sábado, 30 de novembro de 2013

Hotel

"Hotel Casa Camper", de Nico Casavecchia, Dany Ilario, Celia Galan Julve, Erika Lust, Steve Green, Roger Gual (2011) Divertido e criativo filme composto de 6 curtas com duração variadas. Em comum, o fato de terem todos sido filmados nas dependências do famoso Hotel Casa Camper, em Barcelona. Unindo drama, erotismo, comédia, ficção científica, os cineastas tiveram apenas 1 dia para filmar a sua história, e com um orçamento de 500 euros. Vendo os filmes, alguns parecem inacreditáveis com tal orçamento. Os que mais curti foram os de Nico Casavecchia, sobre um americano que vem se hospedar e acaba indo para uma night party, se passando por durão, quando na verdade ele é anti-social, e o último, de Dani Ilario, uma pequena obra-prima, sobre um homem que quando entra e sai do quarto vai se transformando em todos os tipos possíveis de homens e animais, incluindo robô. Bizarro e mega-cult. Uma delícia de filme, com menos de 1 hora, mas realmente bacana e divertido. Um passatempo inteligente e adulto, com ótima parte técnica, apesar da pouca grana. Nota: 8

Somos o que somos

"Somos lo que hay, de Jorge Michel Grau (2010) Essa é a versão original mexicana do filme de terror americano homônimo. O argumento é o mesmo, mas o americano pegou alguns pontos aqui visto apenas de leve, e fortaleceu a história da familia e da investigação do médico legista. Nesse mexicano, o chefe da família é invertido. A mãe domina seus 4 filhos com mãos de ferro, após a morte do patriarca. Para quem não conhece, a história gira em torno de uma familia de canibais, que caça suas presas pelas ruas. Famintos, eles percorrem o submundo noturno em busca de putas, gays e quem mais cruzar o sue caminho. Original, macabro, e com ótimas interpretações ( toda a sequência do filho indo atrás do jovem gay para poder caçá-lo, inclusive se fazendo passar por gay numa boite, é uma obra-prima). O filme, assim como o americano, tem um ritmo lento. Aqui, a violência é menos gráfica, e por horas investe num humor negro ( vide o travesti e os policiais meio paspalhões). Imperdível para quem curte um filme de terror com forte carga dramática e ótimas interpretações, e além do mais, com o charme cult de ser mexicano ( as caras das pessoas são um ponto fortíssimo). Nota: 8

Morte de um homem dos Balcãs

"Smrt coveka na Balkanu", de Miroslav Momcilovic (2013) Um filme super curioso pela sua ousada narrativa: no prólogo, vemos um homem se matando em seu apto com um tiro. Antes, ele ajeita a webcam e a deixa ligada. Cartela preta. Quando o filme retorna, o que vemos é um único plano de 80 minutos, sobre um homem que se suicida. Vários vizinhos começam a surgir. De repente, policiais, gays, artistas, carros de polícia, tudo Conspira a favor da diversão e entreter o público. Mas como?, pergunta o público, se o que eles vêem nas telas desse filme Sérvio é um único plano de 80 minutos, como se fosse o ponto de vista de uma webcam que somente o morto sabia que estaria ligada. Daí, vários moradores, policiais, IML, corretores e possíveis compradores se juntam para criar uma baita confusão, nos moldes dos irmãos Marx e sua comédia maluca. O filme é curioso, é um filme comercial com técnicos que assinam um termo de compromisso e jamais revelar como filmaram o longa. A câmera estática obviamente coloca na nossa mente a seguinte questão: " Como aceitar ser pai aos 17 anos de idade?" E a diversão? Comida? Tudo isso está sendo posto de lado, uma pena. Para os leigos, o filme é TEATRO puro. estático, atores que entram e saem de cena. Alguns personagens são quase caricaturas, mas o filme sabiamente dispersou essa atitude dos atores. Nota: 6

O lugar entre nossos corpos

"The place between our bodies", de Michael Wallin (1975) Ousado filme experimental realizado no ano de 1975. O Cineasta Michael Wallin se expôs para as lentes de sua câmera, para mostrar a San Francisco de 1975. Ele faz um relato sobre a sexualidade gay da época, através de uma confissão pessoal: ele não consegue resistir aos apelos da pornografia vigente, exposta através de vitrines com livros eróticos, cinemas pornôs, homens em constante olhares sexuais andando nas ruas. Ele faz um relato sobre o tesão incontrolável e como ele vai em busca do sexo fácil, sujo, mundano. Até que, surpreendentemente, ele conhece um rapaz, e a partir daí o filme muda de gênero. Vira um filme romântico, mesmo que permeado com cenas de sexo entre os dois amantes. Mas a grande diferença entre o sexo sujo e o sexo entre pessoas que se amam, no caso aqui do filme, é a forma apaixonada que sua câmera registra. Na primeira parte, o sexo é mostrado cruamente. Na segunda parte, já na relação entre o casal de namorados, o sexo é mostrado de forma lúdica, com cores e foco ensolarado, quase etéreo. Goste-se ou não do filme, rodado em 16 mm e em narrativa experimental, é incontentável seu valor histórico: a moda, o comportamento, tudo isso numa época pré-AIDS, pré-camisinha. Tudo era permitido, tudo era permissivo. A câmera expositiva de Michael Wallin, que registra toda as atividades de relacionamento com seu namorado, procura criar uma atmosfera de inquietude, uma vontade de quebrar tabus de narrativas da época e e soltar de qualquer linguagem clássica narrativa do cinema. Nota: 7

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Eles voltam

de Marcelo Lordello (2012) Eu estava bastante ansioso para assistir a esse filme pernambucano, principalmente após o sucesso na carreira Internacional (Seleção Rotterdan) e o Prêmio de melhor filme em Brasília, um Festival com prestígio de premiar filmes autorais. Fotografado belamente por Ivo Lopes Araújo, do excelente "Tatuagem", o filme narra a história de Cris e Peu, dois adolescentes, ela com 12 anos. O filme começa com o carro onde eles estão, parando em uma estrada. Os pais, em crise de histeria mental, abandonam os dois à mercê da sorte na estrada. Tensos e sem entender nada, os dois ficam desorientados. O irmão resolve ir até um Posto, mas não retorna. Cris, isolada, resolve seguir estrada, e pelo caminho, se depara com pessoas que farão ela mudar o seu ponto de vista da vida e da sociedade. O filme é bom. Mas não consegui ir além dessa observação. Tem um bom elenco ( a menina Maria Luiza Tavares é um achado), ótima fotografia. O roteiro não surpreende, e nem tem reviravoltas na trama. Apenas acompanhamos, com extrema apatia de todos os personagens, o desenrolar da descoberta de Cris para um mundo adulto, que ela até então desconhecia. ( Ela é de familia classe média alta). Ela se depara com moradores de comunidade, trabalho terceirizado, com o sexo, com a solidão e a bipolaridade de seus pais. O seu rito de passagem vem acompanhado por uma narrativa extremamente lenta, e até mesmo, cansativa. Para mim, o filme, de 100 minutos, parecia eterno. "Eles voltam" surgiu com uma aura cult, mas diferente de "Som ao redor", dificilmente atingirá um público mais amplo. Tipo do filme que entra em um único horário de uma sala de cinema. Torcer para poder ser visto. Mesmo que metade da platéia ameace dormir no meio do filme. Nota: 7

