sábado, 31 de agosto de 2013

Fuck for forest

de Michal Marczak (2012) Documentário que fala sobre a ONG "Fuck for forest", criada em 2004 na Noruega. Com fins ambientalistas, os participantes pedem donativos para as pessoas, e em troca, essas pessoas podem entrar no site da ONG e ver videos pornograficos ou fotos, com os integrantes da Organização. Os integrantes praticam o sexo livre e acreditam que dessa forma, irão salvar as Florestas do mundo inteiro, através desses donativos. Depois de ver o documentário, fico na ;duvida realmente se alguém para os donativos apenas pela finalidade que é salvar as florestas, ou se é para ver os videos pornôs. Os integrantes são tão bizarros (neo-hippies, cheios de tatuagem, piercing e parece que não vêem um banho a anos) que o que menos deve dar ao espactaor é tesão. Impossível alguém se excitar vendo os filmes. No mínimo, uma curiosidade ou fetiche por tipos grotescos. O documentário em si , divulgado pelos produtores como "Fuckmentary", é muito, muito chato. Com um tema desses, poderia ter sido um filme muito divertido, afinal, os integrantes same nas ruas em buscas de doadores que queiram tirar fotos com eles, nus ou fazerem sexo em prol da ONG. Mas não fica nem uma coisa nem outra, nem 'uma cena séria nem engraçada. Tudo é narrado com uma narrativa extremamente fria. Os depoimentos são sem sal e pior, do meio pro fim, o doc segue até Manaus e Peru, mostrando parte do grupo ajudando um grupo de indígenas de uma região do Peru a salvar sua região. Tudo muito, muito louco e a gente se pergunta: "isso realmente existe"???? Tudo bem, valeu a intenção galera!!! Nota: 3

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Noite sombria

"Bleak night/Poonkoonsoo", de Sung-Hyun Yoon (2010) Que filme extraordinário! E o que mais me impressiona, é ser um filme de graduação de um Curso de Cinema da Coréia do Sul, e o Diretor ter 29 anos: dirigiu, escreveu e editou! De cara, o filme parece uma versão live-action da obra-prima da animação "O rei dos porcos", também sul-coreano. Um filme que fala sobre o rito de passagem da adolescência, de uma forma trágica, e de bullying. A história gira em torno do suicídio de um adolescente, Gi Tae. O pai tenta descobrir o porquê do filho ter cometido tal ato. Daí, o filme volta ao tempo, na época que Gi-Tae era amigo inseparável de Hee-Joon e Dong Yoon. Aos poucos, vamos entendendo os atos entre esses 3 amigos, que de amizade, vai se transformando em relação de poder e controle pela amizade: ciúmes, homossexualismo, depressão, insegurança. O filme toca em temas pesados, e sempre de forma melancólica, fazendo uma análise profunda da vida desses 3 adolescentes. A edição, fantástica, vai trazendo a narrativa em épocas distintas, e sempre trazendo surpresas narrativas: a mesma história, vista de ângulos distintos, trazendo outras perspectivas. O elenco está excelente, a fotografia sempre em tons escuros, reiterando o clima depressivo da trama. Uma jóia do cinema sul-coreano, uma pena que o circuito comercial não permita a exibição de filmes como esse. Nota: 10

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Os sabores do palácio

"Les saveurs du Palais", de Christian Vincent. Festa de Babette no Palácio Presidencial Eliseé. Assim é "Os sabores do palácio", dirigido por Christian Vincent, diretor de filmes medianos, como "As quatro estrelas" e "A separação". Infelizmente, "Os sabores.." também faz parte desse rol de filmes médios do cineasta. Ainda bem que existe a atriz Catherine Frot ( do excelente "Ao lado da pianista") no papel de Hortense Laborie, chefe de cozinha que trabalhou para o Presidente François Miterrand durante 2 anos ( o nome verdadeiro da chef era Daniele Delpeuch ). O grande problema do filme, de ritmo lento, é uma falta de um conflito verdadeiro, que sustente os 95 minutos do filme. Para se ter uma id;eia, o maior "conflito"da chef Hortense é o duelo que o chef da cozinha geral trava com ela, por ela estar chamando a atenção do presidente para as suas iguarias especiais. Sim, através desse duelo o filme quer mostrar também a questão do poder e do machismo dentro do ambiente do palácio. Mas é pouco para sustentar a atenção do espectador. Resta a nós, pobres mortais, nos deliciarmos com as iguarias culinárias criadas pela Chef. Uma a uma, elas são apresentadas. Algumas confesso, de gosto e paladar duvidosos, mas de beleza indiscutível. Para piorar, o roteiro se divide em 2 tempos: o atual, mostrando a Chef trabalhando em uma estação na Antartida, e 4 anos antes, quando vivia dentro do palácio. Essa narrativa da Antartida é guiada pela personagem d euma repórter australiana, curiosa pela vida da cozinheira real. Porem, essa parte é justamente a que menos interessa na historia. Não combina, não leva a história pra frente e é chata. Tivessem se atido apenas na história da cozinheira e do presidente, divinamente interpretado pelo acadêmico francês Jean d'Ormesson. Ponto pra fotografia, que embeleza os pratos culinários e dá agua na boca. Nota: 6

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Aos doze e tantos

"Twelve and holding", de Michael Cuesta (2005) Atualmente um dos diretores de televisão mais requisitados do mercado americano ( Já dirigiu " True blood", "Six feet under", "Homeland"e "Dexter") Michael Cuesta dirigiu esse belo longa independente em 2005. Com uma temática muito semelhante ao filme "Conta comigo", o drama narra a história de 3 crianças, obrigados a conviver com a tragédia pessoal de cada família e como o rito de passagem da idade virá de forma brutal em suas vidas. De crianças, apenas a idade, pois os pensamentos deles são de verdadeiros "loosers". Jacob teve o seu irmão morto em um acidente, e passa os dias planejando uma vingança contra os dois garotos responsáveis pelo incidente. Leonard é um obeso que luta contra o peso, e tenta fazer a sua família de gordos aderir a um regime, levando tudo às últimas consequências. Malee é uma menina que mora com sua mãe terapeuta. Seu pai as abandonou e ela sente um tesão por um operário ( Jeremy Renner) que constrói uma casa no local aonde morreu o irmão de Jacob. Ela tenta de tudo para seduzir o homem, sem prever o que isso poderá acarretar. Como se vê, todas as histórias giram em torno de dramas barra-pesadas, cujas protagonistas crianças são obrigadas a conviver diariamente com o peso da vida familiar que os traz pro fundo do poço. É um filme denso, trágico, com pitadas mínimas de humor negro e muita melancolia. Jeremy Renner na época desse filme ainda não era o astro que veio a se tornar, o que é bom pro filme, pois seu papel é muito interessante e talvez ele não o fizesse, caso já fosse famoso. Todo o elenco infantil está excelente. Direção segura, charme de produção independente. Um filme que vale a pena ser visto. Nota: 8

Um canto de amor

"Un chant d'amour", de Jean Genet (1950) Ünico filme dirigido pelo escritor francês Jean Genet, é um curta de 26 minutos, filmado em 1950. Baseado em sua novela "O milagre da rosa", foi banido na França na época do lançamento, e em vários outros países, sendo considerado doentio e pornográfico. O próprio Genet ignorou o filme. O filme narra a história de uma prisão na França. Dois prisioneiros, separados por uma parede e confinados em solitárias, tentam uma aproximação física para poder lidar com a solidão. Um tenta jogar uma rosa para o outro através das grades da janela. O único contato que eles possuem é através da fumaça do cigarro, que um inala para o outro por um pequeno orifício da parede que os separa. Um guarda observa os outros prisioneiros em suas celas: todos em atos solitários, se masturbando ou em atos libidinosos. Quando o guarda chega na cela de um dos apaixonados, ele se deixa levar pelos seus instintos mais íntimos e incorre em sonhos fetichistas. Impressionante a força imagética desse filme: ele é praticamente um manual de como se fazer um filme fetichista gay. Tem de tudo: super closes em partes do corpo masculino, fotografia em preto e branco, corpos suados, muito voyerismo, tesão enrustido e cenas explícitas de masturbação. Incrível como ele foi lançado a mais de 60 anos atrás. O filme se aproxima da cinematografia de Bunuel, através de cenas surrealistas, e de Jean Cocteau, pela sensualidade onírica e etérea. Um cinema transgressor em estado puro e no mais alto nível. Com certeza muitos cineastas chuparam de suas referências. Nota: 8

domingo, 25 de agosto de 2013

Lola versus

"Lola versus", de Daryl Wein (2012) Jovem moradora de New York na crise da chegada dos 30 anos, largada pelo namorado, em busca de lugar para morar, uma melhor amiga super nerd e cheia de neurose, pais super protetores...e o principal, a musa dos filmes independentes Greta Gerwig como protagonista. Não, não estamos falando do mega-sucesso do circuitinho "Frances Ha". Apesar de Gerwig estar praticamente repetindo os trejeitos desajeitados de Frances, sua personagem em "Lola versus", Lola, tem uma outra meta. Ao invés de um lugar para morar, ela quer alguém que habite o seu coração. A crise aqui não é artística, e sim, emotiva, de uma mulher que quer ser mãe, se casar e dividir espaço com alguém que ela ame. Lola está prestes a se casar com Luke. Mas às vésperas do casamento, ele trava e resolver desistir. Lola sofre, se deprime, e para resolvere sse silêncio emotivo, resolve dar em cima de seu melhor amigo, Henry, e de outros tipos que vão surgindo. Só que ela esqueceu que está em Nova York, e que todos os tipos com quem ela irá se deparar são neuróticos. O filme sofre daquele mal de quase todo cineasta independente americano de ""quero ser Woody Allen": diálogos metidos a espertinhos, personagens cheios de tiques, cenas filmadas em locações tipicamente nova yorquinas, e a eterna discussão sobre amor e suas limitações. Mas o que em "Frances Ha" dava certo, aqui fica no meio do caminho. Não que o filme seja ruim, o que não e'. Ele é simpático, tem um charme..tem Debra Winger e Bill Pullman em participações especiais fazendo os pais de Lola....mas faltou um filme que toque de verdade o coração do espectador. Sempre bom a gente enxergar coisas nossas no personagem. Mas Lola, a personagem, fica indecisa demais sobre o que ela quer da vida. E eu, pelo menos, sei que não quero ser assim. Bola pra frente menina!! E viva Greta Gerwig!!! Nota: 7

