quarta-feira, 30 de abril de 2014

Aflito

"Afflicted", de Derek Lee e Clif Prowse (2013) Os cineastas canadenses Derek Lee e Clif Prowse são amigos de longa data. Juntos, produziram, escreveram e dirigiram vários curtas, tendo os 2 como protagonistas. Os 2 viraram gente grande e resolveram investir em um longa metragem que tivesse como base o "found footage" film, estilo "A bruxa de Blair". Com baixo orçamento mas com muita determinação, eles produziram, escreveram, dirigiram e de novo, protagonizaram esse longa. E é aí que mora o problema do filme. Tanto egocentrismo os impediu de enxergar que ambos não são bons atores, o que prejudica bastante o resultado final. Tivessem convidado atores profissionais, teriam se dado muito melhor. Brincando com a linguagem documental e com essa onda dos "selfies", ambos interpretam a eles mesmos. Os dois são cineastas e resolvem passar meses viajando mundo afora, fazendo documentário e narrando a viagem através de vídeos postados diariamente no blog deles. A gente vem a descobrir que Derek tem um aneurisma cerebral e que pode morrer a qualquer hora na viagem, mas ele quer ir assim mesmo. Após passarem por Barcelona, eles param em Paris. Lá, Derek conhece Audrey, uma mulher misteriosa que ele conhece numa balada. Passam a noite juntos, e Cliff o descobre desacordado na cama e ensanguentado. Aos poucos, na viagem até a Itália, Cliff descobre que Derek possui poderes de super herói. Passada a euforia, descobrem que esses poderes irão levar Derek para um outro Universo, mais macabro e aterrorizador. Com uma semelhança enorme com o filme "Poder sem limites", o filme tem um roteiro muito frágil que faz com que o espectador ria ao invés de sentir medo. Para os cineastas, deve ter sido um barato fazer esse filme, que até surpreende tecnicamente, tendo em vista o baixo orçamento. A câmera na mão é boa, os efeitos são bacanas, edição e tudo o mais. Mas o roteiro e performance são os grandes problemas. De qualquer forma, temos belas locações no filme, filmadas em Barcelona, Paris e Itália. O desfecho é uma bobagem só. Me irrita essa linguagem do "found footage" quando usada assim aleatoriamente. Sempre fico me perguntando porque o personagem continua gravando se ele está numa situação de risco e sem saída. Fetiche? Nota: 6

domingo, 27 de abril de 2014

Jornada rumo ao Oeste

"Journey to the west/Xi You", de Tsai Ming-Liang (2014) Esse média metragem do cineasta autoral chinês Tsai Min Liang faz parte de uma trilogia sobre o tempo, a beleza e a dinâmica da vida. Essa trilogia é composta dos curtas "Walker"e "Walking on water", além desse média com menos de 1 hora de duração. Tsai Min Liang é um cineasta muito celebrado pela comunidade cinematográfica do mundo inteiro, tendo filmado filmes premiados como "O rio, "O buraco", "O sabor da melancia", "Não quero dormir sozinho. Todos os filmes protagonizado pelo seu ator fetiche, Lee Kang-sheng. Aqui, Lee Kang Sheng interpreta um monge, que vaga pelas ruas de Paris, numa velocidade impensável nos dias de hoje. Sem qualquer tipo de preocupação, ele caminha lentamente pela metrópole, contrastando com carros, pessoas e situações típicas de uma grande cidade. O filme não tem diálogos, poderia até resumir o filme como um projeto experimental, uma sinfonia de um mundo que agoniza e que grita por socorro, que bem na figura desse monge estranhíssimo. Com uma preparação corporal impressionante, Lee Kang Sheng encontra paralelo nesse monstro francês chamado Denis Lavant, fetiche dos filmes de Leox Carax. Ambos se cruzam em determinado momento, e Denis copia a forma de andar do monge, como uma sombra. É um filme difícil de acompanhar pelo seu ritmo extremamente lento e pela falta de dramaturgia. Vale pelas belas imagens e talvez para alguns, viajar numa viagem de ácido. Nota: 6

Lado a lado

"Side by side", de Christopher Kenneally (2012) Um documentário obrigatório a todos os Profissionais de Cinema, desde Cineastas, Fotógrafos, Editores, Coloristas, finalizadores, editores, efeitistas visuais, distribuidores, produtores até mesmo atores. Para os Cinéfilos, fica a curiosidade de acompanhar em tom didático, mas sempre apaixonante, a trajetória do Cinema conhecido como filme/película e o advento do Cinema digital. O documentário, produzido por Keanu Reeves e tendo ele como apresentador, fala da comemoração dos 100 anos da película. E desde a aparição do filme de Thomas Vintemberg em 1995, "Festa em família", durante o Movimento Dogma 95, que se teve o registro do primeiro filme feito inteiramente em formato digital. O Documentário, preciso e sempre informativo, fala sobre a diferença entre película e o digital, os que defendem o celulóide e os que o consideram morto. As questões que implicam barateamento do orçamento por conta do formato digital, e sua posterior democratização, uma vez que as câmeras digitais são mais baratas e muitas vezes, utilizando equipes menores. Como falei acima, o movimento do Dogma 95 foi importante para disseminar o formato digital. E isso veio por um acaso: um dos itens do movimento era que o filme não podia usar equipamentos especiais, tipo grua, tripé nem nada. Usar as câmeras tradicionais de cinema seria algo impensável, pelo seu peso e pelas condições de tamanho de equipe. O rolo de cinema também exigia que a cada dez minutos, se trocasse o chassi. Para os produtores, cineastas e atores até então, essa imposição dos 10 minutos causava u temor muito grande, pois todos tinham que estar bastante atentos a essa duração. Assim, o fotógrafo Anthony Dod Mantle, que posteriormente veio a fotografar todos os filmes de Danny Boyle, foi capaz de criar movimentos de câmera na mão até então impensáveis, dando, como ele mesmo diz "liberdade para criar". Em um depoimento, David Lynch diz que depois de descobrir o digital, ele não voltará mais ao filme, pois ele pode filmar sem se preocupar com tempo, pode falar com atores durante o plano. Alguns fotógrafos em depoimentos lamentam a perda do celulóide, pois tinham mais controle sobre a côr do filme. Hoje, com os coloristas, fica uma discussão e crise pela autoria do visual do filme, e a perda da autoridade máxima do fotógrafo. O filme faz um histórico sobre o surgimento das primeiras Camcorders nos anos 90, e logo em 2002, George Lucas , junto da Sony, criou a câmera F900, com o qual ele filmou "Star wars, Ataque dos clones". Essa foi a primeira câmera em alta definição, e provocou furor e rebuliço em Hollywood. Muitos cineastas protestaram contra Lucas, acusando-o de acabar com o Cinema. No ano de 2000, Sundance recebeu a inscrição de 225 filmes. Três anos depois, esse número subiu 10 vezes. O que se falava na época, era que a qualidade de imagem dos filmes digitais eram ruins, e o público não aceitaria isso. Muitos cineastas dizem que por conta do digital, as performances melhoraram ( pois podiam arriscar mais vezes) , podiam apostar mais em enquadramentos , nos ensaios, sem se preocuparem com a duração, etc. Keanu Reeves dá um depoimento hilário sobre o susto que os atores tiveram com o surgimento do digital. Em 2002, quando filmava "O homem duplo", de Richard Linklater, já com digital, ele percebeu que o Diretor não dava descanso, filmava sem parar entre um take e outro. ( não se parava mais pra trocar chassi, nem checar gate, nem nada). Keanu Reeves disse :"Você não vai parar? Se não parar, eu preciso parar!" Danny Boyle fala também da facilidade da digital, pois com ela ficou mais fácil e mais barato filmar. Ele dá como exemplo 'Exterminio", onde ele usou 10 digitais, para filmar uma cena do personagem andando pelas ruas desertas de Londres. Fosse em película, ele jamais teria isso em tão pouco tempo de filmagem. O filme fala também sobre as exibições digitais e o barateamento dessa área, evitando o envio de rolos de filmes, e posterior deterioração dos películas depois de várias exibições ( lembram do arranhado na tela grande??) As primeiras câmeras que surgiram também são apresentadas: Genesis, a VIper ( usada para captar noturna de "Colateral"), a Red ( criada pelo dono da Oskley, Jim Jannard, que fundou Red Digital Cinema), a Alexa. Fala também das 5 e 7D da Cannon, que muita gente detona, dizendo que não é Cinema, mas que jovens Cineastas defendem dizendo ser a única forma deles poderem filmar em baixíssimo orçamento. Um produtor diz que essa enorme variedade de filmes realizados não é bom para a Indústria, pois boa parte desses filmes são ruins, apenas realizados para botar em prática sonhos de pessoas inexperientes. O filme termina com 2 tópicos interessantes: Tópico 1, que mesmo com esse aparente fim do celulóide, ainda tem gente que filma em película, pois admira a sua beleza, jamais igualada pelo digital. Tópico 2: o armazenamento. Os hd's somente funcionam por 5 anos, ou é necessário que os arquivos sejam sempre manipulados. Por outro lado, o celulóide resiste por mais de 100 anos. O filme entrevista também editores, coloristas, efeitistas visuais. É bem rico em informações e curiosidades. Como é bom ver gente apaixonada pelo que faz!!!! Scorsese, Lars Von Triers, Irmãos Warchowsky, Christopher Nolan, etc, tanta gente bacana dando depoimentos sinceros e apaixonados. Terminei de ver o filme com um pensamento conclusivo de que Sim, o Cinema é uma fábrica de sonhos, que os amantes de cinema admiram , mesmo que, como diz no filme, os filmes sejam vistos em telas de Iphones ou de computador. Perca-se o romantismo, mas jamais uma boa história contada e apresentada para que possamos sonhar. Nota: 8

