolescente, mergulhando a sua bunda em um prato de leite, que derrama no chão. Cenas assim permeiam o filme, que obviamente saciarão a sede e fome de quem busca uma aventura trash e desmedidamente anárquica, sem limites, sem pudores. Um exemplo máximo: então veja um trecho de um curta onde Ivan coloca Bob Dylan ( ele mesmo) intercalado entre a vida de pop star e a de um garanhão que vem ao Rio para transar com o máximo de mulheres possíveis em cenas de orgia. Devassidão em grau máximo. Para quem apostar, pode se deliciar com uma narrativa que tem inspiraçào na nouvelle vague de Godard ( onde inclusive ele brinca com os letreiros de "Pierrot le fou).

domingo, 26 de julho de 2015

Nós que nos amávamos tanto

"C'eravamo tanto amati", de Ettore Scola (1974) Obra-prima do Cineasta italiano Ettore Scola, um filme que brilhantemente une os gêneros drama e comédia como só os italianos sabem fazer. Através do relato da amizade de 3 homens durante 3 décadas, entre o ano de 1944 a 1974, acompanhamos a história político social da Itália, e a dificuldade da população em seguir seus sonhos. O filme também é uma homenagem ao Cinema, através de cenas onde aparecem Fellini, Vittorio de Sica e Marcello Mastroiani trabalhando em sets de filmagem de seus filmes. Antonio ( Nino Manfredi), Gianni ( Vittorio Gassman) e Nicola ( Stefano Satta Flores) são combatentes durante a 2a guerra mundial e se tornam amigos. Após o fim da guerra, eles vêm a se reencontrar em Roma. Cada um tem um sonho: Antonio deseja ser o porta voz das classes menos favorecidas, Gianni quer ser um advogado de sucesso e Nicola, um professor de cinema e escritor de livros sobre a 7a arte. Luciana ( Stefania Sandrelli), aspirante a atriz, se torna alvo do desejo dos 3 amigos. De todos, apenas Gianni consegue ascender socialmente: ele se casa com a filha de um cliente milionário, e logo se torna um burguês. Os anos vão se passando,e os sonhos se tornando um desejo cada vez mais distante. O roteiro, co-escrito por Scolla, possui diálogos inspiradíssimos. As cenas de humor variam entre um humor mais sutil e o pastelão, mas sempre se servindo para contar uma boa história. O filme também subverte a linguagem do cinema: o personagem de Gianni fala direto pro espectador, e logo na cena de abertura vemos uma mesma cena repetida várias vezes. O teatro também é homenageado, através de uma alusão ao pensamento do artista, que faz congelar as pessoas em volta. O filme é repleto de cenas antológicas, entre elas a da cabine de fotos e a da vigília noturna. Atores poderosos, dando o melhor de si, nesse filme que comove e diverte. Um dos filmes mais melancólicos da história do cinema. Nota: 10

sábado, 25 de julho de 2015

Pixels

"Pixels", de Chris Columbus (2015) O Cineasta Chris Columbus tem em seu currículo alguns clássicos da comédia que depois foram copiados inúmeras vezes, entre eles "Esqueceram de mim", "Uma babá quase perfeita". Depois lançou a franquia de "Harry Potter", filmando os 2 primeiros filmes. Entre vários de seus filmes da vasta cinematografia, surpreendeu fazendo um raro filme adulto, o musical "Rent". Mas Columbus quando erra, erra feio. O maior exemplo talvez seja esse "Pixels". De um ótimo argumento, saiu um filme totalmente meia bomba. Não diverte, é enfadonho e pior, não se define como gênero. Quando quer ser engraçado, é totalmente sem graça. Quando quer ser romântico ( entre os personagens de Adam Sandler e de Michelle Monaghan, a oficial da Casa Branca) , não existe química alguma. Quando quer ser ação e aventura..nossa, que falta de dinâmica e ritmo. Pior é desperdiçar bons atores, como Peter Dinklage, que quase não faz Cinema por conta da agenda em 'Game of Thrones", mas acabou nessa roubada. Era para ser uma grande homenagem ao Universo Nerd, mas poxa, o roteiro não ajuda nem um pouco nessa nostalgia. Sem emoção e sem sentimentos. Ficou tudo muito forçado. Pena mesmo, porquê eu esperava bastante do filme. Em primeiro lugar, toda a parte romântica do filme deveria ter sido deletada, e investir mais na ação. Em se tratando de homenagear games dos anos 80, sinceramente, fico mil vezes com o desenho "Detonando Ralph", que é sensacional e inteligente em todos os aspectos. E o que mais me incomoda aqui no roteiro é que, entre uma batalha e outra, parece que nada aconteceu, todo mundo comemora como se a batalha anterior fosse a situação mais corriqueira do mundo. Mas enfim, só pela intenção de se falar de uma nostalgia dos anos 80, e incluir algumas músicas top da época ( entre elas, "Everybody wants to rule the world", acho que dói menos. E pra valer, a única piada que ri, foi quando falam da cantora Madonna. E quanto ao Adam Sandler? Bom, não tenho ódio dele não, mesmo porquê gosto de alguns filmes dele, mas aqui ele está totalmente no automático. Nota: 5

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Kumiko, a caçadora de tesouros

