quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Gainsbourg- O Homem que amava as mulheres


"Gainsbourg-Vie Heróique", de Joann Sfar (2010)

Cinebiografia do Diretor, Compositor e Cantor francês Serge Gainsbourg. O filme começa na sua infância, nos anos 40, com a França ocupada pelos nazistas. Desde cedo, Gainsbourg já demonstrava gostar de mulheres e cigarro, suas duas grandes paixões. Seu pai o obrigava a ter aulas de piano, contra sua vontade. Já adulto, Gainsburg começa a compôr músicas populares, e aos poucos, começa a atrair atrizes, cantoras e todo o tipo de mulheres: Juliette Grecco, Brigitte Bardot, e finalmente, Jane Birkin, com quem teve sua filha Charlotte Gainsburg, atriz e cantora. O filme termina com sua morte aos 61 anos, em 1991, já decadente e alcóolatra.
Mesclando drama e realismo fantástico, o cineasta e ilustrador Joan Sfaar, mais conhecido pelas suas animações, faz uma interessante alegoria pop do Universo desse cancioneiro popular francês, Diferente de " Piaf", que optou por trazer uma narrativa mais clássica e melodramática, Sfaar acredita que o público se deixará levar pelo lirismo e pela fantasia que ele propõe. Durante o filme, um boneco retratando Gainsbourg acompanha o mesmo, dando um tom estranho que as vezes funciona, as vezes sôa estranho e tosco. O forte do filme é, antes de tudo, a atuação do elenco, e as caracterizações, que surpreendem. Eric Elmosnino nasceu para o papel. Impressionante a sua semelhança com o cantor. Laetitia Costa como Brigitte Bardot também causa frisson. A nota triste fica por conta da atriz Lucy Gordon, que interpreta Jane Birkin. Linda, talentosa, ela se enforcou em Londres, aos 29 anos. O filme é dedicado a ela.

Nota: 7

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

A Hora do espanto


" Fright Night", de Craig Gillespie (20011)

Charley (Anton Yelchin) e sua mãe Jane (Toni Colette) moram sozinhos em uma casa de subúrbio. Charley namora Amy e tem como Ed (Christopher Mintz-Plasse) seu melhor amigo. Jerry (Colin Farrel) é um estranho vizinho, que se mudou para a casa do lado. jerry tem bábitos estranhos. Ed cisma que Jerry é um vampiro, mas Charley nao acredita, até que um dia Ed desaparece. Charely vai tentar descobrir o paradeiro de Ed, e ao vasculhar as coisas pessoais do amigo, descobre que Ed estava certo em relação ao vizinho vampiro. Charley vai tentar ajuda com Peter Vincent (Dave Tennant), um charlatão que possui um programa de tv, sobre misticismo e vampirismo. O que Charley não sabe, é que Jerry tem planos com Amy, de torná-la vampira.
Refilmagem do clássico de terror adolescente de 1985, dirigido por Tom Holland, esse novo " A hora do Espanto" bem que tenta, mas nao chega ao charme do filme original. Claro, os efeitos são melhores, apesar do diretor Craig Gillespie querer manter os efeitos vintage, ou seja, quase uma repetição do amadorismo das caracterizações ( a boca grande do vampiro, por ex). O filme procura manter o clima nostálgico dos anos 80. O elenco , capitaneado por Anton Yelchin, ator que interpretou Tchecov em " Star Trek", está bem. Toni Colette é sempre uma deliciosa presença, mesmo que apareça pouco. Colin Farrel também está bem, cumprindo com sedução o papel do vampiro bonitão e bissexual. O filme exala homoerotismo, através dos personagens de Farrel e de Dave Tennat, boa parte das cenas sem camisa e mostrando o dorso sarado. Jerry ataca com o mesmo furor homens e mulheres. O amigo Ed é muito bem conduzido por Christopher Minyz-Plasse, o nerd de " Superbad". No filme anterior , era o ator Charley Brewster, que largou tudo para se tornar um ator de filmes gays. Peter Vincent também era mais interessante, interpretado por Roddy Macdowell, um ícone do cinema americano e da televisão. O personagem era mais divertido e mais paspalhao, e faltou esse humor nessa nova versão.
No mais, é um passatempo descartável, que se não traz nenhuma novidade, tampouco provoca desinteresse.


