quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Calafrio

"Shiver", de Isidro Ortiz (2008) Mais um exemplar de suspense espanhol, e produzido por Guilhermo del Toro. Um jovem com fotofobia se muda com sua mãe para uma região montanhosa da Espanha, onde raramente o sol surge. Porém, coincidentemente com a sua chegada, mortes vão surgindo, e Santi acaba sendo acusado dos assassinatos. O filme tem ótima fotografia e bom clima de suspense, prejudicado pelos seus escessos de roteiro. A história caminha bem no início, mas a chave do mistério é revelado logo antes da metade, e daí o suspense se dilui, terminando em um desfecho bobo e implausível. Os atores, principalmente os jovens, são bons, mas o filem peca pelo excesso de personagens maniqueístas e pela solução fácil, além de erros de continuidade. Por ex, o protagonista se fere na perna durante uma fuga, e logo em seguida, consegue correr como se nada tivesse acontecido. Ele pula muros, salta, e tudo ok. A personagem da filha do policial também de nada acrescenta, somente um ingênuo enlace amoroso, que nem se desenvolve. A personagem da mãe irrita em sua total falta de coerência, assim como o do pai, que surge do nada na trama. VAle como passatempo, pois até tem suspense. Mas não esperem um filme surpreendente. Nota: 6

domingo, 24 de fevereiro de 2013

30 noites de atividade paranormal

"30 Nights of Paranormal Activity with the Devil Inside the Girl with the Dragon Tattoo", de Craig Moss (2013) O gênero da paródia encontrou o seu grau máximo de sandice e porra-louquice nos filmes do diretor Craig Moss. Autor do igualmente satírico "A saga molusco", uma sacanagem aos filmes da série "Crepusculo", Moss parece querer superar Ed Wood com o título de pior diretor de todos os tempos. "A saga molusco " conseguiu o feito de ser um dos piores filmes que já assisti. Agora com "30 noites..", Moss fez uma salada de filmes, entre eles "Atividade paranormal", "Abraham Lincoln caçador de vampiros", "O homem que não amava as mulheres", "Batman", entre outros, além de sacanear personalidades, como "Adele". A impressão que tenho ao assistir aos filmes de Moss é que ele faz questão de fazer um filme ruim, essa é a sua intenção. Ao contrário de outros cineastas que usavam a paródia como uma forma de sacanear a linguagem do cinema, como nos filmes "Top Secret", "Corra que a polícia vem aí", Moss aposta em atores ruins, textos ruins e paródias toscas para fazer o espectador rir. Até consegui rir uma ou outra vez, mais pela inacreditável cena que me foi apresentada, do que por suas qualidades como comédia. Mesmo sendo tão trash, esse filme consegue ser melhor que "Inatividade paranormal", outro exemplar de sub-comédia. Agora, uma pergunta: o que seria dos roteiristas de comédia, se não existissem piadas sobre peidos? Caraca! Nota: 3

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Terra prometida

"Promised land", de Gus Van Sant (2013) Concorrendo no Festival de Berlin 2013, esse filme escrito, produzido e protagonizado por Matt Damon tem todas as boas intenções do mundo. Nessa onda de celebridades engajadas em lutar contra a devastação da natureza e abraçarem causas ecológicas, Matt Damon nao fez feio: criou uma história quase em tom de fabula, sobre um executivo de uma poderosa Companhia de gás, que vai até uma cidade pequena comprar terrenos de fazendeiros pobres para dali, construir reservartórios de gás, a preços de banana. Porém, esse homem de coraçào de pedra vai se transformando, a medida que vai se envolvendo com as histórias de pessoas humildes e honestas. Gus Van Sant é um cineasta que transita entre o filme de arte e o bom cinema comercial. Gosto mais de suas experiencias ousadas de linguagem, como em "Elefante" e "Paranoid Park". Aqui, ele pega o tom dos filmes de Frank Capra,e constroi a fábula do bom moço, através de um excesso de otimismo e humanidade que parece anacrômico nos dias de hoje. A bela trilha sonora fica a cargo de Danny elfman, parceiro habitual de Tim Burton. A fotografia é bela, realçando as lindas paisagens da região. O filme é como assim dizer, chato, bem chato. Mas o otimo trabalho dos atores, incluindo Frances Macdormand, Hal Holbrook e John Krazisnky, entre outros, faz o filme merecer se visto. O tema me lembrou bastante " Erin Brocovitch", e Matt Damon está ok. Para quem gosta de filmes positivistas e felizes, esse aqui é imperdível. Tem uma cena no final, de Damon com uma pequena vendedora de limonada, antológica. Nota: 7

