sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Philomena

"Philomena", de Stephen Frears (2013) Ah, como é bom soltar umas lágrimas vendo um filme emocionante. Baseado no livro " O filho perdido de Philomena Lee", o ator Steve Coogan, que interpreta o jornalista que escreveu o livro, Martin Sixsmith, também co-roteirizou e produziu o filme dirigido pelo cineasta inglês Stephen Frears. Sempre fui muito fã de Frears, um dos grandes relizadores do cinema contemporâneio, autor de muitos clássicos nos anos 80 e 90, entre eles "Minha adorável lavanderia", Os imorais", "Sammy e Rose"e "Um herói por acaso". Aqui, ele conta a história da enfermeira aposentada Philomena, que depois de 50 anos, resolve quebrar um voto de silêncio. Ela conta a história de seu filho de 3 anos, Anthony, que foi roubado pelas freiras da Instituição que ela foi obrigada a ficar. Philomena, com a ajuda do jornalista Martin, resolve ir atrás do paradeiro de Anthony, e acaba parando nos Estados Unidos. É muito divertido ver os personagens discutindo sobre religião ( ela católica, ele ateu). Ela perdôa, ele vai atrás da ira. Ainda bem que Judi Dench já tem seu Oscar, porquê é uma injustiça ver uma atuação tão soberba ser ignorada na noite do Oscar. Deveriam dar empate na premiação. Judi Dench está esplêndida, como se isso fosse alguma novidade. Ela alterna momentos de tristeza, alegria, compaixão. Seu companheiro de cena, Steve Coogan, também não perde uma cena. Dois super-atores, e como todo ator inglês, ótimos nas tiradas bem-humoradas. Um filme que emociona do início ao fim, um tanto melodramático, mas inacreditavelmente, uma história real. A destacar a excelente trilha sonora do francês Alexandre Desplat e a fotografia de Roobie Ryan. Nota: 8

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Omar

"Omar", de Hany Abu-Assad (2013) O cineasta palestino recebeu sua 2a indicação ao Oscar de filme estrangeiro com esse seu belo drama "Omar". Sua 1a indicação veio pelo excelente "Paradise now". Seus filmes giram em torno do conflito Palestina e Israel e a questão do território ocupado, sempre pelo ponto de vista dos palestinos. m "Omar", Hany Abu-Assad surge com uma complexa trama de amizade, traição e vingança, e por incrível que pareça, tudo em nome do amor. Omar ( o excelente ator Adam Bakri) é um jovem padeiro que mora no lado Israelense do território ocupado. Ele constantemente pula o muro que separa os dois lados para poder conspirar com seus 2 amigos, Tarek e Amjad, líderes de um movimento contra a ocupação israelense, e também para flertar com Nadja, irmã de Tarek. Durante um ato terrorista, Omar é preso pela polícia israelense, torturado e obrigado a trabalhar para eles, em troca de manter Nadja e seus amigos em paz. O que a polícia quer é que Omar entregue Tarek. Omar entra em profunda crise e procura se decidir entre o amor, a amizade e sua luta pelo seu País. É um filme belamente construído, de ritmo lento, mas muito bem dirigido e editado. Os filmes de Hany Abu-Assad deixam o espectador absorto e ao mesmo tempo fico triste por entender que esse conflito infelizmente está muito longe de chegar ao fim. A tirania e a estupidez habita em ambos os lados. Esse filme é um legado poderoso a favor da liberdade e da luta a favor da paz. Nota: 8

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Sobrevivente

"The deep", de Baltasar Kormákur. Cineasta Islandês, promovido pela revista Variety como um dos 10 cineastas da década de 2000 a ser visto com atenção, junto de Inarritu, Christopher Nolan e outros. Nesse seu filme "The deep", ele conta a história real do pescador Gulli, que no ano de 84, saiu com seus colegas pescadores num barco que acabou virando no gélido mar do sul da islândia. Gulli foi o único sobrevivente, e seu feito foi visto pelos cientistas como um caso raro onde o tecido adiposo manteve mente e corpo sãos. O filme foi indicado pela Islândia para o Oscar de filme estrangeiro de 2012, ficou entre os 10 finalistas mas não entrou entre os 5 derradeiros. O filme tem excelente direção, bastante complexa pela natureza da história. O filme foca mais no drama do homem do que nos efeitos especiais, impressionantes para padrão fora Hollywood. O ator Ólafur Darri Ólafsson, no papel de Gulli, confere a inocência e melancolia do personagem. Ele ralou muito durante as filmagens, e percebe-se que teve que fazer de verdade as cenas de sobrevivência. Curioso que mesmo com um mote semelhante a "Gravidade" e "Tudo está perdido", dois exemplos de Blockbusters que investem na ação e aventura, "Sobrevivente " aposta no drama humano. O filme tem também belíssimas imagens de arquivo da erupção do vulcão Eyjafjallajokull nos anos 80, que quase devastou a Islândia. Nota: 7