Nota: 7

Amor a toda prova


" Crazy stupid love", de Glenn Ficarra (2011)

Cal (Steve Carrel) e Emily (Juliane Moore) formam um casal feliz, pais de 2 filhos, um adolescente, Robbie, de 13 anos, e uma menina, Nanna. São casados a 25 anos. EMily foi a primeira e única mulher na vida de Cal. Um dia, porém, Emily anuncia a Cal que quer se divorciar. Perante o susto de Cal, ela diz que teve uma relação extraconjugal com seu colega de trabalho, David (Kevin Bacon). Cal se desespera. Acaba indo morar sozinho, Em suas noite de depressão, de bar em bar, acaba conhecendo Jacob (Ryan Gosling), um playboy garanhão e sedutor. Jacob resolve transformar a vida de Cal. O faz se vestir com roupas caras, mostrar postura perante as mulheres. CAl acaba seduzindo Kate (Marisa Tomei), que mais tarde, acaba descobridno ser a professora de inglês de seu filho, Robbie, que por sua vez é apaixonado pela babá de 17 anos, Jessica. Jessica no entanto, é apaixonada por Cal, que esconde essa sua paixão doentia pelo patrão.
Divertida e inteligente comédia, com resultado muito acima da média dos filmes americanos. Assistir a essa filme é uma grata surpresa. Parece que estamos assitindo a uma produção independente, no estilo de Miranda July, de " Eu, você e todos nós". É um quiprocó de pequenas situações de cotidiano, capitaneadas com muita delicadeza e sensibilidade nos diálogos. O roteiro é brilhante. A trilha sonora, recheada de canções pop dos anos 80, é outro achado.
O elenco está impecável: todos, sem exceção, brilham. Steve Carrel, Juliane Moore, Ryan Gosling, Emma Stone, Kevin Bacon, Marisa Tomei, fora outros menos conhecidos, que também funcionam a contento. Ri bastante, apesar do clima um pouco melancólico do filme, que na verdade, fala sobre a solidão e a tristeza pelas escolhas ceras ou erradas na vida.
Um filme imperdível.

Nota: 9

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

O Planeta dos macacos- A origem


" Rise of the Planet of the Apes", de Rupert Wyatt (2011)

O filme começa em algum País africano. Vários chimpanzés são capturados em seu habitat por caçadores. Em seguida, vemos vários dos chimpanzés sendo usados como cobaias em um Laboratório de genética em São Francisco. Will (James Franco) é um cientista que trabalha arduamente na busca de uma vacina que cure o Mal de Alzheimer. Will leva essa sua busca até a exaustão, mas mais por uma questão pessoal: seu pai (John Lighthow) é portador da doença. Will descobre que a chimpanzé " Olhos brilhantes" , após o uso da vacina, demonstra um grande apuro em sua inteligência. Porém, ao defender o seu filhote, ela acaba sendo morta. Will resolve criar o filhote em sua casa. Os anos se passam, e o macaco, batizado de Caesar, é intimamente ligado a Will e a seu pai. Caesar adquiriu de sua mãe o dom da intelgçencia apurada. Ao defender o pai de Will em uma briga de rua, Caesar acaba sendo preso e lavado até uma Instituição que cuida de primatas aprisionados. Caesar se revolta e começa a liderar um levante dos macacos, e assim, assumir uma fuga até o Parque da Cidade.
Ótimo pipocão, com excelentes efeitos que reproduzem as fisionomias dos primatas, com emoções, mesma técnica utilizada em " Senhor dos anéis" e " King Kong", e " interpretados " por Andy Serkis. O elenco está ok, mas o filme é dos macacos. O roteiro está a serviço do filme, e funciona muito bem. Curioso notar várias interferências durante da projeção do filme, do filme original com Charlton Heston. Vemos cenas de alguns de seus filme spassando em tvs, e até mesmo uma matéria de jornal relatando o sumiço da aeronave, onde supostamente estaria o personage de Heston. O ritmo é frenético,e o filme dosa bem o drama e a aventura. Muitas das cenas protagonizadas pelo macaco Caesar emocionam. O roteirista cumpre a sua função: faz com que os espectadores torçam pelos macacaos, uma vez que os seres humanos são todos toscos ou mau-caráter.

