quinta-feira, 30 de abril de 2015

A quinta estação

"La cinquième saison", de Peter Brosens e Jessica Woodworth (2012) Filme belga, escrito e dirigido pelo casal de cineastas, é uma bela fábula negra sobre o Apocalipse. Tendo referência 2 obras-primas do Cinema europeu contemporâneo, "O homem de palha", de Robin Hardy, e "O cavalo de Turin", de Bela Taar, o filme tem uma narrativa misteriosa que faz o espectador tentar entender o que está acontecendo. Tecnicamente brilhante ( Fotografia, trilha sonora sinistra, edição), o filme se situa em uma aldeia de pequenos camponeses existente em uma Região na Bélgica rural. Acompanhamos o dia a dia dos moradores, que vivem felizes em sua rotina. Familias que cuidam de seu gado, da apicultura, do plantio, do mercado local. Ao final do inverno, os moradores comemoram a chegada da primavera. Mas estranhamente ela não chega. A partir daí, a natureza começa a se rebelar contra o homem: vacas não dão mais leite, galinhas não chocam, árvores secam, peixes morrem, o solo apodrece. A população vai ficando aflita com o passar das estações até que resolvem tomar uma atitude extrema. Brilhante em sua execução, os diretores contam o filme através do silêncio, de longos planos-sequências, de uma fotografia e enquadramentos preciosos. É um outro olhar sobre o filme do gênero apocalípitco, mais autoral, cult. O elenco é composto em sua maioria por não-atores. Concorreu no Festival de Veneza 2012. Um filme mágico e surrealista, recheado de simbolismos. Locações exuberantes em um filme para encher os olhos. Nota: 8

Entre abelhas

"Entre abelhas", de Ian Sbf. Em 2004, um filme independente de um diretor genial se transformou no cult de toda uma geração e transformou um ator famoso pelas comédias escrachadas em um ator dramático e finalmente de talento reconhecido pelos críticos. O filme?:" Brilho eterno de uma mente sem lembranças", de Michel Gondry. Na história, o personagem de Jim Carrey sofre depressão após a sua separação e enfrenta um grande desafio: apagar a sua memória relacionada ao convívio da amada. O filme se faz valer de cenas surreais e de realismo fantástico para que a narrativa consiga ser contada. Em " Entre abelhas", o comediante Fabio Porchat investe em uma porção mais dramática e sofre de depressão após a separação. Resultado: as pessoas passam a sumir de sua vida. Amigos, desconhecidos... O maior trunfo do roteiro é não querer explicar o inexplicável. Surto?Esquizofrenia? Nem o terapeuta consegue resolver. A porção comédia sai de Porchat e entra em outros personagens, como o amigo Marcos Veras ou a mãe Irene Ravache. Pessoalmente, não gosto da porção comédia do filme e adoraria ter visto um filme melancólico. Mas entendo que comercialmente o filme precisa vencer. É um filme tecnicamente muito competente, bonito, e o mais curioso e inovador, usar as ruas do centro da cidade do Rio de Janeiro como se fossem ruas residenciais . O melhor mesmo, de tudo? A brilhante trilha sonora, que evoca acordes do gênio Michael Nyman. Ah, sim, a fotografia de Alexandre RAmos que ajuda a narrar essa história fabulesca de forma sensorial: a gente sente na pele o peso da tristeza através das cores que o filme emana. Um filme diferente da atual safra de filmes por querer ter algo a mais: Inteligência.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Um momento pode mudar tudo

"You're not you", de George C. Wolfe (2014) Forte candidato a ser um clássico do Sessão da tarde, "Um momento pode mudar tudo" passou batido pelo circuito em 2015. Uma pena, pois é um belo drama baseado em um romance de Michelle Wildgen. O filme lembra muito o francês "Os intocáveis" e o recente drama com Julianne Moore , "Para sempre Alice". Kate ( Hillary Swank) é uma pianista bem sucedida, casada com o advogado Evan (Josh Duhamel). Ao completar 35 anos, ela descobre ser portadora de uma doença degenerativa, o ELA, uma espécie de esclerose que vai eliminando os movimentos da pessoa, fazendo com que o cérebro funcione, mas o restante do corpo vá definhando, inclusive a fala ( a mesma de Stephen Hawking). Evan manda contratar uma acompanhante para Kate, e subitamente, surge Bec ( Emmy Rossum), uma roqueira fracassada e rebelde sem experiência alguma. Assim como o personagem milionário e paraplégico de "Os intocáveis", Kate escolhe Bec justamente por ela não a tratar como uma doente, e sim, como uma pessoa normal. A convivência das duas vai fazendo com que ambas vença, seus medos e segredos. Hillary Swank pega emprestado o personagem que ela interpretou em "A menina de ouro", de Clint Eastwood, e novamente sofre e fica sem movimentos. Mas isso não impede que ela tenha uma tocante interpretação. No entanto, a grande surpresa fica por conta de Emmy Rossun ( de "O fantasma da ópera), aqui esbanjando talento e fazendo bem a transição entre comédia e drama. O mais curioso é que ela está com a cara de Emily Blunt. A fotografia e a trilha sonora ajudam a dar classe ao filme, que investe pesado no melodrama. Mesmo em cima de clichês, o filme agrada e emociona, muito por conta do talento dos atores e pela seriedade que o diretor conduz o filme. Nota: 7

domingo, 26 de abril de 2015

Vidas amargas

"Vidas amargas", de Elia Kazan. Adaptação do livro de John Steinbeck, "A leste do Eden", onde ele faz alusão à história de amor e ódio entre Caim e Abel, o filme ao ser adaptado para o cinema ficou imortalizado pela performance de James Dean. Não que o filme em si não mereça créditos: é uma obra-prima, a começar pelo roteiro, os diálogos brilhantes, a fotografia e os enquadramentos. Falar da direção de Elia Kazan e a performance do elenco é chover no molhado. Kazan sempre foi considerado um excelente Diretor de atores. Porém, com a delação que ele fez de colegas artistas durante o Macartismo, custou-lhe a credibilidade. Nunca mais ele foi visto com os mesmos olhos. E olha que ele dirigiu inúmeras obras-primas: "Clamor do sexo", "Um bonde chamado desejo", "SIndicato de ladrões", etc. O filme causa um enorme impacto visual já pelo uso do Cinemascope, um formato de tela panorâmica que foi totalmente pensada por Elia Kazan ao desenhar o seu filme. As locações, as marcações em cena. tudo tudo foi muito bem estruturado. O filme se passa na 1a guerra, em 1917, antes dos Estados Unidos entrarem na Guerra. Em uma região da Califórnia, Salinas, moram Abram, Cal ( James Dean) e Aaron. Abram cuidou de seus filhos desde que sua esposa fugiu. Os dois irmãos rivalizam o amor do pai, mas Abram só ama Aron, que se parece bastante com ele. Cal é rebelde, e se parece demais com a mãe. O pai sempre disse que ela estava morta, mas Cal descobre o paradeiro dela: ela é uma cafetina e ganha dinheiro em seu salão. Cal quer o amor dos pais, mas nenhum lhe dá atenção. Brilhante do primeiro ao último plano, o filme é um colírio para os olhos em todos os sentidos: locação, fotografia e a beleza contagiante de James Dean, que magnetiza todas as atenções para si. Muitas cenas antológicas e um roteiro que faz do melodrama clássico a sua mola mestra, alternando com momentos de fino humor. Trágico, lírico, poétco e apaixonante. Cenas em planos-sequências. Cenas com enquadramentos ousados ( tortos, etc). E uma cena instiigante: quando Cal está balançando em um balanço, a câmera entorta para os dois lados. Saí chorando do filme de tanta força e emoção criativa que o filme possui. Vencedor do Globo de Ouro melhor filme em 56, Oscar de melhor atriz coadjuvante para Jo Van Fleet ( por uma única cena) e Melhor filme de drama em Cannes. Nota:10

