sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Walt nos bastidores de Mary Poppins

"Saving Mr Banks", de John Lee Hancock (2013) Delicioso drama familiar, baseado na história real da relação conflituosa entre Walt Disney ( Tom Hanks) e a escritora P/L/ Travers ( Emma Thompson). Travers e a autora do clássico infantil "Mary Poppins", e durante 20 anos, Walt tentou comprar os seus direitos. Travers, afundada em dívidas, resolve ceder aos encantos da adaptação cinematográfica, e durante 2 semanas, ela sai de Londres até Los Angeles para se envolver na realização do roteiro. De temperamento tempestivo, ela cria vários obstáculos, entre eles, que o filme vire um musical e que tenha inserção de animação. O cineasta John Lee Hancock é mais conhecido por ter dirigido o filme "Um sonho possível", que concedeu o Oscar de Atriz para Sandra Bullock. A produção desse filme é de saltar os olhos: uma puta direção de arte, reproduzindo o Parque da Disney dos anos 60, além de luxuosos e requintados cenários que devem ter custado uma fortuna. Muita figuração, elenco grandioso, um filme imponente. ë de se admirar que o filme não tenha sido contemplado com mais indicações ao Oscar, principalmente de Atriz par Emma Thompson, que está simplesmente genial. A sua personagem da carrancuda escritora é idealizado com muita inteligência. Me lembrou bastante o personagem do censor do filme japonês "A escola do riso", que cede aos encantos da arte. Paul Giamatti, Colin Farrel, Rachel Griffits, Jason Schwartzman e outros menos conhecidos compõem o poderoso elenco do filme de uma forma linda, dando espaço para Hanks e Thompson brilharem, pois o filme é deles. Meu senão é a duração do filme, achei cansativo e poderia ter 20 minutos a menos. A parte do flashback também deu uma encaretada no filme, apelando para o melodrama. Mas é daqueles filmes que se pode levar a família para ver sem medo de se assustar. Nota: 8

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Cachorro magro

"Perro flaco" de Ernesto Martín (2011) Drama espanhol de baixo orçamento, escrito e dirigido por Ernesto Martin. O filme custou barato, foi rodado com câmera Canon 7D, mas não encontrou espaço em circuito comercial. Assistindo ao filme dá para entender o porquê. Pablo é um homem que teve tudo: dinheiro, mulheres, amigos. Porém uma necrose em seu quadril faz ele perder tudo, e ele tenta a todo custo recuperar sua sanidade e as coisas que ele gosta. Esse filme é um exemplo de quê querer filmar não significa que você encontrará alguém para distribui-lo. Hoje em dia, com o advento de câmeras 7 e 5D, todo mundo quer fazer filme barato. O projeto sendo ruim ou de pouco interesse, e também por causa do pouco orçamento, obriga o Diretor a filmar quase tudo dentro de um apartamento. Resultado: filme chato, dinâmica zero. Os atores são razoáveis, a fotografia sem contraste. Tem que ser muito cinéfilo pra assistir ao filme. Nota: 3

domingo, 26 de janeiro de 2014

Armistício

"Warhouse/Armistice", de Luke Massey (2013) Desconfie sempre de um filme onde a mesma pessoa ocupa várias funções importantes num mesmo filme. Luke Massey é o Diretor, roteirista, editor, fotógrafo e produtor. Só faltou ser o protagonista. Para isso, ele chamou o ator Joseph Morgan, da série "Diários do vampiro". Esse filme inglês é uma tentativa de se fazer um filme de horror psicológico, na linha de "Alucinações do passado" e " Bug". Um soldado inglês acorda em uma casa, de onde ele não consegue sair. Todo dia, ele é confrontado com uma criatura, que quer matá-lo. Mas ele sempre a mata. Ele quer descobrir aonde ele está, e que criatura é essa. Alguém lembrou de "Feitiço do tempo"?. Isso mesmo, é o mesmo mote. O cara nada pode fazer, ele sempre acordará naquela circunstância. O final, que era para ser surpreendente, é mega manjado. Todas as funções de Luke Massey são péssimas, fora os efeitos especiais, da pior categoria, o que se pode pagar nesse filme de baixo orçamento. A criatura então, vergonha alheia. Chato, sem interesse. Nota: 1

sábado, 25 de janeiro de 2014

A demora

"La demora", de Ricardo Plá (2013) Drama uruguaio de intensa tristeza, dirigido pelo mesmo cineasta de "Zona do crime". O filme fala sobre terceira idade e a mazela de ter que cuidar de um pai enfermo e não ter condições financeiras para sustentá-lo. Maria ( Roxana Blanco) é uma costureira, que mora com seus 3 filhos e seu pai doente. A situação financeira vai apertando, e ela chega na condição de não poder mais sustentar o pai dentro de casa. Ela tenta o asilo, mas não o aceitam. Ela decide abandoná-lo numa praça, dizendo ao pai que irá buscar um copo de água. O pai ( Carlos Vallarino) resolve esperar ela filha, sem arredar pé do local, evitando qualquer tipo de ajuda. O filme tem a mesma pegada de outro filme uruguaio famoso, "Whisky". Ambos retratam a rotina de uma forma pesada, sofrida, entediante. A fotografia pesa no clima depressivo, e a história é bem barra-pesada, discutindo temas como culpa e perdão. Me lembrei um pouco do filme de Ozu, "Pai e filha", que ao contrário desse filme, fala sobre uma relação amorosa de uma filha e seu pai. Ela larga mão de sua vida pessoal para cuidar do pai. O filme tem um ritmo arrastado, mas condizente com a história contada. Só não recomendo a pessoas muito sensíveis, pois o filme é bem contundente. Nota: 8