sábado, 26 de abril de 2014

Refém da paixão

"Labor day", de Jason Reitman (2014) Nossa, como chorei nesse filme! Jason Reitman, que trouxe as comédias dramáticas "Juno e "Jovens adultos", mudou o tom e realizou esse drama romântico e melancólico sobre uma dona de casa depressiva , Adele (kate Winslet) que mora com seu filho adolescente , Henry. Seu marido a abandonou e agora ele vive trancafiada em casa. Um dia, suas vidas se cruzam com a de Frank (Josh Brolin), um fugitivo, que se esconde na cada de Adele. No início tensa,a relação vai se transformando no encontro de duas almas amarguradas. Jason Reitman vai buscar em seu filme, referências na cinematografia de Terrence Malick, através de belas imagens e fotografia, e até mesmo em "Foi apenas um sonho", de Sam Mendes, com a mesma Kate Winslet em papel dramático de uma mulher fechada pro mundo. A trilha sonora de Rolfe Kent, autor de "Clube da luta", é maravilhosa e emocionante. A fotografia é de Eric Steelberg, que fez todos os filmes de Reitman. O Elenco de apoio é composto de excelentes coadjuvantes, como J K Simmons, James Van Der Beek e até mesmo Tobey Maguire, que interpreta Henry adulto e narra o filme, no mesmo tom nostálgico que ele narrava em "Regras da vida". A nota máxima vai para Kate Winslet, já com um rosto de mulher madura, que interpreta com garra e emoção uma mulher sem vida interna, triste, desiludida. Uma atuação primorosa. Preparem os lenços, porquê o negócio aqui é punk. Nota: 9

sexta-feira, 25 de abril de 2014

A companhia Orheim

"Kompani Orheim", de Arild Andresen (2012) Emocionante drama norueguês, baseado em livro homônimo. Através da história de um pai alcoólatra, o filme faz um passeio pelos anos 80, ao som de The Cure The Smiths, Led Zeppelin e até a sua porção pop, com canções como "Forever young". Terje é um homem casado e com um filho adolescente. Seria mais uma família feliz na cidade se Terje não fosse alcoólatra. Por conta de seu v;icio, ele destrói a vida dele, da esposa e do filho. Ao mesmo tempo, acompanhamos a historia de Jarle, um rapaz sensível que se envolve com um estudante comunista que o faz abrir os olhos para as mazelas da humanidade. Excelentes atuações de todo o elenco, ótima trilha sonora nostálgica e bela fotografia, realçando as belas locações e cores da Noruega. O roteiro nem construído evita os maniqueísmos do bêbado, tratando com tridimensionalidade os personagens e fazendo o espectador entender os dois lados da moeda. Nota: 8

Pelo malo

"Pelo malo", de Mariana Rondón (2013) "Pelo malo", de Mariana Rondón. Pelo malo, ou cabelo ruim. Através da metáfora do cabelo crespo de Junior, 9 anos, a Cineasta e roteirista Mariana Rondón propõe uma investigação na sociedade falida da Venezuela. Na vida real, Governo corrupto, inflação, violência, desemprego. No filme, homossexualismo, jogo de interesses, preconceito racial, bullying, sonhos frustrados e interrompidos. Premiado com o Prêmio Concha de Oro no Festival de San Sebastian 2013, o filme vai ser sempre lembrado como um filme de atores intensos vivendo uma realidade nua e crua. Não existe um único ator desse filme que não esteja dentro da proposta naturalista e realista do projeto. Os atores mirins ( Junior e sua amiga vizinha, extraordinários e que fazem parte de cenas antológicas, como a da foto com a menina vestida de Miss), Samantha Castillo como a mãe autoritária e depressiva, e Nelly Ramos, como a avó , em atuação inesquecivel. O filme narra a história de Marta, mãe vi;uva que 2 filhos, Junior 9 anos e um bebê. Sem emprego e cheia de dívidas, ele sai implorando para seu ex-patrão para ter de volta seu emprego, em troca de favores sexuais. Junior tem o sonho de ser cantor e de ter cabelo liso, e entra em conflito com a sua mãe, que não o entende, e o seu homossexualismo. Direção simples mas sensivel fotografia intensificando o tom cru do filme, e uma trilha sonora melancólica, acrescida da música " Meu limão, meu limoeiro". A cena da vó ensinando o menino a cantar e dançar é uma obra-prima de delicadeza. É um filme altamente recomendado. Triste, forte, soco no estômago. Uma realidade muito próxima dos países latinos, infelizmente, Nota: 9