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Cyberbully

"Cyberbully", de Ben Chanan (2015) Dirigido e escrito pelo cineasta inglês Ben Chanan, 'Cyberbully" é um prodígio de produção independente de baixo orçamento e um tour de force e atriz, no caso, a jovem Maisie Willians, mais conhecida como a Arya Stark de "Game of Thrones". Durante quase 65 minutos, acompanhamos o drama de uma garota, Casey, que se torna vítima de um cyberbully, um chantagista que ameaça postar fotos dela nua ( fotos tiradas do ex namorado). Maisie é a única atriz do filme, ( os outros atores aparecem em vídeos de youtube ou chat), e o filme todo acontece no quarto dela. Não é fácil manter interesse e mais, criar um clima de suspense nesse contexto, e segurar a atenção do espectador do início ao fim. Isso acontece através da performance irretocável de Maisie ( que alterna emoções entre alegria, raiva, sarcasmo, tristeza, pavor, melancolia) e dos diálogos dela com uma voz em off do hacker. A direção também trabalha bem todo o contexto, com bons enquadramentos e um trabalho preciso e bem pesquisado sobre todo o universo de rede social e internet aplicado aos jovens ( vemos no filme Facebook, Sppof, Twitter, whastassp, sms, chat, youtube, enfim, tudo o que rola entre a garotada). Uma boa aula de como fazer filme inteligente e barato. Nota: 7

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Os Vingadores: A era de Ultron

"Avengers: Age of Ultron", de Joss Whedon (2015) Para mim, como Cinéfilo, nunca tive dúvidas em relação à minha paixão em assistir filmes. eu vejo de tudo, de A a Z. E obviamente, sei diferenciar um Filme de Entretenimento de um Filme de arte, ou para os leigos, um filme pipoca de um filme cabeça. Pois é justamente esse filme pipoca que me faz ficar entretido na cadeira por 141 minutos, trazendo aquela emoção que sinto quando era criança: o negócio é se divertir. E sim, me diverti muito. O filme contém cenas antológicas de ação ( a perseguição de Viúva negra de moto atrás de um caminhão, ajudada por Capitão America, é muito foda. Mesma coisa toda a cena final que é de tirar o fôlego. E sim, ter uma sala lotada de fãs nerds ajuda bastante a entrar no clima do filme. A história? O de sempre.Ameaça à erra, Vingadores se juntando para eliminar o inimigo, lição de moral, meio mundo destruído. Essa é a fórmula que sempre dará certo, o que mudam são as locações e os nomes dos vilões. "But who cares?" Direção foda de quem entende do assunto, um Elenco mega foda que sabe o que está fazendo e se diverte a valer e a triha sonora de Danny Elfmann que todo mundo gosta de escutar. Ao elenco habitual, juntam-se novos atores e personagens: Elisabeth Olsen, Aaron Taylor-Johnson ( os dois aqui interpretando irmãos gêmeos, mas em "Godzila" interpretaram um casal). Paul Bettany e James Spader na voz do vilão Ultra. E é o que tenho a dizer: me diverti, me emocionei, voltei a ser criança. Acabou o filme, o mundo volta ao normal. Nota: 8

O tratamento

"De behandeling", de Hans Herbots (2014) Baseado em novela de Mo Hayder, esse drama de suspense belga tem muito em comum com o filme de Dennis Villeneuve, "Os suspeitos", lançado em 2013 com Hugh Jackman e Jake Gyllenhaal. Ambos falam sobre sequestro de crianças, sobre pedofilia, e sobre vingança. E ambos têm muita violência. Inclusive existe a personagem de uma mulher mau caráter que no filme de Villeneuve era interpretada por Melissa Leo, e aqui, por Ingrid De Vos. Arrisco até em dizer que se trata quase que de uma refilmagem, tal a semelhnça entre os filmes. Mas o final..bom, o final é radicalmente diferente.. No filme belga, diferente do canadense, tudo é mais denso, apavorante, assustador. O filme mantém um clima de suspense do início ao fim, a gente fica torcendo para que as coisas não aconteçam, torcemos pelas vítimas, sofremos com elas. Aqui a pedofilia vai em estágio de doença total, e o filme não se esvai em esconder nada. Recomendo até a quem for bastante sensível não assisti-lo. Nick (Geert Van Rampelberg, a cara de Hugh Jackman, talvez proprositalmente) é um policial com um trauma de infância: enquanto brincava com seu irmão, o viu sendo sequestrado por um homem. Os anos se passaram, Nick se tornou especialista em casos de sequestro por rede de pedófilos. Mas então novos casos de sequestro e crimes acontecem. E Nick parece ficar ainda mais certo de que seu irmão ainda vive. Excelente direção, ótimos atores e uma trama macabra que arrepiará a espinha do espectador. Poderia ter 20 minutos a menos, pois é bem longo. Mas a trilha, fotografia, edição, tudo faz a gente relembrar os momentos mais tensos de "O silêncio dos inocentes", com certeza uma boa referência que o diretor se apoiou para realizar esse seu filme. Nota: 8

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Virando a página

"The rewrite", de Marc Lawrence (2014) Quarta parceria em longa entre o cineasta americano Marc Lawrence e o ator inglês Hugh Grant, entre eles, "Letra e música". Em "Argumento de amor", novamente temos uma comédia romântica com Hugh Grant , o especialista no gênero. No entanto, algo de muito grave aconteceu com ele: ele envelheceu. E por conta disso, todo o seu charme e sorriso brocharam, ficaram meio sem sal. É uma pena constatar isso, e o que se v6e no filme, é uma tentativa de reerguer a sua carreira já meio combalida. Sempre gostei de seus filme,s por mais ingênuos que fossem, mas ele realmente me divertia em filmes clássicos como "Quatro casamentos e um funeral" ou "Um lugar chamado Nothing Hill". Agora, Grant interpreta Keith Michaels, um roteirista de cinema em Hollywood. A 15 anos atrás, ele ganhou um Oscar de melhor roteiro por um filme, mas após esse prêmio, todos os roteiros seguintes foram um tremendo fracasso. Sem emprego e sem dinheiro, ele aceita um emprego que sua agente lhe recomendou: viajar até Birmingham, uma cidade pequena próxima a Nova York, e trabalhar como professor de roteiro para uma turma de nerds, mas entusiasmados alunos. Entre eles, está Holly ( Marisa Tomei). Machista e sem saco para dar aula, Keith aos poucos vai ganhando confiança e simpatia do grupo, e aos poucos, vai se moldando e criando auto-estima. Justamente o que os seus alunos precisam.Temos também a figura de J K Simmons, no papel do reitor. O filme é bem convencional na forma e no conteúdo. Não se espera nada do filme além de proporcionar entretenimento. Porém, o filme, sem ritmo, parede durar mais do que realmente dura. Ele vai seguindo sem cor, sem muito interesse. O que é uma pena mesmo. Esse tema de alunos X professor já está bem batido, e o que vale a pena aqui, mesmo que merecendo ter sido mais desenvolvido, é justamente o papo sobre criação, sobre a escrita, sobre saber colocar no papel aquilo que se sente. O estímulo para criar e conceber sempre é bem vindo. Os momentos cinéfilos no filme ( quando Keith discute sobre filmes) é uma delícia pro espectador. Mas é pouco. Hugh Grant está precisando urgente se reinventar. Nota: 6