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Robocop

"Robocop", de José Padilha (2013) Bom, muito já se falou sobre o filme, sobre o ufanismo de ter um Cineasta brasileiro arrebentando em Hollywood, etc. Que a crítica estrangeira se dividiu em relação ao filme, que o filme foi médio nas bilheterias. Que o Fotógrafo é o querido e competente Lula Carvalho, e o editor, Daniel Rezende. Mas tenho que confessar que, como fã de filmes de ação e aventura, e ainda mais, do filme original, eu saí mega-brochado do filme. Ok, os efeitos são satisfatórios, o elenco dá conta do recado ( apesar de eu achar que Peter Weller nasceu pro papel, com aquela cara dura que ele tem), mas Gary Oldman é aquela pessoa que a gente ama ver em um filme. Acho um erro Michael Keaton para o papel do vilão, ele não provoca nenhum tipo de temor em ninguém. A direção e a fotografia são super competentes. Mas quando vem o roteiro, aí pega. A primeira parte do filme achei sem ritmo, arrastado para padrão de filme de ação. Tudo bem que tenha uma ou outra porradaria, mas fiquei assim, assim no cinema. Daí do meio pro fim, pipocam tiros pra tudo quanto é lado, e ficou uma barulheira só. Não me empolguei, não curti o vilão, que não assusta ninguém, e achei os robôs muito anos 80. Gente, será que só eu achei tudo isso? Acho que eu tava num péssimo dia, talvez. Algum dia revejo o filme e quem sabe repenso o que achei dele. Nota: 5

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Japão Japão

"Japan Japan", de Lior Shamriz (2007) Filme baixo orçamento do Diretor independente israelense Lior Shamriz, foi quase todo rodado em camera dv-digital, além de ter umas poucas cenas gravadas em celular. O filme narra a historia de Imri, um jovem de 19 anos, que acabou de sair do exército israelense e se muda para Tel Aviv. Seu sonho é viajar para o Japão, mas enquanto isso não acontece, acompanhamos seu estado de espírito: depressão, frustração, desejo, flerte com homens na rua, masturbação assistindo a pornôs japoneses na internet, festinhas privé de amigas sem noção, entrevistas com pessoas mais sem noção ainda. Esse diário porra-louca e punk faz uma visão ácida e bem-humorada de uma geração perdida no tempo e no espaço, sem qualquer tipo de esperança no futuro. Alternando drama e comédia, além de forte erotismo, o filme é um retrato tanto de uma cultura, no caso a israelense, quanto da tecnologia, através de usos de celulares, acesso a google earth, video clips regados a músicas trash dos anos 80 e 90. O filme se utiliza da linguagem dos clips musicais ( tem uma sequência ótima ao som de "SoS", do Abba), do documentário e dos vídeos de internet para explicitar a rotina de um jovem na cidade grande de Tel Aviv. Por várias vezes o filme também brinca com os créditos, sacaneando o academicismo dos filmes classico-narrativos. Nota: 6

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Filth

"Filth", de John S Baird (2013) Adaptação do livro do escocês Irvine Welsh, mesmo autor de "Transpotting". Ambientado nos anos 90, a história gira em torno do policial Bruce Robertson ( James Macvoy): Mulherengo, viciado em cocaína, mau caráter e que quer a todo custo ganhar a concorrência com os outros colegas de trabalho para um posto avançado na Polícia. Ele é convocado a resolver um caso de assassinato, mas logo descobrimos que ele, além de transar com as mulheres de seus colegas de trabalho, é bipolar e tem surtos de alucinação. Dito assim, parece ser um filme normal. Mas não: o filme tem uma linguagem que mescla o cinema de David Fincher e Guy Ricthie. Ou seja, cult até a medula. A narrativa é bastante complexa, às vezes experimental até. Em vários momentos vemos o que se passa na mente do protagonista, e sim, "O Clube da luta" com certeza foi uma grande referência para esse projeto. A direção abusa de planos maneiristas e estilosos. A fotografia capricha na aura cult, e a trilha sonora é recheada de clássicos dos anos 90. O elenco, encabeçado por James Macvoy, procura se divertir com os seus personagens à beira de uma ataque de nervos e da caricatura, mas como o filme não se leva a sério em boa parte do tempo, tá tudo certo. É um passatempo cabeça, mas que vale a pena conferir pela sua postura adulta e recheada de humor negro e violência. Nota: 7

