sábado, 29 de março de 2014

Quando meus pais não estão em casa

"Ilo Ilo", de Anthony Chen (2013) Vencedor em Cannes 2013 do prêmio "Camera D'or", concedido a cineastas estreantes, "Ilo ilo" é um poderoso e extraordinário drama que mexerá com os corações e mentes dos espectadores. Indicado pela Singapura para representar o País no Oscar 2014, o filme tem como base a Crise financeira na Ásia no final dos anos 90. Em 1997, na Singapura, um casal aguarda a chegada de um bebê. O casal já tem um filho de 10 anos, Jiael. Rebelde em casa e na escola, Jiale toca o terror. Um dia, os pais resolvem contratar uma babá filipina, Teresa. Em princípio relutante, Teresa conquista o coração de Jiale. Mas sua mãe fica com ciúmes. Paralelo, o pai de Jiale perde o emprego e não conta nada para sua esposa. Ela, por sua vez, trabalha em um escritório e é a pessoa responsável em escrever cartas de demissão dos funcionários. O titulo original se refere a uma cidade nas Filipinas, Ilo Ilo, cidade onde nasceu a babá do cineasta Anthony Chen, Ele escreveu o filme para homenagear a babá, responsável pela sua formação moral. É um filme de grande apelo emocional, além de ter um excelente casting atuando em todos os papéis. É um elenco multi-racial, mostrando o quão globalizado é Singapura. Tem chineses, hindus, filipinos, etc. Mas quem rouba o filme é justamente o menino Koh Jia Ler, impressionante por ser um não-ator, escolhido enre centenas de crianças. ele compõe com espontaneidade, verdade e imponência o seu difícil personagem. Alternando momentos de ódio, amor, humor, drama, o espectador odeia e ama o menino. E vamos combinar, todo mundo adoraria ter uma Teresa em casa. Curioso é que o filme me lembra bastante o igualmente poderoso "Uma vida simples", filme chinês de Ann Hui, com tema parecido. "Ilo Ilo"é um filme que merece ser visto por todos que querem reservar um momento especial em sua vida cinéfila para filmes amororos e verdadeiros na emoção. Nota: 10

quinta-feira, 27 de março de 2014

Arranha-céus flutuantes

"Plynace wiezowce"/Floating skyscrapers", de Tomasz Wasilewski (2013) Alardeado como o 1o filme polonês com temática gay, é também o 2o longa do jovem cineasta Tomasz Wasilewski, comparado pela crítica como o novo Xavier Dolan ( queridinho de Cannes, autor de "Eu matei minha mãe" e "Amores imaginários"). O filme narra a historia de Kuba, um jovem nadador olímpico, que treina a 15 anos. Kuba tem uma mãe dominadora e uma namorada ciumenta. Secretamente, ele usa o banheiro do ginásio para encontros furtivos com outros homens, mas sem amor, apenas sexo. Um dia, numa vernissage que sua namorada o leva, ele conhece Michal, um jovem gay assumido. A partir daí, Kuba entra e conflito consigo mesmo, o que o fará se decidir entre o amor recém-descoberto e seus sonhos de futuro. A fotografia do filme é muito bonita, cinematográfica. As tomadas submarinas e os planos de transição na cidade são espetaculares. Os atores são bons, a direção segura. Mas o roteiro acaba com o filme, destruindo qualquer tipo de simpatia pelo filme. Por incrivel que pareça, ese 1o filme gay é preconceituoso até não poder mais. Mostra as mulheres como tiranas. Os heteros como animais. E os gays como eternos sofredores. Estamos no Sex XXI, não? Nota: 6

quarta-feira, 26 de março de 2014

O grande herói

"Lone survivor", de Peter Berg. O cineasta americano Peter Berg adora um tiroteiro e explosões. Depois de "O reino", "Hancock"e do pavoroso "Battleship", ele volta com o drama de guerra "O grande herói". O filme é baseado no livro auto-biográfico de Marcus Luttrell, sobrevivente de uma missão fracassada no Afeganistão. A missão aconteceu em 2005. Um grupo de 4 fuzileiros da divisão SEAL é incumbido de matar um chefe talibã, que matou mais de 20 oficiais americanos e também nativos que ajudaram os oficiais. Porém a missão fracassa, e os 4 fuzileiros são pegos no meio de uma artilharia pesada entre as montanhas da região. O filme é muito bem dirigido, com ótima decupagem e usando o estilo de câmera documental. A parte técnica é inquestionável: fotografia ( e os incontáveis planos de pôr do sol), edição de som, montagem, etc. O roteiro, do próprio Peter Berg baseado no livro, é eficiente, apesar de no geral o filme ser mais um filme de ação do que propriamente um drama ( vide "O sobrevivente", de Werner Herzog, muito mais visceral. ). Mas o inevitável fica sendo a comparação com "A hora mais escura", de Kathleen Bigelow. A idéia é muito parecida, a execução também. Pode-se até chamar esse filme aqui de "A hora mais clara", pois toda a ação de guerra acontece durante a luz do dia. O elenco é mega-estelar: Mark Walhberg, Emile Hirsch, Ben Foster, Eric Bana, Taylor Kitsch ( de John Carter) e Ali Sulliman, de "Paradise now". Do meio pro fim o filme fica bem tenso. Graças ao trabalho da Direção e do elenco. O desfecho é bem emocionante: nos créditos finais, fotos reais dos fuzileiros, ao som de David Bowie, 'Heroe". Nota: 7

Porquê você não brinca no inferno?