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Sozinho

"Solo", de Marcelo Briem Stamm (2013) Ótimo e surpreendente drama de suspense, com uma reviravolta sensacional no desenrolar da história. Essa produção argentina da baixo orçamento prima pelo roteiro e direção de atores. O filme é quase todo encenado dentro de um apartamento, com dois atores, fora alguns breves flashbacks em outros ambientes. O mais curioso, no entanto, é ser um filme de temática gay, mas produzido para o gênero suspense psicológico. Não fossem as cenas de sexo entre homens, o filme teria sido facilmente distribuído e talvez até alcançado um posto de filme cult entre uma platéia mais ampla. A história gora em torno de Manuel, um jovem recém separado do antigo namorado e que ainda não conseguiu se livrar da depressão pós rompimento da relação. Uma noite, em seu apartamento, onde mora sozinho, ele conhece Julio num chat room. Eles marcam um encontro na mesma noite e Manuel acaba levando Julio para o seu apartamento. Entre trepadas e revelações, os personagens vão se mostrando quem eles são de verdade. As performances de Patricio Ramos e Mario Verón surpreende pela desenrolar da história, mostrando grande habilidade dos atores em se transformarem em cena. Para o espectador sem preconceito, é uma bela pedida para quem curte filmes baixo orçamento criativos e com ótimos diálogos , onde a história se passa toda em uma noite. Nota: 9

Somos o que somos

"Whe are what we are", de Jim Mickle (2013) Excelente remake do original homônimo mexicano de 2010, esse drama de terror tem um parentesco com o sueco "Deixa ela entrar", de Tomas Alfredson. Ambos os filmes trabalham o gênero terror como se fosse um filme de arte: capricho na decupagem da direção, revelando atmosfera e clima de cena; fotografia primorosa, trilha sonora funcional ; roteiro cheio de reviravoltas e muita angústia, além de excelente elenco. "Somos o que somos"seria um híbrido de "O massacre da serra elétrica" e "O silêncio dos inocentes", porém para ser exibido em festivais de cinema. A história gira em torno de uma tradição secular de uma linhagem de família canibal, que por conta de se alimentar de carne humana, vai adquirindo uma doença que provoca sintomas semelhantes ao Mal de Parkinson. Após a morte da matriarca, o pai obriga a filha mais velha a seguir a tradição: a filha precisa preparar o banquete. Porém, por conta de uma tempestade, resquícios dos assassinatos surgem, e chamam a atenção da polícia local, em busca de desaparecidos. O filme tem uma edição muito boa, e um clima de eterna tensão, extremamente bem registrada pela Direção de Jim Mickle. O que provoca mais curiosidade é o fato dele ter sido Chefe maquinista de vários longas, entre eles, "Transamerica". Incrível a nota que esse filme sensacional recebeu do imdb, não fazendo jus à qualidade artística dessa produção. Obviamente não é para qualquer um,é um forte com cenas violentas e fortes. Mas assim como Nicolas Winding Refn, que com seu 'Drive", elevou o gênero filme de ação ao posto de filme-Arte, "Somos o que somos" também busca essa aura cult. Merecidamente. Nota: 8

domingo, 24 de novembro de 2013

Minhas coisas

"Tavarataivas/My stuff", de Petri Luukkainen (2013) Documentário Finlandês, dirigido e interpretado por Petri Luukkainen. Realizado nos moldes do famoso "Super size me", do americano Morgan Spurlock, onde o próprio cineasta se faz de coabaia para a sua tese. No caso, em "My stuff", o tema principal é: "O que traz a felicidade?" Petri, um jovem de 26 anos bem-sucedido, vivendo num belo flat, termina um relacionamento. Isso dá um start em seu pensamento, onde ele precisa entender qual o sentido da felicidade das pessoas, e o que as fazem ser felizes. Assim, ele decide ser cobaia de sua tese: ficar 1 ano sem absolutamente nada de material. Deixar tudo em um galpão alugado, e viver do nada, sem roupa, sem móveis, objetos pessoais, Nada. A regra: por dia, ele pode pegar 1 objeto nesse galpão, fazendo uso dele, e não pode comprar nada novo. Seus amigos, sua família, todos procuram entender o porquê dessa experiência. O filme provoca então essa discussão entre as pessoas: o que é e o que não é supérfluo. Apenas a avó de Petri parece entender o sue intento. Ela diz que após a segunda Guerra, as pessoas como ela aprenderam a viver com quase nada, mais pela carência de tudo. Ter um trabalho já era importante. O filme vai dia a dia, até entendermos que não é a ausência de objetos que nos faz feliz, e sim, o que significa cada objeto que temos em casa. É um interessante docudrama, que levanta discussões inteligentes, mesmo que a gente não consiga viver sem internet, computador e celular. Belissimas locações em

Performance Ansiedade

"Performance Anxiety", de Reid Waterer (2012) Esse é simplesmente um dos curtas mais divertidos e inteligentes que já vi. Brincando com metodologias de técnicas de atuação, o filme instiga a homossexualidade velada entre 2 atores heteros, que por questão financeira, aceitam participar de um filme onde eles atuam como amantes gays. Os dois atores se trancam no estúdio, a pedido do Diretor, e tentam entre eles, usar todas as técnicas de atuação que aprenderam e ouviram falar para poder "entrar"nos personagens e poderem fazer as cenas de beijo e sexo entre eles. A direção é muito boa, concisa, sem tempo morto e dinâmico. Brinca com comédia e romance na medida certa. Os dois atores são simplesmente geniais, eles brincam e curtem cada minuto de seus personagens. Trilha sonora, fotografia, tudo muito bom. Imperdível, passatempo inteligente e para adultos. Nota: 10

sábado, 23 de novembro de 2013

American translation

"American translation", de Pascal Arnold e Jean-Marc Barr (2011) Drama francês da mesma dupla de cineastas de "Sensual demais" e "Crônicas sexuais de uma família francesa". O filme é resultado de pesquisas feitas sobre serial killers , que matam como forma de aniquilar suas angústias sobre sua existência. Chris, um jovem bonito de 21 anos, perambula pelas estradas com sua van/trailer. Um dia, ele conhece Aurore, uma jovem francesa rica, filha de pai americano. Se sentem atraídos sexualmente e transam alucinadamente. Aurore leva Chris para morar em sua casa. Lá, eles atraem amantes, que acabam mortos por Chris. Insaciável, Chris também apanha homens nas ruas e os leva até uma floresta, onde os mata por estrangulamento. Filme longo, recheado de cenas sensuais, mas sem o mesmo teor erótico de "Crônicas...", que era cheio de cenas de sexo explícito. O filme perde foco várias vezes em sua narrativa, se alongando em crises do protagonista. Arrastado, poderia ter meia hora a menos que não faria a menor diferença na trama. As cenas de violência sôam falsas, pois fica tudo muito escondido da câmera, evidenciando o truque cinematográfico. Os atores estão ok, vencendo mais pela beleza do que pela qualidade artística. Ainda não foi nesse filme que Jean Marc Barr, ator, merece destaque como cineasta. Destaque mesmo vai para a excelente trilha sonora recheada de pop rock de primeira qualidade. Nota: 5