terça-feira, 21 de abril de 2015

A plantação

"The harvest", de John McNaughton (2013) Kathy Bastes encontrou uma rival à altura de seu personagem apavorante em "Louca obsessão". Samantha Morton e a sua personagem Katherine dividem espaço entre as mais desequilibradas e bipolares das vilãs do cinema moderno. Morton interpreta um papel dificílimo, que se fosse realizado por outra atriz facilmente cairia no vulgar e no overacting. Certamente, uma atuação que vale ouro, merecedora de prêmios. O cineasta John McNaughton realizou em 86 o cult "Henry: retrato de um serial killer", que chocou o mundo e foi proibido em vários países. Em "A plantação", ele trabalha no mesmo gênero suspense, em uma versão mais light e psicológica. Macnaughton se cercou de 4 excelente performances, irretocáveis: Samantha Morton, Michael Shannon ( de "O abrigo"), Natasha Calis, como a menina Maryann e Charlie Tahan ( a voz em "Frankenweenie" e "Blue Jasmine"), no papel de Andy. Maryann é uma menina que acabou de perder os seus pais. Ela se muda com os avós de Nova York para o subúrbio. Entediada e triste, ela vagueia pela região, até dar de cara com uma casa. Lá, ela descobre Andy, um garoto paraplégico, que vive deitado na cama. Ela descobre que os pais de Andy são uma médica e um enfermeiro. Os dois fazem amizade, mas a mãe de Andy, Katherine, quer que ela se afaste dele. Maryann, em uma de suas investidas para visitar Andy, descobre um terrível segredo que se esconde na casa. O filme tem um delicioso revival de filme de suspense que remete bastante a "Louca obsessão", "Conta comigo"e "Os Gonnies". É delicioso de se assistir, com tensão e suspense na medida certa, sem aqueles habituais gatos que surem do nada e uma violência suportável por qualquer integrante da família que queira assistir ao filme. Bem dirigido, bem escrito e com uma narrativa lenta que chega até um clímax que, mesmo que duvidoso ( gente, não existe polícia a ser acionada nessa cidade?), satisfaz bastante os espectadores. Grandes atores que dão vida a uma espécie de fábula macabra e sinistra, mas muito bem urdida. Nota: 8

segunda-feira, 20 de abril de 2015

O dançarino do deserto

"O dançarino do deserto", de Richard Raymond (2014) Filme de estréia do cineasta inglês Richard Raymond, se baseia na história real do dançarino iraniano Afshin Ghaffarian, que em 2009, pediu asilo político na França. No filme "118 dias", o personagem de Gael Garcia Bernal, que também se baseou em história real, é um jornalista iraniano que mora no Canadá e volta para Terrã para cobrir as eleições presidenciais em 2009. O povo queria votar no candidato da oposição, mas o governo fraudou as eleições e o candidato do governo venceu. Atividades foram proibidas, principalmente as relacionadas com cultura. A juventude iraniana ficou calada e quando protestavam, eram presos. Em "O dançarino do deserto" o clima de insatisfação política é a mesma, pois acontece no mesmo período de "118 dias". Afshin desde criança sonha em seu dançarino. Adulto, ele se junta a outros alunos de dança e tem como sonho formar uma escola de dança. A eles, se junta a misteriosa Elaleh (Freida Pinto), que tem um passado trágico e também precisa da dança para exorcizar seu fantasma. Ela e Afshin se apaixonam, mas ele descobre que ela é viciada em heroína. O grupo decide se apresentar no deserto, que está fora do controle do regime, mas mesmo assim, podem sofrer riscos. O filme tem muito em comum com o filme "O último dançarino de Mao", que fala sobre um dançarino do Governo comunista chinês que pede asilo nos Estados Unidos. Amos os filmes usam a metáfora da dança como libertação política e dos medos e frustrações. O filme é burocrático, convencional, e nem podia se esperar muito dele. Tudo é feito em cima de clichê, e o que acaba se sobressaindo é a bela fotografia, de Carlos Catalan. O elenco está correto,a cena da dança no deserto é bonita. Mas o que de fato me incomodou, que é exatamente o que acontece em "118 dias": difícil ver um filme ambientado no Irã todo falado em inglês. Incomoda e não me d a credibilidade. Ainda mais um filme que filma em Marrocos como se fosse Teerã. Nota: 6

domingo, 19 de abril de 2015

Viver a vida

"Vivre sa vie", de Jean Luc Godard (1962) Vencedor do Prêmio do Juri em Veneza no ano de 1962, Godard impressiona até para os padrões do dia de hoje com a sua constante busca de formas de se narrar um filme. Dividido em 12 tableux ( atos), "Viver a vida" tem na sua narrativa a grande força que faz desse filme uma das grandes obras-primas do eterno enfant terrible da "Nouvelle vague" francesa. Cada cena é narrada de uma forma diferente, Godard nunca repete o mesmo jeito de se contar uma cena em outra cena. Por ex, existe uma cena toda realizada em plano-sequência lateral, outra que é um clip, outra que é toda fixa com os atores de costa, outra onde os personagens conversam em off, lendo pensamentos. Todas essas linguagens até hoje se mostram modernas e vanguarda. Godard sempre foi considerado um dos cineastas mais complexos e herméticos do cinema. Seus flmes são considerados chatos, difíceis de se compreender. Quem conseguir tentar romper essa barreira de semiótica irá se deliciar com uma obra culturalmente tão vasta onde se fala de cinema, literatura, filosofia, etc. Nana ( Ana Karina, esposa de Godard e que na época da filmagem estavam brigados) é uma mulher que abandona o conforto do lar para poder se dedicar à carreira e atriz. Para se sustentar, ela trabalha em uma loja de disco. Mas ela se endivida e é expulsa de casa. Para se manter, ela conhece o mundo da prostituição. Fotografado em um preto e branco extraordinário pelo seu fotógrafo habitueé Raul Cotard, Godard exibe closes dos mais belos do cinema quando posiciona a sua câmera para Ana Karina. Ela está linda e deslumbrante. Em uma cena, quando ela vai até o cinema assistir "O martírio de Joana D'arc", de Dryer, a imagem de Nana e de Falconetti ( Atriz que interpreta Joana D'árc) se confundem na edição. Dramático, divertido, trágico. Godard não teme mesclar gêneros, incluindo musical e filme de gangster. Ele se diverte, posicionando a sua câmera de forma inovadora e provocadora. Muitas cenas antológicas: a dança de Nana na sinuca, o clip de Nana seduzindo homens, a cena dela fazendo trottoir nas ruas. Um filme que deve ser visto, estudado e discutido por amantes do cinema, que certamente apreciarão o resgate desse filme incrível e revolucionário. Um filme que ensina a narrar a forma do filme. Nota: 8