"Jigoku de naze warui/Why Don't you play in hell?", de Sion Sono (2013) Sion Sono é sem dúvida um dos cineastas mais ousados e criativos do momento. Seus filmes são de uma ironia, e ele mescla vários gêneros: policial, drama, humor negro, musical, máfia, comédia. Alguns de seus filmes são pequenas obras-primas, como "O jantar na mesa de Noriko" e "Love exposure". Nesse seu novo filme, Sion Sono cria uma visão esquizofrência e alucinada sobre a arte de fazer filmes. Através de 3 histórias paralelas que se convergem, ele mostra a sua paixão pelo cinema e mais, pelo romantismo do cinema, criticando o cinema digital em detrimento da película. Uma equipe de filmagem amadora espera sua grande chance, até que ela surge na figura de uma jovem, Mitsuko, ex-atriz mirim, cujo pai mafioso quer que eles façam uma saga épica sobre luta de gangues mafiosas, tendo ela como protagonista. A partir daí, o filme segue numa narrativa desenfreada, cheia de excessos de linguagem e em vários momentos se aproveitando do pastelão. O sangue jorra em profusão, típico dos filmes japoneses. O filme ainda reserva espaço para ironizar "Kill Bill", de Tarantino, através do personagem de um jovem fora-da-lei que usa o uniforme amarelo e preto de Bruce Lee ( o mesmo de Uma Thurman) e na cena final, ao som de "Santa Esmeralda" revisitado. É sangue e tripas para tudo quanto é lado. Moral da história: Para alcançar o seu sonho, nada será limite. Para quem curte um cinema bizarro e inesperado, essa é a pedida certa. Nota: 7

domingo, 23 de março de 2014

Laços de sangue

"Blood ties", de Guillaume Canet (2013) Refilmagem de um filme francês de mesmo título, essa 1a incursão do Cineasta e ator francês Guillaume Canet em Hollywood impressiona pelo elenco multi-estelar. Clive Owen, Marion Cotillard, Mila Kunis, James Caan, Matthias Schoenaerts, Lili Taylor, Zoe Saldana, entre outros. Porém, assim como outro filme recente que assisti,"Tudo por justiça", também com super-elenco, não empolga nem emociona. Curioso é que ambos tem Zoe Saldana fazendo o papel da mulher em conflito entre dois amores. Chris ( Owen) sai da prisão, e reencontra seu irmão policial, Frank ( Billy Crudup) e sua esposa prostituta, Vanessa (Cotillard). Chris tenta um emprego decente, mas acaba voltado ao mundo do crime. Seu irmão Frank tenta demovê-lo da idéia,mas a lei do mais forte fala mais alto. Uma fotografia fenomenal de Christophe Offenstein, que também assinou "Não conte a ninguém", de Canet, todo em tons lavados. A trilha sonora, recheada de pérolas pops dos anos 70, como "Sugar baby love". A direção de arte impressionante, recriando a Nova York do ano de 1974. A maquiagem e cabelo estão de parabéns, mostrando um visual mais natural e nada daquele universo fake fashion do filme "A trapaça", que só me fez passar o filme inteiro vendo as perucas dos personagens. Uma pena que esse épico, tão cheio de boas intenções, tenha ficado no meio do caminho. Melodramático, com citações a dramas familiares a la "O poderoso Chefão", o filme vai deixar mais marcas pelo seu potencial técnico do que pelo filme em si. Algumas boas cenas, como a da execução de um crime em um bar, e o final, numa estação de trem. A da perseguição de carros no desfecho também impressiona pela produção, que fechou ruas e pontes em NY. Nota: 7

sábado, 22 de março de 2014

Expresso do amanhã

"Snowpiercer", de Bong Joon-ho(2014) Co-produção sul-coreana, americana e Tcheca, esse filme de ficção científica é baseado na Graphic novel francesa "Le Transperceneige ". Enquanto rodava "O hospedeiro" em 2004, o cineasta Bong Joon-ho descobriu os quadrinhos e resolveu levar às telas. O filme, diga-se de passagem, é muito, muito estranho. Pegando emprestado o visual de cineastas como Michel Gondry. Wes Anderson e principalmente Jean-Pierre Jeunet, Bong Joon So trabalhou no limite do grotesco e da fanfarra. A personagem de Tilda Swinton, por exemplo, é totalmente não-realista, apelando pro humor físico. Lembra muito a personagem de Elisabeth Banks em "Os jogos vorazes", um tipo absolutamente histriônico e chanchadesco. Fora isso, o filme apresenta momentos de quase constrangimento, devido a situações muito fora do tom. Mas algumas cenas de verdade de realização brilhante, salvam o filme de uma catástrofe iminente. Por ex, a cena que faz homenagem a "Oldboy", de Park Chow Woo, também produtor do filme. Quando um personagem abre a porta, se depara com dezenas de tipos armados com machetes no corredor. A história se passa no futuro, ano de 2034. Os cientistas criaram uma quimica que foi lançada no ar para inibir o aquecimento global, mas o efeito foi desastroso. O planeta acabou virando congelando e praticamente todo mundo morreu. Os poucos sobreviventes habitam em um trem movido a motor-continuo, criado pelo engenheiro Wilford (Ed Harris). O trem é dividido em seções: os ricos e os pobres. Curtis (Chris Evans) resolve fazer um levante para tomar o trem, ajudado por um exército de Brancaleone que inclui John Hurt, Otavia Spencer, Jamie Bell, Kang-ho Song e Ah-sung Ko ( pai e filha em "O hospedeiro". Ed Harris novamente banca Deus, assim como seu personagem em " O show de Truman". Muitos efeitos especiais ( alguns duvidosos), uma trama que lembra muito "1984"e "Elyseum" e uma bela fotografia. Para quem curte filmes bizarros ( a cena da escola é Wes Anderson puro) essa é uma boa pedida. Nota: 7

quinta-feira, 20 de março de 2014

Tudo por justiça

"Out of furnace", de Scott Cooper (2013) Scott Cooper é o diretor daquele filme chato com Jeff Bridges, sobre o cantor country bebum. Aqui em "Tudo por justiça", ele junta o elenco dos sonhos de qualquer produtor e cineasta de Hollywood: Christian Bale, Woody Harrelson, Forest Whitaker, Sam Sheppard, Casey Affleck, Willen Dafoe e Zoe Saldana. Mas por incrível que pareça, o filme não decola. O roteiro é um deja vu sem fim. Misture "Drive", "O vencedor" ( com o próprio Bale, sobre a relação conflituosa de 2 irmãos), "ferrugem e ossos", "O lugar onde tudo termina",...o resultado? Um drama com aura cult, mas enfraquecido por uma sub-trama melodramática. No caso, duas: a relação do personagem de Bale com Zoe Saldana, e a relação dos irmãos Bale e Affleck. Ficou um super novelão. Bale interpreta Russel, um operário de uma fabrica da Pensylvania. Seu irmão Rodney (Affleck) é um ex-fuzileiro, atormentado pela guerra. Rodney entra no mundo das lutas clandestinas, mais como uma forma de extravazar seus traumas. Agenciado por John (Dafoe), eles se envolvem com Harlen (Harrelson), um agenciador de lutas mau caráter e violento. Após uma tragédia, que o faz ficar preso, Russel sai da prisão e reencontra seu irmão ainda mais atormentado. Até que Rodney some,e Russel vai atrás da verdade. Os personagens são pouco delineados e abusam do clichê. Harrelson exagera na composição do cara mau, Zoe Saldana no pouco que aparece faz o tipo mulher carente e arrependida e Forest Whitaker faz um policial motivado pelo trabalho e vida pessoal. Ou seja, ele mistura tudo. Bale está bem, e tem bons momentos, mas seu personagem é o que mais sofre com o melodrama, obrigando o herói a se emocionar a toda hora. A fotografia é bonita, em tons escuros e azulados, realçando a dramaticidade da trama. A edição brinca com a montagem de "O silêncio dos inocentes", com a falsa premissa que iremos presenciar uma emboscada e no entanto, o que vemos são ações paralelas. Funciona. Nota: 7

