segunda-feira, 30 de junho de 2014

Selvagem

"Savaged", de Michael S. Ojeda (2013) Me divirto com esses filmes de vingança, onde a mulher, após sofrer nas mãos de uma gangue, resolve botar pra quebrar. Foi assim em " Doce Vingança, clássico do gênero. A diferença para esse 'Selvagem"é que a jovem morre e o espírito do chefe Apache encarna nela, e a sede de vingança vem acompanhada de arco e flecha, machadinha e facão, além de uma pintura indígena no rosto da jovem. Claro, risadas ao longo do filme por conta de tantas cenas trash. Os efeitos são verdadeiros defeitos especiais. Os atores, péssimos, nem em escolinha de primário se conseguiria algo tão amador. Todos arregalando olhos, um pavor. Mas a diversão, para quem curte filme B violentos, é garantida. Pior é que ganhou vários prêmios em Festivais. Vá se entender.Nota: 4

domingo, 29 de junho de 2014

Abe

"Abe",de Rob McLellan (2013) Curta-metragista inglês, em seus filmes McLellan investe na mistura de gêneros. Em "Abe", ele mescla ficção científica e suspense. Em menos de 9 minutos, ele conta a história de uma mulher que acorda em uma sala cirúrgica improvisada. Uma pessoa se aproxima, e se revela ser um robô. Em seu discurso, ele divaga sobre a relação homem e robôs, e que ele foi programado para amar. Incompreendido, ele resolve "consertar" as pessoas, acreditando assim que elas o amarão, uma vez que para ele, elas não o amam por estarem com defeito de fabricação. Com vaga semelhança com o robô de Michael Fassbender em "Prometheus", é um personagem que entra em conflito por pensar como um humano em corpo de robô, mesma proposta do replicante de Rutger Hauer em "Blade runner". Simples e objetivo e cheio de clima e atmosfera, tem uma proposta original ao apresentar um robô na linha desses psicopatas que invadiram o cinema de terror nos anos 90 e 2000. Bons efeitos e trilha sonora. Nota: 8

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Jersey Boys- Em busca da música

"Jersey Boys", de Clint Eastwood (2014) Muita gente pode não conhecer o Grupo vocal "Four seasons". De Frank Valli, o seu principal vocalista, pode até ser que alguns poucos se lembrem dele. Mas aos primeiros acordes de "Can't take my eyes of you", ou "Sherry", fica aquela pulga atrás da orelha: "Mas quem canta essas músicas? ". Autores de grandes pérolas pops dos anos 60 e 70, Os 4 integrantes do grupo, descendentes de italianos e moradores de Nw Jersey, passaram por todos aqueles chichês que se espera de uma banda de sucesso: a determinação, a frustração, o sucesso, a fama, a riqueza, mulheres, famílias destruídas, depressão e decadência, culminando no inevitável rompimento do grupo e a ascenção de seu vocalista. Nessa trajetória, misture mafiosos no melhor estilo "Família Soprano": Christopher Walken dá dignidade ao seu pouco explorado personagem do Il Capo. Clint Eastwood inaugura em sua filmografia um musical, que fez muito sucesso na Broadway. Ele ainda se dá ao direito de fazer uma aparição em cena através de um filme onde ele atua e que aparece numa tela de tv. O filme, mesmo com todo o luxo da direção de arte figurinos e maquiagem ( esse item de maquiagem é o mais prejudicado, com a passagem de tempo pouco crível dos personagens) dificilmente decola ou empolga. Narrado de uma forma fria e sem ritmo, o filme, de 134 minutos, parece durar o dobro. São muitos os sub-plots, vários desnecessários, e o filme demora muito a acontecer. E mais, o roteiro enfatiza o lado do drama familiar, mostrando esposas alcoólatras e afins. É um grande novelão, bonito e luxuoso, mas chato, bem chato. Ainda bem que tem a trilha sonora com as músicas do grupo para levantar o ritmo de vez em quando. Quanto ao elenco, não há um grande destaque, todos funcionam a contento, mas sem brilho. Nota: 6

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Sob a pele

"Under the skin", de Jonathan Glazer (2013) O Cineasta inglês Jonathan Glazer tem uma predileção especial em desconstruir as divas Hollywoodianas em performances inspiradoras na carreira delas. Com Nicole Kidman, ele fez o ótimo "Reencarnação". Aqui em "Sob a pele", ele faz de Scarlett Johanson um bibelô sexual mostrando-a totalmente nua, e foi aí que o filme chamou a atenção do público e da crítica. Não houve uma nota, uma crítica, uma matéria feita sobre o filme que não destacasse a nudez da atriz. E quem foi ver o filme apenas para saciar seu fetiche voyeurístico por Scarlett, se deu mal: a grande maioria odiou o filme, ignorando se tratar de um filme experimental. Baseado no livro de mesmo nome, de autoria de Michel Faber, o filme narra a história de uma alienígena que aterrisa na terra e toma o corpo de uma mulher. A prtir desse momento, ele dirige uma van e passa a caçar homens sedentos de uma aventura sexual. No entanto, ela leva esses homens para a sua armadilha e os mata. Os alienígenas se alimentam da carne humana, e um deles se passa por um motoqueiro para poder controlar as atividades da alienígena. Uma de suas vítimas é portador de Neurofibromatose e ela, apiedada, acaba libertando-o. Ela percebe que está aos poucos assumindo a condição de ser humano, e entra em conflito. Ela passa a ser perseguida pelo motoqueiro, foge e se envolve com um homem por quem ela nutre real interesse. Impossível falar desse filme sem dizer algumas adjetivos: bizarro, estranho, intenso, sinistro, corajoso, surreal. O Diretor Jonathan Glazer não se preocupou em agradar os fãs de Scarlett e presenteou os cinéfilos com um filme maldito, mas memorável. Para os que buscam apenas diversão, é importante avisar que esse filme não é para vocês. É artístico do início ao fim, o ritmo é extremamente lento e a fotografia é tão escura, que tem horas que nem dá para se enxergar direito. Os efeitos são modestos mas impactantes uma grande trucagem que combina fotografia e atmosfera. Não há quem fique incólume ao filme. De curiosidade, o fato que o diretor escondeu câmeras na van e na rua, para filmar os vários homens que se aproximam da van da alienígena de Scarlett, e somente depois descobriram que fizeram parte de um flme. A cena de uma das vítimas presenciando a descomposição de uma outra pessoa é antológica e foda, muito foda! Nota: 8

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Entre nós

"Entre nós", de Paulo e Pedro Morelli (2013) Em 2012, o filme "As palavras", com Dennis Quaid e Bradley Cooper, foi lançado comercialmente. A trama: Um escritor narra em seu livro a história de um autor fracassado e sem criatividade que encontra um manuscrito de autor anônimo. Ele lê e fica abismado com o potencial da obra. Ele o lança e o livro é um enorme sucesso. Em "Entre nos", a história gira em torno de um grupo de amigos escritores, que se reúne em 1992 em uma casa no alto da Serra da Mantiqueira. Durante uma celebração, 2 amigos pegam o carro para comprar mais bebida. Um acidente de carro e um deles morre. O outro sobrevivente pega o manuscrito antes que o carro exploda. Ele acaba lançando o livro como se fosse de sua autoria e o livro é um sucesso. Em ambos os filmes, o tema é a Ética, tanto pessoal quanto profissional. Até onde uma farsa em prol da ambição pode destruir não só sua vida, mas também daqueles que ele ama? Paulo Morelli, roteirista também do filme, pega ainda o mote de "O reencontro", de Lawrence Kasdan. O seu filme se passa em 2 épocas: 1992 e 2002. 10 anos depois, os fracassos e frustrações amorosas e profissionais se mostram arrasadoras. Nesse clima de total desamparo e melancolia, aliados a uma fotografia em tons escuros de Gustavo Hadba, o filme vai se desenrolando. Todos os atores têm seus momentos de cena individual, com destaques para Caio Blat, Carolina Dieckman e Maria Ribeiro. Julio Andrade, Maria Nowill, Paulo Vilhena e Lee Taylor compõem os personagens do filme em participações mais discretas, mas igualmente intensas. Lançado no circuito comercial, o filme foi um grande fracasso, dando um público de 70 mil pagantes. Não sei dizer as pretensões comerciais de Paulo Morelli ao lançar esse filme, mas o tom depressivo da historia com certeza afastou o grande público. Alguns excessos me incomodaram na narrativa: excesso de diálogos, incluindo muito papo jogado fora que só arrasta a trama; excesso de movimento de steadicam- eu sinceramente adoraria ter visto planos fixos em momentos de intensidade dramática, ao invés dela fazendo malabarismos em momentos de total intimidade; excesso de trilha sonora, que tira a atenção da cena em vários momentos...e excesso de sub-plots desnecessários que só aumentam a duração do filme - a eterna discussão e picuinha do casal Julio Andrade e Maria Nowill vamos combinar, é uma chatice. A se louvar a iniciativa de se produzir um drama autoral, com tantos atores bons em cena. Pena que a fotografia escura dê um tom tão sombrio à trama. Seria mais interessante e menos óbvia uma luz mais solar diante de conflitos dramáticos. Nota: 7