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Criancas de Sarajevo

"Djeco/Children of Sarajevo", de Aida Bejic (2012) Filme Bósnio, indicado pelo País para representá-lo no Oscar 2013. Exibido em Cannes 2012, é um filme extremamente desolador. Fala sobre a consequencia da Guerra da Bosnia nos anos 90, e como isso influenciou na vida de toda uma população, principalmente os órfãos da Guerra. Rahima é uma jovem de 20 e poucos anos, que ttraablha como assistente de cozinha em um restaurante. Recém-convertida ao islamismo, é vista com preconceito pelos amigos e vizinhos. Seu irmao adolescente, Nadim, sofre bullying na escola. Ele também anda com maus elementos. Ambos órfãos, tentam sobreviver de forma digna, mas os atropelos da vida fazem com que no seu caminho, intrigas políticas e sociais os botem sempre de cabeça baixa prante o mundo que os cerca. De ritmo lento, com muito pouca ação, o filme faz quase um registro documental da vida desses 2 personagens. O excelente trabalho de câmera na mão, em longos planos, acompanhando os personagens, associado a locações depressivas e desencantadas da B'sonia, trazem um aspecto lúgubre e melancólico para a ambientação do filme. A ediçào de som supreende"o filme faz uma analogia dos tempso d eguerra, ao barilho rotineiro dos tempos atuais, supsotamente de paz. Mas os sons de fogos de artifício, britadeiras, máquinas industriais, fazem sempre lembrar de tiros e tanques de guerra. Uma belíssima metafora habilmente manipulada pela cineasta Aida Bejic. Um filme curioso, pela sua nacionalidade, e que faz um retrato cruel e triste de um País chamado Bósnia. Ótimo trabalho do elenco principal. Nota: 7

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Loucura

"Deranged/Yon ga si", de Jeong-woo Park (2012) Os filmes sul-coreanos são experts em misturar gêneros. Assim como no clássico "O hospedeiro", que misturava filme de monstro, ação, comédia e drama familiar, aqui em "Loucura", ao invés de monstros, temos parasitas que controlam o cérebro. Jae-hyeok é um representante de uma industria farmacêutica, que sobrevive as custas de bajular os grandes empresários do setor. Casado e pai de 2 filhos, logo ele testemunha a morte de centenas de pessoas, vítimas de uma epidemia que se alastra pelo País. Logo o governo descobre que a epidemia é oriunda de vermes que atacam o sistema nervoso, mas a cura pra epidemia está nas maos de uma industria farmaceutica, que alehia as mortes, quer vender o remedio antidoti a precos exorbitantes. Esse filme de teor apocalipitico é claramente inspirado em "Contagio", filme de Steven Soderbergh, que mostra um mundo assolado por uma epidemia aparentemente sem cura, e onde as pessoas morrem aos milhares e sem qualquer esperanca de cura. O que mais espanta nesse filme que bateu recordes de bilheteria na Coreia do Sul, é o orcamento gasto. Milhares de figurantes, direcao de arte caprichando no cenario de destruicao. O elenco esta bem, apesar da direcao as vezes errar no tom da cena. As cenas de humor não condizem com o filme, que tem uma postura trágica, e brincar com mortes não é nada legal. Do meio pro fim, o filme toma um rumo mais de acão, com o desespero do pai para tentar salvar sua familia. O roteiro exagera no desenvolvimento de algumas cenas, por exemplo, nas tentativas do pai de conseguir o remédio. parece até piada! A trilha sonora, constante, irrita, querendo provocar um clima de tensão ininterrupto. A crítica aos grandes poderosos é válida, apesar de eu achar tudo muito forçado: como assim, as empresas, em momento de tragedia, não se sensibilizam com o drama de milhares de pessoas??? Nota: 5

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Perder a razão

" A perde la raison", de Joachim Lafosse (2012) Émilie Dequenne, atriz que em 1999, ganhou o prêmio em Cannes de interpretação por "Rosetta", venceu também em Cannes o premio de melhor atriz na mostra "Un certain regard", por esse filme. Aqui, ela interpreta Muriellei, uma jovem professora que se casa com Mounir (Tahar Rahim, de "O Prefeta"). Ele é marroquino e é um imigrante que mora em Bruxelas com o seu pai adotivo, um médico. O casal, por questões financeiras, vai morar com o medico. Porém a presença dele sufoca Murielle, que se sente uma intrusa na casa. O destino trágico dessa história foi livremente inspirado no caso de Genevieve, uma mulher de 42, que matou os seus 5 filhos em 2007, Bruxelas. Um filme tenso, que narra o processo de destruição moral e psicológico de uma mulher, que esbarra no preconceito machista e cultural ao se deparar com um mundo diferente do que ela esperava. A grande força desse filme reside no trabalho dos 3 atores principais. Tahar Rahim e Niels Arestrup, que interpreta o médico André, já haviam traalhado juntos em "O Profeta". Com uma linguagem narrativa que se aproxima dos filmes dos cineastas mais famosos da Bélgica, os irmãos Dardenne, esse drama tem um visual marcado por camera na mão, registrando quase como um documentário o dia a dia da protagonista. Não fosse ele tão longo,e com personagens às vezes beirando o esterótipo do homem ignorante e violento, teria sido um filme mais vibrante e envolvente. Nota: 6

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A hora mais escura

"A hora mais escura", de Kathryn Bigelow (2012) Uma pergunta que fica, após assistir ao filme: Porquê a academia preferiu indicar David O. Russell, de "O lado bom da vida", e ignorou o excelente trabalho de direção de Bigelow? Nossa, mas não dá nem pra começara fazer qualquer tipo de comparação. A direção de Bigelow é segura, tecnicamente impecável, tensa, inteligente, primorosa. O roteiro de Marc Boal é genial, dsenvolvendo a personagem de Jessica Chainstain de forma brilhante: assim como o espectador, a personagem de Chainstain vai sendo apresentada ao universo machista dos soldados e agentes da CIA e da Força especial de Guerra. Um mundo à parte, brutal, sem piedade, onde qualquer indicio de humanidade se esvai. O filme foi duramente criticado por suas cenas de tortura física e moral que acontecem na 1a parte do filme. Segundo o filme, até um pouco depois do atentado de 11 de setembro, a tortura era permitida para se obter confissões. Mas logo depois, o Governo deu pra trás, devido a pressões de grupos humanistas, e a tortura foi proibida. Aí é que a personagem de Chainstain ganha força. Qualquer tipo de investigação tem que ser feita na base de intuiçao. O filme é longo, quase 160 minutos, tem uma narrativa fria, lenta, em linguagem que mistura documental com ficção. Algumas cenas são verdadeiramente vibrantes: a explosão no restaurante, o atentado contra agentes da CIA e o desfecho, que dá nome ao filme. O elenco é excelente, com uma hegemonia raras veze vista. Uma ótima decisão de Bigelow de não ter escalado atores famosos, pois aí se confere mais credibilidade. Sobra a Chainstain esse posto de nome forte do elenco. Ela, indicada ao oscar, está perfeita, durona na medida certa. A cena final dela é emocionante. Um filme que pode encher o saco de muita gente que espera apenas um filme de ação. Nota: 8