sábado, 18 de abril de 2015

Mall- Um dia para matar

"Mall- a day to kill", de Joseph Hahn (2014) Dirigido pelo integrante da banda Linkin Park, Joseph Han ( que é o Dj da banda e também diretor de vários clips do grupo), o filme é baseado em um livro escrito pelo Ator Eric Bogosian. Essa produção de baixo orçamento foi co-produzido por vários apoiadores, inclusive o Ator Vincent D'onofrio, um dos atores do filme. Assistindo ao longa, fica impossível não se lembrar de "Elefante", de Gus Van Sant. Um jovem desajustado, Mal, após ser demitido de uma loja em um shopping, mata sua mãe e se mune de vários armamentos pesados. Ele segue em direção ao shopping e sai matando geral. O filme narra em paralelo a história de 5 personagens que perambulam no shopping antes e durante o evento, sendo que o principal deles é um adolescente, Jeff, que leva um fora de uma garota que ele está a fim e se droga, vagando desolado pelo shopping. Temos também uma dona de casa entediada e que sente que a idade chegou para ela; o segurança do shopping; um executivo fetichista que sai olhando mulheres em vestiários. O filme poderia ter sido muito mais interessante do que é. Ele é tedioso, as histórias não são interessantes. Falou adrenalina, mesmo com uma trilha sonora pulsante e recheada de trilha eletrônica. O que faz valer assistir ao filme é o seu charme de produção independente, sem compromisso, e ver caras novas mescladas a atores coadjuvantes famosos, como Gina Gershow, Peter Stormare e Vincente D'onofrio. Alguns bons efeitos ( nas cenas de doideira de Jeff) e fotografia competente. Nota: 5

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Casa grande

"Casa grande", de Fellipe Barbosa (2014) O cineasta Pedro Almodovar tem uma frase onde ele sintetiza o fetiche pela sala de cinema: " As salas de Cinema são frequentadas por solitários e assassinos." Eu complementaria essa frase da seguinte forma: "O cinema é o lugar aonde o Cineasta expia os seus fantasmas". Assim foi com Bergman, com Truffaut, Woody Allen, Pasolini, Fellini e tantos outros realizadores. A matéria prima deles veio deles mesmo. De suas histórias pessoais, das pessoas que conheceram, de seus dilemas, e principalmente, de seus fantasmas interiores. Em 2009, o jovem cineasta chileno realizou o premiado drama "A criada". De cunho autobiográfico, ele conta a história de uma família rica: pai, mãe, filho, filha. Eles possuem uma empregada que trabalha por 23 anos na casa deles, Raquel. Ela é silenciosa e como uma boa criada, elas faz tudo o que é pedido. O filho a vê como um objeto sexual e num determinado momento se masturba pensando nela. Raquel sintetiza, na metáfora, a hierarquia entre ricos e pobres, esse enorme abismo social que mantém a continuidade de um sistema existente desde a época da escravidão, retratado no livro de Gilberto Freire, "Casa grande e senzala", onde ele faz a sua tese sobre a formação da miscigenação da população brasileira, oriunda das raças negras, indigenas e brancas, em sua maioria, portugueses. Corta para 2015: Premiado em vários festivais internacionais e nacionais desde 2014, o filme é exibido comercialmente. Fellipe Barbosa, o Cineasta e roteirista, também se utiliza de conteúdo autobiográfico para falar sobre a falência financeira, moral e familiar de uma família outrora rica, moradora do bairro da Barra da Tijuca, sabidamente um bairro que cresceu com os novos ricos que ganharam muito dinheiro nos anos 80 e 90. Jean ( Thiago Cavalcanti) , um jovem de 17 anos, mora com seu pai ( Marcelo Novaes), sua mãe ( Suzana Pires) e sua irmã de 14 anos. eles j;a foram ricos, o pai j;a ganhou muito dinheiro com ações. Porém, houve uma derrocada, discretamente sugerida no filme ocasionada pela falência do Grupo do Eike Batista. O pai esconde da família a sua falência e vai levando tudo até onde pode: quando as contas chegam, o inevitável surge: estão sem condições de manterem a pose. Estudante do tradicional colégio São Bento, Jean tem o seu motorista Severino demitido pelos pais e vai para o colégio de ônibus. Hábitos até então inexistentes na família precisam ser aprimorados: a mãe ganha um trocado vendendo produtos de beleza, o pai tenta desesperadamente conseguir um novo emprego, porém o seu orgulho o impede de distribuir currículos. Empregados são demitidos e para piorar a situação de Jean, ele se apaixona por uma garota do Colégio Pedro II ( um colégio público), mestiça e cujos valores sobre cotas raciais e preconceitos não são bem aceitos pelos pais de Jean. São dois os grandes trunfos do filme: a atuação do elenco, bem distribuido entre atores profissionais e amadores, e a direção minimalista de Barbosa, que vai contando a sua história simples sem grandes arroubos, mas fazendo do cotidiano um grande evento. Ozu e Eric Rohmer são exemplos de cineastas que extraem da rotina filmes onde por fora tudo parece tranquilo, mas por baixo e por dentro de seus personagens, um turbilhão de emoções acontecem.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Você doura a noite

"Sen Aydinlatirsin Geceyi/Thou Gild'st the Even", de Onur Ünlü (2013) Imaginem um filme turco com super-heróis cheios de poderes, mas que não sabem como fazer bom uso deles. Esse filme vem embalado por uma fotografia extraordinária em preto e branco, comandado pelo fotógrafo Vedat Özdemir. A narrativa é complexa, e faria Bunuel aplaudir de pé, ante tantas cenas surrealistas. É um filme complexo, hermético, e faturou muitos prêmios em vários festivais. O tema central? Depressão, suicídios, desgosto pela vida. Faltou citar Bergman no meio de tantas referências para esse filme tão difícil de ser comentado. Em uma pequena cidade na Turquia, os habitantes possuem poderes especiais. Porém, a cidade segue tranquila, pacata, como se tudo fosse extremamente normal. Ninguém presta atenção em nada e a vida segue normal. Temos um médico que sangra pelos olhos; um dono de fabrica que é imortal; uma jovem camponesa que move objetos com seus poderes de telecinese; outra jovem que para o mundo quando bate palmas; um gigante; uma professora que se torna invisível. No foco central, temos a figura de Cemal: ele e seu pai possuem uma barbearia. Cemal está triste com a vida: sua mãe e irmãos morreram queimados em um incêndio, e ele vive questionando o que aconteceria se ninguém existisse. Ele tem poderes de olhar raio x e de atravessar paredes. Ele tenta se matar cortando seus pulsos, mas sobrevive. Um dia, conhece duas mulheres: Yasmine, a camponesa, e Ismet, vendedora de livros de Shakespeare. De um desses livros, saiu o título do filme: Thou Gild'st the Even, do Soneto 28. É um filme que dificilmente agradará os espectadores, dada a sua dificuldade de entendimento. É um típico filme de Festival, realizado para agradar críticos. Apesar das alegorias, o filme possui cenas memoráveis: a chuva de pedra (impressionante), a cena do assassinato de um personagem, o vôo do casal após tomarem pilulas contra depressão. Obviamente que o filme é todo descrito através de metáforas, e cabe ao espectador tentar decifrá-las. A trilha sonora é um deslumbre de tão linda, dando o tom melancólico que necessita. O elenco está todo excelente, dando vida a personagens tão complexos. Nota: 7