domingo, 22 de junho de 2014

Depois

"After", de Ryan Smith (2012) Interessante híbrido de gêneros, que mistura suspense, fantasia, romance e drama. O filme parece um episódio esticado da série"Twilight zone", famoso e cultuado por trabalhar com histórias fantásticas que oscilam entre o real e o imaginário. 2 jovens estão em um ônibus a caminho de casa. O rapaz é quadrinista e a menina enfermeira. Eles descobrem que são vizinhos. Um acidente no ônibus e a jovem acorda no hospital. No entanto, ela se assusta, pois a cidade ficou deserta. Em busca de alguém, ela acaba esbarrando no jovem do ônibus. Ambos vão atrás de uma resposta, ao mesmo tempo que um nevoeiro negro invade a cidade e com ele, um monstro. Boa direção que mantém um clima de suspense e tensão, apesar da história já ser manjada logo no início. Os 2 atores são bons e carismáticos, o que é bom, uma vez que ambos estão quase que sozinhos uns 80% do filme. O filme tem um certo clima de "O nevoeiro", de Stephen King, e a série "Lost". Nota: 7

Bastardos

"Los bastardos", de Amat Escalante (2008) O cineasta espanhol/mexicano Amat Escalante é pouco conhecido no Brasil, mas no entanto, ele ja ganhou vários prêmios internacionais e é um dos queridinhos do Festival de Cannes. Até 2005 ele era Assistente de direção do mexicano Carlos Reygadas, e daí resolveu dirigir seus filmes. Reygadas o ajudou nessa empreitada, e seus 2 primeiros filmes, "Sangre" e "Bastardos" foram exibidos na Quinzena dos realizadores. Seu último filme "Heli", ganhou a Palma de Ouro de melhor direção em Cannes 2013. Infelizmente, "Heli" foi lançado aqui no circuito e quase ninguém o viu. Escalante tem uma linguagem muito próxima ao cinema de Michael Haneke e de seu conterrâneo Michel Franco ( de "Depois de Lucia"). É um Cinema visceral, hiper-violento, de planos longos e angústia massacrante. Ninguém sai incólume dos filmes desses diretores. Em "Bastardos", a história gira em torno de imigrantes mexicanos que moram ilegalmente em Los Angeles. Todos os dias, eles esperam em frente a um prédio para que americanos os recrutem para fazerem serviços braçais pagando uma mixaria. Entre eles, estão Jesus e Fausto. Jesus precisa mandar dinheiro para sua família, e diante do desespero, ele resolve invadir uma casa junto com Fausto naquela noite. Uma direção bem marcada e corajosa. Os planos são muito longos e durante m bom tempo do filme, quase nada acontece. O 1o plano do filme dura mais de 4 minutos e é um plano fixo dos 2 amigos vindo numa estrada desde la do fundo, como formiguinhas, até chegarem em frente da câmera. Nada acontece nesse plano, a não ser a caminhada dos dois. E pois ai vai, nesse registro meio documental, focando e forma fria e sem emoção a rotina desses mexicanos sem futuro e sem esperança, ainda massacrados pelo preconceito dos moradores. Não é um filme para qualquer cinéfilo. É lento, e os 15 minutos finais viram uma loucura desenfreada. Um filme para fortes. Excelente atuação dos atores, naturalistas como manda o figurino. Nota: 9

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Trilhas

"Tracks", de John Curran (2014) Quem amou o filme "Na natureza selvagem", dirigido por Sean Penn em 2007, vai amar esse "Tracks", também baseado numa história real. Mas diferente da trajetória de Chris McCandless, aqui a aventureira Robyn Davidson encontra um final feliz. Em 1977, a ambientalista australiana resolveu atravessar as 1700 milhas do deserto que vai de Alice Springs até o Oceano Índico. Levou 9 meses. Uma travessia inóspita, mas que serviu como uma forma de Robyn exorcizar seus dramas pessoais. Sua mãe se suicidou, seu pai sacrificou seu cachorro, seu melhor amigo. Robyn embarca nessa jornada da alma, na companhia de 4 camelos e seu cão Diggiby. Ela encontra apoio financeiro da Revista National Geographic, na condição de ter um fotógrafo documentando com fotos essa jornada. O fótógrafo Rick vai ao seu encontro de tempos em tempos. Em princ;ipio reticente em relação a presença dele, Robyn vai se descobrindo e se abrindo a novas possibilidades de enfrentar os desafios da vida. Ao longo do caminho, ela vai encontrando curiosos, andantes, aborígenes. É um filme muito bonito, com uma fotografia extraordinária da fotógrafa Mandy Walker ,a mesma do filme "Austrália". A trilha sonora, reforçando a solidão do personagem, é emocionante, a cargo de Garth Stevenson. O final é de doer, chorei muito. Mia Warsikowska está excelente, e com sua fragilidade física contrastando com a dureza do deserto, ela brilha em momentos solo. O livro foi best seller evendeu milhões de exemplares. O filme concorreu em Veneza 2013. Nota: 8

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Vizinhos

"Neighbors", de Nicholas Stoller (2014) Essa comédia com Seth Rogen e Zac Efron custou 18 milhões de dólares e faturou 145 milhões. Resultado: a parte 2 está a caminho. Mas como extrair um roteiro de um filme cujo original já não tem tanta graça assim? Mac (Seth Rigen) e Kelly (Rose Byrne_ formam um casal que adora transar pelos cantos da casa. Cheios de fogo, eles se amam e amam a filha de 1 ano que é o verdadeiro xodó dessa família feliz suburbana. Porém, a paz vai pro caramba quando se mudam pra casa do lado uma República de estudantes arruaceiros, liderados por Teddy ( Zac Efron) e Pete ( Dave Franco), que promovem altas festas madrugada adentro. Desesperados, o casal tenta a política da boa vizinhança, mas sem resultado, partem pra guerra. Com essa premissa já gasta, o diretor Nicholas Stoller resolve apelar pra piadas chulas para ganhar apelo popular. E dá-lhe piadas com vibradores, peidos, peitos de mulher amamentando, vômitos e etc. Quando quer, o filme se dá o minimo de inteligência: brinca com a parcela do público cinéfilo nas várias referências a filmes de Robert de Niro Batman, etc. Aí o filme diverte de verdade. No mais, uma sucessão de gags e de mensagens edificantes que mudam o rumo dos personagens num piscar de olhos. Coadjuvantes mal aproveitados, falta e ritmo em vários momentos e um final que deveria ter acabado 10 minutos antes. A destacar, um enorme Merchandising como há muito eu não via num filme: Abercrombie and Fitch, a famosa marca de roupa para jovens sexies, tem como garotos propagandas numa cena: Zac Efron e Seth Rogen!!! E sem camisa!! A fotografia porém, foi o que realmente me chamou a atenção no filme: O fotógrafo Brandon Trost, especialista em terror e comédia, trouxe uma luz mais autoral, caprichando nos verdes e vermelhos em várias cenas. Curti muito. Nota: 6