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Oldboy- Dias de vingança

"Oldboy",de Spike Lee (2013) Remake do original de 2003 de Park Chan Wook, esse filme foi execrado pela crítica internacional, e foi um dos maiores fracassos comerciais de 2013. Custou 30 milhões de dólares e rendeu menos de 5 milhões. Fica a minha pergunta: Porquê fazer um remake de um filme, quando a grande surpresa era o desfecho da história? Uma vez visto o original, perde-se totalmente a graça de assistir a uma nova versão. Spike Lee não quiz nem saber. Além de copiar quase que literalmente a história, criou alguns sub-plots e recheou com cenas adicionais plenas de hiper-violência. O filme de Lee é muito mais violento que o original. Mas tanta violência acabou ficando cômica. É humor negro, mas não no nível do filme de Chan Wook. Para se ter idéia da diferença: no original, existe a famosa cena do herói comendo um polvo vivo. Aqui, ele come dumplings. No original temos o plano-sequência do herói dando martelada em quase uma centena de bandidos. Aqui, esse plano-sequência é redimensionado ao triplo, o que torna o feito praticamente impossivel para uma pessoa só. Resultado: Ficou mais engraçada do que tensa. Spike Lee deixou o roteiro todo explicadinho: desde o prólogo, até o desfecho. Para o espectador que perdeu o bonde, nem se preocupe: ele explica tudinho, duas vezes, lá no final. Obviamente, que aqui não existe o mínimo charme do filme de Chan Wook. Mas devo dizer que até que me diverti com tanta bizarrice. Tem peruca e barba mal-feira de Josh Brolin no início, tem cenas hilárias de Sharlto Copley ( o herói de "Distrito 9", de novo fazendo um vilão) com sua assistente oriental, formando uma dupla improvável e cheia de charme. Josh Brolin está canastrão em muitos momentos, e nem dá para entender como que em 20 anos ele continua com a mesma cara. Quem se salva nesse elenco todo é Elisabeth Olsen, e Samuel L Jackson, que tem uma cena de tortura mega-aflitiva envolvendo um canivete. Spike Lee quiz buscar um público afeito a cenas violentas, mas acabou provocando mais ira por ter ousado fazer um remake de um filme perfeito. Quem quizer se divertir, como eu, e ver esse filme meio que abstraindo o original, pode até e divertir, por conta dos exageros estilísticos ( algumas de mau-gosto, como o link do guatda-chuva amarelo). e de roteiro. Nota: 6

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Interior. Leather bar.

"Interior. Leather bar.", de James Franco e Travis Mathews (2013) Documentário realizado a 4 mãos, pelo Cineasta e ator James Franco e pelo documentarista Travis Mathews. Travis realizou um curta e um longa intitulados "I want your love" sobre uma relação apaixonada de um casal gay, que inclui cenas de sexo explícito. Com esse aval de filmar cenas de alto teor erótico, Franco deu a carta branca ao pedir patrocínio para financiar esse seu filme bastante controverso em todos os sentidos. "Interior. Leather bar."é um documentário que procura recriar ficcionalmente os supostos 40 minutos cortados pela censura da famosa cena do bar gay do filme "Parceiros da noite", de Willian Friedkin. Reza a lenda que durante a filmagem, para dar veracidade ao universo leather e hardcore fetichista, o diretor Friedkin contratou gays barra-pesada para fazerem figuração na cena do bar e os deixou a vontade para fazer o que quizerem. Como essas cenas nunca foram encontradas, James Franco e Tarvis recriaram a cena da cabeça deles, incluindo muito boquete, fist fucking, dominação e afins. Paralelamente, o filme também fala sobre o processo de concepção desse filme. O porquê de Franco querer produzi-lo, a crise do ator Val Lauren, no papel de Al Pacino, em fazer o papel de Pacino ( Val fica atormentado por estar participando de um filme com cenas de sexo gay explícito e acha que isso vai queimar seu filme). O filme também entrevista os diretores, mostra a seleção de casting, entrevista outros atores supostamente heteros que participam do projeto. O original "Parceiros da noite"provocou a ira da comunidade gay da época por mostrar um seria killer matando gays e mostrando um Universo promiscuo. O mais curioso,é que o filme foi rodado em 1980, antes do advento da AIDS, o que lhe confere mais autenticidade na visão do sexo livre e sem culpa. O público odiou esse filme de Franco, por se sentirem enganados. A mídia vende esse filme como a reprodução dos 40 minutos perdidos, quando na verdade, isso não representa nem 15 minutos do total. O restante é um falatório interminável e é claro perceber que tudo foi armado, pois os atores não se mostram de forma espontânea. O ator Val Lauren foi uma péssima idéia de Franco, por seu seu amigo pessoal, para personificar o papel de Al Pacino. Resta aos voyeurs de plantão, uns 5 minutos no máximo de sexo explícito. E vamos combinar, muito meia-bomba. Nota: 5

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Zonas úmidas

"Feuchtgebiete", David Wnendt (2013) Baseado no livro best-seller de Charlote Roche, que vendeu milhões de exemplares mundo afora, é uma espécie de mescla de "50 tons de cinza" com"Transpotting". Com conteúdo fortemente erótico, explícito, o filme narra a história de Helen, uma pos-adolescente de pais separados, que durante uma depilação em seu banheiro provoca uma fístula anal. Ela vai até o hospital, e lá, ela conhece o enfermeiro Rpbin. O filme daí vira uma espécie de "Ninfomaníaca", de Lars Von Trier: Ela vai narrando ao enfermeiro suas aventuras eróticas, seus sonhos, seus desejos, suas relação com seus pais, que ela esperava se reconciliassem após seu pequeno incidente, e a relação com amigos e afins. Sexo, drogas e muita escatologia. Nitidamente inspirado em "Transpotting", de onde o cineasta David Wnendt tirou referências de edição, trilha sonora e uma homenagem à famosa cena no banheiro público, aqui muito pior e mais angustiante. Ela entra no banheiro todo cagado, chão alagado, e se esfrega em fluidos estranhos que se encontram na tampa do vaso. Aliás, é sobre isso que o filme trata: Fluidos excrementos. Sangue, esperma, suor, secreção vaginal, fezes. Existe uma cena hilária da amiga de Helen cagando na barriga do namorado fetichista. Outra cena bizarra é um sonho erótico de Helen narrando o desejo de comer uma pizza recheada de esperma. Daí, o filme corta para 4 homens se masturbando e ejaculando na pizza, Sim, explicitamente. Adoro o cinema alemão porquê eles não temem fazer filmes se auto-censurando. Um cinema libertador e vanguardista. A jovem atriz Cara Juri é uma Ewan Macgregor de saias. Ela é excelente, e vai de cara na personagem: se masturba, se depila, lambe a xoxota de outra mulher, lambe sua secreção, faz coisas do arco da velha. Muito boa. Não é filme para qualquer um, mais por conta de suas cenas escatológicas e sexuais. Tudo no filme é fetiche. Assista se quizer. A trilha sonora é nervosa, punk rock. É um filme revelador de uma juventude sem eira nem beira. Nota: 7