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Rio perdido

"Lost river", de Ryan Gosling (2014) Exibido no Festival de Cannes na Mostra "Um certo olhar", em 2014, "Rio perdido", a estréia do ator Ryan Gosling na direção, foi vaiado e execrado pelos jornalistas. O roteiro foi escrito pelo próprio, e a expectativa em relação ao filme era imensa. Afinal, Gosling é um dos atores mais festejados da nova safra de jovens americanos, tendo trabalhado e atuado em filmes que vieram a se tornar cults da década, como "Diário de uma paixão", "Blue valentine" e "Drive". Claramente inspirado no Universo surreal de David Lynch, o filme ainde tem referências ao cinema de Nicolas Winding Refn, com quem Gosling trabalhou nos filmes "Drive" e "Só Deus perdôa". Ambientado na cidade fictícia de Lost River, o filme narra a história de Billy ( Christina Hendricks, com quem ele trabalhou em 'Drive"), uma garçonete endividada que mora em uma casa herdada da família com seus 2 filhos, um pós-adolescente, Bones, e uma criança. Billy teme perder a casa por não pagara hipoteca e aceita trabalhar em uma casa noturna, especializada em shows de gore eróticos. O convite parte de um misterioso dono de um banco de empréstimos. Paralelo, Bones tenta arranjar dinheiro arrancando cobre de casas abandonadas, até que tem sua vida cruzada com Bully, um gangster que domina a cidade e prega a violência, e com Rat (Saorsie Ronan), uma vizinha por quem ele se afeiçoa. Rat conta para Bones o segredo da cidade: após uma inundação, uma maldição pairou sobre os seus habitantes, fazendo com que ajam como figuras estranhas. O grande trunfo do filme é a fotografia do craque Benoir Divert, que realizou Enter the void" e "Irreversível", ambos de Gaspar Noe, além de "Spring breakers", filme sobre a juventude transviada dirigida por Harmony Corine. O visual e a estética muitas vezes beira ao exibicionismo, inclusive a cena final dentro do casulo é bem bizarra, A violência é estilizada, a trilha sonora toda bem em clima dark. O filme tem um roteiro confuso e desconexo, o que afasta o espectador dessa viagem lisérgica. Muito provável Gosling quiz provar ao mundo que também sabe ser cult e hermético, mas tamanho presunção lhe custou a carreira: o filme será lançado direto em dvd, e afetou até os convites para filmar. Difícil não dizer que o filme é frustrante. No final das contas, a história é bem singela, uma fábula sobre amor familiar. Espero que Ryan consiga dar a volta por cima, pois ele é um Ator que faz a diferença dentro do marasmo do cinema de Hollywood e autoral. Nota: 6

domingo, 12 de abril de 2015

O caminho para casa

"Wo de fu qin mu qin/ The road home", de Zhang Yimou (1999) Vencedor de vários prêmios, entre eles o Urso de prata em Berlin 1999, e Melhor filme estrangeiro em Sundance na mesma época, "O caminho para casa"é um resgate sobre a memória e a tradição que insiste em se manter vivo. Claramente inspirado no sucesso do filme "Titanic", na China ( onde foi uma das maiores bilheterias de todos os tempos", "O caminho para casa" se apoia na estrutura do filme de James Cameron, onde aliás ele homenageia através de um poster do filme dentro da casa da mãe do personagem. A história de um amor trágico e exacerbado; a trilha sonora à base de flautas; a divisão do filme em 2 épocas: passado e presente; um acerto de contas. Dirigido por um dos cineastas mais aclamados da história, Zhang Yimou, também responsável pelos famosos:"Herói", "O clã das adagas voadoras", "Lanternas vermelhas", Amor e sedução"entre outros, Yimou tem a grande força de saber contar uma história através de imagens espantosamente belas. O seu cinema possui um grande apuro estético e visual, sem ser publicitário. Ele extrai o melhor das locações e de sua equipe técnica: fotografia, direção de arte, figurino...tudo incrivelmente belo e encantador, à serviço de contar uma história de amor pura e verdadeira. O que mais interessa ao filme não é saber a sua história, e sim, como ele conta essa história, carregada de simplicidade, porém com uma força brutal de cinematografia. Ambientada em 1958, em uma pequena cidade do interior da China rural, onde uma jovem camponesa , Zhao Di ( Zhang Yiyi) , conhece um jovem professor, que vem da cidade grande para lecionar em uma pequena escola. O filme é narrado pelos dias de hoje, através do personagem do filho deles, que veio para o funeral do pai. A sua mãe deseja seguir a tradição e fazer o enterro com o corpo sendo levado a pé e não por carro, apesar das pessoas serem contra. Não existem palavras para descrever tamanha beleza e encantamento que esse filme proporciona. Cada plano, cada cena composta de forma como se cada frame fosse um quadro, uma moldura. Yimou, como poucos diretores, sabe onde colocar a sua câmera. Sensibilidade não lhe falta, inclusive para dirigir os atores, todos muito econômicos porém soberbos. Se comunicando muito através de olhares, os personagens cativam o espectador. Muitas cenas antológicas, e o agradecimento por Yimou ter descoberto essa grande atriz Zhang Yiyi. Lágrimas rolam solto durante vários momentos do filme, que não se envergonha de forçar o choro do espectador. Melodrama em estado puro e sincero. Nota: 10

sábado, 11 de abril de 2015

Fruto proibido

"Kielletty hedelmä", de Dome Karukoski (2009) Bonito drama que fala sobre conflitos religiosos e espirituais. Reentemente, vi em caratz o drama alemão "As 14 estações de Maria", que tem um tema muito semelhante: o drama de uma jovem de família cristã ortodoxa convivendo com desejos da carne e o amor. Ambientado na Finlândia, o filme mostra a existência de um grupo de religiosos chamados de Laestadianismo, que são Cristãos protestantes Ortododoxos. Eles não podem ver tv, ouvir música, usar maquiagem e fazer sexo antes do casamento. Maria é uma adolescente de 18 anos que vai para a cidade fazer um trabalho de verão. A comunidade obriga outra jovem, Raekkl, em seu encalço, para que vigie os passos de Maria e confirmar que ela não sairá do eixo. Porém, a conivência dessas 2 garotas na cidade grande , fará com que suas vidas mudem para sempre. Belamente fotografado, o drama tem sua força na interpretação das duas jovens atrizes que interpretam Maria e Raekkl. Lindas e talentosas, além de muito expressivas. O roteiro chega a ser deja vu, com os conflitos habituais que já vimos desde "A testemunha", cm Harrison Ford. Mas vale pela beleza das locações e pela atmosfera melancólica, além do trabalho dos atores. E o filme ainda homenageia o Cinema. É em uma sala de cinema que Raekll tem a sua primeira tentação, e ainda se apaixona por um jovem cinéfilo. Faz sentido. Nota: 7