terça-feira, 18 de março de 2014

Pompéia

"Pompeii", de Paul W.S. Anderson (2014) Ai, que preguiça de ver esse filme. Bom, só para simplificar: essa versão descarada de "Gladiador" substitui Russel Crowe por Kit Harington e Joaquin Phoenix por Kiefer Sutherland. Aliás, Kiefer, que já havia feio inúmeros vilões nos anos 80 e 90 , e havia se redimido como herói depois da série "24 horas", voltou a fazer papel do bad boy. A história: pela milésima vez em filmes épicos, a família do herói é dizimada quando ele é criança. Levado por mercenários, ele cresce e é treinado como gladiador. Ele acaba conhecendo a filha do Senhor de Pompéia, Cassia (Emily Browning). Ambos se apaixonam, mas entre eles existe Corvus, senador interpretado por Kiefer, que quer a mão de Cassia. No meio disso tudo, o vulcão Vesúvio erupte, botando toda a população em polvorosa. Bom, de fato, a novidade aqui é zero: os mucamos sempre morrem, as pessoas que ajudam também. Tudo é absolutamente previsível, e algumas cenas são bem toscas em relação a diálogos. Os efeitos são falsos, computação gráfica descarada sem um mínimo de sofisticação. Kit Harington, o John Snow da s;erie "Game of Thrones", repete em trejeitos e olhares o seu famoso personagem. Só que aqui, a serviço do mal cinema. Só para sessão da tarde. Nota: 3

segunda-feira, 17 de março de 2014

Perca sua cabeça

"Lose your head", de Stefan Westerwelle e Patrick Schuckmann (2012) Baseado em história real, o filme narra a história de Luis, um jovem gay de Madri, que resolve passar as férias em Berlin após se desentender com seu namorado. Chegando na cidade,ele parte para clubes noturnos, ao som de musica eletrônica e muitas drogas. Numa das boites ele conhece uma mulher misteriosa que lhe oferece drogas, Logo surge Viktor, um Ucraniano que seduz Luis, que se apaixona perdidamente por ele. Mas Viktor não é quem parece ser, escondendo a sua verdadeira identidade, que pode estar por trás do sumiço de jovens europeus em férias em Berlin. O ponto alto do filme são as cenas de festas ao som de música eletrônica. Além da ótima seleção de músicas, tecnicamente a fotografia e a edição salvam o projeto. Exibido no Festival de Berlin 2012, o filme nem chegou a ser distribuido. Esse baixo orçamento tem em seu roteiro e em seu personagem principal os pontos mais fracos da história. Mesmo baseado em fatos reais, a história sôa muito inverossímel, e o protagonista é tão idiota, que o espectador acaba torcendo para que ele morra no meio do filme. Nota=: 5

domingo, 16 de março de 2014

Nunca enxugue as lágrimas sem luvas

"Torka aldrig tårar utan handskar", Simon Kaijser (2012) Compilação de 3 episódios de uma série de tv, esse filme de 3 horas de duração mostra a tragédia que o advento do vírus da Aids provocou na cidade de Estocolmo no início dos anos 80. O filme é praticamente uma versão sueca de "Angels in America", famosa obra dirigida por Mike Nichols com Meryl Streep, Emma Thompson e Al Pacino, também sobre a Aids nos Estados Unidos dos anos 80. Até mesmo o argumento é parecido: A religião continua sendo apontada como um catalisador sexual. Ao invés de mórmons, aqui temos Testemunhas de Jeová. A comunidade judaica também se mostra presente. Os créditos iniciais, com vistas a;éreas, também se assemelha do telefilme americano. Mas nenhuma dessas semelhança minimiza o poder de emocionar desse filme sueco. A história gira em torno de 2 personagens: Ramus, jovem de uma cidade do interior que ao completar 19 anos, se muda para Estocolmo. Essa mudança cojncide com sua saída do armário, e ele sai transando loucamente. Paralelo, temos a história de Benjamin, jovem de família de Testemunhas de Jeová, que conhece Ramus e ambos se apaixonam. Eles se encontram sempre na casa de um grupo de amigos que, com a Aids, vai se desfazendo. É muito triste ver o grupo diminuindo pelas mortes sucessivas dos companheiros. O filme se passa em 3 épocas: infância dos protagonistas, anos 80 e hoje em dia. A direção de arte, figurino, maquiagem são ótimas, mostrando com perfeição a cultura pop e gay dos anos 80. Edição, trilha sonora, fotografia também primorosos, com planos e cenas muito bonitos, com constante uso de flaires na lente. O olhar documental do Diretor, principalmente nas cenas que mostram exames de sangue, etc, são realizados com muita tensão, bem próprio da época, quando todos tinham pavor de ver o resultado. A cena do suicídio de um dos personagens é de extrema beleza, uma obra-prima de realização. O elenco em peso está formidável, sem exceção. Um projeto maravilhoso que deveria ser visto por todos que gostam de boa história, emoção e melodrama na medida certa. O título do filme se explica pela cena inicial, mostrando o preconceito dos enfermeiros: uma enfermeira enxuga uma lágrima de um paciente com HIV e é repreendida pela outra enfermeira. Nota: 8