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Kristi e a máquina do tempo

"Kristi and the time machine", de Richard Stalin (2010) Filme polonês totalmente obscuro, provavelmente um dos filmes mais sádicos e bizarros que já assisti. Produzido pela produtora polonesa Teraz Films, especializada em filmes "Sexploitation", é a epopéia de uma mulher que viaja no tempo e procura de safar de homens inescrupulosos e sádicos. Ela foi enviada por uma máquina do tempo para viajar por épocas distintas, apenas como título de experimento de um cientista maluco. Mas ela é seviciada, torturada, barbarizada por guerreiros romanos, gangsters, assassinos seriais, etc, apenas ara provar a tese do Diretor que o mundo é machista e as mulheres, puro objeto de desejo. A atriz pornô Kristin Lust se submete a cenas humilhantes, três vezes pior que em "Saló", de Pasolini. Eu sinceramente nunca vi nada igual. Imagine uma personagem que urina, defeca, come suas fezes, tem uma centopéia gigante enfiada em sua vagina, bulinada com uma metralhadora, etc. "Centopéia humana 2" é filme da Disney perto disso aqui. O filme ;e ruim demais, tecnicamente é tosco, mal concebido, efeitos podres, atuações péssimas. O conceito do Cineasta de colocar todos os personagens masculinos usando mascaras, é grotesca, parecendo um filme de terror barato. As vozes são sintetizadas, algo no estilo "Dr Phibes". Com certeza, não posso recomendar esse filme a ninguém. Nota: 1

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Bekas

"Bekas", de Karzan Kader (2013) Em 2010, o cineasta Iraquiano Karzan Kader dirigiu o curta "Bekas", que recebeu vários prêmios internacionais. Animado com a repercursão do mesmo, ele resolveu fazer uma versão em longa-metragem da mesma história. Financiado por dinheiro Suíço, País que acolheu sua familia, quando se refugiaram durante a Guerra do Iraque nos anos 90, Kader reconta um pouco de sua infância ainda no Iraque. Dana (Sarwar Fazil) e Zana (Zamand Taha) revivem os mesmos personagem do curta. A história é a mesma. Órfãos, os 2 irmãos são apaixonados por cinema, e mais especificamente, por "Superman". Eles resolvem fazer um pacto: Viajarão para a America para encontrar o Superman e entregar uma lista de pedidos. No topo da lista, eliminar Saddam Hussein. Dentro desse jogo de fábula e perda da inocência, os irmãos se embrenham na estrada, sofrem, apanham, e no fim, revivem a tragédia da Guerra do Iraque, que assombrou o mundo no Início dos anos 90. Uma metáfora sobre a liberdade e sobre viver a vida da forma mais simples possível, o filme é composto de não-atores, inclusive os dois meninos. Zana , o menor, tem um timbre de voz irritante, e passa o filme inteiro gritando. Chega a ser insuportável. Por mais que os meninos trabalhem a espontaneidade e o naturalismo, essa forma de atuar se expressando sempre em tons acima cansa aos ouvidos. A história é bonita ( não vi o curta, mas acredito que deva ser melhor que o longa. Na ãnsia de aumentar a história, acabou ficando monótono em algumas partes). Aliás, o filme lembra de mais "Quem quer ser um milionário". A visão poética da pobreza, um universo onde os adultos são em sua maioria filhos da puta, a fotografia em tons dourados. O trabalho de câmera remete bastante a "Cidade de Deus"e o famoso plano de travelling circular que envolve o protagonista em momento chave do filme. O roteiro força uma barra em muitos momentos, e somente porquê eu enxerguei o filme como uma fábula, que eu aceitei as ações dos personagens. Nota: 6

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Batalhas do amor

"Mes séances de lutte/Love battles", de Jacques Doillon (2013) Doillon, mais conhecido aqui no Brasil pela encantadora fábula infantil "Ponette", exibiu no Festival de Berlin 2013 um filme extremamente controverso."Love battles" conta a história de uma jovem que retorna ao vilarejo onde ela cresceu com seu pai. Ele morreu e ela veio ao seu funeral. Logo descobrimos que a relação de ambos era extremamente conflituosa. Ela conhece um vizinho, ( ambos os personagens sem nome). Ela relata a ele sua relação tensa com seu pai, e ele propõe a ela uma terapia: que ela desconte nele toda a raiva e angústia que ela sofria. Assim, durante vários encontros, eles se batem, de machucam, numa espécie de terapia catártica que cria exorcismos de fantasmas do passado através do sexo e violência. Lembram quando havia um jargão de que os filmes franceses são verborrágicos? Bom, esse filme volta a essa tradição. falado do início ao quase fim, um texto chato, quase insuportável. Porém, os 20 minutos finais marcam um interesse pelo espectador que amou "9 canções" de Michael Winterbottom. Muito sexo explícito, acrescentada a muita porradaria real. Impossível não se lembrar de Fátima Toledo vendo a cena. Os atores Sara Forestier e James Thiérrée brigam de verdade, se estapeiam, se batem, e sim, trepam muito. Um filme intenso, porém chatíssimo. Pra quem somente quer ver a sacanagem partam direto aos 20 minutos finais. Nota: 4

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Inside Llewyn Davis- Balada de um homem comum