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Antiviral

de Brandon Cronemberg (2013) "Antiviral", de Brandon Cronemberg. Filho de peixe, peixinho é. Até mesmo na temática. Assim como David Cronemberg, essa estréia em filmes do filho Brandon trata do tema do corpo como hospedeiro para experi6encias científicas. Mutações, degeneração física, a paixão pelo mórbido, pelo desconhecido, pela dôr. "Antiviral"npoderia ter sido um filme de estréia do próprio Cronemberg, lá pelos idos dos anos 80. Ambientado no mesmo Canadá que ele filmou seus primeiros filmes, com a fotografia etérea e asséptica, a trilha sonora sinistra. E sim, atores desconhecidos do grande público, com exceção da pequena participação de Malcom Macdowell, que hoje em dia, só tem feito produções de baixíssimo orçamento e de qualiadde questionável. A história é mais do que bizarra: num futuro incerto, o culto a celebridades chega ao seu nivel máximo. Grandes laboratórios vendem celulas dos ídolos que são injetados em carne de hamburguer, etc, para que seus fãs possam se sentir mais íntimos. Mais: Os ídolos vendem os seus vírus, que são injetados nos laboratórios, para que os fãs sintam a mesma dor e sintomas da doença, a preços caríssimos. Syd é funcionário de um desses laboratórios. ele aplica injeçoes em clientes, mas aplica em si mesmo, escondido, para poder vender depois esse virus em mercado negro. Até que um dia, ele aplica um virus nele de uma atriz famosa, que logo depois, morre., Syd precisa decsobrir urgente que doença é essa que causou a morte dela, antes que ele também morra. Contado assim, o filme parece ser muito louco. e é. A gente não sabe se leva a sério ou não, tal a bizarrice da história. Esse é o principal problema do filme, nõ conseguir ser levado a sério. Outro sério problema, é a falta de ritmo, tornando o filme entediante, climático, bela fotografia, mas sem alma, sem vida. O que é uma pena. Os atores são bons, e parecem querer levar tudo a sério. Caleb Landry Jones, no papel de Syd, impressiona por sua figura pálida e fantasmagorica. O desfecho é um pouco confuso, mas existe uma surpresa em seu desenvolvimento, por isso não posso revelar aqui. Mas nada do outro mundo também. Fica a curiosidade de assistor a esse filme, mais pelo seu pedigree, do que pelo produto em si. Foi exibido em Cannes em 2012, causando certo furor. Nota: 5

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Romeos

de Sabine Bernardi (2011) Exibido na Mostra panorama do festival de Berlin 2011, esse filme alemão tem como tema central as várias facetas dos gêneros sexuais. Hetero, gay, lésbica e transsexuais, circulam na sociedade alemã de uma forma harmônica. O filme narra a história de Lukas , um jovem de 20 anos que na verdade, nasceu como Mina, uma mulher que resolveu fazer operação para mudança de sexo. Lukas toma várias doses de testosterona com a finalidade de ter voz e corpo masculino. Lukcas se muda para Colônia, para fazer um trabalho social, e reencontra Ine, uma amiga lésbica. Ine leva Lukas para a vida noturna da cidade, até conhecer fabio, um jovem gay, porquem Lukas se apaixona. Porém, teme dizer a Fabio que ela na verdade é transsexual. Toda essa confusão , narrada assim, parece um grande vaudeville. Mas a diretora Sabine Bernardi preferiu fazer um drama com tintas novelescas, com muito sofrimento, humilhação pública e porquê não, sensualidade. Como o filme é voltado para um público jovem ( o filme é cheio de cenas de festinhas, bebedeiras, zoeira de galera), as cenas de sexo são todas assepticas, apenas sugeridas e logo cortadas. O filme corre em ritmo lento e os 90 minutos parecem uma eternidade. Outro ponto fraco foi ter escalado o ator Rick Okon para fazer o papel de Lukas: fica difiícil acreditar que o personagem já foi mulher. O que não falta ao filme são clichês de situações românticas, sempre mirando uma históra de amor impossível, em um ambiente onde as pegações são constantes e o "one night stand" é a palavra de ordem. Nada muito diferente da vida dos jovens em qualquer outro lugar do mundo. Ah, a performance me lembrou bastante de Hillary Swank em "Meninos não choram", que com certeza, deve ter sido uma referência para esse filme. Nota: 5