"Kumiko, the treasure hunter", de David Zellner (2014) Em 2001, Takako Konishi, uma jovem japonesa, foi encontrada congelada na beira de um lago em Minnesota. Na época, a mídia reportou uma história fantasiosa sobre quem era essa mulher: dizia-se que ela era obcecada pelo filme "Fargo", dos irmãos Cohen, e que resolveu vir do Japão até Minneapolis para poder descobrir o local onde o personagem de Steve Buscemi enterrou uma mala com 1 milhão de dólares. Como no início do filme dizia-se que era baseado em história real, ela acreditou e foi atrás de uma obsessão. Porém, as investigações logo comprovaram que essa história nao era real. Na verdade, ela foi contada por um policial de Minneapolis que a conheceu e que, por mal entendimento da língua, entendeu tudo errado. Takako na verdade ficou deprimida após perder seu emprego em Tókyo e resolveu vir até Minneapolis, que era o lugar onde morava o seu ex-namorado. Daí, ela tomou sedativos e encheu a cara, vindo a falecer na gélida floresta da região, o que acreditam foi um suicídio. O filme dirigido por David Zellner e co-escrito com seu irmão Nathan ( curiosidade, afinal "Fargo" foi dirigido também por dois irmãos) preferiu apostar na história da busca pelo filme "Fargo" e assim, o resultado é um filme muito triste sobre um épico de uma mulher solitária e incompreendida. Exibido com sucesso em 'Sundance", de onde saiu com prêmios, sendo depois exibido no Festival de Berlin, "Kumiko" tem no talento de Rink Kikuchi ( de "Babel"), na fotografia estonteante de Sean Porter e na trilha de The Octopus Project os seus principais pontos fortes. Apesar do ritmo lento e introspectivo, o filme chama a tenção pelo inusitado e pela dramaticidade das cenas, filmadas em tom poético sobre uma vida isolada do mundo. Podemos até comparar com "Na natureza selvagem" e "Livre", no sentido de ser a história de uma pessoa que luta contra todos e contra si mesmo, que precisa se descobrir e para isso parte para a natureza inóspita. Nota: 7

O ciclo da vida

"Full circle", de Zhang Yang (2014) Diretor de filmes divertidos e tocantes como "Banhos" e "Flores do amanhã", Zhanh Yang volta ao sentimentalismo dessa vez de forma exacerbada. Ele não tem vergonha em colocar no filme um excesso de carga melodramática, feita exclusivamente para manipular o público. Isso não é ruim, mesmo porquê o filme é emocionante e o talento dos atores vale cada segundo na tela. Porém, a música onipresente estraga o prazer de se apreciar um filme onde o tema do envelhecimento e do abandono familiar se fazem presentes, O filme poderia ser até uma versão chinesa do clássico "Cocoon". Mas aqui a aposta feita é na diversão pueril dos idosos de uma casa de repouso. Manipulados por seus filhos que os abandonam ali, uma parte dos idosos resolve se inscrever em um concurso de calouros e viajam escondidos, sem autorização, até o lugar do show. Claro que no percurso, teremos muitas revelações e reencontros. A fotografia serve ao filme com louvor, trazendo um tom de cores bem radiante. Algumas situações são bem forçadas ( como a doença de um dos idosos), mas a gente acaba perdoando pela simpatia dos personagens. é um filme feito com muito carinho e paixão pelos tipos apresentados. E aos mais sensíveis, irá render muitas lágrimas. Nota: 7

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Boa noite mamãe

"Ich seh, Ich seh", de Severin Fiala e Veronika Franz (2014) Caralho, que filme angustiante e tenso. Tem cenas que fica difícil assistir tal a violência e morbidez. O Cineasta austriaco Ulrich Seidl, famosos pela trilogia " Paraíso" e por "Import/export", produz esse filme co-dirigido por sua esposa, Veronika Franz. A Áustria é pródiga em filmes de terror psicológico, vide a obra-prima "Medo", de Gerald Kargl. O filme começa com uma cena do filme "A família Trapp", versão alemã da "Noviça rebelde", de 1956. O filme assim faz uma alusão a um momento de felicidade familiar. Depois, entramos na história: 2 irmãos gêmeos de 9 anos de idade aguardam a chegada de sua mãe, que vem de um período de repouso após uma cirurgia plástica. A casa onde moram fica nos campos, afastado de tudo. A mãe chega, porém com o rosto todo cheio de bandagens, o que a torna irreconhecível. Os meninos desconfiam da mulher e precisam descobrir se ela realmente é a mãe dele,s ou uma impostora. Muito do filme se deve ao trabalho dos 3 únicos atores do filme ( os outros que aparecem, surgem por pouco tempo). Os gêmeos Elias e Lukas Schwarz, que emprestam seus nomes para os personagens, e a mãe interpretada por Susanne Wuest. As performances são intensas, e a criançada mete bronca, inclusive em cenas onde eles se estapeiam, bem no método da Fatima Toledo. Com certeza, "Funny games" de Michael Haneke foi uma grande influência, tanto pela violência, quanto pela frieza da narrativa. Um outro filme famosíssimo também é lembrado, mas não posso citar seu nome por conta de spoiler. A fotografia do filme é extraordinária, provocando tensão constante. A trilha sonora também dá nos nervos. É um filem bastante tenso, bem dirigido, mas que pode causar mal estar em alguns espectadores. Convém assistir quando você estiver de bem com a vida, pois o filme deixará uma incômoda sensação de angústia. Para nervos pra lá de fortes. O filme foi exibido no Festival de Veneza 2014. Nota: 8

Sharknado 3 : Oh Hell no!