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Garotos

"Jongens/Boys", de Mischa Kamp (2014) Drama holandês, sobre a descoberta da sexualidade de um adolescente de 15 anos. Sieger é um jovem atleta, que treina com seu amigo Eddy para uma maratona olímpica na cidade. Eles flertam com meninas e curtem a vida numa boa. A chegada de um garoto, Marc, que fará dupla com Sieger, irá abalar a sua estrutura emocional. Marc é gay, e ambos sentem uma atração muito forte. Mas Sieger sabe que nesse meio esportivo o preconceito é muito grande, e há a pressão de seus amigos e seu pai para que ele vença o campeonato. Sensivel, bela trilha sonora, delicada fotografia. Mas infelizmente, cheio de clichês. É difícil um filme que fala sobre a descoberta da sexualidade não ter os mesmos ingredientes: repressão familiar, amigos homofóbicos, algum evento que impede que a pessoa assuma sua sexualidade, garota que fica dando em cima...tem tudo isso e claro, mais a questão estética: muita câmera lenta nos momentos românticos, belas locações. É um filme gostoso de assistir, mas sem novidades e óbvio. Confesso que o que mais gostei, foi desse belo poster. Nota: 6

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Amazon forever: A idade da inocência

" Amazon forever: L'age du inocence", de Jean-Pierre Dutilleux (2004) A tempos eu não ria tanto vendo um filme ruim. Baseado em história real, o filme narra a epopéia de um jovem cineasta francês ( alter-ego do próprio diretor do filme), que vem pro Brasil filmar a cerimônia do Kuarup. Chegando na Amazônia, ele se apaixona de cara pela filha do cacique, além de se envolver na questão do desmatamento da floresta. Motivado a querer salvara Floresta, o jovem cineasta monta uma ONG em Paris, para salvar a floresta. O cineasta Jean-Pierre Dutilleux jé veio ao Brasil filmar em 79 o documentário "Raoni", de onde tirou a inspiração para esse filme aqui, e de onde veio todo o seu engajamento. Indeciso entre qual linguagem utilizar, o filme fica um misto de documentário e ficção. A parte ficcional é um desastre completo. Misturando atores e índios de verdade, fica nítida a diferença cultural. A filha do cacique é uma modelo que em momento algum passa por índia. O jovem ator Aurelien Wilk, no papel do cineasta, é ruim de dar dó. O único apelo dele pro filme é aparecer nú, deve ter feito muito sucesso lá fora. O elenco brasileiro é vergonhoso (José Steimberg, Murilo Elbas, Rodrigo Penna), com certeza em suas piores performances. Apesar de toda a boa intenção com o tema do desmatamento, o filme parece pretexto para mostrar índias nuas e se falar muita sacanagem, afinal, as únicas coisas que as índias falam durante o filme todo é comentar o tamanho do pau de todo mundo. O filme também exagera no pastelão, que em nada combina com o filme. O personagem de Rodrigo Penna só falta levar torta na cara. Um dos momentos mais toscos do filme, é quando o cacique vem pro Rio de Janeiro, atrás do cineasta, pedir ajuda. Ele anda pela praia de Copacabana, Corcovado, Vidigal, Quadra de escola de samba..e claro, no final, todo mundo samba!!! Confesso que ri muito! A trilha sonora é de Stewart Copeland, ex-integrante do "The Police". Esse clássico do trash tem seu lugar no Panteão das grandes comédias involuntárias. O mais curioso é ver tanto colega de cinema com os nomes nos créditos. Morri de rir. Nota: 3

A jaula de ouro

"La jaula de oro", de Diego Quemada-Díez (2013) O termo "Jaula de ouro" é como os mexicanos se ferem aos Estados Unidos, Terra prometida. O termo surgiu na canção mexicana de 1983 de Enrico Franco, e em 1987, foi lançado um filme mexicano baseado na música. O filme fala sobre imigração de mexicanos para os Estados Unidos. Em 2013, o Camera-man Diego Quemada-Díez, que já trabalhou com Inarritu, resolveu se lançar como Diretor de longas com esse filme baseado na música e filme. Porém, ele trouxe o início de sua ação para a Guatemala. Acompanhando a trajetória de jovens Guatemalenses, o filme discute o preconceito e a violência eminente em países de terceiro mundo, onde dominadores subjulgam a população pobre extraindo até o que eles não têm. Sara é uma menina que se faz passar por menino para poder seguir a viagem. Ela segue com seu namorado Juan e o amigo Samuel. No caminho, eles encontram o índio Chauk, apoiado por Sara, mas intimidado por Juan, que não o quer por perto. No caminho até Los Angeles, eles encontram traficantes de escravos, assassinos, ladrões, policiais corruptos, a fome, o frio, a solidão. Porém, a provação maior para Juan será saber passar por cima de seus preconceitos e aceitara diferença racial e o valor da amizade. Em um filme com poucos diálogos mas muita emoção, o cineasta Diego Quemada-Díez comove, expõe as vísceras de um mundo à parte, onde a extrema pobreza não tem mais aonde caminhar. Seres humanos que j;a foram tão abusados na sua vida inteira, que não se importam em morrer pelo caminho. Eles só não podem ficar parados sem pelo menos tentar algo que possa melhorar suas vidas miseráveis. É um filme muito triste, duro, cruel. Foda pensar como tem gente que se aproveita de outros que não têm como lutar. O filme foi exibido em Cannes 2013 e saiu de lá com os prêmios de melhor direção e melhor elenco, na Mostra Um Certo Olhar. Os atores são sensacionais, e que bela fabula sobre amizade! Nota: 8