Nota: 8


Kylie 3D - Aphodrite Les Follies


(2011)

Muito bacana a iniciativa da distribuidora Movie Mobz exibir aos fãs, projeções em salas de cinema de shows recentes de seus artistas preferidos.
Aqui no caso, a australiana Kyle Minogue, que está na vida artística desde os anos 80, e sempre esteve no topo da preferência do público ávido pela dance music. Uma pena que ela não faça tanto sucesso aqui no Brasil. Esse show, baseado em seu último cd, chamado " Aphrodite", foi gravado em Londres, 2010. O palco, todo armado e decorado com temática grega, tem uma ambientação e figurinos meio de mau-gosto. Mas os fãs nem querem saber disso. Tudo remete a Carnaval e Brasil: desde os estandartes, carros alegóricos, até um número, onde vemos sambistas e jogadores de futebol. Na platéia VIP, vemos um fã brasileiro agitando a Bandeira do Brasil o tempo todo. Os dançarinos são ótimos, a seleção do repertório também agrada. Kylie canta basiacamente todos os seus hits, menos os dos anos 80 , " I should be so lucky" e " Locomotion".
Uma diversão garantida para quem curte a sonoridade pop de Kyle, considerada a " Princesa do Pop".


Nota: 8

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Onde está a Felicidade?


de Carlos Alberto Ricelli (2011)

Teodora (Bruna Lombardi) é casada com Nando ( Bruno Garcia) por 11 anos. Ambos são apresentadores de um programa de tv. Ela apresenta o programa de culinária "A receita do amor", e ele é comentarista de um programa de futebo. O Casamento deles está em crise. para piorar a situação, Teodora está para ser demitida, pois a estação de tv para o qual ela trabalha foi vendida para um grupo religioso. Ela se junta ao seu produtor, Zeca (Marcelo Airoldi) e resolve ir até a Espanha, encontrar com Milena (Marta Arralde), uma jovem, filha de uma amiga sua no Brasil. Juntos, os 3 resolvem fazer o Caminho de Santiago. Zeca quer produzir um programa sobre essa peregrinação, tendo teodora como protagonoista. Já Teodora espera que nessa viagem, ela consiga repensar a sua vida e achar uma luz no fim do túnel para a sua vida afetiva e profissional.
Essa Co-produção Brasil-Espanha tinha tudo para render uma ótima comédia romântica. Ricelli provou ser um bom diretor, em seu filme anterior, " O signo da cidade", também escrito por Bruna Lombardi. O que prejudica o filme é a sua falta de ritmo, e ausência de timing, um erro imperdoável para uma comédia, com momentos de escracho. Aqui o pastelão se mistura a uma comédia mais refinada, ao gosto de Almodovar. Aliás, figurino, direção de arte, e a caracterização das mulheres, tudo remete aos filmes do cineasta espanhol. A trilha incidental é pavorosa, reforçando qualquer intervenção na narrativa.
O elenco se esforça no que pode, dentro das limitações que os personagens se permitem. É estranho ver um casal formado por Bruna Lombardi e Bruno Garcia, pois é evidente a diferença de idade, ainda mais que os personagens são casados a mais de 11 anos. Bruno ainda lembra bastante o seu personagem no filme " de pernas pro ar", parece uma estensão de seu personagem. O elenco espanhol está ótimo, provando que eles nasceram para a comédia.