"Sharknado 3: Oh hell no!", de Anthony C. Ferrante (2015) Mais uma continuação dessa franquia interminável, que já tem a parte 4 anunciada e em pré-produção. De novo,a dupla de heróis Fin e April tentam salvar uma cidade, nesse caso, orlando, Flórida. E mais precisamente, nos Estúdios da Universal! isso mesmo! Como conseguiram filmar lá, acho que somente uma boa grana irá responder. O Diretor Anthony C Ferrante dessa vez tira uma casquinha de "Gravidade", de Afonso Cuarón, para incrementar o seu filme. Mas infelizmente, apesar de algumas boas cenas que me provocaram gargalhadas homéricas, o filme carece de criatividade. ëÉ aquele mesmo amontoado de cenas soltas de tubarões caindo do céu e comendo as pessoas. Nada de novo no Front. De gags mesmo, só as que envolvem os brinquedos da Universal, e as participações impagáveis de celebridades americanas, a maioria desconhecida para nós. Dos conhecidos, creio que somente a Bo Derek ( Ex "Mulher nota 1000", Lou Ferrigno "Hulk". David Hasselhoff de "Sos Malibu"e George RR Martin, escritor de "Game of thrones". As trasheiras sao as mesmas de sempre, mas nenhuma supera o original, onde tínhamos tubarões saindo de bicas de torneira e de bacias de água. Pra rir com os amigos, e só. Nota: 5

terça-feira, 21 de julho de 2015

Da próxima vez acerto no coração

"La prochaine fois je viserai le coeur", de Cédric Anger (2014) O roteirista e Cineasta francês Cédric Anger se baseou na história real do serial killer Alain Lamare para construir essa história de tensão e drama psicológico. Rebatizado no filme de Franck Neuhart, ele matou a tiros várias adolescentes na região de Oise, durante o inverno de 78 a 79. Detalhe: Alain era um policial, e trabalhava nas investigações sobre os assassinatos. O filme constrói com bastante inteligência a personalidade de Frank: um homem bonito, jovem, sedutor, porém totalmente desequilibrado. Nos dias de suas folgas, ele costumava dar caronas para meninas e as matava na estrada a tiros. Aliás, existem 2 cenas de grande tensão: a do inicio, de Franck perseguindo uma menina de lambreta, e outra, dele dando carona para uma garota que saiu da escola. Em muitos momentos lembra, pela frieza narrativa, do clássico "Henry, retrato de um assassino". Guillaume Canet ( marido da atriz Marion Cotillard) interpreta o difícil papel de Franck. Alternando emocões e estado de espírito, o personagem é um prato cheio para qualquer ator que quer pirar. A fotografia, a trilha sonora e a edição ajudam a criar um clima de tensão. No entanto, o filme parece ter mais tempo do que tem, 111 minutos. O filme poderia ter condensado alguns fatos e suprimido personagens, como a amante Sophie (sua empregada) e a sua família. Nota: 7

Círculo

"CirkeIn", de Levan Akin (2014) Após o sucesso estrondoso da trilogia "Millenium", que gerou igualmente 3 filmes, capitaneado por "Os homens que não amavam as mulheres", a Suécia adapta outra saga Best seller mundial. "Engelsfors", traduzido como "Círculo", escrito por Sara Bergmark Elfgren, ganha uma versão sueca para os cinemas, exibido no Festival de Cannes 2015. O filme tem um quê de "Harry Potter", "Crepúsculo" e tantos outros filmes sobre adolescentes que salvam o mundo, usando poderes. Na cidade fictícia de Engelsfors, na Suécia, um adolescente se suicida. Logo descobrimos que uma força maléfica está induzindo os jovens a se matarem. 6 garotas, que estudam na mesma faculdade e que não se conhecem, completam 16 anos e logo descobrem que são bruxas e que possuem cada uma, poderes especiais para poder dominar a entidade do mal. Mas para que isso aconteça, elas precisam acertar as suas diferenças e lutarem juntas. O mais interessante do filme é que diferente dos filmes citados, ele aposta no drama. Não fosse a parte fantástica da história, o filme seria um denso drama sobre a incompreensão e a falta de perspectiva do jovem perante um mundo no qual eles não se encaixam. Acho até que a trilogia fala justamente sobre isso: uma metáfora sobre descobertas e desafios que podem minar um futuro, destruir uma vida e uma carreira. as ansiedades de uma nova fase na vida, o bullying, a falta de preparo dos professores, tudo isso pode influenciar na vida dos estudantes. As meninas são todas ótimas, e cada uma com uma personalidade diferente da outra. Para padrões fora de Hollywood, o filme não faz feio nos efeitos especiais, e a fotografia colabora para dar essa atmosfera de densidade dramática. O que prejudica imensamente o filme é a sua longa duração, quase 2:30 horas, o que, para um filme como esse, é um exagero. Mas vale pela curiosidade de se ver um filme fantástico fora de Hollywood, e descobrir que os europeus sabem fazer sim, porém com mais realismo. Nota: 7

sábado, 18 de julho de 2015

Línguas desatadas

"Tongues untied", de Marlon Riggs (1989) Documentário de 1989, Vencedor do Prêmio Teddy de Melhor filme de temática gay no Festival de Berlin. Marlon Riggs, que veio a falecer de HIV em 94, foi um importante Documentarista, Ativista do Movimento gay e homossexual, Poeta e Performático americano. "Linguas desatadas" é um documentário de narrativa totalmente livre, que mescla linguagem experimental, poesia narrada, musical e imagens de arquivo de Movimentos gays com grupos negros e de Ativistas pró- integração racial, como Martin Luther King. Em um determinado momento, o filme faz um paralelo entre a Marcha para Selma, liderado por Luther King, com uma Passeata também a favor da descriminação de homossexuais negros em uma Parada gay americana. Um dos momentos mais contundentes é quando vemos como a mídia e Atores famosos usam o estereótipo para descriminar o homossexual. entre eles, o comediante Eddie Murphy, que contava piadas homofóbicas em seus stands ups. O filme foi duramente criticado por parlamentares por ter recebido apoio financeiro do Governo Bush. Muitos detratores consideraram essa obra como pornográfica e por isso não apoiaram o financiamento. O filme tem ótimos depoimentos, e também, ótimas imagens do dia a dia da comunidade gay negra americana. Duplamente sofrendo preconceito, esses grupos se encontrava em pequenos guetos de dança e bares. Daí, saiu o Movimento cultural chamado "Vogue", onde os frequentadores dançavam imitando movimentos de poses de Divas e de modelos ( popularizado pelo clip de Madonna). Um filme curioso, um documento importante que registra uma época de preconceitos velados, porém devastadores. O surgimento da AIds acabou afetando esse ódio da população contra os homossexuais. Um filme à frente de seu tempo como linguagem. Nota: 7