"Inside Llewyn Davis", de Joel e Ethan Coen (2013) Não dá para começar uma crítica desse filme dos irmãos Coen sem falar na fotografia. Roger Deakins era até então, parceiro habitual deles, com quem fez, entre outros, "Fargo", "Bravura indômita", Onde os fracos não tem vez". Mas Deakins não pode fazer esse aqui por conta de agenda, estava filmando "Operação Skylight". Os Coen resolveram então trabalhar com Bruno Delbonnel, fotógrafo francês de "Amelie Poulain", e " Fausto", de Sokurov e "Harry Potter e o enigma do príncipe". A fotografia é algo de indescritivel, tal a sua beleza. Tudo parece onírico, lúdico, e as cores melancólicas com que ele retrata NY e Chicago dos anos 60, dá uma dimensão fantasmagórica. Não é a toa que o filme foi indicado ao Oscar de fotografia. A história gira em torno de Llewyn Davis ( Oscar Issac, ótimo), um músico fudido que tenta sobreviver na NY de 1961 morando de favor nos aptos de amigos. Seu parceiro, Mike, se suicidou, e ele tenta viver fazendo bicos em casas noturnas. Ele resolve ir até Chicago encontrar com um empresário da área musical, mas todo o seu percurso vai dando errado. Os irmaõs Coen tem alto prestígio, que nem Woody Allen, e todo mundo quer filmar com eles. O filme apresenta então um super elenco fazendo participações: Carey Mullighan, F Murray Abraham, John Goodman, Justin Timberlake..e pelo que li, todas as músicas do filme foram cantavas ao vivo. Mais uma vez os irmãos Coen produziram, escreveram e dirigiram um filme. Claro, o tema não podia ser outro: o Looser americano. A direção de ate do filme é outro ponto mega positivo. Nem acredito que não foi indicada ao Oscar, O requinte de detalhe, riqueza visual, impressiona. Chatice mesmo é ouvir as músicas country, mas aí a gente releva. Nota: 8

sábado, 18 de janeiro de 2014

Ela

"Her", de Spike Jonze (2013) Qualquer filme novo de Spike Jonze é um acontecimento para os Cinéfilos. Goste-se ou não de seus filmes, é impossível não dar crédito aos roteiros originais e à ambientação magnifica de todos os seus filmes. "Ela" é uma fábula futurista, ambientada em uma época indistinta, onde a tecnologia assume o lugar de seres humanos. Theodore (Joaquin Phoenix) é um escritor de cartas românticas. Recém-divorciado, ele sobre bastante coma separação. Passa seus momentos isolado, jogando games, escrevendo cartas, pensando na vida, se afastando de pessoas. Um dia, ele instala um novo Sistema operacional em seu computador e fica encantado com a voz e personalidade de Samantha ( Voz de Scarlett Johansson), que dá voz ao Sistema Operacional. Samantha tem vida própria, raciocina, tem sentimentos, porém, é apenas uma voz. Theodore e Samantha precisam encontrar formas de manter acesa a chama da paixão entre eles. Joaquin Phoenix nao precisa provar a mais ninguém a magnificência de suas performances. Aqui, mais uma vez, ele está brilhante, trabalhando postura corporal e voz. Seus olhares, tempo cinematográfico, são perfeitos. Scarlett Johansson tem um impressionante registro vocal: sedutor, firme, melancólico. Que beleza ouvir sua voz durante o filme. Ela foi premiada no Festival de Roma como melhor atriz e abriu uma grande polêmica, afinal, ela nem aparece em cena. O elenco é arrazador: Amy Adams, Olivia Wilde, Rooney Mara e tantos outros, emprestando talento a personagens instigantes. A fotografia, a cargo do sueco Hoyte Van Hoytema ( de "Deixa ela entrar") é um deslumbre, realçando a tristeza da história. A trilha sonora de Owen Pallett é muito bonita, colorindo cada cena com uma música perfeita. A direção de Jonze é como sempre marcante e criativa. Dessa vez, ele cria momentos de altíssima beleza, que provocam tristeza e ao mesmo tempo, realçando o romantismo da trama. Acho o filme longo, cortaria uns 20 minutos pelo menos, para poder ser perfeito. Senti uma barriga lá pela terça parte. Mas no cômputo geral, uma pequena jóia que deve ser vista. Nota: 8

O lobo de Wall Street

"The wolf of Wall Street", de Martin Scorsese (2013) Baseado na história real de Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio), corretor de ações de empresas pequenas nos anos 80 e Dono de uma Gigantesca Empresa de corretores e ações nos anos 90, Viciado em drogas, mulheres e festas, Jordan viveu uma vida de excessos, o que causou sua prisão pro fraudes e corrupção. Essa 5a parceria de Scorsese e DiCaprio sofre de um mal: ele quer ser maior do que a própria história se propõe. Um épico dos novos tempos. Só que a historia de Jordan nem é tão incrível assim. Já vimos histórias de ganâncias, loucuras e orgias mais interessantes. Só lembrar de "Scarface", de Brian de Palma. DiCaprio lembra bastante o seu personagem em "Prenda-e se for capaz", de Spielberg. Mulheres, luxo, viagens, corrupção, mentiras, investigações, FBI. Só que no filme de Spielberg, a história era bem mais interessante, e o filme não tinha 3 horas de duração. E ainda tinha Tom Hanks dando contraponto, dividindo a história. Ao permitir que seu filme tivesse 3 horas, Scorsese derruba qualquer tipo de envolvimento emocional com o projeto. Sim, existem umas 6 cenas antológicas muito bem dirigidas, interpretadas e construídas no filme ( Os efeitos da droga em Di Caprio e Jonah Hill, a cena da tempestade, a cena de bacanal na empresa..). Mas o restante do filme, nossa, quase um desespero. DiCaprio está ótimo, mas eu não gostei da opção narrativa dele falar para o espectador às vezes. Inclusive esse recurso some de repente lá pelo meio do filme. Mas é clara a sua entrega ao personagem. Jonah Hill também está ótimo. A sua prótese dentária ficou ótima. Mas Jonah Hill também fez outro filme chatíssimo, "O homem que mudou o jogo", com Brad Pitt. Eu tenho dificuldade com filmes que tem esporte, economia como temas. Corretores de seguro e jogadores de beiseball não ao meu forte. Por isso acho injusto que "Rush", de Ron Howard, não tenha recebido o merecimento apropriado. Fazer um filme sobre Fórmula 1 sem ser chato e interessante é um desafio que foi vencido. O filme é sensacional. Tem uma cena no filme que me lembrou bastante "A febre do rato", de Claudio Assis. Durante uma orgia, o personagem de Dicaprio se levanta e segue até uma varanda. No filme de Assis, existe esse plano com grua que do alto, vai acompanhando o personagem pelos ambientes. Muito legal. Um filme desse porte, grandioso, tem na sua parte técnica a menina dos olhos. Fotografia, direção de arte,montagem, som. As locações também são foda. O filme é um brinquedinho bem caro de Scorsese e DiCaprio. Não curti tanto. Fiquei no meio do caminho, desejando que o filme acabasse logo. Mas reconheço a maestria de várias cenas. Nota: 6