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Primavera

"Spring", de Justin Benson e Aaron Moorhead (2014) Produção americana independente, é uma mistura muito estranha de gêneros: Romance, Drama, Comédia e terror. O filme foi rodado nos Estados Unidos e depois na Itália. Na primeira parte, ainda nos Estados Unidos, é um drama. Quando o personagem viaja para a Itália, continua como um romance e vai aos poucos, sucumbindo para um terror com tinhas de humor negro. Não é um filme fácil: para quem é fã de filmes de terror, vai achar um saco, pois o filme é bastante verborrágico e com poucos efeitos e cenas de terror. Para quem curta um Romance, vai estranhar a virada da história. Alguns críticos o compararam a um "Antes do amanhecer", primeiro filme da trilogia de Richard Linklater. Assim como no famoso filme, aqui um personagem americano, Evan, segue dos Estados Unidos para a Itália para fugir de seus problemas. Na cidade de Puglia, ele conhece Louise, uma bela jovem. Entre descobertas e muitos diálogos, os personagens perambulam por Roma, Puglia, Napoles e Pompéia até que Evan se apaixona perdidamente por Louise. Tão apaixonado, que irá aceitar a verdadeira pessoa que existe em Louise. O melhor do filme é a fotografia e as belíssimas locações. Dá vontade de ir correndo para a Itália e conhecer todos esses lugares. O filme em si tem problemas: ele é longo ( quase duas horas, um exagero para uma história dessas), e a história, dependendo do ponto de vista de quem a vê, pode ser mal compreendida. Talvez os diretores/roteiristas quisessem com o filme fazer uma metáfora sobre o valor do AMOR verdadeiro nos perversos dias atuais, onde tudo é efêmero. Existe um amor verdadeiro e puro, que resista às intemperies da vida? Pois para alguns personagens coadjuvantes que buscam apenas o sexo, o destino lhes é ...fatal. Os dois protagonistas ao bons e seguram bem os diálogos longos e as transições dos personagens. O filme ganhou ainda um prêmio de melhor ator para Lou Taylor Pucci (Evan), em um Festival de filme fantástico. Curioso, mas não inesquecível. Nota: 7

terça-feira, 7 de abril de 2015

Nos deixe rezar

"Let us prey", de Brian O'Malley (2014) Tenso filme de terror irlandês, protagonizado por Liam Cunningham, o Sir Davos de "The game of thrones". Produção de baixo orçamento, tem um engenhoso e bizarro roteiro escrito por David Cairns e Fiona Watson, que muito provavelmente se inspiraram no primeiro filme da franquia "Jogos mortais" e em clássicos dos anos 80, como "Taxi driver", "Suspiria" de Dario Argento e outros filmes de serial killers da época. Repleto de sangue, daqueles bem vermelhos, no nível de "Prelúdio para matar", também de Argento. o filme ganhou vários prêmios internacionais em Festivais que premiam filmes fantásticos e de terror. Longa de estréia do cineasta Brian O'Malley, que conseguiu criar um ótimo clima e atmosfera claustrofóbica em poucas locações, tendo uma delegacia como cenário principal. Ambientado em uma cidade na costa da Escócia, o filme começa com imagens surpreendentemente lindas e góticas do mar batendo, e a figura misteriosa de um homem que aparece no meio das encostas asustadoras. O filme se passa durante uma única noite, de 19 à meia noite. Durante essas 5 horas, acompanhamos um grupo de presos e policiais que ficam aguardando em uma delegacia. De repente, mortes vão acontecendo, provocados por uma espécie de magia que talvez esteja vindo do homem misterioso, que se encontra preso em uma das celas. O roteiro provoca o espectador, para tentar descobrir o que está acontecendo, e ao mesmo tempo, descobrimos que afinal de contas, ninguém naquele ambiente é 100% inocente. A trilha sonora remete ao tema principal de "Halloween", de John Carpenter, com o uso de sintetizadores que provocam arrepios. Os personagens são bem construídos, e no final, parece que estamos testemunhando uma mescla maluca e gore de "Taxi driver" com "Scarface" apocalípitico. É um filme a ser visto por fãs de terror, original e cheio de reviravoltas na trama. Ótima edição, excelente fotografia, escura, provocando um visual bem profano. Nota: 7

A estrada interior

"The road within", de Gren Wells (2014) Deliciosa comédia dramática, refilmagem fiel do original alemão "Vincent quer ver o mar", de 2011, e vencedor de vários prêmios internacionais. "A estrada interior"é um filme de um gênero que aprecio muito, o "feel good movie", que já trouxe alguns clássicos da minha vida, como "As vantagens de ser invisível", "A hora de voltar", "Pequena Miss Sunshine" , "O clube dos cinco" e "Conta comigo", todos com protagonistas jovens. Todos esses filmes falam sobre o tema que os americanos mais amam: o despertar para a vida, o rito de passagem da infância para a fase adulta. Vincent ( Robert Sheehan) é portador da Síndrome de Tourette. Ele gesticula enquanto fala e faz gestos bruscos, principalmente com cabeça e braços. Nos casos extremos, como o dele, e sob pressão emocional, ele xinga palavrões, que saem fora de sue controle. O filme começa com Vincent na missa do falecimento de sua mãe. Seu pai, o político Robert ( Robert Patrick, de "O exterminador do futuro 3"), se divorciou de sua mãe e mora com sua nova namorada. Ele evita relacionamento com Vincent, por achar que ele atrapalha a sua campanha política e sente vergonha dele. Patrick interna Vincent em uma clínica psiquiátrica e lá, ele fica amigo de Alex ( Dev Patel, de "Quem quer ser um milionário"), portador de Tique de OCD, excesso de limpeza e tem pavor de tocar nas cosias, e de Marie (Zoë Kravitz, da série "Insurgente"), portadora de anorexia nervosa. Revoltados com a situação na clínica, os 3 roubam o carro da Dra Rose, e partem em direção a Califórnia, para poder ir ao Oceano e jogar as cinzas da mãe de Vincent. Sue pai e a Dra vão ao encalço deles, e nessa viagem pela estrada, todos passam por transformações que mudarão suas vidas. Ver um filme onde os 3 protagonistas se sacodem, balançam e fazem trejeitos o tempo todo pode ser cruel e ao mesmo tempo, encher o saco do espectador que não esteja a fim de ver personagens tão fora do contexto. Há quem possa achar os 3 overacting. O roteiro também busca a qualquer custo, arrancar lágrimas do espectador. Mas a Direção segura e sensível da cineasta Gren Wells, mesmo copiando o original quase plano a plano, aliado ao talento dos 3 jovens atores, conferem dignidade ao filme. Eu ri, fiquei emocionado, apreciei cada clichê visto no filme. Não tem problema, porquê esse gênero de filme é um dos que mais me atingem em cheio ao coração. Se for então uma produção independente e recheado de canções indies, aí fudeu. A fotografia é belíssima a cargo de Cristopher Baffa. As locações são de encher os olhos. Vale uma super sessão da tarde. Nota: 7