Europa report

de Sebastián Cordero (2013) Ficção científica dirigida pelo cineasta Equatoriano Cordero. Realizado como baixo orçamento, o filme foi todo rodado em 18 dias de filmagem. Da linha dos filmes de gênero "Found footage", o filme é um curioso mix de "Lunar"( pelo lado psicológico da ação, visando a solidão e melancolia do ser humano perante a vastidão do Universo). "Alien, o 8o passageiro" ( pela tensão imposta a cada um dos astronautas, seis ao todo) e " A bruxa de Blair" (por estarmos vendo fitas encontradas após a missão espacial). O filme narra a missão de 6 astronautas em direção a uma das luas que circundam Jupiter, no caso a lua chamada "Europa". A missão é saber se existem formas de vida no local. Obviamente que durante essa missão de mais de 1 ano de percurso a comunicação irá desaparecer, e aí, ficamos acompanhando a luta pela sobrevivência dos astronautas, e também, o resultado da expedição no solo da lua "Europa". É um filme nitidamente realizado com pouco dinheiro, mas possui um roteiro interessante e efeitos especiais simples mas que sustentam a narrativa, sem causar grandes constrangimentos. É um filme correto e até mesmo esse baixo custo provoca um charme especial ao filme. Numa das cenas-chaves do filme, acompanhamos a trajetória de um dos personagens, que se assemelha muito ao trailer do filme "Gravidade", onde a personagem de Sandra Bullock sofre acidente e vaga pelo espaço. É uma cena bem triste, por sinal. Vale como curiosidade e principalmente para fãs ardorosos de ficção-cientifica. O desfecho é surpreendente. Nota: 6

Amor sem pecado

"Perfect mothers/Adore", de Anne Fontaine (2013) Levanta a mão quem nunca sentiu desejo pelo filho/a do próximo? Pois assim começa "Adore", um drama sensual co-produzido por Austrália e França. Baseado no livro de contos da Nobel da Paz Doris Leassing, "As avós", o filme é dirigido pela francesa Anne Fontaine ( casada com o excelente ator Fabrice Luchini, de "Dentro de casa"), que pela filmografia, se interessa bastante pelos romances erotizados ( dirigiu entre outros "Coco antes de Chanel", "Nathalie X"e "O preço da traição", esse último com cenas eletrizantes entre Juliane Moore e Amanda Seyfried). Naomi Watts, também produtora do filme, protagoniza o filme junto de Robin Wright. As duas, belíssimas nos seus quase 50 anos, interpretam duas amigas de infância, que descobrem estar apaixonadas pelo filho da outra. Os jovens são interpretados pelos ótimos James Fecheviile ( de "Reino Animal), e Xavier Samuel ( Do ótimo suspense "The loved ones"). Ambos são 2 dos melhores atores da nova geração australiana. Curioso é pensar que durante o filme, fiquei pensando o tempo todo em "Do começo ao fim", de Aluizio Abranches. Ambos os filmes apresentam um tema tabu ( no filme nacional, dois meio-irmaõs homens se descobrem apaixonados). Mas o que era para ser um grande conflito e um fator determinante para a ruína da relação, acaba se dissipando em pormenores que deixam passar batida a polêmica, e no caso do filme australiano, acaba virando apenas um romance que discute fidelidade e envelhecimento. Dá vontade de ler o conto de Lessing, adaptado ao cinema pelo excelente Christopher Hampton ( de "Ligações perigosas"), que infelizmente, não conseguiu levantar faíscas de tesão ao filme. Sim, faltou erotismo, faltou chama, faltou libido. O que resta são 4 atores lindos, cheios de saúde, uma fotografia deslumbrante e locações paradisíacas. Difícil não se apaixonar por alguém assim nessas condições, independente de ser mãe. pai, filho, filha, etc. A 1a parte do filme é mais interessante, deixando sobras pro encantamento e deslumbre do amor tabu. Mas do meio em diante, o filme resvala pro mais chato drama sobre traição, ficando arrastado e maçante. A cena final, da revelação com as esposas, é pavorosa. Melodrama em último nível. Nota: 6

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

A sorte em suas mãos

"La suerte en tus manos", de Daniel Burman (2012) O cineasta argentino Daniel Burman teve apoio da produtora paulista Gullane filmes para financiar essa sua empreitada na comedia romântica, gênero ao qual ele tem se atido desde seus filmes anteriores, "As Leis de familia","Ninho vazio"e "Dois irmãos". Diferente de "Abraço partido", o filme que o lançou mundialmente em 2004, onde ele trazia as suas raízes judaicas para um conflito pai e filho, os seus filmes posteriores continuaram apostando no tema familiar e seus dilemas entre gerações, porém com uma mão mais leve e melancólica, um olhar romantizado e às vezes ácido da vida em família. O Cantor uruguaio Jorge Drexler tem a ingrata missão de substituir o ator-fetiche de Daniel Burman, o também ator uruguaio Daniel Handler. Em sua primeira incursão como ator, Drexler até que não faz feio e surpreende no papel do pai divorciado de 2 crianças, dono de uma financeira e viciado em poker e outras jogatinas. Disposto a fazer vasectomia, Uriel (Drexler) viaja até uma cidade próxima para fazer a cirurgia e aproveitar apostar no Casino local. Porém, ele acaba esbarrando em uma ex-namorada, Gloria ( Valeria Bertuccelli, da comédia "Viúvas"), recém-separada do namorado francês. Juntos, eles procuram redefinir o que não deu errado na relação quando eram mais jovens, e assim, tentar uma nova empreitada amorosa. A atriz Norma Aleandro faz uma participação no filme como uma famosa radialista e mãe perua de Gloria. A 1a parte do filme vai fluindo tranquilo, sem grandes novidades no gênero e no roteiro ( simplório e recheado de clichês), mas nada que incomode o espectador. Porém, a partir da relação de Uriel e Gloria, o filme vai afundando e se transformando em um arremedo do que existe de mais fraco nas comédias românticas americanas: a previbilidade, a forçação de barra ( Não gosto das sub-tramas do Rabino roqueiro, do urologista viciado em jogo e da banda que se reúne no final). Mesmo com todo o esforço do elenco em dar plausilidade aos personagens, mesmo com a bela fotografia que insiste em dar ao espectador belos planos sensíveis e uma trilha sonora apontando para o romantismo, o filme fica morno e não sobe nunca mais, até o seu desfecho. De saldo positivo, apenas a tentativa de mostrar uma história romântica com personagens na meia-idade em busca de uma nova chance. Tivessem sido tratados como adultos e não como adolescentes birrentos, a satisfação teria sido plena. Nota: 6

A alma da gente

De Helena Solberg e David Meyer (2013) Emocionante documentário que fala sobre o amor às artes, Uma válvula de escape contra a violência , contra um mundo frio e egoísta, contra o ambiente desolador que muitos jovens encontram em sua vida. O filme me remeteu ao excelente documentário dos Irmãos Tavianni "César deve morrer", onde um grupo de detentos da mais alta periculosidade encontram no teatro a forma de expiarem a sua culpa pela violência que praticaram. Ao ponto de um dos detentos dizer: "Se eu tivesse encontrado as artes mais cedo em minha vida, ela teria sido outra". Com esse pensamento, seguimos 10 anos atrás na Comunidade da Maré. Através de uma ONG, o coreógrafo Ivaldo Bertazzo reúne um grupo de jovens da comunidade para montarem o espetáculo " A dança das marés". Obviamente, nenhum dos jovens tem habilidade para dança e trabalho corporal. O espectador vai acompanhando um a um, a dura realidade de cada jovem, e a luta e determinação deles para poderem levar a recente descoberta de amor às artes até o fim. Como em "Sonho em movimento, Pina Bausch", esses jovens excluídos no início se assustam, se divertem, acham tudo muito estranho. Mas a rigidez e disciplina dos professores farão que eles tragam essas aulas como uma lição de vida que guardarão para sempre em seus corações. O filme, após a apresentação para o público de "Dança das marés", dá um salto de 10 anos, e aí que vem a parte mais tocante e triste. O que teria acontecido aos sonhos desses jovens que participaram do musical? Com o término da ONG, alguns se envolveram com traficantes, outros levaram tiro de balas perdidas, muitos dos sonhos foram desfeitos. É muito, muito melancólico os depoimentos. Muito triste ver tantas expectativas serem desfeitas pela falta de oportunidade. Mas as lições fornecidas durante a ONG, essas permanecem guardadas nos corações. Um filme imperdível. Helena Solberg e David Meyer arquitetam tudo com muita emoção, sem cair no pieguismo. O filme foi realizado a custo baixíssimo, mas isso não impediu do produto final ser algo de primeiríssima qualidade.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O mistério da passagem da morte