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Mil vezes boa noite

"A thousand times good night/Tusen ganger god natt", de Erik Poppe (2013) Esse filme tem duas das cenas mais poderosas que vi no cinema. Uma cena é logo no início, e a outra , fecha o filme. São cenas pungentes, impressionantes, fortes, que ficam muito tempo na sua mente. Mesmo quando o filme acaba. E faz a gente pensar: "Pra que tudo isso? "" O filme é um libelo contra a guerra, contra o autoritarismo, contra a estupidez humana. O Cineasta norueguês Erik Poppe, que realizou o sensacional "Águas turvas" em 2008, novamente volta ao tema da família destroçada e do signo da morte, que permeia o destino de pessoas. rebecca ( Juliette Binoche) é uma das mais prestigiadas fotógrafas de guerra. Durante uma ação de uma mulher-bomba em Kabul, ela se fere. No Hospital, ela se recupera, e seu marido, Marcus (Nikolaj Coster-Waldau), um biólogo, a faz pensar e refletir sobre a sua profissão. Ele quer que ela pare e se dedique à família, ao invés de arriscara vida em ações perigosas. Rebecca resolve atender ao pedido dele e das duas filhas, mas fica infeliz em casa. Numa fala, ela diz: "Não sei viver uma vida normal". Um dia, sua filha adolescente pede para que elas vão visitar um acampamento no Kenya, supostamente guardado pelas autoridades. Chegando lá, elas são atacadas por rebeldes e tudo se complica na vida de Rebecca. Os 10 minutos iniciais do filme, sem diálogos, é muito, muito foda. Em registro documental, vemos a preparação espiritual e didática de uma mulher-bomba. A partir dai, o filme cria um constante clima de tensão ora uma guerra entre povos, ora uma guerra pessoal de Rebecca, dividida entre o trabalho e a familia. Juliette Binoche, sem maquiagem, revela aqui que não tem jeito, ela é a força desse filme e é sim, muito foda! Os seus olhares nas cenas impulsionam a carga dramática, deixando-nos atordoados. Os seus closes são impressionantes, magicamente registrados pelas lentes do fotógrafo John Christian Rosenlund. A cor do filme é estonteante. O cineasta Erik Poppe ele mesmo já foi um fotógrafo de guerra nos anos 80, e muitas das fotos vistas pertencem a ele. Com muita garra e determinação, Poppe reencarna na figura de Rebecca, e faz aqui, uma ode ao profissional, que arrisca sua vida em prol de trazer informações ao mundo que podem mudar o rumo da história. O filme cai um pouco de força na porção melodramática da história, focada na família. As atuações de Binoche e de Nikolaj Coster-Waldau ( Game of thrones) conferem dignidade ao filme. Nota: 8

domingo, 20 de abril de 2014

Uma viagem extraordinária

he Young and Prodigious T.S. Spivet", de Jean Pierre Jeunet (2013) Ah, que dilema: gostei ou não gostei desse filme do Jeunet? Jean-Pierre Jeunet é dos poucos cineastas que conseguiram imprimir uma identidade visual em seus filmes. Basta um fotograma, e a gente j;a sabe que o filme é dele. E vamos combinar, a estética de seus filmes, principalmente "Amelie Poulain", continuam sendo referência para muita gente. Baseado no livro do americano Reif Larsen, "Uma Viagem extraordinária" narra a história de T.S. Spivet, um menino de 10 anos que mora em um rancho com seu pai, sua mãe , que é pesquisadora de insetos, sua irmã mais velha e seu irmão gêmeo, Layton. T.S. é um pequeno gênio, e um apaixonado pela ciência. Um dia, durante uma brincadeira com seu irmão, a arma atira e Layton morre. Carregando o sentimento de culpa, T.S. se fecha pro seu mundo de ciências. Um telefonema e sua vida segue um rumo: ele deve receber um prêmio em Washington, mas o juri nem faz idéia que ele seja uma criança. Essa é chance de T.S. fugir de casa e reconstruir sua vida. Jeunet novamente traz o seu universo, dessa vez aliado a tecnologia do 3D. É um filme estritamente visual: fotografia estonteante e colorida de Thomas Hardmeier, que parece de alguma pintura de tão perfeita. A trilha sonora com toques country. e claro, o arsenal de tipos bizarros que o filme vai mostrando ao longo da jornada do menino. E o ator-fetiche Dominique Pinon não poderia estar de fora. Ele interpreta um maquinista de trem, em pequena participação. Helena Bonham Carter se une à trupe, fazendo o papel da mãe. Aliás, esse filme tem uma forte referência dos filmes de Tim Burton, principalmente "Peixe grande" tanto pela presença de Bonham Carter, quanto pelo colorido e caráter lúdico da história narrada, como um conto infantil. Apesar de todos esses atrativos, o filme não acontece, É frio, tem uma narrativa morna e acaba não agradando nem a crianças nem aos adultos. Para os estetas, o filme tem muito a oferecer. Direção de arte e figurino maravilhosos. Alguns momentos de emoção, mas pouco para uma aventura anunciada de extraordinária. O pequeno ator Kyle Catlett, no papel de T.S Spivet, dá conta do recado nesse seu difícil papel, que infelizmente. é uma pequena mala sem alça. Nota: 7

Azul e não tão rosa

"Azul y non tan rosa", de Miguel Ferrari (2012) Grande vencedor do Festival de Cinema Goya 2014, com o prêmio de melhor filme Íbero-americano, concorrendo com pesos peados como "Gloria", esse drama com tintas de tragicomédia venezuelano conquista o espectador pela sua semelhança com a cinematografia de Almodovar. Por mais que o cineasta Miguel Ferrari diga que o filme tem um caráter autobiográfico, sobre sua relação com seu pai, é impossível não chamá-lo de uma versão masculina de "Tudo sobre minha mãe", ou seja, "Tudo sobre meu pai". O Universo é o mesmo: gays, travestis bizarros, família anárquica, trilha sonora com clássicos do tango, shows com transformistas e sobretudo, muito melodrama, excessivo ate, mas sempre com aquele gostinho de tragédia bem humorada. Todos os clichês que existem no cinema melodramático existem aqui: chuva em clímax, bullying com gays, descoberta da sexualidade, pista de dança, modelos fotográficos, a transformista que dá lição de moral. Mas apesar do exagero, o filme tem qualidade suficiente para conquistar o espectador mais rabugento. Os pontos fracos: elenco desigual, roteiro que aponta para vários sub-plots ( o roteirista quer abraçar o mundo), filme longo, que poderia ter meia hora a menos. Diego é um fotógrafo de moda, que namora Fabrizio, um obstetra. Numa noite, Fabrizio é atacado por um grupo homofóbico e acaba morrendo. AO mesmo tempo, Diego recebe por um mês a visita de seu filho de 15 anos, que ele não vê a 5 anos e que desconhece a sexualidade do pai. Algumas cenas bem divertidas, drama excessivo em outros momentos. O diretor faz o que pode com o roteiro que tem, mas acerta no carinho com os seus protagonistas. Destaque absoluto para a atriz Hilda Abrahamz, que faz a transformista Delirio del Rio. Assisti o filme todo achando que era um travesti, e descubro que é uma mulher mesmo, só que de tão botocada, ficou com cara de traveca. Hilário e maravilhosa performance. Nota: 7

sábado, 19 de abril de 2014

O visitante

"Cibrail/The visitor", de Tor Iben (2011) Filme alemão do mesmo cineasta de "O passageiro", é uma produção de baixo orçamento que tem como tema o despertar para a homossexualidade. Cibail é um policial de origem turca, que trabalha em Berlin. Ele é casado com a artista Christine. Um dia, o primo de Christine, Marco, liga e diz que quer passar 1 mês na cidade. O casal o recebe. Porém, a presença do primo irá provocar em Cibail instintos que ele até então desconhecia. O filme é fraco: roteiro e atuações frágeis. Alias, o roteiro é um acúmulo de clichês sobre esse tema já tão batido. Aliás, na narrativa, acompanhamos vários momentos onde existem marginais matando gays nos parques e espancando e assaltando as pessoas, mas isso acaba sendo colocado de lado. O que realmente vale a pena no filme, é o verdadeiro passeio turístico que ele proporciona, principalmente para quem já conhece Berlin. Assim como Marco, passeamos pelo portão de Bramdemburgo, pelo Check Point Charlie, Antena de Tv, Memorial do Holocausto, Museu do homossexual, Muro de Berlin, etc. Fora isso, vale só pelo fetiche de ver um policial fardado fazendo pegação nos parques e pelas ruas da cidade. Nota: 5

