quarta-feira, 30 de julho de 2014

Duna de Jodorowsky

"Jodorowsky's Dune", de Frank Pavich (2013) O documentarista Frank Pavich fez aqui um filme genial, só comparável em conteúdo, importância e primor com o documentário "Lost in la Mancha", de Keith Fulton e Louis Pepe. Enquanto no documentário baseado no filme de Terry Gillian que nunca aconteceu, sobre Dom Quixote, em "Duna de Jodorowsky"o cineasta Frank Pavich narra a desventuras e frustrações de Jodorowsky, que preparou o projeto de levar a obra de ficção científica 'Duna", de Frank Herbert, para as telas. Em 1974, após os sucessos estrondosos de seus filmes cults "El topo"e "A montanha sagrada", Jodorowsky ganhou o aval do produtor francês Michel Seydoux de fazer o filme que quisesse. "A montanha sagrada"foi, na Itália, o 2o filme de maior bilheteria do ano, só perdendo para James Bond. Isso contando que "A montanha sagrada" é um filme de arte, surrealista e hermético para boa parte dos espectadores. Com esse feito enorme, Jodorowsky chegou para Michel Seydouz e disse, sem pestanejar: "Quero levar "Duna" para as telas". E isso sem ter lido o livro, se baseando apenas em comentários de amigos. Assim, Michel orçou o filme em 15 milhões de dólares, um valor estrondoso para a época. Como Jodorowsky pudesse não ter o aval dos grandes estudios para comandar um projeto babilônico como esse, Jodorowsky resolveu fazer um livro-storyboard com desenhos de todas as cenas. figurinos e croquis de direção de arte para apresentar aos produtores americanos. Grande visionário, Jodorowsky foi atrás de talentos até então desconhecidos do grande público: Dan O'bannon, Chris Foss e Giger, para projetarem os cenários e visual do filme. Para o storyboard, ele convidou Moebius para fazer os desenhos. Para o elenco, Jodorowsky foi muito além do que qualquer diretor pensaria em escalar: Mick Jagger, Orson Welles, David Carradine e Salvador Dali. E todos disseram sim. Para a trilha sonora, Pink Floyd. A idéia conceitual de "Duna" era fazer com que o espectador viajasse lisergicamente em LSD, mas sem ter que tomar a droga. Era algo revolucionário e jamais feito até então por qualquer cineasta. Jodorowsky fez uma releitura da obra de Frank Herbert sem respeitá-la. Como ele diz em suas palavras, "Foi um estupro". Com um livro semelhante a uma Biblia pronto, Michel e Jodorowsky fizeram cópias e mandaram para todos os grandes estúdios. Mas Jodorowsky já começava as reuniões de forma excêntrica. Dizia que queria fazer um filme de 12 horas, que um sonho não deve ser desrespeitado. Os produtores em peso se assustaram e o filme acabou sendo arquivado. Foi uma grande frustração para todos. Mas aí é que começa a parte mais emocionante do filme: Com ressentimento, Jodorowsky diz que a filha do produtor Dino de Laurentis pegou o projeto e o entregou a David Lynch. Jodorowsky sentiu como se tivesse levado uma punhalada no coração. Mas para sua felicidade, o filme foi um desastre financeiro e de crítica. Os depoimentos de Michel e Jodorowsky, e de vários críticos de cinema a seguir, confirmam que o livro-bíblia do filme, que circulou pelos corredores dos Estúdios, acabou influenciando muitos cineastas e diretores de arte. Mesmo sem ter sido realizado, o filme, através de sua bíblia, teve suas idéias roubadas: "Caçadores da arca perdida", "Blade Runner", "Alien" ( que inclusive contratou o trio O 'Bannon, Giger e Chris Foss, além de Moebius, para o filme, "Flash Gordon", "Star wars", "Prometheus", Mestres do Universo" e outros. É um documentário maravilhoso, divertido, onde vemos um olhar de um artista visionário e apaixonado pela sua arte. Tanto Terry Gillian quanto Jodorowsky são artistas à frente de seu tempo. Talvez se tivesse sido feito em 1974, o filme poderia ter sido uma das maiores bombas do cinema. Mas com certeza, seria um marco histórico. Em 2013, Michel e Jodorowsky vieram a trabalhar juntos no filme "Dança da liberdade", exibido em Cannes 2013. Aos 84 anos, Jodorowsky confirma ser um dos maiores cineastas de todos os tempos. Nota: 10

O foguete

"The rocket", de Kim Mordaunt (2013) Documentarista australiano, Kim Mordaunt estréia no longa com esse filme emocionante sobre um menino de 10 anos que carrega o signo do mau agouro nas suas costas. Kim Mordaunt dirigiu um documentário em Laos sobre meninos que vivem de vasculhar bombas inoperantes e vender como sucata. Com essa história, ele criou o argumento para desenvolver "O foguete". Ahlo é um menino de 10 anos que nasceu com gêmeo, mas o seu irmão morreu no nascimento. Pela lenda local, gêmeos sempre trazem mau agouro: um tem sorte, e o outro, azar. A avó decide matar o menino, mas a mãe impede e resolve criá-lo. O menino cresce e a família, extremamente pobre, precisa se mudar. Na travessia, uma tragédia acontece e a partir daí, a lenda do mau agouro parece se concretizar. Para resolver os problemas da família, Ahlo resolve participar de uma competição de lançamento de foguetes, um folclore local para fazer chuver na região, que está seca a muito tempo. Mesclando filmes clássicos como " O incrível exército de Brancaleone" ( através da travessia insana com uma trupe de fracassados), "O labirinto do fauno"( uso do lúdico e fantástico para abafar a crueldade da vida real) e "Indomável sonhadora"( a criança que acredita em sua força e potencial e vai contra a lei dos adultos), "O foguete" surpreende por mostrar um mundo muito violento e dramático aos olhos de duas crianças. Os personagens são muito carismáticos, começando por Sitthiphon Disamoe, brilhante como Ahlo ( ele ganhou o prêmio de melhor ator em Tribeca), Suthep Po-ngam como o Tio Purple, um fã incondicional de James Brown, se vestindo como ele e usando um penteado à altura do muso e a menina Sumrit Warin. O filme também ganhou o prêmio de melhor filme em Tribeca, além de vários outros internacionais. A direção é poética, a fotografia sensacional e a trilha sonora conduzindo bem os momentos dramáticos e divertidos da trama. Me emocionei em vários momentos, e o desfecho é brilhante, apesar de carregar no melodrama. Belíssimas paisagens. Nota: 8

domingo, 27 de julho de 2014

Curtas Eróticos de Tinto Brass

"Tinto Brass Presents Erotic Short Stories", de Enrico Bernard, Massimo Di Felice, Roberto Gandus e outros (2011) Coletânea de curtas eróticos e pornográficos produzidos por Tinto Brass, o Rei do erotismo italiano, que produziu e dirigiu entre outros o clássico "Calígula". Tinto Brass apresenta os curtas em cada introdução, algo semelhante a Hitchcock em sua série de Televisão Álfred Hitchcock apresenta". A proposta dos filmes é que jovens cineastas italianos façam uso da linguagem estética de Tinto Brass. Cada curta é dirigido por um cineasta, que abusam de câmeras lentas, cafonice, mulheres hiper maquiadas e de cabelos escovados, muita boca vermelha sensual, trilha sonora a la Kenny G, tesão enrustido e muita safadeza. O clima é bem na linha de "Emanuelle", para quem não lembra, o soft porn clássico dos anos 70. Só que em alguns curtas, rola sexo explícito, uma homenagem ao "Calígula". O lance é que hoje em dia esses curtas já não provocam qualquer tipo de polêmica, e a linguagem de Tinto Brass morreu no inicio dos anos 90. É uma estética a favor da imagem publicitária, com muita luz estourada, tom etéreo. Os roteiros também não ajudam. É do tipo mecânico que vem consertar algo na casa de uma mulher cujo marido não tem marcado presença, um Padre que passa final de semana na casa de uma menina tarada, uma mulher que se entrega a prazeres fetichistas com 3 homens em um elevador, e por aí vai. O que menos existe aqui nos filmes é tesao, e sobra chatice que deixa a todos brochas. Nota: 3