"The Dyatlov Pass Incident/Devil's pass" de Renny Harlin (2013) Esse é mais um exemplar do "Found footage" film. Ou seja: "A bruxa de Blair" revisitado pela milésima vez. Dessa vez, um grupo de 5 estudantes americanos ( e idiotas né, porquê só idiotas saem de seu País para pesquisar um mistério em outro País) seguem em direção aos Montes Urais, na Rússia. Eles visam descobrir o porquê 9 expedicionários russos foram encontrados mortos em 1959 na locação. Esse tipo de filme já me irrita: como assim, um mistério de mais de 50 anos, que ninguém nunca conseguiu solucionar, como 5 retardados ( claro, um estudante de cinema entre eles) acham que irão fazer essa façanha? E pior, entrar pelas montanhas geladas, sem qualquer tipo de aparato de salvamento, de acompanhamento de autoridades...literalmente, "ready to die for". Outro item que me irrita nesse tipo de filme: Ok, o vídeo foi encontrado no início e divulgado...mas quem gravou aquela porra toda durante o tempo todo? Não foram os estudantes, ne? Porquê eles não teriam como gravar 100% das vezes. Bom, a sucessão de clichês só se amontoa nesse filme dirigido por Renny Harlin, que dirigiu "Duro de matar 2", "Exorcista, o início", entre outros menos conhecidos. Porquê todos os russos são apresentados como mau encarados? Mania essa de filmes americanos de mostrar sempre o estrangeiro como um suposto vilão. Muito daqui nesse filme lembra também "O diário de Chernobyl", principalmente o desfecho ridículo. Será que nenhum roteirista consegue imaginar algo mais interessante não? Agora convenhamos, dirigir em loco na Russia pra sair esse filme, acho que não valeu a pena não. Melhor ter filmado em alguma montanha gelada do Nebraska. Nota: 3

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Confissões de um jovem apaixonado

"Confessions of a child of the century", de Sylvie Verheyde (2012) Exibido na Mostra Un certain Regard de Cannes 2012, esse filme provocou uma debandada de juri e platéia da sala de exibição. Assistindo agora, dá para entender tamanha aflição: a muito tempo não via um filme tão soporifero! Baseado no romance do poeta e dramaturgo francês Alfred de Musset , escrito em 1836, e chamado curiosamente de "Confissões de uma criança do século", uma espécie de relato autobiográfico do autor. O filme narra a história de Octave ( Peter Doherty), um Dandy mulherengo que flagra sua amante se pegando com um outro homem. Irritado, ele desafia o homem para um duelo, mas leva um tiro e se retira de cena. Ao buscar o conforto na família, se retrai novamente quando o pai morre. Octave, entre noites de bebedeiras e orgias, resolve ir até o campo, onde conhece Brigitte (Charlotte Gainsbourg), uma viúva 10 anos mais velha e com quem irá manter uma relação de amor e lamentos. A história toda se passa em Paris de 1830, mas a diretora resolveu escalar um elenco de atores ingleses ou estrangeiros que falem inglês. Fora essa dicotomia, o que causou mais indignação por onde o filme passa é a escalação do cantor inglês Peter Doherty no papel principal. Sem qualquer tipo de expressão, sem passar qualquer emoção ou vida em seu olhar ou entonação de voz, Doherty parece um boneco morto em todas as cenas. Tudo fica ainda mais gritante quando ele contracena com a genial Charlotte Gainsburg. Aí a gente se pergunta: Que estranhos caminhos o cinema nos faz passar para tentar entender o porquê de tantas cosias...será que foi um delírio da diretora, de achar que uma figura pop ( Doherty é vocalista da banda "The libertines" e ex-namorado de Amy Winehouse) seria o suficiente para preencher a lacuna de personagem tão importante pro filme? Fosse um video-clip tudo bem, porquê realmente ele tem cara de Dandy. Mas só isso. É uma pena ver talentos e dinheiro disperdiçados. A boa fotografia (apesar de em vários momentos, principalmente em cenas de quartos, estar muito escura), direção de arte, figurino, maquiagem, tudo correto. Os 120 minutos do filme parecem durar o dobro do tempo. Os vários lamentos e caras depressivas de Octave e seus discursos melancólicos em off nos fazem chegar a Morfeu, ao invés de ao Paraíso Cinéfilo. Ainda bem que existe Gainsburg no filme que nos traz um mínimo de dignidade. Nota: 4

Frances Ha

"Frances Ha", de Noah Baumbach (2012). É o que todos dizem: "Tudo começa por um bom roteiro". Não interessa se o filme tem orçamento baixo ( caso desse filme, que foi todo rodado em P&B Canon DSLR) ou elenco desconhecido ( também caso desse filme). O filme faz um sucesso tremendo em Festivais Internacionais por fazer rir e se emocionar com uma singela história de uma jovem, Frances, e suas aventuras e desventuras por uma Nova York mais solitária do que nunca. Em busca de um lugar para morar, um trabalho digno e quem sabe ainda, de um amor em algum lugar, Frances (Greta Gerwig) procura manter a amizade com sua melhor amiga Sophie, que está cada vez mais conflituosa, e quem sabe um dia, poder viver do ballet, sua paixão. Porém, entre idas e vindas, ela vai mudando de apartamentos, dividindo com tipos estranhos que somente em Nova York podem existir. E nessa descida aos infernos, as ruas e endereços vão se tornando cada vez mais obscuros. A cena final, que explica o título do filme, é das mais belas que vi recentemente. A gente ainda pensa em voz alta: "as, então daí que vem o título do filme!!: Genial! O roteiro, escrito por Noah e por Greta Gerwig, é facilmente identificado como uma história escrita por amantes do cinema. Está muito clara a referência a 3 filmes: "Annie Hall", de Woody Allen ( na figura de Diane Keaton encarnada em Frances), "Mauvais sang", de Leos Carax ( de onde Noah tirou a cena de Frances dançando nas ruas de Ny ao som de "Modern love", de David Bowie) e "Viver a vida", de Godard ( onde as cenas são intercaladas como capítulos, e divididas em cartelas, aqui no caso, as cartelas são os novos endereços de Frances). Aliás, essa paixão pelo cinema francês faz os roteiristas fazerem a personagem viajar para Paris, terra de Godard e Carax. E não é a toa que Frances tem esse nome, né? O elenco todo está em estado de graça: todos perfeitos, timing , fisionomia. Mas Greta Gerwig brilha em cada cena. Ela é um rosto comum, mas tem vibração, verdade no olhar. Desde que a vi pela 1a vez no cinema, no filme "Greenberg", uma comédia independente dirigida por Noah Baumbach, , onde ela interpretava a namorada de Ben Stiller, eu já tava de olho nela. Ela é uma espécie de Rainha dos filmes independentes americanos. As poucas vezes que ela trabalhou em filmes majors não foram bem-sucedidas ( "Sexo sem compromisso"e "Arthur"), onde ela ficou apagada. Depois ela fez uma ponta em "Para Roma com amor", de Woody Allen, com certeza sua grande fonte como Cineasta. Os diálogos aqui são inspiradíssimos, e pasmem, contra a propaganda que fazem no próprio cartaz do filme, o filme não é "Absurdamente hilário". É engraçado sim, mas também, amargo e melancólico. Em vários momentos fiquei triste no filme. A trilha sonora é perfeita, a fotografia em P&B um primor. A curiosidade fica pela co-produçao brasileira: a produtora Rodrigo Teixeira filmes, de São Paulo. Imperdível. Nota: 9

domingo, 18 de agosto de 2013

Os que chegam com a noite

"The nightcomers", de Michael Winner (1971). Outro clássico que só tive chance de ver agora. Lançado em 1971 e dirigido por Michael Winner, esse é um filme curioso. Ele foi concebido como um "prequel", ou seja, um filme que narra a história e acontecimentos anteriores ao filme "Os inocentes", de Jack Clayton, de 1961, que por sua vez foi baseado no livro de Henry James, "A volta do parafuso". Em "Os inocentes", uma governanta é contratada para cuidar de duas crianças em uma mansão isolada. Em princípio apaixonada pelas crianças, ela vai estranhando o comportamento delas e da própria casa, que ela acredita estar dominada pelos espiritos de Miss Jessel, ex-tutora, e de Henry Quint, ex-jardineiro., ambos mortos. O filme terminou deixando muita coisa em aberto e muitos espectadores atônitos. Devido ao sucesso, resolveram conceber uma história não oficial sobre quem eram Miss Jessel e Henry Quint, e como foi a relação deles e das crianças na mesma mansão. Daí surge 'os que chegam com a noite". O diretor Michael Winner é mais conhecido por ter dirigido a série "Desejo de matar", com Charles Bronson, que fez muito sucesso no início dos anos 70. Mas aqui ele faz um filme muito diferente, em concepção e narrativa. Tudo bem uma estranheza, nem típica de "Inverno de sangue em Veneza", de Nicholas Ray. tem aquela mesma atmosfera bizarra, fantasmagórica, tensa. Para o papel de Henry Quint, foi chamado Marlon Brando, que 1 ano depois, faria "O poderoso chefão". O restante do elenco é de desconhecidos. Brando era o chamariz, mas vendo o filme, fica nítido que os protagonistas são as das crianças, incrivelmente interpretadas por Verna Harvey e Christopher Ellis. Eles dosam muito bem a violência, o sadismo, a inocência das crianças nessa idade, sem medir as consequências de seus atos. Acreditam que agem por amor. O filme é bastante ousado para a época: cenas de sado-masoquismo, "bondage ( sexo com violência)" e insinuações de incesto com as crianças. Hollywood já foi bem mais ousada em outras épocas. A historia conta a história de Flora e Miles, crianças na faixa dos 10 anos, que moram em uma mansão afastada da cidade. Seus pais morrem em um acidente, mas o tutor resolve não contar para as crianças. Ele encarrega a governanta Miss Grose, a babá Jessel e ao jardineiro Henry Quint a guarda das crianças. Com o tempo, as crianças vão se deixando levar pela violência e brutalidade do jardineiro, e aos poucos perdendo a inocência. É um filme estranho, que merece ser visto, pelo menos como curiosidade de ser talvez o primeiro "prequel" que se teve noticia em um filme de gênero suspense. E ainda ter Marlon Brando interpretando um tipo diferente dos que ele já fez. Nota: 7