sábado, 15 de março de 2014

Q

"Q", de Laurent Bouhnik (2011) Para quem achou "Ninfomaniaca" um explicitamente erótico mas sem tesão, pesado e depressivo, "Q" pode ser a alternativa. Nesse filme francês, acompanhamos vários personagens desajustados, sempre com um ponto em comum: sexo. Cecile perdeu seu pai e transforma seu luto em prazer sexual. Assumindo a postura de uma ninfomaniaca, ela sai transando loucamente. Outros personagens cruzam seu caminho e entre momentos de incerteza na vida e futuro incerto, a cama ou o banheiro são o lugar ideal para terapia. Sexo oral, masturbação, penetração, banho coletivo, vale-tudo nessa busca pelo uma luz no fim do túnel. Mas atenção: o sexo aqui também não tem a intenção de provocar excitação na platéia. Filmado de forma fria, escura, não há como ninguém se excitar vendo as cenas despudoradas interpretadas por atores franceses em busca de um lugar ao sol. Sexo, sexo, sexo. No entanto, faltou um bom roteiro e uma boa direção. O filme segue sem ritmo, chato, perdido. Nota: 4

sexta-feira, 14 de março de 2014

Membro somente: Sem corte

"Members only: Uncut", de Jonathan Zarantonello (2003) Quando você acha que já assistiu de tudo em matéria de filmes, surge essa verdadeira pérola do cinema erótico-experimental. rodado em HD em super-baixo orçamento, esse filme alardeado como rodado em plano-sequência de 75 minutos tem como única estrela um pênis. Isso mesmo, um pênis. O tempo todo, a câmera enquadra da cintura pra baixo um homem acamado, vítima de acidente. Ele é um escritor e está com a perna presa a tipóias. Para passar seu tempo, ele pega seu caderno de telefones e liga para várias mulheres para virem acudi-lo sexualmente. Paralelamente, a polícia surge para interrogá-lo sobre o sumiço de sua namorada. E tudo isso, ouvimos diálogos em off ( já que não vemos as caras dos atores) narrando o que acontece da cintura pra cima. Fica claro que os atores, todos pornôs, foram dublados. Os movimentos das mãos beiram a caricatura, pois elas interpretam o que é dito. O filme foi todo rodado em 1 dia. Quanto ao plano-sequência, vendo o filme a gente consegue achar vários pontos de corte. O ator pornô Franco Trentalance interpreta (?) o protagonista. O pau dele é masturbado, boqueteado, sugado por um aspirador de pó, cagado de chocolate, ele se depila, passa creme, lubrificante. Ou seja, abusaram bastante. O filme todo tem um tom de comédia caricata italiana. O Guiness publicou que esse é o filme com maior tempo de exposição de um pênis na história do cinema. A experimentação do filme pode até ser ousada, mas faltou um bom roteiro para criar empatia e interesse do espectador. Em menos de 10 minutos tudo já vira um tédio enorme. Nota: 5

Tristeza e alegria

"Sorg og glæde/Sorrow and joy", de Nils Malmros (2013) No ano de 1984, o Cineasta Dinamarquês Nils Malmros vivenciou uma tragédia pessoal: Sua esposa degolou a filha deles de 9 meses de idade. Com muita coragem, Nils somente agora exorcisa esse fantasma, contando a história de Johannes, um cineasta de sucesso que conhece uma professora, Signe. Apaixonados, eles se casam, mas durante o relacionamento ele vai descobrindo que ela é depressiva e auto-destrutiva. Signe ainda fantasia que seu marido está tendo um caso com uma jovem atriz dos filmes dele. O filme cronologicamente tem duas narrativas: uma atual, e outra em flashback, contando a história de Johannes e SIgne, através de um relato que ele dá para um Psiquiatra. É um filme muito forte dramaticamente, de narrativa extremamente fria, intensificando a força da história. Os dois atores principais estão excelentes, e é um filme difícil de se assistir pela natureza trágica do fato real. Mas para quem curte dramas intensos com performances admiráveis, essa é uma boa pedida. Nota: 8

quinta-feira, 13 de março de 2014

De frente

"Head on", de Ana Kokkinos (1998) Drama australiano sobre um jovem, Ari, descendente de imigrantes gregos que moram em Sidney. Ari vive em eterno conflito: por ser imigrante e não entender as tradições da cultura grega, se sentindo um peixe fora d'água,e por ser gay não assumido. Ari perambula pelo submundo, pelas ruas e travessas em busca de sexo fácil, não importa com quem, tornando-o uma pessoa destrutiva. O filme esteticamente é bem datado: câmera lenta estilo "shutter", penteados, figurino, tudo bem moda da época, final dos anos 90. O elenco está ok, mas a direção do filme é bastante irregular e amadora. Não possui o charme dos filmes feitos sem dinheiro. A edição, a decupagem, tudo é bem pobre e percebe-se que o Diretor é bem cru ainda. O filme faz uma mistura de vários sub-temas: conflito familiar, tradição grega, vida gay vista de forma sórdida. O filme não perdôa nem os travestis. Um filme para se ver e se esquecer, Nota: 5

Não perturbe

"Do not disturb", de Yvan Attal (2012) Comédia dramática, refilmagem do americano "O dia da transa". O filme gira em torno de 2 amigos de longa data, Ben (Yvan Attal) e Jeff ( François Cluzet). Ben está em um relacionamento e sua mulher quer ter um filho. Jeff surge em sua casa e pede para ficar 2 dias. Jeff, incomodado com avida careta e pacata de seu melhor amigo, o convida para uma festa muito louca. Os participantes resolvem enviar vídeos pornôs para um Festival de arte pornô, e Jeff insiste que ele e Ben devem fazer um filme gay e enviar ao Festival. Dito assim, o filme promete ser uma comédia deliciosa. Só que a;i está o problema: com uma trama inusitada como essa, o ator, roteirista e diretor Yvan Attal deveria ter investido mais no humor. Mas não: ele travou e trouxe o drama e o filme menor comercial para o projeto, e ele ficou totalmente no caminho. Chato, sem ritmo, acaba cansando antes mesmo da metade do filme. Uma pena, porquê ele juntos a nata do cinema francês (Charlotte Gainsbourg, Laetitia Casta, François Cluzet, Asia Argento) e fez um filme morno que nunca decola. Mesmo na parte do filme onde propriamente dito os amigos simulam que irão transar, faltou uma mão mais divertida. Nota: 5