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

O espelho

"Ayneh", de Jafar Panahi (1997)
Esse filme iraniano é de 1997, mas somente agora consegui assisti-lo. Eu particularmente adoro os filmes iranianos, eles são muito talentosos em realizar filmes cujos roteiros se baseiam normalmente em uma única premissa. Gearlmente, os filmes tecnicamente são pobres, com fotografia suja e som que absorve os ruídos externos. Mas justamente essa pobreza técnica é uma forma dos realizadores expressarem a sua postura perante a sua coiedade, o grito de consci6encia social e política. Panahi, por conta de seus filmes de conteúdo político, mesmo que disfarçado em histórias singelas, foi proibido pelo governo de ficar 20 anos sem ecercer sua funçào de cineasta. Essa sentença fou promulgada em 2010. "O espelho" é um filme que como diz o título, é uma metáfora sobre ficção e realidade, e o tênue limite entre eles. Panahi subverte a narrativa do cinema, criando um filme dividido em 2 partes: a primeira, ficcional, narra a história de Mina, uma menina de 7 anos, cuja mãe não apareceu para buscá-la na escola. De temperamente quente e facilmente irritada, Mina resolve voltar pra casa por conta própria, se deparando com pessoas que ora a ajuda, ora se mostra apática. Atravessando ruas de transito caótico, Mina se vê num mundo assustador, tudo sob o ponto de vista da menina. A segunda parte do filme é a história dessa mesma Mina, mas agora a atriz, que se rebela das filmagens e decide não mais atuar. A equipe fica atônita, porém o diretor Panahi pede para que a câmera contiue rodando. Assim, seguimos a atriz Mina até sua casa, novamente se deparando com pessoas que ora a ajudam, ora a ignoram. Essa crítica a sociedade iraniana é narrada de forma contundente e divertida. Mina é uma menina esperta, mas também muito irritante, naquela idade que as crianças querem saber de tudo. Eu mesmo não acredito que essa parte documental tenha sido deliberadamente acontecido. Acho que tudo foi forjado, já fazendo parte do roteiro. Acho estranho a câmera estar sempre no lugar certo, na hora certa, e que o som capte com tanta qualidade as falas da menina e das pessoas que ela pergunta. Mas tudo bem, isso n!ao minimiza a grande qualidade do filme, que é entender o processo de realizaçào de um filme, até mesmo delatar a estrutura da filmagem, seja por conta de mostrar a equipe por trás das câmeras, quanto pelo fato da personagem as vezes olhar pra camera ( teoricamente, pela falta de experiencia da atriz). A menian Mina é um trunfo, mas 90 minutos me pareceu tempo demais para seguirmos nessa sua peregrinação. Depois de um certo momento, a história se torna repetitiva e deixa de ser cuirosa. De qualquer forma, e uma experiencia única. Nota: 7

O vôo

"Flight", de Robert Zemeckis (2012)
Esse é mais um caso de filme que poderia ter sido muito melhor apreciado, se algum editor em sã consciencia tivesse sugerido ao diretor Robert Zemeckis a cortar pelo menos meia hora do filme. Existe um excesso de dramaturgia que entedia, que deixa o filme com uma enorme barriga. Gente, tantas histórias paralelas, tantos personagens, para apenas contar o drama pessoal de um Piloto de avião que entra em crise de consciência por conta de seu vício em bebidas e drogas? Pelo menos tecnicamente, e para variar, um filme de Zemeckis dá show nos efeitos especiais. A cena do acidente aéreo é de tirar o fôlego. Igualmente é a interpretação de Denzel Washington, saindo do lugar comum do bêbado que sai por aí se sacudindo em tudo que é canto. O elenco de apoio, especialmente Kelly Reilly , no papel da ex-drogada, e Melissa Leo, como a advogada do processo contra Whip (Washington), estão sublimes. John Goodman e Don Cheadle aparecem pouco em suas pontas, mas sempre com aquela dignidade costumeira. No mais, a bela trilha sonora recheada de ícones pop ( Zemeckis adora uma seleção musical, vide ""Forrest Gump") e a fotografia, também eficiente. O roteiro é muito criticado pelo seu desfecho, para muitos piegas. Mas todo mundo sabe que o público americano adora uma história de redenção, e aqui, não pdoeria deixar de ser diferente. Depois de 2;17 hrs de filme, a gente sai do cinema com aquela sensação de ter visto um filme honesto, mas também , xaroposo e longo, muito longo. Nada de novo no front. Nota: 6

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Mama

de Andrés Muschietti (2013)
Em 2008, o cineasta espanhol fez muito barulho ao realizar o curta de terror "Mama". Guilhermo del Toro viu e decidiu produzir um longa-metragem sobre o mesmo tema: a super-proteção materna. Um homem, desesperado com a crise financeira que assolou os EUA em 2008, mata sua esposa e leva suas 2 filhas pequenas até uma cabana na floresta, quando decide matá-las. Porém, chegando lá, ele é atacado por alguém, que o mata. 5 anos depois, as meninas são encontradas abandonadas, em forma selvagem. Um casal (Jessica Chastain e Nikolaj Coster-Waldau / Jaime Lennister de "Game of thrones") resolvem adota-las. Mas "Mama"não quer dividir seu amor pelas meninas com ninguém mais. O filme começa muito bem, com ótimo clima de suspense e sustos bem elaborados. Mas do meio pro fim, ele vai ganhando contornos cada vez mais fantásticos, o que é uma pena. Teria sido muito mais interessante se ele fosse mais realista. A fotografia é ótima, dando o clima necessário ao suspense. Mas alguns clichês no filme me irritam profundamente: personagens criados apenas para morrer lá na frente; sempre escurece quando uma pessoa decide vasculhar um local; quando falta luz, a pessoa decide iluminar o ambiente com flash de câmera fotográfica; como que alguém que elabora um verdadeiro tratado sobre o tema da psicopatia, deixa seu computador vulnerável, sem senha? Bom, pelo menos, o diretor teve a decência de chamar ótimos atores para protagonizar o filme. Jessica e Nikolaj Coster-Waldau estão bem, mas o filme é das 2 meninas: elas são fenomenais. Fico pensando que a postura da menina menor é feita por computação gráfica, tal a dificuldade de caminhar feito uma aranha. Para quem curte um suspense com bons sustos, e não se incomoda muito com a verossimilhança da história, o filme e um prato cheio. Para qem passa o filme todo cobrando coerência , como eu, bom, vale assistir as performances. Nota: 7