O anticristo

"L"anticristo/The tempter", de Alberto de Martino (1974) Pra vocês verem como uma imagem para mim pode ser tão forte e eu jamais esquecer dela. Quando eu era criança, lá pelos anos 70, sempre via na tv e nos outdoors a imagem sinistra dessa versão italiana de "O exorcista". A imagem da atriz Carla Gravina possuída e sentada numa cadeira de rodas para mim foi algo inesquecível. Desde então, jamais consegui ver o filme. Primeiro, porque era para 18 anos. Depois, nunca foi relançado. Em dvd idem. Pensei nele nesses dias, e não tive dúvida: vou baixar e ver se ele corresponde àquela sensação de pavor que tive na época, que nem me fazia dormir direito. Vendo a ficha técnica, fiquei espantado que Ennio Morricone tenha feito a trilha sonora. Ele já havia trabalhado com Dario Argento, outro mestre do horror italiano, e achei o máximo ele combinar gêneros distintos em sua filmografia. Bom, infelizmente o tempo fez com que o filme perdesse qualquer tipo de credibilidade. Já não existe mais nenhuma sensação de pavor. Somente risos involuntários. Mas creio de verdade que na época ele tenha suscitado gritos na platéia. Lembro-me que quando vi "Poltergeist" no cinema, nos anos 80, o cinema inteiro gritava, inclusive eu, levando altos sustos. Hoje em dia esse filme passa na tv e até mesmo as crianças acham bobo. Uma pena que esses filmes se tornem reféns dos efeitos especiais, que obviamente, ao passar dos anos, vão se aperfeiçoando cada vez mais. O tempo passa, os efeitos vão focando toscos e ultrapassados. A história é bem simples: Ipollita, uma jovem cadeirante, é levada pelo seu pai ( Mel Ferrer) até uma igreja aonde milagres teem sido testemunhados. Ela quer voltar a andar. ( ela não é paraplégica, algum trauma causou essa paralisia nela). Chegando lá, ela observa um caso de possessão demoníaca e fica impressionada. Um dia, ela é apresentada a um psiquiatra que trabalha com hipnose regressiva. Ele a faz voltar no tempo, e descobre que na Idade média, ela pertencia a uma seita de adoradores do diabo. A partir daí, as duas Ipollitas se confundem, trazendo o diabo no corpo dela. Além de "O exorcista", de onde o cineasta chupa absolutamente todas as referências ( uma cena hilária, uma das vitimas de Ipollita gira a cabeça, assim como fez Linda Blair. Nossa, ri demais, muito tosco), o filme também cita "O bebê de Rosemary", na cena do diabo transando com a mulher durante um sonho. Entre os desconhecidos do elenco, 2 atores famosos na época: Mel Ferrer, que fora casado com Audrey Hepburn até 68, e Alida Valli, uma diva italiana que interpreta a governanta da família. Não adianta querer buscar congruências na história ou o porquê das ações dos personagens. Melhor nem pensar demais. Ou alguem vai querer saber como que a cena final do exorcismo se dá no Coliseum de Roma? Bom, uma pena que agora, terei que desmistificar esse imagem da infância que tive do que era um filme de terror sinistro. Nota: 5

sábado, 17 de agosto de 2013

Verão eterno

"Eternal summer", de Leste Chen (2006) =Um drama romântico sobre amizade, amores na juventude, e a descoberta da sexualidade entre amigos, sendo que um deles descobre estar apaixonado pelo outro e entra em conflito com a sua homossexualidade. Esse tema já foi descrito inúmeras vezes no cinema mundial, entre eles, cito o clássico tailandês "Um amor de Siam". "Verão eterno" é um filme de Taiwan, e vale lembrar que a sociedade Taiwanesa é bem conservadora em relação ao tema do homossexualismo. Jonathan e Shane são amigos desde crianças. Shane era rebelde, e Jonathan foi obrigado pelo professor a fazer companhia a ele, já que nenhum colega queria ele por perto. O tempo passa, eles cresceram, e ambos continuam melhores amigos. Porém, o sentimento de Jonathan mudou: ele é apaixonado por Shane, mas não tem como revelar essa paixão para o amigo. Shane é campeão nos esportes e admirado pelas garotas. Um dia, surge Carrie, uma jovem que irá mudar o rumo da história. O filme é muito bonito, sensível, o diretor trabalha o tema de forma honesta e cria uma atmosfera de conflito interno no personagem de Jonathan muito bem conduzida. Os 3 atores são ótimos, cada um defendendo com garra a sua personagem. O filme é longo, e poderia ter uns 20 minutos a menos, pois muitas situações se repetem ao longo do drama, tornando-o com uma "barriga" lá pelo meio da história. Achei totalmente desnecessária a cena de Jonathan flertando com um homem num parque. A trilha sonora melodramática é excessiva, uma forçação para causar comoção no espectador. A cena final, na praia, é muito bela. Nota: 7

Bling Ring- A gangue de Hollywood

"The bling ring", de Sofia Coppola (2013) Baseado em fatos reais ocorridos na Califórnia, no ano de 2010, que culminou em uma matéria escrita para a revista "Vanity Fair" e um livro, tudo escrito por Nancy Jo Sales. Se baseando nesse material, Coppola faz o retrato da juventude vazia e consumista, que já estamos acostumados a ver em todos aqueles filmes baseados em contos de Bret Easton Ellis ( Abaixo de zero, Psicopata americano). Ou seja: Muitas drogas, grifes, festas regadas a música eletrônica, celebridades vulgares. Aqui no filme, pelo menos, Coppola economiza no sexo, que passa longe, apenas dando a entender que o personagem de Marc, um dos integrantes do grupo, seja gay. Admiradores do mundo glamurosos das estrelas, 5 amigos adolescentes resolvem se juntar e invadir as mansões de famosos, roubado roupa,s perfumes, jóias. Foram roubados de Lindsay Lohan, Paris Hilton, Orlando Bloom, etc. O total somou quase 3 milhões de dólares. Os integrantes eram tão ingênuos e fascinados pelo luxo e poder que faziam questão de tirar fotos e postar no Facebook os objetos furtados. O visual do filme obviamente é muito glamuroso: várias mansões filmadas são as reais, fora as roupas, todas de grifes, jóias, móveis e ambientes. O filme, no entanto, tem uma estrutura documental, o que provoca tédio: no vai e vem da rotina, mesclado a depoimentos dos adolescentes presos, tudo sôa sem sal e com falta de dinamismo. O filme não tem um crescendo de emoções: é tudo linear. Coppola adora essa vida regada a tédio. Em "Encontros e desencontros"e "Em algum lugar", a monotonia tem papel crucial na trama. Aqui, fica apenas a chatice mesmo. Durante o filme, eu só pensava em outro filme muito semelhante na trama: "Spring breakers", de Harmony Corinne. Esse sim, um filme ousado, estiloso, super bem fotografado, dinâmico, sexy e despudorado. Pena que não foi lançado no circuito. Coppola faz uma boa direção de atores, e espertamente, coloca Emma Watson ( Harry Potter) como coadjuvante, para não roubar o papel e atenção de ninguém. A trilha sonora é espertíssima, com músicas de bandas independentes americanas. Um filme que ao final, saí frustrado. Uma pena. Nota: 5

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Gozu- O grande teatro de horror yakuza

"Gokudô kyôfu dai-gekijô: Gozu" , de Takashi Miike (2003) O cineasta japonês Takashi Miike é um dos cineastas mais prolíficos do mundo: ele filma em média de 4 a 5 longas por ano. Venerado por Tarantino e por Eli Roth, que o convidou para fazer uma ponta em "O albergue", Miike tem algumas obras-primas em seu curriculo, como "Audição" e "Ichi o assassino". Em "Gozu", ele extrapola os limites da sanidade e provoca o espectador em um jogo de sonho e fantasia, mesclado a horror, que tem como tema a mitologia grega e a máfia dos Yakuzas. Pois é, essa salada russa ainda envolve uma bruxa idosa que derrama leite de seus seios, um homem com cabeça de boi ( daí o título do filme), feitiçaria e um desfecho que provavelmente, numa lista dos mais bizarros de todos os tempos, saíria disparado como vencedor. É inacreditável. Só para se ter uma ideia, o protagonista, Minami, um jovem Yakuza, é incumbido de mandar matar um amigo seu, Ozaki, também Yakuza, pois o chefe acredita que ele apresenta sinais de demência. No caminho, Osaki desaparece, e durante o filme todo Minami literalmente atravessa o inferno para encontrá-lo. E vocês não fazem idéia de onde ele irá surgir. Outra cena antológica é a transa do chefão da Yakuza. Para ficar excitado, antes de transar com uma mulher ele enfia uma concha com cabo comprido em seu rabo. É muito, muito doido e transgressor. Miike não tem o minimo pudor em parecer trash, ele faz o que ele acredita. Ele já filmou quase todos os gêneros: infantil, musical, terror, suspense, drama, romance. E faz tudo muito bem. não ;e para qualquer gosto. Esse filme foi exibido na Quinzena dos realizadores de Cannes 2003, recebendo muitas vaias. Pela quantidade de filmes que faz, nem Miike nem seu público se incomodam com as críticas negativas. Vale ressaltar que o desfecho é puro Cronemberg, e que toda a atmosfera do filme lembra os filmes de David Lynch. Miike fazendo referência aos colegas da América. Nota: 6