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Confia em mim

"Confia em mim", de Michel Tikhomiroff (2014) Drama com tintas de trihller, uma homenagem ao gênero noir , só que ao invés da "femme fatale", temos um protagonista de índole duvidosa. Mari ( Fernanda Machado) é uma chefe de cozinha de um Restaurante chique de São Paulo que sofre constantemente bullying de seu chefe. Motivada a abrir o seu próprio negócio, ela se curva perante a falta de dinheiro. Até que Caio ( Matheus Solano) surge em sua vida. Um rapaz gente boa, educado, por quem Mari imediatamente se apaixona. Filmes sobre trambiqueiros se tornaram pequenos clássicos do cinema : "Prenda-me se for capaz", "Os imorais" são alguns ótimos exemplos. Aqui, o drama e o romance ganham boa parte da duração do filme, e lá pelo meio, temos a grande reviravolta. A surpresa não chega a ser surpreendente, talvez essa tenha sido a intenção do Diretor, não quer esconder do espectador as intenções de seus personagens. Num País onde a roubalheira e a corrupção atingem níveis estratosféricos, o drama pessoal de uma mulher comum não atinge ninguém, nem mesmo a polícia. Como nos bons filmes policiais, cabe ao protagonista resolver as coisas de seu jeito. Filme curioso que merece ser visto pela tentativa de se fazer gênero ainda pouco explorado aqui no Brasil. Em cartaz, o filme não chamou a atenção do público, mas j;a saiu em dvd para quem quiser checar.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Homem formiga

"Ant-man", de Peyton Reed (2015) Famoso pelas suas comédias, entre elas "Sim senhor", "separados pelo casamento" e "Aaaixo o amor", o cineasta Peyton Reed parecia alguém improvável para dirigir um filme de super herói da Marvel, ainda mais um personagem pouquíssimo conhecido. Eu mesmo desconhecia esse personagem, e da minha infância me lembrava do desenho da "Formiga atômica" Se houve alguma inspiração ou não, jamais saberei, mas depois de ver o filme e o currículo do Diretor, deu para entender porquê ele foi convocado. Diferente dos outros filmes baseados em personagens Marvel, "Homem formiga" investe mais em drama e menos em ação. 70% do filme é drama. Drama do personagem Scott Lang ( Paul Rudd), um ex-criminoso que é solto da cadeia e encontra dificuldades para se empregar. Sua filha mora com a ex esposa e o padrasto, um policial. Scott mora em um apartamento com o bandido boa gente Luis (Michael Pena) e acaba formando uma gang com outros 2 hackers. Scott acaba se envolvendo com o Dr Pym ( Michael Douglas) e sua filha Hope, ambos cientistas. Pym criou uma fórmula e uma fantasia que encolhe quem a veste e cria super poderes, tendo formigas como aliadas. Juntos, eles precisam evitar que o vilão Jaqueta amarela venda suas fantasias para o inimigo e assim impedir que um exercito de miniaturas poderosas dominem o mundo. O Cineasta, assim como Kenneth Branagh, não é bobo nem nada e investiu em bons atores que segurassem a peteca do filme. E conseguiu, os atores são carismáticos em seus personagens. Outro lance interessante é a forma como Homem-formiga luta: ele combate em equipe, junto de seus amigos bandidos e das formigas. A união de todos que permite que eles consigam vitória. Mas o melhoe mesmo são os efeitos e a edição de som. Quando o Homem formiga diminui de tamanho, a lente usada impulsiona o efeito de miniatura, provocado uma sensação muito interessante aos olhos do espectador. E a edição de som reforça ainda mais esse efeito, reverberando em tudo. Divertido são os personagens mencionando sempre os "Vingadores", como se eles estivessem também salvando o mundo. Meu Deus, quantos vilões e heróis existem nesse Universo louco da Marvel, que co-existem todos ao mesmo tempo? O filme provavelmente não surtirá muito impacto aos espectadores que forem esperar muita ação, pois tem pouca, comparando com outros filmes. Nota: 7

terça-feira, 14 de julho de 2015

A hora do pesadelo 2: a vingança de Freddy

"A nightare in Elm Street 2: Freddy's revenge", de Jack Sholder (1985) Porquê resolvi assistir a essa infame continuação do cult de Wes Craven? Simplesmente por curiosidade. Recentemente, protagonista do filme, o Ator Mark Patton, lançou um documentário intitulado "Screen queen: my nightmare in Elm Street", onde ele relata que a intenção do roteirista David Chaskin era falar sobre homofobia. E para isso, ele e o Diretor Jack Sholder realizaram aquele que é considerado o filme de terror mais gay da história!!!! Com essa informação, resolvi rever o filme, e pasmem, eles estão certos! Quando vi na época, tudo para mim passou batido, e agora, fica impossível não perceber tanta mensagem embutida no filme. A começar: essa é a única parte da franquia onde o protagonista, Jesse ( Mark Patton) , é um homem. Ele está indeciso entre o namoro com a jovem Lisa e toda hora vai tomar conselhos com o seu amigo de esportes no colégio Grady, que obviamente, sempre aparece sem camisa, mostrando os músculos. Boa parte da scenas dos dois acontece no vestiário masculino. Em um de seus pesadelos, Jesse vai parar em um bar gay!!!!!, recheado de gays de couro, entre eles, o treinador dele. O treinador o pune e o leva até um vestiário, e quando vai se preparar para estuprar o menino, ele mesmo é punido por Freddy, em uma cena bizarra: pelado, amarrado na ducha, sendo chicoteado e mutilado pelas garras de Freddy. Fetiche puro. Juro que não lembrava dessa cena quando o vi na época. Divertido mesmo é quando Jesse grita: ele grita que nem uma Scream queen, ou seja, as heroinaa histéricas. Morri de rir com as caras e bocas que o péssimo ator Mark Patton faz. Pior: o elenco de apoio também não ajuda nenhum pouco. Os figurantes também são hilários. Em uma cena onde Freddy barbariza em uma festa, todo mundo olha com cara de cú. O filme é trash até não poder mais, e ainda por cima, não assusta. Talvez o susto seja pela parte técnica amadora, pelos efeitos pobres ou pelo roteiro sem pé nem cabeça. ( ex: o filho de um casal foi assassinado por Freddy e na mesma noite os pais dormem no quarto.) A nota vai ser ruim, mas um ruim divertido. Nota: 5