Skritek

de Tomás Vorel (2005)
Ver esse filme me trouce lembranças de 2 filmes fabulescos que gosto muito: "O ilusionista", de Jos Sterlling, e "Rumba", de Dominique Abel e Fiona Gordon. Em comum, os filmes tem a ausencia de diálogos, e grunhidos no lugar de falas. O patético e o grotesco da rotina de uma família classe média na Tchekoslovaquia vem em tons altamente bizarros e surreais. O marido é açougueiro e tem uma amante. A esposa trabalha em um caixa de supermercado e entra em crise nervosa. A filha pequena se imagina vendo um duende ( daí o termo Skritek, que quer dizer "Duende") e o filho adolescente é um anarquista que luta contra o sistema. O filme é recheado de gags visuais, que às vezes beira o pastelão. A fotografia acompanha essa linguagem de realismo fantástico, e o verde predomina em quase todas as cenas: na cor do duende, na plantação de maconha, no figurino, na floresta, no supermercado...A trilha sonora é vibrante, quase em tom farsesco, realçando a comédia. Por ser uma produção de baixo orçamento, os efeitos que recheiam o filme e lhe dão magia e encantamento, são bem simplórios, mas dignos da proposta do filme. ( a cena do pesadelo do marido, se imaginando no lugar do porco, e o porco como açougueiro, é antológica). O ritmo é bem lento, e assistir a esse filme é preciso muito boa vontade para querer entrar nesse universo lúdico e bufônico. Uma pérola do cinema do leste europeu. Nota: 7

domingo, 10 de fevereiro de 2013

O outro mundo

"L'autre monde/Black heaven", de Gilles Marchand (2010)
O cineasta Gilles Marchand comecou sua carreira cinematografica escrevendo roteiros para filmes franceses famosos, entre eles, "Harry, o amigo que veio para ficar" e " Lemming". Suas historias normalmente giram em torno do fantastico, da violencia, da obsessao por sexo, morte e desejo. Por isso, nao e' nenhuma surpresa que dessa vez, em sua incursao como diretor, ele tenha preferido um tema sobre a fantasia, no caso, o Universo do video-game. Um casal de namorados descobre por um acaso, um celular. O jovem comeca a ler os sms,e fica obcecado por uma garota, que induz os jovens ao suicidio. Mais tarde, ele descobre que o ponto de encontro de todos os jovens acontece durante o jogo "Black hole". O filme faz uma critica severa ao culto aos video-games, que interferem na vida dos jovens, causando danos. A historia teria sido mais interessante se ja nao fosse um tema batido no cinema: " Suicide room", filme ingles, e " Clube do suicidio", filme japones cult de Sion Sono, sao mais eficazes na mensagem. O mundo virtual criado no filme e' ate interessante, mas pouco explorado. O elenco, no entanto, embarca nessa fantasia com vontade, e e' uma grata surpresa ver jovens atores tao bons e promissores. Destaque para a jovem Pauline Etienne, no papel de Marion, namorada do rapaz, e de Louise Borgoin, no papel de Sam, a que induz as pessoas ao suicidio. Fica evidente a inspiracao de Jessica Rabbit no desenho de Sam, pela sua sensualidade e carga erotica. E' um filme curioso, que participou do festival de Cannes em 2010, na Mostra Midnight movies. O filme , uma pena, nao consegue atingir o publico adolescente, tanto pelo seu ritmo lento, quanto pela falta de sintonia com a linguagem jovem. Um filme que tentou buscar um publico, mas nao o alcancou. Nota: 5

Febre da primavera

"Sping fever", de Lou Ye (2009)
Ótimo drama chinês, que concorreu em Cannes 2009, é um filme extremamente ousado para os padrões chineses, considerando que a temática gay era proibida até o início dos anos 2000. You Le, o diretor, realizou outros filmes que também concorreram em Cannes , como "A borboleta púrpura" e "Summer Palace", além do recente "Amor e dor", que ele filmou na França . Seus filmes sempre versam sobre a intransigência, seja ela no campo do amor ou da política. Pouco conhecido aqui no Brasil, o seu cinema é realizado com imagens viscerais, que retratam a dor do desamor, da paixão exacerbada, da falta de comunicação. Uma de suas influências para "Spring fever"foi o clássico de Truffaut, "Jules e Jim". Um detetive é contratado por uma mulher que suspeita que seu marido a está traindo. Para sua surpresa, o marido o trai com um homem. Após a esposa criar um verdadeiro tumulto, o amante resolve se separar. Porém, o detetive acaba se apaixonando pelo amante gay. A grande força do filme, além do excelente trabalho de seus atores , é a excelência da câmera na mão de Jian Zeng, que a utiliza se froma sublime, quase uma coreografia. A china revelada no filme é uma China proibida, que aos poucos se abre para a cuktura ocidental: Nightclubs com musica eletronica, clubes de rock e especialmente, um club de drag queens, onde um dos personagens se exibe travestido de mulher. O diretor You Le, por conta de "Summer Palace", foi proibido de trabalhar na China por 5 anos, e volta com esse verdadeiro petardo emocional e melodramático sem pedir permissão para filmá-lo. Em muitos momentos, o filme lembra a atmosfera de "Happy Together", de Won Kar Wai, muito por conta do amor gay explíciito, trágico, quanto pela fotografia escura, e o uso de músicas pop extremamente românticas. O filme tem um ritmo muito lento, e pelo seu teor erótico ( existe uma cena de sexo gay no inicio do filme bem tórrida) não é recomendado para espectadores pouco liberais. É um exemplo de cinema chinês independente, que faz furor em festivais, mas que em casa, na China, continua sendo tratado como fruto proibido. Nota: 8