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Guilty of romance

"Koi no tsumi", de Sion Sono (2011) Incrível que o cineasta japonês Sion Sono tenha uma filmografia tão vasta, e que nenhum deles tenha sido lançado aqui no Brasil, comercialmente. Nesse filme de 2011 , "Guity of romance", ele investe em uma história real, sobre o assassinato de uma Economista de uma grande empresa em Shibuya, Tokyo, e que de noite se prostituia por prazer. O crime ocorreu em 97 e chocou a mídia. Sono pega essa história e cria uma ficção livremente inspirada nesse crime. No filme, acompanhamos 3 histórias: uma, de um crime, onde partes do corpo de uma mulher foram encontrados. Logo depois, em flashback, acompanhamos a historia de 2 mulheres: Izumi e Mitsuko. Izumi é a esposa de um famoso novelista erótico. Ela é frígida, e serve a seu marido como uma escrava, dominada pela sua rotina sem sal. Um dia, ela é convidada a posar nua, e a partir daí, ela descobre a sua sexualidade e vai enlouquecendo aos poucos, sem limites paa extravazar sua libido. Mitsuko é uma professora em uma Faculdade, e de noite se deixa levar pelos instintos mais selvagens da prostituição. O filme obviamente remete a "À procura de Mr Goodbar" e "A bela da tarde", dois clássicos sobre o tema da prostituição. Mas o cineasta Sion Sono sempre foi um mestre de provocar repulsa e constrangimento ao espectador, e jamais poupou seus filmes de mostrar cenas extremamente violentas, ou até fetiches sexuais humilhantes. Sono sabe o público que tem. Seus filmes são perturbadores, e em "Guilty of romance" ele não deixa por menos. Exibido em Cannes 2011, na Mostra Quinzena dos realizadores, causou furor pela sua crueza. O filme foi lançado em duas versões: 144 e 112 minutos. Logo depois desse filme, Sono viria com dois dramas pesados sobre sobreviventes de Fukushima, : "Himizu" e "A terra da esperança". Um cineasta autoral que vale super a pena conhecer. Ousado, está na mesma linha de Takashi Miike e Takashi Kitano, outros estetas da violência que trazem o drama do ser humano em seus momentos mais sórdidos. Excelente trabalho das atrizes que interpretam Izumi e Mitsuko. Nota: 8

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Berberian sound studio

"Berberian sound studio", de Peter Strickland (2012) Esse filme inglês é daqueles casos de filmes que têm uma ótima idéia, mas que infelizmente não teve um bom desenvolvimento. O filme narra o drama de Gilderoy (Toby Jones), um editor de som inglês, que é convidado para ir até a Itália e trabalhar em um filme. Chegando lá, ele descobre que é um filme de terror, do gênero "Giallio"( mortes violentas, gritos excessivos). Gilderoy nunca trabalhou em um filme de terror, mas vai descobrindo formas de reproduzir os sons através de objetos ( verduras, frutas, etc...que reproduzem sons de facadas, etc). Porém, o clima obsessivo da produção, especialmente do diretor, e o envolvimento com as estrelas de 5a, que são abusadas sexualmente pelo cineasta, mais as cartas constantes de sua mãe, fazem com que Gilderoy vá entrando em um estado emocional e psicológico aonde ele não distinguirá mais a realidade da ficção do filme que está editando. O mais interessante desse filme obviamente é acompanhar o processo de foley e sonorização, e a criatividade dos editores de sons em buscar o som mais semelhante a de uma facada, ossos quebrando, etc. O filme se ambienta nos anos 70, auge desses filmes de terror. Tecnicamente, é tudo perfeito. Fotografia sombria, referência aos filmes de Brian de Palma ( Um tiro na noite) e Antonioni ( Blow up). O ritmo é extremamente lento, o roteiro é confuso, e lá pelos 20 minutos finais, fica quase que uma piração autoral. A gente fica sem entender o que o autor quiz dizer. Toby Jones é um excelente ator, e recentemente ele interpretou Hitchcock em "A garota". Um filme mais para cinéfilos curiosos com a técnica do que com um bom filme em si. Nota: 6

domingo, 11 de agosto de 2013

Os escolhidos

"Dark skies", de Scott Stewart (2013) O cineasta Stewart por muito tempo foi consultor de efeitos visuais de muitos filmes, entre eles "Sin city", "Grindhouse", "Harry Potter e o cálice de fogo" entre outros. Como diretor, realizou os medianos "O padre" e "Legião", ambos filmes de ação que tinham como tema a religiosidade e a perda da fé como sintomas para o fim do mundo. Esses temas, de certo modo, voltam em "Os escolhidos". Escrito e dirigido por Scott Stewart, o filme narra a história da família Barret: pai, mãe e dois filhos. O pai está desempregado, a mãe é uma corretora de imóveis. O filho adolescente, Jesse, está em crise de adolescência e seu irmão menor, Sam, vive sonhando com o Sandman e acredita que le virá buscá-lo. estranhos acontecimentos vão surgindo na casa, fazendo com que os pais procurem a ajuda de um ufólogo. Produzido pelos mesmos produtores de "Atividade paranormal" e "Insidious", não tinha como não ter muitas idéias roubadas desses filmes: família que mora em casa de subúrbio, objetos que mudam de lugar, uso de câmeras para captarem registros durante a madrugada, a procura por um especialista para entender o que está acontecendo na casa, descrença dos pais. Eu colocaria outra referência, também muito forte em termos visuais ao filme: "Poltergeist": a tv com seus chuviscos, os móveis se mexendo, o menino sendo induzido a um "amigo imaginário". A primeira parte do filme não oferece nenhuma novidade. Vamos combinar que a 2a parte também não, porém, ela vai num crescendo de tensão e curiosidade, que culminam num desfecho bastante interessante e digno de um bom filme de suspense. A gente na verdade não sabe direito o que vai acontecer, e isso é bom, porquê não sabemos se são alienigenas ou apenas pessoas querendo sacanear a família, ou se estão todos loucos. Um bom elenco, boa edição, um filme que vale ser visto, mesmo com tantos clichês. Pelo menos um clichê bem intencionado e que provoca sustos. Nota"7

Camille Claudel 1915

"Camille Claudel 1915", de Bruno Dumont (2012) Não tem como começar um comentário sobre esse filme e não exclamar: "Puta que o pariu, que atriz essa Juliette Binoche!!!" Ela está excepcional, grandiosa, sublime no papel de Claudel. Talvez seja esse o seu melhor papel. Mentora do projeto, Binoche encontrou em Bruno Dumont ( Um dos meus cineastas mais celebrados) o ponto perfeito para se deixar entregar ao personagem tão sofrido, angustiado, amedrontado e desprovido de qualquer possibilidade de ser feliz. Dumont realizou um dos filmes mais impactantes da última década, "A humanidade", uma descida ao inferno sobre a tentativa de se descobrir o assassino de uma menina de 11 anos, estuprada e barbarizada. A sua narrativa sempre vai para a violência física e mental, para a constante angústia de seus personagens. O sexo sempre é doloroso e sofrido, tudo é desprovido de amor e de um futuro otimista. Seus personagens vez ou outra se encontram à mercê do cristianismo, colocando em prova o seu amor pelo Todo Poderoso e a descrença no ser humano. Diferente do filme de Bruno Nuytten com Isabelle Adjani e Gerard Depardieu, que fe zum relato biográfico da vida da escultura, Dumont centrou toda sua história no ano de 1915, quando Claudel já estava confinada em um manicômio ao sul da França. Internada por sua família, Claudel acredita que Rodin está por trás desse seu infortúnio. Que fortuna, machismo e ciúmes foram os temas responsáveis pelo seu encarceramento. No seu dia a dia, Claudel é confrontada com a convivência com pacientes doentes mentais, que a vão enlouquecendo. Ela espera a visita de seu irmão, a quem ela acredita poder ajudá-la a sair dali. Dumont espertamente centra a câmera em Binoche em vários momentos-chave, sem cortar o plano. Na cena da confissão para o médico, e a confissão para seu irmão, Binoche fica mais de 10 minutos mudando de emoção. Seu rosto vira um carrosel de sensações. Linda, sem qualquer maquiagem, Binoche se expõem em sua maturidade, cheia de rugas. A fotografia em tons azulados é belissimo. O filme tem um ritmo muito arrastado, os planos são longos , mas tudo em prol do cinema de reflexão. O tempo ali dentro do asilo não passa, e é essa sensação que o espectador sente. O filme tem cenas memoráveis, entre elas, a cena do teatro, impecável, emocionante. O último plano do filme também é de uma beleza impressionante. Ponto para Dumont e Binoche, que trouxeram esse presentaço para o público. Curiosidade: Dumont utilizou pacientes de verdade. Isso me causa um certo espanto e curiosidade: até que ponto podemos interferir na vida dos loucos? Afinal, no filme, eles "interpretam,", sofrem, etc. Nota: 9