Coração de Leão- O amor não tem tamanho

"Corazon de Léon", de Marcos Carnevale (2013) O Cineasta argentino Marcos Carnevale tem uma predileção por melodramas. Autor de 2 sucessos argentinos, 'Elsa e Fred" e "Viúvas", ambos carregando em tintas melodramáticas, ele teve que esperar anos para poder realizar esse "Coração de leão". Explico: O cineasta , ao invés de chamar um ator anão para protagonizar o filme, resolveu chamar um dos atores mais prestigiados da Argentina, Guillermo Francella ( de "O segredo de seus olhos") , que tem 1,76, e esperou que desenvolvessem um software que pudesse reduzir a sua estatura, passando para 1,36 metros. O resultado é uma comédia romântica divertida e simpática, que conquista o espectador com o carisma de seu casal protagonista. Julieta Diaz é linda e boa atriz, e faz um par divino com Francella. O desfecho foi rodado no Rio de Janeiro, com aéreas no Corcovado e vôo de asa delta. A historia gira em torno da advogada Ivana, que descobre a traição de seu marido, também advogado. Ambos dividem o mesmo escritório de advocacia. Um dia, ela recebe a ligação de Leon, que diz que encontrou o seu celular perdido na rua. Ela se encanta com a conversa e a voz, mas ao encontrá-lo pessoalmente, cheia de expectativas, descobre que ele é um anão. Marcos Carnevale fez aqui um filme bem ao padrão americano: sem surpresas, sem sustos, bem conduzido e que deixa todo mundo feliz no final, acreditando que a vida e amor são possíveis, independente da diferença. Aliás, a força do filme está, além dos ótimos efeitos que reduziram o ator de altura, em seu roteiro e trilha sonora. Na trilha, "Always on my mind", na voz de Elvis Presley, toca recorrente. O Roteiro trabalha de forma densa e dramática a questão do preconceito, deixando os 2 protagonistas sofrendo pelas escolhas de vida. Fico imaginando uma versão americana com Peter Dinklage. Será que o sucesso do filme está em usar um ator e reduzi-lo? Usando um ator anão de verdade, terá o mesmo impacto? A conferir. Nota: 7

sábado, 26 de julho de 2014

O teorema zero

"The zero theorem", de Terry Gillian (2013) Todo mundo reconhece o Universo estético de Terry Gillian vendo apenas um frame de um filme seu. Cores vibrantes, painéis gigantes de propaganda, aquele ar de atmosfera distópica e vintage, com seus prédios enormes e infinitos e claro, muita estranheza na aparência das pessoas. Estilisticamente, ele se apropria de muitos efeitos especiais, lentes grandes angulares e travellings que avançam ou se afastam. Seus personagens têm problemas de comunicação, são solitários e invariavelmente se comunicam através de aparelhos. Em "O teorema zero", tudo continua igual. Parece que estou revendo "Brazil, o filme", um de seus clássicos, dos anos 80. Seus filmes são assim, meio atemporais. Poderiam ter sido exibidos a décadas atrás, ou hoje em dia. Num futuro distante ( sempre essa descrição nos filmes de ficção cientifica hehe) Qohen (Christoph Waltz) é um gênio da computação que trabalha para o Sistema. Ele fica enfurnado o dia todo em uma igreja que funciona como centro nervoso da manutenção cibernética. Ele tem como hábito esperar o telefone tocar e acreditar que alguém irá lhe dizer qual o sentido da existência humana. Seu Chefe, (Matt Damon) porém, lhe pede para que ele passe os seus dias resolvendo uma equação: O teorema zero, que é "tudo se resume a nada". Depressivo e temendo a morte , ao contrário da população, que é toda alegre e se distraem nos games e nos anuncios mega coloridos, Qohen é uma ameaça ao Sistema. Ele se utiliza de um serviço de Ciber-terapeuta ( Tilda Swinton, em uma caracterização muito parecida com "O expresso do amanhã", de Bong Joh Ho) e de uma prostituta online, Baisnley (Melanie Thierry), que o leva para um mundo qualquer , de acordo com os seus desejos. Assim como "Dr Parnassus", "O teorema zero" é um filme de grande apelo visual, mas confuso como idéia e roteiro. Aqui, Gillian ainda brinca de Deus e existencialismo, o que torna tudo mais pretensioso, lembrando muito " Fonte da vida", de Darren Aranofsky. A direção de Gillian continua criativa, os atores estão ótimos, mas fica aquela sensação de deja vu, de filme repetido. Espero encontrar num próximo filme de Gillian um tema que não seja sociedade distópica. A destacar a exuberante fotografia do italiano Nicola Pecorini. Nota: 6

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Meninas muito boas

"Very good girls", de Naomi Foner (2013) Naomi Foner, que é roteirista e produtora, estréia na Direção de longa-metragem com esse singelo "Meninas muito boas". Naomi é mais famosa por ser mãe dos atores Jake e Maggie Gyllenhaal. Nesse drama romântico, conta-se a história de duas amigas inseparáveis, Lilly ( Dakota Fanning) e Gerry (Elisabeth Olsen). Elas curtem a vida, trabalham, dividem os mesmos desejos, mas sonham o dia que irão encontrar um amor que irá tirar a virgindade delas. E essa pessoa vem na figura de David, um artista de rua que se apaixona por Lilly. Mas Gerry também se apaixona por ele. Porém, quando o pai de Gerry morre, Lilly pede para que David se aproxime dela, por compaixão. E a amizade das duas é posta em cheque. O maior atrativo do filme é o seu elenco. Além das talentosas Dakota Fanning e Elisabeth Olsen, o elenco se completa com Demi Moore, Richard Dreyfuss ( Ambos pais de Gerry), Ellen Barkin e Clark Gregg ( pais de Lilly) e Peter Saasgard, companheiro de trabalho de Lilly e interessado nela. O filme não traz novidades em termos de narrativa. As situações são corriqueiras( triângulo amoroso, briga entre amigas inseparáveis, pais que se divorciam) . A fotografia é bonita, a trilha sonora é recheada de canções açucaradas, bem estilo menininhas fashion. Vale uma sessão da tarde regada com coca-cola e pipoca. Nota: 6