quarta-feira, 12 de março de 2014

Baby Blues

"Baby blues", de Po-Chih Leong (2013) Suspense chinês, que mistura as tramas de "Brinquedo assassino" e "A mão que balança o berço". Um casal se muda para uma casa. O marido é produtor musical,a esposa fotógrafa. Eles encontram entre a mudança do vizinho anterior uma misteriosa boneca e resolvem guardá-la. O que eles não esperavam é que a boneca é amaldiçoada. Clichê do início ao fim, o filme de suspense não tem nada, e os efeitos especiais são da pior qualidade. Impera a cafonice da trama e trilha sonora, além da canastrice do elenco. O filme ainda reserva o eterno clichê do velho que avisa os protagonistas para tomarem cuidado. Pena ser ruim, era uma chance do cinema chinês investir no terror. A boneca nem sequer se move. Péssimo. Nota: 2

terça-feira, 11 de março de 2014

Irmãs diabólicas

"Sisters", de Brian de Pqlma (1973) Mais de 20 anos depois te tê-lo visto pela 1a vez no Estação Botafogo, quando ainda era um Cineclube, é muito surpreendente rever o filme já conhecendo obras posteriores do Cineasta Brian de Palma. Aqui, nesse filme de 1973, de Palma experimentou pela 1a vez a homenagem explícita ao Mestre do suspense, Alfred Hitchcock, de quem ele emprestaria em mais de 8 filmes depois, fazendo referências e até mesmo roubando tramas. Em "Irmãs diabólicas" a referência mais clara é "Janela indiscreta". Grace é uma repórter investigativa. Um dia, de sua janela, ela avista um assassinato no apartamento do prédio da frente. Ela aciona a polícia, mas chegando lá, nada encontra. Logo ela descobre que a moradora é uma ex-siamesa, Danielle (Margott Kidder), uma modelo, que acusa sua irmã de ter matado o homem no apartamento. Porém, Dominique, a irmã, está desaparecida. Suspense em alto grau, deliciosamente datado ( direção de arte, figurino, maquiagem) mas conferindo um charme kitsch ao filme. O sangue então nem se fala: falso até não poder mais. O que eu mais adoro como linguagem no filme, é a divisão da tela em duas: o espectador presencia antes do personagem, as ações paralelas, aumentando o grau de tensão. Isso é genial! A trama é pouco crível ( nenhum morador deixaria um morador entrar em seu apto, muito menos a polícia deixaria também) , mas chega a ser tão absurda que a gente vai se envolvendo. Margot Kidder, linda antes de fazer Lois Lane de "Super-homem", era amiga de de Palma, daí a sua re;ação com o filme. Nota: 8

Descalça

"Barefoot", de Andrew Fleming (2014) Simpática comédia romântica dirigida pelo mesmo cineasta do cult "Três formas de amar". Evan Rachel Wood, de "Aos treze" e "Charlie Countryman" interpreta Daysi, uma paciente psiquiátrica de uma clínica de reabilitação mental. Acusada de ter matado sua mãe, ela conhece o faxineiro Jay ( Scott Speedman, de "Os estranhos". Ele é a cara do Hugh Jackman!). Jay na verdade é filho de um milionário, mas foi deserdado pelo pai pelas merdas que andou aprontando. No dia do casamento do irmão, seus pais o convidam pro casamento, mas Daysi foge e ele acaba levando ela, a apresentando como sua namorada. Paralelamente, um marginal o está perseguindo, devido a dívidas contraídas com bandidos. Com bela trilha sonora e fotografia, o filme tem uma grata surpresa em Evan Rachel Wood: ela interpreta com louvor a mocinha romântica e atrapalhada, meio Cinderela. Ela está uma graça. Scott também se mostra um bom galã, e o elenco de apoio, encabeçado pelo eterno coadjuvante J.K Simmons ( de "O homem -aranha"), diz ao que veio. O Único porém é uma dispensável trama policial, que arrasta o filme lá pelo meio e final. Nota: 6

Todos os dias

"Everyday", de Michael Winterbottom (2013) Puta que o pariu, que filme lindo! Usando o seu habitual estilo documental, Winterbottom aproveitou um projeto que falava sobre vida carcerária e resolveu montar esse projeto ficcional de forte carga emotiva. Filmado durante 5 anos, sendo 2 emanas por ano, num total de 10 semanas, Winterbottom acompanha as vidas destruídas de Ian, um pai encarcerado, e Karen, sua esposa, que tem 2 trabalhos, 4 filhos pequenos e muita garra e determinação para manter a família unida. Durante os 5 anos, as crianças crescem, a saudades vai minimizando e as vidas vão se deixando consumir pelo tempo. Aliás, esse é o tema principal do filme. O tempo como elemento de união ou destruição, da saudade e do esquecimento, do crescimento físico ( das próprias 4 cranças, as mesmas durante todo o processo do filme) até psicológico ( interessante ver como o temperamento das crianças vai mudando com o tempo). Através das atuações extraordinárias de Shirlei Henderson e John Simm, além das 4 crianças, o filme tem um forte elemento emocional que me deixou muito transtornado. Chorei, sofri, senti a dôr intensa dos personagens pelo isolamento e solidão, as oportunidades que os personagens possuem diante de suas vidas miseráveis. Como eu amo essa espontaneidade na forma de filmar de Winterbottom, captando momentos antológicos dos choros das crianças, embalados pela trilha magistral de Michael Nyman. A fotografia, os planos da natureza como link para passagem do tempo, que maravilha! Absolutamente imperdível. Nota: 10

sábado, 8 de março de 2014

Hélio

"Helium", de Anders Walter (2013) Triste fábula Dinamarquesa sobre a aceitação da morte, vencedor do Oscar de curta-metragem 2014. Enzo é um menino em estado terminal, internado em um hospital. Alfred é um faxineiro do hospital, que vê no menino a chance de se despedir de seu irmão pequeno que faleceu a tempos. Alfred aproveita a paixão de Enzo por balões e conta a história de Hélio, um mundo onde Enzo pode realizar suas fantasias. Lírico, poético, com bela trilha sonora, excelente fotografia e brilhante uso de efeitos de computação gráfica. Os dois atores estão muito bem em seus papéis, e impressiona o talento do menino Casper Crumb. Acho inclusive o filme extremamente apelativo no sentido de querer emocionar o espectador a qualquer preço, mas o produto final vale a pieguice. Nota: 8