Prince Avalanche

"Prince avalanche", de David Gordon Green (2013) Refilmagem de um filme islandês de 2011, "Either way", surpreende que tenha ganho o prêmio de melhor diretor em Berlin, tendo o filme original sido exibido tão recente e mantendo a mesma qualidade artística. Lançado no Festival de Sundance 2013, o filme poderia ser considerado quase que um "Na natureza selvagem parte 2". Por 2 motivos: contato homem-natureza , e por ter Emile Hirsch como um dos atores. Nào tenho dúvida que a escolha de Hirsch para o papel tenha sido uma influência do filme de Sean Penn. "Prince avalanche" narra a história de 2 funcionários de uma empreiteira, que trabalham re-asfaltando uma estrada consumida por incêndio no ano de 1988. Esse incêndio destruiu parte de uma floresta no Texas, e várias moradias foram consumidas elo fogo. Lance ( Emile Hirsch) e Alvin ( Paul Rudd) abandonam suas vidas na cidade grande e precisam aprender a viver num ambiente de extremo silêncio e solidão, tendo somente os dois como companheiros. Entre revelações intimas ( Lance é irmão da namorada de Alvin) e rusgas de modo de pensar a vida, os 2 crescem em maturidade e em consciência do mundo. Belissimamente fotografado, e com uma trilha sonora exuberante e pulsante do grupo "Explosions in the sky", o filme tem obviamente nas performances de Rudd e Hirsch um de seus maiores trunfos. Rudd, aliás, surpreendente, pois até então era conhecido como comediante, e aqui, trabalha com perfeição a melancolia de seu personagem. O roteiro é bom, o ritmo do filme é muito lento às vezes. Na narrativa, o diretor apela para uma linha documental, mostrando vários planos de natureza convivendo com os seres humanos. Alguns momentos são antológicos, principalmente a conversa de Alvin e uma velha senhora, que revisita sua casa destruída pelo fogo. Uma cena emocionante, com uma atuação espontânea da atriz Joyce Payne. Nota: 7

sábado, 10 de agosto de 2013

Lovelace

"Lovelace", de Rob Epstein e Jeffrey Friedman (2013) Minha expectativa em relação a esse filme, desde que foi anunciado, foi de frustração. Mesma sensação quando vi o documentário "Inside deep throat", de 2005, dos igualmente documentaristas Fenton Bailey e Randy Barbato. Em "Inside deep throat", a idéia era mostra os bastidores do filme e contar um pouco da vida atribulada de Lovelace. E me irritei com a forma pudica como tudo foi mostrado no filme. Como é que querem falar sobre um dos filmes mais celebrados do mundo pornográfico, sem mostrar pelo menos a famosa cena do boquete de Lovelace? Nada no filme foi mostrado, tudo era casto demais. Quando vi que os diretores seriam Epstein e Friedman, pensei: bom, pelo menos eles fizeram um puta documentário , "Celuloide proibido", sobre os filmes gays malditos e Hollywood. Pode sair coisa boa daí. Aí foram anunciando o elenco do filme: Amanda Seyfried no papel principal, James Franco, Wes Bentley, Sharon Stone, Eric Roberts, Chole Sevigny, Peter Sasgaard..caralho, vai ser outro filme casto!!!!! E não deu outra. Um filme que fala sobre pornografia, sexo explícito, trangressão, violência doméstica, drogas, prostituição..e que mostra no máximo os seios de Amanda Seyfried. Tudo bem, não precisa ter sexo explícito. Mas podia ter um "punch", algo realmente vibrante. eu sempre imaginei um filme de estética suja, câmera na mão, atores desconhecidos, produção independente. Algo na linha de um "Nome próprio", do Murilo Salles, onde vemos Leandra Leal botando pra quebrar numa bela entrega de atriz para o personagem. Faltou essa verdade: tudo no filme é muito certinho, glamouroso, estético, figurinos bacanas, direçào de arte bacana, maquiagem, até mesmo Seyfried, que é linda e jovial demais pra verdadeira Lovelace, que não tinha beleza, era uma mulher mais madura, mais bruta. O filme narra a historia de Linda, que tem uma vida controlada pelos seus pais. Até que ela conhece Chuck, um malandro que a tira de casa e a leva pro mundo da pornografia. Daí em diante vemos ela apanhando do marido, sofrendo com as consequências de ter feito o filme..uma descida ao inferno. Mas o espectador não sente nada. Nem tesão, nem comoção, nada. É um filme de ritmo lento, linear, convencional. Praticamente um telefilme. O que acaba valendo a pena é sair do filme se achando mais "inteligente": a gente sabe que ela fez o filme aos 23 anos em 1972, que foi o filme mais lucrativo do pornô ( Linda ganhou 1250 dólares, o filme arrecadou 600 milhões de dólares), que ela escreveu um livro narrando sua vida de violência fisica e moral e que ela morreu aos 53 anos num acidente de carro aos 53 anos. Depois de "Boogie nights", falta surgir realmente um filme que fale da indústria do sexo sem o pé no acelerador. O filme é das coisas mais caretas que vi recentemente, com direito a música triste e tudo. Ok, os atores, dentro do possível, estão bem. Faltou apenas uma provocação para que eles fossem além. Nota: 5

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

O rei dos porcos

"The king of pigs", de Sang-ho Yeon (2011) Que porrada esse filme! Animação sul-coreana que foi exibida em Cannes 2012, na Mostra Quinzena dos realizadores, é um dos mais contundentes retratos de bullying que vi em um filme ( fora o mexicano "Depois de Lucia"). Kyung-min é um empresário falido que acabou de matar sua esposa. Ele resolve ligar para um amigo de infância, Jong-suk, que não vê a tempos. Jong é um ghost-writer em crise, e que espanca sua esposa por ciúmes. No reencontro, eles relembram a época de estudantes de 15 anos, e sobre a violência sofrida pro ambos por conta de bullying de outros estudantes. Chul é um colega de classe, violento, que os defende de levarem surra. Mas um acontecimento trágico marcará a vida de todos para sempre. Um roteiro excelente, violento, dramático e cheio de reviravoltas. Fico imaginando um filme desses sendo refeito com atores. Nas mãos de Park chow-woo viraria um clássico no nível de um "Oldboy". Os diálogos são duros, socos no estômago. Várias cenas antológicas, como a do gato e todo o desfecho, onde segredos são revelados. Os traços da animação são simples, mas as cores são soturnas e o filme tem um clima bem depressivo. O som, a trilha, os ruídos, os choros, a dublagem, os socos...toda a parte sonora é impecável. Fiquei absorto do início ao fim. Imperdível! Nota: 10

Círculo de fogo

"Pacific rim", de Guillermo del Toro (2013) Antes de assistir ao filme, recomendo duas coisas fundamentais: 1o: esquecer seu cérebro em casa. 2o: Repetir mil vezes "Eu sou Nerd! Eu sou Nerd! Eu sou Nerd! Feito isso, você estará pronto para assistir ao filme, correndo sério risco de não gostar mesmo assim. Para quem não sabe: o filme de aventura narra a história de invasão de monstros ( Kaiju, na língua japonesa) que são tipo aqueles das séries "Power rangers", "Ultraman", "Jaspion" e etc. Esses monstros surgem por conta de uma fenda que se rompe e abre no fundo do Oceano pacífico. Para lutar contra esses Kaiju, o governo cria uma arma secreta, chamada Jaeger, que sao robôs controlados por 2 pilotos que literalmente vestem uma armadura de robô gigante e através do físico e mente, controlam o andróide. A luta decisiva se trava em Hong Kong, e a eles, se junta uma cientista-piloto, chamada Mako (Rinku Kikuchi). De todo o elenco, Kikuchi ( nomeada pro Oscar de coadjuvante por "Babel") é a única que confere alguma dignidade. Todos os outros afundam nas caricaturas de tipos exaltados, machistas, conflitantes, ou nerds. O mais curioso é perceber como as heroínas japonesas estão na moda nesse universo de quadrinhos e aventura: em "Wolverine", duas japonesas são heroínas e guerreiras. Outro elemento que remete a essa nostalgia é a referência à Liga da Justiça, mais precisamente os super-gêmeos. A junção desses dois pilotos me lembrou bastante as realizações dos gêmeos, que juntavam suas forças e se transformavam em algo ou liberavam poderes. Mas enfim: muito barulho, pouca visibilidade ( porquê a maioria das cenas são noturnas? A gente quase não vê nada! Eu quase nem consegui ver as caras dos monstros!!!) Um filme longo ( mais de 130 minutos), arrastado, chichezão do inicio ao fim ( sério que ninguém imaginou o sacrificio...) e coisas e tal. O final, pasmem, ainda me lembra a algum desfecho dos filmes de 007 ainda com Roger Moore. Para quem quer pipocão nessas condições, prato feito! Del Toro, tá devendo um filme à altura de "O Labirinto do Fauno", heim!!!!! E para de enfiar o Ron Pearlman em tudo!!!! Nota: 5