quinta-feira, 24 de julho de 2014

O filho único

"Hitori Musuko/The only son", de Yasujiro Ozu (1936) ""A tragédia da vida se inicia com a ligação entre pais e filhos", Ryonosuke Akutagawa. Com essa frase, se dá início a um dos filmes mais tristes da história do CInema. "Filho único", de 1936, é o primeiro filme falado de Ozu. Conta a história de uma mãe viúva que mora na Província de Shinshu no Japão de 1926. Ela trabalha numa tecelagem de fios de seda, e a muito custo, sustenta seu filho pequeno. Porém, o menino deseja estudar em Tokyo. Em principio contra, ela acaba cedendo aos pedidos do menino, com a promessa que ele irá se transformar num grande homem. 10 anos se passam. A mãe resolve visitar seu filho em Tokyo. Ela descobre que ele casou, tem um filho mas se decepciona ao ver que ele mora numa comunidade pobre. Mas o filho esconde sua real situação financeira e vai provendo passeios para sua mãe. Mas a mãe descobre, e o filho se frustra, achando que sua mãe ficou triste por ele ter se tornado um grande fracasso. Com atuações extraordinárias de Chôko Iida e Shin'ichi Himori, nos respectivos papéis de mãe e filho, o filme traz a gênese da temática de Ozu: relações familiares, frustrações, fracasso, progresso da cidade e o afastamento emocional entre parentes. Todos esses elementos viriam a percorrer os seus filmes seguintes, atingindo o ápice na obra-prima "Era uma vez em Tokyo". Como linguagem, o filme traz a estética tão particular de Ozu: os "tatami shots"e "Pillow shots". "Tatame shot"são os enquadramentos sempre na altura do olhar de quem está sentado em um tatame. "Pillow shots" são os planos de natureza morta, mas carregados de metáforas e sentimentos reprimidos. O filme é repleto de cenas antológicas, mas a mais memorável e divertida é uma crítica de Ozu ao próprio cinema, no caso, o advento do cinema sonoro que veio para chegar. O filho leva sua mãe para assistir a um filme falado alemão, uma novidade. Porém, a mãe acaba dormindo, achando tudo muito monótono Uma obra-prima indiscutível, um filme emocionante para se guardar no coração. Nota: 9

Amores inversos

"Hateship loveship", de Liza Johnson (2013) Drama adaptado do conto de Alice Munro (Ódio, amizade, amor, casamento), O filme narra a história de Johana (Kristen Wig), uma cuidadora de idosos, que após a morte da senhora que ela tomava conta por mais de 20 anos, acaba sendo contratada por uma família em outra cidade. Chegando lá, ela se depara com o Sr Maccauley (Nick Nolte), avô da jovem Sibhita. Ela fica sabendo que o genro dele, Ken (Guy Pearce), provocou a morte da filha dele durante um acidente de carro. Bêbado e drogado, ele foi preso, e sua filha Sibhita deixada aos cuidados do avô. Johana é timida e muito puritana, mas por conta de uma brincadeira de Sibitha e sua amiga de colégio, acaba se apaixonando pro Ken através de uma falsa carta de amor escrita pelas meninas. De ritmo lento, o filme parece ter muito mais tempo de duração do que os seus 104 minutos. A direção é correta, a fotografia bonita e a trilha sonora pouco se escuta. Mas é um filme de performances. Mesmo se arrastando em uma história pouco interessante, todos os atores estão bem em seus papéis. O filme ainda nos brinda com Jennifer Jason Leigh fazendo o personagem que mais lhe cai bem: a louca drogada e ninfomaníaca. Kirsten Wiig, que a pouco tempo já havia optado por seguir uma carreira mais de drama do que de comédia ( Vide "Walter Mitty"), está comovente no papel de sua mulher que pouco se socializa. Nick Nolte e Guy Pierce, envelhecidos, também dão conta do recado. No mais é acompanhar esse drama intimista mas pouco envolvente, que vale a pena para acompanhar as atuações do elenco. Nota: 6

quarta-feira, 23 de julho de 2014

O amuleto de Ogum

"O amuleto de Ogum", de Nelson Pereira dos Santos (1974) Realizado em 1974, em plena Ditadura do Governo Ernesto Geisel, essa parábola sobre o Bem e o Mal faz corajosamente uma metáfora sobre a situação política no Brasil da época. Mostrando cenas de torturas, paus de arara, milícia, faxina geral no Distrito de Caxias por assassinos profissionais, Nelson Pereira faz a sua visão sobre os Militares que dominavam a sociedade brasileira, calando a boca da população que vivia sob o Signo do medo. O filme foi indicado à Palma de Ouro em Cannes de 1975, e no Brasil ganhou o Festival de Gramado com o prêmio de melhor filme. Os cineastas Luiz Carlos Lacerda e Tizuka Yamasaki foram os assistentes de direção do filme. Inclusive Luiz Carlos Lacerda interpreta o dono do bordel onde trabalha a personagem de Anecy Rocha. No elenco criativo, temos o filho do Nelson Pereira, Ney Santanna, no papel principal, e o cantor Jards Macalé, que interpreta um cego violeiro que narra a história. Aliás as músicas da trilha também são de Macalé. Completando 40 anos agora em 2014, o filme cinematograficamente envelheceu. Mesmo assim, ele reserva alguns planos muito instigantes e ousados para a época. O grande trunfo é o seu roteiro, que mescla vários gêneros: drama, policial, romance e religiosidade. E se formos mais além, poderíamos até dizer que filme é um Faroeste na linha de Sergio Leone: épico, violento, heróico. Resgatando a vanguarda dos filmes "Orfeu negro" e "A rainha Diaba", "O amuleto de Ogum " traz a Umbanda e a violência urbana como temas dominantes da trama. O filme começa mostrando um flashback. Pai e filho são assassinados em Alagoas. A mãe, desesperada, leva seu filho Gabriel para a Umbanda para que eu corpo seja fechado, protegendo-o de criminosos. 10 anos depois, Gabriel chega ao Município de Caxias, Rio de Janeiro, dominado por bicheiros e assassinos profissionais. Ele acaba trabalhando para o bicheiro Severiano ( Jofre Soares, endiabrado), matando todos os adversários dele. No entanto, Gabriel acaba se envolvendo com Eneida ( Anecy Rocha), uma dançarina de um bordel, e amante de Severiano. O bicheiro sentindo a ameaça de Gabriel, manda matá-lo, mas descobre que ele tem o corpo fechado e não pode ser morto. Divertido ( o filme tem cenas hilárias) e violento, o filme entretém e mais, mostra a umbanda de uma forma séria, sem o olhar preconceituoso que costuma recriminar a religião. O filme é um grande clássico do Cinema Nacional e foi um sucesso de bilheteria. Nota: 8