Bridegroom- Uma história de amor

"Bridegroom, a love story. Unequaled", Linda Bloodworth-Thomason (2013) .Documentário vencedor do Prêmio de melhor filme votado pelo público em Sundance 2013. Baseado em história real, esse documentário é um libelo a favor da igualdade sexual. Em 2011, Shane Bitney Crone, postou um vídeo no Youtube onde ele expressava a dôr da perda de seu companheiro, Thomas Lee Bridegroom, morto em acidente trágico. No funeral, a família de Thomas proibiu a sua presença, acusando-o de ter transformado Thomas em gay. O vídeo, chamado "It could happen to you", foi visto por mais de 3 milhões de pessoas. Produtores procuraram Shane e resolveram produzir esse documentário, onde o próprio, utilizando material de arquivo, faz um atestado de amor ao seu companheiro. Se utilizando de videos caseiros, fotos e depoimentos de sua família e amigos dos dois, o filme faz um registro de uma história de amor incondicional. Ambos nasceram em cidades do interior. Quando adolescentes,sofreram muito ao se descobrirem gays. Shane tentou suicídio, Thomas estudou em colégio militar, tendo uma educação rígida. Os dois vieram a se conhecer em Los Angeles cidade para onde ambos foram tentar uma vida de sonhos. A paixão foi imediata e durante 5 anos, viveram felizes. Viajaram mundo, filmaram pequenos documentários, inclusive no Rio de Janeiro. Ao contrário da família de Shane, que apoiou a união, a família de Thomas ameaçou Shane constantemente. Nesse filme, a família de Thomas foi convidada a dar depoimento, mas se recusaram. Daí, fica-se uma sensação de vermos apenas um lado da moeda. De qualquer forma, é um belo filme onde vemos um amor único, perfeito, um casal lindo, feliz, cheio de sonhos em conjunto. Thomas morreu ao cair acidentalmente do telhado do prédio aonde morava. O filme alterna momentos de humor através de depoimentos divertidos de amigos. Uma amiga de infância de Shane, por ex, dizia se divertir vendo Shane dublando Barbra Streisand. A mãe de Shane também dá depoimento engraçado dizendo que Shane quando criança, após ver o filme "Philadelfia", com Tom Hanks, achava que também estava com Aids e que iria morrer. É um filme que o impressionou bastante. Os dois são um retrato até mesmo caricatural do padrão do gay americano. Um amor tão certeiro que até enjoa de tanta felicidade. Nota: 7

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Queda livre

"Freier fall/Free fall", de Stephan Lacant (2013) Drama que abriu uma Mostra paralela no Festival de Berlin 2013, é considerado a versão alemã de "Brokeback Mountain"pela crítica mundial. Marc é um policial de 36 anos, feliz em seu casamento com Katharina, grávida de 8 meses. Um dia, durante um treinamento, ele conhece Kay, policial de outra divisão. Kay o seduz e Marc descobre a sua homossexualidade. Os dois passam a viver um amor conflituosos, pois Marc ainda ama sua esposa, mas não consegue resistir ao encanto de Kay. Até que um dia, seus pais, sua esposa e seus colegas da polícia descobrem o relacionamento. E aí vem o título do filme, "Queda livre". Apesar de unir toda a estrutura narrativa do filme de Ang Lee, e ainda juntar clichês de relacionamento amoroso e familiar, o filme ganha pontos por possuir um excelente elenco, que se entrega com garra aos seus papéis, e uma linda fotografia e trilha sonora, que enaltecem uma história de amor proibida, em tons tristes e frios. O ambiente pesado da Academia Policial e o machismo exacerbado dos policiais que ali treinam são um contraponto ao amor ensolarado e luminoso do casal masculino, mas que no entanto, com o desenrolar da história, vai se tornando trágico e escuro. Belo e muito interessante. Nota: 7

Jovem e bela

"Jeune et jolie", de François Ozon (2013) O cinema francês contemporâneo deve muito de sua sofisticação, modernidade e ousadia à filmografia de Ozon. Dono de algum dos filmes franceses mais significativos das duas últimas décadas ( Amor em 5 tempos, Dentro de casa, Águas escaldantes, 8 mulheres, entre outros), Ozon une a cultura pop à crítica contra a hipocrisia da sociedade perante a sexualidade e a relação familiar. Nesse "Jovem e bela", Ozon se utiliza de um tema hiper-batido, a prostituição, para mais uma vez, discorrer sobre o surgimento da sexualidade de uma jovem de 17 anos e de um menino de 12 anos. Dividindo o filme em 4 segmentos, de acordo com as estações do ano, e emolduradas por belas canções de Françoise Hardy, "Jovem e bela" narra a história de Isabelle, que acaba de fazer 17 anos e perder sua virgindade durante férias com família em uma região praiana no verão. Na passagem de tempo, já a encontramos se prostituindo com clientes mais velhos, sem culpa, sem sofrimento. Por curiosidade e por desejo, simplesmente assim. AO mesmo tempo, seu irmão menor também busca a sua identidade sexual. Sua mãe, ela descobre estar traindo seu padrastro com um amigo da família. Assim, todos os personagens se descobrem sexualmente , e se utilizam do sexo para resolver seus problemas pessoais, ou pelo menos disfarçá-los. Sempre elegante, dirigindo seus atores com muita propriedade, Ozon ainda revela o talento e beleza de Marine Vacth, perfeita com a ingenuidade e frescor de sua Isabelle, ao mesmo tempo safada e pura. Charlotte Rampling faz uma participação emocionante, com diálogos duros e pontuais sobre a velhice e a perda dos sonhos. Um programa adulto e imperdível para os cinéfilos carentes de entretenimento ousado. Nota: 8

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Ernest e Celestine

"Ernest at Celestine", de Stéphane Aubier, Vincent Patar, Benjamin Renner (2012) Que animação mais fofa! Essa produção francesa participou da Quinzena de Realizadores em Cannes 2012, e é um dos filmes mais lindos e encantadores que vi recentemente. Em tom de conto de fadas, o filme narra a história de 2 mundos paralelos: acima do subterrâneo, o Mundo dos Ursos. Abaixo, o Mundo dos ratos. os ratos temem os Ursos, e os ursos odeiam os ratos. Celestine, uma ratinha esperta, é a única que acredita na amizade entre ursos e ratos. Um dia, ao buscar dentes de ursos para curar problemas de dentes dos ratos, ela fica presa numa lata de lixo. Ernest, um Urso trapalhão e esfoemado, a encontra e decide come-la, mas Celestine é esperta e encanta o coração do simpático urso. Mas as sociedades de ursos e ratos jamais permitirão que essa amizade se concretize. Contar uma história de amor entre raças distintas não é nenhuma novidade. A temática social, própria dos adultos mas aqui esmaecida para crianças, encontra voz nesse libelo de amizade universal. Os traços da animação são muito lindos, simples, mas charmosos e elegantes. A trilha sonora Vincent Courtois é um primor, atravessando momentos de humor, drama e romance de forma exuberante. Agradando a todas as faixas etáreas, não somente os petizes, 'Ernest e Celestine" merece ser apreciado e amado pela sua linda mensagem de amor entre diferentes. Nota: 9