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Louca paixão

"Turkish fruit", de Paul Verhoeven (1973) Mais um da coleção: "Como nunca vi esse filme antes"?? Datado de 1973, é impressionante como ele se mantém atual e pulsante. Poderia ter sido lançado hoje em dia que ainda assim, causaria furor. Porém, além da história de amor transgressora, o que mais me chama atenção é como 3 ícones do Cinema comercial começaram suas carreiras de forma tão brilhante, ousada, forte, autoral. Paul Verhoeven ( Robocop, Instinto Selvagem), Jan de Bont ( Velocidade máxima, Twister) e Rutger Hauer (Blade Runner) são 3 artistas holandeses. Diretor, fotógrafo e ator, nessa ordem. Baseado em um livro chamado "Delícia turca", o filme narra a história de amor sem rumo e sem controle de Eric (Hauer), um escultor viciado em sexo e porra louca, e Olga ( Monique Van de Ven), uma jovem que se entrega de corpo e alma para esssa paixão avassaladora. Muito sexo, nudez, escatologia, violência, em um filme que tem duas atuações exraordinarias e viscerais: dois atores que se expuseram e se entregaram para os seus personagens, provocando uma relação de amor e ódio para o espectador. Curioso como o filme me lembrou bastante "Eu receberia as piores notícias de seus lindo lábios", e Beto Brandt. Ambos possuem aquela verdade que somente um bom cinema de autor consegue expressar. Improvisação, câmera documental e entrega dos atores. O filme é belíssimo, machuca, e o final é arrazador. Melancolia e erotismo combinados em doses cavalares. Linda trilha sonora. O título original se dá por conta de uma cena comovente onde ele oferece um doce turco para ela. Nota: 9

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Byzantium

Byzamtium
de Neil Jordan (2013) Quase 20 anos depois de "Entrevista com vampiro", Neil Jordan volta ao tema dos vampiros depressivos pela imortalidade. Eleanor (Saoirse Rosnan) e Clara (Gemma Arterton), respectivamente filha e mãe, atravessam 2 séculos sendo perseguidas pelos membros da Irmandade, uma espécie de clã de vampiros, que proibe que mulheres tenham a imortalidade. Elas vivem reclusas até encontrarem abrigo em um hotel chamado 'Byzantium". O filme segue em duas narrativas"presente e passado, mais precisamente, 2 séculos atrás, mostrando o processo de transformação de ambas em vampiras. Mesmo que tenha sido uma adaptação do livro "Uma história de vampiro", quase difícil ver o filme e não o relacionar a "Entrevista com vampiro". A busca do amor eterno, que acompanhe o vampiro em sua peregrinação da imortalidade; o questionamento da vida eterna; o dilema de matar um ser humano para consumir seu sangue. Ecos de "Deixa ela entrar" também são visíveis: o convite para um vampiro poder entrar em sua casa, a questão da morte e terceira idade; O filme pode ser visto mais como um drama do que um filme de suspense e aventura. Nem é um filme tão comercial assim, apesar de umas poucas cenas de ação, mais pro final. Durante quase todo o filme, acompanhamos um drama psicológico do conflito da filha que discute sua imortalidade e o seu dilema de amor por um jovem mortal. De qualquer forma, anos-luz a frente de filmes da saga "Crepúsculo", mesmo que o filme em questão tenha um ritmo lento e quase nenhuma novidade ao gênero "vampiros". Vale pela presença das boas atrizes. Para quem não sabe, Gemma Artenton foi Maria em "João e Maria", e Sam Riley, que faz um dos membros da clã, é o alter-ego de Jack Kerouak em "Na estrada", de Walter Salles. Nota: 6

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Flores raras

de Bruno Barreto (2013) Para mim, Bruno Barreto tem 3 filmes antológicos: "Amor bandido", "Romance da empregada" e "Atos de amor". "Flores raras"se aproxima de "Atos de amor", filme de 1995 com Amy Irving ( na época esposa de Bruno) e Dennis Hopper, em um drama intimista sobre uma relação amorosa sofrida entre um casal na faixa dos 50 anos. Em "Flores raras" ( o título anterior era "Você nunca disse eu te amo"), narra-se a história verdadeira da relação entre a poeta americana Elisabeth Bishop (Miranda Otto) e a arquiteta e paisagista Lota Macedo (Gloria Pires), que começou no ano de 1951, e durou até o início dos anos 70, com o suicídio de Lota, que se tornou depressiva. No meio do caminho das duas, Mary (Tracy Middendorf ), ex-esposa de Lota que fará de tudo para destruir o relacionamento de ambas. O filme tem vários grandes méritos: obviamente, o maior deles, o trabalho irrepreensível do trio protagonista. As 3 atrizes estão estupendas, e para Gloria que fala em inglês quase 90% das cenas, deve ter sido um puta desafio interpretar com emoção em outra língua. A trilha sonora, de Marcelo Zarvos, é muito linda e emocionante. A fotografia de Mauro Pinheiro Jr é outro brinde aos olhos do espectador. O roteiro investe no drama dessas 3 mulheres, e se envereda por uma trama bem novelesca, cheio de intrigas, ciúmes, relações mal resolvidas com pais e mães, adoção de bebê, bebedeiras, etc. Foi uma opção dos produtores. O filme vai em ritmo bem lento, a gente vai acompanhando como se fosse um diário em aberto. No final fica-se a curiosidade de saber como o Aterro do Flamengo foi planejado, e como o Rio de Janeiro é lindo quando apontamos a câmera pras paisagens belíssimas . É um filme de certa forma corajoso, que fala sobre lesbianismo sem rodeios, de forma direta. Um filme de qualidade, com glamour e elegante, elementos muito em falta na cinematografia nacional.

A parede

"Die wand", de Julian Pölsler (2012) Essa produção austríaco/alemã é de uma tristeza ímpar. Uma fábula fantástica, baseado em best-seller austríaco de Marlen Haushofer, sucesso nos anos 60, e um dos livros favoritos do cineasta. O filme narra a história de uma mulher, sem nome, que passa uns dias numa cabana numa floresta na região montanhosa da Austria. O casal que a acompanha resolve ir até o vilarejo. No dia seguinte, quando ela acorda, percebe que eles não voltaram. Ela anda pela região e misteriosamente, se depara com uma parede invisível e intransponivel, que a separa do mundo. Isolada e sem ter como sair, ela percebe que o mundo do lado de fora não existe mais. As pessoas estão congeladas, como que paradas no tempo. Ela procura então sobreviver, acompanhada de um cachorro, gato e uma vaca, e busca seus instintos de sobrevivência para suportar o passar dos anos. Uma metáfora sobre a depressão e solidão, essa fantasia dramática tem uma atuação extraordinária da atriz alemã Martina Gedeck, que passa o filme todo sem falar uma única palavra ( algumas no início do filme). Ela atua pelos sentimentos, com o olhar , sem jamais resvalar pro caricato. Entre seus filmes mais conhecidos, está "A vida dos outros". O filme é narrado em voz off, em flashback. A mulher vai escrevendo uma espécie de diário e narrando suas desventuras. Impossível não associá-lo a filmes como "Náufrago" e "As aventuras de Pi". Mas aqui, diferente dos outros, a mulher aceita sua condição de isolamento e não luta para tentar achar uma fuga. Essa jornada física e emocional é embalada com uma das fotografias mais estonteantes que vi recentemente, fora as paisagens hipnóticas das regiões austríacas. O retorno às origens, ao berço do selvagem, é uma alusão ao foco em si mesmo, ao parar um pouco e pensar no que estamos fazendo de nossas vidas. As estações do ano são registradas com muito apuro, e isso explica o porquê de ter tantos fotografos num único filme. Para os amantes de animais e sensiveis, recomenda-se pular o desfecho da história. É um golpe no coração. Melancolia em estado bruto. Nota: 8

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Vendo ou alugo

de Betse de Paula (2013) Único filme brasileiro em toda sua história a ganhar 12 prêmios em um Festival, no caso o de Pernambuco de 2013, e consagrado pelo júri da crítica, pelo júri popular e pelo júri oficial do evento. Ganhou entre eles, filme, direção, roteiro, atriz (Marieta Severo), atriz e ator coadjuvante, montagem, trilha, etc. O filme narra o drama de uma familia de 4 gerações de mulheres, que tentam a 7 anos vender uma mansão decadente aonde moram em Copacabana, mas que se localiza na subida do morro do Chapéu mangueira, o que o desvaloriza. Cheias de dívidas, as mulheres se desdobram e se viram como podem. O filme acompanha um dia na vida dessas mulheres, às voltas com traficantes, policiais do Bope, um trio de idosas viciadas em jogatina. corretores malucos e gringos bizarros. O tom da comédia varia da ingenuidade, pastelão e um cotidiano divertido, típico dos filmes de David Neves dos anos 70 e80, que unia a carioquice, a picardia e o humor tipicamente brasileiro. Apesar de mexer em temas como uso de maconha, tráfico e ocupação dos morros, o filme é indicado para toda a família, pois não existe maldade: todos são gente boa. A moral da história é que a unificação entre asfalto e morro favorece o convívio mútuo e a união dos habitantes da cidade. Risadas ingênuas e verdadeiras, para quem busca um passatempo leve e gostoso como uma brisa na orla de Copacabana.