O cume

"The summit", de Nick Ryan (2012) Documentário dirigido e produzido por Nick Ryan, relatando a tragédia ocorrida em 1 de agosto de 2008, quando 11 alpinistas de expedições de países diferentes morreram ao escalar a Montanha K2, a 2a mais alta do mundo. A 1a mais alta do mundo é a Everest, mas é na K2 que a subida é considerada mortal. Ambientada nas montanhas do Himalaia, entre Paquistão e China, existe uma pesquisa feita que d;a um gráfico dizendo que entre 5 alpinistas que a escalam, 1 morre. Inclusive na base da K2 existe um memorial homenageando todas as pessoas que já morreram na escalada. A tragédia de 2008 ocorreu quando várias expedições de países como Coréia do Sul, Holanda, Noruega, Itália, França entre outros, enviaram alpinistas para subir o cume da K2 em grupo. Na subida, morreram 2, mas mesmo assim os alpinistas continuaram. Na descida, foi onde ocorreu a maior tragédia. Alguns morreram por acidente, outros foram soterrados por uma avalanche. O filme faz um paralelo desse evento com a escalada do italiano Walter Bonatti e outros em 1954, considerada a 1a vez que a escalada foi bem sucedida até o topo. O filme mescla imagens de arquivo de 1954 e 2008, com reconstituições com atores. Essas simulações foram filmadas nos Alpes Suíços. Eu realmente fico imaginando o que leva seres humanos a largarem o conforto de seu lar para se aventurarem em um esporte radical onde claramente a morte caminha do seu lado. Um dos alpinistas dá o depoimento: "quando somos crianças, queremos sempre subir. Adultos, continuamos a subir. Queremos contar histórias em aniversários. A estrutura do documentário é confusa pois mistura épocas, flashbacks, imagens de arquivo e reconstituição, tudo fora de cronologia. Além do que, é longo, quase 1:50 hrs. Vale como curiosidade e para os que querem acompanhar uma história de ficção ambientada na montanha mais perigosa do mundo, só ver o filme "K2, a montanha da morte", de 1991. Nota: 6

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Bistrô Romantique

"Brasserie romantique", de Joël Vanhoebrouck (2012) A divulgação desse filme está toda errada. Ele é vendido como uma comédia romântica, o que é um erro. É um drama. E um drama triste, melancólico, de personagens frustrados, desencantados, depressivos. Tanto os donos quanto os funcionários e frequentadores do restaurante. Todo mundo ali tem um problema, e tentam resolver na base da boa gastronomia. Mais uma vez, a comida é usada como metáfora para aliviar o sofrimento humano. Fazer comida com amor, receita de alma purificada. Dois irmãos, Ross e Paul, comandam um restaurante. No dia dos namorados, a casa recebe vários casais. A partir daí, acompanhamos os pequenos dramas de casa casal ou ser solitário: o casal de meia idade em crise, um solitário psicótico, uma mulher com tendências suicidas, e por ai vai. Incluindo a dona do lugar, que recebe a visita de um ex-amor de sua vida, de 23 anos atrás, e que a abandonou e tenta reconciliação. O elenco é correto, a fotografia valorizando o ambiente e os detalhes da gastronomia, a trilha sonora chique.A direção valoriza a sofisticação. Porém, o roteiro é repleto de lugares comuns. Nenhum casal foge do clichê, inclusive o desfecho de um deles lembra o final de "As pontes de Madison". Os personagens são caricaturas e me lembrou bastante " O baile", filme de Ettore Scola, com tipos frequentadores de um salão de baile. O filme se passa todo dentro do restaurante, e é bastante verborrágico. Para os apreciadores de um drama com tintas de romance e com belos planos de comida, irão se deliciar. Nota: 6

domingo, 20 de julho de 2014

Departamento Q

"Kvinden i buret/The keeper of lost causes", de Mikkel Nørgaard (2013) Filme de maior bilheteria do Cinema Dinamarquês, superando o sucesso comercial de "A caça". Produzido pela Zentropa de Lars Von Triers, é uma adaptação da série de livros best-seller escritos por Jussi Adler-Olsen. Assim como na trilogia de sucesso "Millenium", que tiveram adaptacões sueca e americanas com o título de "O homem que não amava as mulheres", "Departamento Q" é uma série policial sobre uma dupla de policiais que trabalha em um setor de causas perdidas e dadas como encerradas. Carl ( Nikolaj Lie Kaas, de "Os idiotas") e Assad (Fares Fares, de "A hora mais escura") pegam arquivos mortos e resolvem ir atrás dos fatos reais. Nesse filme, Carl sobrevive a um atentado que vitimou 2 colegas policiais. Punido, ele é transferido para o Departamento Q. Lá ele acaba se envolvendo com o caso do desaparecimento de uma política que sumiu sem deixar vestígios por 5 anos. Os atores estão todos excelentes. e o filme tem um ótimo roteiro, que de certa forma lembra "Oldboy". Escrito e adaptado pelo cineasta e roteirista Nikolaj Arcel ( que adaptou "O homem que não amava as mulheres" e dirigiu "O amante da Rainha"), é um ótimo passatempo bem dirigido e que mantém o suspense o tempo todo. Fotografia deslumbrante e trilha sonora eficiente. O filme tem uma cena de acidente de carro impressionante. O próximo filme em breve será lançado. Nota: 8

Livrai-nos do mal

"Deliver us from evil", de Scott Derrickson (2014) Filme supostamente baseado em história real, no caso, adaptado do livro escrito pelo ex-sargento da polícia de Nova York, Ralph Sarchie. Sarchie na época que trabalhava para a polícia se envolveu em muitos casos sinistros, mas um em particular mudou a sua vida: 3 ex-soldados americanos que lutaram no Iraque em 2010 mostram comportamento estranho. O Padre Mendoza acredita que eles estão possuídos por demônios. A partir daí, cromes estranhos vã acontecendo na cidade, até atingir a família de Sarchie. Eric Bana dá vida ao sargento truculento e tempestivo, que resolve tudo na base da porrada. No entanto, a direção de Scott Derrickson, autor do ótimo "A entidade", com Ethan Hawke, dessa vez não acertou na mão. Mesclando suspense com trama policial, o filme não provoca tensão, e por ser baseado em fato real, acaba sendo desacreditado pelo uso de efeitos especiais, principalmente na cena do exorcismo. A fotografia escura demais esconde imperfeições dos efeitos, e a duração longa demais para pouco plot ( 2 horas) dilui de vez a dinâmica que o filme exige. Nota: 5

sábado, 19 de julho de 2014

Punhos contra as paredes

'Starred up", de David Mackenzie (2013) Drama inglês escrito pelo roteirista Jonathan Asser, que por 12 anos trabalhou como terapeuta em presídios ingleses. O drama conta a história de Eric ( brilhantemente defendido por Jack O'Conell), um jovem que muda de um reformatório juvenil para um presídio para adultos. Eric é um jovem extremamente violento, e logo ganha inimizades com outros presidiários e agentes penitenciários. Para ajudá-lo, ele conta com o apoio do terapeuta Oliver ( Rupert Friend, de "Orgulho e preconceito", alter-ego de Jhonathan Asser). O que Eric não esperava, era reencontrar seu pai, o também presidiário Neville. entre os dois, acertos de contas que resultam em tragédia. Drama carcerário tem todos aqueles clichês que conhecemos: porrada, cena de briga em chuveiro, agentes penitenciários corruptos, navalhas escondidas,etc. Aqui, quase que 100% a forca do filme resulta na performance intensa do ator Jack O'Conell, que inclusive luta pelado em uma cena, que me remeteu ao filme de David Cronemberg, "Senhores do crime", com a antológica briga com Viggo Mortensen na sauna. O filme é longo, lá pelo meio dá uma canseira, mas ganhou vários prêmios mundo afora e por conta disso vale respeitar. Nota: 7

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Planeta dos macacos- O Confronto