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Sodomita, Garotos bonzinhos usam camisinhas, Exercício do aço e varredura lilás

"Sodomites, Good boys use condom, The Lilac sweep, Exercise of steel", de Gaspar Noé, Lucile Hadzihalilovic, Cédric Klapisch e Marc Caro (1998) Encomendado pelo Governo Francês em 1998 para prevenir a AIDS, esses 4 curtas foram exibidos na Tv aberta. O que me causa espanto é que o conteúdo é 100% de sexo explícito. Ou seja, Lars Von Trier causa furor em 2014 com seu "Nymphomaniaca", mas a mais de 16 anos atrás, sexo não era nenhum tabu. Todos podiam assistir closes de pênis eretos, closes em ejaculação, mulheres colocando camisinhas nos pênis dos parceiros. O mais curioso é que foram chamados 4 dos grandes cineastas franceses, todos vanguardistas. Gaspar Noé é mais conhecido por "Irreversível". Cedric Kaplish pelo cult "O albergue espanhol". Marc Caro, de "Delicatessen" e Lucile Hadzihalilovic por "Inocência". O que mais curti foi o episódio de Lucile Hadzihalilovic, sobre um garoto que transa com 3 meninas, mas sendo advertido a trocar a camisinha toda vez que trocar a parceira. É explícito, mas muito sensual e bem filmado. O de Gaspar Noé, sempre polêmico, é sobre uma mulher que vai ser sodomizada por um Minotauro. Toda aquela linguagem esquizofrênica de Gaspar Noe já se encontra aqui. Achei a coletânea bastante interessante, quem curtir erotismo, recomendo. Nota: 7

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Atividade paranormal: Marcados pelo mal

"Paranormal activity: the marked ones", de Christopher Landon (2013) É foda mesmo. Sempre xingo cada um dos filmes dessa franquia, mas acabo assistindo a todos, inclusive os "spin-offs", caso desse aqui e de "Atividade Tokyo". Sempre acho os roteiros ruins, os desmembramentos da história principal cada vez mais absurda e inverossímel. Mesmo nos "Spin-offs", os produtores conseguem incluir informações novas sobre as irmã Katie e Kristi. No desfecho desse aqui, tem uma surpresa reveladora que nos faz voltar ao 1o episódio de "Atividade paranormal", com os atores originais. Nesse episódio voltado para o público latino, Jesse, um descendente de mexicanos, se forma numa faculdade em los Angeles. Seu melhor amigo, Hector e Marisol, uma amiga, comemoram. No dia seguinte, Jesse acorda com uma mordida no braço. Ele vai se comportando de forma estranha, e descobrimos que os vizinhos estão envolvidos em bruxaria. O que nos outros funcionavam bem, aqui não faz sentido algum. As cenas estão soltas, em várias locações, diferente dos outros, que se concentravam na casa principal. O mote de se instalar câmeras e o espectador presenciar o ocorrido aqui é substiuído por uma pequena câmera gopro, que faz o serviço de gravar 24 horas o que os personagens vivenciam. Mas fica forçado, nada justifica o personagem ficar gravando tudo, incluindo nas cenas tensas. O roteiro se assemelha muito a "Poder sem limites", filme também no esquema "Found footage" onde 3 amigos descobrem que possuem poderes. Aqui o filme faz uma brincadeira divertida, que garantiu risadas da platéia. Mas é pouco. O filme tem uns poucos bons momentos e sustos low profile. Pra quem quiser se aprofundar mais na trajetória dos personagens originais, esse filme é uma boa pedida. Nota: 6

Carrie, a estranha

"Carrie", de Kimberly Peirce (2013) O que faz um Produtor de Cinema convidar uma cineasta como Kimberly Peirce, que dirigiu "Meninos não choram" e alguns episódios de "The L world ( série sobre lésbicas) para dirigir um remake do clássico Carrie, a estranha", de Brian de Palma? Terá sido o tema da pessoa marginalizada, que sofre bullying, hostilizada por todos, e amada apenas por uma pessoa? Todo mundo conhece a história de Carrie White. Uma adolescente tímida, que sofre bullying na escola, e criada pela mãe super protetora e cristã fervorosa. O principal problema desse remake é que todos já sabemos o que vai acontecer. Isso acaba definitivamente com qualquer possibilidade de se criar suspense no filme. Um ou outro personagem secundário tem o destino diferente, mas nada que vá fazer diferença. O maior absurdo porém, é mudar a profissão da Sra White. Ao invés de ser vendedora de bíblias ( no filme anterior a Sra White ia com Carrie bater de porta em porta vendendo a palavra do Senhor, o que era mais contundente e mais coerente com a personagem) , ela agora é dona de uma lavanderia. Heim????? Kimberley também mudou o início, Ela cria uma cena prólogo para poder justificar as atitudes da Sra White. Ficou bem cruel. De uma forma geral, além do problema de ser um remake, o filme tem problemas de roteiro ( faltam sutilezas, todos são muito estereotipados ao extremo, mais que no original), de efeitos especiais, que são muito toscos, e de elenco de apoio. A atriz que faz a menina má, a vilã, nem de longe tem o carisma da atriz do filme de De Palma. E tinha também a Amy Irving e John Travolta, que davam mais charme ao filme. Aqui, o filme inteiro fica nas costas de Juliane Moore e Chloë Grace Moretz. As duas estão otimas e são a única razão de se assistir a esse filme. Moretz inclusive saiu ilesa dessa sua segunda refilmagem ( o outro foi "Deixa ela entrar", tão bom quanto o original. Nota: 5