O homem voador

"The flying man", de Marcus Alqueres (2013) Ótimo curta de ação, dirigido por um efeitista visual americano, Marcus Alqueres, que fez entre outros filmes, "300". A história gira em torno de um super-herói misterioso, que surge no mundo real, matando criminosos e gerando discussões acerca da pena de morte e de quem é a responsabilidade de manter as ruas limpas de marginais. Paralelamente, temos a história de uma dupla de traficantes de armas que estão prestes a fazer uma transação. Inteligente e com direção precisa, que em menos de 10 minutos, narra uma brilhante história. Assim que eu gosto, filmes concisos. Odeio aqueles curtas de 20 minutos ou mais que parecem intermináveis. Curta é para narrar uma idéia, e não um sonho frustrado de contar em pouco tempo o roteiro de um longa. Aliás, li numa matéria que nessa breve apresentação desse curta, os produtores já estão pensando em um longa. Seja bem-vindo. Nota: 9

quinta-feira, 6 de março de 2014

Ninfomaníaca : Volume 2

"Nymphomaniac: Volume 2", de Lars Von Trier (2013) Na boa, esqueçam o Volume 1. Com exceção da cena antológica com Uma Thurman, todo o volume 1 foi para mim bastante frustrante. Mas vendo o Volume 2, me redimi completamente. Que porrada! O primeiro investia no humor. Aqui, é so pancadaria. Sadomasoquismo e violência ao extremo. Em alguns momentos, me vi assistindo ao "Paixão de Cristo", do Mel Gibson, com aquelas cenas hiper-violentas de chicoteadas arrancando pele e vísceras. Aqui, Joe ( Charlotte Gainsbourg), não satisfeita com o sexo tradicional, cai de cara no mundo underground do sadomasoquismo e bondage. Chicotadas, porradas, socos, fistfucking, golden shower, vale-tudo nesse mundo sombrio. Tenho ceretza de que muita gente vai fechar os olhos e achar tudo repulsivo e odioso. Lars Von Trier retoma o tema da misoginia em seus filmes. Agredido pela crítica e público pelo ódio demonstrado aos personagens femininos de seus filmes, aqui ele abusa. Charlotte Gainsburg dá vida a um personagem que vai ao extremo. Realmente, tenho que tirar meu chapéu para ela. Nào existe atriz no mundo que vá a fundo como ela: ela faz sexo oral em pênis ereto, transa com mulher, mostra close de sua vagina, fica nua sem pudor algum, se masturba de verdade. É muito foda! Tem uma cena antológica no filme: uma discussão entre 2 africanos nus e de penis eretos, com o rosto de Joe entediada. Outro momento marcante: uma retomada do prólogo de "Anticristo", inclusive Trier usa a mesma música na trilha. Para quem ficou aflito no filme anterior, esse aqui será repetição da dose. O início é chato, com aquele discurso chato de Seligman (Stellan Skarsgård) , falando de religião, matemática, etc. Mas depois o filme engrena. Não é para qualquer um esse filme. É punk mesmo! Nota: 7

quarta-feira, 5 de março de 2014

Quando eu era sombrio

"I used to be darker", de Matthew Porterfield (2013) Produção independente americana, exibida em Sundance e Festival de Berlin 2013. O filme me remeteu bastante ao excelente "Alabama Monroe", por falar de assuntos comuns: relacionamento doloroso, separação, gravidez, protagonistas cantores e principalmente, músicas que vão costurando o filme e narrando a dôr dos personagens. Nesse drama intimista, acompanhamos 4 personagens: Taryn, uma jovem irlandesa que foge para os Estados Unidos por causa de um relacionamento que acaba terminando e tendo como saldo uma gravidez indesejada. Ela se refugia na casa da tia, que acaba de se separar de seu marido. A tia é cantora, e o ex-marido dela largou a música para viver uma profissão burocrática. Os Tios têm uma filha, Abby, aspirante a atriz. Juntos, os 4 personagens se identificam em sua dor, e não conseguem se suportar. Bela direção em filme minimalista, que flui lento, diálogos inspirados e ótimos atores. Nota: 7

terça-feira, 4 de março de 2014

Devorado

"Devoured", de Greg Oliver (2012) Ótimo drama psicológico, com um desfecho surpreendente. A narrativa segue o clássico de Polanski, "Repulsa ao sexo": claustofobia e uma atmosfera de constante tensão. Lurdes é uma imigrante mexicana que vai para Nova York trabalhar e juntar dinheiro para a operação de seu filho de 10 anos. Trabalhando num restaurante, ela é maltratada pela Gerente e pelo cozinheiro, que tenta seduzi-la a todo custo. É um filme de baixo orçamento, porém com um bom roteiro, que prende a atenção do espectador do início ao fim. Muito do sucesso do filme se deve ao trabalho da atriz Marta Milans, convincente no papel da mãe desesperada. A fotografia desenha com perfeição o tom assustador da narrativa. Muitas referências cinematográficas, entre elas, "O iluminado", na cena do freezer. Nota: 7

O show de horrores de Penny Dreadful

"The Penny Dreadful picture show", de Nick Everhart, Leigh Scott, Eliza Swenson (2013) Na tradição dos filmes "Creep show", esse "Penny Dreadful" é uma coletânea de 3 curtas de terror, costurados com a história de Penny Dreadful, a mestre de cerimônias do filme. Penny se encontra em um cinema desativado, e junto de seus asseclas, um zumbi e um lobisomem, ela aguarda os convidados pra sessão de cinema. Entre um convidado e outro, um curta surge. No 1o, chamado "Slash in a box", um casal ganha uma caixa de palhaço. O que eles não esperavam é que a caixa está viva. O 2o curta se chama The morning after". Uma jovem acorda estranha e tem q sensação que algo muito ruim lhe aconteceu na noite anterior. No 3o, " The slaughter house", é feita uma homenagem ao longa "A casa dos 100 corpos", de Rob Zombie, que por sua vez, já era uma homenagem a "O massacre da serra elétrica", aqui também reverenciada. Como era de se esperar, o filme não é para ser levado a sério. O que impera é o humor negro, e o terror passou bem longe. Para uma produção de baixo orçamento, até que gastaram uma grana boa. O 2o é um filme de época, e o terceiro, tem um elenco grande e produção caprichada. O elenco está ok para esse tipo de produção, num tom que leva ao chanchadesco, afinal, tudo é uma grande paródia. A destacar no último episódio as participações especiais de Sid Haid ( do filme de Rob Zombie) e Jeffrey Combs, do clássico "Re-animator". Vale como curiosidade. Nota: 5