"Dawn of the planet of the apes", de Matt Reeves (2014) Assumindo a sequência iniciada pelo cineasta Rupert Wyatt em 2011, Matt Reeves, que dirigiu os ótimos "Deixa ela entrar" e " Cloverfield", busca em "O confronto" se dedicar mais ao conflito de Cesar, o macaco líder do filme anterior, que ainda tenta buscar a bondade dos seres humanos. Porém, o macaco Koba planeja assumir o posto de líder, e planeja um evento onde ira se dar início a uma guerra entre macacos e humanos. Os efeitos estão ainda mais impressionantes que o primeiro filme. Andy Serkis, talvez o "Ator" mais bem pago de Hollywood no quesito motion capture, dá vida a Cesar e nos seus closes é possível ver os olhos de Andy. É muito foda. A direção é ótima, trilha sonora, elenco ( Gary Oldman faz uma pequena participação) e ainda temos os heróis Kodi Smit-McPhee ( que trabalhou com Reeves em "Deixa ela entrar" ), e Jason Clarke, excelente. O roteiro nem traz tantas surpresas assim, passeando em lugar comum. No quesito novidade e emoção, o filme anterior ainda é superior. Porém, fico sempre me perguntando, porquê esses blockbusters precisam ser tão longos. Aqui, em 140 minutos, tem pelo menos uma barriga de 20 minutos sobrando. Chega uma hora que até os macacos somem de cena, e a ação dá uma diminuída. Penso que esse é um filme de passagem, que o grande evento estará por vir no próximo filme. Nota: 7

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Transformers- A era da extinção

"Transformers- Age of extinction", de Michael Bay (2014) Esqueçam todos os outros filmes da franquia "Transformers". Esse aqui é o melhor. Aliás, esse aqui é o melhor filme de Michael Bay, disparado. A sua direção ficou mais apurada, buscando uma linguagem mais autoral, no meio de muita porradaria e tiro e bomba. Os enquadramentos estão amos ousados, mas óbvio, ele não larga mão de sua marca registrada, os eternos por do sol, que estão em todos os seus filmes. É bonito, é cafona, mas é a sua identidade. Mas esse filme tem um grande diferencial: o seu elenco, e pasmem, o roteiro. Para os que odeiam os filmes pipoca de Hollywood e Michael Bay, essa crítica com certeza não os influenciará. Mas como eu amo cinema em todos os n;iveis, quero dizer que me diverti bastante. E muito dessa alegria proporcionada se refere a Mark Whalberg e Stanley Tucci. Esses dois grandes atores fazem de seus personagens duas figuras divertidas e antológicas. Foi o maior acerto de Michael Bay. Outro grande acerto, dessa vez do roteiro, foi deixar o personagem de Mark Whalberg ter vida própria. Independente dos Transformers, o seu personagem tem um excelente desenvolvimento, desde a sua profissão, de cientista maluco, até a relação com sua filha, muito bem representada pela linda e talentosa Nicola Peltz. As tiradas do personagem de Whalberg com o namorado da filha garantem ótimas risadas. O filme na verdade, são 2 em 1: Tem o filme dos robôs, claro. E tem o filme do Mark Whalberg e Stanley Tucci, que por si só, já mereciam um filme só para eles. Mais uma vez o filme fala sobre coragem, fidelidade, amor, família, aquelas cosias todas. Mas dessa vez sem xaropadas. Direto ao assunto, com muita ação, bom humor e emoção. O maior ponto negativo, e que me forçou a dar pontuação mais baixa, é a duração do filme. Porquê diabos Michael Bay insiste que cada filme da franquia tem que ter quase 3 horas de duração, isso não entendo. O filme até demora um pouco a acontecer. As cenas finais, em Hong Kong, são muito fodas, é destruiçào em massa. Efeitos especiais de primeira linha, melhor que dos outros filmes, que eram disfarçados pela fotografia escura. Preparem muitas pipocas, o filme ;e longo, mas diversão mais que garantida. Nota: 7

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Confissão de um assassinato

"Confession of murder", de Byeong-gil Jeong (2012) Longa de estréia do Cineasta Byeong-gil Jeong, é um filme que remete aos melhores thrillers Sul-coreanos, e que só não ganha nota máxima por 2 motivos: o filme é longo, e o roteirista resolveu incluir elementos de humor na trama, o que acho um erro. A Coréia do Sul produziu talvez 2 dos melhores filmes de suspense da última década: " O Caçador" e "Mother", isso sem contar na trilogia da vingança de Park Chow Wook. E é do último filme da trilogia, "Lady Vingança", que "Confession of murder" busca analogia. A história gira em torno de um serial killer que já matou 10 mulheres. A última delas, e namorada de um policial, que durante uma caçada contra o assassino, é emboscado e ferido. Passam-se alguns anos, e o policial, Choi, virou um alcóolatra. Ele é procurado por parentes das vítimas para que ajude a prender o assassino e matá-lo. O fato mais bizarro vem a seguir: o caso dos assassinatos prescreveu, e o assassino resolve lançar sua autobiografia, descrevendo os assassinatos. Logo ele se torna uma celebridade. Mas os parentes das vítimas resolvem se juntar para dar um fim ao assassino. "Lady vingança"também tinha essa premissa: vitimas que se juntavam para matar assassino. Mas infelizmente, o roteiro e a direção investem em vários momentos em um humor quase pastelão, e aí o filme fracassa. Tivesse investido no realismo e no suspense o tempo todo, o filme teria ganhos muitos pontos a mais. O roteiro em si é muito bom, e tem uma bela reviravolta no final. Merecia uma refilmagem séria, dos próprios sul-coreanos. Do jeito que está, serve como passatempo, o que já está ótimo. Mas fica uma vontade danada de cortar uns 20 minutos e de dar uma mexida nas performances. Nota: 6

terça-feira, 15 de julho de 2014

Bem-vindo à Nova York

"Welcome to New York", de Abel Ferrara (2014) Filme inspirado na história real de Dominique Strauss-Kahn, Presidente do FMI que em 2011 foi preso no Aeroporto JFK em Nova York sob a alegação de abuso sexual contra uma camareira de um Hotel da cidade. Usando nomes fictícios para evitar processos, O Cineasta independente Abel Ferrara, autor de clássicos cults como "Vício frenético", faz aqui o seu filme mais conservador. Aliás, esse filme é dos mais chatos e desinteressantes que vi recentemente. Longo (125 desnecessários longos minutos), sem ritmo, careta, sem ousadia. Nem parece filme do Ferrara. Com o nome fictício de Devereaux, Gerard Depardieu faz de tudo, até mesmo fica pelado no alto de seus mais de 120 kilos, paga boquete, recebe sexo oral, bate na casa de várias putas. O seu personagem é um voraz adicto sexual. O problema é que boa parte das cenas de sexo são mal filmadas, mal-iluminadas e são feias, muito feias. E nada pior que ficar vendo cenas de sexo grotescas e sem tesão. Depardieu faz o que pode, mas o roteiro também não ajuda. É tudo esquemático e sem dinâmica. Jacqueline Bisset está correta, falando e inglês e francês, mas também pouco pode ajudar para dar interesse ao filme. Aliás, ela está bem envelhecida, a passagem dos anos não lhe fizeram bem, uma pena. Qual o motivo de alguém se interessar elo filme? A curiosidade de acompanhar a história real, ou saber que o filme foi exibido no Festival de Cannes e que muitos espectadores saíram revoltados com as cenas de sexo, apresentando as mulheres apenas como objeto sexual. Abel Ferrara ficou devendo e muito um bom filme. Nota: 4