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

"28 hotel rooms, de Matt Ross (2012) 1o Longa do curta-metragista Matt Ross, essa produção independente americana de baixo orçamento tem um plot que lembra a junção de "9 canções", de Michael Winterbottom, e do chileno "Na cama". Do 1o filme, ele pgou o mote de discutir uma relação de casal que acaba de se conhecer em um período determinado de tempo, se baseando em algum conceito temporal. No caso de "9 canções", a relação dura exatamente 9 shows vivenciados em dupla. Em "28 quartos..", a relação dura 28 encontros fortuitos dos amantes em quartos de hotéis distintos. Do filme "Na cama", o filme pega o plot do casal que se conhece em uma noite, e dai transam, discutem amor, sexo, vida, até descobrirem que ambos são casados. Os dois sofrem, e entram em conflito sobre que rumo tomar o destino deles em função de uma relação em princípio sem compromissos. Em "28 quartos..", não temos idéia do tempo preciso que os amantes se encontram. As performances de Marin Ireland e Chris Messina, dois únicos atores do filme, conferem dignidade. Eles se entregam aos personagens, ficam nus, exalam sensualidade. Mas os personagens infelizmente, são vazios demais. Demorei a simpatizar por eles, e pior, nem torci pela relação deles dar certo. O roteiro é do próprio diretor. A fotografia, para os padrões de baixo orçamento, e muito bonita e competente. Nota: 5

domingo, 12 de janeiro de 2014

Felicidade

"Gluck", de Doris Dorrie (2012) Que lindo esse filme da Cineasta alemã Doris Dörrie! Comecei a ver e preguei os olhos da primeira a última cena. Ela mantém aquele mesmo olhar lírico e poético de seu filme anterior, 'Cerejeiras em flor". Fala de novo sobre o amor entre pessoas tão distintas. Usando uma fotografia esplendorosa e uma trilha sonora belíssima e encantadora, o auge da perfeição vem da dupla de atores principais. Alba Rohrwacher, extraordinária atriz italiana de "Um sonho de amor", "A bela que dorme" e "Solidão dos números primos" e Vinzenz Kiefer , de "O grupo Baader Meinhof", presenteiam o espectador com performances formidáveis e intensas. Chorei muito no fim. Irina é uma refugiada de País de Leste Europeu, que sobreviveu a uma tragédia. Ela vai até Berlin, e se prostitui para poder sobreviver. Um dia ela conhece Kalle, um jovem punk que habita as ruas, junto de seu cão Boris. Os dois se comunicam através de olhares e se conectam com os passados trágicos. Ela o convida para morar com ele, e a partir daí, vivenciamos momentos de alegria e de dôr, de amor e de tristeza, até culminar em um desenlace inesperado. Os 15 primeiros minutos do filme, contando a trajetória de Irina, me lembrou muito aqueles dez minutos de "UP, altas aventuras". Você é apresentado a história de um personagem através de imagens clipadas, sem diálogos. É primoroso e contundente. Aliás toda a primeira parte do filme é assim, minuciosa, envolvente, só em olhares. A reviravolta da história enfraquece um pouco a trama, mas logo retoma seu rumo. Berlin é um absurdo de beleza cinematográfica, e as lentes do fotógrafo Hanno Lentz, mesmo de "Cerejeiras em flor", mostram a poesia do olhar. Lindo, lindo, lindo. Nota: 9

sábado, 11 de janeiro de 2014

A garota explosiva

"The exploding girl", de Bradley Rust Gray (2009) O cineasta Bradley Rust Gray em 2012 lançou um filme chamado "Jack e Diane". Com Juno Temple, era um filme dramático que narrava o romance entre duas garotas, e que logo se transformava numa trama fantástica de suspense, quando uma delas virava um monstro ao manifestar suas emoções. Fazendo juz ao título de cineasta independente, em 2009 ele lançou esse drama chamado "A garota explosiva". Ambos os filmes foram feitos com muito pouca grana. Nesse, ele filmou nas rua de Nova York sem autorização, em esquema total de "Filme-guerrilha". A história gira em torno de Ivy (Zoe Kazan), uma jovem que retorna para Nova York, pra ficar na casa da família por uns tempos. Ela reencontra Al, um amigo que ela gosta muito. Ele não tem aonde ficar e pede para que o deixe morar um tempo na casa dela. Na relação de amizade dos dois, pequenos flashes de flerte se manifestam. O namorado de Ivy, Greg, aparece apenas como voz off. Ivy por sua vez é epiléptica, e suas reações estão sempre vulneráveis em função da doença. O prólogo é muito bonito: close de Ivy dentro do carro, e folhas de arvore fazendo sombras luminosas em seu rosto. A curiosidade do filme fica em torno de Zoe Kazan, neta do cineasta Elia Kazan. Ela manda bem no papel da jovem tresloucada e emotiva Ivy. Mas o filme tem um grave defeito: a falta de uma boa história. A gente acompanha de forma muito entediante a rotina de Ivy e Al, suas possibilidades de namoro que nunca se concretizam. As cenas são longas, apáticas, sem muito envolvimento, com excessão de algumas que apostam na beleza da fotografia ou da própria atriz, luminosa na tela. Nota: 5