Nota: 6

terça-feira, 23 de agosto de 2011

A mulher selvagem


" The woman", de Lucke Makce (2010)

Em uma cidade do interior, vive uma família aparentemente feliz. Um bem sucedido advogado, sua esposa e os 3 filhos: 2 adolescentes de ambos os sexos e uma menina. Um dia, o pai surge com uma surpresa para a família: ele capturou na floresta uma mulher selvagem ( Pollyana McIntosh), e a aprisiona no porão. A idéia é civilizar a moça, mas aos poucos, o pai e o filho se tornam obcecados com a idéia de vitimizar e sodomizar a selvagem. A mulher e a filha , de início passivas, se opõem a idéia, mas logo as mulheres se tornarão vítimas dos homens.
Uma parábola sobre o mundo machista em que vivemos, onde os homens dominam e as mulheres são subjulgadas a funções onde não devem questionar absolutamente nada. São passivas, vítimas de violência doméstica, frágeis. O filme poderia ser uma resposta gore ao clássico " O enigma de Kaspar House", de Herzog. mas ele vai além ao mostrar a violência e crueza que se esconde dentro do ser humano. O filme é violento, brutal. As interpretações são ok, mas é Pollyana McIntosh e a jovem que interpreta a filha adolescente (Lauryn Ashley Clarke) quem mandam no filme. Um filme bizarro, que com certeza não irá agradar a muita gente, principalmente o público feminino. O filme causou furou no último Festival de Sundance de 2010.

Nota: 6

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O homem do futuro


de Claudio Torres (2011)

Zero (Wagner Moura) é professor de física em uma Universidade. Trabalha também como cientista em uma empresa de alta tecnologia, administrada por Sandra (Maria Luisa mendonça), sua amiga de longa data. Seu amigo Otávio (fernando Ceylão), também companheiro da juventude, constrói juntamente com Zero uma máquina que descobrem depois ser uma máquina do tempo. Zero, que se faz de cobaia, se teletransporta até o ano de 1991, ano em que era estudante de física e que se apaixonou perdidamente por Helena (Alinne Moraes), também estudante de física. Numa noite, na festa de fantasia da Faculdade, Helena prega uma peça contra Zero, auxiliada por Ricardo (Gabriel Braga Nunes). Zero procura então, com sua chance de poder mudar o passado, refazer a sua história e reconstruir seu amor por Helena. O que ele não esperava é que, mexendo no passado, tudo a seguir tomará outros rumos.
Impossível não associar " O Homem do futuro" a " Efeito borboleta" e " De volta para o futuro". O filme toma emprestado praticamente todos os motes desses 2 filmes, trazendo no caso, um humor mais chanchadesco. O roteiro é curioso, apesar de uma certa sensação de deja vu. A novidade fica por conta de termos vários personagens ( no caso, 3) iguais, contracenando com os seus próprios, cada um de sua época. As piadas são ingênuas, mas como o filme tem um clima meio sessão da tarde, está tudo bem. Wagner Moura como sempre arrasando, apesar de em alguns momentos caprichar na caricatura, tornando o seu personagem fora do tom e da realidade. Alguns efeitos não convencem, como os cromas em cenas de carro em movimento. Mas o efeito de teletransporte é bem feito. A trilha sonora é uma delícia, com pérolas pop rock dos anos 80, que estranhamente, no filme ganham um anacronismo, uma vez que o filme, em seu passado, se ambienta em 1991.
De uma forma geral, o filme pode provocar certo desentendimento no seu início. Eu mesmo fiquei um pouco confuso com o desenrolar da ação. Mas depois tudo vai ficando claro, mas mesmo assim, exigindo atenção do espectador.

Nota: 7


Comentários em breve

Balada de amor e ódio


" Balada triste de trompeta", de Alex de La Iglesia (2010)

Em 1937, durante a 2a guerra, o pai de Javier se apresneta em um circo, Durante o espetáculo, soldados entram e obrigam os artistas e frequentadores a lutarem a favor do excército de Franco. O pai de Javier acaba sendo morto e o garoto cresce em um ambiente dominado pela ditadura Franquista. Antes de morrer, o pai (Santiago Segura) prevê que o garoto será um palhaço triste, devido a tantas tragédias na família. Mais de 30 anos depois, Javier (Carlos Areces) trabalha como palhaço, uma tradição da família. Vai trabalhar em um circo, e imediatamente se apaixona por Natalia ( Carolina Bang), malabarista, amante de Sergio (Antonio de la Torre), também palhaço, porém um palhaço que faz rir. Sergio é violento, e vive espancando Natalia. Ao descobrir que Javier saiu com Natalia, Sergio os espanca. Javier se vinga, defsigurando o rosto de Sergio. E assim se inciia uma batalha pela posse de Natalia, entre tantas tragédias e mortes.
Alex de la Iglesia sempre foi um cineasta que trabalhou com o Universo sórdido, obscuro e trágico. Transitando entre o surrealismo, terror e paródias, os seus filmes sempre inovam pela narrativa inteligente e estranha. O espectador nunca sabe o que virá em seguida, tal a mistura de gêneros. O roteiro é surpreendente, pois sempre traz algum elemento novo à trama. A fotografia é maravilhosa, a trilha sonora idem. O tom sinistro e trágico do filme combina com a maquiagem brilhante que compõe os 2 palhaços aterrorizantes, interpretados de forma brilhante e segura por Araces e de La Torre. O filme reserva muitas cenas violentas, humor negro e sátira. Provavelmente muitos espectadores irão odiar o filme, mas para quem curtir, fica a ceretza de ter visto um espetáculo criativo, original, ousado.