Goltzius e a Companhia Pelicano

"Goltzius and the Pelican Company", de Peter Greenaway (2012) Desde que surgiu no final dos anos 80, com o cult "O Cozinheiro, o ladrão, sua mulher e seu amante", me tornei um grande fã do Cinema do inglês Peter Greenaway. Um artista, mais do que Cineasta, Greenaway foi um grande inovador ao trazer para os seus filmes um misto de ficção, artes plásticas, literatura e video-instalações. Seus filmes sempre giram em temas recorrentes: Sexo, morte, enumeração, matemática, Poder. Aqui, no 2o filme da série sobre Pintores dinamarqueses, Greenaway expõe a vida do pintor erótico Holdrik Goltzius, que viveu na Dinamarca do Sec XVI. O filme conta o momento que Goltzius vai até o Marquês da Alsacia para que ele patrocine duas pinturas baseadas no Velho Testamento. O Marquês consente, contanto que Goltzius dramatize 6 de suas pinturas durante o período de 6 noites. Assim, Goltzius se utiliza de sua Companhia Pelicano, um grupo de artistas que irão personificar 6 histórias bíblicas: Adão e Eva, Davi e Betsabá, Sansão e Dalila, João e Salomé, José e Potifar e Lot e suas 2 filhas. Assim, damos início a um verdadeiro arsenal erótico, baseado nos temas citados acima do cinema recorrente de Greenaway. Porém, mais do que nunca, seu Cinema se tornou praticamente explícito. A obsessão em mostrar a nudez masculina agora vem acrescida de closes de penis eretos, penetrações, estupros, pedofilia, incesto, nudez explícita. Tudo embalado com o olhar barroco do Mestre inglês, que filma tudo com muita pompa e circunstância. A verborragia continua, através da narração das histórias que são narradas pelo pintor Goltzius. Em alguns momentos, o filme lembra as peças de Zé Celso, talvez porquê uma das locações seja um enorme galpão teatral. Pode não ser dos melhores filmes de Greenaway, mas ninguém pode reclamar de falta de criatividade. Nota: 7

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Respiro profundo

"Respiro profundo", de Damien Odoul. Produção de baixo orçamento francês, escrito, produzido e dirigido por Damien Odoul. É a história trágica de David, um adolescente que foi enviado por sua mãe para a área rural e passar 1 semana com seu tio num sitio. David foi expulso da escola e esse foi o castigo que sua mãe lhe inflingiu. Porém, a monotonia do local, aliado ao jeito bruto dos homens da região, provocam uma intensa transformação em David. O tio junta um grupo de amigos e todos caem na bebedeira. David se deixa seduzir pelo álcool e a liberdade dos homens do local, e passa da conta, indo se refugiar na floresta. O filme foi o Vencedor do Prêmio Fipresci no Festival de Veneza 2001. É um filme de arte, todo rodado em preto e branco e numa narrativa quase documental. Alternando momentos da vida rural, o que inclui a cruel morte de uma ovelha ( que é apunhalada no pescoço), o filme sugere que a selvageria dos homens do campo transformam pessoas acostumadas ao convívio social da grande cidade. Bela direção, enquadramentos e planos interessantes, excelente uso da fotografia em preto e branco. A destacar, o elenco de amadores que atuam de forma naturalista, e o protagonista Pierre-Louis Bonnetblanc, formidável no papel do jovem tresloucado e desajolado de seu tempo. Nota: 7

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Cannibal

"Cannibal", de Marian Dora (2006) Versão cinematográfica da história real que chocou o mundo em 2002, Alemanha. Um homem, através da Internet, foi um busca de um parceiro sexual que quizesse ser devorado por ele durante o ato sexual. A história, bizarra, rendeu 2 longas, ambos proibidos em muitos países. Além desse aqui, existe 'Grimm love", com o ator Thomas Kreschtmann. Porém, em termos de crueza e requinte de detalhes, esse "Cannibal" dá de mil. O filme impressiona pelo realismo da decapitação do corpo da vítima. Os alemães quando produzem filmes sórdidos e malditos, são mestres. Esse aqui tem fotografia escura, suja, e foi rodado em vídeo, para dar uma textura mais sinistra. Os atores, amadores, impressionam pelo despojamento e entrega aos seus papéis tão complexos. Eles se expõem, transam, ficam nús, se permitem criar situações perversas dentro do perfil de cada personagem. Nao é de forma alguma um filme que recomendo para as pessoas. Ele é muito, mas muito cruel. Se vale a pena ver? Só para pessoas que curtem um Cinema grotesco e bizarro como eu. Fora isso, mantenham-se longe, se não ficarão anos sem dormir com pesadelos. Nota: 6

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Em nome do...