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Hellion

"Hellion", de Kat Candler (2014) Hellion é uma expressão americana que significa "aquele que arruma problema". A roteirista e cineasta Kat Candler chamou ateção da crítica com um curta seu, de mesmo nome, em 2012. Ela resolveu esticar a história e criou outros personagens. O filme narra a história de Jacob,( Josh Wiggins), um garoto rebelde de 13 anos de idade, que mora com seu irmão Wes de 7 anos e com o seu pai, Hollis ( Aaaron Paul). Os meninos são órfãos de mãe e desde que ela morreu, o pai não dá conta de cuidar das crianças, deixando a casa um caos e se entregando pra bebida. Jacob acaba seguindo o caminho da delinquência, se juntando a outros garotos rebeldes e saem quebrando tudo nas noites. Wes se espelha no sue irmão e quer seguir seus passos. Um dia,a assistência social chega e leva o pequeno Wes, deixando-o sob os cuidados de sua tia, Pam (Juliette Lewis). Jacob fará de tudo para recuperar o irmão. O tema do filme já é bastante batido, e o filme em si não traz novidades. O que e interessante aqui, é a direção de Kat Candler, que procura trazer imagens glamourizadas da violência doméstica através de câmera na mão e fotografia cheia de filtros. A grande força do filme reside em seu elenco principal: Aaron Paul, de "Breaking Bad". apostando firme em longas independentes na mesma vibe de drama porradas/ Juliette Lewis que sai daquele estereótipo que ela vinha fazendo da maluquete e fazendo uma tia austera e carinhosa. Mas o grade destaque vai pro menino Josh Wiggins, perfeito no seu temperamento de delinquente. Alternando ódio, ternura, insatisfação e angústia, esse menino promete . (lembrando que di Caprio começou em "Diário de um adolescente", quase uma releitura desse filme aqui. Foi exibido no Festival de Sundance 2014. Aliás, Aaron Paul tá cada vez mais a cara do Ryan Gosling. Nota: 7

terça-feira, 17 de junho de 2014

20 dedos

"20 fingers", de Mania Akbari (2004) Ótimo drama iraniano dirigido, escrito e protagonizado por Mania Akbar. Mania começou sua carreira no cinema sendo atriz do filme "10", de Abbas Kiarostami em 2002. Desde então, ela se dedicou a filmar longas de ficção e documentários. Por conta dos temas polêmicos em seus filmes, Mania é considerada uma persona non grata no Irã, país que ela acabou largando para ir morar em Londres. Dedicado ao seu Mestre Abbas Kiarostami, Mania faz aqui em "20 dedos" uma radiografia do papel da mulher na sociedade machista e tradicional iraniana, presa a arquétipos milenares que fazem da mulher uma pessoa sem muitas condições de lutar pelos seus ideais e pela sua independência. Em 7 episódios que retratam a vida cotidiana de um casal, interpretado por Bijan Daneshmand e a própria diretora, Mania fala sobre aborto, lesbianismo, ciúmes, machismo, casamento e infidelidade. O título, "20 dedos", se remete a uma tradição cultural iraniana que diz que uma mulher que teve 20 relações com homens diferentes é considerada uma puta. Curioso como o cinema iraniano recente resolveu pegar o tema da infidelidade e discussão de casal para mostrar a nova faceta da sociedade. "Procurando Ely" e "A separação" são dois ótimos exemplares de filmes brilhantes iranianos que além de tudo, possuem performances estupendas do seu elenco. É o mesmo caso desse "20 dedos". os 2 atores trabalham em cima do improviso e do naturalismo, para dar um ar documental ao registro do casal. Mas o mais interessante é a linguagem que a diretora usou para narrar essa história. São 7 momentos da vida deles. Casa cena, composta por planos-sequências de até 10 minutos, sao ambientados em veículos, numa metáfora de um relacionamento em constante turbulência: carro, teleférico, barco, moto..é um vale-tudo para levar a cabo a idéia fascinante da diretora. A cena da moto é uma pequena obra-prima de marcação e realização. O casal discute na moto, a mulher sai com a filha, pega um táxi, a câmera está dentro do táxi, vemos o marido com a moto do lado de fora perseguindo o táxi, o táxi para, a mulher sobre na moto de novo. e isso tudo com um trânsito infernal! Só esse segmento já valia Nota 10. Mas o filme é bastante verborrágico e a diretora poderia ter dado chance para que imagens falassem pelos atores. Mesmo assim, vale ser visto. É um filme inusitado e forte nas interpretações. Nota: 8

domingo, 15 de junho de 2014

Sem evidências

"Devil's knot", de Atom Egoyan (2013) "Egoyan cineasta canadense, foi um dos mais cultuados diretores dos anos 90, graças a filmes como "Um doce amanhã" e "Exotica", que sacudiram crítica internacional, ganhando vários prêmios. Mas essa aura de cineasta cult foi morrendo ao longo da década seguinte, mas ainda assim, Egoyan persiste em querer fazer um filme memorável. Nessa produção americana, ele junta 2 atores Oscarizados com prêmios de interpretação, Reese Winterspoon e Colin Forth. Mas infelizmente, o resultado ficou bastante morno. O filme reconstitui um crime famoso no Estado de Arkansas em 1993. No dia 5 de maio, 3 meninos com idade de 8 anos desapareceram, e foram encontrados afogados e nús no rio local, com marcas de violência. Três adolescentes foram acusados pelo crime, e a acusaç!ao provou que eles eram praticantes de magia negra e resolveram matar os meninos em ritual satânico. Reese Winterspoon interpreta Pam Hobbs, a mãe de um dos meninos, Steve, e Colin Forth interpreta o advogado de defesa que acredita na inocência dos jovens. O filme tem direção burocrática, ritmo arrastado e tudo é bem convencional, como um telefilme. O roteiro prefere seguir o tom do melodrama, através do drama de Pam Hobbs, que pira e entra em crise com seu marido. Bom filme para quem curte o gênero filme de tribunal. Para quem não curte, esse filme de quase duas horas vai ser bem aborrecido. Nota: 6

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Carvão negro

"Bai ri yan huo/Black coal thin ice", de Diao Yi'nan (2014) Grande vencedor do Urso de Ouro em Berlin 2014, além de ter ganho o Urso de prata para melhor ator (Liao Fan). O cineasta Diao Yinan é o mesmo do extraordinário "Trem da noite". Aqui, ele mantém o mesmo clima pessimista de pessoas comuns vivendo suas vidas ordinárias, embalados por um cenário devastador. Filmado em locações geladas no Norte da China, a fotografia do filme é um primor, realçando o branco da neve e o colorido dos neons. A história do filme começa em 1999: Zhang (Liao Fan) é um detetive alcóolatra. Sua esposa o abandonou e agora ele precisa resolver um caso de assassinatos provocados por um serial killer, que desmembra partes do corpo das vitimas e os distribui em minas de carvão. Durante uma ação mal-sucedida, 2 de seus colegas de trabalho são mortos. Passam-se 5 anos, Zhang agora é um vigia noturno. Porém, as mortes continuam. Zhang é procurado por em ex-colega da polícia, que pde para ele voltar à corporação e seguir os passos de Zhizhen, uma jovem funcionária de uma lavanderia, suspeita por ter tido caso com os 3 assassinados. O que Zhang não esperava, era se apaixonar por ela. Claramente um filme de gênero, no caso, um policial noir ( com direito a detetive bêbado e a mulher fatal) , o filme prima pela sua direção, elenco e atmosfera. É um filme muito bonito de se ver. Lembra muito a atmosfera de "Drive", de Nicolas Winding Refn, pela sua extrema violência e cores, além da narrativa de filme noir com justiceiro caladão. Algumas passagens também me remeteu a "Inverno de sangue em Veneza, de Nicholas Roeg: a neve sempre presente, e o casaquinho vermelho, aqui substituído por um mortal par de patins. O filme mantém um clima de tensão do início ao fim, e tem cenas delirantes, como a do desfecho, repleta de fogos de artifício, e as do ringue de patinação. Um filme definitivamente cult, de um cineasta que vou ficar sempre atento, desde a pequena obra-prima "Trem da noite". Nota: 9