sexta-feira, 18 de abril de 2014

The lunchbox

"The lunchbox", de Ritesh Batra (2013) Puta merda, que filme lindo!!! Um maravilhoso drama romântico, co-produzido pela Índia, Alemanha e França, resgata a tradição dos filmes que usam a comida como elemento para mudar a vida das pessoas e dando a chance de repensarem a vida. A uma bela lista de filmes "gastronômicos", temos "Como água como chocolate", "A festa de Babete", "Chocolate". O diretor Ritesh Batra também escreveu o roteiro, que prima pela lúdico, e pela fantasia romântica, sempre pontuada pelas emoções mais primárias de todo ser humano: vida, morte e amor. Saajan é um burocrata que trabalha em um escritório de contabilidade que presta serviço ao Governo. Ele está prestes a se aposentar, e um jovem aprendiz vem para aprender com Saajan. Só que Saajan é mau humorado, e resolve não ensinar nada ao rapaz. Um dia, a dona de casa Ila, casada e com uma filha pequena, entrega manda entregar a marmita para seu marido no trabalho, mas o entregador faz a entrega no lugar errado e Saajam o recebe. A partir daí, inicia-se uma relação de amizade e amor entre Saajam e Ila, que nunca se encontra, mas compartilham a infelicidade. O filme é de uma extrema sensibilidade, e emociona de verdade, pois fala ao coração do espectador. Impossível não se emocionar com a história dos 3 personagens maravilhosos: Ila, Saajam e Shaick, o sensacional aprendiz. Os 3 atores entregam de presente ao espectador interpretações comoventes, com poucas falas, baseadas em olhar. A trilha sonora também contribui bastante para trazer leveza a essa narrativa, que mesmo assim, tem o tema da morte como mote constante. Um filme imperdível, que traz curiosidades maravilhosas da cultura hindu ( esse lance da entrega de marmitas é demais!!). Nota: 10

Miss violence

"Miss violence", de Alexandros Avranas (2013) O Cineasta austríaco Michael Haneke influenciou toda uma nova geração de cineastas gregos, a começar por Giorgos Lanthimos, que dirigiu a porrada "Dente canino", incrivelmente indicado ao Oscar de filme estrangeiro em 2010, mesmo contendo sexo explícito e violência extrema. Agora, com esse "Miss violência", o cinema grego chegou ao auge: feito para chocar, provocar, causar náuseas e debandada de platéia, como tem acontecido aonde ele tem sido exibido. Vencedor dos prêmios de Direção e melhor ator em Veneza 2013, é um filme impressionante na sua frieza narrativa. O cineasta não reluta em mostrar cenas chocantes, a começar pela 1a cena do filme. Uma menina de 11 anos, durante a comemoração de seu aniversário, se joga de uma janela, e antes de morrer, esboça um sorriso de satisfação. A família, que consiste na figura do avô , a mãe avó e 3 crianças pequenas, parece nem se chocar com esse suicídio. A vida segue normal, a polícia investiga, mas outros acontecimentos aterradores vão se revelando, até o auge com a descoberta do porquê a menina se suicidou. Duas cenas que provocarão revolta: o estupro de uma menina, e a 1a vez de uma criança, mostrada de forma brutal, mesmo sem revelar nada ( me lembrou a cena do estupro em "Paisagem na neblina"). A trama lembra, coincidentemente, com "Bastardos", o mais recente filme de Claire Denis. Mas o cineasta Alexandros Avanas vai mais a fundo. Ele realmente que incomodar, pouco se lixando para o que o espectador vai achar. O elenco está brilhante, todos super dentro da proposta agressiva e violenta do filme. Inclusive, até agora não acredito numa cena onde o avô castiga o neto e obriga a mais nova a dar inúmeros tapas fortes na cara do menino. Fátima Toledo fez escola na Grécia, talvez nem mesmo ela saiba. A maioria dos críticos acredita que toda essa violência do cinema grego seja uma resposta dos cineastas à recente crise econômica, e a metáfora do governo destroçando família e seus valores. Não dá para recomendar esse filme, assim deliberadamente. Nota: 8

O passageiro

"The passenger", de Tor Iben (2013) Instigante filme de suspense erótico, da leva de filmes malditos de baixo orçamento que os alemães fazem muito bem. É visível os vários problemas de produção por conta da falta de grana : maquiagem, efeitos, fotografia, roteiro, atores. Mesmo assim, é um filme que tem um charme justamente pelos seus defeitos. Como um "Teorema", de Pasolini. Nick é um jovem bonito e sedutor que seduz a todos, homens e mulheres. O que ninguém sabe é que ele é um serial killer. Um dia, Nick conhece Lilli, uma jovem atriz e Philip, um fotógrafo hetero. Porém, ambos sucumbem à beleza de Nick e não resistem aos seus encantos. Nick, por sua vez, afeiçoado a ambos, vai adiando a idéia de matar os dois. O ator Niklas Peters é a pessoa perfeita pro papel; de uma beleza estonteante, e um olhar hipnotizante, fica fácil entender porquê as vítimas se entregam a um prazer carnal sem medir as consequências. Curioso, mas não esperem muita coisa, é um filme para se curtir sabendo de seus problemas. Nota: 7

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Vivendo

"Zhit", de Vasili Sigarev (2012) "VivEsse filme possui 2 elementos que eu amo muito: ser um filme russo e ser um filme depressivo. Amo filmes depressivos! Aqui, acompanhamos 3 histórias paralelas, que jamais se cruzam, que têm como tema a morte de um ente querido. A 1a história é a de um menino que descobre que seu pai se suicidou, e é maltratado pela mãe e seu amante. Desesperado, ele clama pelo pai morto. A 2a história é a de um jovem casal. Numa noite, dentro de um trem, o rapaz é assaltado e espancado até a morte. Na 3a história, uma mulher entra em profundo estado de depressão após a morte de suas duas filhas gêmeas, provocado por um acidente de trem. Até que ela resolve desenterrar os corpos elevar para casa. O filme é um drama seco e tem uma narrativa fria. Em momento algum, faz concessões ao melodrama. A morte é sempre vista de uma forma aguda, forte. Feridas, sangue ou o vazio, nada fica indiferente à câmera excepcional do filme, emoldurada por uma fotografia que reforça a carga emotiva de depressão. Os atores russos sempre primaram pela interpretação, e aqui tem um time de primeira, rostos desconhecidos, mas de performance impressionante. A cena da mãe entrando em catarse no funeral das filhas é asfixiante. Outra cena provocadora e assustadora é o da mãe que tenta sufocar o filho com o travesseiro, para que ele se acalme. O assalto no trem também provoca arrepios. É o drama humano elevado à décima potência. No terço final, o filme abre um leque para o espiritismo, através de conversa dos familiares com os mortos. Premiado em inúmeros festivais europeus, é uma produção que merece ser vista pelos cinéfilos. Nota: 8