"W imie..", de Malgoska Szumowska (2013) A cineasta polonesa Malgoska Szumowska realizou no ano passado o bom drama francês "Elas", com Juliette Binoche, sobre uma jornalista que investiga a prostituição de jovens mulheres. Agora ela volta sua Terra Natal e realiza um filme polonês polêmico: voltando ao tema da sexualidade reprimida, a cineasta narra um denso e sofrido drama sobre um Padre, Adam, que trabalha em um centro de reformatório para jovens delinquentes. No dia a dia, o Padre Adam joga futebol, fz cooper, cuida de sua saúde. Se veste com roupa esportiva debaixo de sua bata e é muito querido por todos, inclusive por uma mulher que é apaixonada por ele. Mas Padre Adam tem um segredo: ele é gay. Logo ele se apaixona por um dos internos, o jovem Lukasz. Lukasz parece a figura de Cristo: cabelos compridos, barba e olhos claros. Diante do desejo, Adam sofre bastante. O filme tem uma linda fotografia, valorizando a locação na área rural da Polônia. O ator Andrzej Chyra, no papel do Padre Adam, está excelente. É um papel muito difícil e ele conseguiu fazer o personagem sem cair na caricatura. É um filme de olhares, flertes, e ainda uma linda cena de sedução: Adam e Lukasz brincam de gato e rato numa plantação de milharal. O filme acaba ficando bem novelão do meio pro fim, caindo no óbvio. Mas mesmo assim vale a curiosidade, mesmo o tema do Padre reprimido sexualmente não ser novidade alguma. O filme competiu em Berlin no ano de 2013 e foi produzido pela Zentropa filmes de Lars Von Trier. Nota: 7

Enfermeira 3D

"Nurse 3D", de Douglas Aarniokoski (2013) Ex-assistente de direção, o Cinea sta Douglas Aarniokoski realizou alguns filmes de péssima qualidade, entre eles, "Highlander, a batalha final". Agora, ele veio para homenagear o cinema de Tarantino, mais especialmente o personagem de Elle Driver ( Daryl Hannah) em "Kill Bill". O filme conta a história de Abby Russel, uma jovem traumatizada quando criança, e que resolve se vingar de todos os homens que traem suas mulheres. Uma espécie de justiceira, ela bota seu plano em dia, até que Katrina, outra enfermeira, passa a desconfiar dela. A homenageme referência a Tarantino não fica apenas na história: O diretor Aarniokoski ressuscitou aqui 3 talentos dos anos 80 e 90: Katlleen Turner, Judd Nelson e Martin Donovan, muso do cineasta Hal Hartley. A homenagem porém, fica aquém de qualquer expectativa. É um filme trash, com efeitos toscos e de história bizonha. O que diverte é a referência pop e a atuação canastrona de Paz de La Huerta, atriz cult que fez inclusive "Enter the void", o filme de Gaspar Noe que pouca gente viu. Diverte sim, mas menos por suas qualidades e mais pela sua tosquice. Nota: 5

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Final cut: Ladies and gentlemen

"Final Cut - Hölgyeim és uraim". de György Pálfi (2012) Esse filme é um presente de ouro para Cinéfilos. O Cineasta húngaro György Pálfi editou uma história de amor se utilizando de 500 filmes famosos do Cinema. Tem desde "Avatar" até "Annie Hall", passando por clássicos russos, "Branca de neve", " Taxi Driver", "Oldboy" entre outros. É um puta trabalho de edição e de pesquisa que deve ter dado um trabalho enorme para a sua equipe. Impossível não ficar tentando reconhecer todos os filmes exibidos. O roteiro conta a história do encontro casual de um homem e uma mulher, e a partir dos filmes homenageados, recria as cenas em situação inédita. Tem até cena de sexo explícito. Na trilha sonora, obras-primas do cinema. O filme foi produzido pelo cineasta Bela Taar, um dos grandes nomes do Cinema Mundial. Esse filme foi exibido em Cannes 2012. Um filme para se ver e rever várias vezes. Original, inteligente, nostálgico. Nota: 10

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Plumas na minha cabeça

"Des plumes dans la têtee", de Thomas de Thier (2003) Drama belga intenso e doloroso, sobre um casal que perde um filho. A mulher reage de forma catatônica, acreditando que o filho ainda está vivo, e age normalmente como se ele estivesse lá. O marido se revolta com a situação e cria um mundo de agressão para ele e para a esposa. O filme tem uma fotografia esplendorosa, registrando todo o luto do casal com uma cor vibrante, aliado a planos filmados de natureza predadora: insetos, animais que se matam, pântanos assustadores, etc. O trabalho da atriz Sophie Musuer, no papel da mãe, é muito bom. Ela percorre o filme todo quase que em silêncio, se comunicando através de olhares, ora tristes, ora alegres e melancólicos. Esse filme é de 2003, e é incrível a semelhança dele com "Anticristo", de Lars Von Trier, que veio depois. O casal transando, o filho desamparado. O luto da mulher, aqui expresso de forma mais alegórica e menos violenta e gótica do que no filme de Trier. A direção valoriza o trabalho dos atores, usando a imagem cinematográfica como linguagem do filme, que se apropria de poucos diálogos. Olhares, sorrisos, gestos, quase sempre mudos, mas que dialogam com o espectador em termos de emoção. A considerar o ritmo bem lento, dando a dimensão do tempo e da tristeza. Nota: 8