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Uma nova amiga

"Une nouvelle amie", de François Ozon (2014) O Cineasta francês François Ozon é um dos poucos cineastas que filmam uma quantidade grande de filmes, pelo menos 1 por ano. Tantos filmes provocam uma demanda de filmes que variam em qualidade. Entre seus melhores trabalhos, figuram "Amor em cinco tempos", " 8 mulheres", "Águas em pedras escaldantes" e "Dentro da casa", talvez sua grande obra-prima. "Uma nova amiga" está entre os filmes medianos. O seu tema, o "Cross dresser", está bem próximo do filme de Xavier Dolan, "Lawrence anyways". Em ambos os filmes o protagonista , casado com uma mulher, descobre a sua obsessão em se vestir de mulher, porém sem nenhum vestígio de traços homossexuais. Ele continua gostando de mulher. O filme começa com um prólogo da amizade entre duas meninas, Laura e Claire (Anaïs Demoustier), desde a infância até a fase adulta. Ambas se casa, com seus respectivos maridos. Laura tem uma filha, mas logo vem a falecer de doença terminal. Antes de Laura morrer, Claire prometeu cuidar da filha e do marido dela, David (Romain Duris). Para surpresa de Claire, ela descobre que David é um cross dresser, cuja porção feminina se chama Virginia. Assustada de in;icio, logo as duas se tornarão grandes amigas. Variando entre o drama e uma pequena dose de humor, o filme tem todas as indicações estéticas e formais de Ozon: a bela fotografia estilizada, trilha sonora pop, e muita afetação e glamour no visual. Direção elegante como sempre, mas dessa vez o roteiro deixou a desejar. Em alguns momentos, chega a ficar quase pastelão os quiprocós provocados por Virginia. Como uma boa comédia de erros, o filme procura provocar risos no espectador. Mais fácil querer comovê-lo nessa história louca e destemparada. Tem horas que observei o desejo de Ozon de fazer um "Um corpo que cai" de Hicthcock, a obsessão de querer substituir uma morta por uma pessoa igual. Ponto para Romain Duris que tenta a todo custo dar dignidade a um personagem complexo. Anaïs Demoustier, de "Pessoas pássaro" , confere beleza e drama a uma personagem conflituosa. Algumas cenas bem cult, como a do passeio delas pelo shopping para fazer compras, fazem valer a pena ver o filme. Nota: 7

domingo, 12 de julho de 2015

O fundo do coração

"One from the heart", de Francis Ford Coppola (1981) Filmado em 1981, logo após a megalomania de "Apocalipse now", "O fundo do coração" era obra aguardadíssima pela crítica e público, ainda mais depois de Coppola ter gasto 32 milhões de dólares construindo os cenários de Las Vegas inteiramente em Estúdio. Porém, assim que foi lançado, o filme foi ignorado pelo público e destruído pela crítica. Resultado: o filme foi para o limbo. Décadas depois, o filme foi redescoberto e muitos dizem estar entre as melhores obras de Coppola e mais, colocam na lista dos melhores filmes de todos os tempos. Eu particularmente considero o filme uma obra-prima. O roteiro nem é original, porém a forma como Coppola filma e narra essa história, é magistral. A começar pelo uso da fotografia a cargo de Vittorio Storaro: Valorizando as luzes e neons de Las Vegas, o abuso de azul e vermelho , além de brilhos, realça o drama, a melancolia dos personagens. Contrastando com a luz excessiva da cidade, Hank ( Frederic Forrest) e Fannie ( Teri Gaar) possuem cores distintas. Hank mais pro azul melancólico e triste, Fannie mais pro vermelho paixão e caliente. A edição usa um recurso muito original: sobrepõe as imagens, dando a sensação de que os dois cenários coexistam. A direção de arte é espetacular, requintada em todos os detalhes na construção de Las Vegas, incluindo um imenso aeroporto. Hank e Fannie são casados a 5 anos. Ela, uma vitrinista, quer viajar para a ensolarada Bora Bora. Ele quer economizar dinheiro e comprar a casa própria. No dia 4 de julho, feriado da independência, eles discutem e cada um sai para um canto. Hank conhece uma malabarista de circo, Leila (Nastaja Kinsky, deslumbrante) Fannie conhece um garçon, Ray ( Raul Julia). Assim, criam uma tentativa para esquecer um ao outro. Embalado por uma trilha sonora poderosa de Tom Waits e Crystal Gayle, o filme provoca sensações, tanto pela imagem quanto pelo som. Teri Gaar e Frederic Forrest estão soberbos como o casal de meia idade. Dignos, decadentes, ambos exalam sinceridade e tristeza em seus olhares. Os outros atores, incluindo Harry Dean Stanton no papel de Moe, melhor amigo de Hank, também estão excelente. Um filme que merece estar no panteão das grandes obras e que precisa ser descoberto por toda uma nova geração cinéfila. Nota: 10