Hércules: a Lenda começa

"The legend of Hercules", de Renny Harlin (2014) Harlin é um conhecido diretor de filmes de ação dos anos 80 e 90, entre eles, "Duro de matar 2". Porém, de uma década para cá, sua carreira acumula fracasso ap;os fracasso. Fossem os fracassos bons filmes, a gente até perdoaria. Mas esse "Hercules" coroa de vez a sua derrocada como cineasta, e na boa, ele deveria ser proibido de filmar e dar espaço pra galera que quer fazer Cinema de verdade. Com inacreditáveis U$ 70 milhões de orçamento, o filme não chegou nem a 20 milhões. E vendo o filme, a gente se pergunta: onde foi parar essa grana toda? O elenco é de 7a categoria, cada um disputando a pior performance num mesmo filme. Kellan Lutz, da série "Crepúsculo", enterra de vez sua carreira "artística". É ruim demais! Todos os outros atores estão constrangedores. Os efeitos CGI são pifios, um deles em espacial é hilário de tão absurdo: a cena da luta de Hercules com um leão computadorizado. A cena é antológica e digna de Framboesa de ouro. O filme ainda sofre da sindrome de "Quero ser "300", usando o mesmo efeito de câmera lenta no meio de uma ação, além do visual ser o mesmo. Tanta cara de pau só perde para o roteiro, que deveria ter sido trancado a sete chaves para jamais ser produzido. Se o filme pelo menos tivesse o charme "campy" do cult "Hercules" com Lou Ferrigno, teria sido muito mais divertido. Senti falta dos 12 trabalhos dele, que envolviam seres fantásticos. Nota: 1

quarta-feira, 16 de abril de 2014

O enigma chinês

"Casse tête chinois", de Cédric Klapisch (2013) Terceira parte de uma trilogia que começou em 2002 com o cult "Albergue espanhol", e que depois, em 2005, mereceu uma continuação, chamada "Bonecas russas". Em "Quebra-cabeças chinês", o cineasta e roteirista Cedric Kaplish recupera os 4 personagens principais do filme original: Xavier (Roman Duris), o aspirante a escritor agora já como profissional do ramo; Martine (Audrey Taotou), ex-namorada de Xavier; Isabelle (Cecille de France), a amiga lésbica de Xavier e Wendy (Kelly Reilly), que se casou com Xavier, teve 2 filhos com ele e acabaram de se separar. O filme mostra Wendy se mudando para Nova York e levando os 2 filhos pequenos. Desesperado Xavier resolve se mudar para lá também, na esperança de morar perto dos filhos. Estranhamente, e exaltando a cultura americana em detrimento da francesa, o Cineasta Cedric acaba colocando todos os 4 personagens se mudando para Nova York e mais, amando o lugar. Seria a derrocada do romantismo europeu? O roteiro é didático, clichê, e acompanhamos a via crucis de Xavier forjando um casamento para ganhar Green Card, a sua busca por apartamento, trabalho, etc, enquanto acompanhamos xaropadas de roteiro sobre conflitos de casal e de família. Nesse mundo globalizado de Cedric, de onde já tinhamos "Albergue espanhol", onde ninguém se entendia direito, agora temos uma Nova York cosmopolita, com direito à cultura chinesa. Cedric quis fazer dessa sua trilogia algo inesquecível e arrebatador como a trilogia de "Antes do amanhecer", de Richard Linklater. Só se esqueceu de botar alma e sinceridade ao roteiro. algo que aqui tá em falta. Nota: 6

terça-feira, 15 de abril de 2014

Tom na fazenda

"Tom à la ferme", de Xavier Dolan (2013) Vencedor do prêmio FIpresci no Festival de Veneza 2013, "Tom na fazenda" é baseado em uma peça teatral de Michel Marc Bouchard. Por isso mesmo, pela sua origem nos palcos, que esse filme de Dolan possui um formato essencialmente teatral. Muitos diálogos, alguns bastante duros e pouco espontâneos, essa nova empreitada do mais jovem cineasta a apresentar um filme em Cannes ( "Eu matei minha mãe", quando tinha 18 anos) brinca com a narrativa de Hitchcock. Tomando emprestado o mote do Homem que se descobre dentro de uma situação-limite, Dolan ainda faz uso de uma trilha que lembra bastante os acordes de Bernard Hermann nos filmes o mestre do suspense, aqui, assinado pelo renomado compositor Gabriel Yared. O filme narra a história de Tom, um jovem publicitário de luto, por conta da morte do namorado. Ele resolve ir para o funeral do falecido, na fazenda da família dele. Chegando lá, ele descobre que todos desconhecem que o filho morto era gay. O irmão do morto, no entanto, sabe de sua relação homossexual e começa a criar um jogo de gato e rato com Tom, impedindo que ele saia da fazenda e revele o segredo do irmão morto. A fotografia é bela, do eficiente André Turpin, de "Incêndios". As locações são belíssimas, e a fotografia realça esse clima de estranheza que aira no ar, através de cores escuras. Dolan continua na sua trip egocêntrica, atuando, escrevendo, dirigindo e editando o filme. O ator (Pierre-Yves Cardinal) que interpreta o irmão de seu namorado, é bom e intenso. É uma pena que o filme seja longo e chato ( um grande problema de Dolan em seus filmes, saber a hora certa de cortar cenas). Nota: 6

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Capitão America 2: O Soldado Invernal

"Captain America: The winter soldier", de Anthony e Joe Russo (2014) Continuação de "O primeiro Vingador", esse filme foi dirigido pelos irmãos Anthony e Joe Russo, egressos da televisão. Fico curioso como é que os Produtores da Disney chegam a 2 cineastas acostumados com comédia para dirigir um filme de ação e aventura. E mais curioso ainda, o filme ficou bom pacas, parecendo trabalho de Cineasta mega-tarimbado em filme porrada. Obviamente, que lá fora, os Cineastas possuem uma equipe super preparada para fazer esse tipo de filme. Mas mesmo assim, impressiona. O filme narra o assassinato de Nick Fury e a acusação de que o autor teria sido o Capitão America, Para ajudar a provar a sua inocência, se juntam a ele a Viúva Negra (Scarlett Johanson) e Falcão, um personagem novo. Assim como "Thor", os produtores recheiam o filme d atores tarimbados, para dar credibilidade a tanto tiroteio e explosões. No caso, a bola da vez é Robert Redford. O filme tem um delicioso humor e impressionantes cenas de ação, principalmente a cena da perseguição ao carro de Nick Fury. Laureado pelos críticos como a melhor adaptação de uma obra da Marvel, o filme é pipocão de primeira. Nota: 8