Frankenstein: Entre Anjos e Demônios

"I, Frankenstein", de Stuart Beattie. Filme baseado na Graphic novel de Kevin Grevioux, é um épico que traz à tona a tragédia do Monstro de Frankenstein. Após o Dr Viktor Frankenstein ter tentado matar a sua criatura, o monstro retorna e se vinga. Mata a esposa dele, e foge. O Dr Viktor vai atrás dele, mas no caminho, nas montanhas geladas, acaba falecendo. Frankenstein enterra o corpo do Dr no cemitério da família, mas é atacado por gárgulas. Na sequência, ele é salvo por anjos. Assim, Frankenstein descobre que o mundo é governado por anjos e demônios. OS demônios querendo dominar o mundo, e os anjos, tentar preservá-lo. Passam-se 200 anos e Frankenstein continua travando seu conflito interno, enquanto os anjos e demônios procuram dizimar uns aos outros. Resolvi pesquisar sobre esse filme, e descobri que o autor da graphic novel também concebeu "Underworld". Isso explica a coincidência da história e do visual. Aaron Eckhart, no papel de Frankenstein, é a versão de Kate Beckinsale masculina. O filme é recheado de efeitos especiais computadorizados, daqueles que dão preguiça de assistir. A história, dá pra perceber, é uma maluquice só, nada de original, a não ser o fato de misturar Frankenstein a esse universo mítico religioso. O elenco, encabeçado por Eckhart, procura dar algum valor agregado de produção, chamando atores consagrados de drama para poder dar dignidade aos personagens. Bill Nighy, do excelente "Questão de Tempo", faz o líder dos gárgulas. Miranda Otto, que no filme de Bruno Barreto, "Flores raras", interpreta a poetisa Elisabeth Bishop, aqui faz a líder dos anjos. Tenho que confessar, achei o filme uma chatice só. Para quem curte cenas noturnas onde pouco de enxerga e efeitos preguiçosos com muito barulho, é só assistir ao filme. Nota: 3

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Canibal

"Canibal", de Manuel Martín Cuenca (2013) Excelente suspense psicológico espanhol, com excelente performance de Antonio de La Torre, ator espanhol que varia entre drama e comédia ( fez "Amantes passageiros", de Almodovar). A história do filme faz um mix de "O silêncio dos inocentes" e "Um corpo que cai". Carlos ( de La Torre) é um alfaiate que mora na cidade de Granada, Espanha. Ele é calado e respeitado pelos moradores. É uma pessoa reservada e de poucos amigos. O que ninguém pode imaginar é que ele é um serial killer, que mata mulheres e as devora. Um dia, ele conhece uma jovem imigrante romena, por quem secretamente se apaixona. Até que ela desaparece. Nina, a irmã gêmea dela surge em seu encalço. Carlos se apaixona por Nina, e faz com que ela se vista igual à sua irmã desaparecida. O filme é perturbador, tenso, muito bem interpretado tanto por de La Torre quanto por Olimpia Melinte, que atua nos dois papéis. A fotografia premiada em San Sebastian é a cargo de Pau Esteve Birba, mesmo fotógrafo de "Enterrado vivo", outro filme cult. A direção de Manuel Martín é ótima, dando um puta clima de suspense, apesar de cenas muito lentas. Mas é um filme que conquista pela história , pelas locações divinas e pelo elenco. A ressaltar duas cenas antológicas: o prólogo, mostrando al que veio o personagem Carlos..e uma cena na praia, quando Carlos pune uma de suas vítimas. Nota: 8

Quando eu era vivo

"Quando eu era vivo", de Marco Dutra (2013) O produtor Rodrigo Teixeira faz aqui sua terceira adaptação de um livro do escritor Lourenço Mutarelli, após "O cheiro do ralo" e "Natimorto", todos os 3 produções de baixo orçamento. Baseado no livro "A Arte de Produzir Efeito Sem Causa", narra a história de Junior (Marat Descartes), um homem de meia idade que é demitido de seu emprego e abandonado pela esposa. Ele volta pra casa de seu pai, (Antonio Fagundes) para passar uns dias. Seu quarto foi ocupado por uma inquilina, Bruna (Sandy) e ele tem que dormir no quarto. O seu retorno pra casa irá abrir as portas do passado mal resolvido, trazendo lembranças da mãe falecida, envolvida com ocultismo, e de seu irmão problemático, interno de uma clínica psiquiátrica. O filme, assim como o excelente "Trabalhar cansa", longa anterior de Marco Dutra, é um exercício do gênero suspense psicológico. Logo de cara, vemos forte influencia de "O iluminado" sobre o filme. Os créditos iniciais, que rolam, igual ao filme de Krubrick. O clima caustrofóbico, a caracterização de Marat descartes, um híbrido de Jack ( Jack Nicholson) , com seu olhar de surtado e seu pentedo anos 80, e de um Danny adulto, com seu casaquinho de malha e camisa de gola. O número do apto, fazendo referência ao número do quarto, o corredor do apartamento, tudo remete ao filme. Outra referência que marca presença é "O bebê de Rosemary", por conta do tema da magia negra e ocultismo e da canção malodica que ganha dimensão demoníaca.. O roteiro é bem complexo e eu mesmo me perdi em umas possiveis interpretações sobre o filme, principalmente o desfecho. Tenho que elogiar a coragem de Dutra de investir em um filme de gênero, feito raro aqui no Brasil. Coragem maior ainda foi o de escalar a cantora Sandy pro papel feminino principal. Ela está ok, não compromete, e é importante que a personagem tenha inocência e doçura. Isso Sandy tem de sobra, porém, o desenrolar de sua personagem achei muito abrupto. Não é um filme para qualquer um. Alguns momentos podem sôar meio trash (a sessão de ocultismo lembra cenas de Zé do Caixão). Antonio Fagundes surpreende em um papel inusitado, e Marat Descartes está bem, correndo risco enorme de ser caricato. O elenco de apoio é mediano, a atriz que faz a manicure e bruxa achei fraca. A destacar a ótima fotografia de Ivo Lopes Araújo, que brinca com luminosidade e sombras durante o filme. Ele foi responsável pelo excelente "Tatuagem". Nota: 7