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Sunshine on Leith

Sunshine on Leith
"Sunshine on Leith", de Dexter Fletcher (2013) Drama musical, baseado na peça Musical "Sunshine on Leith", texto de Stephen Greenhorn. Todas as músicas do espetáculo são da dupla inglesa de folk "The Proclaimers", famosos mundialmente pelo hit "I'm Gonna Be (500 Miles)". O filme narra três histórias de amor, duas delas protagonizadas por 2 amigos escoceses, Davy e Ally, que voltam da Guerra do Afeganistão. Eles voltam para os braços da família e de seus amores, Liz e Yvonne, enfermeiras. Mas o tempo mexeu com os corações de todos, inclusive com os pais de Davy. Jane, a mãe, descobre um caso de traição de seu marido, Rab, ocorrido a 25 anos atrás. Impossível não associar o filme a outro musical, "Hair". Ambos falam sobre guerra nos corações e mentes de seus protagonistas. Em "Hair", a Guerra é do Vietnã. Em "Sunshine on Leith", a Guerra é no Afeganistão. Ambos tentam trazer mensagens pacifistas e deixando claro que a Guerra é uma sandice de governantes que destroem vidas da população. O excesso de histórias de amor traz a sensação de ver um filme extremamente açucarado e xarope, além do que, acho as músicas todas bem chatas. O que acho que vale a pena é apreciar o trabalho dos atpres/cantores, que estão bem, principalmente George MacKay, que fez recentemente o drama "Pride". O título se refere a uma das músicas do grupo, "Sunshine on Leith". Leith é a cidade onde moram os personagens na Escócia. A fotografia é bem bonita, e os sentimentos do filme , mesmo que exagerando no melodrama, são puros. Nota: 6

domingo, 5 de abril de 2015

Phoenix

"Phoenix", de Christian Petzold (2014) Em 2012 o cineasta alemão trouxe um dos filmes mais pungentes sobre a divisão da Alemanha durante o comunismo. Agora em "Phoenix", ele realiza um filme com pegada Hollywoodiana, mas mantendo o mesmo padrão de qualidade artística e técnica. É impossível assistir ao filme e não se lembrar de "Um corpo que cai", de Hitchcock, e de "Time", do coreano Kim Ki Duk. Ambos os filmes estão muito presentes na idéia central da história e do drama dos personagens. Finda a 2a guerra mundial, Berlin está ocupada por americanos. Nelly (Nina Hoss, do outro filme do diretor, "Barbara") uma sobrevivente dos campos de concentração, está com o rosto desfigurado, por conta de um trágico incidente durante a sua permanência por ali. Ela é ajudada por Lena, também sobrevivente e que trabalha como Agente para a ocupação dos judeus na Palestina e Israel. Nelly era uma ex-cantora e cantava com seu marido pianista, Jonnhy (Ronald Zehrfeld, também de "Barbara"). Ela foi presa, e ele, escondido, a viu sendo levada pelos oficiais e nada fez. Segundo Nelly, o seu amor por Jonnhy é o que a salvou de morre, pois ela pensava o tempo todo em voltar para os seus braços. Mas Lena a faz crer que Jonnhy armou tudo para ficar com a herança de Nelly. Contra a vontade de Lena, Nelly se reencontra com Jonnhy, que trabalha em um cabaré, Phoenix. Mas Jonnhy não a reconhece, e pior, a usa para poder receber a herança. Ele muda o visual da "falsa Nelly" para que ela seja exatamente igual à sua esposa. Ainda apaixonada, Nelly se sujeita a essa transformação, para trazer de volta quem ela realmente era. Mas o que ela não imaginava, era que esse retorno fosse emocionalmente avassalador. Roteiro primoroso, que se apropria do que de melhor havia nos 2 filmes citados como referência. Tecnicamente o filme é brilhante"fotografia, direção de arte e figurinos. A maquiagem que vai trazendo "Nelly" de volta também é um primor. Christian Petzold é excelente diretor de atores, e mais do que nunca, na extraordinária e pungente cena final, ele extrai dos 2 atores uma performance assustadoramente reveladora. Soltei lágrimas. Um filme para ser visto e apreciado. Melodrama sim, mas da melhor qualidade. Nota: 8

sábado, 4 de abril de 2015

História mundana

"Jao nok krajok", de Anocha Suwichakornpong (2010) Belíssimo drama tailandês, que me deixou atônito pela simplicidade e beleza. O filme me lembrou demais "A árvore da vida", de Terence Malick, com as suas divagações metafísicas sobre vida, morte, existência, criação do Universo, teoria do Big Bang. Vencedor de vários prêmios internacionais, entre eles melhor filme em Rotterdan e Transilvania. Impossível não comentar sobre Cinema tailandês e não falar sobre o seu cineasta mais famoso no mundo inteiro, Apichatpong Weerasethakul, diretor entre outros de "O mal dos trópicos" e "Tio Bonmee". O filme "História mundana"lembra um pouco a estrutura de "O mal dos trópicos". Ambos se dividem em 2 partes bem distintas, e na segunda parte, o filme investe no surrealismo e na fantasia. Em "O mal dos trópicos", um dos personagens se transforma em um tigre. Em "História mundana", acompanhamos a criação do universo e uma cena muito louca de um parto real de cesariana. A história gira em torno de Ake, um adolescente que sofreu um acidente e fica tetraplégico. Seu pai contrata um enfermeiro para cuidar de Ake por 24 horas. De in;icio arredio e sem gosto pela vida, por estar impossibilitado de fazer qualquer coisa sozinho, Ake mantém uma relação fria com Pum. Mas a simplicidade do enfermeiro encanta o jovem, que encontra nele um tipo de comunicação que ele não vê no seu pai, que vai se afastando do filho. Após uma visita a um museu de astrologia, Ake se vê sonhando com situações que o levam a pensar sobre a sua mortalidade. O filme segue correto e simples quando, lá pelo meio, mostra uma cena explícita de masturbação de Ake na banheira. Aí percebemos que a cineasta Anocha Suwichakornpong está em busca de novas linguagens e não se acanha para mostrar ao espectador sensações e sentimentos dos personagens, esplendidamente embaladas pela música primorosa do grupo "Furniture", um grupo tailandês que compõe usando eletrônico para criar melodias melancólicas. Ouvir a música me dá vontade de chorar de tão linda. Fiquei muito feliz de ter descoberto esse filme. Lindo, poético, sublime. A cena da explosão de um planeta é de uma beleza estonteante. Nota: 8

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Eden

"Eden", de Mia Hansen-Løve (2014) Diretora de "Meu primeiro amor" e do intenso "O pai de minhas filhas ( cinebiografia sobre o suicídio do produtor de cinema Humbert Balsan, após contrair dívidas com os filmes), Mia Hansen-Løve investe agora em um épico sobre a música eletrônica dos anos 90 aos dias atuais, através da história do Dj Paul Valley, um fanático pela garage music. A garaga music é uma vertente da House music, que mescla soul e disco, com batidas eletrônicas. Surgiu em Chicago no final dos anos 80. Em 1992, Paul deseja se tornar Dj, mesmo contra a vontade de sua mãe, que quer que ele seja escritor. Paul se associa a alguns conhecidos, e juntos, formam uma dupla de Dj chamada "Cheers". Começando em pequenas festinhas até estourar em grandes eventos, o filme percorre de 91 a 2013, mostrando a ascenção e queda de Paul. Drogas, mulheres, viagens ( uma boa parte do filme se passa em Nova York). Uma das mulheres é interpretada pela atriz cult americana Greta Gerwig ( "Frances ha"). Paralelo, o filme mostra também a aparição do duo francês "Daft punk". O filme brinca com o anonimato dos verdadeiros integrantes, já que ninguém sabe os nomes dos djs. Para mim, que sempre fui um grande apreciador da garage music, me senti vivendo a época enquanto assistia ao filme. As loucuras da pista de dança, ao som de "Plastic dreams", "Follow me", "Whistle song", "Homeless", além de clássicos do Daft Punk. O principal problema do filme, dentro de sua grande ambição histórica, é a sua duração. 131 minutos cobrindo uma história de um personagem anônimo é muito para o espectador. Ainda mais que o filme não tem grandes reviravoltas. É um filme bacana, a gente ri, curte as músicas, mas chega uma hora que dá uma canseira. 40 minutos a menos faria um bem incrível ao filme. No mais, bons atores que convencem em seus papéis , e o desejo de ter ouvido mais músicas clássicas da época. Nota: 7