domingo, 13 de abril de 2014

Eu, mamãe e os meninos

"Les garçons et Guillaume, à table!", de Guillaume Gallienne (2013) Impressionante como esse filme é praticamente uma refilmagem de "Minha mãe é uma peça", de Paulo Gustavo. Obviamente que Guillaume Galliiene jamais deve ter visto sequer a peça ou o filme protagonizado pelo comediante brasileiro, mas sua história de vida e o roteiro são muito semelhantes. Baseado em sua própria história, Guillaume interpreta a ele mesmo: um jovem que teve uma educação rígida e tradicional por parte de sua mãe, sempre controladora. Ela e seu pai tentam a todo custo "corrigir" os hábitos de Guillaume, acreditando que ele é gay. O filme é narrado em off, de forma nostálgica e em sketches, exatamente igual ao filme de Paulo Gustavo. A mãe e o filho são interpretados pelo mesmo Guilaume, um prodigio de maquiagem, performance e de tecnologia, que faz com que Guillaume esteja na mesma cena com sua mãe e ainda mais com outros personagens. É quase uma extensão do programa de Paulo Gustavo, "220 volts", onde ele interpreta vários outros personagens, geralmente mau-humorados. Várias cenas se repetem, inclusive a cena da bola de futebol que bate em sua cabeça. A cena da massagem é antológica. O filme é muito divertido, anárquico Guillaume é realmente uma grande revelação, tanto como Cineasta como ator. O filme acabou levando os Cesar de melhor filme de cineasta estreante, ator, adaptação e outros, e se tornando uma das maiores bilheterias francesas de 2013. Se tivesse sido produzido aqui no Brasil, essa comédia teria sido exculhambada pelos críticos. Já fora, ele saiu agraciado com muitos prêmios em festivais importantes, mostrando que o gênero comédia tem um valor muito superior. Nota: 8

sábado, 12 de abril de 2014

Era uma vez em Nova York

"The immigrant", de James Gray (2013) James Gray é um cineasta americano que sempre fez filmes intimistas, tendo como protagonista um Personagem amargurado pela vida. Foi assim nos excelentes "Amantes" e "Os donos da noite". ambos com seu ator fetiche, Joaquim Phoenix. Em "A imigrante", Gray desconstruiu tudo: criou um épico com ares de superprodução, ambientado em 1921, e dividindo os papéis principais com 2 protagonistas: Marion Cotillard e Joaquim Phoenix. A primeira interpreta Ewa, uma imigrante católica polonesa, que chega em Nova York com sua irmã Magda. Por estar doente, Magda é retida na alfândega e vai presa, e assim, as irmãs ficam separadas. Phoenix faz um malandro que recruta jovens imigrantes para fins de prostituição. No início arredia, Ewa sucumbe à profissão, para juntar dinheiro e poder resgatar sua irmã. O filme "A cor púrpura", de Spielberg, toda hora me vinha em mente, por conta do mote da separação das irmãs e a epopéia d euma delas em descobrir o paradeiro da outra. A diferença é que Spielberg investiu sem culpa no melodrama, conquistando corações e mentes, e James Gray fica no meio do caminho. O seu filme é um grande novelão sem alma. Tudo é muito bonito: a direção de arte, a fotografia foda do mestre Darius Khondji , que entre outros, fotografou "Meia noite em paris", "Delicatessen"e "Seven". Os atores estão ok, mas longe de suas melhores performances, Jeremie Renner está apagado em cena, interpretando o mágico que cria o triângulo amoroso. No final, é um "Jules e jim" com ares igualmente trágicos, mas que sucumbe à frieza narrativa. Nota: 6

quinta-feira, 10 de abril de 2014

O homem duplicado

"Inimigo", de Denis Villeneuve (2013) Do diretor de "Incêndios" e " Os suspeitos", esse filme Canadense é uma adaptação do livro de José Saramago, "O homem duplicado". Misturando drama, fantasia e suspense, o filme narra a história de Adam, um professor de história que tem uma namorada, Mary ( Melanie Laurant). Um dia, assistindo um filme mediano, ele se assusta ao ver um ator que é seu sósia perfeito. Intrigado, ele vai atrás do sósia, Anthony, um ator em ascenção. Adam é casado com Helen (Sarah Gadon), que está grávida de 6 meses. Entre os dois rola um clima de conflito que resultará numa grande tragédia. David Lynch a tempos não filma, mas alguns cineastas se apropriam de seu estilo. Hermético e complexo, aberto a várias interpretações, o filme tem como mote o tema do homem moderno em conflito com a sua vida e seu entorno, perdendo a sua identidade. Cronemberg é outro cineasta que podera ser citado como referência, principalmente em seu filme "Spider", ond eo personagem via aranhas em tudo, como é o caso de Adam. Jake Gyllenhaal está ótimo em seu papel duplo, conferindo duas personalidades bem distintas. Jake já havia trabalhado com Denis Villeneuve em 'Os suspeitos", e aqui repetem a parceria. Isabela Rosselini, outra musa de David Lynch, interpreta a mãe de Adam em uma breve cena. O filme foi um fracasso nos Eua, mas teria sido surpresa se não fosse. É um filme autoral, de circuito de filmes alternativos. Ponto para Gyllenhaal que resolveu diversificar sua carreira com filmes comerciais e autorais. Nota: 7

Hoje eu quero voltar sozinho

"Hoje eu quero voltar sozinho", de Daniel Ribeiro (2014) O jovem cineasta Daniel Ribeiro já é habitueé do Festival de Berlin. Em 2007 ele ganhou o Teddy de melhor curta por "Café com leite". O seu curta de 2010, "Eu não quero voltar sozinho", ganhou vários prêmios Brasil afora. Com tanto sucesso, Daniel Ribeiro resolveu esticar a história do curta e dele, fez seu primeiro longa, vencedor de vários prêmios em Berlin, entre eles, Teddy de melhor filme e o Prêmio Fipresci, dado pela associação de críticos. A história e a mesma. Leo (Guilherme Lobo) é um adolescente cego. Ele estuda num colégio tradicional, e tem uma melhor amiga, Giovana, no fundo, apaixonada por ele mas sem revelar a sua emoção. Leo sofre bullying de outros estudantes por ser cego. Um da, chega um aluno novo, Gabriel ( Fabio Audi). Entre Gabriel e Leo surge um amor platônico, e o medo de revelar a homossexualidade. Em geral, todo longa derivado de um curta tem o problema de roteiro. Como Esticar uma história que funcionou bem em menos de 20 minutos? Raramente, essa fórmula deu certo. Um dos poucos exemplos bem-sucedidos foi o argentino :"Medianeras". Aqui, é impossível não sentir um cheiro de encheção de linguiça. Toda a sub-trama da família de Leo é irritante. Os pais são mostrados de uma forma ridícula e infantil. A avó é aquela figura clichê da pessoa que existe para dar lições de moral e para usar sua história de vida como pretexto para crescimento emocional do menino. Outra sub-trama descártavel é a dos estudantes que provocam bullying. A cena inicial da professora discutindo com os meninos baderneiros é muito artificial. Jamais que num colégio particular dois meninos esculhambariam um jovem cego na frente da professora. Nao tem como não comparar o filme a 2 clássicos de adolescentes que têm um rito de passagem: "As vantagens de ser invisível" e "Delicada atração". Do primeiro filme, vem o trio de amigos, o menino tímido, que tem vergonha de dançar, o jovem gay, a música anos 80, o tom de nostalgia no ar. Do segundo filme, vem o tema da descoberta da homossexualidade, o bullying familiar, e a cena final, lúdica, pra cima, levantando todas as bandeiras possíveis. A fotografia de Pierre de Kerchove é sensível, dando tintas melancólicas e explorando as cores do amor entre os meninos. O ritmo do filme é lento. O grande trunfo do filme é a atuação do jovem Guilherme Lobo, e por ele vale a pena ver o filme. Sensível, transbordando drama e angústia de um adolescente em busca de algo que nem mesmo ele sabe o que é. O filme é bem inocente, longe, mas muito longe da descoberta da sexualidade de "Azul é a cor mais quente". Sem contra-indicações. Nota: 7