domingo, 4 de agosto de 2013

Haewon, a filha de ninguém

"Nugu-ui Ttal-do Anin Haewon/Nobody's daughter Haewon", de Hong San Soo (2013) "Exibido em Berlin 2013 na Competição oficial, esse novo filme do sul-coreano Hong Sang-Soo confirma a recorrência temática e estética de todos os seus filmes anteriores. Assim como Eric Rohmer, Soo faz um registro do cotidiano de personagens comuns e transforma essa rotina em algo dramatizado, como se fosse uma grande tragédia, mas em tons intimistas. Novamente, cineastas, atores, artistas, professores dão vida aos personagens, embalados pelos planos únicos sem cortes. Quando Soo quer dar destaque em algo na cena, ele fecha o zoom no que ele quer destacar. Sim, é estranho, mas dentro da proposta da vida improvisada e sem rodeios, funciona. Longas cenas de quase dez minutos se desenvolvem sem corte, proporcionando uma naturalidade e espontaneidade que dificilmente seria conseguido se não fosse assim . Voltando a sua homenagem a atrizes francesas, dessa vez Soo homenageia Jane Birkin, que faz uma pequena participação no prólogo do filme como uma turista. Em "A visitante francesa", seu filme anterior, ele homenageou Isabelle Huppert. Uma jovem estudante de teatro, Haewon, se despede de sua mãe que ira morar no Canadá. Sentindo-se só, ela liga para seu professor de teatro, o cineasta Lee, com quem ela tem um caso. Tanto Lee quanto Haewon se incomodam quando os outros alunos descobrem o caso deles. Os amores desfeitos, a depressão, o futuro incerto, o sonho rompido, a melancolia, as bebedeiras entre amigos..tudo isso volta nesse filme. Existe uma cena antológica, que é recorrente no filme, dos 2 personagens sentados numa escadaria de um templo e ouvindo através de um discman uma sinfonia de Beethoven. É muito linda a cena. Os filmes de Soo incomodam as pessoas, conheço cinéfilos que odeiam esse seu estilo low profile de encarar o mundo. Eu sou fã e considero ese um dos seus melhores trabalhos. Ótimos atores e excelente fotografia, além de um roteiro que brinca com sonho e realidade. Nota: 8

The Canyons

"The Canyons", de Paul Schrader (2013) Schrader, diretor de clássicos como "A marca da pantera", "Gigolô americano", "Mishima " e que escreveu roteiros consagrados, entre eles "Taxi driver", resolveu se aventurar no suspense erótico noir, de baixíssimo orçamento. Nos anos 80, tivemos um exemplo de um filme do gênero, que virou um clássico: "Corpos ardentes", de Lawrence Kasdan, e que catapultou as carreiras de Willian Hurt e Kathllen Turner. O orçamento do filme foi de U$ 250 mil dólares, e os atores ganharam cada um cem dólares de cachê por dia de filmagem. Nesse esquema, Lindsay Lohan, que havia sido convidada para fazer um papel pequeno, exigiu o papel da protagonista e ainda assina o filme como co-produtora. Infelizmente, esse Filme B parece estar destinado ao mais completo limbo. Nào fosse a presença de Lohan, com certeza ninguém ouviria falar do filme, nem mesmo pelos créditos de Schrader ou mesmo do escritor, o renomado Bret Easton Ellis. Ellis escreveu uma história que gira em torno de seus 3 mais famosos livros: "Psicopata americano", " Abaixo de zero"e "as regras da atração". Ou seja, um mundo de glamour, mas envolto de sexo, drogas, devassidão e crimes. Tudo isso em torno do mundo do Cinema. O ator pornô James Deen foi escalado para viver o protagonista, o psicopata produtor de cinema Christian. Ele mora com Tara (Lohan), uma jovem atriz decadente. Eles moram numa mansão, e Christian vive chamando homens e mulheres para sua casa para promover orgias. Quando ele descobre que tara reativou um caso com um ex-namorado, ele fará de tudo para tirá-lo do caminho. O filme investe em erotismo, algumas cenas de nudez frontal, mas podia ter aproveitado mais esse gancho do sexo, que está mal aproveitado no filme. Ao invés disso, investe numa trama mirabolante e inverossímel sobre um ciúme obsessivo. Gus Van Sant faz uma ponta como um psiquiatra, James Deen tem algumas poucas e boas cenas, outras ele esquece que atua e vai no automático. A fotografia e trilha sonora são muito boas, e Schrader aproveita para mostrar a decadência das salas de cinema tradicionais de Los Angeles, que ou estão fechadas, ou destruídas pelo tempo. Schrader ousou nesse filme em todos os sentidos. Pena que o investimento não tenha sido o desejado. Mas eu particularmente achei um filme interessante, por mostrar o lado sujo do glamour do cinema de Hollywood, mesmo que nas suas devidas proporções. Nota: 7

sábado, 3 de agosto de 2013

Invocação do mal

"The conjuring", de James Wan (2013) Como explicar o apetite do público americano para os filmes de terror baratos, estilo "Atividade paranormal", "Possessao", "Insidious" e outros? Todos esses e outrs mais bateram recordes de bilheteria, ultrapassando grandes blockbusters que custaram dezenas de vezes mais, e rendendo maior porcentual na bilheteria. Será que todo mundo gosta de sentir medo nas salas de cinema? É uma válvula de escape? Falando por mim, sim, é ótimo sentir medo e aflição dentro de uma sala de cinema e acompanhar o público dando saltos por conta de sustos bem planejados. infelizmente, a maioria desses filmes acha que basta colocar uma faixa de silêncio e de repente vir uma faixa estridente e pronto: está dado o susto. "Invocação do mal" não foge desse,desculpe a redundância, mal. Todos, mas todas as tentativas de se dar susto foi por conta de sons estridentes que surgem do nada, ou de objetos que caem provocando estrondo. James Wan é mestre nisso, desde que ele começou a saga "Jogos mortais"e o próprio "Insidious". Aliás, "Invocação do mal" poderia se chamar "O clichê do mal", tal a quantidade de cenas pra lá de batidas que foram utilizadas na produçào. Podemos citar todos os filmes envolvidos: alem dos citados acima, temos "Poltergeist", "A casa amaldiçoada"( com a mesma Lily Tomlin praticamente repetindo seu papel), "Brinquedo assassino", "Apartamento 143", "Sinistro", "O exorcista" entre tantos outros. Quem já não viu quinhentas vezes a história de família que se muda para uma casa que depois descobrimos ser amaldiçoada? A diferença aqui é que, para dar credibilidade ao projeto, os produtores convidaram atores famosos (Patrick Wilson, Vera Farmiga, Lily Taylor e Ron Livingston) e afirmam ser baseado em fatos reais. Uma família se muda para uma casa e logo constatam que o local está possuído. Eles acionam uma dupla de paranormais, que tentam se livrar do mal. Ok, ok. Dá para se assistir ao filme, apesar de tanta obviedade, e só fico me perguntando porquê essa família não se mudou logo de cara, quando percebeu que tinha algo estranho lá. Mas o show tem que continuar. Para quem se assusta fácil, vai ser um deleite. Nota: 6

Wolverine - Imortal

"The Wolverine", de James Mangold (2013) Pipocão da melhor qualidade, com uma das melhores cenas de ação que vi recentemente no cinema: a de Wolverine lutando em cima de um trem bala de altíssima velocidade. Somente por essa cena já valeria a pena assistir ao filme. Mas existem outras cenas tão boas quanto: uma cena de funeral, uma cena numa mesa de operações. James Mangold, que dirigiu "Garota interrompida", mostra sua versatilidade após ter filmado dramas, faroestes e filmes de suspense. Aqui, ele acerta a mão: encontrou um elenco de apoio excelente ( as duas japonesas são sensacionais e inesquecíveis - A vibora também é ótima), um ótimo roteiro que fala sobre conflitos morais, dilemas, honra e claro, imortalidade. Quase todo ambientado no Japão, o filme vira quase um filme de samurai moderno. No lugar de espadas, as garras de Wolverine. Hugh Jackman mostrando que não existirá jamais outro ator para compôr o personagem, e a surpresa de rever Fanke Jansen interpretando Jean Grey. Toda a parte técnica é irrepreensivel, incluindo a fotografia. Se tivesse uns 20 minutos a menos ( tem umas linguiças soltas durante o filme) o filme teria sido nota 10. Afinal, espectador quer ver ação nesses filmes e não um falatório. Nota: 8

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Rota cênica

"Scenic route" de Kevin Goetz e Michael Goetz (2013) Conhecidos no mercado americano como "Os irmãos Goetz", esses cineastas fazem aqui seu 2o filme em esquema produção baixo orçamento. A idéia era contar um drama psicológico e tenso sobre 2 amigos de longa data, que durante uma travessia numa estrada deserta nos Estados Unidos , a "Scenic route", têm a caminhonete quebrada e passam a lutar pela sobrevivência. Além de não terem água nem comida, os amigos fazem uma tremenda lavação de roupa suja, chegando a se degladiar mortalmente. O filme é praticamente de 2 atores: Josh Duhamel e Dan Fogler. Duhamel é mais conhecido como marido de Fergie, do grupo "Black eye peas", e fez algumas comédias romanticas e filmes de ação, como "Transformers". Dan Fogler já dublou vários desenhos (Kung fu Panda) entre outras comédias. Ou seja: um "miscasting" fudido. Um filme desses para dar certo teria que ter 2 atores muito bons em drama, uma vez que o filme quase que 90% é uma discussão interminável entre os amigos, variando de tons e emoções, indo da comédia pro drama, da agressão ao desespero. Dan Fogler lembra demais o ator Zach Galifianakis e durante o filme inteiro parecia que eu estava vendo uma paródia de "Se beber nao case". Até porquê a caracterização de Fogler lembra Galifianakis , impossível não fazer essa relação. No lugar da tatuagem de Mike Tyson, entra um corte de cabelo moicano,. Aliás, ridículo e nada a ver, levou filme para um humor involuntário, quebrando qualquer dramaticidade. Talvez a intenção tenha sido mostrar a insanidade de Marlon Brando em 'Apocalipse now", mas está tudo errado. O roteiro é inverossímel, irritante e pior, com um desfecho em aberto que irritará muita gente, inclusive eu. Como é que uns idiotas percorrem milhares de kilometros no deserto sem levar mantimentos??? E obviamente que o celular não pegará, né? O que o filme tem de bom é a fotografia deslumbrante, mostrando o amarelo laranja do deserto. Fora isso, fica somente um filme aborrecido e chato, muito chato. Nota: 3