Confissões de adolescente

"Confissões de Adolescente", de Daniel Filho e Cris D'amato (2013) Kubrick já disse em uma entrevista: "Todos os filmes já foram feitos. Você só tem que fazer melhor". Quantas vezes você assistiu a um filme sobre a perda de virgindade? Sobre traições? Sobre o primeiro amor? Sobre gravidez indesejada? Sobre descoberta da sexualidade? Sobre relação pais e filhos em eterno conflito de pensamento? Com certeza muitos. Mas esses temas ainda interessam. A certeza disso, só testemunhando a platéia que ria e suspirava na sessão que assisti. Adolescentes brasileiros ( Sim, feito raro, fazer com que adolescentes saiam de casa para assistir a um filme nacional que não seja comédia. E mais, que não tenha a cara da novela "Malhação", pavor de todos os Cineastas que querem retratar o Universo dos jovens.) O grande diferencial pode-se dizer sem medo de errar, é o elenco afinado, uma garotada que faz acontecer. Bella Camero, Malu Rodrigues, Sophia Abrahão, Clara Tiezzi, João Fernandes, Tammy Di Calafiori, Bruno Jablonski, Hugo Bonemer, Christian Monassa, Olivia Torres, e o veterano Cassio Gabus Mendes. Que delícia ver tanta gente boa fazendo algo em que acreditam. Os personagens, claro, são estereotipados. mas aquele mesmo signo do seriado "Glee", que eu tanto adoro. Cada adolescente representa uma fatia de bolo, um tipo com quem a gente se identifica de alguma forma. Juntem todos, e você se enxergará por inteiro. Eu nem posso falar mais sobre o filme, pois trabalhei nele e irão dizer que puxo o saco de filme que fiz parte da equipe. Não é nenhuma obra-prima, nem se propõe a isso. Se propõe sim, a ser uma delícia de passatempo, daqueles que se você tiver a sorte de estar ao lado de seu pai, de sua mãe, de amigos que você gosta, de namorado, namorada…assistir de mãozinha dada, porquê o filme tem sentimentos muito claros: o amor deve ser cultivado por todos que se amam e se gostam. Simples assim. Obs: Posso estar louco, mas a cena do "Verdade ou consequência" na boite, tem uma intensidade tão forte quanto a cena do bullying escolar de "Azul é a cor mais quente". Arrazaram!

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Frozen: uma aventura congelante

"Frozen", de Chris Buck e Jennifer Lee (2013) Baseado no conto de Hans Christian Andersen , " A Rainha da neve", esse filme da Disney tem um visual muito caprichado e fotografia bonita. A história gira em torno de 2 irmãs princesas, Anna e Elsie. Os pais as proibem de brincar juntar, pois Elsa tem uma maldição: tudo o que ela toca vira gelo. Com medo que machuque Anna, os pais a trancam, e as irmãs crescem divididas. Com o passar dos anos, e já crescidas, os pais morrem e Elsa assume o trono. Mas durante uma discussão com Anna por conta de uma paixão com um príncipe, Elsa se irrita e acaba congelando o Reino. A população a acusa de bruxaria e ela foge. Sentindo-se culpada, Anna vai atrás de Elsa, percorrendo caminhos perigosos. Divertido e bastante romântico, essa aventura me fez passar o tempo, mas em nenhum momento me empolgou. Achei os números musicais excessivos e cansativos, e nenhuma música foi marcante. Os personagens também, não me trouxeram nenhuma surpresa, me pareceram todos bastante deja-vu. Achei até longo, quase 110 minutos, muito para padrão de animação. Nota: 6

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Hawaii

"Hawaii", de Marco Berger (2013) O cineasta argentino Marco Berger, que tem em sua filmografia longas com temáticas gays, pode ser considerado o Cineasta mais Voyeur de toda a cinematografia argentina. Em todos os seus filmes, ele trabalha o tema de um homem que sente tesão pelo outro, passam o filme todo se flertando, em olhares erotizados, e nada de sexo. Tudo na base da intenção sexual, mas sem o fato consumado. As pessoas se olham, observam corpos, detalhes de órgãos genitais, tudo com muita volúpia. Eu chamaria Marco Berger de um "Punheteiro mental". Seus personagens todos têem essa característica de sofrimento, de paixão platônica, um tesão interiorizado. Martin é um jovem em busca de dinheiro para se manter. Ele trabalha em mansões capinando jardim, limpando piscinas. Um dia, bate na casa de Eugênio, um rapaz que cuida da casa de seus tios, que estão de férias. Martin se oferece para trabalhar, Eugenio consente e eles se reconhecem como amigos de infância. Porém,uma tesão enrustido toma conta dos dois. Em todos os seus filmes, Berger usa o mesmo contexto: "Plano B', "Ausente", "Tensão sexual". Os protagonistas são homens bonitos e fortes, cheios de libido e em crise sexual. Em "Hawaii", o argumento se resume a duas linhas. A Gente fica quase 2 horas acompanhando uma punhetagem onde nada acontece. Com certeza 40 minutos a menos não faria a minima diferença. Inclusive em "Tensão sexual" tem um episódio que é igualzinho a esse. Não existe novidade alguma. É um filme entediante, apesar da bela fotografia e clima de erotização de algumas cenas. Mas apenas isso. NotaL 5

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Meu cão Killer

"My dog killer", de Mira Fornay (2013) Denso drama Tcheco, dirigido pela Cineasta Mira Fornay. O filme foi indicado pelo seu Pais pra brigar por uma vaga na disputa do Oscar estrangeiro, mas acabou não sendo selecionado. Numa cidade do interior da Eslováquia, região onde conflitos étnicos envolvendo os habitantes e ciganos produzem efeitos aterrorizantes, vive Marek, um skinhead de 18 anos. Ele e seu grupo de outros skinheads vivem de odiar os ciganos e pregam a violência acima de tudo. Marek não tem amigos, e é mal visto pelo seu grupo de skinheads. Seu único companheiro é seu cahorro pit bull Killer, treinado para matar. Seu pai pede que Marek vai até uma cidade próxima buscar a assinatura de sua mãe, que o abandonou para viver com um cigano. Ao chegar lá, ele descobre que tem um meio irmão de sangue cigano. Mareke entre em conflito e não sabe se age de acordo com seus principios neo-nazistas ou de acordo com o seu coração. Mas a realidade é muito cruel. Até demais. Esse filme tem uma influência enorme do cinema documental. Filmado totalmente sem emoção, em narrativa fria e distanciada, câmera na mão que acompanha o seu personagem o tempo todo. O drama é muito sêco, e o diretor opta por não usar luz nas noturnas, deixando o espectador usar sua imaginação sobre os fatos que acontecem. A gente quase não vê nada na escuridão. O filme tem um ritmo muito lento, cansativo. Quase nada acontece na tela, e o que vemos é a rotina desse rapaz. Curioso é que recentemente no Brasil tivemos o filme "O lobo atrás da porta", até de certa forma semelhante na forma e conteúdo. Fica a curiosidade de ver um filme Tcheco de ois de tanto tempo sem produzir nada de signficativo. Nota: 6