Trem da noite

"Ye che/Night train", de Diao Yi'nan (2007) Dirigido pelo mesmo cineasta chinês que ganhou o prêmio de melhor filme em Berlin por "Black coat, Thin ice" no ano de 2014, "Trem da noite" é um filme extraordinário, que mostra a força e um grande potencial de um cineasta que tem uma visão pessimista da China e da vida, assim como o seu famoso conterrâneo Jia Zhangke. Ambos os cineastas mostram uma China fora dos cartões portais: paisagens grandiosas e desoladoras, ambientadas numa China industrial fora dos grandes centros. Seus personagens são pessoas comuns, que carregam tragédias que precisam ser exorcizadas através da violência. O Cineasta Diao Yinan filmou esse longa em sua cidade natal, a região de Shaanxi. Um local extremamente decadente, fora da tecnologia avançada dos grandes centros urbanos. É uma cidade que parou no tempo. O filme narra a história de Wu (Liu Dan, em atuação impecável, vencedora do prêmio melhor atriz no Festival de Buenos Aires de 2008), uma viúva que trabalha como oficial em um tribunal. Sua função: executar prisioneiras sentenciadas por penas de morte. Porém, solitária, toda noite Wu pega um trem até uma cidade vizinha, onde ela participa de encontros com outros homens. Um dia, ela conhece Li Jun (Qi Dao), um operário, e ambos mantém uma relação de sexo violento. O que Wu não sabe, é que Li é o viúvo de uma das vítimas de Wu, e ele está atrás de vingança. Um filme de uma crueza impressionante, conduzidas com precisão cirúrgica pela direção de Diao Yinan. As imagens são belíssimas, os enquadramentos estudados milimetricamente. É um filme maduro, adulto, com várias cenas antológicas e personagens melancólicos, todos na corda bamba entre a perda de vontade e viver e a falta de perspectiva de um futuro inexistente. É muito desesperançoso, e o desfecho me lembrou "Funny games", de Michael Haneke. Aliás, a cena da sentença no tribunal e a posterior execução da pena de morte é um dos momentos mais chocantes e impessoais que vi a muito empo em um filme. Lançado em Cannes na Mostra "Un certain regard" em 2008, ganhou prêmio do Juri em vários Festivais internacionais. Uma observação que faço é quanto à ousadia nas cenas de nudez, algo impensável a até poucos anos nos filmes chineses. Nota: 10

terça-feira, 10 de junho de 2014

O que os homens falam

"Una pistola en cada mano", de Cesc Gay (2012) Antes de falar sobre o filme, fico espantado com a criatividade dos profissionais que escolhem um nome nacional para um filme estrangeiro. No original, o filme se chama "Una pistola en cada mano", que é um termo que diz que as pessoas se viram do jeito que podem, precisam estar prontas para tudo. Aqui, recebeu um título infeliz que tenta chamar a atenção de um público ávido por comédia passatempo, mas que irá dar com a cara no chão, pois o que menos se faz no filme, é rir. Junte os maiores galãs do cinema espanhol e argentino em um mesmo filme. Aí você tem Ricard Darín, Leonardo Sbaraglia, Eduardo Noriega, Jordi Mollà, Albert San Juan, Eduard Fernandez, Luis Tosar e de quebra, Javier Camara, que pode não ser galã, mas tem seu charme Todos ótimos atores, todos fazendo a mulherada suspirar. O filme é um apanhado de 8 histórias, cada uma protagonizada por um ou dois desses homens, que obviamente, discutem a relação. Os problemas? Os mesmos de sempre: traição, esterilidade, fracasso profissional, e por aí vai. O diretor Cesc Gay, que também escreveu o roteiro, conduz com elegância e sofisticação o seu filme. Algo em diferente de um filme parecido, "Os infiéis", com Jean Dujardim, também de 2012. Em "Os infiéis", também tínhamos várias histórias entre-cruzadas, dirigidas por vários cineastas, que contam os mesmos dramas masculinos, mas numa ótima distinta: sobressai a canalhice, a malandragem, a putaria. O problema aqui em "O que os homens falam", é que como diz o título, eles falam demais!!! As histórias são muito verborrágicas, é um falatório sem fim. O diretor não dá tempo para a contemplação, para a troca de olhares, para o tempo de escuta, de sentir, de perceber. É tudo muito dialogado, querendo contar demais tudo, sem deixar chance pro espectador entender pro contra própria o que acontece. De qualquer forma, é uma bela oportunidade de ver num único filme tanto ator bom, e tecnicamente o filme é correto: fotografia, trilha, edição. Nota: 7

domingo, 8 de junho de 2014

Involuntário

"De ofrivilliga", de Ruben Östlund (2008) Que filme corajoso! Esse drama sueco com tintas de tragicomédia ganhou vários prêmios mundo afora, além do Fipresci em Moscow. Foi também indicado pelo seu País para concorrer na final do Oscar estrangeiro, mas não foi selecionado. Pudera: é muita ousadia estética demais para o padrão americano. O que me fez ficar apaixonado pela estética, deve ser com certeza o terror de qualquer espectador de cinema. A câmera na sua grande maioria das vezes, não enquadra os atores! É como se tudo fosse pelo ponto de vista de alguém que não foi convidado para uma festa. Ele observa tudo de longe, sem um ângulo que favoreça sua visão. or conta disso, vemos muitas cabeças cortadas, muita gente falando de costas, muita gente falando fora de quadro, planos gerais onde o ator está do tamanho de uma formiga, e onde a cena inteira acontece. Cada cena é única, sem cortes. Tudo acontece nesse plano, não existem closes. O Diretor não se preocupa em querer mostrar os eventos. Pesquisei e vi depois que o Diretor Ruben Östlund era, antes de estrear em longas, um documentarista que filmava esportes, em específico, Ski. Ele usou essa linguagem de planos únicos sem cortes e sem favorecer as pessoas que falam porquê quando documentava o Ski, ele não podia cortar a cêmera, ela tinha que estar sempre cobrindo algo. Ele somente cortava quando algo dava errado ou terminava a ação. O filme e dividido em 5 histórias que acontecem na chegada do verão sueco. São histórias de humilhação, de autoritarismo, de sexualidade reprimida. 1) Um grupo de amigos machistas viajam todo final de semana. Em um dos eventos, após uma bebedeira, um amigo chupa o outro, que se irrita provocando um conflito no grupo 2) 2 meninas adolescentes se promovem em internet em poses eróticas. Uma noite elas enchem a cara, e uma delas é abandonada desacordada em uma praça. Até que chega um carro. 3) Uma professora testemunha um colega batendo numa criança na escola, mas ao denunciá-lo, sofre bullying dos outros professores 4) Um motorista de ônibus se recusa a andar com o ônibus,quando ele percebe que um passageiro destruiu o banheiro. Ele só irá andar de novo quando o passageiro que cometeu o delito se entregar. 5) Durante uma festa, o patriarca sofre um acidente ao soltar um fogo de artifício, mas ele não quer ir ao hospital. É um filme para cinéfilos, e para os fortes, que entendem que o filme é todo feito em cima de uma estética e um dogma, que o diretor seguiu à risca. Parabenizo o elenco, boa parte amadores, que entenderam a proposta do filme e mesmo estando fora de cena, interpretaram de verdade sem vaidades. Nota: 8