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Meu namorado é um zumbi

"Warm bodies", de Jonathan Levine (2013)
O título em português induz o espectador a ver uma paródia de filmes de zumbis. Lêdo engano: é um ótimo pipocão romantico, que claro, ppega carona no sucesso da saga "Crepusculo", com um diferencial, melhor que os 4 filmes da saga, juntos. O mundo está dividido em 3 grupos: humanos, zumbis e eskeletons ( zumbis já em avançado estado, sem qualquer sinal de humanidade). Os humanos se esnondem numa fortaleza. O coronel ( John Malkovich) envia um grupo para resgatar remedios, entre eles, sua filha Julie (Teresa Palmer) e o namorado dela, Perry (David Franco, irmão de James Franco). O grupo no entanto é atacdo por zumbis, e R (Nicholas Hoult) um zumbi adolescente, ataca e come o cérebro de Perry. No entanto, ao comer o cérebro, R recebe as lembranças do jovem, e acaba se apaizonando por Julie. Ele precisa salva-la dos zumbis e dos eskeletons. Depois do mega-sucesso da série "The walking dead", fica difícil assistir qualquer filme relacionado ao tema, sem fazer comparações. Aqui, o roteiro, baseado no livro de sucesso "Sangue quente", investe na teoria de quem quando se apaixonam, os zumbis voltam a ter sentimentos e esquecem sua condição de mortos-vivos. Os puristas que amam filmes de zumbis devem odiar esse filme. Mas o diretor Jonathan Levine, do excelente "50/50", um drama sobre pacientes terminais, investe no melodrama e na interpretaçào dos atores ( que não é bobo nem nada, contratou Malkovich para dar credibilidade ao projeto) e traz sensibilidade a esse filme notoriamente apelativo pro público adolescente, órfãos de "Twilight". Numa ena, eles sacaneiam Robert Pattinson, e maquiam o personagem R, dando vida à pele pálida. A trilha sonora é recheada de cancoes pop que varolizam o tom melancólico da história. A crítica falou mal, mas achei um filme digno, emocionante até em seu desfecho exacerbadamente romântico. Ah, e Nicholas Hoult, o jovem zumbi apaixonado, é o mesmo garotinho que em 2002, 10 anos atrás, fez o filme "Um grande garoto", com Hugh Grant. O tempo passa..... Nota: 7

Inatividade paranormal

"A haunted house", de Michael Tiddes (2013)
Protagonizado por Marlon Wayans, esse pastiche de 'Atividade paranormal" se utiliza de cenas famosas de vários filmes recentes de terror para sacanear a linguagem cinematográfica. Wayans ficou famoso por conta de seu papel dramático, o viciado de "requiem para um sonho", de Daren Aranofsky. Daí em diante, ele se especializou nas comédias satíricas, como "Todo mundo em pânico". O filme se utiliza da narrativa da câmera em terceira pessoa, mas acaba subvertendo até mesmo essa linguagem: várias vezes, a câmera não está nas mãos de ninguém, porém ela continua gravando. A história, como não poderia deixar de ser, narra a rotina de um casal que acaba de se mudar para uma casa do suburbio. O fato dos atores principais serem negros confere uma graça especial ao filme, muito por conta do linguajar do gueto de hip hop, quanto da auto-crítica aos fetiches da raça. O filme tem um problema sério de ritmo, principalmente na primeira parte, onde os risos são muito poucos. Com a entrada em cena do paranormal gay interpretado por Nick Swardson, as cosias mudam de rumo. O filme ganha um humor muito escrachado, culminando com o padre exorcista negro de Cedric the entertainer, hilário. Algumas cenas são muito engraçadas ( como a do paranormal gay que tenta dar em cima de Marlon o tempo todo, ou o estupro que Marlon sofre do espírito), e outras forçadas ( obviamente, todas as que envolvem peidos). Sim, o filme diverte a partir do segundo ato, mas mesmo assim, fica devendo e muito aos filmes clássicos de Jim Abrahans dos anos 80, com Leslie Nielsen no comando. Nota: 5