Vidas ao vento

"Kaze tachinu", de Hayao Miyazaki (2013) A mais recente produção de Miyazaki e dos Estúdios Ghibli pode ser também a última do Mestre da animação. Durante coletiva no Festival de Veneza, onde o filme concorreu, o Cineasta afirmou que não iria mais fazer filmes. Guardando as devidas proporções, para mim, é como se Woody Allen resolvesse não filmar mais. Uma grande perda. Nesse filme, Miyazaki se baseia na história real do designer de aviões Jiro Horikoshi. Desde criança, Jiro sempre quiz ser piloto de avião. Mas devido à sua miopia, ele não pode realizar esse desejo. Durante um sonho, no qual ele se imagina em conversa com o designer italiano Caproni, ele tem a idéia de seguir a carreira do italiano. Anos depois, já crescido, Jiro vai trabalhar em uma empresa de aviação, durante a recessão econômica japonesa no período entre as 2 grandes guerras, anos 30. Acidentalmente, dentro de um trem , ele conhece Naoko, mas um terremoto irá separar suas vidas. Anos depois ele a reencontra, mas descobre que ela é tuberculosa. Ao mesmo tempo, ele precisa projetar aviões que servirão ao governo japonês lutar na 2a guerra. Diferente de seus outros filmes onde ele se baseia no Universo fantástico, aqui Hayao se baseia nos sonhos de seu protagonista para poder criar o lúdico perante uma realidade violenta e cruel. Os seus traços são lindos, poéticos ao extremo. A neve que cai, as nuvens que passam, os raios de sol, e principalmente, o vento que guia os seus personagens, tudo é de uma beleza absurda. A trilha sonora de Joe Hisaishi se utliza de referências italianas para dar vida a um mundo romantizado. Chorei rios durante o filme, emocionante ao extremo. Como todos os filmes de Miyazaki, esse também é longo, são mais de 2 horas e duração. Lá pelo meio existe uma "barriga", mais para ilustrar com didatismo a vida de Jiro e seu percurso como homem forte dentro da aviação servindo ao governo japonês. Uma cena antológica: Jiro indo atrás do guarda-sol de Naoko. Me lembrou bastante Marcello Mastroiani em "Olhos negros". Imperdível. Nota: 9

Upstream Color

"Upstream Color", de Shane Carrut (2013) Carruth , em seu 2o longa, que estreou em Sundance 2013, é um Cineasta incensado pela crítica pela sua abordagem original ao mesclar gêneros como drama, mistério, ficção científica e romance. Numa atmosfera de fantasia e conto fantástico, ele narra a bizarra história de um ladrão que sequestra uma jovem publicitária, Kris, e a obriga a tomar um comprimido que possui uma larva viva em seu interior. Essa larva hipnotiza Kris e a faz obedecer a todos os comandos do ladrão. Após retirar todos os pertences dela, ele a abandona. Kris acorda no dia seguinte, e se recorda vagamente que esteve em uma fazenda de criação de porcos, e lá o fazendeiro retirou a larva fazendo uma transfusão em um porco. Ela acaba sendo demitida e descobre que não tem mais nenhum bem material. 1 ano depois, ela conhece Jeff, e descobrem juntos que passaram pela mesma experiência. Dito assim, parece uma história bem narrada. Mas não: o cineasta Shane Carruth, que é ator e interpreta Jeff, cria uma fábula hermética que faria David Lynch se orgulhar imensamente dele. O melhor é ver ao filme se entregando às sensações que ele provoca, por conta de sua belíssima fotografia e trilha sonora etérea. É uma viagem mística, que casa espectador tentará desvendar e provavelmente cada um terá sua teoria. O ritmo é lento, qual um filme de Terrence Malick, mas surpreende pela sua ousadia narrativa. Para cinéfilos que buscam um entretenimento adulto e ávidos por novas narrativas. Nota: 7

segunda-feira, 3 de março de 2014

E chamam isso de Verão

"E la chiamano estate/And they call it summer", de Paolo Franchi (2012) Vencedor dos prêmios de Melhor diretor e de melhor atriz para Isabella Ferrari no Festival de Roma 2012, esse filme é a versão italiana de "Shame". Anna e Dino formam um casal bem-sucedido. Ricos, bonitos. Para os amigos, um casal feliz. Mas na intimidade, os dois não fazem mais sexo. Se amam, mas a aproximação de seus corpos os repele. Infelizes, buscam o sexo fora de casa. Dino transa com putas, vai em casas de swings. Anna reencontra um caso antigo. Dino resolve procurar um ex-namorado de Anna para que ela se envolva com ele e dessa forma volte a fazer sexo e a se relacionar com alguém. Curiosa a trajetória do ator francês Jean Marc Baar. Ele surgiu ainda no final dos anos 80, com "Imensidão azul" e depois "Europa", de Lars Von Trier. Recentemente, ele se tornou cineasta e resolveu investir no cinema erótico. Todos os seus filmes têm um apelo forte de sexo, e em "Crônica sexual de uma família francesa", ele investe pesado no sexo explícito. Aqui em "E chamam isso de verão", tem umas rápidas cenas explícitas numa casa de swing. Nudez o tempo todo. Mas essa exposição ao erótico não tira a força dramática do filme. Melancólico, depressivo, é um filme que mexe com a cabeça do espectador. Qual a razão do relacionamento não funcionar? Porque um casal tão aparentemente feliz, não se permite amar? A fotografia, a cargo de Vincenzo Carpineta, é um deslumbre de tão bonita. Os planos, enquadramentos, tudo glamuroso e sofisticado. Ao final das contas, é um filme bem triste. Não recomendado para casais em momento delicado da relação. Nota: 7