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Thomas

"Thomas", de Miika Soini (2008) Drama finlandês bem melancólico e baixo astral, sobre um idoso viúvo, que vive sua rotina e todo dia senta num banco da praça para conversar com outro idoso. Até que um dia, ele entende que a sua vida está se esticando demais, e que ele mesmo precisa dar um filme a ela. Falando assim até parece o meu curta "Pietro". Mas enquanto no meu eu vejo uma luz no fim do túnel, aqui só e vê a escuridão. É um belo filme, sem dúvida, mas que traz uma mensagem não muito otimista para as pessoas que desejam ter um bom aproveitamento de suas vidas, da melhor forma possível. Depressão e solidão realmente não caminham juntas com felicidade. O ator principal, Lasse Pöysti, tem uma ótima performance, quase nula de emoções, reforçando a voda cinzenta e por horas até animada de seu personagem, que não pode ver um rabo de saia que já se anima. O problema é que quando vc está idoso, as pessoas te olham estranho, assustados. isso quando olham, pois na maioria das vezes, o personagem Thomas é visto como um fantasma, ignorado, inexistente. "Amor" de Michael Haneke já teve seu antecessor, uma vez que esse filme é de 2008. Nota: 7

Ele gosta de caras

"He like sguys", de Pat Mills, Justin Ross, David Maurice Gils, Rachel Zisser e outros (2008) Coletânea de 8 curtas com temática gay, premiados em festivais do mundo afora. Obviamente, como toda coletânea, existem os bons e maus filmes, aqui mais filmes ruins que bons, daí fico na dúvida se a qualidade dos filmes com temas gays está nivelado pra baixo. O 1o, "Vapor", é uma brincadeira que se passa numa sala vaporizada, supostamente uma sauna, e um cara fortão se masturbando. fetiche puro. O 2o, "Estrada de prata", é um dos mais dramáticos. 2 amigos de infância se separam, e na noite de despedida, um deles revela sua paixão pelo outro, através de um beijo. Mas o outro reage muito mal. O 3o, "Traços", é o melhor de todos. Um pai descobre que seu filho morreu num acidente de carro. Porém, no IML, ele vê que o filho estava vestido de mulher. Aos poucos, ele descobre quem realmente era seu filho. No 4o, "Somente", 2 asiáticos discutem após um one-night stand, questões sobre monogamia e fidelidade. No 5o, "Laundromat", um casal discute a relação na lavanderia, mas um gay idoso chega e bota lição de moral neles. No 6o, "Vendo você em circulos", um jovem leva seu namorado para um encontro com o ex dele, e muita lavação de roupa suja acontece. No 7o, "Esperando por Yvette", um grupo de gays anônimos discute a última noite de um gay que vai fazer cirurgia de remoção do pênis para finalmente se transformar numa mulher plena. E no 8o, "Babyssitting Andy", um menino de 9 anos pergunta aos pai o que quer dizer "fellatio". Ante a negativa dos pais, ele recorre ao tio gay e seu namorado. Esse último sem duvida é o mais divertido e também um dos melhores, com uma ótima atuação do menino. O desfecho é bacanérrimo. Pela coletanea, de fato, vale assistir apenas a 3 curtas: "Estrada de prata", "Traços"e "Babyssiting Andy". Os outros são perda de tempo e chatos demais, sem muita originalidade. O conjunto desses 3 vale a nota 7. O restante, Nota 3.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Asmaa

"Asmaa", de Amr Salama (2011). Belo drama egípcio, baseado em história real. Asmaa ( a excelente Hend Sabri) é uma mulher de 40 anos, portadora do Virus HIV. Ela esconde sua condição de soropositiva de todo mundo, inclusive de sua filha, temendo retaliações na vida pessoal e no trabalho. Porém, Asmaa sofre de visicula, e precisa fazer urgente uma cirurgia. Mas a sociedade egipcia é muito preconceituosa e pouco informada, e os médicos e enfermeiros não fazem operações em pacientes com HIV, temendo contaminação. Ao mesmo tempo, ela é demitida do seu emprego. Asmaa é então convidada a dar depoimento na tv, mas ela teme mostrar o seu rosto publicamente. Um raro filme egípico a circular os festivais do mundo inteiro, é um poderoso drama que retrata não só o preconceito contra o soropositivo, mas também, retrata a sociedade machista e a dificuldade de uma mãe criar sozinha sua filha. Filmando em estilo quase documental, mas mantendo um pezinho no melodrama, "Asmaa" comove pela performance irretocável da atriz Hend Sabri, num papel muito difícil, onde ela vai trabalhando várias emoções. O restante do elenco também é muito interessante, e tem uma cena de embate mãe e filha muito boa. Um filme que vale a pena ser visto, para quem curte uma história edificante. Nota: 7

domingo, 17 de novembro de 2013

Jogos vorazes- Em chamas

"The hunger games- catching fire", de Francis Lawrence (2013) O cineasta austríaco Francis Lawrence tem uma carreira curiosa. Começou dirigindo clips de Jennifer Lopez e Britney Spears. Daí partiu para algumas fantasias, como "Constantine"e "Eu sou a lenda". NO meio disso tudo, filmou o romance "Água para elefantes". Agora em "Jogos vorazes-em chamas", ele parece ter misturado toda essa sua filmografia de universo pop, romance e fantasia e mesclou tudo conforme a música, ou melhor, conforme Hollywood manda. E o resultado final é bem satisfatório, mesmo que essa fantasia tenha chupado "1984" e transformado como passatempo para adolescentes. Katniss ( Jennifer Lawrence, ótima) e Peeta (Josh Hutcherson), vencedores do 75o jogos vorazes, são vistos pelo Presidente (Donald Sutherland) como ameaças para o seu Governo, pois são considerados mártires pela população dos 12 Distritos. O presidente resolve então conclamar uma nova Competição, dessa vez convocando vencedores de outras edições dos Jogos para lutarem entre si e se matarem. Apesar de longo ( quase 150 minutos), essa 2a parte une bem os gêneros romance, ação e aventura. O elenco funciona bem, tecnicamente é impecável e o espectador torce pela heroína bem construída, que é Katniss, uma personagem maravilhosa. O visual muitas vezes peca pelo exagero e mau-gosto, mas ficção científica é isso, vale-tudo. Ecos de "Os pássaros "e "Star Wars", provando que Francis Lawrence chupou muitas referencias cinematográficas. Melhor chupar mesmo de quem sabe. Nota: 7

sábado, 16 de novembro de 2013

Et + si @ff - em tudo bem, tudo felicidade"

Et + si @ff - en tout bien tout bonheur", de Paul Vecchiali (2006). Drama francês sobre o universo fetichista, contada a partir de alguns personagens : um jovem que busca encontros sexuais em chats de internet, um cineasta que faz casting para seu filme mas na verdade ele quer promover encontros sado-masoquistas, um casal em busca de aventuras sexuais....uma espécie de "Shortbus", o polêmico filme de John Cameron Mitchell, recheado também de cenas de sexo explicito, assim como o seu co-relato americano. Produção de baixíssimo orçamento, infelizmente não tem um bom roteiro, e sua realização também é bastante tosca e amadora. Os atores são fracos, e tecnicamente é precário. O esforço do elenco não foi compensado. Fica apenas a curiosidade de ser um filme que faz frente à onda de filmes de arte que incluem sexo real em sua narrativa, apenas isso. E mesmo assim, sem provocar qualquer tipo de tesão no espectador. Nota: 3