Caça aos gangsteres

"Gangster Squad", de Ruben Fleischer (2013)
Imaginem uma mistura de "Os intocáveis"e "Tropa de Elite". Sim, na Los Angeles de 1949, assolada pelo domínio do mafioso Mickey (Sean Penn), a cidade clama por um Capitão Nascimento. E ele vem na figura de John O 'Mara (Josh Brollin), um sargento da polícia incorruptível. Com a ajuda de sua esposa grávida, ele forma um grupo de elite, unindo especialistas em cada área de ataque. Um deles, o Sargento Jerry (Ryan Gosling), namora a amante de Mickey, Grace (Emma Stone), uma aspirante a atriz. Tecnicamente impecável, o filme parece até uma animação, tal a assepssia de seus figurinos, sempre impecáveis, e a direção de arte certinha, como vista em muitos filmes de gangsteres. Claro, Chinatown não podia faltar no filme, afinal, ela é um ícone da cidade desde o filme de Roman Polansky. A direção de Fleischer, que nos trouxe o anárquico "Zumbilândia", é correta, porém sem grande identidade própria. Tudo no filme sôa já visto. A história, a ambientação,a trilha sonora. Nesse mundo de deja vu, uma bela cena se sobrepõe: parece até uma referência a "Boogie Nights", filme de Paul Thomas Anderson. O plano sequencia começa na fachada da boite, entra com o personagem e circunda a pista. Muito bom plano. O filme tem um ritmo morno, existe um exagero de personagens na trama, que dilui toda a ação, e por conta disso, personagens importantes, como Mickey, acabam aparecendo pouco, e outros, são pouco explorados. O cineasta também abusa das cenas com câmera lenta, tirando a força das cenas que ralmente precisam dela. Para os espectadores brasileiros, a curiosidade de ver uma cena com uma duble de Carmen Miranda cantando numa night club. O filme investe no humor e também na extrema violencia, como na cena inicial, onde um homem é dilacerado ao meio. Para um pipocão de final de tarde, tá valendo. Nota: 6

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Vida e morte de uma gangue pornô

"Zivot i smrt porno bande" de Mladen Djordjevic (2009)
De tempos em tempos, o cinema oferece uma iguaria extremamente bizarra, desconhecida por quase todo mundo e que vira uma iguaria cult. Antes mesmo da polêmica de "A serbian film", o cinema sérvio produziu esse obscuro "Vida e morte de uma gangue pornô". Como em "A serbian film", censurado em vários países, aqui o foco também é a extrema violência como metáfora para a Guerra da Sérvia, que assolou o País e o destruiu a décadas atrás. Marko é um jovem recém-formado no curso de cinema. de família humilde, ele quer dinheiro para produzir um documentário. Sem chances de captar, ele se junta a um diretor de filmes pornô. Após desavenças, Marko foge, levando consigo alguns atores pornôs, e outros tipos marginalizados. eles formam um grupo de teatro pornô. Sem dinheiro , eles resolvem assumir a nocva faceta do grupo: produzir "snuff movies", filmes onde a violência e morte sao reais. Sexo explícito, violência extrema e alguma dose de humor e bizarrice, que inclui um boquete na genitália de um cavalo, esse filme com certeza não é recomendado para espectadores comuns. A produção é amadora, aoesar da boa atuação de alguns atores. No geral, o filme tem um clima bem melancólico, na linha dos filmes de Dusan Makavejev, cineasta Yuguslavo que tinha temas em comum, só nao apelando pro explícito, em títulos como "Montenegro, pérolas e porcos" e "Coca cola kid". Aos curiosos, o filme é um verdadeiro cabide de fetiches. Nota: 6

João e Maria- Caçadores de bruxas

"Hansel and Gretel- Witch hunters", de Tommy Wirkola (2013)
O filme já é estranho quando você ouve o tempo todo os personagens serem chamados de "Hensel"e "Gretel", e na tradução colocam "João "e "Maria". depis, mais estranho ainda, é Jeremy Renner narrando que "nunca se deve entrar numa casa feita de doce". E o pior de tudo, é o filme ser baseado em conto infantil de Grimm, e a gente descobrir que o filme é violentíssimo, e pais desavisados devem dar pulos na cadeira quando os pequenos presenciam decapitações, mutilações, cabeças esmagadas e corpos explodidos. O filme se passa numa época medieval, mas vemos vitrolas e armas de última geração. troll e Bruxas na mesma história? Bruxa boa e bruxa má? será "O mágico de Oz"? Gente, mas "Fuck"era dito na época em que se passa o filme? Bom, com tanta salada, o melhor é relaxar e não raciocinar durante a 1:30 hr de filme. Assim, podemos pensar que Jeremy renner e Fanke Jansem devem ter ganho uma bolada pra fazer esse filme bobo, que pelo visto, irá ganhar continuação. O filme bombou na bilheteria lá fora e aqui no Brasil. Se eu gostei? Bom, me revirei na cadeira mil vezes, mas fiquei entretido com tanto barulho que rolava durante o filme. Tiros, explosões, gritos, etc. Quando dei por mim, o filme acabou. E é só. Pelo menos, é uma adaptação muito melhor que "Branca de neve e o caçador". Uma pena que o diretor norueguês Tommy Wirkola, do divertido "dead snow", não tenha repetido o humor negro de seu primeiro filme. Nota: 5