Nota: 8

domingo, 14 de agosto de 2011

Tudo ficará bem


" Alting bliver godt igen/Everything will be fine", de Christoffer Boe (2010)

Jacob Falk ( Jens Albinus) é um diretor-roteirista, que está sobre pressão de um produtor que quer que o roteiro seja entregue até o fim de semana. Na volta para casa, Jacob atroplea um homem, que lhe entrega uma bolsa. Jacob percebe então que atropelara um intérprete de guerra, que lhe entregou fotos incriminando soldados dinamarqueses que torturavam prisioneiros árabes. Ao mesmo tempo que Jacob acha que está sendo perseguido por pessoas influentes do Governo, sua esposa, helena, aguarda documentos de adoção de uma criança. Jacob passa a desconfiar de todos, e sai em busca de uma verdade.
Interessantíssimo exercício de suspense dinamarquês, com fortes influências do cinema de Hitchcock. Uma trama aparentemente confusa, que no desfecho procura amarrar as pontas, mas mesmo assim saímos com a sensação de ter perdido algo. Muitas perguntas ficam em aberto. O ritmo às vezes é lento para um filme de suspense, mas o filme na verdade, descobrimos ser um drama. Ora um romance, ora drama de guerra. Ótima interpretação de Jens Albinus, ator-fetiche de Lars Von Triers. A fotografia é interessante, com intervenções de luzes estouradas no meio da cena. Christoffer Boe é um cineasta oriundo do Dogma, daí se explica tanta câmera na mão e cortes abruptos na cena. Mas Boe deixou de lado a cartilha, ao fazer uso de trilha sonora abusiva.

Nota: 7

Luzes da Cidade- Projeto Música e Imagem


" City Lights", de Charles Chaplin (1931)

Já vi " Luzes da cidade" umas 10 vezes. Mas revê-lo em telão no Teatro Municipal, associado a uma orquestra regida ao vivo, é uma experiência que deve ser apreciada por todo cinéfilo.
Interessante como mesmo após rever o filme tantas vezes, assisti-lo mais uma vez me pareceu como se tivesse vendo pela primeira vez. Não sei se foi porquê vi numa tela gigante com orquestra, que me deu essa impressão.
A História do amor do Vagabundo por uma florista cega me emociona muito. O filme é recheado de cenas antológicas, em especial a cena da luta, que é hilária. Chaplin está tão genial nesse filme... e pensar que esse filme faz esse ano exatos 80 anos de idade, deixa claro que o Cinema já era brilhante em seus primórdios, e que o que foi feito depois disso, são piadas recicladas de um repertório impecável. Tudo aqui é sublime: roteiro, trilha sonora, atuações, o trabalho de câmera, as gags.