O mar ao amanhecer

"La mer à l'aube", de Volker Schlöndorff (2011) Drama histórico, baseado em fatos reais. Em 1941, em Nantes, 3 ativistas comunistas assassinam um oficial alemão nazista. Em represália, Hitler manda matar 150 reféns franceses que se encontram presos em campos para presos políticos no Governo dominado de Vicky, na França, caso os autores do crime não se entreguem. A partir daí, o filme narra os dramas de vários presos que estão prestes a ser fuzilados, e verem seu sonho de construir um futuro pessoal e para seu País destruído. Didático até a medula, esse filme do autor do clássico "O tambor" peca pela total falta de ousadia e pela narrativa entediante e sem inspiração. Lento, cansativo, além disso os atores, principalmente o núcleo de presos, não encontra emoção suficiente para os seus personagens. É uma pena, pois o filme poderia ter rendido um belo drama, pois o argumento é muito interessante. Mas o excesso de melodrama, de personagens mal delineados frustra qualquer chance de ganhar o espectador. Nota: 5

Conquistas perigosas

"The necessary death of Charlie Countryman", de Fredrik Bond (2013) O diretor de comerciais e clips Fredrik Bond, que entre outros, dirigiu Moby no famoso dvd de "Play", ataca em seu 1o longa-metragem, baseado no livro pulp "The necessary death of Charlie Countryman". Como não poderia deixar de ser, ele investe toda a sua experiência de publicitário e cada plano do filme tem um "q"de estético": câmera lenta, enquadramentos estranhos, fotografia hiperrealista, trilha sonora ultra pop e eletrônica. Sôa familiar? Sim, poderia ser a descrição de "Drive", de Nicolas Winding Refn. Mas enquanto Nicolas chupa sua referência no cinema de ação dos anos 80, Fredrik busca inspiração em 2 filmes cults: "After hours", de Scorcese, e "Corra Lola Corra", de Tom Tykwer. O filme narra a história de Charlie (Shia Labeouf), um jovem que no leito da morte de sua mãe (Melissa Leo), vê o espírito dela dizendo para ele ir até Bucarest, Romênia. Sem entender o porquê, ele resolve ir pra lá. Chegando lá, ele conhece por infortúnio do destino uma musicista, Gabi (Evan Rachel Wood), que na verdade, é mulher de um mafioso local, Nigel (Mads Mikkelsen). Charlie se apaixona por ela e fará de tudo para ter ela em suas mãos. Até mesmo morrer. Eu juro, queria muito ter gostado do filme. Ele tem todas aquelas cosias que a gente curte: elenco cult ( Que ainda inclui Rupert Grint e John Hurt como narrador- chupação de "Dogville"). Mas o roteiro peca demais em não se decidir que gênero ele quer contar: comédia de humor negro, romance, drama, ação, policial..fica tudo misturado e sem foco. Mas é inegável o charme e beleza do filme: é tudo muito bonito de se ver. Shia laBeouf no papel do mocinho que luta por uma mulher de caráter dúbio até segura a onda, mas quem diverte mesmo é a dupla de turistas drogados e que só pensam em sexo, interpretados pelos alucinados Rupert Grint e James Buckley. O diretor deveria ter investido mais neles. Nota: 6

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Você é o próximo

"You're the next", de Adam Wingard (2011) "VEnfim, um bom suspense com atores decentes e uma trama que lembra "Funny games", "Eles", "Last house of the left" e outros filmes do gênero " Marginais invadem uma casa e vão matando um a um seus moradores". Um filme de vingança com uma personagem que é um verdadeiro Rambo. Uma família comemora o reencontro em uma mansão isolada, reunindo pais, filhos e namorados. Porém, um grupo de bandidos mascarados acaba com a festa e vai matando a todos. Muita violência, tensão, bem articulados pelo cineasta independente Adam Wingard, que dirigiu episódios de "VHS", "VHS 2" e "O ABC da morte". Algumas mortes aqui são bizarras, como a do liquidificador. Vale a pena assistir. Nota: 7

Cine Holliúdy

de Halder Gomes (2013) Incrível que essa comédia tenha sido dirigida pelo mesmo cineasta de "As mães de Chico Xavier", e mesmo produtor de "Área Q" e "Bezerra de Menezes". Vendo qualquer um desses filmes fica difícil imaginar a veia cômica e nostálgica do realizador. O filme narra a história de Francisgleydisson (Edmilson Filho), um apaixonado por cinema e que deseja montar uma sala de exibição numa cidade no interior do Ceará, chamada Pacatuba, em plenos anos 70. Ele chega lá com mulher e filho. Contra o sucesso de sua empreitada, somente a invasão das televisões, que estão tomando de assalto as cidades. "Cine Holliúdy" é parente próximo d aobra-prima de Cacá Diegues, "Bye Bye Brasil". Ao invés do circo, temos a derrocada das salas de cinema. Sempre em tom nostálgico e carinhoso, o cineasta Halder Gomes evoca tipos Fellinianos em seu filme: populares de todos os tipos, são verdadeiros achados como personagens e como atores. O filme tem 3 grandes acertos: O seu elenco, impagável e sensacional; a sua vontade de ser brasileiro, sem medo de ser feliz e exaltando a alegria e felicidade do povo; e a coragem de ser brega. As músicas de Marcio Greyk, ícone incontestável do gênero musical dos anos 70, surge como personagem ( ele é o comprador do carro) e como autor de quase todas as músicas que tocam no filme. A trilha sonora é uma delícia. Os créditos iniciais são um primor de originalidade. Porém, não posso deixar de comentar, o filme tem vários defeitos, todos eles técnicos: a fotografia exitante, o som irregular e a edição, que traz pulos entre cenas e corta bruscamente outras. Mas a ingenuidade e a dedicação de todos é tão patente, que agente acaba relevando e aprecia o filme assim mesmo, com direito a muitas gargalhadas. Edmilson FIlho é um grande achado e Falcão, o cantor, é garantia de risos. É um filme excrachado 100%, e curioso, como o espectador gosta de ouvir palavrões. A cena da pregação evangélica é um primor. Nota: 7

O cidadão

"The citizen", de Sam Kadi (2012) A sinopse é super-interessante: Um imigrante libanês ganha na loteria do Green Card em seu País e consegue o tão sonhado visto para poder morar nos Estados Unidos. Porém, para o seu azar, ele chega em Nova York na véspera do 9 de setembro de 2011. Logo após o atentado, ele é acusado de participar do evento e para ajudá-lo, pessoas que cruzaram o seu caminho e acreditam no seu bom coração farão de tudo para inocentá-lo. Esse drama tem todas as boas intenções do mundo. Mas também todos os clichês. De cara, me lembrei de "Olhos azuis", de Jose Joffily, sobre um brasileiro que tenta entrar nos Estados Unidos e é barrado pela Polícia Federal. Mas aí, o filme vai invadindo a seara do melodrama, e dali não sai mais. Uma espécie de fábula do bom mocismo, tipo " se você for bom para o próximo, tudo retornará em dobro para você". Assim caminha a vida de Ibrahim, defendido pelo astro egípcio Khaled El Nabawy, que sofre todos os preconceitos do mundo e que acredita que ali nos Estados Unidos ele poderá começar uma vida nova. As pessoas boas no filme são extremamente generosas ( preciso conhecer pessoas assim) e as que não são, se transformam através da bondade de Ibrahim, quase um Messias que veio para pregar o bem nu mundo. Precisou vir no caso, um libanês para dar a palavra de salvação a todos os que o rodeiam para que as pessoas percebam a sua real existência na terra. Mais um pouco e esse filme poderia ter sido encomendado pelo Padre Marcelo, inclusive ele interpretando o protagonista. A parte final, toda ambientada em um tribunal, é chatíssima. E o que dizer da musica brega que toca no desfecho? Tudo bem...valeu Sessão da tarde! Nota: 5