14 estações de Maria

"Kreuzweg", de Dietrich Brüggemann (2014) Direção extraordinária + Elenco excepcional + fotografia formidável + roteiro intenso. Tantos adjetivos para qualificar esse drama porrada, cru, arrebatador. O título original, "Kreuzweg", significa "Via crucis", em alemão. Dirigido com extremo rigor formal pelo cineasta alemão Dietrich Brüggemann, o filme abocanhou os prêmios de melhor roteiro e do Juri ecumênico no Festival de Berlin 2014. Não ter saído de lá com um prêmio de melhor atriz ou para Lea van Acken ( Maria) ou Franziska Weisz ( no papel da mãe) me pareceu um erro. Utilizando as 14 estacões da Via Crucis ( deixando de fora a 15a, que é a ressurreição), o filme é dividido em capítulos, cada um correspondente a uma estação. Todo cinéfilo se lembrará de Lars Von Triers no uso dessa linguagem narrativa. Mas aqui, o diretor usou um recurso de linguagem absolutamente rigoroso: cada cena é composta por um único plano-sequência. Sao cenas longas, que exigem muito do trabalho dos atores. Não há uma única cena sem intensidade dramática. Os planos são na sua maioria fixos, durando entre 15 a 10 minutos. a Primeira cena, inclusive, me surpreendeu pelo trabalho do elenco. Na cena, temos um adulto, o padre, e 6 crianças. Durante 15 minutos, sem corte, o padre explica uma aula de catequese, e as crianças participando com extrema espontaneidade. Li depois que o cineasta sempre foi fã de planos-sequência por que ele sempre pensa no ator. Ele acha que decupar uma cena acaba com a espontaneidade do ator. Em algumas cenas do filme, ele chegou a filmar 15 a 20 takes, muitas vezes a pedido dos atores. O drama conta a história de Maria, uma adolescente de 14 anos. Ela mora com sua família ultra-conservadora e católica. Sua mãe é castradora: a impede de ouvir música pop, de falar com garotos. Maria é devota, e ouve com atenção as palavras do padre. Um dia, ela conversa com um garoto e se afeiçoa a ele. Mas sua mãe o proíbe. A partir daí, Maria resolve se sacrificar pela sua fé cristã. O filme pode ser de difícil assimilação para espectadores não afeitos a busca de novas linguagens. Mas quem estiver em busca de um filme forte, com todos os pontos altos que especifiquei acima, vá correndo. Ele tem um ritmo lento, mas nao há como ficar incólume ao trabalho excepcional dos atores, e nem à direção do cineasta Dietrich Brüggemann. Nota: 10

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Clown

"Clown", de John Watts (2014) Filme de terror protagonizado pela figura que mais mete medo nas pessoas: o palhaço. Kent é um dócil pai de família. Ele trabalha como corretor de imóveis. No dia do aniversário de seu filho Jack, sua esposa Meg pede para que Kent providencia um animador infantil vestido de palhaço. Kent está em uma casa que está sendo recém vendida após a morte do morador. Fuçando o porão, ele encontra uma fantasia de palhaço. Kent resolve vesti-la e animar a festa de seu filho. Na mesma noite, após a festa, Kent dorme com a fantasia. No dia seguinte, ele tenta remover a fantasia, mas ela não sai. Tardiamente, Kent descobre que na verdade, a fantasia está amaldiçoada. Ele vai aos poucos se transformando em um demônio devorador de crianças. A até poucos anos atrás, havia um código para os filmes de terror: não podiam mostrar cenas de assassinato de crianças, era um tabu. Mas isso mudou. Tenho visto vários filmes de terror onde as crianças são chacinadas como animais. Aqui não é diferente. Existe uma cena brilhante, a melhor do filme, que se passa em uma casa de festas infantil. Um menino entra em um labirinto em busca de seu irmão, e a cena é bem construída no suspense e na direção. Outra cena boa é a do sequestro e uma menina. Fora isso, o filme é convencional. O roteiro é bem raso, a idéia do palhaço ser um demônio é boba, e o desfecho mais ridículo ainda. Por essas duas cenas citadas, eu até daria Nota 7, mas pelo conjunto do filme, dou menos. Os efeitos são bons, elenco satisfatório. O que mais me chama atenção é que a produção é do Eli Roth, diretor de "O albergue" e compadre de Tarantino em vários projetos. Bob e Harvey Weinstein, poderosos da Industria do cinema, também ajudaram a bancar esse filme, que teve até o cartaz proibido na Itália. Mas ficaram devendo um filme memorável. Nota: 6

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Pássaro branco na nevasca

"White bird in a blizzard", de Gregg Araki (2014) Baseado no livro de Laura Kasischke, o filme, dirigido pelo cineasta independente mais pop dos Estados Unidos, Gregg Araki, teve seu debut no Festival de Sundance 2014. O filme narra o drama de Kat Connors (Shailene Woodley, atriz de "Divergente" e "A culpa é das estrelas"), uma jovem de 17 anos que, no ano de 1988, ao voltar para casa, descobre que sua mãe, Eve ( Eva Green), desapareceu, supostamente fugindo de casa. Eve sempre foi bipolar, surtando do nada. O pai de Kat, Brock, fica triste com o sumiço da esposa, mas vai seguindo a vida, após 3 anos de tentativas para descobrir o paradeiro da esposa. Kat acredita que seu namoro com o seu colega de colégio, o sexy Phil, tenha algo a ver com isso, já que sua mãe dava investidas nele, para poder provar que ainda era jovem. Gregg Araki faz aqui um filme bem ao seu gosto: colorido, recheado de jovens bonitos, trilha sonora cult cheia de hits dos anos 80 ( The cure, Tears for fears, Depeche mode, Pet Shop Boys, etc) e visual glamuroso. Porém, diferente de seus outros filmes, aqui tudo parece ser mais narrativo, mais careta, com exceção de algumas cenas do sonho de Kat. Quando Gregg consegue enfiar alguma cena gay no filme essa cena parece forçada. O que interessa na história, na verdade ( o filme tem vários sub-plots e temas), é o despertar sexual da personagem de Kat, e a bipolaridade de Eve. O filme atira para tantos lados que acaba ficando sem foco. Chama a atenção a nudez de Shailene, que fez esse filme quando ainda não tinha estourado na carreira ( o longa foi filmado em 2012. Ela ainda era uma atriz de filmes independentes. Resta saber se ela defende o filme ou se prefere apagá-lo da filmografia, visto que muitas estrelas de Hollywood preferem esquecer cenas ousadas que fizeram no passado. O elenco está bem, apesar de Eva Green não convencer, por conta de sua idade, como mãe de Shailene. De baixo orçamento, o longa foi realizado em 19 dias de filmagem. Eu particularmente ainda considero "Mistérios da carne", de 2004, o seu melhor filme. Nota: 6