Nota: 10

sábado, 13 de agosto de 2011

Dylan Dog e as criaturas da noite


" Dylan Dog, Dead of Night", de Kevin Munroe ( 2011)

Filme baseado nos famosos quadrinhos italianos " Dylan Dog", de Tiziano Sclavi.
Dylan Dog é um detetive americano, que mora em New orleans. Ele é especializado em casos paranormais. Um dia, ele é chamado por uma cliente, Elizabeth, cujo pai foi assassinado pelo que parece ser um lobisomem. Logo, Dylan se vê envolvido com vampiros, lobisomens e zumbis, que convivem com os seres humanos sem que eles percebam. O mundo em breve irá testemunhar o surgimento de um ser mutante, que irá dominar a Terra dos vivos e dos mortos. E Dylan tentará impedir que isso aconteça.
Um dos piores filmes que vi recentemente, se fosse trash seria mais divertido. Mas o filme não tem o humor que seria necessário para torná-lo involuntariamente engraçado. É um filme B ruim, no pior sentido. Brandon Routh é péssimo ator, muito pior do que se possa imaginar. Sua atuação é sem nuances. Ele fala tudo automaticamente, sem sentimentos. O ator que interpreta o seu assistente é mais engraçado, e acertou ao não levar nada a sério. Mas existem muitas cenas constrangedoras. A cena deles fazendo compras em um supermercado de corpos humanos para zumbis é tosca demais. Algo de inacreditável.
Os efeitos são ruins. Parece que a intenção dos produtores foi homenagear os efeitos típicos dos anos 80, com maquiagem e sangue jorrando aos borbotões. O filme não tem ritmo, não tem química. Um erro total. Se você estiver de bom humor, pode ser que você curta o filme. Caso contrário, esqueça.
Nota: 4

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Cowboys e Aliens


" Cowboys and aliens", de Jon Favreau (2011)

Jake Lonergan (Daniel Craig) surge desmemoriado em uma cidade no Arizona de 1873. Não se lembra de nada: surge ferido, e portando uma espécie de bracelete futurista no seu braço. Atrás de respostas, ele aparece em uma cidade, onde é mal visto pelo sherife local e pela população. O Coronel Dolarhyde (Harrison Ford), o homem mau da cidade, quer banir Jake do local. Porém, um ataque alienígena fas os homens unirem suas forças, uma vez que parte da população é sequestrada pelos aliens. Ao mesmo tempo, Jake vai recobrando aos poucos sua memória, até chegar a uma terrível revelação.
Curiosa mistura de faroeste e ficção científica, dirigida por Jon Favreau , mesmo diretor da franquia " Homem de ferro" e produzida por Spielberg. Porém, achei que a mistura do bolo não funcionou. Existe uma briga entre os dois gêneros no filme. Os personagens não são convincentes, esterotipados no universo dos filmes de bang bang: o homem solitário, o homem mau, a mocinha que ajuda o herói por amor, etc. Os alienigenas lembram demais os tipos de " Distrito 9", e as cenas de abdução lembram muito " Guerra dos mundos", de Spielberg. O elenco está no automático. Harrison Ford está incrivelmente envelhecido. Daniel Craig não está muito à vontade. O ritmo do filme é arrastado, e na primeira parte do filme, não vemos muito as criaturas, pois está tudo muito escuro. O roteiro no final das contas é uma bobagem. Apenas um passatempo aborrecido.

Nota: 5

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Um novo caminho


" Le dernier pour la route/One for the road", de Philipe Godeau (2009)

Hervé é um ótimo profissional e bom pai de família. Porém, o que poucos sabem, é que ele é um alcóolatra. Tendo sido derrotado diversas vezes pelo vício, que praticamente destrói sua vida, a esposa dele resolve interná-lo em uma clínica de recuperação. Para espanto de todos, Hervé aceita, dessa vez com a intenção de realmente se livar da bebida. Porém, chegando lá, ele percebe a difícil missão, e observa os seus colegas de tratamento, todos com o mesmo problema. Hervé acaba se apaoxinando por uma outra interna, Magali, que também tem os seus problemas pessoais.
Belo drama franês, com atuação impecável de François Cluzet, no papel principal. Ele evita os clichêes de bêbados,e compõe com minimalismo e elegância esse difícil personagem. Antipático, pouco amável, o espectador pouco se simpatiza com a sua personagem. Mas mesmo assim acompanhamos a dor de um pai de família, que tenta o quanto pode se livrar do vício. O filme não procura levantar moral, nem dar um final feliz. Realista, faz um relato dentro de uma clínica, e acompanhamos o quanto é duro ficar livre de algo que nos faz bem. Ótimo elenco de apoio, tecnicamente correto. Narrativa fria mas sempre intensa.