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

4 moscas no veludo cinza

"4 mosche di velluto grigio", de Dario Argento (1971) Essa jóia do cinema "Giallio" do Mestre Argento era um dos que faltavam para a minha filmografia do diretor italiano. Esse filme completa a trilogia dos animais, que começou com "O pássaro das plumas de cristal", e depois com "O gato de nove caudas". Com trilha sonora de Ennio Morricone, que cria um apropriado clima de suspense, o filme narra a história de um músico de uma banda de rock que é perseguido por um estranho. Ao tirar satisfação com ele, o mata acidentalmente. A partir daí, uma pessoa passa a chantageá-lo. Um médico legista informa então ao músico que irá fazer um experimento ainda inédito: poder desvendar o assassino através da retina do morto. Reza a lenda que a última imagem permanece na retina por várias horas. Como quase todos os filmes de Argento, o que menos interessa é a coerência e o senso de lógica. Muitos furos de roteiro e aquela surpresa de revelar o assassino da forma mais improvável e com os argumentos mais estapafúrdios. Mesmo assim, para quem é fã, irá se divertir bastante. EM termos de violência , matéria -prima de seus filmes, aqui ele está bem comedido, mas já dando deixas para mortes espetaculares e coreografadas. A morte de uma personagem que leva uma facada e cai na escada é visualmente estonteante. Uma cena muito bizarra é a do parque. Uma pessoa chantageia o assassino e aguarda a chegada dele. Mas a luz do parque subitamente muda, de ensolarado passa a entardecer e logo escurece, em pouquíssimo tempo. Sempre climático, às vezes constrangedor ( o detetive gay e o ator Bud Spencer destoam total do filme) , "4 moscas.." é uma experiência que traz a gênese do cinema "giallio", recheados com extrema violência e erotismo. Os atores são ruins, a fotografia escura, o roteiro frágil. Mas nas mãos de Argento, tudo vira ouro. Nota: 7

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Um homem de família

"The iceman", de Ariel Vromen (2012) Baseado na história real de Richard Kuklinski, aqui interpretado por Michael Shannon, ele foi nos anos 60 um funcionário da Indústria pornô, fazendo cópias dos filmes. Ele se casa com Debora (Winona Ryder), e mente para ela escondendo sua verdadeira profissão. Um dia, acidentalmente, sua vida esbarra com a do mafioso Roy (Ray Liotta), que o contrata como assassino de aluguel e dar cabo em devedores e inimigos. Assim, durante décadas, e sem que sua esposa e 2 filhas desconfiassem, Richard matou mais de 100 pessoas, e em casa, manteve a postura de pai zeloso e dedicado. É impressionante o elenco dessa produção de médio orçamento. Além dos já citados, temos Chris Evans no papel de outro assassino, Stefan Dorff, David Schwimmer, James Franco, entre outros. A direção é correta, e o ritmo lento para um drama e ação. Querendo ser um épico, o filme acaba se esticando demais, ao querer narra várias passagens importantes da vida de Kuklinski. O filme não traz nada de muito novo, a não ser a curiosidade da história real. Mas vale a pena assistir para ver a performance de Winona Ryder, que andava sumida e que ainda está em busca de reestruturar sua carreira, assim como Downey Jr. Nota: 7

Bastardos

"Les salauds", de Claire Denis (2013) Sou um grande fã do cinema de Claire Denis: sempre instigante, perturbador, sinistro, vanguarda. Pode-se não gostar de seus filmes, mas é inegável que ela é uma artista em busca de novas linguagens. Filmes com poucos diálogos, de planos longos, oníricos. Sexo e violência sempre caminhando de forma perturbadora. O espectador nesse filme, assim como eu, fica muito confuso com a narrativa que segue em tempo descontínuo. Muitas situações não ficam claras: o que é a cena dos soldados encontrando a bicicleta do menino, por ex? Aonde ela se encaixa? Vincent Lindon (Marco) , excelente no papel, é um capitão de barco que abandona tudo para poder ajudar sua irmã, cujo marido se suicidou e cuja empresa está falida. A filha dela está desaparecida e pode estar envolvida em rede e prostituição. Marco resolve alugar um apto no prédio do poderoso Laporte, que pode estar evolvido no suicidio e no sumiço da menina. Ele acaba se envolvendo com Rafaelle (Chiara Mastroiani), amante de Laporte, para poder descobrir respostas para tantos mistérios. Como em um filme de David Lynch, é melhor o espectador desistir de fazer conexões e tentar descobrir o que está acontecendo, e se entregar ao clima de mistério que permeia o filme. Os planos, a trilha sonora ( de Stuart Staples, parceiro habitual de Denis) , que compõe uma sonoridade assustadora e a belíssima fotografia, em tons escuros, às vezes a gente não enxerga nada mesmo. É um filme quase experimental, mas que vale ser visto com interesse por qualquer cinéfilo que se preze e que se interesse por algo diferente. Nota: 7

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Minha viagem de inverno

"My voyage d'hiver", de Vincent Dieutre (2003) Após assistir a esse filme experimental francês, filmado na Alemanha, fica dificil imaginar que o premiado longa de Karin Ainouz, "Viajo porquê preciso, volto porquê te amo", não tenha buscado inspiração aqui nesse filme-ensaio. O filme narra a história de um homem na faixa dos 40 anos, que segue viagem de carro até Berlin, com o intuito de levar o filho adolescente de uma amiga que mora lá. No caminho, o homem se depara com ex-namorados, e o jovem, músico, vai tocando em concertos. Porém, o adolescente sente um estranho interesse pelo homem, um interesse que mistura a melancolia, a solidão e a busca por algo que o defenda de sua carência afetiva. O filme é quase todo narrado em 1a pessoa, em tom confessional, ilustrativo. Passeando por belas paisagens durante o inverno, em regiões na Alemanha, o filme também faz uma metáfora da Europa antiga e a Europa nova, a geração patriótica e a nova geração que desconhece a sua história. O filme é extremamente lento, cansativo, apesar de suas belas paisagens e da trilha sonora composta por clássicos. Mas definitivamente é um filme estranho, sem um plot mais profundo. É um ensaio poético, vanguardista, um filme que fala de sensações e de elocubrações int