sábado, 2 de fevereiro de 2013

A bela que dorme

"Bella addormentata, de Marco bellochio (2012)
Bellocchio é um dos cineastas italianos expoentes da geração dos anos 80. Seus filmes versam sobre política, violência, sexualidade. Por conta disso, seus filmes normalmente tratam de temas pol6emicos. Em "Diabo no corpo", ele incluiu cenas de sexo explicito que fizeram história. Recentemente, "Vincere" trouxe à tona Musssolini e fascismo, embalados num melodrama de altíssima voltagem. Agora, em "A bela que dorme", Bellocchio se utiliza da história real de Eluana Englaro para falar sobre vida e morte, no caso,a eutanásia. Eluana sofreu um acidente de carro e passou 17 anos em coma, até que seus pais se decidiram que querem desligar os aparelhos. Mas isso provocou uma extensa discussào a respeito sobre quem deve ter os direitos sobre a vida de um ser humano. Obviamente, a Igreja católica gritou. Os personagens do filme, com exceção do núcleo de Eluana, são todos fictícios. Bellocchio faz um verdadeiro painel sobre a solidão, sobre a falta de comunicação entre pais e filhos, entre povo e políticos. São mais de 10 personagens que circundam o filme: tem o senador que entra em crise de consciencia, se deve ou nao votar a favor da eutanasia; a filha do senador que luta pelo direito da vida; o jovem que se apaixona por essa moça, mas que possue um irmão mentalmente perturbado; uma viciada suicida e o médico que tenta salvá-la; a mã da jovem em coma, que se prende emocionalmente ao estado de saúde de sua filha, e que vive por ela. O filme tem uma bela direção segura, suntuosa, elegante, Fotografia dramática, trilha sonora grandiloquente, e o melhor, um time de atores de primeiríssimo nível, entre eles, Isabelle Huppert. Mas o excesso de sub-tramas esvazia o tema, que acaba ficando de escanteio. Por conta de tantas histórias a serem contadas, o filme fica longo, se arrasta. Bellocchio, como já tinha mostrado em "Vincere", muitas vezes exagera no tom do drama, e o torna melodramático, um grande novelão. Gostei, mas mais por conta das atuações do filme do que pelo filme em si. Nota: 7

O ABC das mortes

"The Abss of deaths, de Kaare Andrews, Angela Bettis e outros 25 diretores (2012)
Esse filme é um dos mais curiosos e bizarros que vi recentemente. 3 Produtoras independentes americanas investiram em 26 cineastas mundo afora, com uma missão: produzir um curta em 5 minutos, com orcamento de U$ 5 milc, e que tenha em sua narrativa 2 itens: ter uma morte, e usar uma das letras do alfabeto. Entre curtas latinos, americanos, franceses e japoness, esses últimos respondem pelos mais extravagantes. É difícil descrever a bizarrice dos japoneses, que misturam fetiches, sexo, violencia. Para se ter uma ideia, no curta "F for fart", uma colegial japonesa deseja morrer respirando gases venenosos que saem dos peidos de sua professora. O filme, de terror, tem muito pouco. É uma mistura de humor negro, animacao ( "Toilet" é excelente), realismo fantástico. Violento mesmo, somente o episódio frances "XXL" cumpre a sede de sangue dos espectadores. Alias, esse episodio é uma critica ao mundo da beleza padrao das modelos. Uma gorda, que sofre com humilhacoes na sua rotina, resolve emagrecer à força...ou melhor, na base da faca. Obviamente, que tantos filmes provocam tédio e alternancia na qualidade. Uns filmes são verdadeiramente ruins e toscos, outros imaginativos. Entr temas proibidos, o filme parece se preocupar mais em revelar tabus e fetiches do que causar qualquer tipo de medo nos espectadores. Coisa que eu não sento em nenhum momento. Nessa onda de coletaneas de terror, melhor assistir a "V/H/S". No mais, é curiosidade, com bons e maus atores no seu vastíssimo elenco. Nota: 6

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Os miseráveis

"The miserables", de Tom Hooper ( 2012)
Um aviso importante: As pessoas que não curtem musicais, especialmente os que odeiam filmes como "Os guarda-chuvas do amor", que é 100% cantado, melhor manterem-se bem afastados desse filme. Se esse não é o seu caso, deixe-se comover por uma linda história de amor e de honra. Tom Hooper, o diretor de "O discurso do rei", surpreende ao investir em um filme ousado, onde os atores cantam cada linha do texto, em uma mega-produçào de quase 160 minutos de duração. O elenco, diga-se de passagem, é todo extraordinário. Qualquer pequena participação aqui é feita com muita dignidade e vigor. Hooper desenvolveu um método curioso de filmar musicais: seus atores canta, todos ao vivo, sem playback, e é essa captação de som que ouvimos. Ou seja, as vezes o som sai meio sujo, abafado, mas é assim que ele quiz, sem estúdio, sem correções. Isso confere realismo ao filme. De tantas performances admiráveis, obviamente temos que destacar a de Hugh Jackman, soberbo, e de Anne Hathaway, que mesmo aparecendo pouco, rouba cada minuto com a sua densidade dramática carregada de emoção. Outra dupla formidável é a de Sasha Baron e Helena Bohan Carter, que trazem humor e leveza a uma trama tão soturna e sofrida. As duas crianças do filme também são fenomenais: a pequena Cosette, e o garotinho revolucionário. Jackman interpreta Jean Valjean, preso por ter roubado um pedaço de pão para alimentar um bebê faminto. Ele passa 19 anos na prisão, sob pesadas mãos do Inspetor Javert (Russel Crowe). Anos depois, rico, Valjean tem seu destino traçado por Fantine (Hathaway), que pede para que ele tome conta de sua filha Cosette. Porém, Javert surge, e entre rusgas do passado e amores proibidos, eclode a revolução. Sim, o filme é longo, cai o ritmo as vezes, mas no geral, é um belíssimo espetáculo, que para fãs de romantismo exacerbado e de musicais, é um prato cheio. Nota: 8