domingo, 13 de julho de 2014

A marca do medo

"The quiet ones", de John Pogue (2014) Filme de suspense inglês, dirigido pelo Cineasta e roteirista John Pogue. Ele escreveu os roteiros de "Us Marshals"e "Rollerball", mas estreou na direção com o bom filme de terror "Quarentena 2". Produzido pela Hammer, famosa produtora inglesa de filmes de terror dos anos 50 a 70, "A marca do medo" procura mesclar a atmosfera vintage dos filmes clássicos da Hammer com a narrativa da câmera na mão dos filmes atuais, como "Atividade paranormal". O resultado é curioso, mas a sensação de deja-vu está presente no filme inteiro. Filmes de exorcismo j;a vimos aos montes recentemente: "A filha do mal", "Exorcismo de Rose", até mesmo em "Atividade paranormal". Para piorar o clichê, um dos personagens é cineasta e usa uma filmadora de época para fazer seus registros. O filme se passa em 1974, e conta a história de um Professor em Oxford que procura desmascarar as atividades sobrenaturais. Ele usa uma paciente, Jane, para provar sua teoria. No entanto, devido aos métodos cruéis e de tortura, a experiência é proibida dentro do centro acadêmico. O professor resolve seguir até uma casa de campo, onde leva 3 de seus alunos com ele, para colocara experiência do exorcismo em prática e desmascarar a menina. O filme teria sido mais interessante se mantivesse o espírito da Hammer, ou seja, não usar de efeitos especiais. Mas infelizmente, o último ato é repleto de efeitos. Isso tira o seu charme, uma vez que a idéia dos produtores era que estivéssemos vendo um filme da época. O elenco é ok, sem grandes saltos, e o suspense é bem low profile, se acentuando no final, mas tudo dentro do previsível. Sustos provocados por estrondos e aparições repentinas. O ritmo é lento e as vezes cansativo. Nota: 6

Amazônia- Planeta verde

"Amazon", de Thierry Ragobert (2013) O documentarista francês Thierry Ragobert realizou o belíssimo documentário "O planeta branco". Agora, estendendo o seu horizonte para a America do Sul, ele resolveu narrar de forma ficcional a sua visão sobre o Planeta verde, a Amazônia. Co-produzido pela França e Brasil ( aqui representada pelos paulistas Gullane), o filme é o mais caro já rodado na Região Amazônica, ao custo de 26 milhões e consumindo 3 anos de trabalho. Na bilheteria, infelizmente, o filme não aconteceu: foram 59 mil espectadores, bem aquém do desejado. Buscando um atrativo que seduzisse o público infantil, a versão nacional introdiziu uma narração em Off dos atores Lucio Mauro Filho e Isabelle Drummond, botando vozes no protagonista, o macaco-prego Castanho, e em Gaia, a macaquinha que ele conhece e se apaixona. O filme segue a tradição dos filmes com animais que povoavam a Sessão da tarde. Quem foi da geração 80 se lembra de "As aventuras de Chatran", sobre um gatinho que se perde numa floresta e enfrenta todos os perigos da região. Aqui, o macaco-prego Castanho é retirado de seu cativeiro no Rio de Janeiro e levado de avião até a Amazônia para ser liberado no seu ecossistema. No entanto, durante uma tempestade, o avião sofre pouso forçado. ( Algum dos 6 roteiristas do filme, incluindo Luiz Bolognese, me explica como o piloto, que foge, sobrevive na floresta densa?). O macaquinho escapa da sua gaiola e se aventura pela floresta. A partir daí, em seus quase 90 minutos de filmes, o bichinho foge de predadores de todos os tipos. No caminho, conhece a macaca Gaia, que se junta a ele. Todo filmado em 3D, e belamente fotografado pelo brasileiro Gustavo Hadba e o francês Manuel Teran, o filme tem também uma excelente trilha-sonora, a cargo de Bruno Coulais. Todo o interesse do filme porém, fica em cima da simpatia e fofura do macaquinho protagonista. O seu carisma conquista a todos, inclusive ele interpreta! Passei o filme todo imaginando o trabalhão que foi filmar o longa, e eu sei do que estou falando, porquê trabalhei nos filmes "Tainá 1" e "Tainá 3" e caraca, é muito chato filmar animais, eles são imprevisíveis. A história, singela, me lembrou bastante o tema de "Rio 2", de Carlos Saldanha, que narra o reencontro da Arara com sua familia na Floresta Amazônica. O filme tem problemas de ritmo, e fico imaginando a quem interessa ver esse filme: crianças, que aqui não encontram efeitos especiais, ou adultos, que passam o tempo todo vendo bichinhos fofos. O filme abriu o Festival do Rio em 2103 e encerrou o Festival de Veneza no mesmo ano. Nota: 7

Mondo cane

"Mondo cane", de Paolo Cavara, Gualtiero Jacopetti e Franco Prosperi (1962) Precursor do gênero "Shockmentary", famoso nos anos 80 por conta da série "As faces da morte", "Mondo cane" é um clássico de 1962 que causou furor tão grande na época, que acabou concorrendo em Cannes na categoria principal, a Palma de Ouro, perdendo para o brasileiro "O pagador de promessas". O filme é uma colagem de cenas documentais ( algumas obviamente "montadas" com atores) que retratam curiosidades culturais em vários países do Mundo, englobando 1o e 3o mundos. Sexo e morte são temas recorrentes. O documentário faz uma comparação entre valores e tradições em um País rico como os Estados Unidos, e o mesmo tema é levado por exemplo para a Nova Guiné. Chocante para a época, hoje em dia passa tranquilamente em qualquer Globo Repórter. Cenas de barbáries com animais ( essas sim, cenas reais) mesclados a cenas divertidas como "a caça ao macho" em um país da África. O filme ficou famoso também por conta de sua música -tema, composta por Riz Ortolani e Nino Olivieri, que concorreu ao Oscar. O curioso é que a música é uma orquestração romanceada, que provoca uma sensação estranha quando tocada em uma cena de decapitação de um boi. A fotografia, incomum para o gênero documental, da época, é exuberante e foi muito elogiada. Eu particularmente acho antológico um trecho que mostra bêbados vagando pela madrugada nas ruas. Muito poético. Nota: 6

sábado, 12 de julho de 2014

Fazendo amor

"Making love", de Arthur Hiller (1982) Um dos filmes mais polêmicos e controversos do início dos anos 80, "Making love" entrou para a história do cinema por ter sido o 1o filme Mainstream de Hollywood a falar no tema da "saída do armário". Seu cineasta, Arthur Hiller, do mega-sucesso "Love story", inovou na linguagem do filme. Mesclando melodrama com depoimentos de divã com seus 3 protagonistas olhando para a câmera, o filme causou estranheza e repulsa por parte do público que desprezou o filme e pior, sepultou de vez a carreira de seus 2 promissores galãs de Hollywood, Harry Hamlin e Michael Ontkean. Caso semelhante aconteceu com Mathew Broderick, que após ter feito "Curtindo a vida adoidado", protagonizou "Torch song trilogy" no papel de um gay e foi massacrado pelos seus fãs, ficando em total ostracismo até voltar décadas depois, mas sem o mesmo brilho de antes. O filme, realizado em 1982, e portanto, antes da Era da Aids, conta a história de Zach (Ontkean) e Claire (Kate Jackson), casados e felizes a 8 anos. Cheios de planos, o médico e a executiva de uma rede de televisão planejam a chegada de um filho até que um da Zach conhece Bart (Hamlin) em uma consulta de rotina em sua clínica. Em princípio atraído pela extroversão de Bart, Zach acaba se declarando para ele e acabam se beijando e transando. Mas Bart não quer um relacionamento e isso deflagra uma crise em Zach, que acaba descontando a sua infelicidade em cima de Claire. A música "Making love", de Bart Bacharach, toca quase que o filme todo e gruda que nem chiclete na mente. Fora isso, o filme tem meia hora a mais, tornando-o cansativo e repetitivo. Mas é inegável que o filme, mesmo nos dias de hoje, ainda provoca frisson pelo seu conteúdo bombástico, embora desgastado pelo tempo em termos culturais. O trio de atores está excelente, incluindo a "Pantera" Kate Jackson, figura rara nos cinemas. Atualizando o seu roteiro para os dias de hoje, o filme renderia uma boa peça de teatro. Nota: 7