A culpa é das estrelas

"The fault on our stars", de Josh Boone (2014) Baseado no best seller de John Green, o filme é contra-indicado para pessoas muito sensíveis, pois podem chorar meia hora ainda depois do filme terminar e morrer de desidratação. O filme tem um tema muito semelhante ao excelente e pouco visto filme "50/50", com Joseph Gordon Levitt e Seth Rogen, onde Joseph interpreta um jovem que descobre que tem um câncer que pode lhe dar 50% de chance de sobreviver. Após esse diagnóstico, ele passa a viver no limite dos 50% prováveis, e busca o humor como arma para sobreviver. Assim também acontece em "A culpa é das estrelas". Hezel (Shailene Woodley, indicada ao Oscar por "Os descendentes" e protagonista da franquia "Divergente") tem um tipo de câncer raro, e ela somente conseguiu sobreviver porquê está testando um medicamento que a mantém viva, porém tendo que carregar sempre um tubo de oxigênio com ela. Depressiva, sua mãe (laura Dern, ótima) a aconselha a frequentar um Grupo de apoio para jovens com câncer, A contra-gosto, ela vai, até que um dia conhece Augustus, ( Ansel Elgort, da refilmagem de "Carrie"e também em "Divergente") , ex-jogador de basquete que perdeu a perna para o câncer. Juntos, eles tentam driblar a morte iminente com muito bom humor e claro, romantismo. De início, o filme demora a pegar, mas quando entra em cena o personagem de Augustus, o filme cresce muito. Ambos os protagonistas, tanto atores como personagens, são muito carismáticos, e no cinema que assisti, a platéia inteira participava de todas as situações: ria, chorava, suspirava, tremia A muito tempo não via um filme que mexesse tanto com as emoções da platéia. Tudo bem que o filme é recheado de cenas forçadas para arrancar lágrimas dos espectadores, mas e daí? O cinema mexicano é expert no assunto, e cinema também é isso, é trazer o público para dentro da história e fazer as pessoas esquecerem o mundo lá fora. Me deixei envolver com a história, com as belas performances, até mesmo da participação de Willen Dafoe. E o filme também me deu uma vontade tremenda de conhece Armsterdã. Acabem com o estoque de Kleenex, porquê a parada é foda! Nota: 7

Praia do futuro

"Praia do futuro", de Karin Ainouz (2014) O que dizer de um filme, onde a parte que mais te empolga são os créditos finais, ao som de "Heroes", de David Bowie, e com créditos pop que me lembraram de imediato os créditos do cult "Enter the void", do Gaspar Noé? Aliás, essa mesma música "Heroes" embala um momento de superação no filme "Vantagens de ser invisível", também sobre personagens em busca da razão de sua existência no planeta terra. Achei um bom filme. É lento, muito lento. O roteiro talvez não tenha me surpreendido tanto. Confesso que desde "O céu de Suely", fico esperando um filme de Karin que atinja a força desse filme. Talvez eu deva mudar o meu pensamento sobre os novos rumos desse cineasta cearense que se aventura cada vez mais na narrativa do cinema europeu. "Viajo porquê preciso, volto porquê te amo" e "Abismo prateado", além desse "Praia do futuro", afundaram Karin no mais profundo existencialismo digno de Antonioni. Poucos diálogos , valorizando o conflito interno dos personagens diante de um mundo grande, muito grande, que os engole. Donato (Wagner Moura) é um salva-vidas da Praia do Futuro, em Fortaleza, que não consegue socorrer um turista alemão, que morre afogado. Ele acaba se envolvendo com o amigo alemão do turista, Konrad, e entre eles rola uma relação de amor, provavelmente aproximada pela dôr e pela incerteza da vida. Donato vai embora para Berlin com Konrad, abandonando sua família, entre eles seu irmão menor, Ayrton, que tem Donato como um herói. Os anos de passam, Donato fica em conflito entre dois mundos no qual ele não se encaixa, até que seu irmão, já crescido (Jesuita Barbosa) aparece do nada e exige explicação pelo seu sumiço. Karin, como sempre, tem um olhar muito belo e estilizado do mundo, e ele sabe, como poucos cineastas brasileiros, transformar isso em imagens poéticas e arrebatadoras. A fotografia de Ali Olay Gözkaya reforça o contraste entre o sol e o chumbo dos dois países. A trilha sonora de Volker Bertelmann também é muito inspirada, trazendo a melancolia necessária para a trama. Mas é um filme frio. E sem tesão. Me impressiona a polêmica que foi criada com o filme. As cenas de sexo são castas, se comparadas com a de "Tatuagem". Como sempre digo, o público foi ficando cada vez mais careta. Filmes dos anos 70 e 80 eram muito mais provocadores. Nota: 7

Minha nova vida

"How I live now", de Kevin Macdonald (2013) Baseado no livro de mesmo nome, da autora Meg Rosoff, esse filme que começa como romance juvenil inesperadamente ganha outras cores no meio da projeção em diante. Para quem viu a obra-prima russa "Vá e veja", de Elin Klimov, vai encontrar similaridades na história de uma jovem que de repente, se vê no meio de uma guerra insana, e luta pela sobrevivência dela e das pessoas que ela ama. Daisy (Saoirse Ronan) é uma adolescente americana, órfã de mãe, que morreu quando ela era pequena. Daisy acredita ser amaldiçoada e trazer consigo uma maldição que traz azar e infortúnios para todos que a rodeiam. Seu pai a envia até a casa de parentes ingleses. Mau-humorada, Daisy faz de tudo para nao se envolver com os primos, mas a paixão com o primo mais velho, Eddie, é inevitável. Mas a guerra explode, e todos se separam, e Daisy precisa lutar pela sua vida e espera reencontrar Eddie. Dirigido pelo mesmo cineasta inglês de "O último rei da Escócia", dá para perceber que Kevin Macdonald adora um conflito civil que gera drama pesado para os seus personagens. Mortes, dôr, tristeza, sofrimento. Assim é a via crucis de seus personagens. Saoirse Rosnan impressiona com sua beleza madura. Está cada vez mais bela e como atriz, seu talento é brilhante. O jovem Tom Holland, que esteve em "O impossível", também tem um personagem difícil, mas isso ele tirou de letra no filme com as cenas ao lado de Naomi Watts. Bem-produzido, denso, triste. É um filme que me surpreendeu. Vale uma conferida para os que amam um romance dividido pela guerra. Belíssima fotografia. Nota: 7

sábado, 7 de junho de 2014

Um bairro distante

'Quartier lointain", de Sam Garbarski (2010) Garbarski é diretor do extraordinário "Irina Palm", filme primoroso com uma atuação antológica de Marianne Faithfull. Em "Um bairro distante", ele trouxe para as telas a adaptação do mangá japonês "A distant neighborhood", de Jiro Taniguchi. Logo no inicio, percebi que o filme é uma espécie de "Peggy Sue", filme de Coppola com Kathleen Turner, versão francesa. Thomas é um homem no alto de seus 50 anos, oprimido por um casamento sem amor. Sua espoa não leh dá atenção, idem suas duas filhas. Quadrinista outrora famoso, mas atualmente sem inspiração, ele é convidado para um evento de livros em uma região da França. Na volta, ele dorme e pega o trem que lhe levará até a sua cidade de infância. Ele resolve saltar e visitar o túmulo de sua mãe. De repente, ele passa mal e quando acorda, descobre que está com o corpo de Thomas de 14 anos, e de volta aos anos 60, mas com a mentalidade do Thomas de 50 anos. Ele agora tem a chance de reverter o infortúnio de sua família: seu pai abandonou a família no dia do aniversário dele, e nunca mais voltou, fazendo com que sua mãe perdesse a razão de viver. Esse filme é lindo demais, amo filmes nostálgicos. Que fotografia, que trilha sonora soberba, que figurinos. O filme me remete a "O pequeno Nicolau", por conta daquele saboroso clima de filme antigo, com personagens amáveis, tristes melancólicos, que nos fazem pensar sobre vida e morte, felicidade e depressão. Vibrei o filme todo, fiquei triste, e que beleza a cena final na estação de trem. Elenco maravilhoso, chorei muito muito. Para as pessoas de coração mole e que acreditam que sim, podemos mudar nossas vidas. Altamente recomendado. Nota: 9