Meu tio

"Mon oncle", de Jacques Tati (1958) Realizada em 1958, essa comédia de costumes de Jacques Tati mantem-se atual nos dias de hoje pelo primor de suas gags visuais e pelo roteiro que brinca e critica convenções sociais, discute a modernidade invadindo a vida do homem moderno e faz um contraste entre novo e antigo, entre inocência e a perda dela. O filme ainda busca espaço para manter acesa a lembrança da 2a Guerra mundial, ainda na mente dos europeus, através de uma Gag de uma instalação feita de galhos que lembram o candelabro judaico, cercado por arame farpado. Monsieur Hulot, o personagem que Tati interpreta, é um homem bom. Atrapalhado, mas sempre honesto e de boas intenções, ele mora em um bairro pobre da periferia. Ele está desempregado, e sua irmã, casada com um rico empresário do setor de plásticos, pede a seu marido que lhe arrume um emprego na fábrica. A irmã mora em uma casa inteligente, toda planejada para facilitar a vida de seus moradores. Porém, Gerrard, o filho do casal, se entedia com os pais e a casa, e somente se alegra na presença do Tio e dos amigos de rua. O filme tem um interessante ponto de vista do menino e dos cachorros que percorrem o filme, clara metáfora dos vagabundos de classe social pobre e do burguês que quer se juntar à luta de classes. Hulot é anárquico, e por conta disso, precisa ser eliminado. Decupado de uma forma totalmente diferente para um filme comercial, ele possui planos longos e em planos gerais, o que confere um tipo de humor mais cerebral, apesar de muitas gags serem bem popularescas. É um outro ritmo, outro pensamento. O elenco está todo formidável dentro dessa proposta de "Clown", e Hulot é o palhaço triste da história. Genial uso da edição de som, e a trilha sonora fica grudada na cabeça da gente. O filme ganhou o Oscar de filme estrangeiro em 59, e um Prêmio especial em Cannes. Obrigatório. Nota: 8

A família Belier

"La famille Bélier", de Eric Lartigau (2014) Um dos DIretores do longa "Os infiiéis", comédia em episódios, Eric Lartigau realiza aqui uma emocionante comédia dramática que provocou litros de lágrimas da minha pessoa. O tema principal do filme para mim é o desapego, e eu simplesmente não resisto a situações de rompimento. A protagonista é a doce e carismática Louane Emera, que participou do Reallity 'The voice" na França. ela interpreta Paula, uma adolescente que mora com a sua família em uma fazenda produtora de queijos. Seus pais e seu irmão são surdos, e ela é a única que escuta e fala. Ela traduz tudo o que seus pais se comunicam para os clientes e para os eleitores do pai, que se candidata a prefeito. é uam família feliz, até que um dia, o professor de canto da escola, Fabien, a convida para fazer parte do coral da escola, após perceber o dom da menina em cantar. A partir daí Paula entra em conflito, pois precisa decidir se vai até Paris participar de um concurso de canto e se mudar para la, ou se permanece com sua família querida. O que mais comove no filme, mesmos sendo uma comédia, é a atuação dos atores. Os veteranos Karin Viard ( mãe), François Damiens ( pai) e Eric Elmosnino ( professor) dão um show de interpretação, alternando momentos de puro humor com drama. Muitas cenas antológicas, entre elas, a do primeiro concurso na escola. O filme de tãp puro e delicado parece uma produção da Disney, pois é um típico filme família com mensagem edificante. A fotografia, a trlha sonora, edição, tudo compõe com harmonia esse delicado trabalho. Porém, no desfecho, é impossível não se emocionar. Maravilhoso. Nota: 9

sábado, 11 de julho de 2015

Castanha

"Castanha", de Davi Pretto (2014) Exibido em vários Festivais estrangeiros, o Filme ganhou o Prêmio de melhor filme da Mostra Novos Rumos no Festival do Rio 2014. Mesclando ficção e documentário, o filme mostra a persona de João Carlos Castanha, Ator e Drag queen, que se apresenta em boites do Rio Grande do Sul. A figura decadente do performer se alia à melancolia de sua mãe Celina, às voltas com os cachorros que a síndica insiste em expulsar do prédio, ou da relação com o neto viciado em crack. É um filme que fala sobre a solidão, angústia, medo de viver em uma cidade grande. A figura da morte circunda o filme em cenas surreais, o que causa um estranhamento ao filme. Indeciso entre apenas fazer um registro do cotidiano ou criar ficcionalmente momentos dramáticos, o filme se apropria de um outro filme, "Branco sai preto fica", que também mescla esses dois gêneros. O problema aqui é que a pouca história é embalada em uma narrativa estilizada e plástica, e o ritmo extremamente lento cansa. O filme parece ser muito mais longo do que os seus 95 minutos. A grande figura do filme nem é Castanha, e sim, sua mãe Celina: verdadeira, espontânea, guerreira. Um belo exemplo de personagem.