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Os lobos maus

"Big bad wolves", de Navot Papushado e Aharon Keshales (2013) Tarantino considerou esse o melhor filme de 2013. Filme israelense da mesma dupla do cult "Raiva", uma fábula de humor negro sob um grupo às voltas com um serial killer que ataca em uma floresta. Aqui, eles voltam ao tema do serial killer. Dessa vez, meninas são brutalmente assassinadas por um maníaco. 2 Homens ( um policial e o pai de uma das vitimas) sequestram um suposto assassino e o torturam para que ele confesse seus crimes. O azar desse filme foi ter sido lançado no mesmo ano de "Suspeitos", de Denis Villeneuve, com uma história muito aparecida e com Hugh Jackman no papel do pai desesperado em descobrir o paradeiro da filha sequestrada. Ambos são filmes violentos e mostram com minúcias as torturas. A diferença é que aqui, os cineastas investem no humor negro para dar uma "amansada" na história, brutal. Aliás, o prólogo é uma pequena obra-prima. Tenso e sem diálogos, um show de direção. Mas o filme peca pelo excesso de diálogos, pois metade do filme se passa num porão. Os atores são bons, mas a galhofa de algumas situações prejudica o filme. Deveria ter sido todo levado a sério. Nota: 7

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Minha mãe é de morte

"Serial mom", de John Waters (1994) Rever esse filme desde seu lançamento em 1994 é uma delícia, ainda mais se tratando de um filme do porra louca John Waters. Kathleen Turner também é outro motivo de se ver esse filme. Recém saída do auge de sua carreira, após um período de fracassos, aqui Kathleen Turner se diverte no papel da serial killer que defende sua família com unhas e dentes. Waters mais uma vez localiza seu filme em Baltimore, sua cidade de coração, e recruta seus atores fetiches, entre eles, Tracy Lords e Ricky Lake. ;E uma comédia maluca com tintas de humor negro. A direção é carreada em caricaturas, e o filme exala cores e cultura Kitsch. Trilha sonora bacaninha e a fotografia ressaltando o colorido da trama. Nota: 7

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Adão e Eva: a primeira história de amor

(1983) "Adamo ed Eva, la prima storia d'amore", de Enzo Doria e Luigi Russo (1983) O início da década de 80 trouxe 2 grande clássicos do Cinema pop ao público : "A lagoa azul" e "Canibal Holocausto". Como Produtor de cinema não dorme em serviço, criaram esse filme que no original em inglês se chamou "The Blue paradise", para não haver duvidas quanto a sua referência. Assim como o filme original, "A lagoa azul", esse aqui também trabalha com nudez dos jovens atores e ousando até na nudez frontal. O filme é italiano e como boa parte das produçoes da época, aposta no gênero "exploitation". Muito sexo e violência. A história nao poderai sre mais absurda. O filem começa coma criação do Universo e narra a história de Adão e Eva. A eles se juntam pterodáctilos, tribo de canibais, tempestades de neve e os roteiristas, criativos, ainda criaram um triângulo amoroso!!!! O filme ãõ poderia ser diferente: é trash do início ao fim. Ri muito. Os efeitos mega-toscos, as imagens de arquivo inseridas sem qualquer tipo de critério. A cena do ataque do pterodáctilo é antológica. Idem a do urso. Fica nítido que os bonecos são falsos. E o parto do final com um boneco no lugar do bebê? Tudo no filme é muito ruim, a começar pela dublagem em inglês. Os atores são péssimos, a fotografia, figurino ( e olha que são tangas), as locações, direção de arte ( o que !ao as plantas coloridas inseridas na floresta??) A musica brega tema do filme é ruim de doer de tão melosa. Se você está em busca de diversão trash, esse filme é uma pedida obrigatória. Nota: 5