domingo, 10 de novembro de 2013

Capitão Philips

"Captain Philips", de Paul Greengrass (2013). "Somente os fortes sobrevivem". Com essa frase, dita para sua esposa a caminho do aeroporto, mas para exemplicar o drama de seu filho rebelde, Richard Philips (Hanks) começa a sua epopéia dramática nesse filme de quase 140 minutos de duração, mas composto de adrenalina pura e excesso de talentos por todos os lados. Uma obra-prima do cinema dramático de ação, uma verdadeira aula de Cinema, esse drama baseado na história real (2009) de um Capitão que teve seu navio cargueiro tomado por piratas Somalianos a caminho do Quênia e foi feito refém, é um veículo perfeito para a estrela de Tom Hanks brilhar por onde ele exibido. Hanks aqui atinge o sublime, ele não tem mais aonde buscar a perfeição. Os olhares, o suor, as lágrimas, o sussurro, o choro, o desabafo, tudo tão verdadeiro que é impossível o espectador não acreditar que está diante do personagem real. A cena final é de chorar pela emoção que o momento passa pro espectador ja dominado pelo desespero de um homem que quer salvar as pessoas que ama, sejam elas seus tripulantes ou a sua familia. Mesmo mote de "Gravidade": a família é o sustentáculo do protagonista, que se encontra em situação-limite. O elenco africano é um absurdo: a gente fica pensando "Aonde encontraram esses atores"? Dai faço a pesquisa e vejo que nenhum deles era ator. No caso de Barkhad Abdi, que interpreta Muse, o chefe da ação , a história é mais surpreendente. Refugiado da Guerra civil na Somália, sua família seguiu para os Estados Unidos quando ele tinha 7 anos. Trabalhando como chofer, ele foi descoberto. Nessas horas, penso no ensinamento que tive nas aulas e interpretação: Quando você acredita que é o personagem, e traz memória afetiva para ele, não tem quem não chegue lá, independente de ser ator ou não. É algo monstruoso. Com exceção de Catherine Keener, que aparece nos 3 minutos iniciais, não existem atores famosos que briguem com a estrela de Hanks. O filme é dele. Toda a parte técnica é excelente: fotografia, câmera, trilha sonora, edição, roteiro. E claro, a Direção de Greengrass, irrepreensivel, perfeita, absurda. Um show, um filme tenso do inicio ao fim. Nota: 10

sábado, 9 de novembro de 2013

Juventude silenciosa

"Silent youth", de Diemo Kemmesies(2012) Belo drama alemão, que me lembrou bastante o cult inglês "Delicada atração". O tema de ambos os filmes fala sobre a descoberta da homossexualidade de 2 rapazes adolescentes. Marlo vem para Berlin visitar uma amiga e fica um tempo na casa dela. Um dia, caminhando pelas ruas de Berlin, ele se depara com Kirill. Após troca de olhares furtivos, ambos se encontram novamente e tornam-se amigos. Mas amigos naquele esquema alemão de ser. Quase sem falar, sem trocar idéias, uma relação extremamente fria. Kirill revela ser de descendência russa, e conta que um dia ele saiu com um grupo, e acabou sendo dopado e estuprado. Ele tenta se livrar do trauma, mas apoiado nos ombros amigos de Marlo, ambos descobrem estar apaixonados um pelo outro. Mas o conflito permanece. Belamente fotografo, com uma narrativa extremamente fria e melancólica, mostrando uma Berlin fora dos cartões postais, de subúrbio. Os dois atores se entregam em seus personagens, e fazem belas performances. A trilha sonora é suave, e o filme tem um tom muito elegante. Uma bela surpresa, um filme de ritmo lento, porém contemplativo, que faz com que o espectador sinta o mesmo tempo dos personagens. Nota: 8

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Verde verde

"Verde verde/Green green", de Enrique Pineda Barnet(2011) Raro exemplar de Cinema Cubano, que tem o homossexualismo como tema principal. Quase 20 anos depois de "Morango e chocolate", o primeiro filme gay de Cuba, o cineasta Enrique Pineda Barnet, do premiado "A bela de Alhambra" , faz a sua reverência ao cinema de Fassbinder, mais precisamente "Querelle". Usando o tom extremamente teatral do filme alemão, quase todo ambientando em 2 cenários: um bar gay fetichista e o apartamento de um dos personagens, um marinheiro bissexual. Temos também os travestis, os gays de couro, a cafetina e as cores fortes predominantes, como vermelho. Apesar de curto, com 74 minutos, por conta de sua verborragia, o filme parece ter muito mais, tornando monótono com o seu discurso de "Eu não sou gay, eu sou homem!". O filme narra a breve historia do encontro casual de dois homens (um marinheiro e um técnico em computação, hetero) em um bar pra lá de eclético onde vemos strippers masculino e feninino, uma travesti idosa cheirando pó, muitos gays vestidos de couro, e outras doideiras. Esteticamente e narrativamente, o filme é uma bagunça: decupagem mal feita, câmera na mão sem rumo, cores excessivas, falta de ritmo, enquadramentos feios..fico na dúvida se tudo foi proposital, me parece que sim, para provocar estranhamento no espectador. Os dois atores estão ok, tentando dar dignidade aos personagens tão rasos e caricatos ( quer algo mais gay que um marinheiro forte e barbudo???). Enfim..vale como curiosidade para se assistir a um filme gay cubano, ou para quem curte cenas fetichistas e bizarras. Nota: 5

Kim Novak nunca nadou aqui

"Kim Novak badade aldrig i Genesarets sjö", de Martin Asphaug (2005) Drama sueco sobre a perda da inocência, nos mesmos moldes do clássico "Houve uma vez um verão". Erik, um adulto nos seus 40 e tantos anos, relembra um determinado verão nos anos 60, quando ele enfrentava a doença de sua mãe ( Câncer), o conflito com o seu irmão mais velho, a amizade com seu colega Edmund, e a paixão platônica por uma professora linda, a quem chama de Kim Novak. Até que um assassinato mexe com a vida de todos. Bom drama, com momentos de humor, mas prejudicado por um ritmo muito lento. Mesmo assim, tem momentos de lirismo e candura, enaltecido pela bela fotografia e trilha sonora. O roteiro é bem clichê na verdade, e os personagens, muito esquemáticos. A gente já sabe de cara o que vai acontecer. De qualquer forma, é um bom exemplar de cinema comercial sueco, para atingir um público mais amplo. Vale como curiosidade e passatempo. Nota: 6

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Exciting love girls

"Giochi carnale", de Andrea Bianchi (1983) Cult de 1983, da época em que o Cinema italiano infestava seus filmes B com sexo explícito e extrema violência. Nesse filme, a violência é até contida, e o cineasta ainda investe no humor. Baseado em história real, narra estupros ocorridos na Itália, por 2 homens que dão carona para mulheres na estrada. Eles as sequestram e estupram,largando elas no meio do caminho. Na vida particular, eles são homens de família. Até que uma médica, atendendo uma vitima do estupro no hospital, resolve tomar uma atitude, irritada com a injustiça. O filme tem uma pegada de filme B, com fotografia suja, escura, atores caricatos e diálogos canhestros. Tecnicamente, tudo é ruim: trilha sonora, imagem, a dublagem. Mesmo as inserções de sexo explícito, dá para perceber que são dubles, Mesmo com tanta coisa ruim, o filme tem aquele charme de produções obscuras e que por isso mesmo, chamam a atenção do cinéfilo mais afoito por tranqueiras das décadas passadas. E continuo dizendo, que recentemente o cinema ficou careta. Basta olhar para os filmes dos anos 70 e 80 e ver como eram ousados. Nota: 5