Favela gay

"Favela gay", de Rodrigo Felha (2013) Produzido em 2013 por Cacá Diegues,o documentário é dirigido por um dos jovens Cineastas do Projeto coletivo "5X Favela", também produzido por Cacá. O filme apresenta depoimentos de moradores de várias comunidades do Rio de Janeiro, como a Maré, Complexo do Alemão, Rocinha, Vidigal, Andaraí, etc. É o chavão: pobre, gay e favelado. Mas o que impressiona é a inteligência e o discurso politizado dos entrevistados, mesmo que não tenham tido muita instrução. As histórias praticamente se repetem em todos os depoimentos: a não aceitação da família, prostituição, drogas. Apenas um dos entrevistados é mulher, os outros são gays masculinos, travestis e drag queens. Como em um filme de Eduardo Coutinho, o pulo do gato do filme são as entrevistas, baoa parte delas bem divertidas. Entremeadas de humor, mesmo que o discurso em si seja uma tragédia humana. O filme é curioso, mas também não sai do lugar comum de todos os estereótipos que os próprios gays abominam em programas de humor: muita afetação, muita viadagem, Senti falta de depoimento de um gay masculino, que não fosse desmunhecado. O ponto alto é o depoimento do deputado Jean Willis, que faz uma comparação entre o seu despertar sexual aos 15 anos e ao de seu irmão hetero.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Ben X

"Ben X", de Nic Balthazar (2007) Drama belga que tem como tema o Bullying. Ben é um jovem que sofre de Síndrome de Asperger. Por conta disso, sofre bullying constantemente na escola aonde estuda. Sua mãe tenta protegê-lo do mundo externo, e por conta disso Ben se torna um viciado em um jogo online. Ele se comunica com uma garota virtual, Scarlite, parceira dele nos jogos. Até que um dia ela surge na sua vida. O tema do bullying já foi explorado in;umeras vezes, idem um personagem portador de Asperger. O que diferencia essa de outras produções é a forma como o personagem se "aliena" de seu mundo. dessa forma, o Diretor Nic Balthazar constrói a narrativa do seu filme dividindo-o com um mundo vistual. Ben se divide entre o real e o avatar, e todas as ações do filme, na mente de Ben, fazem parte do jogo. Infelizmente, o diretor optou em trabalhar com caricaturas. Os estudantes malvados são extremamente maus, e Ben é exagerado dentro da caracterização do Ator Greg Timmermans, que aliás está velho pro personagem. Ele distoa da fisionomia de todo mundo. Todo o trabalho corporal está exagerado. O filme nem é longo, mas parece que dura o dobro de seu tempo. O que vale é a curiosidade da animação computadorizada mas nem isso é bem explorado no filme. O final é bem uma licença poética, para mim muito pouco verossímel. Um dado curioso, que acredito que foi aonde o filme se baseou, é na pesquisa de que 10% dos jovens da região já tentaram o suicídio. Nota: 5

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Cidades de papel

"Paper towns", de Jake Schreier (2015) Eu sou um apaixonado por filmes sobre adolescência e amizade. Entre meus clássicos, estão "Conta comigo" e "As vantagens de ser invisível". Versão para o Cinema do 4o best seller de John Green, depois do mega sucesso "A culpa é das estrelas"( também explodindo na bilheteria na adaptação para as telas), é um drama adolescente sobre descobertas. O filme tinha tudo para dar certo: uma história road movie, um romance platônico, galera nerd divertida, primeira transa, etc. Não, não é "Malhação". O filme promete muito, mas deve em vários quesitos. Em primeiro lugar, ritmo e dinâmica. O filme é longo, tem muitos momentos arrastados, e faltou um suspensezinho que valorizasse o sumiço da protagonista. O que é bacana, é a porção road movie do filme, mas que também não foi bem explorado enquanto roteiro. Ficou tudo rápido, as situações se resolvem logo e n final, ficasse a sensação de terem corrido com o filme porquê ficou longo. Quentin ( o carismático Natt Wolf) é um jovem que desde criança foi apaixonado pela vizinha, Margo (Cara Delevingne). Os dois se tornam os melhores amigos, mas quando crescem, se afastam. Margo procura Quentin numa noite, de s;ubito, e propõe a Quentin se vingar de algumas pessoas que a sacanearam. Quentin se diverte, mas dias depois descobre que Margot fugiu de casa. Quentin descobre algumas pistas deixadas por Margot e junto de seus amigos nerds, vão em busca dela. O filme diverte em alguns momentos, mas na maior parte do tempo provoca tédio. O que é uma pena. O que ainda consegue provocar mais dinamismo e emoção ao filme é a trilha sonora, recheada de canções pop adolescentes estilo indie ou rock. Nota: 6

quarta-feira, 8 de julho de 2015

O exterminador do futuro : Gênesis

"The terminator: Genysis", de Alan Taylor (2015) Aparentemente o filme que fecha a franquia, o filme dirigido por Alan Taylor, do excelente "Thor, o mundo sombrio", brilha pelo bom humor e pela bela homenagem que prestam ao grande astro da série, Arnold Schwarzenegger. Trazendo o tema do envelhecimento, com a ótima frase "Sou velho, mas não obsoleto", o filme traça um paralelo entre ficção e realidade e atesta a triste verdade: Arnold envelheceu. Para tantos fãs, o filme deve emocionar, ainda mais com os sorrisos "canastrões" que o personagem faz no filme. Arnold é o tipo de Ator bronco que sempre foi criticado pela sua atuaçao. Mas a sua imagem é tão forte, que os fãs nem ligam para isso. Ele é o verdadeiro motivo para se assistir ao filme. Claro, o filem ganha um super reforço do carisma de Emilia Clark ( A targaryan de "Game fo thrones"), no papel de Sarah Connors. O roteiro, criativo, porém confuso, brinca com a questão do tempo que podem ser alterado devido a alterações na trajetória do futuro ou passado. Nada muito original, um tema já copiado à exaustão por tantos outros filmes. Mas o que é o mais interessante, é como o roteiro trabalha com a inversão de expectativas, saindo do óbvio de alguns personagens e mudando o seu destino. Para quem viu o "Exterminador do futuro" original, o filme de 1984, vai tentar puxar pela memória personagens até então esquecidos e aqui recauchutados, como o Kyle Reese, que Michael Biehn interpretou no original, e que aqui coube ao ainda desconhecido mas carismático Jai Courtney. O filme está repleto de boas piadas com Arnold, e confesso que a melhor de todas está reservada numa cea de perseguição na auto estrada. Ri alto. Quanto ao elenco e roteiro, uma parte totalmente disperdiçada é referente à participação de J K Simmons, no papel de um policial dispensável à trama. Fora isso, gostei. Nada inovador, apenas uma homenagem, como já falei antes. Nota: 8