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Centro de Curto prazo 12

"Short term 12", de Destin Cretton (2013) Premiado drama independente americano, que circulou vários Festivais indies mundo afora, foi dirigido pelo cineasta havaiano Destin Cretton. Destin já havia dirigido um curta em 2008 com o mesmo nome. "Centro de Curto prazo 12" é um tipo de Casa de abrigo para menores delinquentes com o limite de 12 pessoas. Grace e Mason são dois jovens, que se juntam a outros monitores para cuidar desses jovens. O filme faz um paralelo entre esses menores e seus problemas pessoas com assédios sexuais, tentativas de suicídio, etc, e os jovens que trabalham nesses Centros e a falta de experiência deles em lidar com tanta responsabilidade. No caso de Grace, ela se espelha em uma das internas, e revê sua própria história de abuso sexual por parte do pai, que acabou sendo preso num reformatório por iniciativa dela. Destin passou 2 anos fazendo laboratório nesses centros, e isso explica a total intimidade da câmera com os personagens e situações. A linguagem documental o aproxima muito do filme francês "Entre os muros da escola" e do Cinema dos irmãos Dardenne: um olhar distanciado, porém meigo e positivo mostrando tipis marginais que precisam ter um ponto de virada para poder se tornarem pessoas melhores. O elenco, misturando atores e não-atores, é um primor. Todos atuam muito bem, usando a linha naturalista. A fotografia e trilha sonora também contribuem muito para o resultado primoroso da obra. Emocionante e lirico. Nota: 7

Pesadelo

"Mardrom/Nightmare", de Christopher Marins (2010) Impressionante como esse curta de 16 minutos da Finlândia consegue ser mais assustador que muito longa-metragem de terror. Claramente inspirado na obra-prima de terror "Medo", um filme Austríaco dos mais aterradores que já assisti. Em "Pesadelo", não existe uma história propriamente dita. O que vemos é um paciente psiquiátrico surtando e matando todo mundo: enfermeiros, médicos, pacientes. O filme não tem diálogo, e como em "Medo", é todo narrado em 1a pessoa, em Voz Off. O pensamento de um assassino na hora e matar as pessoas, das formas mais cruéis possíveis. Mas essas mortes não são como em "Jogos mortais". Aqui, tudo é bem realista. "Se Deus existe, será que eu sou o Diabo?", indaga o personagem. Os efeitos podem ser toscos, mas a fotografia escura, o protagonista assustador e a narrativa fria contribuem para que esse seja um filme difícil de esquecer por um bom tempo. Não é para qualquer um. Barra-pesada nível alto. Angustiante a cena final. Nota: 7

domingo, 5 de janeiro de 2014

12 anos de escravidão

"12 years a slave", de Steve McQueen (2013) Baseado no livro escrito por Salomon Northup (Chiwetel Ejiofor) , uma biografia sobre os 12 anos que ele passou como escravo em fazendas, após ter sido sequestrado em 1840. Historicamente, após a abolição da escravatura no Norte do País, muitos negros foram sequestrados e vendidos no Sul do País. Salomon, casado e pai de 2 filhos, violinista, foi vendido para vários fazendeiros escravocratas, até parar nas mãos, de Edwin Epps (Michael Fassbender) , o mais cruel de todos. O filme obviamente lembra bastante 'Django livre", mas a semelhança fica apenas na temática da escravatura e na crueldade contra os escravos. A vingança de Salomon nunca acontece, pois sua história é de perseverança, luta e esperança. A direção de Steve Macqueen é espetacular, evitando o melodrama e apostando toda a força do filme no super-elenco e na fotografia, esplendorosa. As imagens do filme são muito cinematográficas: planos de paisagens planos longos na cara dos atores. Duas cenas para mim se destacaram: o plano-sequência da sessão de chicotadas em Patsey ( a fenomenal Lupita Nyong'o), e a cena final, que me remeteu de imediato a "A cor púrpura". O ator Chiwetel Ejiofor é um acontecimento: a sua atuação como Salomon é assombrosa, e o seu sofrimento é visível em casa poro de seu rosto. Michael Fassbender, Brad Pitt, Paul Giamatti , Paul Dano e até mesmo Quvenzhané Wallis ( a pequena atriz de "Indomável sonhadora") compõe tipos entre os maus e os bons, dando ao espectador material suficiente pra gente odiá-los ou amá-los. O roteiro é bárbaro, apesar do filme ser longo ( 134 minutos), e me deu uma certa canseira. Mas vale muito a pena assistir pelas performances e fotografia. Nota: 8