A pequena cidade

"Kasaba", de Nuri Bilge Ceylan (1997) Uma espécie de "Amarcord" do premiado cineasta turco Nuri Bilge Ceylan, que em 2004 ganhou a Palma de Ouro de melhor filme por "Winter sleep", um filme de mais de 3 horas de duração. Os filmes de Ceylan possuem sempre a mesma estética: planos quase integralmente fixos, de longa duração, retratando a vida cotidiana de pessoas comuns. A rotina que gera o tédio, a vida desregrada, sem futuro. O excesso de diálogos e também a ausência deles. Assim são os seus filmes: ""Os três macacos", "Era uma vez em Anatólia", "Climas". Vendo agora o seu primeiro longa "Kasaba", que significa "Cidade pequena", é fácil perceber que essa linguagem nasceu com a sua chegada ao cinema. Fotógrafo de inicio, Ceylan tem um olhar contemplativo em tudo o que cerca os personagens e a ação central da história. Ele filma a natureza, a paisagem, como complementos da vida daqueles que ali circundam. Em uma cidade pequena no interior da Turquia, acompanhamos a história de uma família. O filme é dividido em partes, narradas pela mudança das estações do ano. No inverno, estamos em uma sala de aula onde uma menina se constrange diante da turma porquê seu professor diz que a mãe dela não cuida bem da estudante ( a refeição dela está estragado). Na primavera, essa mesma menina vai com seu irmão de 4 anos para o campo. Lá, ele tem contato com os animais, maltratando-os ( ele maltrata um burro, uma tartaruga e formigas). No verão, a família dela toda se reúne, e o avô e o pai contam histórias para todos. O filme tem uma narrativa onírica, em belíssimo preto e branco captado pelo mesmo Ceylan, que também escreveu e dirigiu. Ele convidou amigos e familiares para darem vida aos personagens, daí o naturalismo das interpretações. Algumas passagens são realmente poéticas e estonteantemente lindas. Mas no meio do filme, na reunião familiar, o filme fica bem chato. Os diálogos são excessivos e pouco interessantes. O que vale é a forma como Ceylan filma essa cena, através de closes e planos fixos. Impressiona o olhar cruel das crianças observado o mundo que os rodeia. O pequenino então, é um capeta. Para cinéfilos fortes. Nota: 7

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Singapore Sling: o homem que amou um cadáver

"Singapore Sling: O anthropos pou agapise ena ptoma", de Nikos Nikolaidis (1990) Sou um grande fã do Cinema grego, pois eles metem a cara na perversão. Não é uma cinematografia para qualquer um. Seus filmes mais famosos têm como tema o incesto, homossexualismo, sadomasoquismo, fetiches, extrema violência e a repulsa pela vida humana. "Miss violence", "Dentes caninos", "Alpes", são alguns exemplos de filmes onde através desses elementos, os diretores e os roteiristas fazem a sua metáfora sobre a situação exasperante pelo qual a Grécia está passando. Nesse cult de 1990, "Singapore sling", além desses elementos temos também o canibalismo e o culto pela morte. O filme é um desses projetos que a gente não entende o porquê e como foi realizado. É um esforço em conjunto de atores, diretor e roteirista, de querer colocar em uma narrativa experimental todos os podres do mundo. A isso, eles fizeram uma homenagem ao cinema noir americano: o filme é todo em preto e branco, e narrado em off pelo protagonista, em um tom que parece daqueles filmes policiais clássicos de John Houston dos anos 40. A homenagem que o filme faz ao cinema americano vem de seu título, provavelmente da obra-prima de Otto Preminger, "Laura". A história não poderia ser mais bizarra: Em uma mansão, 2 mulheres, mãe e filha, contratam serviçais para depois fazerem deles meros joguetes de fetiches sexuais para satisfazê-las. Depois, ela os mata, devoram e enterram. A filha, quando criança, foi introduzida nesse mundo macabro pelo seu pai, que tirou a sua virgindade. Após sua morte, sua mãe e ela resolveram dar continuidade às atrocidades de seu pai. Um detetive aparece do nada, querendo descobrir o paradeiro de sua amada, Laura, que foi trabalhar na mansão como secretária e desapareceu. O detetive, logo após apelidado por elas de Singapore Sling ( por causa do drink, cuja receita estava em seu bolso), é feito prisioneiro. Ele acaba sendo submetido aos caprichos sexuais das mulheres, que se amam e transam entre si. Em uma cena muito louca, a mãe transa com o homem acorrentado com tiras de couro e sendo eletrocutado. No fim, ela mija em sua cara. Nem preciso dizer que esse filme somente deve ser assistido por cinéfilos que buscam uma linguagem autoral e provocadora. Belamente dirigido, fotografado e com uma trilha melancólica que remete ao romantismo clássico. O clima todo de sordidez até lembra outro clássico, "O que aconteceu com Baby Jane", só que aqui, o buraco é mais embaixo. Palmas para o elenco que embarcou na proposta do diretor, fazendo pra valer as cenas e acreditando em seus personagens. É um filme hermético, mas em constante clima de fantasia em narrativa não linear. Será tudo um pesadelo? Nota: 8

A face do mal

"Haunt", de Mac Carter (2013) Filme de estréia do Diretor Mac Carter, tem como tema uma família que se muda para uma casa mal-assombrada, cuja família anterior morreu lá dentro. Mas pera lá? Quantas vezes você já viu filmes com esse mesmo tema? Desde "Amytiville", dos anos 70, já devo ter visto uns 50 filmes assim, e todos terminam do mesmo jeito. O último foi "Invocação do mal", que fez puta sucesso, e os distribuidores deram até uma roubadinha do título do filme aqui. Eu sempre me pergunto porquê uma família se mudaria para uma casa, sabendo que ali foram assassinadas pessoas. Nunca entendi, realmente. Os pais sempre dão um jeito de justificar, ou é pelo preço, ou é pela oportunidade. O que não entendo, também é porquê a atriz Jackie Weaver, depois de ser nominada a um Oscar, e de ter trabalhado com vários figurões, foi parar aqui nesse filme, e pior, fazendo uma caricatura pavorosa. As cenas de tensão sempre são em cima de silêncios e aquele susto repentino, que vem de um vulto que surge do nada ou aquele barulho estridente. enfim, acho que nem como passatempo o filme vale, porquê é tudo tão batido, que a vontade é de ir logo pro final pra ver se mudam alguma coisa. Nota: 3

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Não aceitamos devoluções

"No se Aceptan Devoluciones", de Eugenio Derbez (2013) O maior sucesso de bilheteria nos Estados Unidos de um filme em língua espanhola, e também a terceira maior bilheteria do ano no México, ficando atrás apenas de "Meu malvado favprito 2" e "Homem de ferro 3", essa comédia dramática deve tudo a Eugenio Derbez: Diretor, protagonista e roteirista. Eugeneio é uma das maiores estrelas da televisão no México, e aqui, em seu filme de estréia como Diretor, ele não esconde a sua origem. O filme tem todas as características de um novelão mexicano. Mas isso não é um desmérito. A grande surpresa desse filme é a sua brusca mudança de gênero: começa como comédia e logo ali, vai se transformando em um drama lacrimogênio, pegando o espectador desprevenido. O filme narra a história de Valentin,um bon vivant e sedutor que dá em cima das turistas em Acapulco. Quando criança, Valentin foi obrigado pelo sue pai a enfrentar seus medos, e por conta disso, resolveu se afastar de seu pai. Transando com todas as mulheres que surgem na sua frente, um dia, Valentin tem uma surpresa: uma de suas amantes lhe deixa um bebê, e vai embora. Sem saber o que fazer, Valentin resolve seguir até Los Angeles em busca da mulher. Chegando lá, não encontra e por um golpe do destino, para salvar sua filha, ele pula de um prédio e acaba sendo contratado como dublê de ação. Passam-se 6 anos, Valentin mudou e não desgruda de sua filha, completamente apaixonado. Mas a mãe de Maggie retorna, e quer a guarda da menina, para desespero do pai. Com ótimas atuações de Eugenio Derbez e Loreto Peralta (Maggie), o filme conquista pelo trabalho e carisma desses 2 atores. Os outros atores, no entanto, infelizmente foram levados para o tom da caricatura. A fotografia é bonita, e a trilha sonora acompanha nos acordes momentos de humor e de melancolia. A curiosidade fica por conta de ver um set de filmagem sendo representado no filme, mais até, cenas com dublês de ação, o que até é divertido. O personagem Valentin é o dublê oficial de Jonnhy Depp ( um clone dele), em um pastiche de "Piratas do Caribe", chamado "Azteca warrior", que aliás, virou filme protagonizado por ..Eugenio Derbez! Uma mistura de "3 solteirões e um bebê" e " Kramer versus Kramer" garante um passatempo honesto e correto. E mostra também que o cinema mexicano também vive de cinema comercial, e não apenas de barras-pesadas de Inarritu, Carlos Reygadas, Michel Franco e Amat escalante, excelentes diretores que mostram o mundo cão mexicano em seus filmes. Nota: 7