Nota: 8

domingo, 7 de agosto de 2011

Cartas para Deus


" Letters to God", de David Nixon e Patrick Doughtie (2010)

Tyler é um menino de 8 anos de idade, e vive numa cidade pequena do tenesse, com sua mãe e seu irmão mais velho. Tyler tem tumor no cérebro. Porém ele encontra força e pensamento positivo para continuar sua luta, mesmo que os tratamentos contra a doença o deixem abatido fisicamente. Tyler escreve diariamente cartas para Deus, relatando o seu dia a dia. Seu irmão mais velho odeia Tyler, por ele chamar a atenção da família e ser o responsável pelo pouco dinheiro que a família tem.Um carteiro alcóolatra se emociona com as cartas do menino e os lê. O exemplo do menino o faz repensar sua vida: ele perdeu a guarda de seu filho e foi abandonado pela esposa por conta do seu vício. Brady, o carteiro, encoraja Tyler a fazer o que mais gosta: jogar beisebol.
A história é baseada em fato real: o livro escrito por Patrick Dougthie é inspirado na história de seu filho, Tyler Doughtie. De forte inspiração cristã, o filme foi feito sob encomenda para agradar espectadores católicos. Assim como os filmes espíritas, tão em voga atualmente aqui no Brasil, " Cartas para Deus" tem a sua função. Sempre digo que esses filmes estão acima de críticas. Não foram realizados para isso. Com todas as suas boas intenções, o filme procura emocionar o espectador de qualquer jeito. Um melodrama forçado, com trilha sonora emotiva, personagens carismáticos, mensagem edificante. Não tem erro, o filme atinge a sua meta. Parece um filme da Disney, de tão asséptico e puro de intenções. Um ponto fraco é a atuação das crianças no filme: irritantes, lembram muito as crianças de novelas Globais: pequenos homens e mulheres em corpo de crianças.
É o tipo de filme edificante que pode trazer alegria ou a ira dos espectadores.

Nota: 6

sábado, 6 de agosto de 2011

O amor de Siam


" Rak haeng Siam ; Love of Siam" , de Chukiat Sakyeerakul (2007)

Tong e sua família vão morar em uma região em Bangkok, e se mudam em frente a casa de Mew. Os dois meninos se tornam então os melhores amigos, inseparáveis. Um dia, a irmã de Tong segue para uma excursão de escola, e desaparece. Esse fato causa uma ruptura tremenda na vida dos dois: a família de Tong, abalada, se muda. Mew sofre demais com essa separação do amigo. Anos se passam, e agora já adolescentes, eles se reencontram. Tong agora é líder de uma banda na escola. Mew nutre pelo amigo uma paixão platônica, que acaba se desenvolvendo para um verdadeiro amor. Sofrendo pelo amor não correspondido, Mew vai se isolando das pessoas e da família.
Belo drama Tailandês, cuja cinematografia tem crescido enormemente nos últimos anos. O diretor se utiliza da fórmula de filmes americanos e cria aqui um melodrama adornado com canções de fácil melodia, atores jovens e bonitos, fotografia colorida e edição dinâmica. O filme é uma pérola pop. Tudo nele agrada a espectadores de várias faixas etáreas: Adolescentes e adultos. Além do romance, o filme tem a parte dramática, através da depresssão vivenciada pelos pais de Tong, brilhantemente interpretados. Um filme gostoso de assistir, e que não faz feio a nenhuma cinematografia mundial. Fez enorme sucesso na Tailândia e em circuitos alternativos. O único porém é a longa duração do filme. existe incluisve uma versaõ alternativa do filme, com quase 3 horas de duração.

Nota: 8

Submarino


" Submarine", de Richard Ayoade (2010)

Em primeiro lugar , não confundir com o filme homônimo de Thomas Vintemberg, " Submarino".