A estrada

"La strada", de Federico Fellini (1954) Esse é daqueles filmes que de tempos em tempos eu gosto de rever, e a cada visão, parece que estou vendo pela 1a vez. Sempre descubro coisas novas sobre essa saga trágica de Gelsomina e Zampano, brilhantemente interpretados por Giuletta Masina e Anthony Quinn. Em 1954, Gelsomina é uma jovem pobre que é vendida por sua mãe para um Artista mambembe, Zampano, substituindo assim Rosa, a sua irmã que faleceu. Gelsomina vislumbra nesse ambiente de circo e encantamento um mundo de sonhos. ela sonha poder cantar, dançar. Mas a realidade logo se mostra: ela é praticamente escravizada pelo bruto Zampano, que quer que ela seja apenas uma mulher na cama e sua assistente no palco, satisfazendo desejos sexuais e profissionais. Desencantada, Gelsomina vê na figura do palhaço Il Matto ( o americano Richard Basehart) uma chance de poder mudar o rumo de sua vida. Mas Zampano não vai querer perder a sua assistente, e o filme desemboca para um destino trágico. Repleto de cenas antológicas ( entre elas a cena que Zampano ensina Gelsomina a tocar tambor,e logo depois, da procissão), o filme mescla drama e comédia , na doce figura de Gelsomina, que por ter nascido de bom coração sofre as mazelas da maldade humana. Anthony Quinn e Richard Basehart estão soberbos. Gelsomina veio a ser um embrião do que viria a ser Cabíria, outro personagem inesquecível de Giuletta Masina, que viria em 1957 com "Noites de Cabíria". Para quem ama Cinema, um filme obrigatório. Trilha sonora de Nino Rota, impecável. Nota: 10

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Senhor das lágrimas

"Lord of tears", de Lawrie Brewster (2013) Se inspirando no Folclore escocês sobre religião pagã e também nos filmes japoneses dos anos 60 sobre fantasmas, o Cineasta escocês Lawrie Brewster cria um curioso filme de suspense que, apesar de seus problemas de baixo orçamento, procura manter a atenção do espectador através de uma atmosfera de filmes antigos. Sem se utilizar de recursos de computação gráfica, o filme busca o susto e a atmosfera em efeitos antigos e na fotografia. Filmada em belas locações na Escócia, o filme narra a história de James Findley, um professor que recebe a notícia da morte de sua mãe, Na carta-testamento, ela deixa claro que o filho não deve em hipótese alguma ir visitar a casa que ele foi criado, casa essa que guarda segredos que provocam pesadelos em James desde que ele era criança. James sonha com uma figura de um homem com cabeça de pássaro, e não sabe o que isso quer dizer. Ignorando os avisos de sua mãe, James vai até a casa de campo e lá tenta desvendar o mistério de seu passado. Para quem busca um filme de efeitos, irá se decepcionar aqui. O filme se escora na bela fotografia e locações. Mesmo as atuações deixam a desejar e os atores exageram em suas performances, provocando até risos. Mas ignorando esse fato e o do baixo orçamento, o roteiro até que é curioso. Espero que um dia façam um remake mais criativo e com mais dinheiro, pois a história dá caldo. A figura do Homem-Coruja é interessante, se bem que tem horas que ele lembra o Jigsaw do "Jogos mortais". Nota: 5

quarta-feira, 9 de julho de 2014

O espelho

"Oculus", de Mike Flannigan (2013) Bom filme de suspense, que mesmo que use os clichês de espíritos e casa mal-assombrada, consegue injetar adrenalina e inteligência na realização do mesmo. Sim, aqui também tem câmeras que ficam gravando os acontecimentos, mas o grande barato do filme é a sua edição e o roteiro, que vão e voltam no tempo, juntando pedaços de um quebra-cabeças que vai se revelando ao longo da narrativa. Kaylie é uma jovem que compra um espelho em um leilão. Essa compra coincide com a liberdade que o seu irmão Tim consegue de uma clínica psiquiátrica. No passado, ele foi acusado de ter matado os pais. Kaylie culpa o espelho, que foi comprado pela sua mãe quando eles eram crianças. Ela resolve criar um pacto com o seu irmão de quebrarem o espelho. Mas antes, precisa descobrir os poderes que emanam dele. O jovem Brenton Thwaites interpretou o príncipe em "Malévola", mas aqui quem rouba a cena são as duas crianças. Mantendo uma atmosfera de tensão ao longo do filme, o diretor Max Flanagan ao mesmo tempo que entretém o espectador, cria cenas de alto suspense, que vai além dos sustos bobos e dos ruídos estridentes. A cena dos 3 manequins com rostos cobertos de lençol é um exemplo. O elenco adulto é correto, e a trilha sonora e fotografia contribuem para esse clima de suspense. Bem acima da média. Nota: 7

terça-feira, 8 de julho de 2014

Faça a coisa certa

"Do the right thing", de Spike Lee (1989) "FAssisti o filme pela 1a vez na época do seu lançamento, 1989. Na ocasião, ficou marcado em mim a energia e brutalidade que o filme oferecia como mensagem. Moradores de uma comunidade pobre do Brooklyn convivendo com desemprego, pobreza, calor insuportável, sujeira e principalmente, muito ódio racial. Judeus contra negros e contra brancos e contra asiáticos e contra latinos. No universo globalizado da grande metrópole Nova York, todas as etnias são convidadas para uma visão apocalíptica da desunião entre os povos. Revendo agora, fico impressionado com o vigor e a energia do filme, que continuam intactos. Os enquadramentos, a fotografia, a trilha sonora, o uso constante da grua linkando o exterior super populoso com os interiores mais suaves, tudo é pulsante. O elenco de rostos desconhecidos na época agora ganha contorno de gente famosa: Samuel L. Jackson, Rosie Perez, John Turturro, Chris Rock. Danny Aiello, no papel do dono da pizzaria italiana, mostra força e generosidade ao contracenar com atores menos experientes. O seu talento levanta a energia de todos em cena. O filme lançou moda e muitos cineastas copiaram várias cenas do filme. Hoje em dia eu tiraria 30 minutos da edição final do filme: ao abraçar várias causas, Spike Lee acaba falando de muitos assuntos, aglomerados de forma cansativa em 2 horas de projeção. Mesmo cansativo e redundante em alguns momentos, o filme foi o estopim para projetar o nome de Spike Lee no rol dos grandes cineastas dos anos 90, principalmente por ser negro e por fazer cinema independente. O filme foi o veículo usado para que o Ator-roteirista e Diretor desse sua voz na boca de vários personagens, todos lutando em prol das mensagens edificantes de Malcon X e Martin Luther King. Fight the Power! Nota: 7

A negra de...