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Nossa Sunhi

"U ri Sunhi", de Hong San Soo (2013) O Cineasta sul coreano Hong San Soo é um dos que mais produzem e filmam ultimamente. Num mesmo ano, ele filmou "A filha de ninguém" e esse "Nossa Sunhi". Gosto de seus filmes, mas entendo que muita gente não curta sua filmografia. San Soo é recorrente em temática e narrativa em todos os seus filmes. Seus personagens são intelectualizados. Sempre tem um personagem Cineasta ou estudante de cinema. Invariavelmente, os papos rolam dentro de um bar, restaurante ou parque. Bebidas fazem parte das conversas improvisadas e descompromissadas. As histórias giram em torno de relacionamentos mal resolvidos, frustrações profissionais e amorosas. Tudo com uma boa dose de humor e sob um olhar terno e às vezes patético. Sunhi é uma jovem estudante de cinema. Ela quer estudar nos Estados Unidos, e para isso, ela precisa de uma carta de referências dada pelo seu professor. Esse reencontro faz com que amores mal resolvidos surjam à tona. Quando Sunhi menos vê, ela está ladeada de 3 interessados nela: o professor, um ex-namorado e um novo pretendente. A narrativa, como em todos os filmes de San Soo, é lenta. Os planos são longos. As cenas acontecem sempre em um único plano. Quando San Soo quer destacar algo, ele dá um zoom no mesmo plano. Sempre é estranha essa técnica, mas como me acostumei, tá tudo certo. Não curti tanto esse "Nossa Sunhi" quanto "A filha de ninguém", esse sim, excelente. Mais surpreendente, romântico, delicioso. "Nossa Sunhi" não traz novidades, E é chato. Bem chato. Tem uma cena bem legal num Chicken fry. Mas é só. Nota: 6

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Uma família em Tokyo

"Tokyo Kazoku", de Yoji Yamada (2013) Porquê alguém se dá ao direito de refilmar um dos grandes filmes da história do cinema, considerado entre os 10 melhores filmes de todos os tempos? Ozu, em 1953 dirigiu "Era uma vez em Tokyo", uma obra-prima incostentável. Yoji Yamada dirigiu em 2012 a refilmagem e a lançou no Festival de Berlin. A história é a mesma: um casal de idosos parte de sua cidade natal ate Tokyo para visitar seus 3 filhos. Porém, mesquinhos, os 3 não dão muita atenção aos pais. Cade a Noriko, namorada do mais jovem dos filhos, dar amor e compaixão aos idosos. Até que uma tragédia abala a estrutura familiar. O filme de Ozu já havia ganho 2 refilmagens, uma italiana e outra alemã: "Estamos todos bem", de Giuseppe Tornatore, e "Cerejeiras em flor", de Doris Dorrie. Ou seja, a história já meio que ficou batida. Yamada, um Cineasta consagrado, já havia dirigido, entre outros, "O samurai do entardecer", um ótimo filme sobre a melancolia de ser um samurai. Aqui, ele se utiliza da linguagem de Ozu ( planos fixos, câmera baixa) e presta a sua homenagem ao Mestre. Mas no geral, fica-se uma eterna sensação de deja vu. Ressalto que tecnicamente o filme é impecável: fotografia, trilha sonora, figurinos. O elenco é todo excelente e cumprem bem os seus papéis. O ritmo é bem lento, o filme é longo. Nem a modernidade proposta pelo filme em relação ao filme original (celulares, gps, videogames) rendem boas piadas sobre conflitos de cultura e gerações. Vale como nostalgia, mas na dúvida, fique com o original. Nota: 7

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Embriagado de amor

"Punch drunk love", de Paul Thomas Anderson (2002) Rever esse filme , quando eu somente o havia na ocasião de seu lançamento em 2002, foi uma grande surpresa. Eu simplesmente me lembrava muito pouco dele, e foi como se o estivesse vendo pela 1a vez. Uma pena que por falta de tempo, a gente não consiga rever os bons filmes. E esse aqui , sim, é dos bons, muito bons. A começar pela trilha sonora de John Brion, uma das mais estranhas que já ouvi na vida. Misteriosa, estranha, barulhenta, sinistra. Muito foda. Depois, a fotografia de Robert Elswit, que fez todos os filmes de Paul Thomas Anderson, e também os filmes de George Clooney. O roteiro, escrito também por Anderson, narra a história de Barry Egan ( Adam Sandler), que comanda um pequeno negócio em sua garagem. Barry é surtado e bipolar. Ele tem 7 irmãs, todas piradas e irritantes que cobram uma postura mais séria dele o tempo todo. Um dia, ele conhece Lena (Emily Watson), amiga de uma de suas irmãs que o quer apresentar a ele. Eles se curtem. Mas uma ligação de Barry para um fone sexo faz tudo degringolar: a atendente, em posse dos dados de seu cartão, o chantageia. A direção de Anderson apresenta cenas muito bem dirigidas, como a do acidente de carro logo no início. O elenco, capitaneado por um impressionante Adam Sandler, arraza: Emily Watson e Philip Seymour Hoffman marcam presença em personagens não menos bizarros. O que é interessante no filme é o olhar de Anderson sobre uma realidade totalmente burocrática e rotineira, e como pequenos fatos podem influenciar nas nossas vidas. Pena que Sandler não apostou em projetos cults como esse. Teria alavancado sua carreira em um outro nível. Nota: 9