Oliver Tate (Craig Roberts) é um jovem de 15 anos, que mora no subúrbio londrino. Filho único de um casal desajustado e apático, verdadeiros loosers, Tate estuda em um colégio. Lá, ele enfrenta bullying, e ao mesmo tempo, revida em uma colega gorda. Acaba se apaixonando por uma garota, Jordana (Yasmin Paige), que se mostra um pouco relutante na relação, sempre se mantendo fria. Tate descobre depois que a mãe de Jordana tem câncer e possui pouco tempo de vida. Ao mesmo tempo, Tate desconfia que sua mãe trai seu pai com um vizinho, um místico que se apresenta em shows e tv.
Bom drama inglês, com belíssima fotografia e trilha sonora, composta por Alex Turner, vocalista dos Artic Monkeys. A direção de Richard Ayoade é bastante ensível, captando com poesia e beleza o drama de um adolescente, às voltas com primeiro amor e traição. O filme exala o tempo um clima de constante melancolia. Todos os personagens do filme tem um quê de loosers, falta de ambição. A narrativa é lenta, às vezes entediante, até mesmo pela falta de originalidade do tema. Mas de uma forma geral, é um filme interessante, com boa interpretação do elenco, principalmente o casal jovem. Os adultos são retratados com certa caricatura, que causa estranheza. No mais é de deixar envolver pelo romantismo nostálogico pregado pelo filme, embalado por belas canções de amor.

Nota: 7

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A árvore da vida


" The tree of life", de Terrence Malick (2011)

Nos anos 60, no Texas, Jack, um menino de 10 anos, convive com seus dois irmãos menores e seus pais em uma casa de subúrbio. Classe média, o pai (Brad Pitt)vive de caixeiro viajante. Jack sofre bastante com o autoritarismo de seu pai, um homem rude e que deseja que seus filhos cresçam fortes, como todo white american. A mãe é submissa, e não consegue interferir nos arroubos emocionais do marido. Um dia, com os filhos mais crescidos, descobrem que o filho do meio morreu em combate. Isso deflagra uma crise emocional e existencial na família, que começa a ficar descrente de Jeus, apesar de serem católicos fervororos. Jack é o mais afetdao. Passa a recordar momentos de convivencia com o irmão e com os pais. Jpa crescido, agora na pele de Sean Penn, Jack trabalha em uma empresa multinacional, mas continua um tipo amargurado, cercado por uma floresta de concreto, contrastando com a floresta natural que ele habitava quando criança. Jack começa então a delirar sobre o processo da criação do mundo, o porque da existência humana, e nossa missão na terra.
Belísssimo filme experimento de Terrenca Malick, uma ousadia narrativa que merece o carimbo de genial. O filme reúne talvez as imagens mais deslumbrantes, hipnóticas e sedutoras do cinema. Os movimentos de camera, sempre em movimento, sublimes, testemunhando os fatos isolados na vida dessa família, que vive com amargura, temor, melancolia. A fotografia, a montagem, a trilha sonora, as cores, direção de arte, tudo contribui para um tom de solenidade de grandiosidade, molduradas por música sacra. Sim, o filme exala religiosidade, através da história da fampilia, sempre fiel as idas da Ijgreja aos domings, mas que fica descrente a Deus após a morte do filho. A mãe principalmente culpa Deus, e o rejeita. O filho Jack imagina então o processo de criação do mundo, contrariando a doutrina católica: O ser humano adveio de um mundo pré-histórico, e não de Adão e Eva. O Big bang, a teoria do Cosmo. O desfecho lembra o filme " Nossso Lar": um mundo de luz, onde pessoas são felizes e vagam com seus familiares, reeecontrando-os e deixando-os livres para partirem.
O elenco está todo formidável, mesmo que não haja cenas contínuas, tudo fragmentado e nos rostos dos atores. Não existe a possibilidade desse filme agradar ao público. frio, longo, arrastado, tem que se abstrair do conceito de filme e se deixar levar por uma profusão de imagens narradas emtom de confissão espiritual.
Muita gente odiou. Não fiquei apaixonado, mas reconheço de fato a importãncia artistica dessa obra. Uma elegia a um trabalho de um artista visionário e pessimista, que procura acreditar na redenção do ser humano, no fim da vida.
Uma parábola sobre o perdão. E que causa um estranhamento: parece que estamos assistindo ao nosso último suspiro na terra.

Nota: 8

segunda-feira, 1 de agosto de 2011