Um milhão de maneiras de pegar na pistola

"A Million Ways to Die in the West", de Seth Macfarlane (2014) Todo mundo ri de Macfarlane. Na apresentação do Oscar, todos amaram. No desenho "Family guy", ele destrói tudo, e o politicamente correto não existe. "Ted" foi aquele mega-sucesso, desmistificando os ursos de pelúcia como brinquedos de menininhas. Depois disso tudo, esperava-se que esse seu faroeste, onde ele, egocentricamente, acumulou as funções de Diretor, Protagonista, escreveu e produziu, fosse um petardo. Eu ri muito, mas muito mesmo. Mas durante as quase 2 horas de filme, devo ter gargalhado umas 15 vezes. É um bom numero. Mas ainda assim, achei o filme sem ritmo. O que é uma tragédia para uma comédia. Sou daqueles que acredita que uma boa comédia não pode passar de 90 minutos, correndo o risco de ficar cansativo e repetitivo. Eu até quiz ter gostado mais desse filme. Afinal, tem um mega elenco: Amanda Seyfried, Charlize Theron, Giovani Ribisi, Lian Neeson...tem uma fotografia bacana, locações que homenageiam os velhos faroestes de John Wayne...e claro, não podia faltar as eternas citações cinematográficas. Tem pra todo mundo: "Django", "De volta pro futuro" e até "Game of Thrones", no sobrenome Stark do protagonista, e numa cena hilária de conversa com uma tribo indígena, naquela mesma língua da Daenerys Targaryen. Giovani Ribisi repete aquela sua dancinha sensacional de "Ted", e ele está fantástico. Pra quem quiser apenas rir, já tá valendo. Mesmo que se canse um pouquinho lá pelo meio. Nota: 7

25 Watts

"25 watts", de Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll (2001) Excelente comédia dirigida e escrita pelso memso realizadores de "Whisky", um dos grandes filmes uruguaios. "25 watts" não fica atrás. Com inspiração nos filmes de Jim Jarmusch, principalmente "Daumbailó" e "Strangers than paradise", o filme busca na narrativa de planos fixos o tédio de se viver numa cidade onde nada ou pouco acontece. Os 3 personagens, jovens desempregados e sem estudo, passam um dia fazendo absolutamente nada que interesse. O título do filme se deve a uma brincadeira de um dos amigos, que diz que o nível de inteligência dele se equivale a uma lâmpada de 25 watts. Gags incríveis, um humor ácido e ferino, e principalmente um excelente elenco de jovens que atuam de forma naturalista. Entre eles, o futuro pop star Daniel Hendler, ator0fetiche dos filmes de Daniel Burman. Em bela fotografia em preto de Barbara Alvarez, fotógrafa que depois trabalhou com Lucrecia Martel e o brasileiro José Eduardo Belomnte, o filme é um ode a juventude, mesmo que marginalizada, mas nem por isso, menos feliz. As pessoas são felizes com pouco. Uma geração esquecida, sem futuro, sem ambição. Mas pelo menos, divertem aos espectadores. Excelente trilha sonora, recheada de músicas bregas. Nota: 9

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Terapia do sexo

"Thanks for sharing", de Stuart Blumberg(2012) Estréia na direção do roteirista de "Minhas mães e meu pai". O filme narra a história de 3 homens que frequentam um grupo de tratamento para viciados em sexo. Adam (Mark Ruffalo) é um empresário que transa com putas, se masturba em internet. Ele está a 5 anos "Sóbrio", até que um dia conhece Phoebe (Gwyneth Paltrow), uma vegan toda metida. Mike (Tim Robbins) é ex-alcóolatra e tenta reatar relações com seu filho viciado, que fugiu de casa e tenta retornar aos poucos. Neil (Josh Gad) é um enfermeiro que foi demitido de seu trabalho por gravar as partes íntimas de sua chefe. Ele acaba fazendo amizade com outra viciada em sexo, Dede ( a cantora Pink). Como se vê, o filme é um drama recheado de muitas hist;orias, todas elas drmáticas com pitadas de humor para amenizar a barra pesada desse v;icio em sexo, que é algo realmente assustador e que pode levar às pessoas à loucura e ao descontrole emocional. Por juntar um elenco estelar, fica difícil lidar com o tema de uma forma mais contundente, então fica tudo superficial mesmo. Depois de ter acertado com o roteiro de "Minhas mães e meu pai", o diretor Stuart Blumberg escorrega aqui em um mar de clichês sobre relacionamentos. É uma pena, porquê o tema prometia. Recentemente tivemos o filme de Joseph Gordon Levitt , "Como não perder essa mulher", também sobre um sex addict. e "Shame", de Steve Macqueen, o melhor de todos os filmes sobre o tema, justamente por ir a fundo. A grande surpresa acaba vindo pela atuação da cantora Pink, que manda bem e dá conta do recado. Fiquei com a impressão que o filme quis contar várias histórias, e poderia ter subtraído algumas e ter dado mais ênfase em outras. Nota: 6

Depois da escola

"Afterschool", de Antonio Campos (2008) O Cineasta brasileiro Antonio Campos, radicado nos Estados Unidos, é filho do jornalista Lucas Mendes. Em eu currículo, ele tem curtas premiados. Mas foi com esse "Depois da escola"que seu nome ficou mais conhecido na roda de cinema de arte. O filme foi exibido em Cannes na mostra "Un certain Regard". Logo depois, ele filmaria outro longa, "Simon Killer". Assistindo aos 2 filmes, vê-se que Campos tem 2 temas em comum: a fissura pela morte e o tédio massacrando a vida as pessoas. Aliás, o personagem de Rob, o adolescente de "Depois da escola"., poderia ser um r=prenúncio de Simon, quem sabe até sejam o mesmo personagem. Anti-sociais, tímidos, frios, porém observadores e muito inteligentes. Características fundamentais para a formação de assassinos em potencial. Rob é um adolescente que estuda e mora em uma academia. Ele tem como colega de quarto Dave, que trafica drogas para os colegas da escola. Rob é viciado em conteúdos de internet: pornografia e extrema violência. Obcecado pelo tema da morte, ele entra em um grupo de audio e video, com a finalidade de elaborar um vídeo de tema livre. Um dia, Rob testemunha a morte de 2 irmãs, alunas do colégio, envenenadas por cocaína misturada com veneno de rato. Rob grava a cena, mas não chama por ajuda. Pelo contrário, se senta e acolhe uma das irmãs no colo. Na escola, essas mortes provocarão mudança no comportamento de todos, professores e alunos. Mas Rob quer continuar seu vídeo. Fico tentando imaginar porquê o cineasta quiz contar essa história tão tênue e tão sem ação dramática em 107 minutos. É um dos filmes mais tediosos que assisti. Poderia ter sido um curta-metragem de 20 minutos. O que se vê é uma sucessão de cenas desinteressantes, muito aquém de Gus Van Sant e seu 'Elephant", como o filme foi comparado. A destacar apenas a atuação do elenco jovem, corretos. Nota: 5

terça-feira, 3 de junho de 2014

Tempestade na estrada

"Cloudburst", de Thom Fitzgerald (2011) Simpática comédia dramática protagonizada pela grega Olympia Dukakis e a inglesa Brenda Fricker ( de "Meu pé esquerdo"). Ambas, duas grandes damas do Cinema, dão vida a um casal de lésbicas que moram juntas a mais de 30 anos. Stella (Dukakis) e Dothy( Fricker) são felizes à sua maneira: Dothy é cega e extremamente doce, Stella é turrona e fala palavrão o dia todo. Um dia, a neta de Dothy resolve colocar Dothy num asilo. Stella vai d enoite no asilo e sai com Dothy. Ambas resolvem pegar um carro e seguir do Maine até o Canadá para se casarem, uma vez que o casamento gay é aceito lá. Dadas como fugitivas, no caminho elas dão carona para um garotão, Prentice, um jovem de bom coração que quer ver sua mãe que está prestes a morrer. No caminho, todos descobrirão novas aventuras que os fará crescer como seres humanos. Uma espécie de "Thelma e Louise" da terceira idade, o filme tem como temas centrais a velhice e a união gay. Usando humor na narrativa, às vezes até de forma pastelão ( o marido da neta, por ex), o filme tenta resgatar o espectador comum para embarcar nessa história melodramática, evitando ser tachado de filme para público gay. Baseado na peça teatral do cineasta, ele mesmo resolveu levar o filme para a tela grande, de forma independente. Ele também dirigiu o filme "Unidos pelo sangue", 3 histórias sobre portadores de HIV. O filme tem um tom ingênuo, mas vale pelo elenco que está ótimo, e pela doçura com que o cineasta trata das protagonistas, unidas pelo amor e pelo preconceito que ambas sofrem. Nota: 7