Encontros da meia-noite

"Les rencontres d'après minuit", de Yann Gonzalez (2013) François Ozon, Xavier Dolan, Fassbinder e Greenaway já encontraram um discípulo à altura de suas ousadias estéticas. Yann Gonzalez, cineasta francês, estreou em longa-metragem no Festival de Cannes 2013, arrancando elogios à sua fantasia erótica experimental. Usando uma forte linguagem teatral, inclusive no cenário (lembrando "Lágrimas amargas de Petra Von Kant", que se passa todo dentro da mansão da estilista). O filme se passa quase todo dentro de uma mansão, que pertence a um jovem casal. A empregada deles é um cross-dresser, e juntos formam um estranho triângulo amoroso sexual. O casal aguarda a chegada de convidados após a meia-noite: o garanhão, a puta, o adolescente e a Estrela se juntam com a intenção de promoverem uma noite de orgia. Ma chegada dos convidados, cada um vai relatando a sua história pessoal, onde sexo, desejo e morte caminham juntos. Kitsch, pomposo, afetado, o filme é um grande deslumbre visual. Um feito raro hoje em dia, foi todo rodado em 35 mm. A fotografia, estilosa, acompanha os arroubos de criatividade do Cineasta, que quiz aqui, fazer um filme de cinéfilo para cinéfilos sofisticados, com forte referência de filmes como "Querelle", "Amores imaginários" e " O sétimo selo". O filme em si está aberto a interpretações. Entre um mundo lúdico e um realista, a porteira está aberta para que ambos os mundos se colidam e se co-existam. O elenco é cult até o talo: Beatrice Dalle, em participação hilária, como uma generala masoquista. Niels Schneider repete seu papel em "Amores imaginários" e vive um triângulo bissexual. Alain-Fabien Delon, filho de Alain Delon, incorpora um tipo marginal, uma referência aos filmes de seu pai. Aliás, a semelhança é impressionante. Eric Cantona, ex-jogador do Manchester United, entrou de cara como ator, após a bem-sucedida incursão no filme de Ken Loach, "A procura de Eric". Aqui, ele bota o pau pra fora e ainda participa da orgia beijando homens e mulheres. A trilha sonora, a cargo do grupo eletrônico M83, é lindíssima. O filme e verborrágico e cansa, mas pela sua beleza e encantamento visual, merece uma nota maior. A cena final é das mais belas que vi recentemente: poética, melancólica. Nota: 8

domingo, 2 de março de 2014

Heróis

"Heros", de Bruno Merle (2007) Claramente inspirado no clássico de Scorsese, "O rei da comédia", "Heróis" apresenta inclusive em sua ficha técnica como autor de música Rupert Pumpkin, o nome do personagem de Robert de Niro no filme. Pierre é um animador de auditório. Comediante, ele é uma pessoa frustrada. Ele quer ser famoso. Resolve então, sequestrar o seu ídolo Clovis Costa, um cantor com pinta de anos 60. Entre realismo e delírios, Pierre vai surtando, até chegar ao ponto dele mesmo não conseguir distinguir o que e passa ao seu redor. Curioso filme com tintas experimentais, o cineasta Bruno Merle mistura gêneros: drama, comédia humor negro, musical, ação, policial. Com enquadramentos estranhos, o filme tem no ator Michael Youn todo o seu foco de interesse. Impressionante no papel do comediante psicótico, Youn não economiza energia para dar vida ao personagem. Um filme inusitado, curioso, cinematograficamente belo, lembrando até mesmo a construção imagética do cineasta Jean-Pierre Jeunet, por conta do uso d elente grande angular e apuro visual. Só não é melhor porquê o filme é longo e cansa lá pela metade. Uma cena antológica: Pierre maquiado de palhaço assassino, dançando ao som de "Be a clown" mixado a" Rockn roll"do Daft Punk. Nota: 6

sábado, 1 de março de 2014

Garotos do Leste

"Eastern boys", de Robin Campillo (2013) Intenso drama francês, que mescla dois temas explosivos na atual França: A imigração e o relacionamento homossexual. Na estação de Gare du Nord, uma gang de jovens garotos do Leste Europeu se prostituem e roubam passageiros. Daniel, um homem de 50 anos, se apaixona pelo jovem ucraniano Marek. Ao levá-lo para casa, ele não imaginava que fosse ser assaltado pela gang. Passam-se os dias, e Marek retorna para casa de Daniel. Sem resistir aos encantos do garoto, e ao possível perigo, Daniel se envolve com ele. Um filme que tem como questão moral o desejo e a impossibilidade de se resistir ao tesão. Bem dirigido e com ótimo time de jovens atores, o filme venceu em Veneza 2013 a Mostra paralela "Novo Horizonte", levando o prêmio de melhor filme. As performances são intensas, porém espontâneas e naturalistas, uma escola dos Irmãos Dardenne. O roteiro é muito bem construído e o filme levanta vários pontos sociais, deixando ao espectador tomar partido na história. A Europa deve expulsar os imigrantes europeus das grandes metrópoles? Como resolver a questão do desemprego? E o casamento gay? Um filme atual, em sintonia com os novos tempos. O único porém é que não existe a menor possibilidade desse filme ter sido lançado com 2:03 hrs. Deveriam ter tirado meia hora do filme. Teria sido muito melhor e quem sabe ter atingido uma fatia maior de publico. . Nota: 7

Sweeney Todd- O barbeiro demoníaco da Rua Fleet

"Sweeney Todd: the demon barber of Fleet Street", de George King (1936) Clássico do horror de 1936, baseado na peça de George Dibdin-Pitt e inspirado em fatos reais. Na Londres do Sex XIX, na Rua Flee, mora Sweeney Todd. Ele seduz homens ricos até sua barbearia, e acaba matando-os, ficando com a fortuna deles. A sua vizinha, Senhora Lott, produz tortas com a carne dos mortos. Todd é apaixonado por Johanna, filha de um aristocrata, e junta o dinheiro para poder desposá-la. Mas o pai da jovem não aceita, e Todd resolve dar fim ao amante dela. Como quase todos os filmes de horror clássicos, eles perderam muito com o tempo, ficando ingênuos. O que ficou, é apenas a aura de um filme clássico, mas que não assusta ninguém. Alguns momentos são bastante risíveis, e o filme tem um tom bastante teatral, até na interpretação dos atores. Ficou apenas a curiosidade de ver uma versão antiga do filme musical de Tim Burton. Nota: 5