sábado, 4 de janeiro de 2014

Clube de compras Dallas

"Dallas Buyers Club", de Jean-Marc Vallée (2013) O cineasta canadense Jean-Marc Vallée, realizador do excelente "C.R.A.Z.Y", faz a biografia de Ron Woodroof ( Matthew McConaughey), um Cowboy de Dallas. Ron, em 1985, foi diagnosticado com AIDS durante uma inspeção por acidente de trabalho. Ao descobrir ser portador de HIV, ele reage mal. Fica irritado, pois não entende como que ele, que odeia homossexuais, pôde ter pego o vírus ( na época, propagava-se que a Aids era associada a homossexuais). Mais tarde ele mesmo reconhece que contraiu a doença por transar com uma puta sem camisinha. A partir daí, o bronco e intratável cowboy resolve descobrir uma cura para a doença, uma vez que o médico lhe dá 30 dias de vida. O AZT surge na época como uma possível cura, mas seu acesso é restrito. Ron resolve ir até o Mexico em busca de medicina alternativa. Os remédios que lhe são administrados são proibidos pela FDA americana. Junto de Rayon (Jared Leto), um drag queen, também portador do HIV, Ron monta um escritório onde ele vende drogas não aprovadas para outros doentes. O Governo americano vai em cima, e Ron luta contra o sistema. O personagem de Ron e rico de nuances, um presente para qualquer ator. Rude, mal humorado, homofóbico, ele vai se transformando ao longo do filme. Matthew McConaughey tem a dura missão de fazer o antipático Ron virar um personagem carismático. McConaughey, assim como Jared Leto, perderam mais dw 40 kilos, e a aparência dos dois é assustadora. São duas performances poderosas, comoventes. Difícil não se emocionar vendo os dois em estado físico deplorável na tela. Mas o filme tem um ritmo lento, o que o torna aborrecido em mais da metade da projeção. Seu olhar quase burocrático e didático da vida de Ron torna a narrativa muito fria. E pior, é longo, quase duas horas de filme que parecem ser muito mais. O elenco de apoio, liderado por Jennifer Garner, cumpre seu papel, sem tirar o brilho dos protagonistas. Um filme a ser lembrado mais pelo esforço dos atores, que se entregaram de corpo e alma pro filme, do que pela história em si. Faltou aquele frisson em cenas chave de emoção. Nota: 7

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Spots

"Spots", de Aldo Tardozzi. Misture "After hours", de Scorcese, e "Thelma e Louise", de Ridley Scott, e você obterá esse filme Croata que infelizmente, não se tornará clássico com os filmes citados. Lana é uma jovem de 17 anos, que contra a vontade de seus pais, sai na night com seu namorado. Dentro de um carro, Igor, o namorado, quer transar de qualquer jeito, e acaba estuprando Lana. Ele foge e se esconde dentro de uma boite. Lá, ela conhece Irene, uma jovem misteriosa que acabara de cometer um crime. As duas juntam numa noite de muita loucura e outros crimes. Curioso por ser um filme Croata, e com duas boas atrizes nos papéis títulos, esse drama com pequenas doses de ação e suspense é prejudicado por um roteiro preguiçoso, que não trabalha a nuance da transformação da ingênua Lana numa marginal da noite. Tecnicamente está tudo correto ( fotografia, direção de arte), mas isso é pouco para manter o interesse do espectador. Faltou um olhar meio Wes Anderson, que trouxesse figuras noturnas nessa noite decadente. O filme aposta numa possibilidade, e não funciona. Nota: 5

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Crianças abaixo de 16

"Detyam do 16", de Andrei Kavun (2010) Drama russo que se inspira em romances americanos para dar vida a história de 2 casais de amigos pós-adolescentes. Kir e Maksim, são melhores amigos, e conhecem Dasha e Leia. Kir curte Dasha, mesmo sabendo que Maksim está a fim dela. Com o passar do tempo, Maksim se casa com Dasha, e Kir fica com Leia. Mas ciúmes e amores mal resolvidos farão parte desse grupo de amigos. Apesar do olhar americanizado da trama e do tratamento visual ( com trilha sonora repleta de músicas pop, narrativa de video clip), o filme tem uma dose de erotismo e nudez impensáveis pro padrão de Hollywood. Esse é o diferencial desse drama sobre adolescentes em crise profissional e pessoal. Mas é pouco para dar interesse a essa trama. Os jovens são bonitos, a fotografia é bacana, as locações são cinematográficas. Mas faltou alma, o filme é narrado de forma muito fria, e as cenas de sexo tem teor de tesão zero. A curiosidade é o jovem ator Dmitriy Kubasov, muito parecido com Jake Gyllenhaal. Nota: 5

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

O congresso futurista

"The Congress", de Ari Folman (2013) Animação do cineasta israelense, realizador do excelente "Valsa para Bashir". Em "O congresso", exibido em competição em Cannes 2013, Ari Folman se baseia em um livro de ficção cientifica, chamado "The Futurological Congress" de Stanislaw Lem. O grande problema desse misto de filme com atores e animação, é que ele é extremamente complexo, hermético, e que tem como tema a clonagem, a crise artística, o direito de uso de imagem, a relação familiar e um futuro onde qualquer um pode se transformar na pessoa que quiser. A atriz Robin Wright interpreta ela mesma. A personagem é a própria Robin, em crise profissional. Após alguns sucessos de início de carreira, como "Forrest Gump" e "A princesa prometida", ela se vê num tremendo ostracismo e apostando em filmes que foram fracassos de bilheteria. Seu agente e o Estúdio Miramount propõe a ela um acordo inusitado: scanear o corpo e imagem dela, para poder usar os direitos e produzirem os filmes que quiserem, usando apenas o Avatar dela. Para isso, ela nunca mais poderá atuar como pessoa de carne e osso, apenas o seu Avatar. Em principio contra, ela reluta, convencida pelo seu Agente. Passam-se 20 anos, e a Avatar dela resolve se rebelar contra um Congresso que propõe que qualquer um pode se transformar em qualquer pessoa, o que fará todos perderem sua individualidade. Assistindo ao filme, fiquei pensando em quantos alucinógenos os integrantes da Equipe devem ter tomado para levar o filme adiante, Nem o filme de Richard Linklater, "O homem duplo", era tão complexo assim. Para quem se aventurar em tentar decifrar o filme, melhor prestar bastante atenção. O que é uma tarefa árdua, visto que é um filme longo ( 123 minutos) e de ritmo muito lento. A fotografia, no entanto, é belíssima. O filme tem também um elenco de peso: além de Robin, temos Harvey Keitel, Paul Giamatti e o menino Kodi Smit-McPhee, da refilmagem de 'Deixa ela entrar". Eu queria ter gostado mais, afinal, é um projeto muito ousado. Mas infelizmente, tanto hermetismo e chá de cogumelos não fizeram minha cabeça. A registrar a beleza estonteante de Robin Wright, uma Diva na tela. Nota: 5