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Metro Manila

"Metro Manila", de Sean Ellis (2013) Vencedor do prêmio de Sundance para melhor filme estrangeiro na categoria drama em 2013, esse filme é uma porrada no estômago. O diretor Sean Ellis, que também realizou o cult "Cashback", escreveu, produzir e fotografou essa saga de uma família pobre do interior que migra para a metrópole Manila ara melhorar de vida. Essa busca de um sonho encontra nas mãos de Ellis uma via crucis de erros e de tragédias que, comparada a "Dançando no escuro", de Lars Von Terier, encontra uma escala 4 vezes pior. É mundo cão ao infinito. Confesso que fiquei muito incomodado com tanta desgraça e infortúnio na história do casal, achando tudo muito forçado demais, porém o final revelador me ganhou. A história gira em torno de Oscar e Mai, um jovem casal que parte para Manila com seus 2 filhos pequenos. Com fome, enganados e desesperados, Mai aceita trabalhar em uma casa de prostituição e Oscar trabalha em uma empresa de carro-forte. Oscar no entanto se vê numa rede de corrupção e é isso que o filme fala: como inocentes se corrompem com a finalidade de botar um prato de comida em casa. Os atores Jake Macapagal e Althea Vargas estão impressionantes no papel do casal, dando tudo de si. É um filme muito triste e depressivo, mas belamente narrado e interpretado. Direção sensivel de Sean Ellis, apesar dos exageros da narrativa. Nota: 8

sábado, 5 de abril de 2014

Noites de espera

"Noches de espera/Longing nights", de Tiago Leão (2013) Sinceramente, não consigo entender como 2 países se juntam para fazer um filme tão ruim, tão sem propósito. Nesse drama de baixo orçamento, de conteúdo erótico, acompanhamos 4 histórias que se passam na noite Madrilenha. São personagens malditos, obscuros, na marginalidade da sociedade. Tem um travesti que faz michê, tem um casal hetero onde a mulher se vê envolvida com um traficante de drogas, tem um jovem gay que perambula pelas boites para fazer pegação e um casal de lésbicas em crise. Em comum, a solidão, a carência e o desencanto com a vida e as pessoas. Um filme baixo astral, mas que carece de dramaturgia. Nos 70 minutos do filme, somente vemos os personagens perambulando pelas ruas e transando com o primeiro que aparece. Apesar do teor erótico, o sexo no filme é visto de uma forma suja, feira, sem qualquer tipo de glamour. A fotografia é escura, sem sofisticação. Os atores são fracos, me parece que todos são amadores. Mesmo tendo um tema e personagens tão explosivos, o filme nunca acontece, nem traz interesse. Uma pena, pois o argumento prometia. Mas ficou somente na vontade de chocar, o que é muito pouco. Nota: 3

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Sangue de outono

"Autumn blood", de Markus Blunder (2013) Estréia do diretor de comerciais Markus Blunder no cinema, essa fábula sobre a maldade humana tem inspiração em pelo menos 3 filmes: "Amargo pesadelo", "Todos os dias as nove" e, principalmente, "Sob o dominio do medo". Com uma fotografia estonteante, valorizando a belíssima locação nas montanhas da Austria, o diretor e roteirista Markus Blunder investe em um cinema de imagens e pouco diálogo, curioso até para um filme de ação. Uma família mora numa casa no alto da montanha. Após o assassinato do pai, e da morte posterior da mãe, 2 irmãos tentam sobreviver da forma que conseguem, escondendo da cidade que a mãe faleceu. Mas o desejo do filho do prefeito pela jovem traz consequências trágicas. Um filme denso, sliencioso, com boas interpretações e um ótimo time de atores europeus, entre eles Peter Stomare e o dinamarquês Gustaf Skarsgård, filho de Stelan Skarsgård. Recomendado. Nota: 8

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Noé

"Noah", de Darren Aronofsky (2014) As pessoas podem não gostar do excesso de efeitos especiais. As pessoas podem não gostar de filmes com temas bíblicos. As pessoas podem achar os Guardiões uma reciclada do visual dos Transformers. As pessoas podem achar esse tipo de filme grandioso meio fora de moda. Mas me desculpem, eu vou defender pelo menos duas coisas que para mim são fundamentais para a minha defesa desse filme ambicioso e impactante: as atuações e o roteiro. Todo o filme é estruturado em cima de um único tema: o perdão. Os personagens são construídos de forma a desenvolver todos as emoções: raiva, dôr, angústia, paixão, perda, compaixão. E tudo desembocando numa única finalidade: o perdão. Em várias cenas antológicas, esse sentimento se desenvolverá de forma brilhante: a cena das gêmeas, a cena do ataque dos homens e a defesa dos guardiões, a cena final. Os diálogos são excelente, escritos pelo próprio Aronofsky e Ariel Hendel, seu habitual parceiro nos outros filmes. A cena da esposa de Noé implorando pela vida das gêmeas é de uma forca dramática impressionante. E aí vem meu outro ponto: a atuação do elenco. Russel Crowe há muito já provou ser dos maiores atores da atualidade, mas aqui ele se supera. O conflito existente no olhar e na alma desse personagem está presente com precisão em cada olhar, na postura corporal, nas falas. Jennifer Connely, que já havia trabalhado em outro filme de Aronofsky, "Requiem para um sonho", está mais madura e muito mais bonita. A sua presença ilumina a tela do cinema com seu close deslumbrante e terno. Emma Watson e Logan Lerman, os 2 amigos de "As vantagens de ser invisível", mostram que estão cada vez melhores. Anthony Hopkins dá emoção e dignidade ao seu pequeno papel, mas a grande surpresa é Ray Winstone, no papel do amargurado Tubal-cain. Todos os personagens são construídos para serem bons e maus, evitando estereótipos. Aronofsky, apesar de trabalhar em seu primeiro filme de grande estúdio, consegue imprimir em alguns momentos a sua marca autoral: na cena da criação do mundo, narrado por Noé, por exemplo. Inquietante do jeito que é, esse cineasta não faria por menos. A fotografia de Matthew Libatique, também habitué dos filme de Aranofsky, é estonteante. com momentos mágicos de entardecer. A trilha de Clint Maell evita aqueles tons grandiloquentes dos épicos e investe em algo mais intimista e minimalista. Enchi de adjetivos superlativos nessa crítica, mas é porquê realmente o filme me comoveu, saindo do didatismo dos filmes bíblicos e investindo num filme de ação e drama, sem ranços. Nota: 10