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Na carne e na alma

" Na carne e na alma", de Alberto Salvá (2011) Último longa do cineasta Salvá, que o filmou em 2008, mas somente encontrou circuito exibidor em Festivais em 2012, posteriormente sendo exibido no Canal Brasil. Salvá faleceu em 2011. Adaptação do livro de Andre Abi Ramia, chamado "Deusa cadela", é um retorno do cinema nacional ao gênero erótico malicioso e cheio de picardia, típico de produções dos anos 80, como "Rio Babilônia"e "Os bons tempos voltara, vamos gozar outra vez". Despudorados, cheios de sacanagem e sem censura. Salvá quis fazer um filme onde não houvesse caretice, e o resultado é um divertido e delicioso registro de uma história de amor carioca. Rodrigo é um jovem estudante de engenharia. Mora em Niterói, mas estuda na Zona Sul carioca. Ele é o típico pegador, até que um dia ele conhece Mariana. Aos poucos ele descobre que ela é tão ou mais louca e sem limites do que ele. Rodrigo vai ficando cada vez mais dominado pela presença dela, e não consegue mais se separar dessa relação masoquista. Ele pede que ela mije, cague, faça sexo anal, todos os fetiches são permitidos. Mas Mariana não quer ser dominada por ele. Tecnicamente o filme é péssimo, mas dentro da proposta suja e feia do filme, vale até como linguagem. O som é horrível, a fotografia também. Os atores não são nenhum padrão de beleza, mas encaram com muita entrega e verdade os personagens tão toscos e cheios de putaria saindo de suas bpcas. Tudo tem cara de improvisado, desde locações até a mise en scene. Eis o seu charme. Fosse um filme todo certinho, com certeza seria chato. Mas Salvá se permitiu a fazer um filme imoral e amoral. Fez. Talvez, o sue melhor filme. Menção honrosa aos atores Karan Machado e Raquel Maia. Nota: 7

Uma noite

"Una noche", de Lucy Mulloy (2012) Premiado filme cubano, que ficou famoso por ter dado a chance ao casal principal de atores cubanos do filme fugir de verdade quando estiveram numa premiação em Tribeca, Nova York. Javier Nuñez Florian e Anailin de la Rua de la Torre foram convidados pelo Fest Do Rioival e assim como seus personagens no filme, fugiram. O mundo cão existe, e é em Cuba. Lucy Mulloy escreveu e dirigiu esse filme que mostra absolutamente todas as mazelas em Havana, e deixando claro que é impossível e insuportável morar ali. 2 amigos, Raul e Elio, resolvem fugir para Miami, enfrentando 90 milhas de mar aberto. Eles roubam objetos que serão importantes para montar um bote improvisado. Durante a fuga, Lila, a irmã de Elio, acaba entrando no bote acidentalmente. Eles precisam agora sobreviver a uma noite de travessia. O filme é inspirado em história real, como milhares de outras histórias de cubanos que enfrentam tubarões, frio, fome e desespero ao tentarem aravessar o oceano. O filme é muito bem dirigido, os atores são todos excelentes. É um filme ousado: mostra sexo sem pudor algum, através de figuras marginais, como putas com Aids, travestis, michês, todos em busca de dinheiro. Marginais, vendedores de mercado negro, policiais corruptos, prédios caindo aos pedaços, carros que não funcionam, turistas em busca de sexo. Assim é Havana. Uma cidade suja, que parou no tempo, segundo o filme, e onde todos são infelizes. O filme tem várias cenas cruas e bizarras, entre elas, o de um garoto se masturbando com um peixe. Nota: 8

domingo, 1 de junho de 2014

No limite do amanhã

"The edge of tomorrow", de Doug Liman (2014) Ficção científica que deve muito ao roteiro do clássico "Feitiço do tempo", comédia com Bill Murray. Tom Cuise é o Sargento Cage, que segue até Londres para se encontrar com altas patentes militares, na luta contra alienígenas que invadiram a terra. Para sua surpresa, Cage é incumbido de participar de uma missão suicida, contra a sua vontade, pois nunca lutou em serviço. Logo no início da batalha, Cage morre. Inesperadamente, ele acorda e se v6e num espiral do tempo, que repete sempre o acontecimento desde o momento que ele morre. Assim, Cage vai adquirindo habilidades que até então desconheça, para combater os aliens, tendo como aliada a soldado Rita (Emily Blunt). Ótimo passatempo, com um roteiro que funciona plenamente, mantendo a atenção do espectador e trazendo sempre surpresas. O melhor do filme é o seu elenco, majoritariamente inglês, encabeçado por uma Emily Blunt estreando em filmes de porradaria e ação fazendo um papel tipo Ripley de "Alien". Ela já havia feito uma ficção científica com Matt Damon, "Os agentes do destino", mas é aqui que ela entra adrenanilada. O filme consegue fazer uso ainda de um ótimo humor. Tom Cruise está divertido, e os efeitos são ótimos. Doug Liman é um ótimo diretor de pipocão, tendo realizado entre outros "Sr e Sra Smith", "Identidade Bourne"e "Jumper". Nota: 7

Matrimônio à italiana

"Matrimonio all'italiana", de Vittorio de Sica (1964) Clássico de 1964, baseado na obra do dramaturgo Eduardo di Filippo, "Filomena Marturano". Grandes estrelas da época, Sophia Loren e Marcello Mastroiani encarnam Filomena e Dom Domenico. Ela, uma prostituta, Ele, um comerciante rico. Durante 22 anos, começando na Itália ocupada pelos alemães até os anos 60, os dois mantêm uma relação como amantes. Mas o grande erro de Filomena é querer amar demais. Irritada com as amantes constantes de Domenico, Filomena forja uma doença, fazendo assim com que Domenico se case com ela. Descoberta a farsa, ele pede divórcio, mas Filomena segreda para ele que ela tem 3 filhos, e que um é filho dele. Domenico , aturdido, tenta descobrir qual deles é seu filho. Deliciosa comédia romântica, com pitada de erotismo ingênuo da época. Sophia Loren em lingeries transparentes deve ter causado um imenso furor na época do lançamento do filme, afinal ela era a grande sex symbol made in Italy. Os dois protagonistas estão ótimos em seus papéis, naquela linha neo-realista e romantizada de ser dos italianos. Muita gritaria, típica da representação popular, e locações inebriantes compõe essa fábula sobre amor e paternidade. O filme tem diálogos ácidos e primorosos, como : "Quem não tem coração, não sofre de infarto". A linda trilha sonora de Armando Trovajoli ajuda a dar um clima gostoso e nostálgico. Loren e Mastroiani são atores fetiches de de Sica, tendo rodado com ele outros filmes primorosos, como "Ontem, hoje e amanhã" e "Os girassóis da Rússia" . Loren teve seu primeiro encontro com de Sica em "Duas mulheres", pelo qual levou o Oscar de melhor atriz. "Matrimônio à italiana "foi indicado ao Oscar de filme estrangeiro e Oscar de melhor atriz, não tendo levado os prêmios. Nota: 8