Machete Mata

"Machete kills", de Robert Rodriguez" (2013). A melhor coisa dessa continuação de "Machete", é saber que terá uma continuação e que se chamará "Machete mata no espaço". Aliás, uma referência descarada a "O império contra-ataca". Melhor assim. Dessa vez, Machete é acusado de assassinar uma oficial, é mandado à forca, mas consegue ser salvo à tempo: o Governo o recruta para poder lutar contra um poderoso traficante de armas que quer mandar uma arma pro espaço. Essa continuação não é tão boa quanto à primeira, mas tem momentos verdadeiros de humor escrachado, daqueles que voce gargalha alto e deixa o colega do lado sem graça. É muita esculhambação, uma bagunça generalizada feita por um cineasta que só tem um propósito: entretenimento. E isso ele faz com muita precisão. Reunindo um super elenco, além do cult Danny Trejo no papel principal, ele mistura gente como Charlie Sheen ( hilário como o presidente), Lady gaga, a latina mais obrigatória de todas, Michelle Rodriguez, Sofia Vergara, Mel Gibson, Antonio Banderas, Cuba Gooding Jr...todos se auto-sacaneando e fazendo à vera essa maluquice toda. Os efeitos são propositalmente falsos e péssimos, os tiros idem, as atuações são caricatas e divertidas...bom, nem dá para falar muito. É rir e rir muito. Pena que o filme se estique demais, e acaba perdendo ritmo em vários momentos. Nota: 7

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Westerland

"Westerland", de Tim Stafell (2012). Drama alemão sobre a amizade conflitante entre Cem e Jesus, dois jovens de pensamentos opostos, mas ambos em crise com suas vidas particulares e se achando deslocados no mundo. Cem é um trainée numa empresa de coleta de lixo, e Jesus é um desempregado que só pensa em fumar maconha e se alienar do mundo. Entre ambos nasce um fino e tênue clima de sedução. De ritmo extremamente lento, esse filme não tem necessariamente um plot assim curioso ou interessante. O que mais prende a atenção são as imagens de uma região, Sylt, durante o inverno. A fotografia é muito bonita, fazendo valer a região embranquiçada da neve. Curioso, mas nem por isso mais interessante. Uma idéia desperdiçada com um tema homoerótico que não se desenvolve, e fica apenas na sugestão. Nota: 5

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Metéora

"Metéora", de Spiros Stathoulopoulos (2013) . Polêmico drama que narra a história proibida de amor entre uma freira russa católica e um monge ortodoxo grego. Os dois se encontram furtivamente e se torturam e sofrem terríveis pesadelos por conta de seus desejos carnais. Filmado na regi!ao de Meteora, uma assombrosa região com montanhas altíssimas na Grecia central, e onde no topo foi construído um convento de dificil acesso, para as freiras ficarem mais próximas de Deus. Para se encontrar com o monge, a freira desce por uma rede içada por outra freira durante uma descida de kilômetros, até chegar na base, onde fica um vilarejo onde reside o monge ( Theo Alexander, o Talbot de "True blood"). As cenas de delírio e pesadelo são realizadas através de belas ilustrações animadas, transmitindo a culpa e o pecado dos protagonistas assustados com os seus atos. O filme competiu em Berlin, e o seu diretor grego também fotografou. É impressionante as imagens, devastadoramente lindas. O filme é quase todo feito através de silêncios, ritmo extremamente lento, usando muitos não atores, provocando um lhar quase antroplógico da região e seus habitantes que apesar de morarem no sex XXI, parecem presos a um passado muito distante. Existe uma cena brutal de morte de uma cabra, que me chocou pela sua crueza e espontaneidade. Para quem não gosta de ver cenas de crueldade com animais, melhor nem assistir. O filme tem uma carga de erotismo contida, e isso é evocado por seus personagens através de tesão enrustido, muita aflição e punição. Fatima Toledo andou passeando por aqui. Nota: 8

O corpo

"El cuerpo", de Oriol Paulo (2012). Otimo suspense dos mesmos produtores de "Olhos de Julia" e "O orfanato", esse delicioso e implausível filme espanhol brinca com os elementos Hitchcockianos ( inclusive repetindo a famosa cena da escada, quando um suspeito leva um copo com conteudo suspeito para a sua esposa ). Do início ao fim, o roteiro, hábil, mas sim, mentiroso até não poder mais, brinca com o espectador, tendo reviravoltas constantes na trama. Claramente cinéfilo, o cineasta Oriol Paulo faz referências não só a Hitchcock, mas também a outros filmes famosos, entre eles, "Oldboy", num desfecho muito forçado e bizarro na história, que contraria qualquer passagem de tempo dramatúrgica, mas perfeitamente assimilável no ponto de vista de entretenimento. Com ótimo ritmo, mesmo sendo longo ( quase 2 horas), o filme tem um excelente elenco. O trio principal é composto por Belen Rueda ( dos filmes citados, "Orfanato" e "Olhos de Julia"), Hugo Silva ( galã que fez "Amantes passageiros", de Almodovar), e Jose Coronado, do maravilhoso mas pouco visto "Não haverá paz entre os malvados". A trama narra a história de um corpo de uma mulher, Mayka ( Rueda), que some do necrotério. O marido (Hugo SIlva) é acionado pelo Policial Jaime (Coronado) para investigar o sumiço do corpo. A partir daí, entre presente e passado, o espectador descobre que todos os personagens possuem segredos que revelados, botará a vida de todos em perigo. Tenho que confessar que assisti o tempo todo com o olho pregado na tela. Nota: 8

Thor, o Mundo Sombrio

"Thor, the dark world", de Alan Taylor (2013). O diretor Alan Taylor, mais conhecido por ter filmado séries famosas e de sucesso da tv, como "Roma" e "Game of thrones", se aventura nessa continuação do filme de Kenneth Branagh. Assim como eu já havia dito no filme anterior, a grande esperteza e força do projeto estava no elenco, sabiamente escolhido para dar veracidade e performances elogiáveis. Aqui em "O mundo sombrio", não é diferente. Chris Hemsworth nitidamente cresceu muito como ator, e está ótimo ( Em "Rush"ele está sensacional). Stelan Skargard ( fenomenal), Natalie Portman, Tom Hiddleton e outros do elenco do apoio estão igualmente excelentes. Mas o grande avanço no entanto reside no roteiro: impecável, trabalhando com perfeição ação, drama, romance, melodrama e sim, muito humor, beirando à galhofa, o filme entretém do início ao fim. Os efeitos são ótimos, o ritmo bem dinâmico e algumas cenas são marcantes na busca da emoção: o velório de determinado personagem é incrivelmente belo, lembrando uma passagem de "Game of thrones" ( claro, o diretor é o mesmo né?). Outra cena incrível é um embate mortal onde um personagem inesperado morre (morre?). E o que dizer da sucessão de gagas cômicas no desfecho? A cena do metrô é absolutamente antológica!! Como entretenimento, o filme é imperdível pipocão Master! E que venha Benicio del Toro. Nota: 8