"La noite de...", de Ousmane Sembene (1966) Considerado o primeiro filme africano dirigido por um Cineasta negro, esse pequeno clássico Senegalês de 1966 co-produzido pela França narra a história de Diouanne, uma jovem senegalesa em busca de trabalho, que conhece uma família de franceses em Dakar e resolve seguir com eles até a Cote D azur francesa, com a promessa de dias melhores. Desejando uma vida diferente da que vive em Dakar, Diouanne se desespera ao perceber que o trabalho de Governanta dos filhos do casal na verdade é um trabalho de empregada sob condições quase de uma escreva. Usando a relação homem branco X empregada negra, o filme faz uma metáfora sobre o colonialismo Francês na região da África. A questão da superioridade branca e a submissão dos negros encontra aqui um tom maniqueísta e sem muita profundidade psicológica dos personagens. A patroa em especial é muito má, sem explicação para tal atitude com a empregada. O filme é narrado em voz off pela protagonista, uma linguagem para reforçar o fato da mulher negra não ter voz ativa. O elenco é formado pro atores amadores, o que é curioso pelo olhar documental que a câmera registra o dia a dia dos personagens. O filme é curto, 55 minutos, a direção é correta previlegiando o olhar distanciado de quem acompanha essa história. Ritmo lento e trilha sonora repetitiva pautada por ritmos afros conduzem o filme para um entrteenimento autoral. Nota: 6

domingo, 6 de julho de 2014

A estranha cor das lágrimas do seu corpo

"L'étrange couleur des larmes de ton corps", de Hélène Cattet e Bruno Forzani (2013) Um filme experimental que homenageia o gênero "Giallio". Assim é esse estranhíssimo e bizarro filme belga, que presta reverência a 3 Cineastas: Dario Argento ( a referência mais óbvia), Brian de Palma e David Lynch. Nessa mistura doida, podemos ver elementos da filmografia dos 3 diretores. Do "giallio" de Dario Argento, vem a estética: super closes, luvas pretas, sangue em abundância, trilha sonora operística. De Brian de Palma, vem a homenagem cinéfila a Hitchcock, de quem Argento também buscou inspiração. E de David Lynch veio o surrealismo e aquele eterno ar de "não tô entendendo porra nenhuma". Lírico, erótico, violento, incompreensível. O filme, até onde agente entende da pouca lógica narrativa, conta a história de um homem de negócios que chega em seu apartamento e estranha que sua esposa desapareceu. Ele resolve vasculhar o prédio e perguntar para as pessoas sobre o paradeiro dela. Ma só que vemos a seguir são cenas soltas,s em sentido, se assassinatos, de uma atmosfera de terror onde ninguém sabe o que está acontecendo. Não se pode reclamar da previsibilidade da rama pois realmente não sabemos o que vai ocorrer. É um filme sem lógica. Para poder assisti-lo e aprecia-lo, temos que abstrair qualquer coerência narrativa, É preciso entender que é um filme-homenagem a um gênero. Tecnicamente, a fotografia é estilosa e em tons coloridos e hiper-realistas acentuando o vermelho e azul. O ritmo é lento e a duração do filme é longa. Para essa proposta, era necessário tirar uns 20 minutos do filme para torná-lo mais acessivel. Os 2 diretores filmaram um episódio do longa de terror :"Abc da morte", no caso, o segmento "O de orgasmo". Nota: 4

Ida

"Ida", de Pawel Pawlikowski (2013) Belo e intenso drama polonês, ambientado na Polônia comunista doa nos 60. Ida, uma jovem noviça prestes a receber os votos, é induzida pela Madre Superiora de procurar sua tia Wanda, que a própria Ida desconhecia existir, Wanda é a única parente viva de Ida. Ela revela para sobrinha que ela nasceu judia, e que seus pais foram assassinados. Wanda, uma juíza que logo no inicio do comunismo mandou muitas pessoas para a morte, se tornou uma mulher alcoolatra e promíscua. Juntas, as duas seguem em viagem para descobrir o paradeiro do único homem que pode dizer o que aconteceu aos pais de Ida. No cainho, elas d!ao carona para um jovem músico, que irá balançar a crença de Ida. Belamente fotografado em preto e branco e com ótima trilha sonora, o filme tem duas fortes performances das atrizes que interpretam Ida e Wanda. Um filme de forte impacto visual e com poucos diálogos, além de enquadramentos bonitos que revelam o lado artesanal do diretor Pawel Pawlikowski. Planos longos são a marca do filme, que busca seduzir o espectador com suas belas imagens e paisagens. Nota: 8

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Wolf Creek 2- Viagem ao inferno 2

"Wolf Creek 2", de Greg Mclean (2013) Em 2005, um filme de terror recebeu elogios da crítica e ainda participou do prestigiado Festival de Sundance. O filme era "Wolf Creek". Uma produção australiana de baixo orçamento, tinha uma interessante premissa de usar um fato real para criar sua atmosfera de terror. O filme pega o mote de dezenas de turistas que desaparecem anualmente na Austrália, sem deixar vestígios. Filmado como se fosse um drama, se tornava realmente assustador pela figura sinistra do serial killer Mick Taylor, um fazendeiro criador de porcos. Mas o olho grande da Indústria falou alto e em 2013 foi rodada essa continuação altamente desnecessária, com o mesmo diretor e protagonista, Mick Taylor. Desnecessária porquê a história é exatamente a mesma: turistas incautos visitam Wolf Creek, uma cratera enorme no meio do deserto australiano, e acabam virando vítimas de Taylor. Só que dessa vez, sem o charme do 1o filme, e sem o clima aterrorizante. Tudo ficou caricato, óbvio, e pior, as mortes acompanham o gore de filmes como "Jogos mortais". O que ainda permaneceu intacto e com qualidade foi a fotografia, mostrando a luz exuberante da Austrália. No mais, perda de tempo. Nota: 4

terça-feira, 1 de julho de 2014

Estocolmo

"Stockholm", de Rodrigo Sorogoyen (2013) Bom drama espanhol, vencedor de vários prêmios em Festivais europeus. Partindo de uma premissa no etsilo de "Antes do amanhecer", o filme narra o encontro de um rapaz e uma moça durante uma festa. O Jovem tenta fazer de tudo para conquistar a moça, que diz não querer nada com ele. Eles varam a madrugada discutindo relacionamentos, até que finalmente ela cede. O grande barato desse roteiro é que ele não fica óbvio. O dia seguinte vai de encontro a um outro gênero. Graças às ótimas atuações dos 2 atores, Aura Garrido e Javier Pereira, o filme ganha verossimilhança e credibilidade. O ponto fraco são os diálogos, que não possuem a dinâmica dos roteiros de Richard Linklater ( da trilogia "Antes do amanhecer") e acabam provocando cansaço no espectador. O filme poderia ter uns 15 minutos a menos. A direção de Sorogoyen, também roteirista do filme, é boa e com belos planos. A fotografia estilosa fica a cargo de Alejandro de Pablo. Bela trilha sonora. Nota: 7