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Olhos estarrecidos

"Starry eyes", de Kevin Kolsch e Dennis Widmyer (2014) Escrito e dirigido pela dupla Kolsch e Widmyer, " Olhos estarrecidos" é uma homenagem ao cinema de terror dos anos 80, uma moda em voga atualmente entre os cineastas independentes e que atingiu o seu auge com o excelente "It follows". No caso, essa homenagem se dá ao cinema do cultuado Dario Argento, que realizou clássicos do gênero desde os anos 60 e que desde então foi copiado inúmeras vezes. O seu estilo, chamado de " giallio", envolvia cenas violentas de assassinatos, erotismo e feitiçaria, tudo emoldurado com um estilo rococo' de se filmar. Tudo era exagerado. Aqui, as atuações, a trilha sonora composta de sintetizadores e a maluquice da história compõe um prato cheio ao amantes de Argento. Sarah ( Alexandre Essoe) e' uma aspirante a atriz que trabalha como garçonete em Los Angeles mas com a esperança de se tornar uma atriz famosa. Essa oportunidade vem quando ela faz um teste para um obscuro filme de terror. Logo mais ela descobre que para passar no teste ela precisa fazer Sexo com o produtor. Ela reluta, mas depois cede. A partir daí, sua vida vira literalmente um Inferno. O filme é uma metáfora sobre o mito de Fausto, que vende sua alma ao diabo. A primeira metade do filme deixa a desejar, mas na segunda e última parte o filme ganha uma outra dimensão que fará a festa dos cinéfilos que curtem um terror exótico e violento. A atuação de Essoe é corajosa, e o filme diverte com atuações canastras do elenco de apoio, principalmente do ator que faz o produtor. Um cult pela metade, que vale mais que muito filme metido a besta. Nota:6

Segunda chance

"En chance nil",de Susanne Bier (2014) A cineasta dinamarquesa Susanne Bier provavelmente é a mais famosa cineasta do País depois do conterrâneo Lars Von Triers. Ganhadora de inúmeros prêmios em sua carreira, incluindo o Oscar de melhor filme estrangeiro por "Em um mundo melhor", seus filmes alternam de qualidade. Entre seus melhores filmes estão "Brothers" , " Corações livres" e " Depois do casamento". Em vários de seus filmes, Susanne aposta em um drama tão trágico e forçado que acaba levando a história para um melodrama novelesco e inverossímil. Assim é em "Segunda chance". Nicolaj Coster Waldau (Jammie Lannister de " Game of thrones") interpreta Andreas, um detetive que trabalha com o seu parceiro alcoólatra. Andreas é casado e é pai de um bebê recém-nascido . Andreas investiga o caso de um traficante em liberdade condicional , casado com uma drogada e pais de um bebê também recem nascido. Todas essas histórias irão se cruzar quando uma tragédia acontece. O filme discute a questão da aparência, revelando o que se esconde por trás de fatos e pessoas que julgamos pelo o que achamos que elas são. Pesando a mão na tragédia excessiva e em personagens desajustados , o filme afasta mais do que atrai os espectadores para um drama que vai se tornando cada vez mais escuro e apavorante na sua dimensão de tristeza. Além disso, o roteiro provoca encontros e facilita situações para que os personagens transitem melhor nessa história. O elenco é ótimo, mas infelizmente muitos reduzidos a uma caricatura, como Tristan, o traficante, que só mostra um lado mal e violento. A fotografia é excelente, favorecendo a melancolia da historia. Nota: 5

quarta-feira, 1 de julho de 2015

O gorila

"O gorila", de José Eduardo Belmonte (2012) Exibido em 2012 no Festival do Rio, de onde saiu com os prêmios de Melhor Ator ( Otavio Muller) e Atriz coadjuvante (Alessandra Negrini) , somente agora, 3 anos depois, o filme entra em circuito. E mesmo assim, em 1 única sala, o que demonstra o caráter autoral de seu Cineasta. Nascido em Brasília, Belmonte sempre teve associado o seu cinema a uma linguagem experimental e bem autoral. Premiado em vários Festivais, os filmes quando entraram em circuito não obtiveram o mesmo sucesso. Somente com "Billi Pig" e "Alemão", Belmonte pode saborear o Cinema comercial. Controversos, os seus filmes sempre entram em polêmica entre os Cinéfilos. "O gorila" está entre suas obras mais referenciais a um Cinema de gênero, no caso, o Trillher psicológico. E claro, o que não pode faltar é a Figura da "femme fatale", defendida com êxito por Alessandra Negrini e Mariana Ximenes. Otavio Muller também demonstra o seu grande potencial de ator camaleônico, absorvendo uma identidade de Franz Kafka do tipo "aonde estou", isso após brincar com fogo. Afrânio, o seu personagem, é uma figura solitária que mora em um cabeção de porco. Ex-dublador de uma série protagonizada por um detetive, Afrânio não consegue às vezes se desvencilhar dessa sua persona fictícia. Por conta disso, ele cria uma segunda identidade, "O gorila", um homem que liga para mulheres solitárias fazendo trotes. Até que um dia, o trote vem até ele, de forma ameaçadora Para quem curte uma homenagem ao Cinema Noir, vai se divertir com as constantes reviravoltas. O filme poderia ter se apegado mais a um cinema realista e menos estilizado, o que às vezes tirou a minha atenção da história. A trilha sonora é recheada de elementos nostálgicos, e a fotografia de Barbara Alvarez confere muita plasticidade e colorido.